Colunista Jnior Gurgel

  • SEM FOGUETRIO

    19/09/2017

    No último sábado (16.09.2017), um jantar em homenagem ao aniversariante senador José Maranhão levou o Clã Cunha Lima e todos os liderados pelo senador Cássio a marcarem presença, ao lado do prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo. As grandes ausências foram a do governador Ricardo Coutinho, da vice Lígia Feliciano; deputado federal Rômulo Gouveia (presidente do PSD).

    Confirmou-se na Paraíba a “máxima” cunhada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, na campanha presidencial de 1952 quando recebeu o apoio irrestrito do símbolo do comunismo brasileiro, Luís Carlos Prestes: “Em política não existe amigos inseparáveis nem inimigos irreconciliáveis... Tudo é possível”.

    Vargas no Estado Novo prendeu, torturou e expatriou comunistas.

    Na terra dos Tabajaras - sem o foguetório desagregador de 21.03.1998 do Clube Campestre - os dois principais caciques da política paraibana sentaram e fumaram o cachimbo da paz, para celebrar a pajelança de 2018 quando provavelmente estarão no mesmo palanque vinte e quatro anos depois (última vez eleições de 1994) o peemedebista José Maranhão e o tucano Cássio Cunha Lima.

    Lembramos diversas vezes, e oportunamente, que nos Estados do Nordeste não existe ambiente onde possa prosperar surgimento de uma terceira força política, sem apoio de uma das duas oligarquias, que se revezam no poder desde a década dos anos 30, século passado.

    No Ceará foi assim com os “coronéis”, que após a “compulsória” da vida pública foram sucedidos por Tasso Jereissati e os irmãos Ciro e Cid Gomes.

    No Rio Grande do Norte ainda resistem os Alves e Maias.

    No Maranhão Sarney e os contra...

    Isso não implica em tropeço aleatório, ou oportunismo momentâneo.

    Saudosa ex-governadora Vilma de Farias foi eleita governadora (primeiro mandato) com apoio dos Alves, no segundo turno. Reeleita com uma marcante dissidência dos Maias. Mas, quando as oligarquias se juntaram para valer tiraram-na da disputa pelo Senado e derrotaram-na duas vezes consecutivas.

    Governador Ricardo Coutinho seguiu seus passos – coincidentemente da mesma legenda PSB – e elegeu-se duas vezes prefeito da Capital com apoio de José Maranhão. Chegou ao Palácio da Redenção com apoio de Cássio Cunha Lima. E em sua reeleição, mais uma vez José Maranhão, por falta de um gesto “genuflexório” do senador Cássio. Ricardo teve todas as chances de manter seus maiores inimigos políticos divididos e atrair um dos caciques para elegê-lo como seu sucessor, assegurando sua vaga no Senado da República. Festejado midiaticamente pela imprensa palaciana, defendendo firmes posições do “populismo” petista, nos estertores da lava-jato, fechou as portas por ele abertas desde 2004, nas duas casas que hospedou seus sonhos. Sua última tentativa será convencer o prefeito Luciano Cartaxo para unir-se a seu bloco. O recado foi dado no mesmo sábado do jantar, pelo deputado federal Rômulo Gouveia (PSD), que alfinetou os “tucanos” declarando seu voto e apoio ao senador Raimundo Lira (?) a quem adjetivou de “muito trabalhador” e uma “grande liderança” de expressão nacional.

    Meus Deus! O ex-gordinho deve estar atravessando o mesmo inferno astral vivido por Nadja Palitot quando tomou o PSB de Gilvan Freire e cedeu a legenda para eleger Ricardo Coutinho prefeito de João Pessoa. Ricardo “abocanhou” o PSB e deixou Nadja só, com a retórica de traída. 

  • NOVOS RUMOS

    26/08/2017

    A polarização do PSB x PSDB, com vistas às eleições de 2018, vem atrofiando naturalmente o projeto do prefeito de João Pessoa (Luciano Cartaxo) em disputar a sucessão do governador Ricardo Coutinho. A mídia, nos últimos quarenta e cinco dias, tem transformado o cenário político estadual numa “rinha” onde só cabem dois “galos”: Romero Rodrigues e Ricardo Coutinho. Caiu no esquecimento Luciano Cartaxo, sem espaço no “arranca-rabo” travado entre Campina Grande e o inquilino do Palácio da Redenção.

    Neste último prélio - ainda em curso - segurança hídrica para garantir o abastecimento d’água de Campina Grande, Romero Rodrigues posicionou-se melhor. De forma “subliminar” ressuscitou o “bairrismo” e assumiu a posição de principal protagonista na defesa do “campinismo” histórico. Tema “acidental” elementar, ou inoportuno, que sequer despertou a atenção do senador Cássio Cunha Lima. Porém, a polêmica ganhou proporções imagináveis, e em cena, só restaram Romero e Ricardo.

    A permanência ou não do governador no cargo, para assegurar o nível de competitividade de seu candidato secretário João Azevedo, cria oportunidade para novos postulantes ao Senado da República, na composição das chapas majoritárias. O PSBD, por exemplo, não resistirá à pressão do PP que cobrará do deputado federal Aguinaldo Ribeiro espaço para ser companheiro (segunda opção) do senador Cássio Cunha Lima. Impossível perder tamanha oportunidade. Líder do Governo na Câmara, ex-ministro de Estado, homem de total confiança dos Presidentes Michel Temer e Rodrigo Maia. Seu pai estará no comando da PMCG e ainda abre uma vaga para substituí-lo na Câmara.

    No PSB, caso Ricardo Coutinho dispute o Senado, sua segunda opção será o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba Gervásio Filho. Homem “missão”, ligações históricas (seu pai) desde a primeira gestão de Ricardo Coutinho como prefeito de João Pessoa, esteve preparado para ser o governador “tampão”, caso Lígia Feliciano não assumisse com a renúncia do titular; desfruta da confiança e admiração de seus pares do Parlamento; conquista o voto suprapartidário como segunda opção das duas, três ou quatro chapas que disputarem o pleito, sendo apoiado pela maioria dos atuais deputados estaduais. E na hipótese de Ricardo permanecer com a “caneta” na mão, compor-se com o PMDB, jamais deixaria a sigla de José Maranhão ficar com duas, das três cadeiras do Senado da República. Seu candidato será Gervásio Filho.

    A Assembleia Legislativa sem o “fundão” – “afundado” ontem nas declarações do presidente do Senado Eunício Oliveira - terá uma importância extraordinária como “caixa d’água” suplementar no pleito de 2018. Luciano Cartaxo – pelo andar da carruagem – só será candidato se José Maranhão também concorrer. Serão quatro chapas. Uma (governo/situação) garantirá passagem para o segundo turno. A batalha pela segunda vaga seria travada entre PSDB, PMDB e PSB. Preocupante mesmo, que requer cuidados e muita atenção, é a postulação para o retorno do senador Cássio Cunha Lima. Circunstancialmente talvez seja o “Wilson Braga” de 1986 e 1990. Poderá ser “engolido” pelos “Raimundo Lira” representado nas figuras de Aguinaldo Ribeiro e Gervásio Filho. Quadro válido para o momento, como tudo está em “mar de Almirante”.

  • ROMERO E O RETROVISOR DE CSSIO

    02/08/2017

     Acelerando “fundo”, o prefeito Romero Rodrigues continua buscando a “pole position” no grid de largada das eleições 2018, batendo recordes sobre seus concorrentes, alguns já na pista. Entretanto, o comandante da equipe tucana senador Cássio Cunha Lima, em entrevista ontem (01/08/2017) advertiu o piloto mostrando-lhe o “retrovisor”, alegando que para chegar ao pódio as chances se resumem num único carro de sua equipe. É impossível levar dois dos três primeiros lugares com “motor” produzido pela mesma escuderia (alianças).

    O tom desta vez se elevou mais um pouco, pondo em cheque a pré-candidatura de Romero Rodrigues. Senador Cássio ameaçou não disputar sua reeleição caso o prefeito de Campina Grande seja candidato a governador (?).

    O poder de renúncia é algo muito forte, excêntrico ou “inusitado” no mundo político/partidário. No Brasil, por livre e espontânea vontade - no século XX - só tem-se um registro: Jânio Quadros, que abdicou da Presidência da República seis meses após ser eleito.

    Senador Cássio Cunha Lima - apesar do tropeço irrefletido há quarenta dias quando alardeou a queda do Presidente Michel Temer em uma semana - vive o melhor momento da sua carreira política. Vice-presidente do Senado da República, bastante fortalecido dentro do PSDB pela ala que defende o afastamento de Aécio Neves do comando da legenda, ocupa espaço respeitoso na grande mídia nacional... Deixar tudo isto, para fazer o que? Futuro Ministro de Estado? As chances de o seu partido eleger o próximo Presidente ainda são remotas. Desde os 21 anos que o senador não conhece outra atividade, senão uma luta permanente na política/partidária, batalha travada cada quatro anos, para conquistar um mandato. Seria uma compulsória voluntária e precoce?

    Lembrou o senador em sua fala que o prefeito Romero Rodrigues segue a mesma trilha já percorrida por seu pai - ex-governador Ronaldo Cunha Lima - e por ele próprio. Todavia, esqueceu-se de mencionar que nas eleições de 1990 as dificuldades de Ronaldo Cunha Lima foram bem maiores, pelo estigma que desfrutava sua legenda na ocasião. Esperava-se o “ocaso” do PMDB, semelhante ao do PDS. Quanto ao desafio ousado do ex-prefeito de Campina Grande (Cássio) enfrentar o candidato de José Maranhão (2002) houve uma decisão importante do poeta, admitindo descer do Senado para a Câmara dos Deputados. E, oferecer sua vaga para ser disputada pela dupla Efraim Morais e Wilson Braga. Este “desfalque” (PFL) na composição da chapa maranhista foi seguido por outro erro mais desastroso ainda. Uma chapa partidária. Roberto Paulino, Gervásio Maia; José Maranhão e Tarcísio Burity. Todos do PMDB. Dos três, só escapou José Maranhão, que já tinha sua vaga assegurada graças a brilhante gestão que vinha realizando praticamente por oito anos, como Governador do Estado. Talvez este fato rememorado seja o “retrovisor” do senador Cássio, que não enxerga no momento o pleito de 2018, através do “para-brisas” de Romero Rodrigues.

  • REAES BRUSCAS

    09/08/2017

     Com o advento do avanço tecnológico - através da expansão da informática - nas duas últimas décadas, surgiram novos caminhos para informação, livre de domínios ou controle. As “democratas” redes sociais, que passaram a registrar (sem filtros) cenas e acontecimentos ao vivo ou instantaneamente, sepultou a mídia impressa, compromete o futuro da televisão e deixa sobreviver apenas o rádio como aliado. Protagonistas dos meios políticos/partidários – ainda não adaptados a esta “nova era”, estão desnudos e expostos, perplexos com a recriminação de toda população, que estão forçando-os a mudarem de postura, sob pena de serem esquecidos nas urnas.

    Não cabe discussão “estéril”, questionando se o povo está “nivelando” os políticos por cima, ou por baixo. O que ora testemunhamos historicamente, são reações hostis de uma nação até bem recente ordeira, pacíficos, inertes ou alienados as paixões partidárias, sobre as quais surgiram e se ergueram mitos, ao longo de muitas décadas.

    Nos recentes episódios de apupos contra “astros da política” a população tem demonstrado que querem praticamente botar todos no mesmo saco, sem questionar legendas ou histórico de suas ricas biografias. Ícones como o Senador Garibaldi Alves ser vaiado no Aeroporto de Natal – como narramos em artigo recente – era algo inimaginável. Será que motivo é o PMDB? Não, pois ao seu lado vinha sua ferrenha adversária Zenaide Maia - seguidora fiel de Lula e Dilma - e foi igualmente vaiada. Quem saiu nos braços do povo – na ocasião - foi Jair Bolsonaro, vítima de boicote pela grande mídia nacional. Em Fortaleza, na última sexta-feira (04.08.2017) além de vaias, agrediram aos empurrões um Deputado Federal, que começou a ser xingado ainda dentro da aeronave em voo, identificado pelo broche da Câmara dos Deputados em sua lapela. Pelo visto, doravante vão ter que usarem disfarce.

    Dificuldades têm os Parlamentares Cariocas, Paranaense; Catarinenses e Paulistas. Todos estão com medo dos Aeroportos. Curioso é saber, como vão enfrentar em 2018 o povão nas praças, ruas e manifestações. O que farão para amainar esta ira?

    Na Paraíba, sábado (05.08.2017) os blogs registraram revelações invasivas contra o Senador Cássio Cunha Lima em sua passagem pela cidade de Patos-Pb. No Clube Campestre (Campina Grande) num show de Zé Ramalho, locutor anunciou presença do Deputado Federal Rômulo Gouveia e tome vaia. O episódio do Senador Cássio pode ser atribuído ao desencontro: hora e local errado. Observe-se também, o jejum de quase dez anos sem “poder de caneta”. Mas, apupos no Clube Campestre? Lá não tinha ninguém do programa “fome zero”, nem os mal educados membros do MST ou das ONG, e Rômulo Gouveia ser vaiado? Alguém errou se enganou, ou foi enganado. O Deputado ainda não atentou para brusca e radical mudança de comportamento das classes média, média alta e alta, que passaram a responsabilizar o Parlamento Brasileiro como a causa maior da desgraça que ora os angustia. Despreza o anacrônico “clientelismo” dos atuais membros duas Casas Legislativas que compõem o Congresso Nacional, hoje observado e duramente criticado pela população, que os abomina, e passaram a reagir de forma agressiva, sem separar o “homem ser” do “homem função”. Até o Presidenciável Prefeito de São Paulo, João Dória foi vaiado em Salvador e ainda atingido por ovos e tomates podres.

    Continuando isolados e “blindados” no seu mundo “autista” (Poder), a classe política persiste em prosseguir em caminho oposto, distanciando-se a cada dia do povo (eleitores). A maioria dos brasileiros hoje já sabe como funciona o Congresso Nacional, seus poderes e competência para mudar tudo através das Leis. Mas, infelizmente seus componentes, ao invés de ouvir a voz das ruas e olharem o semblante de sofrimento da nação, se limitam em sua hipertrofia egoísta a enxergarem apenas seus projetos pessoais, ou o próprio umbigo.

  • TERCEIRA FORA

    17/08/2017

    Tentativa ousada do governador Ricardo Coutinho, em se estabelecer como uma terceira força política no Estado, é um desafio nunca conquistado por outrem, nem na Paraíba muito menos nas demais unidades da Federação. Apesar da existência do pluripartidarismo - hoje registrando quarenta legendas – o País politicamente presidencialista é bipartidário. Suas disputas para o Poder Executivo são sempre polarizadas entre duas forças enraizadas nas quase centenárias oligarquias, ou apoiadas por estas. Nada mudou desde a velha República, tudo se transforma constantemente. O “tronco” ainda é o mesmo, os “galhos” podados é que ganham novas “folhagens”.

    Saudoso Tarcísio Burity e Wilson Braga bem que lutaram para que se formasse uma terceira força política na Paraíba. Mas, os herdeiros dos perrepistas e liberais (anos trinta, século passado) os derrotaram.

    No Rio Grande do Norte a saudosa governadora Vilma de Farias foi pioneira em trilhar os mesmos caminhos percorridos pelo atual governador Ricardo Coutinho. Chegou à Prefeitura de Natal pelas mãos dos Maias. Retornou para um segundo mandato com o mesmo apoio. Para sua terceira gestão, continuou com os Maias e rachou os Alves. Alcançou o Governo do Estado com apoio dos Maias e dissidentes temporários dos Alves. Na sua reeleição, forçaram-na a enfrentar as duas oligarquias unidas, causando estremecimento no eleitorado que não entendeu a junção de adversários cinquentenários. Venceu, se notabilizou como uma das melhores gestoras do RN, e com popularidade altíssima julgou que finalmente tinha conseguido se impor como terceira força. Mas, ao renunciar seis meses antes do pleito de 2010 para concorrer ao Senado, lançou seu vice e ambos perderam para Alves e Maias, que permaneceram unidos desde 2006, apararam arestas e trouxeram os “agregados” – então rebelados - Rosados de Mossoró. Numa segunda tentativa (2014) para o Senado Vilma é novamente derrotada. Terminou seus dias de vida como vereadora da capital potiguar.

    Qualquer semelhança da ascensão política da saudosa ex-governadora Vilma de Farias (RN), com Ricardo Coutinho, não é mera coincidência. Ricardo Coutinho chegou a Prefeitura Municipal de João Pessoa com apoio do PMDB e do governador José Maranhão. Na sua reeleição, continuou sendo apoiado pelo PMDB. Para se tornar inquilino do Palácio da Redenção foi catapultado pelo ex-governador Cássio Cunha Lima. Na sua recondução, rachou o PMDB. Popularidade em alta, quer indicar um técnico para substituí-lo (2018). Mas, as oligarquias que pavimentaram os caminhos de sua vida pública estão dispostas a lançarem candidatos próprios, e isolarem-no. Os velhos caciques (rivais) podem se unir para evitar que a “tribo girassóis” se transforme na “grande nação socialista”.

    Interlocutores (supomos que Nonato Bandeira) têm criado “clima” para um entendimento entre o PMDB (José Maranhão) e o governador Ricardo Coutinho. Se esta semente germinar o PSDB (Cunha Lima) entra na disputa (2018) em desvantagem. Luciano Cartaxo ficará sitiado. Ricardo Coutinho continuando com a caneta na mão e negociando as duas vagas de senadores e vice com o PMDB, DEM e PR, João Azevedo passa a ter chances reais de disputar e conquistar o governo da Paraíba.  


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