Colunista Júnior Gurgel

  • OS EFEITOS NEGATIVOS DAS PESQUISAS

    06/09/2018

    A classe política nunca entendeu a real importância de uma pesquisa, como “instrumento de navegação”, usado para nortear a rota de uma campanha eleitoral. Interpretam exatamente o contrário, quando creem que os índices favoráveis podem mudar a opinião do eleitor, já decidido. Uma nota do Instituto Datafolha, lida esta semana na TV Globo News pelo jornalista e apresentador Eraldo Pereira - respondendo crítica de um dos presidenciáveis sobre suas amostragens no pleito de 2014 - explicava que o acontecido nas eleições daquele ano foi uma mudança repentina do sábado para o domingo de 14 milhões de eleitores (?). Isto, sem que tenha ocorrido nada de extraordinário, pois na lei do silêncio (72 horas antes do pleito) nem renuncia pode ser divulgada. Por que os institutos insistem em tentar manipular a população?

    Aqui na Paraíba já foram divulgadas cinco pesquisas eleitorais, atendendo as três candidaturas que disputarão o governo do estado no próximo 07.10.2018. José Maranhão venceu em duas, Lucélio em uma e João Azevedo também em duas, inclusive nesta última - realizada pelo Bigdata - denunciada pelo blog do marqueteiro Dércio Alcântara (jornalismo investigativo) como tendenciosa, em função do proprietário do “famoso” Instituto, David Clemente Monteiro, ser um fornecedor de serviços para o governo do estado, faturando entre 2013 e 2017 através da empresa Geri, 200 milhões de reais.

    O mais incrível é que a maior vítima e testemunha do insucesso deste malogrado tipo de “maracutaia” é o próprio Ricardo Coutinho. E logo ele, utilizar agora deste tipo de sofisma? Nas eleições municipais de João Pessoa (2004) quando se elegeu prefeito da capital, Ricardo Coutinho nunca esteve na frente em nenhuma pesquisa. A última e a de “boca de urna” apontou um segundo turno. Ele venceu no primeiro e com maioria expressiva. Vieram as eleições de 2010, e 72 horas antes do pleito de 03 de outubro (quinta-feira), em rede nacional a TV Globo divulgou a pesquisa do Ibope, indicando uma vitória esmagadora de José Maranhão no primeiro turno, com uma margem de 22% de maioria sobre Ricardo Coutinho. Se não existisse a postulação do PSOL, que obteve 12 mil votos, a derrota do peemedebista da época seria no primeiro turno.

    A pesquisa tem como objetivo identificar as falhas da campanha, erros do candidato, regiões onde o mesmo não é aceito e sua rejeição. Nada que não possa ser mudado ou corrigido, através da coordenação geral, com apoio da equipe de marketing e comunicação. Porém, se os dados não estiverem corretos o estrago pode ser fenomenal. A oposição (derrotada pela pesquisa) se enfurece, e o eleitor se transforma em militante. Reagindo de forma contrária, a situação (vencedora nas estatísticas) se acomoda com a certeza do triunfo.

    Em nossa postagem de ontem mostramos os números das eleições de 2010. A certeza da vitória de José Maranhão, garantida pelo IBOPE/REDE GLOBO, provocou uma abstenção de 506 mil votos no primeiro turno. Se os números revelados mostrassem um empate técnico, a mobilização poderia ter favorecido o candidato derrotado, que talvez saísse vitorioso do pleito, já no primeiro turno. Entretanto, a pesquisa mentirosa estendeu seus efeitos negativos no segundo turno, provocando a incredulidade generalizada do eleitor na vitória de José Maranhão.

    Este tipo de vício não foi inventado e nem praticado apenas na Paraíba. O que se observa no momento, no quadro da corrida presidencial, é um verdadeiro absurdo. Finalmente os Institutos admitiram Jair Bolsonaro como primeiro colocado. Porém, estagnado. E, inconformados, já prenunciam que ele perde para qualquer adversário no segundo turno (?). Os eleitores talibãs de Bolsonaro estão numa verdadeira batalha campal, nas redes sociais, indignados com este comportamento atípico e acintoso das redes de TV e grande mídia nacional. Se porventura o candidato do PSL vencer no primeiro turno virão as justificativas de sempre: mudanças repentinas.

    Voltando a Paraíba, para dar um pouco de credibilidade aos números todos os institutos divulgaram em suas amostragens o senador Cássio Cunha Lima como o primeiro colocado na disputa para o Senado Federal. E isto é fato. No início deste ano, relatamos em um artigo neste espaço que percorremos o sertão paraibano e o povão que não respira política, só conhecia Cássio, José Maranhão e Ricardo Coutinho. A campanha de Lucélio foi mal elaborada, quando quiseram transformá-lo num outsider. O povo sabe que ele não representa nada de novo e é despido de excentricidade.  Na verdade, seu papel é de um porta-voz oficial da junção de quatro ou cinco famílias políticas oligárquicas da Paraíba, já em desentendimentos. João Azevedo tenta “incorporar” Ricardo Coutinho. Impossível. Perde sua originalidade, e se torna réplica com acabamento de péssima qualidade. Estas constatações poderiam ser obtidas através das pesquisas qualitativas, e seria fácil de serem alteradas, corrigidas ou readequadas. Mas, os nossos genais “marqueteiros” desprezaram a publicidade e adotaram a “alquimia”. Tentam por em prática os místicos experimentos milenários, de resultados históricos nunca comprovados: transformar chumbo em ouro.

  • A HORA DO DINHEIRO

    05/09/2018

    Candidatos ao Parlamento – e Governo dos Estados - começaram a experimentar pela primeira vez os efeitos da nova legislação eleitoral que acabou com doações de empresas às campanhas e criou o financiamento público, limitando a gastança, em 1.716.209.431,00, valores que serão divididos entre 31 partidos (exceto PSL de Bolsonaro que não aceitou) para cobrirem os gastos de todos os seus postulantes, de Presidente da República a deputado estadual.

    Na visão do eleitor desinformado ou ignorante, esta campanha é aguardada como a descoberta de uma nova “serra pelada” (corrida do ouro), com todos os candidatos com muito dinheiro. O valor do sufrágio será hiperinflacionado. Se baixarem a “per capita”, será pior. Receberão de todos, e no dia votarão num mero desconhecido.

    Os desassossegos aqui na Paraíba já começaram. Deputado estadual Ricardo Barbosa deu um chute no “pau da barraca”. Foi enfático no seu pronunciamento, acusando o governo do estado de constranger (chantagear) o servidor público, exigindo seu voto de forma escravocrata. Onde está o Ministério Público Eleitoral? Não vai investigar e instaurar procedimentos cabíveis? Uma denúncia deste tipo é muito grave. Fere a democracia e macula duas cláusulas pétreas da nossa Constituição Cidadã: voto secreto direto, universal, e direito e garantias individuais. A “lona” do PSB quase cai por cima de muitos. Ameaça durou poucas horas. Atendido, o deputado tergiversou e deu uma desculpa “esfarrapada”. Resta saber se o sinal amarelo não acendeu no MPE.

    Enquanto o Palácio da Redenção se mobilizava para silenciar Ricardo Barbosa, em Campina Grande a “espinha dorsal” da base aliada do prefeito Romero Rodrigues se insurgia e declarava apoio (segundo voto) ao candidato ao Senado de José Maranhão, ex-governador Roberto Paulino. O$ motivo$? O$ me$mos de Ricardo Barbosa. Afinal, Daniella é deputada estadual, candidata ao Senado pelo PP por imposição de seu irmão, Aguinaldo Ribeiro – líder do governo na Câmara dos Deputados e ex-ministro das cidades - e ainda conta com apoio de seu pai, vice-prefeito de Campina Grande.  Não tem dinheiro? É brincadeira... Não adianta Cássio pedir ou Romero implorar. Aguinaldo Ribeiro - que dá aulas de “sabedoria” a Raimundo Lira - lançou Daniella como “caronista” de Cássio. Para o eleitor e as lideranças, o “carona” é suplente, não candidato. Quem impediu duas tentativas de impeachment do Presidente Michel Temer tem as chaves do tesouro da república. Mais uma vez, a enganada foi Daniella, que reviverá o pesadelo de 2012. Ainda existe tempo de reverter o quadro, basta Daniella oferecer redutos ao senador Cássio Cunha Lima, como segundo voto. Do contrário, quem dispõe deste “estoque” é Roberto Paulino.

    Quem está no poder - na ótica do eleitor que ao longo do tempo mudou de corrompido para corruptor - pode tudo e tem dinheiro. Política é negócio para milionários. Ideologias? Ficaram nos anos 70 do século passado. Nas eleições de 2010, o governador José Maranhão – candidato a reeleição – subestimou não seu adversário Ricardo Coutinho, mas a esperteza e sagacidade do eleitor, que mandou o recado através de suas lideranças: de graça, votavam em Ricardo Coutinho. Aconteceu no primeiro turno. Ricardo Coutinho saiu na frente de José Maranhão com 942.121 votos. Com a “caneta na mão”, o então governador ficou atrás: 933.754, diferença de 8.367. Votos nulos e brancos foi vingança: 237.306 e 101.032 respectivamente. Total de eleitores em 03/10/2010: 2.720.265, abstenção de 506.000 votos.

    De posse do mapa que contabilizava as baixas da primeira batalha, governador José Maranhão não pôde, ou não dispôs de meio$ para recrutar mais reservas para seu exército enfrentar o inimigo no segundo combate. Os estragos foram maiores e bem catastróficos. Ricardo Coutinho 1.079.164, José Maranhão 930.331. Diferença pró Ricardo 148.833 votos. Sufrágios nulos despencaram de 237.306 para 141.228. Os brancos de 101.032 desceram para 48.703.

    Ricardo Coutinho em 2018 repete José Maranhão de 2010. A campanha de João Azevedo estagnou e tende a cair. Se ele não abrir a algibeira, “de graça” o povo aproveita o ensejo para “agradecer” José Maranhão por suas três gestões exitosas na Paraíba, trazendo-o de volta ao Palácio da Redenção. Em tempo: Lucélio não tem mais como “arrancar” nada da PMJP e Romero Rodrigues já foi além do seu limite. O MPE está de olho na PMCG, PMJP e Governo do Estado. Se não fizeram reservas em tempo hábil, agora é tarde demais.

    O registro dos fatos acima se inspira em “denuncias”, não em “apologia” ao continuísmo de crimes eleitorais praticados por décadas, desconhecidos ou ignorados pela Justiça Eleitoral Brasileira.

  • Tucanos na cola de Zé

    03/09/2018

    Para os céticos que subestimavam o crescimento constante – agora em ritmo acelerado – da candidatura do ex-governador José Maranhão (MDB), as fotos comprovam os fatos. Na última quarta-feira (29/08/2018) ao lado do Jornalista Josué Cardoso, testemunhamos a inauguração do comitê de José Maranhão em Campina Grande. Observamos um apoio suprapartidário de inúmeros formadores de opinião da cidade, prestigiando o evento e aplaudindo com entusiasmo o discurso do “mestre de obras”. Avistamos as cores do PSDB, PSB; lideranças que têm ligações com Cunha Lima, Rego e Ribeiro “avermelhadas”. A presença e o entusiasmo do “marqueteiro” Dércio Alcântara – segundo o amigo e escriba jornalista Marcos Marinho – defenestrado das hostes socialistas. Giordano Nóbrega – irmão de Ana Cláudia, esposa de Veneziano Vital do Rego, candidata a deputada federal – se destacava entre os presentes. Amigo e Jornalista Basílio Carneiro (PT) comentava ao nosso lado a fidelidade de Maranhão a sua legenda nos momentos mais cruciais: eleição e reeleição de Lula.

    Constatamos que não precisa mais explicar – ou duvidar - da posição de primeiro lugar, conquistada por José Maranhão, na recente pesquisa de intenção de votos realizada em Campina Grande. Com um discurso inovador, totalmente diferente de todos das pregressas campanhas, José Maranhão usou de uma linguagem republicana “construtiva”, não se referindo particularmente a nenhum dos “Caciques” que comandam as postulações adversárias. Pelo contrário, destacou que aquilo que existe de bom, e está funcionando na Paraíba – obras, serviços e ações de outras gestões – não só serão mantidas, mas ampliadas. Na sua alocução de caráter estadista, mostrou que radicalismo de outrora ficou realmente no passado. Desprezando as “picuinhas” paroquianas, enfatizou que na dinâmica da política, adversários de hoje podem ser correligionários de amanhã, e vice-versa.  Prometeu levar o “Estado” (em seu governo, caso seja vitorioso), onde sua ausência é cobrada: segurança pública, saúde; garantia hídrica, não só para o abastecimento humano e animal, mas também como suporte para alavancar o emprego e renda permanente.

    Se Tovar Cunha Lima estava no palanque de José Maranhão em Piancó – ao lado do Prefeito – deixa a nítida impressão da sua preocupação em não perder votos, num dos seus principais redutos no Vale. Na cidade de Patos, outdoor com Cássio e José Maranhão mostra que o segundo voto de Roberto Paulino indiscutivelmente irá para o tucano. É a repetição de “Lula lá Cássio Cá” (2002/2006), atraindo fatia importante do PT da época, como a prefeita Cozete Barbosa (2002) e o saudoso Júlio Rafael em João Pessoa (2002/2006). As eleições parlamentares se encerram no dia 07/10/2018. Para o governo do estado, dos três candidatos dois terão uma segunda chance em 29/10/2018. Isto se ocorrer uma reação expressiva nas campanhas do PV/PSDB (encolhendo) e no representante de Ricardo Coutinho (João Azevedo) estagnado, “pastorando” apenas o “capital político” adquirido até o momento. Fatos novos, só na campanha de José Maranhão. Quando será que o vice-prefeito Enivaldo Ribeiro irá procurar José Maranhão e postar outdoor de Daniella ao lado de Maranhão? Cássio saiu na frente no sertão. Será que Enivaldo vai deixar passar esta oportunidade na Rainha da Borborema?    

  • TIÃO GOMES ABRIU A PORTEIRA

    30/08/2018

    A decisão do deputado estadual Tião Gomes em declarar seu voto para o Senado Federal, justificando motivos, abriu a porteira para a base aliada do governador Ricardo Coutinho deixar o “curral” onde se encontravam presos pela legenda. Ficou nítida a sabotagem orquestrada contra o candidato Veneziano Vital do Rego, com certeza apoiada pelo Palácio da Redenção. Alguém acha que Arthur Filho, por exemplo, votaria em Veneziano Vital do Rego?

    Só os “neófitos” em política não perceberem que a chapa do MDB com um único candidato ao Senado foi uma das ideias mais genais da campanha de 2018, como “válvula de escape”. Atrai descontentes das demais postulações, constrói pontes para um eventual segundo turno, e conta com a fidelidade partidária dos eleitores de José Maranhão.

    Qualificando como “dois homens de vergonha” - Luís Couto e Roberto Paulino -, o polêmico Tião Gomes, apesar de seu perfil rebelde não consegue enganar aos que enxergam um pouco mais longe a inspiração “maquiavélica” de Ricardo Coutinho por trás de sua decisão. Se Ricardo Coutinho eleger Veneziano, escolheu antecipadamente o adversário para 2022. Quem sempre esteve ao seu lado, desde sua primeira eleição para a PMJP, e em todos os momentos, foi Luís Couto. Inclusive agora (2018) abdicando da reeleição certa para a Câmara dos Deputados.

    O passado de Veneziano – no tocante a fidelidade – não é nada recomendável. Votou pelo impeachment de Dilma, e estava ao lado de Fernando Haddad e Luis Couto semana passada na TV. Logo Dilma, que nomeou seu irmão Ministro do TCU, cargo vitalício. Derrotou Ney Suassuna (seu caixa na primeira eleição para PMCG) e deu as costas a José Maranhão, que elegeu seu irmão Senador e tem como primeiro suplente sua mãe Nilda Gondim.

    Alguém acha que Ricardo Coutinho, de comportamento absolutamente semelhante ao de Veneziano, iria cair nesta cilada amadorística? E Luís Couto, que considera todos que votaram pelo impeachment de Dilma como “golpista”, o que faz ao lado de Veneziano? Vai ajudá-lo a ser senador da república?

    Se proceder a conversa da granja – discussão entre João Azevedo, Ricardo Coutinho e Luís Torres - sobre a possibilidade de substituição da “cabeça da chapa” até o dia 05 de setembro próximo (2018), Luís Couto terá como companheiro de chapa João Azevedo. Na expectativa de criar um fato novo, e aproveitando a pontuação de Veneziano na pesquisa do IBOPE, o PSB o lançará como candidato de Campina Grande, na expectativa de repetir a “façanha” Estelizabel. Alcançar pelo menos o segundo turno, ou não chegar atrás de Lucélio Cartaxo, fato que comprometeria em definitivo a imagem de liderança do “socialista”. Dois mandatos de Prefeito da Capital, não elegeu seu candidato. Três eleições gerais, jamais conseguiu eleger um deputado federal. É... Como diz a canção de Aldir Blanc “laranja madura/Na beira da estrada/ Tá bichada moço, ou tem maribondo no pé”. Luís Couto e o PT ficarão bem distantes de Veneziano. Marcarão o voto.

  • O CURINGA DE CÁSSIO: MARCAÇÃO DO VOTO

    27/08/2018

    Não é a primeira vez que o senador Cássio Cunha Lima “bate uma parada” (decide uma eleição) com um curinga. A pesquisa do Instituto 6 sigma – divulgada há 25 dias – trouxe números ou índices extremamente desconfortáveis para o vice-presidente do Senado Federal, que pressentiu seu favoritismo ameaçado na disputa. No somatório geral computando o primeiro e o segundo voto – duas vagas para o Senado - o tucano figurava num quadro de empate técnico com o deputado federal Veneziano Vital do Rego. Por sua vez, o ex-prefeito de Campina Grande - considerando a margem de erro - tecnicamente também estaria empatando com o terceiro candidato, Luís Couto, que perigosamente se mostrava ao alcance de Daniella Ribeiro, a quarta candidata. Roberto Paulino, lançado três dias antes da realização da amostragem, apareceu muito distante e figurou com apenas 5% das intenções de votos.

    Comentamos a pesquisa neste espaço e elencamos que dentre os riscos a que se expunha o senador Cássio Cunha Lima, existia a perigosa “armadilha” do voto partidário (PMDB), sem segunda opção. Roberto Paulino é o único candidato da legenda e bastante identificado com Veneziano Vital do Rego, por suas históricas posições anti-Cunha Lima. O “fogo amigo” de sua companheira de chapa, Daniella Ribeiro, a arrancada de Luís Couto com a fidelidade da militância petista; José Maranhão - liderando as pesquisas - “puxando” Roberto Paulino... A única alternativa do “tucano” foi usar a velha tática, que já funcionou duas vezes na Paraíba, coincidentemente ou não, sob sua inspiração ou apoio. “Marcação do voto”.

     A exposição midiática da candidata ao Senado pelo PP começou sombrear o “terreiro” do tucanato campinense. De repente – sem nenhuma justificativa plausível - onze vereadores da base de apoio do prefeito Romero Rodrigues manifestaram a intenção de apoiar Roberto Paulino. Uma semana de divulgação sobre a “debandada”, a campanha de Daniella desidratou rapidamente. O IBOPE foi a campo, e conferiu a “despencada” pepista. Cássio Cunha Lima (refeito do susto) apareceu com 41%, Veneziano Vital do Rego ficou distante (mesmo crescendo) com 33%; Luís Couto (praticamente estagnado) 22% e Daniella Ribeiro com magros 14% empatada tecnicamente com Roberto Paulino (11%). Indecisos, nulos e brancos, não sabem ou não responderam, somam 52%.

    O “voto marcado” foi usado à primeira vez nas eleições de 1998, quando o Clã Cunha Lima foi alijado da disputa para o governo do estado, após duas derrotas consecutivas nas convenções do PMDB, para José Maranhão. Como se não bastasse as derrotas, o pavor de perder a posição como primeira (nas circunstâncias da época) já segunda força política do estado, pairava sob a ameaça do ex-governador Tarcísio de Miranda Buriti se eleger Senador da República, fato que o levaria a disputar o pleito para o governo do estado em 2002. Ney Suassuna, suplente de Antonio Mariz, estava na titularidade do mandato com a renuncia do falecido ex-governador. Porém, não tinha densidade eleitoral. Os Cunha Lima, “marcaram” o voto. Despejaram na então vereadora Cozete Barbosa 216.006 votos. Buriti alcançou 394.294 e Ney Suassuna atingindo seu limite máximo, saiu vitorioso do pleito com 455.959. Os 61.710 sufrágios que faltaram a Buriti estavam, para surpresa de Cozete, nos 216.006 que ela obteve.

    O outro momento em que o voto foi marcado ocorreu nas eleições de 2002, disputa pelo segundo lugar para o Senado da República, entre Wilson Braga, Efraim e novamente Tarcísio de Miranda Buriti. Wilson Braga estava disparado nas pesquisas como o segundo colocado, já que o primeiro lugar era do ex-governador José Maranhão. Lançado as pressas, Buriti corria contra o tempo perdido, e estava à frente de Efraim Morais. Foi uma das eleições mais concorridas para o senado da república, preocupante para o Clã Cunha Lima. Braga ou Buriti poderiam chegar ao senado. Efraim Morais aproveitou a oportunidade. Há 20 dias antes do pleito, estava atrás de Braga com uma diferença de 18%. Algo inimaginável de ser alcançado. Buriti crescia rapidamente. A saída foi “marcar” o voto, “turbinando” outras candidaturas sem menor chance ou inexpressivas. Maranhão obteve 803.083. Efraim Morais – viu o milagre acontecer – 594.191; Wilson Braga – não querendo acreditar – 591.320; Tarcísio Buriti 510.734. Turbinados ou “marcados”: Lígia Feliciano 169.895 (Campina Grande e região metropolitana de João Pessoa); Simão Almeida 119.905; E na região do Sabugi, reduto de Efraim Morais, irmão de Cozete Barbosa Bala Barbosa 60.290. Wilson Braga perdeu por uma diferença de apenas 2.801. Registre-se em tempo: Simão Almeida, Bala e Lígia Feliciano nunca conseguiram se eleger vereador em Campina Grande. Depois do IBOPE, em outubro próximo (2018) o voto ainda será marcado? Ou Daniella, para não ficar sem mandato, tentará voltar a ocupar seu assento na Casa Epitácio Pessoa?

  • A APATIA DO POVO

    20/08/2018

    Neste final de semana que se encerrou ontem (19.08.2018) os candidatos do PSB/PT e PV/PSDB/PP tiveram seu primeiro contato com o povo, percorrendo alguns municípios, bairros de João Pessoa e Campina Grande. Graças ao milagre da internet, todos puderam acompanhar através das imagens os pequenos séquitos formados por ocupantes de cargos comissionados, funcionários provisórios dos comitês de campanha e os famosos “codificados”.

    Onde estava o povo? Em algumas das imagens, se percebe a indiferença de raros curiosos - que revia a mesma cena de décadas - a acenos dos candidatos com risos no rosto, exibindo uma alegria não entendida nem correspondida por quem os via. Transeuntes “atropelados” acidentalmente pela militância remunerada - por esta na rota do préstito – não escondiam sua perplexidade, surpresa e até assombro, com a ousadia e coragem daquela gente. Com certeza pertencem a um mundo que não é o seu. Se por um lado observou-se uma “grande família” em festa, por outro alguns “arlequins” e “fantoches” sob o comando do “socialista” - apologista do crime de desordem - quando insiste na candidatura à Presidência da República de um condenado pela justiça brasileira em duas instâncias, por prática de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ainda responde mais 27 processos por ladroagem e formação de quadrilha.

    Desde o início deste ano de 2018 que os detentores de mandatos popular na Paraíba tentam encontrar a fórmula mágica, para todos continuarem no poder, através de formação de alianças compostas por legendas. Ninguém se preocupou em saber se o povo aceitaria ou não renovar seus mandatos. Por mais que as pesquisas mostrassem os elevados índices de abstenções, votos nulos e brancos e rejeições frontais (principalmente para o parlamento) as “castas” sobreviventes deste meio ignoraram completamente o que o povão pensa sobre suas posturas. Forçando a barra, agora tentam encurralar o eleitorado, se apresentando como únicas alternativas, para que escolham dentro dos males o menor.

    A grande mídia Paraibana - sistemas de rádio, TV e alguns portais bem acessados pelos internautas - controlada pelos governos do estado e prefeituras de Campina Grande e João Pessoa, se recusam ainda em aceitar a recente lição recebida pela Rede Globo de Televisão, que finalmente despertou para os efeitos das ferramentas usadas pela internet, e percebeu que não pode mais pautar candidatos e povo, escolhendo suas preferências. O boicote da grande mídia nacional imposto de forma “conspiratória” contra o presidenciável Jair Bolsonaro, surtiu efeitos negativos. E, quando começaram a tentar “bater” no “mito”, ele cresceu ainda mais. O sistema Globo começa a fazer, por antecipação, sua mea culpa. Vejamos o que escreveu o Jornalista Paulo Guedes em O Globo: “O vertiginoso crescimento da candidatura Bolsonaro é um sintoma dessa indisfarçável insatisfação com a estagnação da economia, corrupção na política e a falta de segurança nas ruas, em que desembocamos sob a hegemonia social-democrata. Em suas variantes de “punhos de renda” (PSDB), “chão de fábricas” (PT) ou caciques regionais oportunistas (PMDB) à “esquerda” todos os gatos são pardos para os eleitores de Bolsonaro. Contra tudo isso e todos esses que nos dirigem desde a redemocratização, Bolsonaro é a “direita” que quer a lei e a ordem, valores de uma classe média esmagada entre uma elite corrupta e massas que votam em Lula buscando proteção e assistencialismo”.

    Persistindo no abominável roteiro “Globo”, a mídia paraibana insiste em encetar apenas dois candidatos, na expectativa de radicalizar a campanha entre o governo do estado e as prefeituras de Campina Grande e João Pessoa. Projeto rentável para os “sistemas”. Porém, nos últimos dois debates realizados na Paraíba ficaram nítidos o total despreparo do postulante patrocinado pelas famílias Ribeiro, Cartaxo, Rodrigues; Cunha Lima; Gadelhas; Ludgérios... (Lucélio). O mais completo desconhecimento sobre “governança” e a cidade de Campina Grande do técnico João Azevedo, que antes já tinha prometido um VLT para Campina Grande, com trajeto ou passagem ao largo do açude do Pedregal (?).  A crítica pela crítica do PSOL é entediante. Baboseira repetitiva do “Lulismo” demagogo com seus velhos chavões apelativos. Salvou-se a sinceridade de José Maranhão, sem mentiras nem promessas ludibriantes, mostrando sua história de “ficha limpa”, distante dos tentadores “esquemas” corruptos que não sobrevivem sem um governo a seu serviço.  

  • DEBATE DA TV ARAPUAN

    14/08/2018

    DEBATE DA TV ARAPUAN

    Ontem, 13/08/2018, a TV Arapuan promoveu o primeiro encontro (debate) entre os pré-candidatos ao Governo do Estado da Paraíba. José Maranhão (MDB), Lucélio Cartaxo (PV); João Azevedo (PSB) e Tércio Teixeira (PSOL). O evento marcou o início da contagem regressiva da última etapa de uma maratona iniciada em janeiro de 2017.

    Na abertura – apresentação dos candidatos – o único desconhecido era o psolista Tércio Teixeira. Lucélio vem de uma longa exposição midiática desde a campanha de 2014, quando disputou o Senado da República. João Azevedo, que desta vez soube segurar-se na sela (montaria) não permitindo que seu líder o trocasse de última hora venceu a primeira batalha, ao ser o candidato do governador Ricardo Coutinho. José Maranhão - desde 1950 na vida pública - já foi deputado estadual, federal, senador da república de dois mandatos e governou a Paraíba por três vezes, limitou-se na apresentação a dizer com simplicidade a maior de suas virtudes do momento: “sou ficha limpa”. Em tempos de lava-jato, isto pesa no currículo a ser examinado pelo eleitorado. 

    Durante duas horas e meia perguntas foram feitas entre os candidatos, que seguindo um “cerimonial” teatral levantavam-se das cadeiras em que estavam sentados, caminhavam até o centro do estúdio, um se posicionava frente ao outro, e faziam a pergunta. Vinha a resposta, a réplica, e em um dos blocos a tréplica. Depois, cada um marchava de volta ao seu assento (?). Isto é comum nas escolas de artes cênicas. Chama-se “marcação de palco”. O que imaginou o produtor do programa ao levar quatro políticos a repetir gestos idiotas? Eles não estão à procura do glamour. Estão caçando votos. Suas assessorias não deveriam ter permitido tamanho vexame. Os telespectadores queriam ver e ouvir um debate polêmico, sobre o drama do seu quotidiano, não imitadores de atores circenses mambembes.

    O debate serviria como parâmetro, para aferir o nível de conhecimento dos candidatos sobre os problemas existentes na Paraíba. Suas ideias e opiniões, apontando soluções para amainar seus efeitos em curto e médio prazo, através de projetos consistentes e inovadores na gestão pública. Infelizmente, nada disto foi visto. Percebeu-se sim, o despreparo do candidato do PV Lucélio Cartaxo, que esqueceu completamente que era candidato a governador do estado, e não a prefeito de João Pessoa. Gastou todo o seu tempo divulgando a gestão do irmão gêmeo, a ponto do candidato José Maranhão – se não por lapso de memória, mas por ironia – dirigir-se quatro vezes ao mesmo o chamando de Luciano (?). Na interpretação de Tércio Teixeira – ignorando a legislação eleitoral, que proíbe parentesco de primeiro grau em casos de sucessão – insinuou que Lucélio sonhava era em ser candidato do seu próprio irmão, nas eleições de 2020. Dúvida que se instalou em Campina Grande: o senador Cássio Cunha Lima, realmente conhecia Lucélio Cartaxo?

    João Azevedo não fugiu de sua missão. Enalteceu todos os atos da gestão do governador Ricardo Coutinho, prometendo continuidade dos projetos e ações desenvolvidos pelo “socialista” nos últimos oito anos. Foi rebatido de modo civilizado pelo candidato José Maranhão, que requereu seus direitos como o licitante do maior projeto de irrigação em obras na Paraíba, e a autoria da construção do açude de Acauã. A Lucélio, José Maranhão respondeu que construiu dois hospitais de Traumas no estado, fazendo justiça sobre o início das obras do de Campina Grande à gestão do senador Cássio Cunha Lima. Acusou ainda o candidato do PV de “plagiar” sua plataforma de campanha. A Tércio Teixeira, como todo esquerdista “doutrinado”, restou a crítica pela crítica e as “pegadinhas” em Lucélio Cartaxo – sobra “transparência”, apontando o “lamaçal” de corrupção (segundo o mesmo) enterrado na lagoa do Parque Sólon de Lucena. Perguntou também ao candidato da aliança PV/PP/PSDB - que se negou em responder -, sobre o sombrio apoio do líder do governo Temer a sua candidatura. Finalmente o psolista acusou João Azevedo de “fura teto”, com salário mensal de 45 mil reais, superior ao Presidente da República e Ministros do Supremo.

    As equipes de marqueteiros erraram grosseiramente. A de José Maranhão deveria tê-lo orientado em falar muito... Três gestões a frente dos destinos da Paraíba, era para ter deitado e rolado sobre o tema recursos hídricos. Lucélio falou em recursos hídricos, sem nada entender sobre este processo. Perdeu-se ao falar sobre “mobilidade”, momento em que o candidato José Maranhão o interrompeu, afirmando que a única obra de mobilidade da gestão de seu irmão (Luciano) foi uma “passagem molhada” na Av. Beira Rio. Finalmente só quem se deu bem foi Tércio Teixeira, um senhor desconhecido até no seu próprio bairro (em João Pessoa), ontem conhecido por milhares de pessoas, por ter emparedado os “monstros sagrados” da política paraibana.

  • CÁSSIO - FAVORITISMO AMEAÇADO

    07/08/2018

    Na busca por caminhos mais curtos o comum é se perder nos desconhecidos e arriscados atalhos. Senador Cássio Cunha Lima iniciou o ano de 2018 como o principal e mais favorito de todos os pré-candidatos para ocupar uma das duas vagas para o Senado Federal. Ao longo de todo o ano de 2017, com perspicácia “desmontou” todas as postulações que porventura viessem “sombreá-lo”, a partir do ambicioso plano natimorto do prefeito Romero Rodrigues de ser o candidato ao Governo do Estado, fato que gerou uma discórdia interna na família e nos partidos.

    Os Cartaxos bandearam-se para o PV, sem aviso prévio ao PSD. Luciano passou a ser opositor de Romero e esqueceram o acerto inicial: apoio irrestrito ao senador José Maranhão (MDB), que nada tinha a perder, pois mesmo raciocinando sobre a remota hipótese de sua derrota, retornaria para concluir seu mandato no Senado da República até o ano de 2022. A chapa com Maranhão para o governo e Cássio ao lado de Luciano para o Senado acomodaria todas as legendas. Manoel Júnior assumiria a Prefeitura, Micheline Rodrigues uma vaga para a Câmara dos Deputados, Raimundo Lira seria o primeiro suplente de Cássio ou Luciano; Daniella a vice de José Maranhão. Veneziano Vital do Rego (ainda no MDB) estaria com sua reeleição garantida e com amplas possibilidades de ver sua genitora (Nilda Gondim) no Senado, em substituição a José Maranhão.

    O bem elaborado plano do então presidente do PSDB - ex-deputado federal Rui Carneiro – se configurava num “armistício” das oposições, “encurralando” Ricardo Coutinho, despido de quadros para montar um exército capaz de enfrentar o grande contingente opositor.

    Para felicidade do governador Ricardo Coutinho, os “Cartaxos” ao lado de Romero Rodrigues boicotaram o trabalho de Rui Carneiro. Trocando seis por meia dúzia, Luciano lançou seu irmão Lucélio, ao lado de Micheline esposa de Romero Rodrigues. Veneziano deixou o MDB e filiou-se ao PSB. Os Ribeiros, se aproveitando da “balburdia”, aventuraram-se e passaram a exigir um espaço na majoritária. Lira ensarilhou suas armas e bateu em retirada, com a prematura partida do saudoso Rômulo Gouveia. O PP impôs Daniella Ribeiro como companheira de chapa de Cássio Cunha Lima, na coligação PV/PP/PSDB. Cássio optou por Eva Gouveia (PSD) como primeira suplente, que nada acrescenta. Daniella escolheu um supersecretário da PMJP, com maior mobilidade que a esposa de Luciano Cartaxo. Governador Ricardo Coutinho tirou uma carta da manga, e lançou Luís Couto (PT) como companheiro de Veneziano. O quadro se complicou para Cássio...

    Tivemos acesso a uma pesquisa de consumo (realizada apenas em Campina Grande) há três semanas, onde o senador Cássio Cunha Lima aparece liderando com 30% das intenções de votos, opção de apenas 38% do eleitorado que apresenta 62% de indecisos, nulos; brancos e os que se abstiveram de opinar, não escolhendo nenhum dos candidatos. Veneziano vem em segundo lugar com 14% e Daniella Ribeiro com 11%. Luís Couto e Roberto Paulino ainda não eram candidatos. Porém, este quadro é para o primeiro voto. Quando se observa o segundo voto, Veneziano obtém mais 15%, totalizando 29%. Daniella Ribeiro 12% atingindo 23%.  E Cássio Cunha Lima zero. Para que fique mais claro, a segunda opção de Cássio representa o “Campinismo”, vai direto para Veneziano e Daniella. A segunda opção de Veneziano (soma a oposição e os anti-Cunha Lima) vai para Daniella, e a segunda opção da pepista cai no colo de Veneziano. A rigor, Cássio está empatado com Veneziano, Daniella chegou com rapidez, e continua crescendo. Como se não bastasse, o MDB despejará todos os seus votos no ex-governador Roberto Paulino, que é anti-Cunha Lima por questões locais (Guarabira). Talvez a saída de Cássio seja criar um fato novo, e chutar o pau da barraca. Isto se ainda tiver forças sobre seu partido (PSDB).

    A iminência de um resultado negativo que atinja Cássio está no resultado do maior colégio eleitoral do estado, a Capital João Pessoa. No pleito de 2010, com a ajuda de Luís Couto, Vital Filho venceu Cássio. E agora como candidato? Sua segunda opção será Veneziano. As hostes do PV (JP) darão a primeira opção a Daniella e buscarão casar votos com as sobras de Luis Couto e ou Roberto Paulino.

    Quem puxará votos para Cássio na Capital? Seria o vice-prefeito Manoel Júnior, se não tivesse sido defenestrado de forma humilhante, por todos da coligação PV/PSBD/PP. Como Cássio suplantará as desvantagens da capital, e o empate em Campina Grande? Será a eleição mais difícil de sua história política, com a clarividente perspectiva de derrota. Fazendo uma analogia a um adágio popular, “Cássio estava na planície. Criou sua própria montanha, para agora escalá-la”.

  • ...ONDE ESTAVA O POVÃO

    06/08/2018

    Ontem à noite (domingo 05.08.2018), recebi ligação do amigo José Silvino Sobrinho (João Pessoa), e como fazemos semanalmente discutimos os últimos acontecimentos sobre temas que envolvem tecnologia, crises; momento político/econômico do Brasil e do mundo. Indaguei do pai do projeto Canaã - maior autoridade do país em açudagem e Recursos Hídricos - como tinha ocorrido as convenções que oficializaram os nomes dos três principais candidatos ao governo do estado, com respectivos membros integrantes das chapas para o Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Silvino afirmou que foi apenas a uma. A do MDB, que homologou o nome do senador José Maranhão. E, para minha surpresa, confessou que passou pouco tempo no local, porque estava muito cheio. O dia inteiro os grupos do “Zap” mostraram a “lotação” das convenções do PSB e PV/PSDB.

    Lembrei-me de um fato que testemunhamos no ano de 1986, em um comício na cidade de Teixeira, onde passamos o dia em um grande churrasco oferecido pelo então prefeito Valdecir Amorim, correligionário do governador Wilson Braga e eleitor da chapa Marcondes Gadelha/Marcos Odilon/Wilson Braga e Maurício Brasilino Leite. Era um sábado e a cidade estava cheia. À noite, aconteceriam dois comícios, o de Marcondes/Wilson Braga e o da oposição, Burity, Humberto e Raimundo Lira. Por volta das 19hs não cabia mais gente no espaço onde se realizou o comício de Braga, com a presença do governador interino ex-senador Milton Cabral. Uma festa de “arrebentar”. Do alto do palanque comecei a observar com curiosidade o povo presente. Só enxergava prefeitos e comitivas da região, um mundo de funcionários públicos nomeados por Wilson Braga em João Pessoa, Campina Grande; Patos... Perguntei a Silvino se ele estava vendo o mesmo. O mestre - construtor do CCT hoje UFCG - ficou perplexo. Resolvemos deixar a festa e retornar para Campina Grande onde tinha um encontro com algumas lideranças na casa do médico Antônio Loureiro.

    Na saída da cidade, por equivoco, o motorista entrou numa rua e lá estava uma imensa multidão compacta, aplaudindo, vibrando e pulando quando o locutor citava o nome de Burity, Humberto e Lira. Ficamos chocados com a realidade. Ainda balbuciei “olhe onde está o povo de Teixeira”! No caminho, discutimos que havia algo de errado na campanha, e que alguém estava sendo enganado, ou amadoristicamente não estavam fazendo a leitura correta das pesquisas, que segundo o saudoso Carlos Roberto de Oliveira – coordenador geral e marqueteiro – estávamos num empate técnico.

    Chegando - mesmo atrasado - em Campina Grande, ainda participamos da reunião, onde estava presente o professor Moací Alves Carneiro, ex-reitor da FURNE – hoje UEPB. Ao sairmos do encontro, comentamos o fato com Moací e decidimos encomendar uma pesquisa – sigilosa – para termos conhecimento da verdade sobre o que vimos em Teixeira. Dia seguinte, nos reunimos com o professor Walter Fonseca, Doutor em Estatística do então CCT. Elaboramos as perguntas e definimos o número de entrevistados, contrariando e deixando estupefato o estatístico. Todas as cidades acima de 10 mil habitantes da Paraíba, e 20 mil entrevistados. Walter Fonseca protestava irritado, alegando que não era uma pesquisa, era uma eleição. Mas, dada à urgência – restavam 35 dias para as eleições – montou uma gigantesca equipe e em uma semana o trabalho estava pronto. Antes de apresentar, Walter Fonseca – se confessando também surpreso – deu a dica: Wilson Braga ainda pode ser salvo. Resultado imutável: Burity vencia Marcondes Gadelha com 22,7% de maioria. Humberto aparecia em primeiro e Lira estava empatado com Wilson Braga. Sugestão de Walter: aconselhe urgentemente Wilson procurar Humberto, e captar o segundo voto, oferecendo o mesmo a Humberto. Em choque, Silvino levou a pesquisa para o saudoso Soares Madruga, presidente da ALPB e conselheiro político de Braga. Madruga recusou-se inicialmente a aceitar a veracidade dos dados, e somente 10 dias depois teve coragem de enfrentar Wilson, que por sua vez demorou mais dez dias para procurar Humberto, quando tudo já estava tarde demais.

    Na convenção de ontem (05.08.2018) PV/PSDB não tinha 10% dos comissionados das Prefeituras de Campina Grande e João Pessoa. Se todos fossem, o espaço adequado seria o estádio “O Almeidão”. Do PSB com uma trinca de nanicos, se exigissem presença dos “codificados”, comissionados e contratados emergenciais, teria que ser dois “Almeidões”. E na de Maranhão? Ele não tem “codificados”, comissionados nem contratados emergenciais. Presentes, só o povão que não quer mais os modelos “Cartaxo” e “Coutinho”. Pode até ocorrer tudo de forma inversa ao fato histórico que descrevemos acima, com testemunhas ainda vivas e de boa memória. Mas, até o presente, o povo de Teixeira de 1986 é o mesmo povo de Maranhão em 2018.

  • PV/PSDB/PP PROGÓSTICO PREVISÍVEL

    06/08/2018

    Ao longo dos últimos seis meses, neste espaço, previmos algumas ações e reações da classe política paraibana, sem bola cristal, consultas a tarólogos ou médiuns videntes. A leitura sobre o que iria, ou irá acontecer, é o resultado das atitudes do quotidiano, calculando-se seus desdobramentos e os limites (ambições ganância e apego ao poder) dos personagens envolvidos nas cenas, às vezes dramáticas e até cômicas.

    Em um dos nossos últimos textos – postado aqui - afirmamos que o pré-candidato ao Senado, vice-prefeito de João Pessoa Manoel Júnior, estava sendo “fritado” pela coligação PV/PSDB, e sendo “ludibriado” pela dramaticidade da deputada estadual Daniella Ribeiro. Hoje, 03.08.2018, o ato foi consumado. Daniella Ribeiro foi “oficializada” como companheira de chapa do senador Cássio Cunha Lima, que em nossa humilde visão, o negócio foi melhor para Daniella e seu irmão deputado federal Aguinaldo Ribeiro, que para o experiente chefe do tucanato paraibano.

    A briga do ex-senador Efraim Morais para ser vice na chapa de João Azevedo (PSB-PB) é outra tentativa frustrada do líder do DEM, inaceitável por Ricardo Coutinho, a não ser que ele pretenda derrotar seu candidato ainda no primeiro turno. Governador Ricardo Coutinho jamais “arquitetaria” uma chapa sem um vice de Campina Grande. Ele mesmo já deu prova cabal, com sua própria escolha em 2014, Lígia Feliciano. Não cometeu os dois erros subsequentes de José Maranhão (MDB), que agora “despertado” indicou um campinense para seu companheiro de jornada no pleito 2018.

    A preferência de Ricardo Coutinho para formar a chapa encabeçada por João Azevedo - depois de insistentes apelos aos Regos e sua negativa – recairá sobre o nome do empresário Arthur Bolinha, até então pré-candidato a deputado estadual. Bolinha ainda está resistindo. Mas, terminará por aceitar. Quanto ao veto dos Regos, que impediu Ana Cláudia (esposa de Veneziano) em ser a vice de João Azevedo, este comportamento já foi visto antes (2010), com a recusa de Veneziano em ser vice de José Maranhão e preferir eleger seu irmão Vital Filho para o Senado e sua mãe Nilda Gondim para a Câmara dos Deputados. Tudo se repete do mesmo modo de 2010. Ana Cláudia será eleita com o apoio das bases de Veneziano, que no momento tem amplas possibilidades de alcançar uma das vagas do Senado Federal.

    Até domingo 05.08.2018 às 17hs, podem ocorrer mudanças inesperadas nas legendas PTB, PRB e DEM. A tendência é que todas, ou pelo menos uma das três, venha engrossar as fileiras do MDB de José Maranhão (PRB). Fontes de bastidores indicam que o deputado federal Hugo Mota apoiará o patrono da carreira clã patoense, José Maranhão.  Wilson Santiago e Efraim, se conseguirem ser “cingidos” pelo PSC (Manoel Júnior) desprezado pelo PV/PSDB, podem reforçar a presença garantida do MDB no segundo turno, e a recondução para a Câmara dos Deputados de Hugo Mota, Benjamin Maranhão; Wellington Roberto; Wilson Santiago; Efraim Filho e Marcondes Gadelha. Será uma jogada de mestre, semelhante a que tentou o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, afastar do MDB o vice de Wellington Roberto, seu filho Breno.  

  • MANOEL JÚNIOR FRITADO PELO PSC

    26/07/2018

    A pré-candidatura para o Senado Federal do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, lançada desde abril, foi bem recepcionada pelos paraibanos e dezenas de lideranças políticas expressivas do estado. Estradeiro, Manoel Júnior percorreu quase toda a Paraíba e se encheu de entusiasmo, surpreendido pela mais absoluta inexistência de qualquer tipo de resistência à sua postulação.

    Para seu infortúnio, quando se acenderam as fogueiras do São João seu nome começou a esfriar – ao invés de ser aquecido – em função da indecisão de sua legenda (PSC), que não engatou marcha (para frente ou para trás), ficando no meio do caminho na espera de uma decisão (conveniente) da família Gadelha. Nas mais diversas leituras (prognósticos) os Gadelhas ainda não encontraram a fórmula mágica no MDB, ou na coligação PSB/PV, que garanta a eleição de Leonardo para a Câmara dos Deputados, conjuntamente com a recondução de Renato à Casa Epitácio Pessoa.

    No universo político não existem espaços vazios. A ousadia é fundamental para alavancar qualquer projeto, e quem o torna exitoso é o protagonista da façanha. Manoel Júnior percebeu este fato quando se lançou para o Senado. Passaram-se trinta dias do mês de maio, trinta de junho, e o vice-prefeito de João Pessoa – ex-deputado federal - não conseguiu “arrancar” dos Gadelhas uma posição sobre que rumo tomaria o PSC. Marchariam com a aliança PV/PSDB? Ou abraçariam o projeto do MDB bastante adiantado, encabeçado pelo senador José Maranhão? A desculpa para “embromar” Manoel Júnior era uma posição oficial do prefeito Luciano Cartaxo, com endosso dos demais: Cássio Cunha Lima, Romero Rodrigues e Lucélio. Porém, a realidade é outra. Na percepção da “família”, no PV/PMDB as chances de Leonardo Gadelha se eleger deputado federal são maiores que no MDB, onde Renato se elege com facilidade (?). E Manoel Júnior? Pelo visto, não figura nos planos do PSC Gadelhas, como prioridade.

    Senador José Maranhão vem desempenhando – como sempre o fez - seu papel de lealdade. Esperando por Manoel Júnior e ligando constantemente para o deputado federal Marcondes Gadelha, que usando sinônimos e antônimos do dicionário português - usado na prática pela classe política – constrói frases em forma de desculpas numa linguagem simples, semelhantes aos “telegráficos” ou “sucintos” textos usados nos votos do decano do STF Marco Aurélio de Melo.

    Percebendo que Manoel Júnior voluntariamente havia se metido em uma “camisa de força”, os Ribeiros atacaram no estilo felino. Cercaram a manada de Gnus. Procuraram primeiro o PSB e Ricardo Coutinho, para “chocar” a aliança PV/PSDB. Acertaram mais uma vez na manobra. A reação foi instantânea. Chamaram o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro, seu pai vice-prefeito Enivaldo e a deputada Daniella que se comportou irredutível. Exigia uma das vagas para o senado na aliança PV/PSDB. Foi prontamente atendida. Sabendo da simpatia de Cássio pela postulação de Manoel Júnior, os Ribeiros puseram em xeque os Cartaxos.

    Só aceitariam Daniella disputar se sua suplente fosse a esposa do prefeito Luciano Cartaxo. Toparam. Ainda não oficializaram porque a tarefa de “fritar” Manoel Júnior ficou a cargo dos Gadelhas, que por sinal vêm administrando com maestria. Eles sabem que Manoel Júnior não tem o controle da legenda (PSC). Que jamais se uniria a Ricardo Coutinho. E, José Maranhão - o mais correto até o momento com Manoel Júnior – tem que acompanhar o calendário, que não para. Restam apenas nove dias para as convenções. Se até o final desta semana Manoel Júnior não desatar este nó cego, vai queimar uma eleição estragando uma de suas grandes oportunidades de sua vida pública. Com ou sem ele, Maranhão manterá seu ritmo. O que pode surpreender no último minuto é Wilson Santiago, Efraim Morais ou Lígia Feliciano resolverem embarcar na carona de Maranhão com destino a sete de outubro próximo. 

  • DESMORONAMENTO DO PSD

    23/07/2018

    Incontestavelmente não existe ninguém insubstituível. A existência dos cemitérios nos prova esta triste e dolorosa verdade. Todavia, pouquíssimos conseguem superar a morte e atingir a gloria de serem “insuperáveis”. O ex-deputado federal Rômulo Gouveia atesta após sua prematura e inesperada partida que se insere na relação dos insuperáveis. Faz apenas 68 dias, que sem aviso nem despedida, numa madrugada que parecia tranquila o destino o embarcou para sua última viagem. Quem poderia prever que tudo seria tão repentino, prematuro ou antecipado?

    Sua esposa Eva Gouveia, amigos; auxiliares; lideranças e liderados jamais esperavam passar por este momento resigno temporão. Quem imaginaria que o “gordinho”, com uma desenvoltura inigualável e apenas 53 anos de existência fosse acometido por um inoportuno infarto? Ninguém. Nem os mais próximos e de sua intimidade ouviram queixas de dores, doenças, ou sinais de que sua vida estaria em risco, dependendo de tratamentos de enfermidades quaisquer.

    A sua legenda, PSD, simplesmente desgovernou-se na estrada das eleições de 2018. Sem um maquinista, a maioria começou a pular do “trem”, que desce sem freios uma serra de muitas curvas. O impacto do brutal acontecimento para sua viúva nunca será superado. Ela não tem em curto e médio prazo as mínimas condições emocionais de dar continuidade ao ritmo de Rômulo Gouveia, que ia além-divisa da Paraíba, com reflexos no Congresso Nacional; participação na restrita cúpula de sua legenda comandada por Gilberto Kassab; contatos internacionais, afora suas habilidades de grande conciliador nas lidas partidárias, não importando o tamanho do problema, se considerado como “varejo” ou “atacado”.

    Para que se tenha um pouco de conhecimento do que representou Rômulo Gouveia no cenário político nacional, basta observar-se alguns dos seus inúmeros atos de ousadia, como por exemplo, a filiação do atual governador do Rio Grande do Norte Robson Farias, “puxado” para o PDS por Rômulo Gouveia, derrotando (2014) ninguém menos que Henrique Eduardo Alves, ao lado de Garibaldi e José Agripino Maia. Amizade construída através da UNALE – União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, quando ambos presidiam os Parlamentos paraibano e potiguar. A decisão do senador Raimundo Lira em deixar o MDB e se filiar ao PSD; Luciano e Lucélio Cartaxo que pegaram “carona” no PSD do “gordinho”. Luciano para se reeleger prefeito da Capital. Lucélio – ainda no PT - teve seu apoio para o Senado Federal em 2014, e alcançou a segunda colocação com 521.938 votos, perdendo apenas para José Maranhão com 647.271. Porém, bateu o candidato de Cássio Cunha Lima, ex-senador Wilson Santiago, que ficou com 506.093 sufrágios, na terceira colocação.

    Esta crise ora vivida pelo PP/PSDB/PV, não estaria existindo se o calendário de 2018 não tivesse registrado o funesto acontecimento do dia 13/05. Raimundo Lira estaria posto como candidato ao Senado, ao lado de Cássio. Distante há mais de 20 anos da Paraíba, só confiava no “gordinho” como seu “batedor” na rota das urnas. Daniella ocuparia a posição de vice de Luciano Cartaxo. Micheline Rodrigues disputaria uma vaga para a Câmara dos Deputados. Mas, o autor da “costura” faleceu antes de ver sua peça pronta. Resta saber o que será feito, e se vão dividir o espólio político do saudoso Rômulo Gouveia. Sugerimos neste espaço - alguns dias atrás - que Eva Gouveia deveria ser prestigiada, pelo menos como vice da chapa PSDB/PV. Não a convidaram nem para ser primeira suplente do senador Cássio Cunha Lima. Sem equilíbrio emocional, a quem Eva está confiando os destinos da legenda? O tempo que resta é muito pouco. São apenas 14 dias para as convenções e celebrações das alianças. Manoel Ludgerio, como lugar-tenente do “gordinho”, seria a pessoa capaz de salvar a sigla? Elegendo pelo menos um deputado federal e dois ou três estaduais? Para Eva, o que nos parece, é que seu mundo e sonhos políticos foram sepultados juntos com seu marido e mentor. 

  • ELEIÇÃO PARLAMENTAR

    20/07/2018

    A possibilidade da deputada estadual Daniella Ribeiro concorrer a uma das vagas para  o Senado Federal na chapa do PSB - ao lado de Veneziano Vital do Rego - vem reforçar substancialmente o projeto do governador Ricardo Coutinho em tornar competitiva a postulação do engenheiro João Azevedo, alicerçando-se densamente no segundo maior colégio eleitoral do Estado, Campina Grande. Como toda ação gera uma reação, aguardemos se o ex-prefeito de Campina Grande (o ex-cabeludo) manterá sua candidatura ao lado da “Bela”.

    Nada acontece por acaso. A ausência do PP ao encontro realizado sábado (14.07.2018), ocasião em que o prefeito Romero Rodrigues e o senador Cássio Cunha Lima formalizaram a aliança PV/PSDB, deixou nítida a intenção dos “Progressistas” em marcharem n’outra direção.

    Ao se tornar a “noiva” predileta por todos, no momento, O PP e Daniella mexeram até nos brios do padre Luiz Couto, que já se dispõe a disputar o Senado como retaliação ao ex-ministro das cidades de Dilma Rousseff, Aguinaldo Ribeiro, que além de votar pelo impeachment da ex-presidenta é hoje um dos líderes do governo Michel Temer, acusado de “golpista”. Ao que parece, o dom do perdão do sacerdote está só nas palavras e em suas homilias, ainda não habita em seu coração.

    Tudo se resume a uma questão relativista. Na visão do obstinado senador Cássio Cunha Lima, as eleições de 07.10.2018 têm o caráter “parlamentar” e seletivo ou eliminatório, para os que disputam a sucessão do governador Ricardo Coutinho, decidida em segundo turno. O árduo trabalho do chefe do tucanato paraibano tem sido minimizar riscos, com vistas à sua recondução, tarefa brilhantemente até o presente exitosa. Ricardo Coutinho e José Maranhão estão fora do páreo. Raimundo Lira abandonou a corrida. Restou Manoel Júnior, com quem não teria dificuldades em compartilhar votos. Mas, o irracional posicionamento de Veneziano, trocando o MDB pelo PSB, poderia “polarizar” o pleito em Campina Grande. Agora com Daniella, quem tem que correr atrás é o “cabeludo”, para não ficar na terceira ou quarta posição na Rainha da Borborema. O senador Cássio Cunha Lima parece que aprendeu ensinamentos dos brejeiros: “Em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”.

    Na hipótese da deputada Daniella Ribeiro compor a chapa do PSB, dividirá os votos dos anti-Cunha Lima e opositores do prefeito Romero Rodrigues com o deputado federal Veneziano Vital do Rego, que estava sozinho no embate contra Cássio na cidade. Se não houve (até o momento) revanche do clã Cunha Lima pela atitude de rebeldia de Daniella, é porque o ato foi devidamente ensaiado e combinado. O senador Cássio Cunha Lima nunca teve o menor interesse na disputa pelo Governo do Estado. Se o tivesse, ele mesmo teria se lançado, ou apoiaria diretamente o ex-governador José Maranhão. Daniella - se formar aliança com o PSB - pedirá votos para João Azevedo, mas não tentará tirar - e até buscará casar com os seus - os votos do senador Cássio. Do governador Ricardo Coutinho, a deputada receberá tratamento “diferenciado” para valorizar sua atitude. Provavelmente usará mais a “máquina” que seu companheiro concorrente Veneziano Vital do Rego.

    No tocante à disputa pelo Governo, curiosamente Campina Grande - pelo menos nas últimas cinco décadas - ficou pacificamente equilibrada e perdeu sua posição “glamourosa” de decidir o pleito. Todos os pré-candidatos têm na composição de suas chapas nomes de Campina Grande. José Maranhão, o vice Bruno Roberto; Lucélio Cartaxo, a esposa do prefeito Romero Rodrigues e o senador Cássio Cunha Lima; João Azevedo, tem o ex-prefeito Veneziano Vital do Rego e provavelmente Daniella Ribeiro, vice-prefeito Enivaldo Ribeiro e o ex-ministro das cidades Aguinaldo Ribeiro; Lígia Feliciano é atual vice-governadora, e tem o deputado federal Damião Feliciano (seu esposo) apoiador e incentivador de sua postulação. Com todos dentro do processo, a rivalidade local alcançará temperaturas altíssimas e a peleja para o Governo do Estado - fazendo uma analogia ao futebol - será decidida nos últimos minutos da prorrogação (segundo turno).

  • AS DIFICULDADES DO CANDIDATO JOÃO AZEVEDO

    19/07/2018

    A falta de memória dos políticos, aliada a seus caprichos, provocam equívocos estapafúrdios nos períodos eleitorais, quando raciocinam exclusivamente sobre seus projetos pessoais e sua continuidade, deixando sempre à margem a importância do povão, tratados eternamente como “massa de manobra”.

    Considerado como um bom técnico, o pré-candidato do PSB engenheiro João Azevedo, não tem sido alvo de críticas sobre sua capacidade e currículo. Está apto a ocupar qualquer função ou cargo dentro da área de sua formação acadêmica. Mas, política partidária na concepção e modelo que tem sido posta em prática desde a redemocratização, não se adequa à formação técnica. Principalmente aqueles acadêmicos originados na área das ciências exatas.

    O engenheiro João Azevedo chegou tarde demais ao processo eleitoral. Sua época seria o período dos militares, onde prevalecia a tecnocracia. Se ainda estivéssemos no Governo Geisel João poderia ser Prefeito da Capital (nomeado) ou governador do Estado (eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa, recomendado pelo Palácio do Planalto).

    Os militares, para sepultar a classe política e corrupta instalada e em expansão desde a redemocratização de 1945 (Constituinte de 1947), optaram em 1968 - após o recrudescimento da quartelada de 1964 - em cassar mandatos de comunistas e corruptos, privilegiando a “meritocracia”, indo buscar nas Universidades Públicas os melhores currículos para ocuparem cargos e gerenciarem programas estratégicos do governo, na expectativa de surgirem novas lideranças que acabassem com o “coronelismo” e os “currais eleitorais”, reduto hospedeiro da resistente corrupção e seus privilégios.

    Governador Ricardo Coutinho – talvez muito jovem na época – deve ter esquecido que o objetivo da “redemocratização” era a volta dos cassados, com a reocupação do poder pelas velhas oligarquias, escolhendo como adversários, a teimosa esquerda. Exemplo incontestável: Jost Van Damme, engenheiro alemão, presidia a TELPA que foi considerada a segunda em qualidade de serviços do país, perdendo apenas para a TELEPARANA. Trinta dias após a posse do ex-presidente José Sarney, foi substituído por Gervásio Maia (pai) que de telefonia tudo que conhecia era o modo de como usar o aparelho. A TELPA desceu, em um ano, para o último lugar no ranking nacional. Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque ocupou o DAU – Departamento de Assuntos Universitários do MEC - e foi o autor da expansão universitária, criando uma Universidade Pública em cada estado da federação. Presidiu o CNPQ, poderia ter sido governador da Paraíba, mas, em seu lugar foi escolhido seu Chefe de Gabinete José Tarcisio de Miranda Buriti - por indicação do respeitado ministro José Américo de Almeida - pai do General Reinaldo Almeida, comandante do 1º Exército, escolhido para suceder Médici, abdicando em nome de Orlando, que preferiu seu irmão Ernesto Geisel.

    Como Ricardo Coutinho modelará João Azevedo em um político? Sua formação não admite demagogia, mentira; rasteiras; privilégios a mediocridade; traições; perseguições... Com seus conceitos éticos acadêmicos, se chegar ao poder atropelará até quem o elegeu. Ricardo não enxergou isto? A formação do governador “socialista” é oposta ao do seu candidato. Em nada se identificam no modo de agirem. O criador dos “girassóis” é um doutrinado da “esquerda festiva” - Trotskista - que adotam o conceito (Maquiavel) sobre permanecia no poder: é preferível ser temido, que amado. 

    Por que Ricardo Coutinho está se contrapondo ao tempo? Fez um grande governo, mas não pode mais ser reeleito. Teve a oportunidade de escolher um político para sucedê-lo. Não o fez? A resposta é simples. Ele olha para si mesmo, e reconhece o quanto é difícil confiar e acreditar em um político, principalmente os da sua geração.

  • O PP AMARELOU

    11/07/2018

    A hiperatividade da deputada estadual Daniela Ribeiro tem desgastado a importância e peso de sua legenda (PP-PB), através de suas palavras, atos e gestos - no mínimo precipitados - muito embora praticados com intenções exatamente opostas.

    Observemos que toda a inquietação da parlamentar tem uma única finalidade: buscar espaço diferenciado das demais siglas, chamando a atenção das chapas majoritárias em construção para que enxerguem seu valor, com vistas à disputa eleitoral de outubro próximo (2018).

    Algumas atitudes são dignas de registros, como por exemplo a indicação de uma Secretária (dezembro 2017) substituindo o “histórico” Luís Alberto, patrimônio já considerado como “móvel ou utensílio” da cozinha do clã Cunha Lima. Para o Prefeito Romero Rodrigues, que já estava encontrando imensas dificuldades em viabilizar seu nome como pré-candidato ao governo do estado, o gesto serviu de alerta. E os supostos afetados (milhares de comissionados, prestadores e fornecedores da PMCG) começaram a temer o afastamento do prefeito, dando início a um coro “fica Romero”, amedrontados com o efeito “Marat” (Revolução Francesa) “cabeças vão rolar”.

    Se Daniela e seu irmão ex-ministro das cidades tivessem encetado movimento por todo o estado, tentando “popularizar” o nome de Romero Rodrigues como pré-candidato, hoje quem estaria à frente dos destinos de Campina Grande era o patriarca do grupo, Enivaldo Ribeiro.

    Para o infortúnio da deputada, sua legenda esqueceu a simples oração cristã de São Francisco de Assis: “é dando que se recebe...”.

    No momento em que Romero começou a sinalizar sua desistência, a deputada Daniela Ribeiro “colou” no prefeito da Capital Luciano Cartaxo, com o mesmo propósito. Luciano e Romero “amarelaram”. Lucélio aceitou a indicação de Micheline como vice, esquecendo – como mencionamos neste espaço – o gesto de cortesia de convidar Eva Gouveia do PSD, homenageando seu esposo Rômulo Gouveia, maior responsável pela estrutura financeira das campanhas de Romero Rodrigues (primeiro mandato) e Luciano Cartaxo (reeleição).

    Descartado pela majoritária do projeto natimorto do PSDB/PV, o PP partiu para a “apelação”, ignorando sua postura ética, que será avaliada pelo intransigente eleitor qualificado. Nas palavras da deputada Daniela Ribeiro, “o PP não teria nenhum problema em estar em qualquer palanque, inclusive no de Ricardo Coutinho”. Senador José Maranhão ainda tentou indicá-la como vice em sua chapa (MDB). Ao que parece, a oferta estava aquém do esperado.

    A deputada preferiu reunir-se com o governador Ricardo Coutinho, afrontando o senador Cássio Cunha Lima. Ensina um adágio popular que “quem diz o que quer, escuta o que não quer”. O líder tucano (vice-presidente do Senado Federal) disparou artilharia pesada, enfatizando que já venceu campanhas sem o PP, e que o partido pode e deve tomar o destino que melhor lhes convier.

    Daniela Ribeiro e o PP terminaram por dar a Cássio Cunha Lima argumentos, motivos e razões para retomar as conversações com o MDB, conforme noticiaram ontem alguns blogs. O PV já não contava mais com o PP. O PSD literalmente destroçado com a perda de seu guia, em nada somava. O PSC de malas prontas para seguir viagem ao lado do MDB. Os Gadelhas nunca estiveram tão bem posicionados. Reconduzirão Renato para ALPB e Marcondes para a Câmara dos Deputados. Manoel Júnior é o postulante ao Senado da preferência de José Maranhão. Cássio ficaria só? Como nada acontece por acaso, no instante que o tucano disparava contra o PP, a esposa do prefeito Luciano Cartaxo se licenciava da UFPB, se desincompatibilizando para disputar um mandato eletivo.

    O PP amarelou... Se correr para os braços de Ricardo Coutinho perde todos os cargos e privilégios que dispõe da PMCG e PMJP, posições indispensáveis para reeleição - principalmente Daniela – todavia com efeitos na recondução de seu irmão Aguinaldo Ribeiro.  

  • CHAPA DOS PREPOSTOS

    10/07/2018

    Enquanto a bola rolava nos distantes campos da Rússia e o povo começava a sonhar com a conquista do hexacampeonato da única seleção pentacampeã do planeta, no mundo político paraibano o jogo disputado era outro. Jogava-se o secular xadrez com peões, torres; cavalos; bispos; rei e rainha, numa partida já em estágio bem adiantado, onde já se enxerga com certa visibilidade as probabilidades do vencedor.

    Indiscutivelmente o senador José Maranhão - que conhece o “tabuleiro” há mais de 60 anos - tem se comportado (pela primeira vez) como um bom enxadrista, usando a lógica sem levar em conta o fator “sorte”, nem sempre determinante para uma vitória. Ganha uma eleição quem “anda mais, erra menos e gasta bem”, e não quem gasta mais. Seguindo seus instintos e pondo em prática tudo que aprendeu ao longo de seis décadas, o decano da política paraibana vem mantendo um ritmo de crescimento constante, e até o presente, evitando equívocos dos “palpiteiros” de sempre, que o influenciavam em seus lances com “pitacos” amadoristas, motivos de sete derrotas consecutivas: primeiro e segundo turno em 2002 (Com Roberto Paulino), primeiro e segundo turno em 2006; primeiro e segundo turno em 2010, perdendo uma reeleição de forma surpreendente. Como se não bastasse, em 2012 viveu o pior de todos os seus momentos da vida pública: disputou a Prefeito da Capital, e não alcançou o segundo turno do pleito.

    O anúncio do campinense Bruno Roberto - ex-secretário de esporte e lazer – como vice do ainda pré-candidato José Maranhão, vem para consertar um dos erros mais grosseiros cometido de modo repetitivo pelo senador José Maranhão, em suas disputas para o governo do estado, ocasião que sempre desprezou a importância de Campina Grande e o “Compartimento da Borborema”. Em 2002, apoiou seu vice Roberto Paulino, e ao invés de indicar um vice de Campina Grande, optou pelo saudoso deputado estadual Gervásio Maia. Filho de João Agripino, que Campina elegeu como “persona non grata” no período em que governou o estado (1966/1971), coroando sua antipatia (1970) quando derrotou o senador Argemiro de Figueiredo com o “Rei do Zinco”, senhor desconhecido, Domício Gondim. Em 2006, o senador José Maranhão considerado “governador em férias”, se lançou candidato e trouxe como vice o neófito sousense Luciano Cartaxo.

    Campina mais uma vez foi subestimada e Maranhão sofreu sua primeira derrota direta. Mesmo assim resolveu mostrar seu lado teimoso em 2010 – no Palácio da Redenção e bem avaliado – escolheu Rodrigo Soares (?). Será que os palpiteiros do senador, nunca o alertaram que além de Campina ficar fora da majoritária a cidade detesta o PT? Lula e Dilma nunca venceram em Campina Grande.

    Bruno Roberto é filho do deputado federal campinense Wellington Roberto, que está no Congresso Nacional há 20 anos. Nunca perdeu uma campanha para o governo do estado na Paraíba. Votou em José Maranhão em 1998, em Cássio Cunha Lima em 2002 e 2006; em Ricardo Coutinho em 2010 e 2014. Mesmo distante da mídia, tem um trabalho “formiguinha”, e goza da confiança de importantes redutos no interior paraibano, tarefa onde se insere o trabalho de outro filho, o deputado estadual Caio Roberto.

    Quem está “andando menos e errando muito” é o senador Cássio Cunha Lima. Apesar do seu favoritismo na disputa por uma das vagas para o Senado da República, sua postura e discurso ainda estão ininteligíveis. Ao invés de unir as oposições, encabeçada pelo senador José Maranhão - provavelmente ouvindo “palpiteiros” - insiste em alimentar uma chapa de “prepostos”. Lucélio Cartaxo e Micheline Rodrigues não são nada mais que “institores” de Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues, pré-candidatos que não conseguiram “emplacar” suas postulações, pela mais absoluta falta de perspectivas de vitória em outubro próximo (2018).

  • OUSADIA DO SOCIALISTA

    16/06/2018

    Segundo postagem nos grupos do whatsapp - atribuídas ao Jornalista Milton Figueiredo - o governador Ricardo Coutinho procurou pessoalmente a ex-deputada Eva Gouveia, viúva do saudoso Rômulo Gouveia (falecido há 31 dias), e a convidou para ser a vice na chapa patrocinada pelo Palácio da Redenção, encabeçada pelo engenheiro João Azevedo. Por que não o Senador Raimundo Lira, que anseia por esta oportunidade e ficará no comando do PSD? A resposta é simples: Ricardo quer os votos, não suplente. No texto, duras críticas pela ousadia e falta de memória do governador, tendo em vista tratamento dispensado ao “gordinho”, quando foi seu vice (2010/2014).

    A formação política do governador Ricardo Coutinho, doutrinada no pragmatismo de: “o que importa é o resultado final”, historicamente não é tão aberrante. Seu ídolo - inspirador de sua geração - Luís Carlos Prestes, fez bem pior em nome da “causa”, apoiando em eleições diretas o ditador que o prendeu (Getúlio Vargas) e expatriou sua esposa Olga Benário, grávida e morta em um campo de concentração nazista. Se não fosse o pacto de não agressão celebrado entre Russos e Alemães que permitiu a invasão da Polônia e sua divisão, Anita Leocádia, filha de Olga Benário e Luis Carlos Prestes (criada na Rússia) teria também sucumbido nos orfanatos ou campos de trabalhos que abrigavam estrangeiros, prisioneiros de guerra e inimigos do regime. Prestes na época desculpou-se, alegando que não cabiam sentimentos individuais ou egoístas como “o amor” (coisa de pequeno burguês), quando a luta era em nome de um bem estar coletivo (?). Vargas, mais prudente, simplificou a “brasilidade” política/partidária sedenta pelo poder: “em política não existem amigos inseparáveis, nem inimigos irreconciliáveis, tudo é possível”.

    O arrojo do governador – se tivesse surtido efeito positivo – criaria um fato novo na campanha de seu candidato (João Azevedo) suplantando todas as perdas que vem sofrendo em suas bases, para o senador José Maranhão. Basta que se veja fotos da festa de Santo Antônio em Piancó, evento que Ricardo Coutinho, João Azevedo e Lucélio Cartaxo “queimaram”. O “socialista” estabeleceria uma importante “cabeça de ponte” dentro de Campina Grande, encurralando Exércitos de seus grandes inimigos, Romero Rodrigues e o Clã Cunha Lima. Com efeito, a partir de então, iria buscar o apoio do PP.

    Eva e Rômulo ou vice-versa, surgiram juntos na antiga UCES – União Campinense de Equipes Sociais, entidade que congregava todas as Associações de Amigos de Bairros da cidade, na gestão do Prefeito Ronaldo Cunha Lima. Cargo estratégico para quem sonhava com um mandato, a dupla (ainda não casados) passaram a conhecer centímetro por centímetro da cidade, lidando exatamente com o povão carente, onde se enraizaram como referência política. Deste trabalho, Rômulo conquistou seu primeiro mandato de vereador. Conservaram a trincheira, onde se posicionava Eva, como “retaguarda”. Não foi por acaso que na última campanha disputada por Ronaldo Cunha Lima (2006) para Deputado Federal, Rômulo obteve mais votos que o poeta em Campina Grande, fato não bem digerido então, já que toda a família – puxada por Glória Cunha Lima - se empenhou no “adeus do poeta” a sua vida pública. Entretanto, posteriormente reconheceram que nos bairros periféricos e populosos, a presença de Eva era uma constante. Como continuou sendo. Esteve à frente da Secretaria de Ação Social até abril último (2018), oportunidade para atualizar seu “cadastro”. Ricardo Coutinho foi o primeiro a chegar, e valorizando Eva, já que os “amigos” do “gordinho” não fizeram o mínimo esforço para assegurar a mesma, a condição de sucessora de seu falecido esposo na Câmara dos Deputados. Pelo contrário, Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo – devedores do inesgotável trabalho de Rômulo Gouveia em suas eleições e reeleições - se juntaram para fortalecer uma chapa doméstica, esquecendo a “fineza” de pelo menos convidarem Eva, para compor a vaga de vice. Não se sabe o que é pior ou mais dolorido: esquecimento e abandono prematuro, ou uma lembrança oportunista.

     

  • PROCURANDO O MARTELO

    12/06/2018

    Uma “pérola” de incoerências e improvisos mal arranjados, a entrevista do pré-candidato Lucélio Cartaxo - principal protagonista de um projeto natimorto – com vistas à sucessão do governador Ricardo Coutinho. Discurso vazio, despido de ideias e repetitivo nos velhos chavões de renovação (?) sem começo, com “meio” confuso e final desastroso. Tentando atingir o senador José Maranhão, Lucélio Cartaxo (PV-PB) ilustrando o “novo” afirmou que “tudo seria diferente, sem o anacronismo do passado...”. Um astuto jornalista perguntou: “onde fica seu aliado Cássio Cunha Lima”? Ele representa o passado, já governou a Paraíba. Lucélio se perdeu. A resposta foi semelhante - e tão convincente - quanto à do saudoso radialista (era de ouro do rádio) campinense Gil Gonçalves, num momento em que se viu em apuros: “procurando o martelo*”.

    Enquanto Lucélio Cartaxo desafinava - esquecendo até trechos da letra musical que entoava uma canção não ensaiada - o prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues se justificava na mídia, respondendo ao claudicante arlequim João Azevedo, usando a “Cristandade” como pretexto. Em seus argumentos desprovidos de lógica ou razão, Romero Rodrigues interpretou - pelo que ficou subentendido - que o povo paraibano aspira por uma chapa cujo principal propósito seja unir duas famílias. Sem dúvidas, para que se amplie ainda mais o nepotismo reinante. Se isto não for insanidade, é mediocridade sem precedentes.

    Se seu desígnio tem como missão unir famílias, Romero Rodrigues deveria começar a partir de sua própria “linhagem”. Trazer de volta a mesa de jantar do Clã Cunha Lima Renato, irmão de Ronaldo e tio de Cássio, e o deputado estadual Arthur Filho, ambos ainda na base do governador Ricardo Coutinho. Amenizaria as tensões entre Bruno e Tovar – seu parente por afinidade, genro do Conselheiro Fernando Catão seu tio, a quem confiou sua Chefia de Gabinete na PMCG com “poder de caneta”. Alavancaria o nome de seu irmão Moací, eterno candidato a deputado federal - carente de seu apoio – frustrado sempre com tristeza ao ver sua postulação abortada antes das convenções. Para surpresa de todos, Romero Rodrigues vem aos poucos – em público – minimizando a grandeza da liderança de seu criador, senador Cássio Cunha Lima.

    A escritora inglesa Mary Shelley, autora da primeira obra de ficção científica, “Frankstein ou o Moderno Prometeu” (1818), não previu que seu enredo seria plagiado na distante província da Parahyba – na época pertencente ao Império do Brasil – e no final do longínquo século XX, já como República Federativa e em regime democrático. Senador Cássio Cunha Lima será vítima de suas “criaturas”, como o personagem de Mary Shelley? Que o diga o senador José Maranhão, “criador” da figura de Prefeito da Capital Ricardo Coutinho, Luciano Cartaxo e o de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego, que hoje unidos ou separados – motivados por suas rebeldias ingratas - tentam defenestrar aquele que lhes deu o “sopro” de vida, como homens públicos.

    *Procurando o Martelo – muito usado na redação do extinto Diário da Borborema, na época do seu Editor Chefe, Jornalista Josusmá Colho Viana. Referia-se a surpreender alguém e encalacra-lo sem respostas. Poucos sabiam a origem. Saudoso Gil Gonçalves, fino, educado e muito culto - já sexagenário e em sua fase da pré-andropausa – costumava divertir-se furtivamente com suas secretárias do lar. Numa certa manhã de domingo sua esposa foi à missa, e voltou às pressas por ter esquecido a mantilha. Na cozinha, a secretária em frente ao fogão e Gil a abraçando por trás. “O que é isto Gil”? Bradou sua senhora. Gil, diante da surpresa respondeu: “estou apenas procurando o martelo”.

  • CHAPA TITANIC

    09/06/2018

    O precipitado anúncio (ontem 08.06.2018) de uma chapa que dividirá as oposições na Paraíba - pela sua formação - vem concretizar a tese da existência “autista” no mundo político, onde se acomodam alguns dementes, literalmente desconectado com a realidade e desmemoriado de exemplos mal sucedidos por aqueles que tentaram nomear “herdeiros” de um patrimônio (votos) que pertence ao povo.

    O prefeito de Campina Grande, que após um ano de peregrinação por todo o estado não conseguiu viabilizar sua candidatura para governador (eleições 2018), se juntou com o de João Pessoa, e lhes passou o bastão. Cartaxo “amarelou” diante do desafio e indicou seu irmão gêmeo (?) que há quarenta dias não ultrapassou a ponte do Rio Sanhauá. Sua plataforma de campanha se resume em transformar a residência oficial do governador (Granja Santana) em um parque infantil. Diante de tanta “miopia”, o aconselhável foi lhes indicar uma companheira de chapa “oftalmologista” que pode até ajudá-lo a enxergar, porém, jamais “ver” a mediocridade desta esdrúxula composição “familiar” - de caráter mesquinho - e com nítido propósito (ou devaneio) de ocuparem o poder a qualquer custo, ignorando completamente qualquer raciocínio lógico do eleitor, transformando-os em idiotas.

    Infelizmente chegamos à conclusão que o poder deve ser mesmo “doentio”, ou deixa psiquicamente “enferma” as pessoas que o desfrutam por muito tempo. Romero Rodrigues sabe das dificuldades e os longos anos de aprendizado que lhes foi necessário, para alcançar o posto de Prefeito de Campina Grande. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal de Campina Grande; Deputado Estadual; Chefe da Casa Civil (com poder de caneta) do então governador e primo Cássio Cunha Lima; Deputado Federal, com bom desempenho no parlamento, conquistar finalmente o respeito da população Campinense, que o elegeu e reelegeu Prefeito da Capital do interior nordestino.

    É inimaginável que com tanta experiência, cometa um erro tão primário, como permitir que sua esposa componha uma chapa para o governo do estado - encabeçada por um cidadão - cujo único mérito é ser irmão do atual prefeito da Capital. E o Senador Cássio Cunha Lima? Não está percebendo este desastre? Apesar de sua excelente posição nas pesquisas – para o Senado Federal - não tem “musculatura” para alavancar e sustentar esta aventura “sangue azul”. As uniões familiares para fortalecerem o poder, morreram com as Monarquias Absolutistas. Nem a Rainha da Inglaterra tem coragem de lançar membro de sua família na política partidária. Preferem se acomodarem na Câmara dos Lordes, que disputarem o voto dos seus súditos.

    Poder político numa democracia não se transfere nem se herda: se conquista. Senador Cássio Cunha Lima começou sua luta pela conquista do poder, nas eleições de 1986, quando seu pai era Prefeito de Campina Grande. Mesmo assim, fez uma campanha diferenciada. Foi o candidato “constituinte” representando a juventude. Campeão de votos no estado - altíssimo percentual do voto feminino – que o denominava de “Cássio Coisa Linda”. Para suceder seu pai – se na época tivesse segundo turno – teria sido derrotado. Edvaldo do Ó, dividiu a oposição com Enivaldo Ribeiro.

    Sua caminhada para alcançar o governo do estado se alicerçou em três mandatos como Prefeito de Campina Grande; dois de Deputado Federal; passagem pela extinta SUDENE como Superintendente; apoios imprescindíveis de adversários históricos como Wilson Braga e Efraim Morais e a desistência de Ney Suassuna (2002) véspera das convenções, levando José Maranhão a lançar seu vice Roberto Paulino, que não havia se preparado para disputa. Uma vitória apertada no segundo turno levou Cássio ao Palácio da Redenção.

    Registrem-se exemplos históricos: palanque fraco, derrota todos. Senador Cássio Cunha Lima e alguns candidatos a renovar seus mandatos para a Câmara dos Deputados podem ser vítima de um “empuxo”, afogando-se no naufrágio desta chapa “Titanic”.

  • POLARIZAÇÃO PREVISTA: MARANHÃO E LUCÉLIO

    11/05/2018

    O cerco do Poder Judiciário se fecha contra o governador Ricardo Coutinho. Mais de onze processos que dormitavam nas “conchegativas” prateleiras – climatizadas com ar refrigerado no STF - desceram para o Tribunal de Justiça da Paraíba, para que se remetam todos a sua origem: primeira instância. Enquanto isto, no TSE e TRE-PB ainda restam ações que o acusam de “uso da maquia” e abuso do poder econômico em sua reeleição de 2014. Um verdadeiro calvário, principalmente para Ricardo Coutinho, que sempre dispensou pouca cortesia e atenção ao Poder Judiciário.

    Como destacamos algumas vezes, e sempre valendo-nos da analogia, as derrotas dos grandes generais da história ocorreram quando lutaram em duas frentes. Ricardo Coutinho se depara diante deste desafio. Vencer cerca de vinte processos que tramitam na Justiça – alguns da época que foi prefeito da Capital – e simultaneamente comandar a campanha de seu “claudicante” candidato à sucessão, João Azevedo.

    As deserções de seus batalhões já começaram. O PR do deputado federal Wellington Roberto, está se agrupando às tropas “maranhistas”, na esperança de indicar o vice do MDB. O PP do clã Ribeiro - se porventura arriscar romper com a aliança que tem com o PSDB - não terá alternativa, senão procurar se agregar a postulação emedebista. Entretanto esta hipótese parece bastante remota, em função da perda de espaços, onde está aquartelada toda sua força de combate para enfrentar a “guerra” eleitoral deste ano de 2018: PMCG e PMJP. O PDT da vice-governadora Ligia Feliciano se lançará na disputa. O DEM? briga com o PT. Os herdeiros do “lulismo” não admitem presença em palanque dos “golpistas” do Democrata.

    Inteiramente alheio ao que se passe nos bastidores – deslumbrado pela bajulação em sua volta - o ex-secretário João Azevedo peregrina com uma caravana de “comissionados” do governo, batendo as portas de Prefeitos - outrora desprezados pela gestão “socialista” – que simplesmente ignorava este tipo de liderança política. João Azevedo ainda não sabe quem serão seus candidatos ao Senado Federal, muito menos seu (a) vice. E a chapa para a Câmara dos Deputados?

    Em circunstância inversa, o PV navega em “mar de almirante”. No instante em que faltam nomes no MDB e PSB, sobram na aliança que brande a bandeira de Lucélio Cartaxo. Senador Cássio Cunha Lima é o primeiro dos candidatos ao Senado. Lira tem a pretensão de ser o segundo. Porém, Manoel Júnior (PSC) vem demonstrando reunir mais condições, pela questão da “antiguidade” e fidelidade junto ao grupo. Esteve ao lado do senador Cássio nas eleições de 2014, como dissidente do PMDB. Foi candidato a vice-prefeito da Capital para consolidar a vitória de Luciano Cartaxo. Raimundo Lira representa o PSD, legenda que o abrigou depois de romper com o MDB. Talvez, Manoel Júnior pudesse até declinar de seu intento. Isto, se porventura o Deputado Federal Rômulo Gouveia reivindicasse para si mesmo a vaga. Para transferir, é outra “estória”. Todo o esforço do MDB, doravante, é polarizar a disputa com Lucélio Cartaxo. João Azevedo – como peixe no aquário - não fará outra coisa, senão nadar em círculo. Como nada é impossível no dinâmico mundo da política, só um fato extraordinário, ou estapafúrdio, mudará este quadro.  


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