Colunista Júnior Gurgel

  • REENCONTRO PODE TER SELADO UNIÃO 2018

    09/10/2017

    Fato que era considerado como impossível ou inimaginável para muitos – previstos algumas vezes neste espaço através de nossa humilde opinião – aconteceu no último sábado 07/10/2017. O reencontro dos velhos amigos senador José Maranhão com o decano do clã Cunha Lima, ex-senador Ivandro Cunha Lima, na Fazenda Caiçara, em Campina Grande.

    A última vez que estiveram juntos – na Fazenda Caiçara - foi no ano de 1998, após o incidente do Clube Campestre, quando José Maranhão oficializou convite para Ivandro compor sua chapa como vice, na disputa de outubro daquele ano.  Ideia aceita pela saudosa esposa do ex-senador Ivandro – Valnysa Borborema Cunha Lima – e grande parte da família. Porém, evitando um “racha” na casa de Dona Nenzinha, o grande conciliador declinou da oportunidade de deixar seu retrato na galeria dos ex-governadores da Paraíba, optando por ficar ao lado do mano “poeta”, no momento mais cruciante da vida pública do clã, quando “queimaram” a eleição de 1998 não apresentando nem apoiando chapa majoritária.

    A partir do momento que concluiu seu mandato como presidente da CCJ do Senado Federal, o Senador José Maranhão – conservador e dissidente dos núcleos do seu partido liderados por Romero Jucá, Renan Calheiros e Eduardo Cunha – tomou a decisão que era chegado o momento de voltar a sua base e disputar o Governo do Estado. Conhecia as dificuldades dos desafios, sobretudo na composição da chapa e união das lideranças. Suas alternativas seria uma reaproximação com o grupo Cunha Lima ou aliar-se ao governador Ricardo Coutinho. No meio do caminho tinha uma pedra: Luciano Cartaxo - Prefeito da Capital - que procurava se consolidar como líder estadual e tinha entrado na corrida rumo ao Palácio da Redenção ao lado do prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues.

    OUSADIA

    O tempo traz sabedoria. E para um grande guerreiro, conhecedor das dificuldades de uma batalha, o elemento surpresa é decisivo para uma vitória retumbante. Ricardo Coutinho, surfando na gigante onda de sua popularidade – não se sabe se real ou fabricada pela mídia palaciana – subestimou a capacidade (sagacidade) do Senador José Maranhão, que demonstrou ao longo de sua trajetória política “previsibilidade” de suas ações, resignando-se aos “conselheiros” de sempre, que desde o Governo Ronaldo Cunha Lima permanecem no poder, independente de quem esteja no plantão, dando sempre seu “jeitinho” de mostrarem-se indispensáveis a gestão política. Esta gente pôs na cabeça do “socialista” que ele elegeria quem desejasse. Ao invés de Ricardo se aproximar do PSDB ou PMDB, duas legendas que lhes conferiram êxito nas urnas desde 2004 até 2014, preferiu o projeto “solo”, mantendo a mão estirada para quem quisesse beijá-la, curvando-se em respeito a sua supremacia “napoleônica”. Ledo engano...

    Como a lógica aponta que a menor distância entre dois pontos é uma reta, Senador José Maranhão passou a régua no seu aniversário, onde viu que a distância entre ele o clã Cunha Lima era possível de ser superada, e se constituía na maneira mais prática de afastar da disputa o Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo e deixar à margem (isolado) e preso ao mandato o governador Ricardo Coutinho. Enfatizamos mais de uma vez, que a ameaça do surgimento de uma terceira força na Paraíba poderia levar a união das duas oligarquias que comandam o estado por três décadas, construindo uma ponde sobre o profundo fosso que os separava.

    TRÊS PASSOS

    Na última sexta-feira 06.10.2017, o Senador José Maranhão em entrevista numa cadeia radiofônica pôs em xeque o Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo. Elogiou sua gestão, qualidades como pessoa de um futuro brilhante na política e arrematou afirmando que “se eu não for candidato, votarei em Cartaxo”. O gesto engessou o líder do PSD, que ora tenta se salvar do afogamento após o precipitado mergulho da lagoa. Dia seguinte (sábado) visitou e almoçou na Fazenda Caiçara, onde se encontrou com o “patriarca” de honra do clã Cunha Lima, ex-senador Ivandro, de quem recebeu sinal verde para ir em frente. Demonstrando humildade – inspirado na obstinação de voltar ao Palácio da Redenção – jantou com o Deputado Rômulo Gouveia, eminência parda do PSD/PB que goza de espaço e prestígio junto ao Ministro Gilberto Kassab. Cumprida esta agenda, Senador José Maranhão conclui a “topografia” do terreno onde pavimentará o caminho de seu regresso ao Governo do Estado da Paraíba.

    PRÓXIMA ETAPA

    Ajustar as posições das legendas e garantir seus espaços na chapa majoritária, além de mapearem os redutos, garantindo a recondução dos Parlamentares que comporão esta gigante aliança. O mais provável é Romero Rodrigues como vice de José Maranhão e Luciano Cartaxo como Senador ao lado de Cássio Cunha Lima. Aguinaldo Ribeiro terá que se contentar com o mandato de seu pai, a frente dos destinos de Campina Grande por quase dois anos. Fica assegurado – por questão de reconhecimento e justiça – o retorno do deputado federal Rui Carneiro, que com muita competência conduziu a legenda num período de grandes dificuldades, sem registros de perdas. Caberá a José Maranhão, criar espaços para que o ex-senador Cícero Lucena retorne a Câmara dos Deputados.

  • PERIGO REAL?

    04/10/2017

    Postagem estranha de um sargento do Exército nas redes sociais, convocando o povo para ir às ruas no dia 15 de novembro participar ativamente de uma mobilização com vistas a salvar o país da corrupção, se for verídico é um sinal claro que existe um movimento de inquietação nos quartéis.

    Na sua fala o militar defende o impedimento das eleições em 2018 e prisão para todos os envolvidos nas centenas de denúncias - surgidas a partir da lava-jato - que atinge os três poderes da República. Talvez seja “montagem” ou palhaçada anarquista de algum internauta irresponsável. Mas, o cidadão estava fardado e com identificação. Seu vídeo veio após as declarações do general que comanda a Região Militar do Sul (Porto Alegre), defendendo a ordem, aconselhando o povo a não praticar a “desordem” e protestar de forma pacífica nas ruas contra o atual quadro de caos ora vivido pela população.

    Pode ser uma ideia inteligente, contra o estigma de golpe ou ditadura. As pesquisas mostram aprovação de um governo com apenas 3%. Partidos políticos são desacreditados por 94% da população e o Congresso Nacional tem a rejeição de 92% dos brasileiros. Os militares são considerados hoje representantes da Instituição mais respeitada do Brasil (Exército) com 78% de aprovação. Igreja (67%), OAB (62%), e 58% o Poder Judiciário, talvez ainda neste patamar pelas ações do juiz Sérgio Moro.

    Estamos diante de perigo real? Ou uma tábua de salvação? O naufrágio das instituições é inevitável. Esgotou-se o diálogo entre os três poderes, que ora dividem o comando de um “Titanic” em rota de colisão com o gigante iceberg nominado “anseios populares”.

    O general Mourão “versão” 2017 - nada de parentesco com o Mourão Filho de 1964 - aproveitou um encontro Maçônico e “deu a senha”. Este evento não era apenas entre militares. Importantes empresários representantes das diversas categorias do setor produtivo do País estavam presentes e o aplaudiram. A pergunta é: “se porventura um general cercar a praça dos três poderes e estipular prazo de 24 horas para que todos os seus membros desocupem os gabinetes, quem enfrentará os tanques”? Policia Militar, Federal ou Legislativa? Quem cumprirá uma ordem Judicial contra o Verde-Oliva?

    General Mourão Filho (1964) estava aquartelado (de prontidão) em Juiz de Fora (MG), aguardando instruções. Só agiria depois que o comandante paulista se manifestasse apoiando a intervenção. Inquieto, Mourão Filho relatou em suas memórias que a discussão poderia levar semanas ou meses. O Ministro da Guerra jamais tomaria uma atitude. Resolveu por conta própria botar as esteiras de seus tanques na estrada rumo ao Rio de Janeiro. Logo que o comandante do Rio foi avisado despachou batalhões para enfrentá-lo antes de entrarem na capital carioca. Mas, quando se avistaram, os Verdes-Oliva se abraçaram, ao invés de atirarem entre si. Ao entrarem no Rio, dispararam algumas “salvas de artilharia” e logo o Palácio da Guanabara que estava cercado por tropas fieis a Goulart, recuaram. O Presidente estava no Rio Grande do Sul, quando as emissoras de rádio anunciavam em nome do Senado Federal a vacância do cargo de Presidente da República, convocando uma sessão extraordinária para ser empossado o presidente da Câmara Ranieri Mazzilli.

  • VALOR PREMONITÓRIO DAS ENQUETES

    02/10/2017

    Estávamos ocupando horário nobre na extinta rádio Borborema, ao lado do companheiro Dagoberto Pontes (2010), levando ao ar diariamente o programa DEBATE BORBOREMA, pautado em fatos do quotidiano, especialmente abordando temas políticos do ano eleitoral já em curso. Senador Cássio Cunha Lima estava cassado, ausente da mídia, e quem comandava os destinos de Campina Grande era o peemedebista Veneziano Vital do Rego, aliado do governador. Num tira-teima sobre a reeleição de José Maranhão resolvemos numa sexta-feira, nos últimos 40 minutos do programa, fazer uma enquete entre o postulante Ricardo Coutinho (ainda Prefeito da Capital) e José Maranhão, inquilino instalado na época no Palácio da Redenção.

    Quando abrimos as duas linhas telefônicas registrou-se mais de 120 ligações neste breve intervalo. Indagávamos nome e onde o ouvinte residia. Registravam sua opção, identificavam-se e não se dando por satisfeitos ainda faziam brevíssimos comentários. Para surpresa nossa e de todos os ouvintes, Ricardo Coutinho obteve o dobro das opções contra José Maranhão.

    Lembro que o episódio chateou o diretor da emissora, Marcelo Antunes, em função do faturamento da empresa. O Governo do Estado era o maior cliente da emissora, que por si só cobria todos os custos da empresa.

    O então ex-governador cassado Cássio Cunha Lima ainda não tinha manifestado seu apoio a Ricardo Coutinho. Pelo contrário, o grande mentor do processo de cassação do governador tucano teria sido o alcaide da Capital, através do advogado Marcelo Weick (PCdoB), ajuizando ação que culminou na cassação do mandato de Cássio pelo TRE-PB, confirmado depois pelo TSE.

    A enquete não tinha - e nem tem - o valor científico da pesquisa. Todavia, ouvinte de programa político é por excelência grande formador de opinião. Verdade constatada na expressiva vitória de Ricardo Coutinho – já com apoio de Cássio – em Campina Grande. Foram esta e outras enquetes que “empurraram” Cássio para apoiar Ricardo. O povo formou a chapa da vingança contra o TRE/TSE.

    No último dia 28.09.2017 o Correio Debate – programa radiofônico de grande audiência em todo o Estado - fez uma enquete sobre a preferência do eleitorado paraibano para o Senado da República, eleições ano vindouro (2018). Para nossa surpresa – e de muitos – Cássio Cunha Lima obteve 42%, Ricardo Coutinho 30%. Os demais, não pontuaram na casa de dois dígitos.

    Premonições?

    Tem algo errado no “núcleo logístico” dos socialistas. Governador Ricardo Coutinho é “festejado” diariamente por quase todos os blogueiros e portais de notícias da Paraíba. No rádio, seu nome é mais pronunciado que a “hora certa” e o prefixo das emissoras. Será que exageraram na dosagem? Toneladas de confetes para um só folião? Por outro lado, o povo talvez o considere um bom gestor, e não apostam que seja um excelente Senador. Somente uma pesquisa investigativa sobre o seu perfil, sua gestão e a linha do seu discurso, identificará os motivos de tão baixa popularidade, incompatível com as ações de sua gestão.

  • CASTIGO NA CADEIRA

    27/09/2017

    A mídia palaciana da Capital festejou recentemente números de uma pesquisa, realizada por um instituto paulista (?), onde o governador Ricardo Coutinho aparece liderando a corrida para o Senado Federal, com pouco mais que 40% das intenções de votos dos entrevistados que opinaram. No seu encalço, o senador Cássio Cunha Lima aparece com 25%. Não foram divulgados (pelo menos não tivemos acesso) os números de votos brancos, indecisos; nulos e não sabem ou não quiseram responder. Arriscamos um palpite: dadas às circunstâncias de descrédito da classe política no momento, cremos que as respostas dos que escolheram ficaram abaixo de 50% do universo entrevistado.

    Senador Cássio Cunha Lima está há dez anos sem poder de caneta. Por outro lado, Ricardo Coutinho vem “canetando” e ampliando este tipo de “poder” ininterruptamente desde 2005. Apenas pouco mais de 40% dos eleitores paraibanos o apoia para o Senado da República? Índice “anêmico”, para uma maratona de grande envergadura, e ao mesmo tempo contraditório com os percentuais divulgados sobre a aprovação de sua gestão. Tem algo errado... Ou alguém - como já fez num passado recente - está tentando mais uma vez vender o que não tem na prateleira. Referimo-nos a famosa pesquisa do IBOPE/REDE GLOBO (eleições 2010) que assegurou a vitória do então candidato a reeleição José Maranhão com uma margem de 22% de maioria sobre Ricardo Coutinho. Por pouco o favorito do IBOPE não perdeu no primeiro turno, onde o derrotado, e sem chances, saiu na frente para o segundo momento do pleito.

    Navegando em “mar de almirante”, Ricardo Coutinho conta com a submissão do Poder Legislativo, cumplicidade de órgãos ou instituições fiscalizadoras que não dificultam ou questionam atos de sua gestão, e grande parte da mídia de “boca cheia” impedida de falar, enquanto mastigam e deglutam com avidez o banquete permanente do Palácio da Redenção. Mas, o trajeto do “socialista” tem começo, meio e fim. Aproxima-se o “dia D”, do discurso de despedida e agradecimento, ou o “fico” (de castigo na cadeira) para o bem geral de seu próprio futuro.

    Mesmo que não ocorra nenhum sobressalto (TCE, MPE e MPF) até abril (2018), vem a questão da renúncia e a longa caminhada “silenciosa” no deserto que o separa de 03 de outubro. Como sobreviver a esta travessia? A classe política (alguns partidos) já começa a abandonar o barco, temendo tempestades à vista. Surgirão muitas “mágoas” adormecidas, demandas pendentes ao longo dos últimos sete anos e expectativa de “poder” sobre quem virá.

    Governador passa a ser página virada, com sua foto na galeria dos ex. Quanto ao Senado? Tem que ter apoio, e ser “puxado” por um dos cordões do pastoril. A vice não vai renunciar e Gervásio não será governador Interino. O discurso de Ricardo será de defesa, e não de ataque. Comanda um Exército que desconhece no momento o tamanho do arsenal do inimigo e seu poder de fogo, o que põe em dúvida sua capacidade de resistência.

    Observando nossos vizinhos, a Paraíba está muito bem. Ricardo Coutinho vem realizando uma boa gestão. O problema é que ele não é mais candidato ao Governo. E sua capacidade de transferir votos já foi várias vezes testada, sem registro de sucesso.

  • INSENSATEZ PARLAMENTAR

    20/09/2017

    Finalmente ontem (19) a Câmara dos Deputados resolveu, na vigésima quinta hora, votar a reforma política com as novas regras que regulamentarão as eleições de 2018. As propostas apresentadas, além de inoportunas, foram de uma irresponsabilidade absurda. Queriam transferir tudo – principalmente o fim das coligações - para 2020 e 2022. Pretendiam criar um fundo de financiamento público, com pelo menos metade dos quatro bilhões destinados a emendas de bancadas, recursos aplicados na infraestrutura dos Estados como estradas, açudagem; adutoras; saneamento básico... Um tiro no pé. Derrotaram o “distritão” e pelo visto continuarão com as coligações. Não votaram o “fundão” (financiamento com dinheiro público para partidos e candidatos). Restam 16 dias para PEC – Proposta de Emenda Constitucional seja votada em dois turnos, aprovada por 3/5 das Casas Legislativas (Câmara e Senado).

    O melhor regime político ainda é a democracia plena, mesmo com seus defeitos e imperfeições. As liberdades de imprensa e livres manifestações tem feito algumas vítimas isoladas. Porém, trouxeram o benefício como o desmantelamento das várias “quadrilhas” (operação lava-jato) montadas nos três poderes da República, nos níveis Federal, Estadual e Municipal. O povo, estupefato com o que viu, vê e ainda verá, sequer esboça uma reação. Criou-se um desencanto generalizado pela classe política, a ponto de aceitarem a volta de um regime de exceção, tendo sob seu comando os militares.

    A insensibilidade atual legislatura que compõe a Câmara dos Deputados (pior de toda a história da República) não enxerga a crise moral, ética; econômica e política que atravessa o país. Querem que o povo lhes deem dinheiro através do “fundo de campanha” para que eles possam comprar seus votos. Algo risível e inimaginável.

    Para que não ocorra uma ruptura resta o bom senso do Senado e do STF, que podem salvar-nos de uma ditadura, prestes a se instalar. E, não nos venham com a velha “estória” de que não existe “clima internacional”...

    Ano passado, Estados Unidos e ONU engoliram o golpe de Estado da Turquia.

    A Venezuela atropelou Mercosul, OEA e ONU.

    Tio “San” nunca rompeu com o Egito, Arábia Saudita; Emirados Árabes Unidos... Até hoje se arrependem de terem matado Sadan Hussein e Amuar Kadafi. Com eles vivos, não estariam enfrentando o terror internacional do Estado Islâmico.

    Desde a proclamação da República a inquietação dos quartéis tem provocado reviravoltas no Brasil. Os Tenentes de 1922, a Coluna Prestes; Revolução de 1930; Estado Novo; Deposição de Getúlio Vargas; Suicídio do mesmo e golpe militar de 1964. Hoje, o Exército Brasileiro é a instituição mais respeitada do País, segundo pesquisas, 82% de aprovação. Seguido pela Igreja (74); OAB (64); STF 58%.

    Na última sexta-feira (15) num encontro da Maçonaria em Brasília o general Antônio Hamilton Martins Mourão afirmou que o Exército Brasileiro tem um plano detalhado de intervenção militar. Que não admite a reeleição de nenhum parlamentar denunciado por corrupção.

    Ministro da Defesa Raul Jungmann exigiu do comandante do Exército Gen. Eduardo Villas Bôas, punição severa do Gen. Mourão. Ideia não bem recebida pelo comandante do Exército, que teme uma “rebelião” nos quartéis, os que endossam neste momento as palavras do Gen. Mourão. Como se não bastasse, o Gen. Heleno Ribeiro Pereira, ex-comandante da Amazônia e da missão do Haiti, escreveu artigo apoiando o Gen. Mourão em nome da “família militar”. Num dos trechos, Gen. Heleno destaca que a intervenção é constitucional.

    E agora?

  • SEM FOGUETÓRIO

    19/09/2017

    No último sábado (16.09.2017), um jantar em homenagem ao aniversariante senador José Maranhão levou o Clã Cunha Lima e todos os liderados pelo senador Cássio a marcarem presença, ao lado do prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo. As grandes ausências foram a do governador Ricardo Coutinho, da vice Lígia Feliciano; deputado federal Rômulo Gouveia (presidente do PSD).

    Confirmou-se na Paraíba a “máxima” cunhada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, na campanha presidencial de 1952 quando recebeu o apoio irrestrito do símbolo do comunismo brasileiro, Luís Carlos Prestes: “Em política não existe amigos inseparáveis nem inimigos irreconciliáveis... Tudo é possível”.

    Vargas no Estado Novo prendeu, torturou e expatriou comunistas.

    Na terra dos Tabajaras - sem o foguetório desagregador de 21.03.1998 do Clube Campestre - os dois principais caciques da política paraibana sentaram e fumaram o cachimbo da paz, para celebrar a pajelança de 2018 quando provavelmente estarão no mesmo palanque vinte e quatro anos depois (última vez eleições de 1994) o peemedebista José Maranhão e o tucano Cássio Cunha Lima.

    Lembramos diversas vezes, e oportunamente, que nos Estados do Nordeste não existe ambiente onde possa prosperar surgimento de uma terceira força política, sem apoio de uma das duas oligarquias, que se revezam no poder desde a década dos anos 30, século passado.

    No Ceará foi assim com os “coronéis”, que após a “compulsória” da vida pública foram sucedidos por Tasso Jereissati e os irmãos Ciro e Cid Gomes.

    No Rio Grande do Norte ainda resistem os Alves e Maias.

    No Maranhão Sarney e os contra...

    Isso não implica em tropeço aleatório, ou oportunismo momentâneo.

    Saudosa ex-governadora Vilma de Farias foi eleita governadora (primeiro mandato) com apoio dos Alves, no segundo turno. Reeleita com uma marcante dissidência dos Maias. Mas, quando as oligarquias se juntaram para valer tiraram-na da disputa pelo Senado e derrotaram-na duas vezes consecutivas.

    Governador Ricardo Coutinho seguiu seus passos – coincidentemente da mesma legenda PSB – e elegeu-se duas vezes prefeito da Capital com apoio de José Maranhão. Chegou ao Palácio da Redenção com apoio de Cássio Cunha Lima. E em sua reeleição, mais uma vez José Maranhão, por falta de um gesto “genuflexório” do senador Cássio. Ricardo teve todas as chances de manter seus maiores inimigos políticos divididos e atrair um dos caciques para elegê-lo como seu sucessor, assegurando sua vaga no Senado da República. Festejado midiaticamente pela imprensa palaciana, defendendo firmes posições do “populismo” petista, nos estertores da lava-jato, fechou as portas por ele abertas desde 2004, nas duas casas que hospedou seus sonhos. Sua última tentativa será convencer o prefeito Luciano Cartaxo para unir-se a seu bloco. O recado foi dado no mesmo sábado do jantar, pelo deputado federal Rômulo Gouveia (PSD), que alfinetou os “tucanos” declarando seu voto e apoio ao senador Raimundo Lira (?) a quem adjetivou de “muito trabalhador” e uma “grande liderança” de expressão nacional.

    Meus Deus! O ex-gordinho deve estar atravessando o mesmo inferno astral vivido por Nadja Palitot quando tomou o PSB de Gilvan Freire e cedeu a legenda para eleger Ricardo Coutinho prefeito de João Pessoa. Ricardo “abocanhou” o PSB e deixou Nadja só, com a retórica de traída. 

  • NOVOS RUMOS

    26/08/2017

    A polarização do PSB x PSDB, com vistas às eleições de 2018, vem atrofiando naturalmente o projeto do prefeito de João Pessoa (Luciano Cartaxo) em disputar a sucessão do governador Ricardo Coutinho. A mídia, nos últimos quarenta e cinco dias, tem transformado o cenário político estadual numa “rinha” onde só cabem dois “galos”: Romero Rodrigues e Ricardo Coutinho. Caiu no esquecimento Luciano Cartaxo, sem espaço no “arranca-rabo” travado entre Campina Grande e o inquilino do Palácio da Redenção.

    Neste último prélio - ainda em curso - segurança hídrica para garantir o abastecimento d’água de Campina Grande, Romero Rodrigues posicionou-se melhor. De forma “subliminar” ressuscitou o “bairrismo” e assumiu a posição de principal protagonista na defesa do “campinismo” histórico. Tema “acidental” elementar, ou inoportuno, que sequer despertou a atenção do senador Cássio Cunha Lima. Porém, a polêmica ganhou proporções imagináveis, e em cena, só restaram Romero e Ricardo.

    A permanência ou não do governador no cargo, para assegurar o nível de competitividade de seu candidato secretário João Azevedo, cria oportunidade para novos postulantes ao Senado da República, na composição das chapas majoritárias. O PSBD, por exemplo, não resistirá à pressão do PP que cobrará do deputado federal Aguinaldo Ribeiro espaço para ser companheiro (segunda opção) do senador Cássio Cunha Lima. Impossível perder tamanha oportunidade. Líder do Governo na Câmara, ex-ministro de Estado, homem de total confiança dos Presidentes Michel Temer e Rodrigo Maia. Seu pai estará no comando da PMCG e ainda abre uma vaga para substituí-lo na Câmara.

    No PSB, caso Ricardo Coutinho dispute o Senado, sua segunda opção será o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba Gervásio Filho. Homem “missão”, ligações históricas (seu pai) desde a primeira gestão de Ricardo Coutinho como prefeito de João Pessoa, esteve preparado para ser o governador “tampão”, caso Lígia Feliciano não assumisse com a renúncia do titular; desfruta da confiança e admiração de seus pares do Parlamento; conquista o voto suprapartidário como segunda opção das duas, três ou quatro chapas que disputarem o pleito, sendo apoiado pela maioria dos atuais deputados estaduais. E na hipótese de Ricardo permanecer com a “caneta” na mão, compor-se com o PMDB, jamais deixaria a sigla de José Maranhão ficar com duas, das três cadeiras do Senado da República. Seu candidato será Gervásio Filho.

    A Assembleia Legislativa sem o “fundão” – “afundado” ontem nas declarações do presidente do Senado Eunício Oliveira - terá uma importância extraordinária como “caixa d’água” suplementar no pleito de 2018. Luciano Cartaxo – pelo andar da carruagem – só será candidato se José Maranhão também concorrer. Serão quatro chapas. Uma (governo/situação) garantirá passagem para o segundo turno. A batalha pela segunda vaga seria travada entre PSDB, PMDB e PSB. Preocupante mesmo, que requer cuidados e muita atenção, é a postulação para o retorno do senador Cássio Cunha Lima. Circunstancialmente talvez seja o “Wilson Braga” de 1986 e 1990. Poderá ser “engolido” pelos “Raimundo Lira” representado nas figuras de Aguinaldo Ribeiro e Gervásio Filho. Quadro válido para o momento, como tudo está em “mar de Almirante”.

  • ROMERO E O RETROVISOR DE CÁSSIO

    02/08/2017

     Acelerando “fundo”, o prefeito Romero Rodrigues continua buscando a “pole position” no grid de largada das eleições 2018, batendo recordes sobre seus concorrentes, alguns já na pista. Entretanto, o comandante da equipe tucana senador Cássio Cunha Lima, em entrevista ontem (01/08/2017) advertiu o piloto mostrando-lhe o “retrovisor”, alegando que para chegar ao pódio as chances se resumem num único carro de sua equipe. É impossível levar dois dos três primeiros lugares com “motor” produzido pela mesma escuderia (alianças).

    O tom desta vez se elevou mais um pouco, pondo em cheque a pré-candidatura de Romero Rodrigues. Senador Cássio ameaçou não disputar sua reeleição caso o prefeito de Campina Grande seja candidato a governador (?).

    O poder de renúncia é algo muito forte, excêntrico ou “inusitado” no mundo político/partidário. No Brasil, por livre e espontânea vontade - no século XX - só tem-se um registro: Jânio Quadros, que abdicou da Presidência da República seis meses após ser eleito.

    Senador Cássio Cunha Lima - apesar do tropeço irrefletido há quarenta dias quando alardeou a queda do Presidente Michel Temer em uma semana - vive o melhor momento da sua carreira política. Vice-presidente do Senado da República, bastante fortalecido dentro do PSDB pela ala que defende o afastamento de Aécio Neves do comando da legenda, ocupa espaço respeitoso na grande mídia nacional... Deixar tudo isto, para fazer o que? Futuro Ministro de Estado? As chances de o seu partido eleger o próximo Presidente ainda são remotas. Desde os 21 anos que o senador não conhece outra atividade, senão uma luta permanente na política/partidária, batalha travada cada quatro anos, para conquistar um mandato. Seria uma compulsória voluntária e precoce?

    Lembrou o senador em sua fala que o prefeito Romero Rodrigues segue a mesma trilha já percorrida por seu pai - ex-governador Ronaldo Cunha Lima - e por ele próprio. Todavia, esqueceu-se de mencionar que nas eleições de 1990 as dificuldades de Ronaldo Cunha Lima foram bem maiores, pelo estigma que desfrutava sua legenda na ocasião. Esperava-se o “ocaso” do PMDB, semelhante ao do PDS. Quanto ao desafio ousado do ex-prefeito de Campina Grande (Cássio) enfrentar o candidato de José Maranhão (2002) houve uma decisão importante do poeta, admitindo descer do Senado para a Câmara dos Deputados. E, oferecer sua vaga para ser disputada pela dupla Efraim Morais e Wilson Braga. Este “desfalque” (PFL) na composição da chapa maranhista foi seguido por outro erro mais desastroso ainda. Uma chapa partidária. Roberto Paulino, Gervásio Maia; José Maranhão e Tarcísio Burity. Todos do PMDB. Dos três, só escapou José Maranhão, que já tinha sua vaga assegurada graças a brilhante gestão que vinha realizando praticamente por oito anos, como Governador do Estado. Talvez este fato rememorado seja o “retrovisor” do senador Cássio, que não enxerga no momento o pleito de 2018, através do “para-brisas” de Romero Rodrigues.

  • REAÇÕES BRUSCAS

    09/08/2017

     Com o advento do avanço tecnológico - através da expansão da informática - nas duas últimas décadas, surgiram novos caminhos para informação, livre de domínios ou controle. As “democratas” redes sociais, que passaram a registrar (sem filtros) cenas e acontecimentos ao vivo ou instantaneamente, sepultou a mídia impressa, compromete o futuro da televisão e deixa sobreviver apenas o rádio como aliado. Protagonistas dos meios políticos/partidários – ainda não adaptados a esta “nova era”, estão desnudos e expostos, perplexos com a recriminação de toda população, que estão forçando-os a mudarem de postura, sob pena de serem esquecidos nas urnas.

    Não cabe discussão “estéril”, questionando se o povo está “nivelando” os políticos por cima, ou por baixo. O que ora testemunhamos historicamente, são reações hostis de uma nação até bem recente ordeira, pacíficos, inertes ou alienados as paixões partidárias, sobre as quais surgiram e se ergueram mitos, ao longo de muitas décadas.

    Nos recentes episódios de apupos contra “astros da política” a população tem demonstrado que querem praticamente botar todos no mesmo saco, sem questionar legendas ou histórico de suas ricas biografias. Ícones como o Senador Garibaldi Alves ser vaiado no Aeroporto de Natal – como narramos em artigo recente – era algo inimaginável. Será que motivo é o PMDB? Não, pois ao seu lado vinha sua ferrenha adversária Zenaide Maia - seguidora fiel de Lula e Dilma - e foi igualmente vaiada. Quem saiu nos braços do povo – na ocasião - foi Jair Bolsonaro, vítima de boicote pela grande mídia nacional. Em Fortaleza, na última sexta-feira (04.08.2017) além de vaias, agrediram aos empurrões um Deputado Federal, que começou a ser xingado ainda dentro da aeronave em voo, identificado pelo broche da Câmara dos Deputados em sua lapela. Pelo visto, doravante vão ter que usarem disfarce.

    Dificuldades têm os Parlamentares Cariocas, Paranaense; Catarinenses e Paulistas. Todos estão com medo dos Aeroportos. Curioso é saber, como vão enfrentar em 2018 o povão nas praças, ruas e manifestações. O que farão para amainar esta ira?

    Na Paraíba, sábado (05.08.2017) os blogs registraram revelações invasivas contra o Senador Cássio Cunha Lima em sua passagem pela cidade de Patos-Pb. No Clube Campestre (Campina Grande) num show de Zé Ramalho, locutor anunciou presença do Deputado Federal Rômulo Gouveia e tome vaia. O episódio do Senador Cássio pode ser atribuído ao desencontro: hora e local errado. Observe-se também, o jejum de quase dez anos sem “poder de caneta”. Mas, apupos no Clube Campestre? Lá não tinha ninguém do programa “fome zero”, nem os mal educados membros do MST ou das ONG, e Rômulo Gouveia ser vaiado? Alguém errou se enganou, ou foi enganado. O Deputado ainda não atentou para brusca e radical mudança de comportamento das classes média, média alta e alta, que passaram a responsabilizar o Parlamento Brasileiro como a causa maior da desgraça que ora os angustia. Despreza o anacrônico “clientelismo” dos atuais membros duas Casas Legislativas que compõem o Congresso Nacional, hoje observado e duramente criticado pela população, que os abomina, e passaram a reagir de forma agressiva, sem separar o “homem ser” do “homem função”. Até o Presidenciável Prefeito de São Paulo, João Dória foi vaiado em Salvador e ainda atingido por ovos e tomates podres.

    Continuando isolados e “blindados” no seu mundo “autista” (Poder), a classe política persiste em prosseguir em caminho oposto, distanciando-se a cada dia do povo (eleitores). A maioria dos brasileiros hoje já sabe como funciona o Congresso Nacional, seus poderes e competência para mudar tudo através das Leis. Mas, infelizmente seus componentes, ao invés de ouvir a voz das ruas e olharem o semblante de sofrimento da nação, se limitam em sua hipertrofia egoísta a enxergarem apenas seus projetos pessoais, ou o próprio umbigo.

  • TERCEIRA FORÇA

    17/08/2017

    Tentativa ousada do governador Ricardo Coutinho, em se estabelecer como uma terceira força política no Estado, é um desafio nunca conquistado por outrem, nem na Paraíba muito menos nas demais unidades da Federação. Apesar da existência do pluripartidarismo - hoje registrando quarenta legendas – o País politicamente presidencialista é bipartidário. Suas disputas para o Poder Executivo são sempre polarizadas entre duas forças enraizadas nas quase centenárias oligarquias, ou apoiadas por estas. Nada mudou desde a velha República, tudo se transforma constantemente. O “tronco” ainda é o mesmo, os “galhos” podados é que ganham novas “folhagens”.

    Saudoso Tarcísio Burity e Wilson Braga bem que lutaram para que se formasse uma terceira força política na Paraíba. Mas, os herdeiros dos perrepistas e liberais (anos trinta, século passado) os derrotaram.

    No Rio Grande do Norte a saudosa governadora Vilma de Farias foi pioneira em trilhar os mesmos caminhos percorridos pelo atual governador Ricardo Coutinho. Chegou à Prefeitura de Natal pelas mãos dos Maias. Retornou para um segundo mandato com o mesmo apoio. Para sua terceira gestão, continuou com os Maias e rachou os Alves. Alcançou o Governo do Estado com apoio dos Maias e dissidentes temporários dos Alves. Na sua reeleição, forçaram-na a enfrentar as duas oligarquias unidas, causando estremecimento no eleitorado que não entendeu a junção de adversários cinquentenários. Venceu, se notabilizou como uma das melhores gestoras do RN, e com popularidade altíssima julgou que finalmente tinha conseguido se impor como terceira força. Mas, ao renunciar seis meses antes do pleito de 2010 para concorrer ao Senado, lançou seu vice e ambos perderam para Alves e Maias, que permaneceram unidos desde 2006, apararam arestas e trouxeram os “agregados” – então rebelados - Rosados de Mossoró. Numa segunda tentativa (2014) para o Senado Vilma é novamente derrotada. Terminou seus dias de vida como vereadora da capital potiguar.

    Qualquer semelhança da ascensão política da saudosa ex-governadora Vilma de Farias (RN), com Ricardo Coutinho, não é mera coincidência. Ricardo Coutinho chegou a Prefeitura Municipal de João Pessoa com apoio do PMDB e do governador José Maranhão. Na sua reeleição, continuou sendo apoiado pelo PMDB. Para se tornar inquilino do Palácio da Redenção foi catapultado pelo ex-governador Cássio Cunha Lima. Na sua recondução, rachou o PMDB. Popularidade em alta, quer indicar um técnico para substituí-lo (2018). Mas, as oligarquias que pavimentaram os caminhos de sua vida pública estão dispostas a lançarem candidatos próprios, e isolarem-no. Os velhos caciques (rivais) podem se unir para evitar que a “tribo girassóis” se transforme na “grande nação socialista”.

    Interlocutores (supomos que Nonato Bandeira) têm criado “clima” para um entendimento entre o PMDB (José Maranhão) e o governador Ricardo Coutinho. Se esta semente germinar o PSDB (Cunha Lima) entra na disputa (2018) em desvantagem. Luciano Cartaxo ficará sitiado. Ricardo Coutinho continuando com a caneta na mão e negociando as duas vagas de senadores e vice com o PMDB, DEM e PR, João Azevedo passa a ter chances reais de disputar e conquistar o governo da Paraíba.  


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