Colunista Júnior Gurgel

  • TERCEIRA FORÇA

    17/08/2017

    Tentativa ousada do governador Ricardo Coutinho, em se estabelecer como uma terceira força política no Estado, é um desafio nunca conquistado por outrem, nem na Paraíba muito menos nas demais unidades da Federação. Apesar da existência do pluripartidarismo - hoje registrando quarenta legendas – o País politicamente presidencialista é bipartidário. Suas disputas para o Poder Executivo são sempre polarizadas entre duas forças enraizadas nas quase centenárias oligarquias, ou apoiadas por estas. Nada mudou desde a velha República, tudo se transforma constantemente. O “tronco” ainda é o mesmo, os “galhos” podados é que ganham novas “folhagens”.

    Saudoso Tarcísio Burity e Wilson Braga bem que lutaram para que se formasse uma terceira força política na Paraíba. Mas, os herdeiros dos perrepistas e liberais (anos trinta, século passado) os derrotaram.

    No Rio Grande do Norte a saudosa governadora Vilma de Farias foi pioneira em trilhar os mesmos caminhos percorridos pelo atual governador Ricardo Coutinho. Chegou à Prefeitura de Natal pelas mãos dos Maias. Retornou para um segundo mandato com o mesmo apoio. Para sua terceira gestão, continuou com os Maias e rachou os Alves. Alcançou o Governo do Estado com apoio dos Maias e dissidentes temporários dos Alves. Na sua reeleição, forçaram-na a enfrentar as duas oligarquias unidas, causando estremecimento no eleitorado que não entendeu a junção de adversários cinquentenários. Venceu, se notabilizou como uma das melhores gestoras do RN, e com popularidade altíssima julgou que finalmente tinha conseguido se impor como terceira força. Mas, ao renunciar seis meses antes do pleito de 2010 para concorrer ao Senado, lançou seu vice e ambos perderam para Alves e Maias, que permaneceram unidos desde 2006, apararam arestas e trouxeram os “agregados” – então rebelados - Rosados de Mossoró. Numa segunda tentativa (2014) para o Senado Vilma é novamente derrotada. Terminou seus dias de vida como vereadora da capital potiguar.

    Qualquer semelhança da ascensão política da saudosa ex-governadora Vilma de Farias (RN), com Ricardo Coutinho, não é mera coincidência. Ricardo Coutinho chegou a Prefeitura Municipal de João Pessoa com apoio do PMDB e do governador José Maranhão. Na sua reeleição, continuou sendo apoiado pelo PMDB. Para se tornar inquilino do Palácio da Redenção foi catapultado pelo ex-governador Cássio Cunha Lima. Na sua recondução, rachou o PMDB. Popularidade em alta, quer indicar um técnico para substituí-lo (2018). Mas, as oligarquias que pavimentaram os caminhos de sua vida pública estão dispostas a lançarem candidatos próprios, e isolarem-no. Os velhos caciques (rivais) podem se unir para evitar que a “tribo girassóis” se transforme na “grande nação socialista”.

    Interlocutores (supomos que Nonato Bandeira) têm criado “clima” para um entendimento entre o PMDB (José Maranhão) e o governador Ricardo Coutinho. Se esta semente germinar o PSDB (Cunha Lima) entra na disputa (2018) em desvantagem. Luciano Cartaxo ficará sitiado. Ricardo Coutinho continuando com a caneta na mão e negociando as duas vagas de senadores e vice com o PMDB, DEM e PR, João Azevedo passa a ter chances reais de disputar e conquistar o governo da Paraíba.  


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