Colunista Júnior Gurgel

  • CARTAXO E O HISTERISMO MIDIÁTICO

    04/03/2018

    Ao anunciar que não mais seria o pré-candidato das oposições ao Governo do Estado nas eleições de outubro próximo (2018) o prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo não imaginou que provocaria uma “histeria coletiva” na população, que atônita desconhecia por completo os efeitos desta fatídica decisão, como interpretou a mídia radiofônica influenciadora das redes sociais.

    Centenas de grupos do Whatsapp bateram recordes em postagens contra e a favor. A verdade - sendo otimista - todo este tumulto deve ter alcançado no máximo 10% da população paraibana.  Atentos ao evento, só os defensores de contracheques, ocupantes de cargos comissionados nas prefeituras de Campina Grande e João Pessoa, dando-se maior ênfase aos barnabés do Estado.

    Ao longo das três últimas décadas, os proprietários de emissoras de rádio na Paraíba atrelaram seus faturamentos e empreendimentos ao Governo do Estado e às prefeituras das duas principais cidades da Paraíba: Campina Grande e João Pessoa. Criaram equipes e “monstros sagrados” dos microfones, capazes de “formar opinião”, e elegerem ou derrotarem candidatos por eles construídos, ou destruídos.

    Mera ilusão... Sobretudo dos que estão no poder e sabem quanto custou suas campanhas, e de que forma chegaram até onde estão. É claro que a bajulação diária da radiofonia massageia o ego do poder. Mas, não leva o povo a decidir, sem antes refletir. Se prevalecesse como verdadeira a tese da influência decisiva da mídia radiofônica paraibana nos destinos políticos do Estado, todos os que passaram pelo Palácio da Redenção eram imbatíveis. A história não tem nos provado esta premissa, como fato verdadeiro.

    Quatro anos da gestão do então governador Cássio Cunha Lima (2002/2006) o maior sistema de comunicação do Estado, através de sua imensa cadeia radiofônica, bateu impiedosamente no tucano que dentre outras dificuldades administrativas constava o atraso da folha de pagamentos e o recebimento do 13º salário em forma de empréstimo bancário. O ex-governador José Maranhão, “considerado em férias”, esperava retorno triunfante em 2006. Os “ouvintes” preferiram manter o “menino de Ronaldo” no Governo da Paraíba, derrotando o cacique peemedebista nos dois turnos do pleito. Mas, ao que nos parece, a lição não foi absorvida pelo “mestre de obras”. Conseguiu, através da Justiça, cassar o tucano e assumir o comando da Paraíba. E, repetiu o mesmo erro.

    Segundo o saudoso Jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), todos os dias saem de casa um malandro e um otário... O problema é a hora do “casual” encontro. Dois anos de mandato após a cassação de Cássio Cunha Lima, José Maranhão postulou sua reeleição. Ao seu lado (2010) estavam todos os “sistemas de comunicações” e a “elite” formadora de opinião da radiofonia paraibana. Contou até com o IBOPE, através da Rede Globo, que divulgou na sua pesquisa em nível nacional resultado de todos os Estados. Na Paraíba não haveria 2º turno. José Maranhão vencia com a margem de 22,7% de maioria, sobre o atual governador Ricardo Coutinho. Os “ouvintes” não escutaram os apelos dos formadores de opinião? Sequer deram crédito ao IBOPE...

    Há poucos dias viajamos ao interior do Rio Grande do Norte, cruzando quase toda a Paraíba, a partir de Campina Grande. Roteiro sem pressa, paradas em botecos; feiras livres; Mercados Centrais; Postos de combustíveis, onde conversamos com o povo informalmente. O assunto predileto se reportava a banalização da violência, e as vísceras: fome. A falta de dinheiro, meios para ganhar alguns trocados; luz e água com fornecimento cortado... Uma lamuria geral. Quando indagamos sobre política e candidatos, percebemos uma imensa inapetência pelo tema. A maioria não sabe, não conhece nem ouviu falar sobre Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues. Conhecem Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima e José Maranhão. Todos falam mal dos Vereadores, e a maioria do Prefeito local. Esqueceram Lula e Dilma, e ainda esperam uma ação do Presidente Michel Temer. Estamos falando do povão, que já tem celular “lanterninha”, e não está nas redes sociais. Como encorajar essa gente para apoiar um projeto político? Luciano Cartaxo, por exemplo, dos 223 municípios ele visitou pelo menos os últimos 23 como candidato? E Romero Rodrigues, fez o mesmo? Além do entorno de Campina Grande (compartimento da Borborema), por onde mais ele andou? João Azevedo tem viajado mais. Todavia, é visto como um burocrata do governo que conhece correligionários políticos e despreza adversários. Queiram ou não, os nomes conhecidos são os já citados: Ricardo, Maranhão e Cássio. Destes três, se dois juntarem-se, derrotam o que ficou de fora. Não tem espaço ou tempo para “outsider”. Inexiste oportunidade para um “novo”. Quanto à comunicação radiofônica? Seria um excelente tema para Stanislaw Ponte Preta, que também era Contista. 

  • GENERAL HELENO

    28/02/2018

    Quem assistiu ao programa Painel (Globo News) sob o comando de Renata Loprete e com a participação do General Heleno, percebeu a surpresa impactante que causou o convidado, silenciando todos. O clima de constrangimento dos participantes, e da apresentadora, demonstrou que não estava no script um desabafo, com palavras tão duras, sinceras e sem rodeios – linguagem da caserna – mostrando a visão das Forças Armadas sobre o atual quadro político do país.

    Segundo o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, a intervenção militar no Rio de Janeiro tem que ser curta e contundente. O Comandante (Interventor) deverá ter a responsabilidade de honrar a tradição do “verde oliva”, se impondo sobre um quadro de guerra. Assegurou que é impossível não haver derramamento de sangue neste enfrentamento. Defendeu que as tropas terão que abrir fogo contra qualquer alvo armado – independente de questões de direitos humanos – pois se trata de guerra, não de um exercício militar. Relatou que quando esteve na missão de paz no Haiti, seus soldados usaram armas para conter o caos, numa desordem existente e bem menor que a ora vivida pelos cariocas. O Rio de Janeiro é um dos centros de operações do crime organizado que já domina de norte a sul o país, enfatizou o General, usando um tom de voz que ensurdeceu a hipocrisia dos estúdios da News.

    Não precisa ser gênio para interpretar o recado do General. Mais cedo ou mais tarde... Com ou sem apoio dos políticos ou da Justiça, eles intervirão para evitar a escalada da guerra civil – no momento entre facções criminosas – em seguida sitiando a população, já a mercê da bandidagem. O General pediu compreensão e apoio – se referindo ao Rio de Janeiro – do Poder Judiciário. E em seguida disparou: “a corrupção vem de cima e envolve até o Presidente da República”.

    A “inquietação dos quartéis” sempre foi um fantasma presente na história política do Brasil, desde a proclamação da República. O movimento dos “Dezoito do Forte” (Copacabana 1922) provocou uma reestruturação nas Forças Armadas, que assumiu posição de destaque na defesa de uma nova geopolítica, para assegurar a união dos Estados, numa nação de dimensões continentais. Após a redemocratização com a Constituição de 1988, chegou-se a imaginar que este tipo de evento era passado, sem chances de ressurgimento. Os militares foram obedientes a Lei e a ordem da nova Carta Magna, e bem antes voltaram à caserna, no final do Governo Ernesto Geisel (1978).

    A Intervenção no Rio de Janeiro, e seu suposto sucesso, se expandirão pelos demais Estados. Pode evitar uma longa ditadura, com ou sem o apoio da classe política. O que ninguém sabe ainda é se a ideia foi do Presidente Michel Temer, ou foi imposição da comunidade financeira internacional e seus organismos correlatos. Como bem frisou o General Heleno, “o Brasil ocupa a primeira posição dos viciados em crack, a segunda em cocaína, e é o maior centro exportador de drogas para todo o planeta.” Existe um poder paralelo armado, e temos a segunda maior população carcerária do mundo – porque todos os mandados de prisão não foram cumpridos – senão estaríamos à frente, e bem distante do segundo lugar. A corrupção política permeou todas as legendas com assento no Congresso Nacional. Finalmente chega-se à conclusão que a mudança pelo voto, e com as leis atuais e suas Cortes de Justiça, nada mudará no país. Os Militares vêm avisando... Inclusive nas redes sociais, já alertaram que nenhum corrupto condenado pela lava-jato – caso sejam reeleitos - assumirá seus mandatos.

    Que o Rio e sua intervenção salve nossa democracia.

  • COUTINHO NO CADAFALSO

    20/02/2018

    O ministro Corregedor do TSE, Napoleão Nunes Maia Filho, pediu pauta para julgamento da AIJE que acusa o governador Ricardo Coutinho de ter cometido crime eleitoral, por abuso de poder político/econômico.

    Coincidência?

    A notícia atingiu o “socialista” no momento mais cruciante de sua vida pública: “Descida de ladeira”, final de oito anos consecutivos de um mandato polêmico, todavia bem avaliado pela população, frente à crise que atravessa o país. Restando-lhes apenas quarenta e cinco dias para tomar a decisão de se afastar oficialmente do governo (renuncia); decidir se irá lançar sua candidatura ao Senado ou Câmara dos Deputados; abdicar da política partidária. Um xeque-mate que exige muita habilidade e “sorte”, fenômeno que o tem acompanhado desde sua primeira eleição para o Parlamento Mirim da Capital. 

    Seu julgamento no TSE - com previsão para os próximos vinte dias - não implica em considerar por antecipação que seja condenado. Pelo contrário, têm sido raros os casos em que a Corte Superior da Justiça Eleitoral reforma decisões colegiadas dos Tribunais Regionais Eleitorais. Neste processo, o TRE-PB já o inocentou por um placar de 5x1. Não satisfeito - e de ofício - o Ministério Púbico Eleitoral apelou da decisão. Entretanto, é bom lembrar que o TSE é a Corte de Justiça mais politizada do país. Basta rememorar o julgamento de Dilma Rousseff que teve seu mandato cassado desvinculado do seu vice, atual Presidente Michel Temer, e não foi aplicada a lei que a deixaria inelegível por oito anos. Observe-se também, que quem não deixou a ação ser extinta foi o então Ministro que compunha a corte Gilmar Mendes, e que depois foi quem decidiu como Presidente, através do voto de minerva, cassar o mandato da já impedida de governar ex-presidente Dilma Rousseff.

    Governador Ricardo Coutinho hoje é considerado “persona non grata” pelo governo peemedebista/tucano, graças à sua precipitação ou falta de cautela. Excedeu-se e se expôs quando acusou, acusava e acusa abertamente o Presidente Michel Temer de golpista. Esqueceu o adágio popular que sentencia: “o homem é senhor do que cala e escravo do que fala”. Recentemente (cerca de trinta dias), num jantar na casa de Livânia Farias articulado pelo ex-secretário da Educação Sales Gaudêncio, José Maranhão, sua esposa Desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti estiveram frente a frente com Ricardo Coutinho, e esperaram dele um apoio oficial ao projeto do cacique peemedebista da Paraíba em voltar a governar o Estado. Relatos dão conta do mais completo descaso do “socialista”, que não abriu sequer espaço ao senador José Maranhão para expor seu projeto político. Coutinho mostrou pesquisas com índices de sua popularidade e aprovação de sua gestão, fato que o qualificava a eleger com facilidade seu pré-candidato João Azevedo. O cavalo passou selado... Desconcertado, o senador José Maranhão voltou a conversar com o tucano Cássio Cunha Lima, de quem tivera melhor acolhida.

    A atual composição do TSE não sinaliza simpatia à causa do “socialista”. Exceto o presidente Luiz Fux e a “Dilmista” Rosa Weber, os demais estão conectados com o Palácio do Planalto. Evidente que não irão atropelar a legislação. A função do TSE será aprovar ou desaprovar a decisão do TRE-PB examinando em profundidade se os Juízes votaram corretamente, em observância ao conteúdo da denúncia.

    Ricardo subiu no cadafalso. Se for inocentado pelo TSE ganha fôlego de chegar ao final da maratona com amplas chances de vitória. Se condenado, o Titanic afunda e com seu empuxo leva a vice-governadora. Todos os processos “travados” pelo seu foro privilegiado ganharão celeridade.

    Rei morto, Rei posto.

  • ULTIMAS APOSTAS

    19/01/2018

    Roleta do destino da classe política paraibana já está girando, e o crupiê que representa o grande eleitorado aguarda as últimas apostas, que podem ainda surpreender (preto 17 ou vermelho 36). Quem mais arrisca nesta rodada é o governador Ricardo Coutinho - com um tempo exíguo de quarenta e seis dias - para depositar todas as suas fichas na mesa. Renunciará o mandato? A escolha do número (candidato) recairá sobre João Azevedo? Sem fatos novos que justifique “desmonte” da escultura que vem sendo talhado pelo próprio Ricardo - falta de um “outsider” que convença o povo a tomar decisões atípicas, fora da realidade partidária do Estado - João Azevedo é a única opção que resta ao projeto de continuísmo do “socialista”.

    As oposições (divididas) aguardam a roleta parar (sete de abril), data limite para o governador Ricardo Coutinho chamar o caminhão da mudança. Pesquisas de intenção de votos sinalizam no momento eleição tranquila do “socialista”, caso venha disputar uma das duas vagas para o Senado da República. É bom lembrar que pesquisas refletem o momento. Sem “poder de caneta” e com modificações no Secretariado que o acompanha desde o seu primeiro mandato, como prefeito da Capital, Ricardo Coutinho irá se deparar com uma realidade totalmente imprevisível, talvez adversa. Ao invés de mandar (o que vem fazendo há quinze anos) irá pedir. Deixará de ser o “motorista”, passará a ser “caronista” - de um novo governo - que caso venha ser sua vice, pensa e age de modo oposto ao seu. Estes maus presságios têm assombrado alguns de seus fiéis companheiros de “roleta”, que não estão confiantes no seu palpite (João Azevedo). Deputado Federal Wellington Roberto, foi o primeiro a se afastar entregando a Secretaria de Esportes, em pleno ano eleitoral (?). Inacreditável.

    Longe de subestimar o campeão de votos da Paraíba – por duas vezes – Ricardo Coutinho. Segundo a fonte José Antônio (Gotinha), existe um trabalho nos bastidores do Palácio da Redenção, para a vice-governadora Ligia Feliciano também renunciar no dia sete de abril (2018). Uma eleição indireta seria realizada através da Assembleia Legislativa, para um mandato “tampão”. Claro que o candidato seria João Azevedo, que disputaria em outubro sua reeleição. Seriam quatro anos (se reeleito) guardando a cadeira para o retorno de Ricardo. Senador Raimundo Lira deixaria o MDB e seria o suplente de Ricardo Coutinho. Aguinaldo Ribeiro, em caça, aguarda um movimento em falso de Romero Rodrigues, para se posicionar como a segunda opção da chapa do PSB, já comprometida com Veneziano Vital do Rego.

    Deputado Federal Pedro Cunha Lima será o vice de Luciano Cartaxo. Romero Rodrigues está sendo “assediado” por José Maranhão para indicar sua esposa como vice do MDB. Quem vai jogar sinuca com “pau” de dois “bicos”? Cássio ou Maranhão? Na perspectiva da primeira dama do município não sair como candidata à vice de Maranhão, disputará uma vaga para a Câmara dos Deputados, enterrando o prestígio de Enivaldo (atual vice-prefeito), levando Aguinaldo e Daniella a obterem uma votação pífia em Campina Grande, sepultando suas pretensões para 2020. Fazendo uma analogia desta feita ao futebol, treino é treino, jogo é jogo. A partida começa em 08.04.2018.

  • DISPERSÃO DAS OPOSIÇÕES

    08/01/2018

    Os últimos movimentos do senador José Maranhão - no tabuleiro do xadrez político da Paraíba - deixaram a união das oposições em xeque. Uma visita pessoal ao prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, sem combinar antes com o presidente do PSDB Rui Carneiro, nem avisar ao chefe do Clã, Cássio Cunha Lima, deixou perplexo e curioso os demais aliados. Faz declarações desastrosas sobre o prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo e concomitantemente se reúne com cacique do PSD Rômulo Gouveia (?). Na sequencia dos desacertos, contratou marqueteiro que no momento presta “serviços de consultoria” ao governador Ricardo Coutinho. Falou de separação e divorcio com o PSD, correndo o risco de perder o vice-prefeito Manoel Júnior. Os Motas de Patos tratam sua postulação com frieza, despida de qualquer entusiasmo. Veneziano Vital do Rego, sendo cortejado pelo governador, que massageia seu ego, quando manifesta em público o desejo de votar no ex-cabeludo.

    Onde passa um boi, escapa toda uma boiada. Senador José Maranhão está abandonando o “diálogo” - caminho duramente construído pelo presidente do PSDB Rui Carneiro - e enveredando pelo “monólogo” sob a alegação que, de todos os políticos com mandato no momento, o único que nada tem a perder nesta campanha é ele. Esquece que pode perder o principal: as eleições.

    Neste ritmo, terminará só.

    Desde 1994 que o PMDB não vence uma eleição na Paraíba. Chegou ao Poder com Buriti (1986) no auge do Plano Cruzado. Em 1990, mesmo com o desgaste da legenda - satanizada em todo o país - Ronaldo Cunha Lima manteve a sigla no Poder e elegeu seu sucessor o “claudicante” Antônio Mariz (1994), derrotando uma máquina de fazer votos, Lúcia e Wilson Braga. Desconsidere-se a reeleição de Maranhão (1998) como uma peleja. Deputado Federal Gilvan Freire e seu PSB representaram uma postulação “Quixotesca”, sem chances de disputa, deserta de apoios, apostando apenas no idealismo. E lá, já se foram 20 anos de derrotas subsequentes do PMDB-PB.

    Nesta linha do memorialismo lembramo-nos que no distante ano de 1998 o então governador José Maranhão pregava por todos os recantos da Paraíba que seria candidato à reeleição, e seu vice seria o ex-senador Ivandro Cunha Lima. Uma manchete do Jornal da Paraíba sepultou o projeto desagregador. “Ronaldo Cunha Lima: Eu tenho posição, Maranhão imposição”. Maranhão estava e parece que ainda continua conjugando verbos, no singular: eu, tu; ele. Alianças exigem o plural: “nós”.

    Os percalços das oposições inversamente confortam o projeto de Ricardo Coutinho. Está tudo acontecendo dentro do esperado - divisão de seus adversários - e o senador José Maranhão representando o mesmo papel desempenhado por Vital Filho, no voo “solo” de 2014. Expectativas do “socialista” estimam entre 100 a 200 mil votos (obtidos por Maranhão 2018) que no segundo turno apoiará o candidato do PSB. Ricardo, provavelmente ao lado de Veneziano ou Aguinaldo Ribeiro, formará o palanque de João Azevedo. O que mais impressiona, é como José Maranhão conseguiu, em tão poucos dias, desagregar todo um projeto, cujo principal objetivo era evitar a solidificação da terceira forca política no Estado.

    Pelo visto, tarde demais...

  • MITOMANIA E SINCERISÍDIO NA POLITICA

    03/01/2018

    Numa destas viagens noturnas - expedições exploratórias pela internet – hábito comum dos notívagos, que sabem apenas de onde partiram, mas não tem a menor noção aonde chegar, deparamo-nos com um texto de *S.R. Martinez, sobre psicanálise sociológica comportamental e sua influencia direta na sociedade dos nossos dias. Pincei alguns dos principais pontos da tese, enquadrando-o numa visão do momento político do país. O conteúdo oferece a memorialistas e historiadores, um mapa perfeito dos caminhos construídos por nossas elites, em dois momentos: partir de 1965 e pós 1985. Noutro aspecto, observem-se a responsabilidade e o papel de cada cidadão, no novo modelo de “comunicação” globalizada (Redes Sociais). A clareza analítica do texto dispensa citar nomes de políticos e lideranças, que pretendem disputar o pleito deste ano (2018). Dos pré-candidatos que aí estão o texto revela com perfeição suas fisionomias. A MITOMANIA COMO RECURSO IDEOLOGICO E A CAVERNA DE PLATÃO.

    Mitomania é a mania de mentir, compulsivamente. O mitomaníaco mente continuadamente e isso é seu “modus operandi", maneira de viver e se comunicar. A pessoa tem prazer em mentir, mesmo que no fundo, saiba que isso pode ser prejudicial a si mesmo. A etiologia do problema é multifatorial, podendo ser desde a compensação de uma baixa-estima, até algo mais grave, como um transtorno de personalidade antissocial (ou seja, uma sociopatia). Viver em sociedade implica que você também não pode fazer o extremo oposto, dizer a sua versão da verdade na cara de todo mundo, forçando assim, com agressividade, que as pessoas vejam seus pontos falhos, suas dificuldades e deficiências. Há um nível limite na comunicação, de respeito à dignidade alheia e às suas qualidades e defeitos, sem o qual, o resultado seria conflitividades constantes e, no fim, as pessoas querendo distância de você. Portanto, o "Sincericídio" é tão patológico com sua agressividade, quanto à mitomania.

    No caso do histérico em surto histriônico, a mentira é contada para si mesmo, pois ele precisa acreditar naquelas palavras e naquela explicação para aplacar o desconforto perante o real, para o qual não suporta reagir ou observar. Como a mentira não resolve o problema de mal-estar contínuo dos dados da realidade, ele introjetará cada vez mais mentiras, num ciclo contínuo de reforço das fantasias, cada vez mais e mais distantes do esperado senso crítico e autonomia. Chega-se ao ponto de se vivenciar o chamado "transe ideológico", quando o indivíduo em surto histriônico rompe com a realidade e passa a viver em um mundo paralelo à realidade, concomitante ou não, com o uso de substâncias psicoativas e cercado de pessoas dentro da mesma bolha que se retroalimentam. O problema desses casos de hipnose coletiva está no fato de que, o quadro é de tamanho reforço entre os pares, a ponto de aprisionar suas mentes, que passam a não elaborar criticamente saídas pessoais.

    Aqui se pode evocar o "Mito da Caverna" de Platão, onde presos acorrentados de uma caverna só viram, por anos, as sombras do que existia fora dela. Quando um deles consegue fugir e vê como está o mundo afora, retorna e tenta convencer aos presos de que tudo está muito diferente do que imaginavam e os quer libertar. Acaba sendo assassinado por isso. Até que ponto o apego às cavernas ideológicas não transforma seres humanos em prisioneiros de discursos prontos e acabados, a ponto de matarem quem os confronta? Revoluções, ditaduras e genocídios apontam neste sentido. Já no caso de sociopatas com quadro mitomaníaco a partir de diagnóstico de transtorno de conduta antissocial, a questão se complica, pois a mentira é instrumento de realização de seus desejos perversos. Ela faz parte contínua de sua estratégia de conquistar mentes, produzir alienação e assim, gerar exércitos de histéricos em transe ideológico, a seu favor. Aqui o uso de recursos de linguagem, a distorção dos fatos, a demarcação de um “duplipensar” (ausência de coerência), é conscientemente planejada e coloca em prática: conquistar mentes e corações, e os colocá-los submissos a seu serviço.

    Daí vem à tona a discussão sobre os prazeres do mentir. Há o prazer daquele que possuir baixa-estima e usa a mentira contínua para se sentir aceito e amado. Há o prazer do histérico, que mente a si mesmo para afastar o mal-estar do mundo real à sua frente. Há o prazer do psicopata, que mente para conseguir o que quer. Há o prazer do sociopata, que mente para colocar seu projeto de poder em curso. Mas, existirá um prazer de dizer a verdade? Sim, existe e muitos assim se expressão em equilíbrio e bem longe de qualquer quadro de perversão, individual e social. O problema é que, dizer a verdade e posicionar-se significa abrir mão de ser aceito e amado por determinados grupos, ostentar e sentir-se estar fazendo o bem, dentro da ideologia ventilada principalmente nos meios educacionais. A quem está maduro e busca sua individualidade isso não é um problema. Porém, aos mais jovens, ser banido do grupo maior por pensar diferente e se posicionar pode ser problemático é difícil de ser efetivado, enquanto não adquirem condições e estima suficiente para serem donos de seu próprio destino (e isso leva certo tempo).

    Interpretamos neste último parágrafo, o status dos meios Acadêmicos e Universitário do Brasil - inclua-se IFs - partidariamente controlados pelo PT e PCdoB.

    *S.R.Martinez – Doutorado em Direito das Relações Sociais pela UFPR; Estágio Doutoral na Universidade de Coimbra; Mestrado em Direito Negocial pela UEL; Pós Graduado em Direitos Humanos e Democracia pela Universidade de Coimbra; Psicanalista pelo Instituto Brasileiro de Transpsicanálise; Jurista; Professor Universitário e autor de livros.  

  • FRAUDE ELEITORAL

    20/12/2017

    O último embate cívico do saudoso ex-governador Leonel Brizola coincidiu com a estreia do “mensalão”. O PDT levou ao plenário do Congresso Nacional proposta para a impressão do voto eletrônico – efeito de recontagem - e confecção de novas urnas eletrônicas, com teclas que oferecessem ao eleitor opções de “nulo” e “branco”. Estranhamente o então Chefe da Casa Civil do Governo Lula, deputado federal José Dirceu, entrou em cena e ofereceu trinta mil reais (mensalidade) para quem votasse contra a proposta do PDT (?). Maioria apertada, Dirceu venceu Brizola.

    Não era por acaso que Brizola suspeitava do resultado “artificioso” das urnas eletrônicas. Já tinha sido vítima da “cibernética”, manipulada por mais de uma vez, fatos embora questionados judicialmente, foram ignorados pelo TRE-RJ e TSE.

    O primeiro caso de falcatrua foi nas eleições de 1982, para Governo do Estado do Rio de Janeiro. O voto ainda era no papel. O TSE tinha “normatizado” para que sua totalização fosse feita através de computadores. Em todas as pesquisas, e de todos os Institutos, a eleição de Brizola no Rio era um passeio. Recém-chegado do exílio (anistiado em agosto de 1979), o então ex-governador do Rio Grande do Sul já era imbatível para a Presidência da República. Todavia, para seu infortúnio, não conseguiu controlar sua ansiedade, resolvendo disputar as eleições para o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Enfrentou os jovens Moreira Franco e Miro Teixeira, representando o PDS e PMDB respectivamente. Sandra Cavalcanti (PTB) e Lysâneas Maciel (PT). As tradicionais forças políticas cariocas se organizaram bem divididas, para esmagarem o gaúcho forasteiro. Sistema de comunicação Globo, ligado ao PDS, fazia a campanha de Moreira Franco. Uma semana de apuração, e a dúvida permeava o Estado do Rio. Computadores da Globo, alimentados pelo Proconsult – empresa que totalizava os votos no TRE – indicavam vitória de Moreira Franco. A rádio Jornal do Brasil - com uma equipe de repórteres – fez um duro trabalho de pegar cópias de todos os mapas eleitorais, de cada secção de votação e na velha máquina de somar fazia sua totalização diária. Brizola vencia a eleição “disparado”. Vendo a tramoia e prevendo o pior, começaram as entrevistas e denuncias do candidato vencedor. Roberto Marinho – segundo memorialistas – levou um “puxão de orelhas” do Palácio do Planalto descredenciando “arapongas” que se diziam servir ao SNI, e com apoio do Governo Federal queriam a eleição de Moreira Franco. O TRE-RJ concedeu a vitória a Brizola. Os números reais jamais se saberão. As cédulas foram incineradas, após insistentes pedidos de recontagem feitos pelo PDT (vencedor do pleito) e pelo MPE.

    Em 1988 foi o festejado ano da primeira eleição direta para Presidente da República, vinte e oito anos depois do último pleito (1960). A totalização dos votos seria mais uma vez feita por computadores. Todas as pesquisas indicavam o segundo turno entre Leonel Brizola e Fernando Collor de Melo. Brizola, o inimigo “número um” de Roberto Marinho e Rede Globo de Televisão, foi surpreendido na véspera do pleito (primeiro turno) com uma pesquisa divulgada pela TV Globo apontando Lula no segundo turno. Para a infelicidade dos nacionalistas, com apenas 1% de diferença, o petista superou Brizola. Recorreram e pediram recontagem de votos no Nordeste, onde a fraude foi mais grosseira e testemunhal – principalmente em Pernambuco - Estado do vice de Brizola (Fernando Lyra) e onde o PT venceu na maioria dos municípios quando sequer tinha diretórios ou militância. Cinco pedidos protocolados, e todos negados pelo Presidente do TSE Francisco Rezek. Coincidentemente, Rezek foi o primeiro dos Ministros a ser escolhido pelo vencedor do segundo turno (Fernando Collor), para comandar o Itamaraty. Instalou-se doravante o processo “indutor” das pesquisas. IBOPE/DATAFOLHA e VOX POPULI criaram um “triunvirato” para comandarem os resultados dos pleitos. Índices semelhantes, divulgados repetidas vezes, atestavam o resultado “fabricado” nas urnas eletrônicas, que totalizam os votos via complicadíssimo processo “percentual” e não numérico como o “Impostrômono” ou Formula 1.

    Brizola que governou o Rio de Janeiro por duas vezes (1982 e 1990) foi a primeira vítima das urnas eletrônicas, nas eleições municipais de ano 2000, quando se candidatou a prefeito da Cidade Maravilhosa, não alcançando o segundo turno. Ficou atrás de Benedita da Silva com apenas 9,1% dos votos. Luís Paulo Conde e César Maia (ex-secretário de Brizola) chegaram ao segundo turno, com a vitória de Maia. O indignado Brizola apelou para recontagem de votos. Não podia – e nem pode até hoje – ser feito. Quantos votos nulos e brancos? Não tinha (nem tem) nas urnas como votar “nulo” ou “branco”. O eleitor anula seu voto errando. E fica em branco quando assina a folha de votação, vai até a cabine e se abstém de escolher um candidato.

    Presidente do TSE (2001/2003), ministro Nelson Jobim prometeu a Brizola que pelo menos 50% das urnas eletrônicas do Rio de Janeiro no pleito de 2002 teria o voto impresso. Brizola enfrenta sua última derrota, disputando o Senado da República. Apenas 30 secções viram este tipo de urna, que não foi mais usado em nenhum outro lugar do país, até os dias de hoje. Venceram para o Senado em 2002, no Rio de Janeiro, o neófito Marcelo Crivella (3,234 milhões de votos) e o jovem intrépido Sérgio Cabral (4,187 milhões de votos). Brizola amargou a sexta colocação, com 1,237 milhões de votos, atrás do Pastor Manoel Ferreira; Edson Santos – dois meros desconhecidos - e Arthur da Távola, muito embora conhecido, sempre teve baixa densidade eleitoral.

    Presidente do TSE Gilmar Mendes veio a público informar que ainda não comprou as impressoras, o que nos leva a mais um pleito de resultado duvidoso. Se Edward Snowden (NSA) der uma passadinha por aqui, elege o de sua preferência.

  • JOGO DE EMPURRA

    05/12/2017

    A agressividade gananciosa da equipe econômica do Governo Michel Temer, na busca irrefreável de cumprir suas “metas” com a agiotagem internacional - parte podre que compõe o capitalismo parasitário e extorsivo que explora o terceiro mundo - é algo asqueroso e insuportável para uma população que vem sendo saqueada desde 1985.

    São trinta e sete anos de perdas. Uma sangria hemorrágica desatada de nossas reservas e riquezas, sem que se faça nada para estancar. Como é que um país, por mais ignorante que seja sua gente, acredita que o seu futuro está numa reforma previdenciária? Se esta fosse a solução, o nosso futuro estaria no passado? Fica claro o sinal de que o Brasil está fora da relação dos países emergentes (crescimento econômico) nas próximas décadas. Não temos pesquisas, nem produzimos tecnologia de ponta, ora exigida pelos grandes mercados consumidores. Nosso parque fabril está inteiramente sucateado, e cheio de “montadoras”. Do automóvel, passando pela televisão chegando a um simples liquidificador, tudo vem de fora – já em desuso por lá – para ser montado aqui e consumido pelos brasileiros. Estagnamos como eternos fornecedores de “commodities”, ou matérias primas, e eternos devedores de juros extorsivos, sem perspectiva de retorno ao desenvolvimento nem em longo prazo.

    Presidente Michel Temer engana seu ministro (imposto) Henrique Meirelles, fingindo ajudá-lo a fazer a reforma que ele deseja, e prometeu aos seus patrões da banca do FED e FMI: pagar os títulos vencíveis a partir de 2024. Esta gente que controla o mundo sabe que não haverá reação no PIB capaz de cobrir os custos do setor público que corrói a arrecadação de tributos em super-salários e mordomias exacerbadas. Para evitar um colapso da turma de Wall Street – a ratazana do varejo oportunista que empresta ao Bradesco, Itaú e Santander - baixaram a taxa selic. Noticia terrível para as sanguessugas, que estão amargamente contendo a gula no momento. Ninguém sabe até quando, nem o que prometeu Meirelles, já que não tem mais o que vender. De Pré-Sal a privatizações das melhores empresas estatais, não resta mais nada no estoque, a não ser a Eletrobrás com todos os seus sistemas acoplados inclusive Petrobras. Um ataque especulativo não está fora de cogitação, nos remeteria aos anos 60 do século passado.

    Mesmo para aqueles que não querem enxergar, a ladroagem e as mentiras tornam-se tão claras e visíveis, incontestáveis através de suas próprias contradições. O Congresso Nacional votou no início do ano passado (2016) a revisão da meta para o exercício de 2017, onde estava previsto um “rombo” nas contas públicas de 159 bilhões. Estamos no final de novembro, restando apenas um mês, e o “buraco” está em 103 bilhões. Se não tivessem ocorrido as duas votações “perdulárias” na Câmara dos Deputados, em nome do “fica Temer”, e os juros fossem desde janeiro os 7.5% de hoje, o governo geraria superávit primário. Mas, os economistas (todos a serviço da grande gatunagem internacional) insistem em dizer que a economia está reagindo. Tudo mentira! A surpresa foi o IBGE e sua equipe que revelou farsa. Há seis dias (28.11.2017) os dados desmentiram todos. Desemprego 12,7 milhões. Sem emprego e a procura de trabalho, 12,5% da população produtiva do país (140 milhões), que correspondem a cerca de 16 milhões de pessoas.

    Totaliza, portanto, 28 milhões de desempregados e sem renda. Duas vezes a população de Portugal. 50% dos que estão com emprego, ganham um salário mínimo. 4,5% que têm ocupação estão com renda abaixo do salário mínimo... O Brasil quebrou. Só um choque de autoridade, centralizando todas as receitas, e acabando com as autonomias financeiras concedidas ao Judiciário, MP e MPF; Poder Legislativo; diversos Tribunais; Sindicatos; ONG e sistema “S”... Salvará a Nação. Mas, quem fará isto? Que venha 2018! 

  • SEGURANDO O PINCEL

    03/12/2017

    O ex-ministro Antônio Delfin Neto (gênio do milagre econômico do Brasil anos setenta, século passado) é também conhecido como um excelente cunhador de frases. Sua última pérola, burilada com ironia sobre o STF - extensiva às demais Cortes de Justiça e Contas do país – é de uma preciosidade extraordinária: “Ministros de Cortes Superiores de Justiça, não têm passado. Só enxergam o futuro”.

    Quinta-feira (30.11.2017) enquanto o Senador Cássio Cunha Lima festejava com emoção o nascimento de mais um herdeiro de sua dinastia política, seu tio e irmão Fernando Catão amargava a pior derrota de sua vida, patrocinada de forma humilhante por seus pares que compõem a Corte de Contas do Estado da Paraíba (TCE).

    Relator do processo das contas do Governo do Estado - exercício 2015 - o conselheiro Fernando Catão, que já tinha sido apontado como “suspeito” por Ricardo Coutinho - alegando parentesco com o senador Cássio Cunha Lima - teve a cautela de examinar com uma lupa todos os atos e decretos do executivo que contrariam a legislação vigente. Não satisfeito com pareceres técnicos do próprio TCE, ainda buscou amparo no Ministério Público de Contas e Eleitoral, Justiça; além dos demais conselheiros, com quem debatia diariamente a gravidade do processo, e defendia um julgamento justo, isento de suspeições que não viesse comprometer a imagem do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. É bom que se enfatize que o TCE perdeu um pouco de sua imparcialidade e “transparência”, ao julgar as contas de 2014, onde só o crime de apropriação indébita, cometido por um longo período de quatro anos, advertido constantemente pelo TCE, seria suficiente para levar responsáveis para cadeia: Governador, ou todo o seu secretariado, que descontavam na folha de pagamentos a contribuição do PBPREV e não recolhiam. Se fossem o prefeito de Carrapateira ou de Cabaceiras? Estariam na cadeia, execrados pela população; inelegíveis e rotulados como ladrões. Mas, Governo do Estado tem “poderes sobrenaturais”, que fazem coelhos aparecerem sem cartola. Duodécimo e nepotismo cruzado exige o gesto genuflexório.

    Na grande sessão, tão ansiada por todos, especialmente pela classe política que dava como “favas contadas” o resultado do julgamento, e a subsequente recomendação pela desaprovação das contas, eis que após sua explanação brilhante Fernando Catão percebeu que estava falando para mudos, surdos e cegos. Em meio ao seu desespero, viu seus companheiros puxarem a escada, e deixarem-no só, pendurado no pincel.

    Os efeitos desta sessão histórica mudam completamente o quadro político da Paraíba. Como fênix, Ricardo Coutinho ressurgiu das cinzas com estatura de gigante. Os velhos caciques – Cássio Cunha Lima e José Maranhão – parece que perderam totalmente seus prestígios juntos aqueles em quem mais confiavam. Cássio sentiu os efeitos da frase de Delfin Neto, nas posições de Nominando Diniz, Arnóbio Viana e Fábio Nogueira, que não olharam para trás. Certamente com medo que lhes acontecesse o mesmo, que biblicamente ocorreu com a mulher de Ló. Arthur Cunha Lima, que não foi indicado por Cássio, viabilizou-se junto a Assembleia Legislativa e foi nomeado por José Maranhão, se absteve de votar. Como o presidente só vota em caso de empate, o placar pró Ricardo Coutinho foi 4x1.

    E agora Cássio? Senador José Maranhão, respeitadíssimo pelo TJ/PB, empenhado em acabar com os benefícios suspeitos de o projeto Empreender - fonte que remunera os cabos eleitorais do “socialista” - viu uma liminar derrubar decisões judiciais.

    Ricardo vai botar a “usina” para moer, será candidato imbatível ao Senado Federal, puxará João Azevedo para o segundo turno e dá um grande empurrão no seu companheiro de chapa para a Casa Revisora do Congresso Nacional. Quem fica por um fio doravante é o senador Cássio Cunha Lima. Enfrentará Ricardo, seu companheiro de chapa; Aguinaldo Ribeiro e outro que se comporá com o tucano. Os efeitos devastadores deste tsunami, só poderão ser avaliados após a calmaria de 08 de abril de 2018.  

  • UMA JUSTA HOMENAGEM

    29/11/2017

    Próxima quinta-feira, às 19 hs, a Câmara Municipal de Campina Grande estará reunida na Casa Félix Araújo para fazer entrega do titulo de Cidadão Campinense ao Professor Moací Alves Carneiro.

    Natural de Areia (PB), conterrâneo de Pedro Américo, Padre Azevedo; José Américo de Almeida e tantas outras figuras ilustres que brilharam no cenário nacional nas mais diversas áreas - política artes e invenções - professor Moací Carneiro dedicou boa parte de sua vida profissional à Rainha da Borborema. Iniciou sua carreira como professor do ensino médio, ministrando aulas na Escola Normal de Campina Grande, entidade dedicada a formação de professores. Considerado um dos melhores mestres no curso de Letras da extinta URNE (hoje UEPB), Moací Carneiro enveredou pelos meios acadêmicos, onde exerceu as funções de Vice Reitor da URNE, permanentemente em exercício já que o titular, saudoso engenheiro José Cavalcanti Figueiredo dirigia a Unidade de Recuperação do DNOCS em Campina Grande, sobrando-lhe pouco tempo para acompanhar o ritmo da Universidade, por onde tinham passado os gênios Edvaldo do Ó, Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque; Luís Almeida (também sempre na interinidade). Os desafios URNE eram ambiciosos e gigantescos. Exigia de seu dirigente, além de sobejada competência, dinamismo para acompanhar o processo de mudanças que vinha acontecendo no País, com a abertura política, em marcha batida, percorrendo um período de transição rumo a democracia dos nossos dias.

    Um episódio marcante nesta “estação” merece registro histórico. A eleição de Moací Carneiro (1981) para a Reitoria da URNE, com apoio irrestrito dos conselhos e como candidato do então Reitor José Cavalcanti Figueiredo. Na lista tríplice encaminhada ao então prefeito Enivaldo Ribeiro - quem de direito nomeava o Reitor depois de consultar o MEC - constava Moací Carneiro em primeiro lugar; seguido por Jeremias Jerônimo; Margarida Mota Rocha. O prefeito Enivaldo Ribeiro se recusou a nomear Moací, e ou um, dos demais nomes que compunham a lista. Optou por uma solução “excêntrica”, até os dias atuais nunca vista: um reitor Pro Tempore (?). O escolhido foi o então ex-deputado Vital do Rego. Pagou caro posteriormente por sua aquiescência com a indicação. Greves, mobilizações contrárias ao ato de Enivaldo permeou o meio universitário, que politicamente dois anos depois, formou fileiras na oposição ao lado de Ronaldo da Cunha Lima, e em 1982 derrotou Vital do Rego nas eleições municipais.

    Cristão e católico apostólico fervoroso Moací Carneiro superou o episódio, que roubou seus sonhos de então. Porém inesperadamente foi premiado com um Doutorado na renomada Universidade Francesa de Sorbonne. Após seu Doutoramento, voltou a Paraíba e desiludido com os meios Acadêmicos Universitários, dedicou-se a Educação. Nomeado Delegado do MEC na Paraíba, transformou um simples escritório de representação burocrática numa entidade de prospecção de investimentos para modernização das escolas públicas, com equipamentos e treinamento de professores. Uma “usina” de projetos permanentemente produzindo novas ideias para o MEC, trazendo benefícios diretos para os paraibanos. Seu trabalho foi reconhecido, e em pouco mais de um ano era braço direito do cientista José Goldemberg, então Ministro da Educação que o nomeou Diretor do FNDE, na época o Bando do MEC.

    O currículo do professor Moací Carneiro é extenso, em efetivas e produtivas realizações. Escritor, autor de diversos livros como a LDB Fácil e o Nó da Educação (Ensino Médio) dentre outros. Exerceu cargos de Direção em diversas Universidades Privadas na Capital Federal; consultor de diversos Estados da Federação na área de Educação e um dos principais membros da equipe que conseguiu viabilizar o investimento do BIRD de quatro bilhões de dólares (Governo FHC) para Educação. Ao invés de criar escolas municipais - ideia concebida inicialmente pelo então Ministro da Educação - a equipe defendeu e conseguiu emplacar o melhor. Juntaram meia dúzia das antigas Escolas Técnicas Federais, ampliaram-nas e levou para toda a Federação o “modelo” CEFETE, estrutura que permitiu hoje ser incorporada como IF (Institutos Federais de Educação). Abaixo, algumas ações e conquistas direcionadas pelo Professor Moací Carneiro a Campina Grande:

    1) Análise e aprovação junto ao MEC do projeto de financiamento para construção da Escola Técnica Federal de Campina Grande, hoje Campus do IF-PB.

    2) Aprovação do projeto do Museu de Ciências (estabelecido na área do Açude Novo).

    3) Análise e aprovação do projeto de reforma, expansão e reestruturação da Escola Técnica-Redentorista/ETER.

    4) Analise e aprovação dos projetos de financiamento de construção de creches.

    5) Relator do parecer de criação do Conselho Municipal de Educação, deixando sua marca de pioneirismo (1º Conselho Municipal de Educação dos municípios paraibanos).

    6) Negociação com a Universidade Federal de Pernambuco para implementação de um programa de intercâmbio de professores e alunos junto à TV Universitária do Recife.

    7) Desenvolvimento, implantação, implementação e consolidação do programa de pós-graduação da FURNE, tendo posicionado a instituição entre as 5 universidades não federais com o maior número de professores incluídos no Programa Intensivo de Capacitação Docente/PICD-MEC: foram 110 professores.  

  • RECADO DE ENIVALDO

    20/11/2017

    Sexta-feira (17.11.2017) portais de notícias da Paraíba registraram curiosa manifestação do discreto e introvertido vice-prefeito de Campina Grande, Enivaldo Ribeiro, que após se fazer presente na festejada “pajelança” da convenção do PSDB-PB, onde velhos caciques fumaram o cachimbo da paz, sinalizou que sua legenda, o PP, poderá firmar aliança com o projeto do PSD (Luciano Cartaxo).

    Para quem conhece Enivaldo, sabe que dentre suas qualidades está a disciplina e o espírito agregador. Jamais tomaria esta posição se não fosse um “recado” direto de seu filho deputado federal Aguinaldo Ribeiro, líder do Governo na Câmara dos Deputados e prestigiadíssimo junto ao Palácio do Planalto, após as duas exaustivas votações que barraram a denúncia contra o Presidente Michel Temer.

    Registramos neste espaço – há mais de um ano – posteriormente por várias vezes consecutivas, que o deputado federal Aguinaldo Ribeiro tinha pretensões de cruzar o “salão verde” do Congresso Nacional e se instalar no “azul”. Romero Rodrigues poderia até ser candidato a governador. Entretanto, uma das vagas de sua chapa para o Senado seria ocupada por Aguinaldo Ribeiro. O ex-ministro das Cidades não pensaria duas vezes sobre os riscos da aventura, pois estariam nas mãos de seu pai os destinos de Campina Grande. Sinais claros (imaturidade ou ansiedade) partiram da deputada estadual Daniella Ribeiro, ao tentar emplacar uma Secretária (atemporal), testando até onde iria a obsessão de Romero Rodrigues pelo seu projeto natimorto de chegar ao Palácio da Redenção no pleito do ano vindouro (2018).

    Aquilo que o senador José Maranhão mais teme - três candidaturas - e um extenuante segundo turno, é tudo que deseja o governador Ricardo Coutinho. Se sair para o Senado, o “socialista” tem excelentes perspectivas de se eleger, e negociar o segundo turno com seu candidato, ou espólio eleitoral deixado por ele, como fez o PMDB em 2014 transferindo totalmente os 110 mil votos do então candidato Vital Filho para Ricardo Coutinho.

    No instante em que Enivaldo Ribeiro oxigenava a “asfixiante” pré-candidatura do prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo, senador José Maranhão dá sua primeira “pisada de bola”, ao admitir também nos sites de notícias que as portas (dialogo) não estavam fechadas para o PSB do governador Ricardo Coutinho. Coincidência?

    Quando tudo parecia estar “arrumado”, eis dois fatos – que inegavelmente têm influências do Palácio do Planalto, cujos desdobramentos refletirão diretamente nas alianças paraibanas com vistas a 2018. Aguinaldo Ribeiro está sendo “empurrado” pelo PP - com apoio do “Centrão” – “porta a dentro” do Governo Federal, para retornar por quatro meses ao Ministério das Cidades. Isto garante sua campanha para o Senado. Ninguém sabe se exitosa ou não. Por outro lado, até Aécio Neves já decidiu que chegou a hora do PSDB desembarcar do governo peemedebista. E José Maranhão? A linha do “socialista” também é oposição a Michel Temer. Mas, “em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”.

  • JOGO PERIGOSO

    13/11/2017

    Sábado (11/11/2017) não foi um dos melhores dias para o governador Ricardo Coutinho. Testemunhou fato que no seu imaginário jamais poderia acontecer – união das oposições –, episódio que deve ter o levado a sentir-se pela primeira vez, cercado e como “caça”, alvo de predadores vorazes, contíguos num único propósito: abatê-lo.

    Irequieto e sem poupar palavras, Ricardo Coutinho tem se utilizado da agressividade intimidatória a todos que se opõem a seu projeto político, esquecendo que foi através do dialogo - ouvindo mais que falando – que chegou ao poder e derrotou todos os “mitos” imbatíveis da política paraibana. Onde se perdeu Ricardo Coutinho?

    Um dia antes do encontro das oposições, redirecionou suas canhoneiras contra o Tribunal de Contas do Estado, mirando o conselheiro Fernando Catão, alegando suspeição mais uma vez do honrado membro do TCE – relator do processo das contas exercício 2015 – acusando-o de ter parentesco com o senador Cássio Cunha Lima (?). Esqueceu o governador de observar a impecável conduta de Catão, que votou duas vezes pela aprovação das contas de Ricardo Coutinho quando prefeito de João Pessoa, ocasião em que promoveu o advogado Marcelo Weick a Procuradoria do Município, como “brinde” por ter sido exitoso na cassação do mandato do então governador Cássio Cunha Lima. Se fosse “revanchista”, Fernando Catão teria mergulhado nos detalhes de denuncias, como por exemplo, o Jampa Digital. Indo um pouco além, Fernando Catão também aprovou as contas do ex-governador José Maranhão – sem restrições – quando o cacique peemedebista arrebatou TRE/TSE, o mandato de seu sobrinho Governador do Estado. Quanto ao próprio mandato do governador Ricardo Coutinho, o TCE tem encontrado dificuldades em aprovar programas de sua gestão, não por questões políticas, mas por não encontrar amparo legal na execução destes projetos, recomendações feitas pelo Ministério Púbico do TCE.

    Governador Ricardo Coutinho sabe muito bem que o TCE não é um órgão punitivo. Ele presta assessoria ao Legislativo e Executivo. Que antes de qualquer decisão plenária, esgotam-se através de “notificações” todas as chances, prazos e períodos para que os erros burocráticos ou não, sejam devidamente corrigidos pelo Ordenador de Despesas. No caso de desaprovar, o TCE se limita encaminhar seu parecer ao Poder Legislativo.  E só ao Legislativo, cabe ou não acatar o processo.

    Alguém, ou um grupo próximo ao governador, vem exercendo forte influencia sobre sua mudança de “postura”, tardiamente, no início do ocaso de sua gestão. A mídia palaciana, que não tem retrovisor, viu através de seus para-brisas a convenção do PSDB. Se a “fatura” não estiver atrasada... Muitos já estão arriscando a criticar Ricardo Coutinho por sua teimosia e arrogância. Aves de arribação, em tempos de verão...

    Politicamente adotando “jogo perigoso” - já bem antes da convenção tucana - Ricardo Coutinho e seu conselho político insistem em simular “situações” de um time de futebol que precisa de no mínimo dois resultados negativos de seus adversários para sair da zona de rebaixamento. Confiar na sorte mais uma vez?

  • CONFUSO

    06/11/2017

    Despido de qualquer propósito, Ricardo Coutinho se tornou o maior “cabo eleitoral” do senador Cássio Cunha Lima, que vai disputar sua reeleição para a Casa Revisora do Congresso Nacional ano vindouro. O tucano vinha sofrendo fortes pressões dentro de sua legenda e família. Mas, o governador “levantou” sua bola, ao “bater” nele diariamente através da mídia. Para quem não gosta, ou é adversário ferrenho do “socialista”, o nome ideal de se votar é o do tucano Cássio Cunha Lima, que já é apoiado por um expressivo exército de seguidores. Graças a Ricardo Coutinho, Cássio hoje já pode ser considerado “imbatível” para uma das duas vagas de 2018. O intrigante neste imbróglio é que o senador não é, nem nunca foi pré-candidato a governador. O que Ricardo Coutinho estaria enxergando, que a lógica impede de ver?

    Seguindo seu roteiro equivocado, o governador entrou em rota de colisão com os prefeitos de Campina Grande e João Pessoa (?). Precipitou-se. Os dois tiveram que unir-se, para se defender, originando protocolo de intenções com vistas a derrota-lo. Brigando em três frentes, Ricardo Coutinho subestimou a capacidade do senador José Maranhão - que mesmo fingindo que esqueceu as derrotas lhes impostas pelo ”socialista” - foi surpreendido com um movimento “golpista” dentro do PMDB para tirá-lo do comando da sigla. Quem estava por trás? Ricardo Coutinho e Raimundo Lira. O “socialista” foi longe demais... Era para ter “segurado” José Maranhão, que apesar de toda preterição a que se submeteu, ainda andou aventando expectativas de reconciliação. Entretanto, acreditando numa suposta “incoerência partidária” que ocasionasse pacificação entre o clã Cunha Lima e o velho cacique peemedebista, Ricardo tocou seu projeto “solo” João Azevedo.

    Fazendo uma analogia ao futebol, esta será a terceira vez que Ricardo Coutinho insiste em escalar um “canhoto” para a ponta-esquerda. Só dribla e chuta com uma única perna. Nas eleições municipais de 2012 Estelizabel Bezerra. Em 2016, Cida Ramos. Agora vem de João Azevedo, que será marcado por quatro experientes destros: Maranhão, Cássio; Romero e Luciano Cartaxo. Por outro lado, desafia as leis da física e a velocidade da luz, quando “bate o escanteio e corre para cabecear para o gol”.  Inteligência, sagacidade e esperteza, são alguns adjetivos que sobram na qualificação política pessoal de Ricardo Coutinho. Mas, até agora foi incapaz de compreender que é um péssimo transferidor de votos. A Paraíba o respeita como um excelente debatedor, porém, não vai estar no guia eleitoral de 2018. Não compreende que a “pancadaria” radiofônica do momento está surtindo efeito negativo pelos exageros. Não obstante se reconhecer sua excelente gestão, inserida num período de crise econômica que assola todo o país em especial a região do semiárido. 

    Restam onze meses para o primeiro turno de 2018. Ricardo Coutinho só conta com a “sorte” ou um evento “milagroso”. Se ainda houver tempo útil, mudança radical em sua equipe pode tornar seu candidato competitivo. Caso contrário, o resultado do pleito para o “socialista” já está definido. José Maranhão governador, Pedro Cunha Lima vice; senadores Cássio e Luciano Cartaxo. 

  • ANSIEDADE DELLA

    23/10/2017

    A pré-candidatura para o Governo do Estado protagonizada pelo prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, começou a tropeçar na sua própria base aliada quando a deputada estadual Daniela Ribeiro desistiu de indicar a secretaria de Desenvolvimento Econômico, alegando esvaziamento da pasta ocupada pelo empresário Luiz Alberto.

    O “desconfiômetro” do tucanato acendeu luz amarela e não é o primeiro caso de insatisfação do clã Ribeiro. Gustavo - eminência parda do grupo – não foi reconduzido para a Secretaria de Esportes; Daniela costurou com Romero Rodrigues acordo para seu filho – suplente de Vereador – assumir as funções legislativas, mas não se dá por satisfeita. O problema é que, mesmo pequena, a família Ribeiro tem suas dissidências internas. Enivaldo, patriarca e decano, tenta conciliar os interesses de todos, mas não consegue evitar os desentendimentos constantes na briga por espaços, conflito travado entre Daniela, Aguinaldo e Gustavo.

    Ao declarar que a gestão Romero Rodrigues serve de espelho para a Paraíba o senador José Maranhão preconizou a abdicação do projeto “Romero Governador”. Neste mesmo dia, Arnaldo Monteiro comentou “entre amigos” que havia “fechado” seu apoio ao deputado federal Aguinaldo Ribeiro para a renovação de seu mandato na Câmara, e ou, para o Senado da República (?).

    Registramos já algumas vezes o inarredável desejo do obstinado líder do Governo Temer chegar ao Senado Federal.

    Restam 165 dias para três grandes decisões. Renúncias de Romero Rodrigues, Luciano Cartaxo e Ricardo Coutinho. Todos padecem da mesma dúvida: o dia seguinte. Todos têm o mesmo dilema: seus vices. Coincidentemente todos também realizaram brilhantes gestões. Romero Rodrigues suplantou os vinte anos ininterruptos do clã Cunha Lima à frente dos destinos de Campina Grande, interrompidos apenas por duas vitorias consecutivas de Veneziano Vital do Rego. A cidade cresceu, ficou bela, limpa; iluminada e atrativa. A Capital superou a era dos girassóis. E o Estado teve sua malha rodoviária integrada, é o menos violento da região (Nordeste); a questão da saúde foi resolvida (emergência) com os dois hospitais de traumas funcionando a contento; obras de infraestrutura espalhadas por todo o estado, beneficiando os 223 municípios.

    A ansiedade da deputada Daniella Ribeiro mexeu com os nervos do “Estado Maior” do Exército tucano de Romero Rodrigues, aquartelado na PMCG. O sonho de Aguinaldo Ribeiro com o Senado entra em rota de colisão com o propósito de Cássio Cunha Lima em retornar à Casa Revisora do parlamento brasileiro. Luciano Cartaxo teme ser abandonado pelo PSDB, após os tucanos reatarem com o PMDB de José Maranhão. Governador Ricardo Coutinho, além da desconfiança de sua vice, continua refém do TCE. Se porventura a Corte de Contas resolver rejeitar as atividades do exercício de 2015 após o dia 07 de abril? Inelegibilidade. Sem a “caneta”, como derrubar esta decisão no plenário da Casa Epitácio Pessoa? Difícil... Firme caminha o senador José Maranhão rumo 2018. Nada pendente na Justiça. Espera que Romero Rodrigues ou Pedro Cunha Lima seja seu vice. E, caso resolva renunciar, Luciano Cartaxo formaria ao lado de Cássio a chapa para o Senado Federal.

  • REENCONTRO PODE TER SELADO UNIÃO 2018

    09/10/2017

    Fato que era considerado como impossível ou inimaginável para muitos – previstos algumas vezes neste espaço através de nossa humilde opinião – aconteceu no último sábado 07/10/2017. O reencontro dos velhos amigos senador José Maranhão com o decano do clã Cunha Lima, ex-senador Ivandro Cunha Lima, na Fazenda Caiçara, em Campina Grande.

    A última vez que estiveram juntos – na Fazenda Caiçara - foi no ano de 1998, após o incidente do Clube Campestre, quando José Maranhão oficializou convite para Ivandro compor sua chapa como vice, na disputa de outubro daquele ano.  Ideia aceita pela saudosa esposa do ex-senador Ivandro – Valnysa Borborema Cunha Lima – e grande parte da família. Porém, evitando um “racha” na casa de Dona Nenzinha, o grande conciliador declinou da oportunidade de deixar seu retrato na galeria dos ex-governadores da Paraíba, optando por ficar ao lado do mano “poeta”, no momento mais cruciante da vida pública do clã, quando “queimaram” a eleição de 1998 não apresentando nem apoiando chapa majoritária.

    A partir do momento que concluiu seu mandato como presidente da CCJ do Senado Federal, o Senador José Maranhão – conservador e dissidente dos núcleos do seu partido liderados por Romero Jucá, Renan Calheiros e Eduardo Cunha – tomou a decisão que era chegado o momento de voltar a sua base e disputar o Governo do Estado. Conhecia as dificuldades dos desafios, sobretudo na composição da chapa e união das lideranças. Suas alternativas seria uma reaproximação com o grupo Cunha Lima ou aliar-se ao governador Ricardo Coutinho. No meio do caminho tinha uma pedra: Luciano Cartaxo - Prefeito da Capital - que procurava se consolidar como líder estadual e tinha entrado na corrida rumo ao Palácio da Redenção ao lado do prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues.

    OUSADIA

    O tempo traz sabedoria. E para um grande guerreiro, conhecedor das dificuldades de uma batalha, o elemento surpresa é decisivo para uma vitória retumbante. Ricardo Coutinho, surfando na gigante onda de sua popularidade – não se sabe se real ou fabricada pela mídia palaciana – subestimou a capacidade (sagacidade) do Senador José Maranhão, que demonstrou ao longo de sua trajetória política “previsibilidade” de suas ações, resignando-se aos “conselheiros” de sempre, que desde o Governo Ronaldo Cunha Lima permanecem no poder, independente de quem esteja no plantão, dando sempre seu “jeitinho” de mostrarem-se indispensáveis a gestão política. Esta gente pôs na cabeça do “socialista” que ele elegeria quem desejasse. Ao invés de Ricardo se aproximar do PSDB ou PMDB, duas legendas que lhes conferiram êxito nas urnas desde 2004 até 2014, preferiu o projeto “solo”, mantendo a mão estirada para quem quisesse beijá-la, curvando-se em respeito a sua supremacia “napoleônica”. Ledo engano...

    Como a lógica aponta que a menor distância entre dois pontos é uma reta, Senador José Maranhão passou a régua no seu aniversário, onde viu que a distância entre ele o clã Cunha Lima era possível de ser superada, e se constituía na maneira mais prática de afastar da disputa o Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo e deixar à margem (isolado) e preso ao mandato o governador Ricardo Coutinho. Enfatizamos mais de uma vez, que a ameaça do surgimento de uma terceira força na Paraíba poderia levar a união das duas oligarquias que comandam o estado por três décadas, construindo uma ponde sobre o profundo fosso que os separava.

    TRÊS PASSOS

    Na última sexta-feira 06.10.2017, o Senador José Maranhão em entrevista numa cadeia radiofônica pôs em xeque o Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo. Elogiou sua gestão, qualidades como pessoa de um futuro brilhante na política e arrematou afirmando que “se eu não for candidato, votarei em Cartaxo”. O gesto engessou o líder do PSD, que ora tenta se salvar do afogamento após o precipitado mergulho da lagoa. Dia seguinte (sábado) visitou e almoçou na Fazenda Caiçara, onde se encontrou com o “patriarca” de honra do clã Cunha Lima, ex-senador Ivandro, de quem recebeu sinal verde para ir em frente. Demonstrando humildade – inspirado na obstinação de voltar ao Palácio da Redenção – jantou com o Deputado Rômulo Gouveia, eminência parda do PSD/PB que goza de espaço e prestígio junto ao Ministro Gilberto Kassab. Cumprida esta agenda, Senador José Maranhão conclui a “topografia” do terreno onde pavimentará o caminho de seu regresso ao Governo do Estado da Paraíba.

    PRÓXIMA ETAPA

    Ajustar as posições das legendas e garantir seus espaços na chapa majoritária, além de mapearem os redutos, garantindo a recondução dos Parlamentares que comporão esta gigante aliança. O mais provável é Romero Rodrigues como vice de José Maranhão e Luciano Cartaxo como Senador ao lado de Cássio Cunha Lima. Aguinaldo Ribeiro terá que se contentar com o mandato de seu pai, a frente dos destinos de Campina Grande por quase dois anos. Fica assegurado – por questão de reconhecimento e justiça – o retorno do deputado federal Rui Carneiro, que com muita competência conduziu a legenda num período de grandes dificuldades, sem registros de perdas. Caberá a José Maranhão, criar espaços para que o ex-senador Cícero Lucena retorne a Câmara dos Deputados.

  • PERIGO REAL?

    04/10/2017

    Postagem estranha de um sargento do Exército nas redes sociais, convocando o povo para ir às ruas no dia 15 de novembro participar ativamente de uma mobilização com vistas a salvar o país da corrupção, se for verídico é um sinal claro que existe um movimento de inquietação nos quartéis.

    Na sua fala o militar defende o impedimento das eleições em 2018 e prisão para todos os envolvidos nas centenas de denúncias - surgidas a partir da lava-jato - que atinge os três poderes da República. Talvez seja “montagem” ou palhaçada anarquista de algum internauta irresponsável. Mas, o cidadão estava fardado e com identificação. Seu vídeo veio após as declarações do general que comanda a Região Militar do Sul (Porto Alegre), defendendo a ordem, aconselhando o povo a não praticar a “desordem” e protestar de forma pacífica nas ruas contra o atual quadro de caos ora vivido pela população.

    Pode ser uma ideia inteligente, contra o estigma de golpe ou ditadura. As pesquisas mostram aprovação de um governo com apenas 3%. Partidos políticos são desacreditados por 94% da população e o Congresso Nacional tem a rejeição de 92% dos brasileiros. Os militares são considerados hoje representantes da Instituição mais respeitada do Brasil (Exército) com 78% de aprovação. Igreja (67%), OAB (62%), e 58% o Poder Judiciário, talvez ainda neste patamar pelas ações do juiz Sérgio Moro.

    Estamos diante de perigo real? Ou uma tábua de salvação? O naufrágio das instituições é inevitável. Esgotou-se o diálogo entre os três poderes, que ora dividem o comando de um “Titanic” em rota de colisão com o gigante iceberg nominado “anseios populares”.

    O general Mourão “versão” 2017 - nada de parentesco com o Mourão Filho de 1964 - aproveitou um encontro Maçônico e “deu a senha”. Este evento não era apenas entre militares. Importantes empresários representantes das diversas categorias do setor produtivo do País estavam presentes e o aplaudiram. A pergunta é: “se porventura um general cercar a praça dos três poderes e estipular prazo de 24 horas para que todos os seus membros desocupem os gabinetes, quem enfrentará os tanques”? Policia Militar, Federal ou Legislativa? Quem cumprirá uma ordem Judicial contra o Verde-Oliva?

    General Mourão Filho (1964) estava aquartelado (de prontidão) em Juiz de Fora (MG), aguardando instruções. Só agiria depois que o comandante paulista se manifestasse apoiando a intervenção. Inquieto, Mourão Filho relatou em suas memórias que a discussão poderia levar semanas ou meses. O Ministro da Guerra jamais tomaria uma atitude. Resolveu por conta própria botar as esteiras de seus tanques na estrada rumo ao Rio de Janeiro. Logo que o comandante do Rio foi avisado despachou batalhões para enfrentá-lo antes de entrarem na capital carioca. Mas, quando se avistaram, os Verdes-Oliva se abraçaram, ao invés de atirarem entre si. Ao entrarem no Rio, dispararam algumas “salvas de artilharia” e logo o Palácio da Guanabara que estava cercado por tropas fieis a Goulart, recuaram. O Presidente estava no Rio Grande do Sul, quando as emissoras de rádio anunciavam em nome do Senado Federal a vacância do cargo de Presidente da República, convocando uma sessão extraordinária para ser empossado o presidente da Câmara Ranieri Mazzilli.

  • VALOR PREMONITÓRIO DAS ENQUETES

    02/10/2017

    Estávamos ocupando horário nobre na extinta rádio Borborema, ao lado do companheiro Dagoberto Pontes (2010), levando ao ar diariamente o programa DEBATE BORBOREMA, pautado em fatos do quotidiano, especialmente abordando temas políticos do ano eleitoral já em curso. Senador Cássio Cunha Lima estava cassado, ausente da mídia, e quem comandava os destinos de Campina Grande era o peemedebista Veneziano Vital do Rego, aliado do governador. Num tira-teima sobre a reeleição de José Maranhão resolvemos numa sexta-feira, nos últimos 40 minutos do programa, fazer uma enquete entre o postulante Ricardo Coutinho (ainda Prefeito da Capital) e José Maranhão, inquilino instalado na época no Palácio da Redenção.

    Quando abrimos as duas linhas telefônicas registrou-se mais de 120 ligações neste breve intervalo. Indagávamos nome e onde o ouvinte residia. Registravam sua opção, identificavam-se e não se dando por satisfeitos ainda faziam brevíssimos comentários. Para surpresa nossa e de todos os ouvintes, Ricardo Coutinho obteve o dobro das opções contra José Maranhão.

    Lembro que o episódio chateou o diretor da emissora, Marcelo Antunes, em função do faturamento da empresa. O Governo do Estado era o maior cliente da emissora, que por si só cobria todos os custos da empresa.

    O então ex-governador cassado Cássio Cunha Lima ainda não tinha manifestado seu apoio a Ricardo Coutinho. Pelo contrário, o grande mentor do processo de cassação do governador tucano teria sido o alcaide da Capital, através do advogado Marcelo Weick (PCdoB), ajuizando ação que culminou na cassação do mandato de Cássio pelo TRE-PB, confirmado depois pelo TSE.

    A enquete não tinha - e nem tem - o valor científico da pesquisa. Todavia, ouvinte de programa político é por excelência grande formador de opinião. Verdade constatada na expressiva vitória de Ricardo Coutinho – já com apoio de Cássio – em Campina Grande. Foram esta e outras enquetes que “empurraram” Cássio para apoiar Ricardo. O povo formou a chapa da vingança contra o TRE/TSE.

    No último dia 28.09.2017 o Correio Debate – programa radiofônico de grande audiência em todo o Estado - fez uma enquete sobre a preferência do eleitorado paraibano para o Senado da República, eleições ano vindouro (2018). Para nossa surpresa – e de muitos – Cássio Cunha Lima obteve 42%, Ricardo Coutinho 30%. Os demais, não pontuaram na casa de dois dígitos.

    Premonições?

    Tem algo errado no “núcleo logístico” dos socialistas. Governador Ricardo Coutinho é “festejado” diariamente por quase todos os blogueiros e portais de notícias da Paraíba. No rádio, seu nome é mais pronunciado que a “hora certa” e o prefixo das emissoras. Será que exageraram na dosagem? Toneladas de confetes para um só folião? Por outro lado, o povo talvez o considere um bom gestor, e não apostam que seja um excelente Senador. Somente uma pesquisa investigativa sobre o seu perfil, sua gestão e a linha do seu discurso, identificará os motivos de tão baixa popularidade, incompatível com as ações de sua gestão.

  • CASTIGO NA CADEIRA

    27/09/2017

    A mídia palaciana da Capital festejou recentemente números de uma pesquisa, realizada por um instituto paulista (?), onde o governador Ricardo Coutinho aparece liderando a corrida para o Senado Federal, com pouco mais que 40% das intenções de votos dos entrevistados que opinaram. No seu encalço, o senador Cássio Cunha Lima aparece com 25%. Não foram divulgados (pelo menos não tivemos acesso) os números de votos brancos, indecisos; nulos e não sabem ou não quiseram responder. Arriscamos um palpite: dadas às circunstâncias de descrédito da classe política no momento, cremos que as respostas dos que escolheram ficaram abaixo de 50% do universo entrevistado.

    Senador Cássio Cunha Lima está há dez anos sem poder de caneta. Por outro lado, Ricardo Coutinho vem “canetando” e ampliando este tipo de “poder” ininterruptamente desde 2005. Apenas pouco mais de 40% dos eleitores paraibanos o apoia para o Senado da República? Índice “anêmico”, para uma maratona de grande envergadura, e ao mesmo tempo contraditório com os percentuais divulgados sobre a aprovação de sua gestão. Tem algo errado... Ou alguém - como já fez num passado recente - está tentando mais uma vez vender o que não tem na prateleira. Referimo-nos a famosa pesquisa do IBOPE/REDE GLOBO (eleições 2010) que assegurou a vitória do então candidato a reeleição José Maranhão com uma margem de 22% de maioria sobre Ricardo Coutinho. Por pouco o favorito do IBOPE não perdeu no primeiro turno, onde o derrotado, e sem chances, saiu na frente para o segundo momento do pleito.

    Navegando em “mar de almirante”, Ricardo Coutinho conta com a submissão do Poder Legislativo, cumplicidade de órgãos ou instituições fiscalizadoras que não dificultam ou questionam atos de sua gestão, e grande parte da mídia de “boca cheia” impedida de falar, enquanto mastigam e deglutam com avidez o banquete permanente do Palácio da Redenção. Mas, o trajeto do “socialista” tem começo, meio e fim. Aproxima-se o “dia D”, do discurso de despedida e agradecimento, ou o “fico” (de castigo na cadeira) para o bem geral de seu próprio futuro.

    Mesmo que não ocorra nenhum sobressalto (TCE, MPE e MPF) até abril (2018), vem a questão da renúncia e a longa caminhada “silenciosa” no deserto que o separa de 03 de outubro. Como sobreviver a esta travessia? A classe política (alguns partidos) já começa a abandonar o barco, temendo tempestades à vista. Surgirão muitas “mágoas” adormecidas, demandas pendentes ao longo dos últimos sete anos e expectativa de “poder” sobre quem virá.

    Governador passa a ser página virada, com sua foto na galeria dos ex. Quanto ao Senado? Tem que ter apoio, e ser “puxado” por um dos cordões do pastoril. A vice não vai renunciar e Gervásio não será governador Interino. O discurso de Ricardo será de defesa, e não de ataque. Comanda um Exército que desconhece no momento o tamanho do arsenal do inimigo e seu poder de fogo, o que põe em dúvida sua capacidade de resistência.

    Observando nossos vizinhos, a Paraíba está muito bem. Ricardo Coutinho vem realizando uma boa gestão. O problema é que ele não é mais candidato ao Governo. E sua capacidade de transferir votos já foi várias vezes testada, sem registro de sucesso.

  • INSENSATEZ PARLAMENTAR

    20/09/2017

    Finalmente ontem (19) a Câmara dos Deputados resolveu, na vigésima quinta hora, votar a reforma política com as novas regras que regulamentarão as eleições de 2018. As propostas apresentadas, além de inoportunas, foram de uma irresponsabilidade absurda. Queriam transferir tudo – principalmente o fim das coligações - para 2020 e 2022. Pretendiam criar um fundo de financiamento público, com pelo menos metade dos quatro bilhões destinados a emendas de bancadas, recursos aplicados na infraestrutura dos Estados como estradas, açudagem; adutoras; saneamento básico... Um tiro no pé. Derrotaram o “distritão” e pelo visto continuarão com as coligações. Não votaram o “fundão” (financiamento com dinheiro público para partidos e candidatos). Restam 16 dias para PEC – Proposta de Emenda Constitucional seja votada em dois turnos, aprovada por 3/5 das Casas Legislativas (Câmara e Senado).

    O melhor regime político ainda é a democracia plena, mesmo com seus defeitos e imperfeições. As liberdades de imprensa e livres manifestações tem feito algumas vítimas isoladas. Porém, trouxeram o benefício como o desmantelamento das várias “quadrilhas” (operação lava-jato) montadas nos três poderes da República, nos níveis Federal, Estadual e Municipal. O povo, estupefato com o que viu, vê e ainda verá, sequer esboça uma reação. Criou-se um desencanto generalizado pela classe política, a ponto de aceitarem a volta de um regime de exceção, tendo sob seu comando os militares.

    A insensibilidade atual legislatura que compõe a Câmara dos Deputados (pior de toda a história da República) não enxerga a crise moral, ética; econômica e política que atravessa o país. Querem que o povo lhes deem dinheiro através do “fundo de campanha” para que eles possam comprar seus votos. Algo risível e inimaginável.

    Para que não ocorra uma ruptura resta o bom senso do Senado e do STF, que podem salvar-nos de uma ditadura, prestes a se instalar. E, não nos venham com a velha “estória” de que não existe “clima internacional”...

    Ano passado, Estados Unidos e ONU engoliram o golpe de Estado da Turquia.

    A Venezuela atropelou Mercosul, OEA e ONU.

    Tio “San” nunca rompeu com o Egito, Arábia Saudita; Emirados Árabes Unidos... Até hoje se arrependem de terem matado Sadan Hussein e Amuar Kadafi. Com eles vivos, não estariam enfrentando o terror internacional do Estado Islâmico.

    Desde a proclamação da República a inquietação dos quartéis tem provocado reviravoltas no Brasil. Os Tenentes de 1922, a Coluna Prestes; Revolução de 1930; Estado Novo; Deposição de Getúlio Vargas; Suicídio do mesmo e golpe militar de 1964. Hoje, o Exército Brasileiro é a instituição mais respeitada do País, segundo pesquisas, 82% de aprovação. Seguido pela Igreja (74); OAB (64); STF 58%.

    Na última sexta-feira (15) num encontro da Maçonaria em Brasília o general Antônio Hamilton Martins Mourão afirmou que o Exército Brasileiro tem um plano detalhado de intervenção militar. Que não admite a reeleição de nenhum parlamentar denunciado por corrupção.

    Ministro da Defesa Raul Jungmann exigiu do comandante do Exército Gen. Eduardo Villas Bôas, punição severa do Gen. Mourão. Ideia não bem recebida pelo comandante do Exército, que teme uma “rebelião” nos quartéis, os que endossam neste momento as palavras do Gen. Mourão. Como se não bastasse, o Gen. Heleno Ribeiro Pereira, ex-comandante da Amazônia e da missão do Haiti, escreveu artigo apoiando o Gen. Mourão em nome da “família militar”. Num dos trechos, Gen. Heleno destaca que a intervenção é constitucional.

    E agora?

  • SEM FOGUETÓRIO

    19/09/2017

    No último sábado (16.09.2017), um jantar em homenagem ao aniversariante senador José Maranhão levou o Clã Cunha Lima e todos os liderados pelo senador Cássio a marcarem presença, ao lado do prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo. As grandes ausências foram a do governador Ricardo Coutinho, da vice Lígia Feliciano; deputado federal Rômulo Gouveia (presidente do PSD).

    Confirmou-se na Paraíba a “máxima” cunhada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, na campanha presidencial de 1952 quando recebeu o apoio irrestrito do símbolo do comunismo brasileiro, Luís Carlos Prestes: “Em política não existe amigos inseparáveis nem inimigos irreconciliáveis... Tudo é possível”.

    Vargas no Estado Novo prendeu, torturou e expatriou comunistas.

    Na terra dos Tabajaras - sem o foguetório desagregador de 21.03.1998 do Clube Campestre - os dois principais caciques da política paraibana sentaram e fumaram o cachimbo da paz, para celebrar a pajelança de 2018 quando provavelmente estarão no mesmo palanque vinte e quatro anos depois (última vez eleições de 1994) o peemedebista José Maranhão e o tucano Cássio Cunha Lima.

    Lembramos diversas vezes, e oportunamente, que nos Estados do Nordeste não existe ambiente onde possa prosperar surgimento de uma terceira força política, sem apoio de uma das duas oligarquias, que se revezam no poder desde a década dos anos 30, século passado.

    No Ceará foi assim com os “coronéis”, que após a “compulsória” da vida pública foram sucedidos por Tasso Jereissati e os irmãos Ciro e Cid Gomes.

    No Rio Grande do Norte ainda resistem os Alves e Maias.

    No Maranhão Sarney e os contra...

    Isso não implica em tropeço aleatório, ou oportunismo momentâneo.

    Saudosa ex-governadora Vilma de Farias foi eleita governadora (primeiro mandato) com apoio dos Alves, no segundo turno. Reeleita com uma marcante dissidência dos Maias. Mas, quando as oligarquias se juntaram para valer tiraram-na da disputa pelo Senado e derrotaram-na duas vezes consecutivas.

    Governador Ricardo Coutinho seguiu seus passos – coincidentemente da mesma legenda PSB – e elegeu-se duas vezes prefeito da Capital com apoio de José Maranhão. Chegou ao Palácio da Redenção com apoio de Cássio Cunha Lima. E em sua reeleição, mais uma vez José Maranhão, por falta de um gesto “genuflexório” do senador Cássio. Ricardo teve todas as chances de manter seus maiores inimigos políticos divididos e atrair um dos caciques para elegê-lo como seu sucessor, assegurando sua vaga no Senado da República. Festejado midiaticamente pela imprensa palaciana, defendendo firmes posições do “populismo” petista, nos estertores da lava-jato, fechou as portas por ele abertas desde 2004, nas duas casas que hospedou seus sonhos. Sua última tentativa será convencer o prefeito Luciano Cartaxo para unir-se a seu bloco. O recado foi dado no mesmo sábado do jantar, pelo deputado federal Rômulo Gouveia (PSD), que alfinetou os “tucanos” declarando seu voto e apoio ao senador Raimundo Lira (?) a quem adjetivou de “muito trabalhador” e uma “grande liderança” de expressão nacional.

    Meus Deus! O ex-gordinho deve estar atravessando o mesmo inferno astral vivido por Nadja Palitot quando tomou o PSB de Gilvan Freire e cedeu a legenda para eleger Ricardo Coutinho prefeito de João Pessoa. Ricardo “abocanhou” o PSB e deixou Nadja só, com a retórica de traída. 


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