Colunista Marcos Marinho

  • Dr. Virgilio, meu “tesoura press”

    24/10/2017

    Minha amizade com Dr. Virgílio Brasileiro envolve mais de 40 anos de história.


    Eu, ainda imberbe no jornalismo, e convocado para uma missão titânica de dirigir editorialmente o Jornal da Paraíba, do qual fui fundador ao lado de William Tejo, Ismael Marinho, Josusmá Viana, José Levino, Marcelo Marcos e outros amigos, ganhei do honrado médico lições de vida inesquecíveis.

    A ele fui apresentado por Tejinho (William Tejo) numa noite de sábado quase domingo onde a dificuldade para fechar a edição era a pior possível: não havia internet nem telex e telefone (celular era ficção científica) ainda sequer conhecia a Embratel... Para falar com alguém em João Pessoa, por exemplo, dependíamos de completar a ligação via telefonista da empresa concessionária do serviço.


    Madrugada de sábado para mim, editor, era terror puro. Do repórter catador de notícias ao operário na oficina derretendo chumbo nas linotipos a necessidade era uma só: tomar a primeira do fim de semana!  E eu que me virasse para ter o jornal impresso e prontinho a tempo de embarcar nos ônibus da Transparaíba para o Sertão e a Capital.

    Dependíamos sempre do último ônibus da Real que vinha de João Pessoa – saia às sete e chegava às nove em Campina. Nele vinha o malote da sucursal, com as matérias da Assembleia e do Governo e as fotografias que religiosamente entravam na primeira página.

    E em uma dessas ingratas noites o ônibus chegou, mas o malote nele não veio. E aí, como fechar a edição?

    Vali-me do médico, que o caso era gravíssimo.

    Tejinho eu já castigara ao máximo, mandando ele INVENTAR notícia política, algo de fato não muito difícil nem ontem e nem hoje. E, tadinho do professor Tejo, nessa noite fumou a mais dois “cubanos” para cumprir a pauta.

    Mas, onde entra Dr. Virgilio nesse imbróglio, ele que sequer era jornalista?

    Salvou-me, sim; e ao jornal!

    Naquele tempo O Globo e o Jornal do Brasil chegavam a Campina no último ônibus da Progresso, final da tarde, vindos do Recife. E Dr. Virgílio era assinante das duas publicações.

    Eu sempre o via com pacotes de jornais debaixo do braço: Diário de Pernambuco e Jornal do Comércio, O Globo, Jornal do Brasil e, eventualmente, O Estado de São Paulo. Não deu outra: chamei Tejo no cantinho da redação e determinei: pegue os jornais de Dr. Virgilio e diga a ele que preciso cortar algumas notícias.

    “Amanhã o senhor lê tudo isso no Jornal da Paraíba”, avisei-lhe arrancando gargalhadas.

    Foi ele, o Dr. Virgilio Brasileiro, o “tesoura-press” daquela ingrata, inesquecível e difícil noite, salva enfim pelo seu gosto de ler os jornais das metrópoles. E finda a tarefa, fomos – eu, ele e Tejo – tomar um vinho com carne assada em Bodocongó na Churrascaria do Gaúcho, ao som de um maravilhoso acordeon dos pampas.

    Daí prá frente, ficamos irmãos; ou pai e filho, talvez.

    E dele recebi não somente afetos de amigo, mas generosidade paterna: meus dois primeiros filhos - Bruno e Camila - tiveram os seus habilidosos cuidados médicos. E com ele aprendi que antibiótico só se prescreve como derradeira opção.

    Dr. Virgilio era ele mesmo: um tiquinho de gente agigantado em humanismo e solidariedade; caridade e devoção; amor ao próximo mais que a si mesmo. Nosso último abraço, ano passado, aconteceu no lançamento do livro em que Eneida Agra homenageou nosso querido Robério Maracajá, no Ches Voux.

    Me aguarda, aí, amigo, chego em breve! 

  • ARROGÂNCIA DO PSB

    25/09/2017

    Após ser reconduzido - encontro realizado neste final de semana - para o cargo de comandante do PSB na Paraíba, o suplente de deputado federal Edvaldo Rosas revelou em entrevista seu desejo de firmar aliança com o PMDB de José Maranhão, com vistas às eleições de 2018.

    O fato demonstra evidente fragilidade dos socialistas – pelo menos no momento – de levar a cabo e com êxito o projeto “solo” da legenda, tendo como “cabeça de chapa” o técnico João Azevedo. Tentando “blefar” como jogador de poquer o presidente do PSB comunica – sem ser indagado – sobre o futuro do seu chefe, governador Ricardo Coutinho: Permanecerá no cargo, e disponibilizará para o PMDB a vice, e uma das vagas para o Senado, destacando o nome de Raimundo Lira.

    A sensibilidade de Edvaldo Rosas - quando o assunto é política – tem o mesmo trato e “delicadeza” de quem conserta relógio de pulso usando luvas de boxe. Desprezou completamente a atual vice Lígia Feliciano, que pode ser candidata à reeleição ou ao Senado.

    Ao enfatizar Lira como um grande nome do PMDB, Rosas subestimou o decano da legenda José Maranhão, que não esconde sua aversão à ousadia oportunista de Lira. Derrotou-o para presidir a CCJ do Senado, elegendo como seu sucessor Edison Lobão, e na tentativa (movimento ensaiado no início deste ano) de levar a legenda para o PSB, arregimentando algumas lideranças com o propósito de causar rebelião na sigla e arrebatarem-na do velho cacique, recebeu um duro recado de Maranhão: “ele não representa o partido, esteve distante por vinte anos”.

    Enquanto Rosas e outros interlocutores do PSB despidos de humildade superestimam a importância, prestígio e popularidade do governador Ricardo Coutinho, o PSDB - outrora grande rival do PMDB – reconhece legítima e pertinente a postulação do senador José Maranhão, mesmo tendo em seus quadros um pré-candidato.

    A habilidade do ex-deputado federal Rui Carneiro na condução do partido que preside (PSDB), colocando sua sigla como um pilar a mais na construção da chapa de oposição, tem sido lã entre vidros. O jantar comemorativo ao aniversário do senador José Maranhão foi prova inconteste de equilíbrio e maturidade dos “tucanos”. Para surpresa dos governistas, até o presente, os laços têm se estreitados de forma suave para que não se transformem em nós não desatáveis.
    O intrigante em todo este processo tem sido o silêncio do PP. Perfila-se no plano nacional com o PSDB, PMDB e PSD, mas na Paraíba tem se posicionado à margem dos eventos. Líder do Governo na Câmara, deputado federal Aguinaldo Ribeiro ainda não foi visto nos encontros dos grupos que se unem para escolher o candidato da oposição, muito menos nas hostes governistas dos “socialistas”. Sua intenção – prognostico que já fizemos – é disputar o Senado da República. Está no aguardo do cavalo. Se passar selado...

  • PODER PENITENCIÁRIO

    23/09/2017

    Em meio à guerra entre as facções criminosas que controlam o “cartão postal” do Brasil (Rio de Janeiro), na hora da ação inicia-se um “jogo de empurra” para saber quem se “voluntariara” para assumir o comando do combate ostensivo na missão de enfrentar, prender; desarmar e restaurar a ordem pública nas 1.232 comunidades divididas “tribalmente” em conflitos nas favelas cariocas.  Secretaria de Segurança do Estado, Força de Segurança Nacional; Forças Armadas há mais de 30 dias de prontidão, aquartelando 10.000 homens. Mas, na hora de iniciar o patrulhamento das ruas (presença mínima do Estado para intimidar a bandidagem) criam-se imbróglios burocráticos.

    O que existe de fato por trás de toda esta delonga?

    No último episódio, em plena luz do dia, traficantes com armas pesadas invadiram a Rocinha e num flagrante televisivo homens armados de fuzis passaram em frente a uma viatura da Polícia Militar, destemidamente. A naturalidade da cena nos faz crer que para a bandidagem aquilo era um poste, ou figura decorativa do ambiente. O sargento da viatura explicou depois que “na prática a coisa é diferente...”. Claro, uma reação e receberiam “chumbo” deixando mais famílias órfãs na Cidade Maravilhosa.

    Ato seguinte à invasão da Rocinha, em nome do PODER PENITENCIÁRIO o traficante NEM, que cumpre pena num presídio federal no Estado de Rondônia, enviou uma “embaixada” ao Governo do Estado e Secretário de Segurança, garantindo que voltando ao Complexo Penitenciário de Bangu reduziria drasticamente a criminalidade no Rio de Janeiro e asseguraria a paz entre as “comunidades” em guerra.

    De fato o único Poder que realmente se impõe no Brasil é o Penitenciário. Tem hierarquia, punições e pena máxima. Controla presídios, cadeias públicas; delegacias; ruas, bairros; com toque de recolher, que faz do trabalhador um condenado em regime de semiaberto: de casa para o trabalho. Controla ainda as rodovias – apesar de serem patrulhadas pela PF – e são por elas que se escoa a produção de drogas, contrabando; roubo de cargas; portos e aeroportos. Um recado de um líder do tráfico tem mais força que um mandato Judicial, sentença ou ordem de prisão. O GAECO foi criado quando assassinaram um promotor mineiro que investigava as ligações do tráfico com cartéis que controlavam preços dos combustíveis. Esperava-se que o crime organizado seria contido, controlado e extinto. Mas, temendo fortes represálias o MP recuou. E passou a perseguir outro tipo de “traficante”, aquele que usa um broche na lapela de seu paletós identificando-se como parlamentar. Tarefa facílima. Com apoio midiático ganha a notoriedade e heroísmo.

    Quando governou São Paulo (31.03.2006 a 01.01.2007) após renuncia de Geraldo Alckmin, Cláudio Lembo enfrentou uma onda de terror que paralisou a capital paulista por três dias. Mais de 10 agentes penitenciários assassinados, vans e 80 ônibus incendiados. A saída foi negociar com o traficante - Supremo Comandante do PCC – Bandido Maccola. No rastro do dinheiro roubado do Banco Central de Fortaleza (160 milhões de reais), as policias em conflito para pegarem os ladrões, e ficarem com boa parte da grana, sequestraram um filho de Maccola e o mantinham refém. A reação de Maccola fez seu filho aparecer e a paz em São Paulo aconteceu quando o deixaram sob vigilância e guarda da PF, no Uruguai.

    Mostrando a força do poder penitenciário, a cada eleição, os “chefes de boca” são promovidos a “cabos eleitorais”. A desgraça ainda é maior quando os votos comprados realmente aparecem.
    Eita Brasil!

  • EXCENTRICIDADES DO CONGRESSO

    21/09/2017

    Quando pensamos que já tínhamos visto tudo de pior da atual legislatura que compõe o Congresso Nacional – verdadeira cruzada contra interesses populares - eis que surge o “Fundão” – Financiamento com dinheiro público – para “bancar” campanhas eleitorais dos partidos e candidatos que concorrerão às eleições de 2018.

    Qual a diferença entre a “democracia” do momento e a vivida no período dos militares? Mudavam as “regras do jogo” a cada eleição, para continuarem governando. Geisel criou o senador biônico, para não ficar em minoria no Senado. Nas eleições de 1982, temendo perder também a maioria na Câmara dos Deputados e Governadores dos Estados, apareceu o “voto vinculado”, onde o eleitor era obrigado a votar de Vereador a Senador da República num único partido.

    O PDS (legenda dos militares) elegeu a maioria dos Governadores, Prefeitos; Deputados Estaduais; Federais e Senadores. Dinheiro? Teve em abundância, com o “Finsocial”, imposto eleitoreiro criado para abastecer os cofres dos municípios, atendendo a um programa de doação de material de construção as populações de baixa renda.

    Traindo a si e ao povão - sem o menor constrangimento – Deputados Federais e Senadores terminam por confessar aquilo que sempre esconderam da população: todos os seus votos foram comprados. Com doações das empresas, pessoas físicas; emendas de bancadas e individuais; empréstimos para pagar via mandato, ocasiões de votações polêmicas... Olhando sob este prisma, nossa democracia é totalmente corrompida. Requer mudanças urgentes, antes que sejamos atingidos por uma ruptura ou crise institucional, já preconizada através do “balão de ensaio” lançado pelo general Mourão, sem nenhuma reação restritiva da sociedade.

    A grandeza de uma Nação é construída por suas elites políticas. O que temos hoje no Congresso Nacional? Senadores que não foram votados (suplentes). Deputados Federais eleitos através de coligações esdrúxulas, onde se compuseram esquerdas radicais, centro e direita, com um único propósito: elegerem-se. O eleitor votou num candidato de direita e elegeu um de esquerda. Uma colcha de retalhos que tenta se “costurar” (sem êxito) nas duas Casas Legislativas, patrocinadora de um Poder deficitário em todos os aspectos. Criador de dificuldades e vendedor de facilidades. Nenhuma lei “justiceira” como Imposto sobre as grandes fortunas, limite de remessa de lucros das multinacionais; Maiores alíquotas sobre atividades lucrativas (Bancos), nenhuma destas leis foram votadas, desde a redemocratização do país (1985).

    A Presidência da República reclama da impossibilidade de governar com um Congresso que abriga mais de 36 partidos políticos. O discurso é absorvido pelo STF e pelos próprios dirigentes das mesas diretoras do Senado e da Câmara dos Deputados. Mas, será que estão sendo sinceros? Óbvio que não. As grandes legendas como PMDB, PSDB; PT; PP; PR; PSB; PDT: PTB... não têm comando sobre seus Deputados e Senadores. Cada parlamentar representa o “eu” como partido. A legenda apenas o abriga. Na hora que fecham questão em bloco sobre qualquer tema de interesse do Poder Executivo, a maioria se debanda e perfila-se ao lado “centrão”. Excrescência aglutinadora de picaretas e vigaristas para cobrarem os olhos da cara por um voto registrado no painel eletrônico das duas Casas. Por que os partidos não os expulsa, vai à Justiça e arranca seus mandatos? Trocamos as “almanjarras”, mas as “bestas” são as mesmas. Nada mudou desde 1978.  Tudo como d”antes, no quartel do Abrantes. 

  • SINAIS DO AMAZONAS

    15/09/2017

    Na maioria dos estados brasileiros - especialmente na região Nordeste - as eleições para o Governo do Estado (2018) estão se aproximando do micro período, que compreende Janeiro/Outubro. Nos bastidores partidários as pré-candidaturas buscam suas viabilizações, ensaiando coligações e buscando apoios das lideranças, eleitas em 2014, numa conjuntura absolutamente inversa a dos dias atuais.

    O que nos causa estranheza é o modo abstrato como a classe política está enxergando o calendário eleitoral, levando em consideração o desgaste da representatividade (Parlamento) e do Poder Executivo, esmagados por denúncias, prisões e cassações de mandatos sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro; formação de quadrilha... Sequer se sabe ainda como serão as regras estabelecidas através de nova legislação, que tem apenas vinte e um dias para ser aprovada em votação de dois turnos na Câmara dos Deputados e Senado da República. Sanção presidencial e publicação no Diário Oficial da União. Haja improviso...

    O prudente seria observar “os sinais” do eleitorado do Amazonas, nas eleições suplementares para o Governo do Estado realizadas em agosto último (2018). Com um eleitorado de 2.337.294 votos, dos quais 60% se concentram na capital Manaus e região metropolitana, no primeiro turno (06.08.2018) foram votados oito candidatos. Abstenção de 567.909 eleitores, 3,44% brancos e 12.33% nulos. Votos válidos – incluindo nulos e brancos – 1.769.385. Amazonino Mendes (PDT) 38.77%; Eduardo Braga (PMDB) 25.36%; José Ricardo Wendling (PT) 12.17%; Jardel (PPL) 0,23%; Luis Castro (Rede) 2,63%; Marcelo Serafim (PSB) 1,27%; Rebeca Garcia (PP) 18,06%; Barreto (PHS) 1,52%. Desembarcaram no segundo turno Amazonino Mendes e Eduardo Braga. O “criador” e a “criatura”. Os partidos de esquerdas incluindo o PT empataram com terceiro lugar do PP, Rebeca Garcia.

    Trágico foi o segundo turno, realizado no dia 28/08/2018 - clímax da crise debatida no Congresso - sobre a continuidade ou não do Presidente Temer. Abstenção (deixaram de ir às urnas) 1.015.043. Votos válidos 1.322.043. Brancos 4,06 e nulos 19.73. Se deduzirmos os percentuais de nulos e brancos que totalizam 23.79% do número de votantes 1.322.251, alcançaremos apenas 1.007.690 eleitores que optaram entre Amazonino Mendes e Eduardo Braga. Amazonino Mendes venceu com 59.21% dos votos válidos, Eduardo Braga ficou com 40.79%. Apenas 594.278 sufrágios consagraram a vitória de Amazonino Mendes, números que correspondem a 25,4% do eleitorado amazonense.

    Este fenômeno pode se repetir ano vindouro em todo o País, atingindo com mais contundência candidatos a deputado estadual e federal, cuja abstenção foi sempre maior que para o Poder Executivo. Se prevalecer o fim das coligações e for emplacado o novo modelo (Distritão), onde se elegerão os mais votados, a renovação no Congresso e Assembleias Legislativas pode alcançar 80%. Artistas de todas as áreas e profissionais liberais de destaque na sociedade representarão a “surpresa” do novo Parlamento Brasileiro.

  • COELHO DE MARATONA (*)

    13/09/2017

    Em entrevista radiofônica no último final de semana o deputado federal Rômulo Gouveia “rachou” o PSDB ao afirmar enfaticamente que não existem espaços para dois membros de uma mesma família na chapa majoritária. Referiu-se ao Senador Cássio Cunha Lima e ao Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues.

    O ex-gordinho, que antes da bariátrica já enxergava o umbigo, agora não tira o olho dele. Trabalhou em duas frentes, usando o prestígio do ministro Gilberto Kassab, abastecendo os cofres da PMCG e PMJP com recursos de emendas orçamentárias e extra orçamentos.

    O PSD foi o partido que mais se aproveitou do momento “oportuno” surgido na crise provocada pelo impeachment. “Faturou” dos dois lados, em dois momentos, e manteve-se no Governo. Cada votação polêmica, cobra pedágio. Deputado federal Rômulo Gouveia tornou-se “Eminência Parda” da PMCG e PMJP. É quem manda de fato nas principais secretarias, dotadas de maior orçamento.

    Eleições municipais de 2012, Kassab a pedido de Rômulo destinou um milhão de reais para que Romero pusesse sua campanha nas ruas. No segundo turno, outra remessa do mesmo montante. Após ser empossado, o tucano frequentava Brasília às escondidas de seu primo Cássio. E, ciceroneado pelo ex-gordinho – em nome de Kassab - arrancaram dezenas de convênios do governo petista, que vivia um “cabo de guerra” com o PSDB.

    Habilidade ou esperteza? Não importa. Quem ganhou foi Campina Grande. E quem “capitalizou-se” politicamente foi Romero Rodrigues. Alguém enganou Dilma e Kassab, na falsa promessa do prefeito tucano migrar para o PSB.

    Numa ação mais ousada, Rômulo “prendeu” Luciano Cartaxo no PSD, ficando sobre seu comando os dois maiores colégios eleitorais da Paraíba. Agora, chegou o momento de decidir quem apoiará para o Governo do Estado. Luciano é do seu partido (PSD). Romero, pré-candidato ao Governo do Estado, foi quem mais se mobilizou, estimulado por Rômulo, e agora corre o risco de ser o “coelho da maratona”.

    Tudo que o ex-gordinho deseja é o ingresso de Romero no PSD. Mas, apesar das lamurias, queixas e reclamações, o comandante de sua legenda, senador Cássio Cunha Lima, não lhes tem dado a chance de deixar a sigla como “vítima”. Se sair é como “traidor”.

    As relações entre o senador Cássio Cunha Lima e o presidente do PSD Rômulo Gouveia vem “azedando” desde 2006, quando o “ex-gordinho” elegeu-se deputado federal mais votado em Campina Grande, suplantando o poeta Ronaldo Cunha Lima e o irmão do então prefeito Veneziano Vital do Rego. Era despedida da vida pública do poeta. A homenagem era torná-lo campeão dos votos em Campina Grande e no Estado.

    O Clã começou a desconfiar que a “criatura” estava se voltando contra o seu “criador” com a nítida intenção de liderar um bloco, sem mais a “tutela” Cunha Lima.

    Rômulo Gouveia se tornou forte ao longo dos últimos oito anos, tem se tornado o maior algoz (disfarçado) do senador Cássio Cunha Lima. Ainda transita no meio “tucano” porque não foi merecedor da confiança do governador Ricardo Coutinho, quando esteve como seu vice e deixou o PSDB. Lançou-se candidato ao Senado, apoiado pelo socialista, mas foi abandonado no altar na hora do casamento.

    (*) Coelho de Maratona – atleta que inicia a maratona num ritmo alucinante, e se distancia de todos. Porém, abandona a corrida na metade da prova. A velocidade inicial esgota suas energias, e lhes falta fôlego ou resistência, para ir até o final.

  • AS MÃOS DE CATÃO

    11/09/2017

    O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba tem acelerado sua tolerância, com vistas à prestação de contas do Governo do Estado relativa ao exercício de 2015. Por quê? Estamos no final de 2017! Onde está a competência dos técnicos e auditores que ainda não acertaram a conciliação de gastos e despesas, com notas apresentadas?

    Infelizmente o “buraco” é mais embaixo. Em 2015, o governador Ricardo Coutinho acuou o TCE na hora de julgarem suas contas, alegando suspeição do conselheiro Fernando Catão (por ser tio de Cássio Cunha Lima) e de Nominando Diniz (?) na época relator. Criou uma “cortina de fumaça”, via Assembleia Legislativa, encaminhando um projeto para criação do TCM - Tribunal de Contas dos Municípios, tema de um artigo onde mostramos a inconstitucionalidade do ato – inspirado no TCM do Ceará, extinto por Decreto do Governo do Estado no final de 2016.

    Publicamos outro artigo, final de 2015, no site brasiliense www.justiicaemfoco.com.br  intitulado PRESTIDIGITAÇÃO. O conteúdo mostrava o processo TC nº 04246/2015 que recebeu o parecer Ministerial 02237/2015, assinado pela Procuradora Geral do Ministério Público de Contas da Paraíba, Dra. Sheyla Barreto Braga de Queiroz, recomendando ao pleno do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba a desaprovação das contas do Governo do Estado referentes ao exercício do ano de 2014.

    Inúmeros crimes administrativos foram – segundo a procuradora – cometidos não só em 2014. Mas, ao longo de toda a primeira gestão do “socialista”, como por exemplo o não repasse de 5,34 bilhões de reais a PBPREV.

    Dano irreparável. Basta lembrar que a ex-prefeita de Campina Grande, Cozete Barbosa, sacou do IPSEM a título de empréstimo - apenas por dez dias - valores para pagar a folha dos servidores, e mesmo com a devolução feita no prazo ela foi condenada por improbidade administrativa e responde ação penal pelo ato.

    O governador Ricardo Coutinho fez pior: descontou durante cinco anos contribuição dos servidores e não recolheu à PBPREV. Como se não bastasse, descumpriu a Constituição, não realizando as transferências obrigatórias de 12% das receitas liquidas para o Fundo Estadual da Saúde e de 25% para educação. Deixou “restos a pagar” do exercício 2014, final de seu primeiro mandato, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Praticou “crime eleitoreiro” incrementando em 87,21% a mais que no ano anterior, no programa EMPREENDER.

    Na “República da Paraíba” a promiscuidade entre os Poderes Constituídos é patente. Por que até hoje a Assembleia Legislativa da Paraíba não convidou a procuradora Sheyla Barreto Braga para expor seu parecer? E a oposição da Casa Epitácio Pessoa, que sabia e sabe de toda esta “tramoia”, não se manifestou? A mídia da Capital (palaciana), pautada pelos interesses dos proprietários dos veículos de comunicação, nunca noticiou o fato, nem entrevistou a procuradora. MPE, MPF e TRE sequer apreciaram o parecer da Dra. Sheyla.

    O destino de Ricardo Coutinho está nas mãos do conselheiro Fernando Catão e será decidido em outubro vindouro (2017). Se não as lavar, como Pilatos, seu relatório recomendará a reprovação das contas, com base nas denúncias da Dra. Sheyla. O “socialista” ficará inelegível por crime de improbidade administrativa. Permanecerá na “cadeira” até o último dia de sua gestão, tentando “enxugar” a máquina, cortar investimentos para cobrir o “rombo” da PBPREV, processo onde se habilitarão MPE, MPF e talvez o GAECO-PB. Tratar-se-á de uma ação penal. Aí, o bicho pega.

  • AFOITOS DE RICARDO COUTINHO

    05/09/2017

    Governador Ricardo Coutinho ainda não compreendeu que em 2018 não é candidato à reeleição. Por mais bem avaliada que esteja suja gestão no momento – semelhante à de José Maranhão em 2002 – a tarefa de transferir votos é árdua, um desafio de resultados imprevisíveis e êxito completamente duvidoso. Observem-se suas duas tentativas frustradas, mesmo estando no comando dos destinos da Paraíba, o “socialista” não conseguiu eleger o prefeito da Capital do Estado em 2012 e 2016.

    No momento tem três candidatos ao Governo buscando viabilizarem suas postulações. O prefeito de Campina Grande (Romero Rodrigues), o de João Pessoa (Luciano Cartaxo) e o “balão de ensaio” - projeto “solo” - do governador, que enxerga 2018 no retrovisor de 2008, quando se reelegeu com uma chapa “puro sangue” (PSB).

    O intrigante na política é sua dinâmica, parturiente do inesperado. A disposição do senador José Maranhão em voltar a governar a Paraíba jamais foi fato considerado por nenhum dos atuais pré-candidatos. Todos os demais projetos têm riscos de perdas e cisões, permeados por supostas “traições”.

    Romero, Luciano e Ricardo Coutinho terão que abdicar do poder e apostar na confiança de quem os substituirá. Ricardo Coutinho além da renúncia corre o risco de ser abandonado – sem mandado e como candidato a senador – pelos atuais líderes partidários que compõe sua base aliada. Esta gente buscará nas vésperas das convenções espaços nas composições das legendas que lhes garantam retornos ao Parlamento. Gratidão tem origem no cristianismo, ato literalmente desprezado pelo mundo político.

    Senador José Maranhão passa a ser cortejado pelo PSD, PSDB e PSB. Os ventos começam a soprar em seu favor, até na conjuntura nacional, após o recuo do Procurador Rodrigo Janot e o elogio a ele, dirigido pelo Presidente Michel Temer. Neste aspecto, longe do fantasma da PGR, o Governo recuperar-se-á e irá prestigiar as candidaturas mais próximas do Palácio do Planalto. José Maranhão não tem mais o que fazer em Brasília. Na Paraíba está sua esposa, seus liderados e sua base política, que indiscutivelmente o apoiará numa aventura em 2018.

    Por outro lado, com a responsabilidade de salvar o PP, o líder do governo Aguinaldo Ribeiro só enxerga um caminho para levar a cabo esta missão: Senado da República. Não importa com quem, ou em qual palanque. Mas, a denúncia da PGR contra o PP, ora sendo investigada, necessita de uma ação política contundente. Fiel escudeiro do Governo do PMDB, Aguinaldo Ribeiro não titubeará em optar por uma composição com José Maranhão e os Regos, junção que seria do mais inteiro “agrado” do Presidente Michel Temer.

    Quatro candidaturas inviabiliza uma vitória dos socialistas. No segundo turno - se for alcançado pelo candidato do governador - serão dois oponentes derrotados, que se juntarão com o candidato da oposição. A esta altura, deputados e senadores já eleitos estarão na mira do Governo Federal, “filme” já visto em duas ocasiões e neste mesmo período. Em 2010, foi o saudoso Eduardo Campos. Em 2014, a Presidente Dilma Rousseff, que consagraram as vitórias do governador Ricardo Coutinho.

  • RECORDANDO (II)

    30/08/2017

    Bola fora! (14.08.14)

    A paparicagem oficial ao atacante Hulk, nesse seu retorno a Campina Grande após a vergonhosa campanha do selecionado pátrio de futebol durante os jogos da Copa do Mundo, é de uma insensatez primária - e igualmente vergonhosa.

    Hulk, convenhamos, é um cidadão de boa índole, um cara humilde que até joga um bolão. E tem correspondido, fora de campo, ao carinho que os conterrâneos devotam-lhe pelo que faz nas quatro linhas.

    Ele sempre exaltou a terra-mãe quando lhe deram a amarelinha da seleção e com ela fez boas atuações. Assim foi em alguns dos amistosos da canarinha e assim foi na Copa das Confederações. Mas, nesta Copa do Mundo que a Alemanha, com toda honra e toda garra, levou para si, deixou muito a desejar. Até um pênalti contra o Chile perdeu, frustrando toda a galera paraibana que roia as unhas em frente às TVs.

    Não vimos Hulk mostrar seus valores desta vez. Aliás, nem ele e nem os seus companheiros. Por isso, do vexame das duas goleadas não pode se excluir, como tem feito questão de fazer nessa volta às férias na Rainha da Borborema.
    Tem faltado ao atacante a mesma assessoria boa que falta ao prefeito Romero Rodrigues e ao reitor da Universidade Estadual da Paraíba, Rangel Júnior, que juntos protagonizaram uma cena deprimente em espaço do belo marco arquitetônico que Niemayer projetou às margens do Açude Velho e a quem essa oficialidade vesga denominou de Museu dos Três Pandeiros.

    Primeiro, porque perder - essas autoridades - toda uma tarde de trabalho para louvar um derrotado, já é de uma gravidade inominável. Depois, porque a perda de todo esse tempo se deu para receber uma camisa que shopping’s e camelôs já botaram em queima de estoque a preço de banana podre. E, por último, porque à cara dos três - Hulk, Romero e Rangel - acabou se amoldando a máscara do Pateta, aquele personagem atabalhoado de Walt Disney.
    Ora, a camisa Sete com carimbo de Hulk já não é orgulho para ninguém.

    Sequer para nós, paraibanos seus irmãos. Ou esses nossos “Três Patetas” estão esquecidos que fomos humilhados pelos sucessores de Hitler com sete bolas no nosso gol?

    Eu, pelo menos, estou fora desse lance. Não me sinto homenageando Hulk e nem homenageado por Hulk. Cá prá nós, empurrei no fundo da mala a camisa sete que comprei para torcer pelo cara e espero não vê-la mais pelos próximos quatro anos.

    Só lamento que meu prefeito e meu reitor tenham pago tão dilacerante mico, posando com o SETE de nosso derrotado gajo do traseiro monumental numa hora tão inconsequente como esta da derrota humilhante que Hulk e seu abestalhado bando nos proporcionaram.

    No caso específico do prefeito e/ou prefeitura, realcemos o bom senso da Secretaria de Esportes - onde parece haver cabeça boa e pensante -, que se eximiu da festa ou, pelo menos o seu titular Gustavo Ribeiro, de aparecer nessas fotos que deslustram a história.

    Sem trocadilho com o Maior São João do Mundo, é forçoso registrar que desta vez Romero e Rangel - em tabela desafinada com Hulk - deram a maior bola fora do mundo.

  • ROLO COMPRESSOR

    29/08/2017

    Aceno do senador José Maranhão (direcionando recado) numa entrevista radiofônica, sobre sua intenção de construir uma “agenda” com o governador Ricardo Coutinho, sinaliza claramente que aumentam de modo considerável as dificuldades do pré-candidato tucano Romero Rodrigues em levar a cabo e com êxito seu projeto de chegar ao Palácio da Redenção.

    Indiscutivelmente Ricardo Coutinho continua crescendo em popularidade e aprovação do seu governo. Enfrentando – como todos os demais Estados da Federação – uma das maiores crises econômicas da história do país, o “socialista” dá sequência a inauguração de obras importantes, nas áreas de influência de Romero Rodrigues. Adutoras na circunvizinhança de Campina Grande. Acrescendo ainda o momento desfavorável que ora vive o tucano, pesquisa realizada na cidade de Patos-Pb apontou 80% de aprovação da gestão de Ricardo Coutinho. Dados divulgados no mesmo dia em que a Câmara Municipal da Capital do Sol – cidade governada por um aliado do prefeito de Campina Grande - rejeitou propositura de aprovação de um título de cidadania a Romero Rodrigues.

    A união PMDB/PSB/PR/PDT/DEM forma um “rolo compressor” capaz de esmagar o PSDB e PSD que demonstram unidos, porém nos bastidores continuam separados, em função da “cabeça de chapa”. Luciano Cartaxo tem o mesmo sonho e desejo de Romero Rodrigues.

    De qualquer sorte, os “socialistas” não devem comemorar o “aceno” do senador José Maranhão como uma adesão. Observe-se que na mesma ocasião em que admitiu conversar com Ricardo Coutinho - descartando Luciano Cartaxo - enfatizou mais uma vez que seu nome está à disposição para o Governo do Estado no pleito de 2018. A lógica indica que para o senador José Maranhão, o nome de João Azevedo ainda é um “balão de ensaio” do PSB.

    Governador Ricardo Coutinho - caso decida ser candidato ao Senado Federal – ficará sob a “guarda” de José Maranhão e seu indiscutível prestígio que desfruta junto ao TJ-PB e TRE-PB, fato comprovado ao longo do tempo. Como nem tudo é um mar de rosas, Ricardo Coutinho atravessará um período crítico, no qual ficará sem mandato e foro privilegiado a partir de 03.04.2018. Exposto por inúmeras ações na Justiça - ambiente que não desfruta muita simpatia - deve temer se tornar “presa” fácil e atacada pelos predadores da Primeira Instância. Esta talvez seja a única razão que leve o “socialista” a desistir do projeto João Azevedo.

    Senador Raimundo Lira já admite ser o suplente de Ricardo Coutinho, e a vice poderia ficar com o DEM (Efraim Morais).

    Veneziano Vital do Rego brigaria ao lado de Gervásio Filho e Wilson Santiago pela segunda opção para o Senado ao lado de Ricardo Coutinho.

    A grande vencedora seria D. Nilda Gondim que se tornaria Senadora da República por quatro anos.

  • RECORDANDO (I)

    28/08/2017

    Com o criminoso ataque de hackers ao portal perdi mais de 30 mil fotos e todos os textos nele publicados, aí incluídas as minhas colunas. Mas, parte delas postei também no Facebook e, a partir de hoje, estarei republicando alguns dos artigos - os sobreviventes -, até mesmo como forma de CONSOLO.

    QUANTIDADE x QUALIDADE (28.07.14)

    Os palanques nunca se desarmam em Campina Grande. Por isso, nas últimas décadas todas as eleições estaduais se decidem por aqui. As brigas no sertão, os qüiproquós no cariri, as pendengas litorâneas, os rame-rames no agreste ou os bate-bocas no brejo representam tão somente a parte miúda do imbróglio eleitoral.

    Campina respira política cada minuto do dia e não forró, como algum apressado ouse acreditar. Daí a razão da parte graúda nesse processo residir na serra, ao embalo das brisas que nela se encontram vindas da ponta e do fim – o mar e o tórrido chão da caatinga interiorana.

    Não é por simples coincidência que a Rainha da Borborema dispõe hoje de dois dos três assentos reservados à Paraíba no Senado e elegeu cinco dos 12 nomes de paraibanos na Câmara Federal, o que importa em praticamente a metade de toda a representação congressual do Estado na capital da República.

    Na Assembleia Legislativa a força campinense também nunca foi desprezível, estando atualmente representada por um quinto das 36 cadeiras, algo de fato extraordinário quando se verifica que a Capital, com o dobro da população, tem número mixoxo de deputados.

    Isso tudo não deixa de ser maravilhoso, embora nesse caso a história (ou a vitória) de Pirro venha ser convocada a dar-se como exemplo. E por isso mesmo: em quantidade, nada Campina tem a reclamar; Já em qualidade, aí o cancão pia...

    Porque, raríssima é a exceção, os parlamentares de hoje envergonham! Se apresentam anos-luz de distância daqueles de ontem e o que salva - e estamos falando sobre os eleitos por Campina - é a ainda maior desqualificação do restante das bancadas, gerando uma nivelação para baixo que permite ao menos observador dos cidadãos não distinguir o melhor do pior, e vice-versa.

    Essa reflexão é oportunissima agora, quando o povo será obrigado a escolher novas representações.

    Um incauto analista logo se apressaria em situar que o nível de politização do povo campinense é o melhor possível. Afinal, filhos seus há décadas dominam quantitativamente os Parlamentos e muitos desses hoje ainda estão, por conta das suas eleições, colocados nos melhores postos de trabalho da máquina pública estadual, o que não deixa de ser verdade.

    Ocorre que a buliçosa Capital do Trabalho, como um dia lhe batizou Raymundo Asfóra, quer muito mais.

    Qualidade e sobriedade, por exemplo! Que tivesse somente dois ou três nomes no Congresso. Mas que esses se dessem à cópia de um Vital do Rego (o pai), um Aluizio Campos, um Argemiro de Figueiredo...

    Que se espelhassem, os da Casa de Epitácio Pessoa, pelo menos em um Orlando Almeida, cujo grito de amor por Campina ainda ecoa por corredores e gabinetes.

    Vai ver que um dia, lá na frente, o campinense feche o cenho e entenda que o voto tem a grandeza de um valor e nunca o valor de uma face. E em não mais vindo a se vender por quaisquer dois tostões acabe adquirindo para a amada e esfuziante terra a melhor das mercadorias, cujo preço não estará em nenhuma prateleira: DIGNIDADE, em respeito ao mandato popular.

  • ESPAÇOS

    31/07/2017

     Obstinado, prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues tem acelerado o ritmo de sua campanha como pré-candidato ao Governo do Estado, esquecendo que a modalidade da disputa é estilo “maratona”, e não cem metros rasos. No seu encalço, Luciano Cartaxo, governador Ricardo Coutinho com um provável candidato (pessoal), o PMDB de José Maranhão, e talvez um elemento surpresa (outsider) que poderá surgir ano vindouro, fruto das futuras etapas da Lava-jato, que sempre leva um quinhão da classe política nas delações dos implicados quando presos após investigações.

    Causa surpresa - até estranheza - para aqueles que conheceram os primeiros passos da vida pública do prefeito Romero, mudança brusca e repentina em sua disciplina hierárquica no grupo que o projetou, clã Cunha Lima. Tem enfrentado o senador Cássio e trombado com o presidente de seu partido, ex-deputado federal Rui Carneiro, que apenas luta por “espaços” na chapa da legenda que preside, haja vistas a absoluta falta de redutos que lhe assegure seu retorno a Câmara dos Deputados.

    Matérias postadas nos portais de notícias trazem declarações do senador Cássio Cunha Lima admitindo até uma provável desistência de retornar ao Senado Federal, em respeito à viabilização da postulação de Romero Rodrigues. O fato revela que o senador tucano não está mais “puxando” o grupo, está sendo “empurrado” pelo mesmo, sobre pena de ser atropelado, pisoteado ou simplesmente deixado para trás. Lamentável... Que falta está fazendo o poeta.

    Na mesa do jantar dos Cunha Lima alguém tem que assumir a “cabaceira”, e botar ordem na refeição. Tem pouco pão e todos gritam. Porém, ninguém tem razão. Como celebrar alianças com demais legendas se é inegociável a vaga de Governador (Romero), Senador (Cássio); Deputado Federal (Pedro); Deputados Estaduais (Tovar, Bruno, Arthur Filho). Adicionem-se os “agregados” Rômulo Gouveia, Manoel Ludgério, provavelmente um retorno de Eva Gouveia a ALPB. Quem dará sustentação a todo este projeto será o PP, através do vice-prefeito Enivaldo Ribeiro, que lutará pela recondução do deputado federal Aguinaldo Ribeiro - Líder do Governo Federal na Câmara dos Deputados - e sua irmã Daniela Ribeiro (deputada dstadual).

    Concorrentes de Romero Rodrigues tem uma família bem menor. Senador José Maranhão, dois sobrinhos - um deputado federal e uma deputada estadual. Luciano Cartaxo, provavelmente só seu irmão Lucélio. Ricardo Coutinho só ele mesmo, e sempre foi assim, está no seu segundo mandato de governador e ainda não conseguiu eleger um único deputado federal de sua predileção.

    Como ensina o adágio popular, “em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”, os atuais deputados federais e estaduais que lutarão para se reeleger, buscarão se abrigar numa chapa que lhes assegurem mais chances. Se a reforma eleitoral extinguir as coligações proporcionais, em janeiro poderemos ter um quadro absolutamente distinto deste que se desenha no momento.

  • FADIGA

    05/08/2017

     A Câmara dos Deputados atestou mais uma vez na extenuante sessão do dia 02.08.2017 existência de um fosso profundo que hoje separa perigosamente o Parlamento Brasileiro de sua população. Por mais de doze horas emissoras de televisão transmitiram ao vivo a votação que acataria, ou não, denuncia do Procurador Geral da República contra o Presidente Michel Temer, acusado de corrupção passiva, segundo delação premiada (sortuda e suspeita) do réu confesso e impune (ladrão) Joesley Batista.

    Desta vez, o povo - aqueles que ainda acreditavam na lucidez cívica dos políticos – se mostrou cansado e iluso. Não foram mais às ruas. Ninguém quis invadir o Congresso. Nas rodovias federais, só meia dúzia de militantes do MST. Em São Paulo, Sindicatos e suas Centrais não conseguiram mobilizar mil pessoas na avenida Paulista.

    Este episódio deveria ser seriamente interpretado – pelos poucos cidadãos que ainda têm bom senso e compõem a classe política - como a mais completa descredibilidade dos Poderes Legislativo, Executivo, resvalando para o Judiciário. Ministério Público Federal? Ficou de “calças curtas”, comprovando a existência de denuncismos aleatórios (mostrar serviço) feitos com o propósito bastardo de justificarem seus altos salários e mordomias – ora exigindo 16% de aumento, tendo recebido 17% ano passado - num país onde dezenas de milhões de trabalhadores percebem salário mínimo, ano vindouro reajustado em apenas 6,47%.

    Para o Presidente Michel Temer, profundo conhecedor da Câmara dos Deputados, tudo não passou de mais uma chantagem oportunista, praticada por um Parlamento eivado em vícios contumazes e recorrentes, cujo preço teria que ser pago sob pena dele ser “apeado” do poder de forma desmoralizante, e rotulado como corrupto. Centenas de milhões de reais foram gastos com deputados – governistas e oposicionistas - através da liberação das famigeradas “emendas parlamentares”.

    A repercussão foi pífia. Não houve “buzinaço” nem “panelaço” quando o Presidente da República usou oficialmente a televisão, após o resultado da votação. Mesmo com a cobertura “aloprada” da Rede Globo, através de seus canais aberto e fechado, ficou patente aquilo que as pesquisas revelam: 93% da população rejeitam o governo Temer. Todavia, 94% não acreditam no Congresso Nacional e 97% desprezam os partidos políticos. Neste caso, o espetáculo foi bom para quem? Ruim mesmo tem sido para a Rede Globo, que perde a cada dia mais audiência, insistindo com temas desprezados pelos telespectadores. Pior ainda para a OAB, por se imiscuir em “politicagem”, comprometendo sua imagem, tomando partido num jogo de cartas marcadas. Se a oposição quisesse mesmo obstruir o processo e acuar o Presidente, não teria ido conferir 227 votos contra, e duas abstenções. Acompanhariam os 20 ausentes. O quorum recomendado pelo STF (342) teria impedido realização da sessão. Mas, a encenação estava combinada... Por outro lado, se os Deputados Federais são legítimos representantes do povo - eleitos pela população - Presidente Michel Temer ao obter 263 votos dos 492 presentes, alcançou aprovação de 53,4% do eleitorado brasileiro. Execrou comportamento glamouroso e “ciclotímico” do Ministério Público Federal.


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