Colunista Júnior Gurgel

  • ROMERO E O RETROVISOR DE CÁSSIO

    02/08/2017

     Acelerando “fundo”, o prefeito Romero Rodrigues continua buscando a “pole position” no grid de largada das eleições 2018, batendo recordes sobre seus concorrentes, alguns já na pista. Entretanto, o comandante da equipe tucana senador Cássio Cunha Lima, em entrevista ontem (01/08/2017) advertiu o piloto mostrando-lhe o “retrovisor”, alegando que para chegar ao pódio as chances se resumem num único carro de sua equipe. É impossível levar dois dos três primeiros lugares com “motor” produzido pela mesma escuderia (alianças).

    O tom desta vez se elevou mais um pouco, pondo em cheque a pré-candidatura de Romero Rodrigues. Senador Cássio ameaçou não disputar sua reeleição caso o prefeito de Campina Grande seja candidato a governador (?).

    O poder de renúncia é algo muito forte, excêntrico ou “inusitado” no mundo político/partidário. No Brasil, por livre e espontânea vontade - no século XX - só tem-se um registro: Jânio Quadros, que abdicou da Presidência da República seis meses após ser eleito.

    Senador Cássio Cunha Lima - apesar do tropeço irrefletido há quarenta dias quando alardeou a queda do Presidente Michel Temer em uma semana - vive o melhor momento da sua carreira política. Vice-presidente do Senado da República, bastante fortalecido dentro do PSDB pela ala que defende o afastamento de Aécio Neves do comando da legenda, ocupa espaço respeitoso na grande mídia nacional... Deixar tudo isto, para fazer o que? Futuro Ministro de Estado? As chances de o seu partido eleger o próximo Presidente ainda são remotas. Desde os 21 anos que o senador não conhece outra atividade, senão uma luta permanente na política/partidária, batalha travada cada quatro anos, para conquistar um mandato. Seria uma compulsória voluntária e precoce?

    Lembrou o senador em sua fala que o prefeito Romero Rodrigues segue a mesma trilha já percorrida por seu pai - ex-governador Ronaldo Cunha Lima - e por ele próprio. Todavia, esqueceu-se de mencionar que nas eleições de 1990 as dificuldades de Ronaldo Cunha Lima foram bem maiores, pelo estigma que desfrutava sua legenda na ocasião. Esperava-se o “ocaso” do PMDB, semelhante ao do PDS. Quanto ao desafio ousado do ex-prefeito de Campina Grande (Cássio) enfrentar o candidato de José Maranhão (2002) houve uma decisão importante do poeta, admitindo descer do Senado para a Câmara dos Deputados. E, oferecer sua vaga para ser disputada pela dupla Efraim Morais e Wilson Braga. Este “desfalque” (PFL) na composição da chapa maranhista foi seguido por outro erro mais desastroso ainda. Uma chapa partidária. Roberto Paulino, Gervásio Maia; José Maranhão e Tarcísio Burity. Todos do PMDB. Dos três, só escapou José Maranhão, que já tinha sua vaga assegurada graças a brilhante gestão que vinha realizando praticamente por oito anos, como Governador do Estado. Talvez este fato rememorado seja o “retrovisor” do senador Cássio, que não enxerga no momento o pleito de 2018, através do “para-brisas” de Romero Rodrigues.

  • REAÇÕES BRUSCAS

    09/08/2017

     Com o advento do avanço tecnológico - através da expansão da informática - nas duas últimas décadas, surgiram novos caminhos para informação, livre de domínios ou controle. As “democratas” redes sociais, que passaram a registrar (sem filtros) cenas e acontecimentos ao vivo ou instantaneamente, sepultou a mídia impressa, compromete o futuro da televisão e deixa sobreviver apenas o rádio como aliado. Protagonistas dos meios políticos/partidários – ainda não adaptados a esta “nova era”, estão desnudos e expostos, perplexos com a recriminação de toda população, que estão forçando-os a mudarem de postura, sob pena de serem esquecidos nas urnas.

    Não cabe discussão “estéril”, questionando se o povo está “nivelando” os políticos por cima, ou por baixo. O que ora testemunhamos historicamente, são reações hostis de uma nação até bem recente ordeira, pacíficos, inertes ou alienados as paixões partidárias, sobre as quais surgiram e se ergueram mitos, ao longo de muitas décadas.

    Nos recentes episódios de apupos contra “astros da política” a população tem demonstrado que querem praticamente botar todos no mesmo saco, sem questionar legendas ou histórico de suas ricas biografias. Ícones como o Senador Garibaldi Alves ser vaiado no Aeroporto de Natal – como narramos em artigo recente – era algo inimaginável. Será que motivo é o PMDB? Não, pois ao seu lado vinha sua ferrenha adversária Zenaide Maia - seguidora fiel de Lula e Dilma - e foi igualmente vaiada. Quem saiu nos braços do povo – na ocasião - foi Jair Bolsonaro, vítima de boicote pela grande mídia nacional. Em Fortaleza, na última sexta-feira (04.08.2017) além de vaias, agrediram aos empurrões um Deputado Federal, que começou a ser xingado ainda dentro da aeronave em voo, identificado pelo broche da Câmara dos Deputados em sua lapela. Pelo visto, doravante vão ter que usarem disfarce.

    Dificuldades têm os Parlamentares Cariocas, Paranaense; Catarinenses e Paulistas. Todos estão com medo dos Aeroportos. Curioso é saber, como vão enfrentar em 2018 o povão nas praças, ruas e manifestações. O que farão para amainar esta ira?

    Na Paraíba, sábado (05.08.2017) os blogs registraram revelações invasivas contra o Senador Cássio Cunha Lima em sua passagem pela cidade de Patos-Pb. No Clube Campestre (Campina Grande) num show de Zé Ramalho, locutor anunciou presença do Deputado Federal Rômulo Gouveia e tome vaia. O episódio do Senador Cássio pode ser atribuído ao desencontro: hora e local errado. Observe-se também, o jejum de quase dez anos sem “poder de caneta”. Mas, apupos no Clube Campestre? Lá não tinha ninguém do programa “fome zero”, nem os mal educados membros do MST ou das ONG, e Rômulo Gouveia ser vaiado? Alguém errou se enganou, ou foi enganado. O Deputado ainda não atentou para brusca e radical mudança de comportamento das classes média, média alta e alta, que passaram a responsabilizar o Parlamento Brasileiro como a causa maior da desgraça que ora os angustia. Despreza o anacrônico “clientelismo” dos atuais membros duas Casas Legislativas que compõem o Congresso Nacional, hoje observado e duramente criticado pela população, que os abomina, e passaram a reagir de forma agressiva, sem separar o “homem ser” do “homem função”. Até o Presidenciável Prefeito de São Paulo, João Dória foi vaiado em Salvador e ainda atingido por ovos e tomates podres.

    Continuando isolados e “blindados” no seu mundo “autista” (Poder), a classe política persiste em prosseguir em caminho oposto, distanciando-se a cada dia do povo (eleitores). A maioria dos brasileiros hoje já sabe como funciona o Congresso Nacional, seus poderes e competência para mudar tudo através das Leis. Mas, infelizmente seus componentes, ao invés de ouvir a voz das ruas e olharem o semblante de sofrimento da nação, se limitam em sua hipertrofia egoísta a enxergarem apenas seus projetos pessoais, ou o próprio umbigo.

  • TERCEIRA FORÇA

    17/08/2017

    Tentativa ousada do governador Ricardo Coutinho, em se estabelecer como uma terceira força política no Estado, é um desafio nunca conquistado por outrem, nem na Paraíba muito menos nas demais unidades da Federação. Apesar da existência do pluripartidarismo - hoje registrando quarenta legendas – o País politicamente presidencialista é bipartidário. Suas disputas para o Poder Executivo são sempre polarizadas entre duas forças enraizadas nas quase centenárias oligarquias, ou apoiadas por estas. Nada mudou desde a velha República, tudo se transforma constantemente. O “tronco” ainda é o mesmo, os “galhos” podados é que ganham novas “folhagens”.

    Saudoso Tarcísio Burity e Wilson Braga bem que lutaram para que se formasse uma terceira força política na Paraíba. Mas, os herdeiros dos perrepistas e liberais (anos trinta, século passado) os derrotaram.

    No Rio Grande do Norte a saudosa governadora Vilma de Farias foi pioneira em trilhar os mesmos caminhos percorridos pelo atual governador Ricardo Coutinho. Chegou à Prefeitura de Natal pelas mãos dos Maias. Retornou para um segundo mandato com o mesmo apoio. Para sua terceira gestão, continuou com os Maias e rachou os Alves. Alcançou o Governo do Estado com apoio dos Maias e dissidentes temporários dos Alves. Na sua reeleição, forçaram-na a enfrentar as duas oligarquias unidas, causando estremecimento no eleitorado que não entendeu a junção de adversários cinquentenários. Venceu, se notabilizou como uma das melhores gestoras do RN, e com popularidade altíssima julgou que finalmente tinha conseguido se impor como terceira força. Mas, ao renunciar seis meses antes do pleito de 2010 para concorrer ao Senado, lançou seu vice e ambos perderam para Alves e Maias, que permaneceram unidos desde 2006, apararam arestas e trouxeram os “agregados” – então rebelados - Rosados de Mossoró. Numa segunda tentativa (2014) para o Senado Vilma é novamente derrotada. Terminou seus dias de vida como vereadora da capital potiguar.

    Qualquer semelhança da ascensão política da saudosa ex-governadora Vilma de Farias (RN), com Ricardo Coutinho, não é mera coincidência. Ricardo Coutinho chegou a Prefeitura Municipal de João Pessoa com apoio do PMDB e do governador José Maranhão. Na sua reeleição, continuou sendo apoiado pelo PMDB. Para se tornar inquilino do Palácio da Redenção foi catapultado pelo ex-governador Cássio Cunha Lima. Na sua recondução, rachou o PMDB. Popularidade em alta, quer indicar um técnico para substituí-lo (2018). Mas, as oligarquias que pavimentaram os caminhos de sua vida pública estão dispostas a lançarem candidatos próprios, e isolarem-no. Os velhos caciques (rivais) podem se unir para evitar que a “tribo girassóis” se transforme na “grande nação socialista”.

    Interlocutores (supomos que Nonato Bandeira) têm criado “clima” para um entendimento entre o PMDB (José Maranhão) e o governador Ricardo Coutinho. Se esta semente germinar o PSDB (Cunha Lima) entra na disputa (2018) em desvantagem. Luciano Cartaxo ficará sitiado. Ricardo Coutinho continuando com a caneta na mão e negociando as duas vagas de senadores e vice com o PMDB, DEM e PR, João Azevedo passa a ter chances reais de disputar e conquistar o governo da Paraíba.  


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