Colunista Marcos Marinho

  • RECORDANDO (II)

    30/08/2017

    Bola fora! (14.08.14)

    A paparicagem oficial ao atacante Hulk, nesse seu retorno a Campina Grande após a vergonhosa campanha do selecionado pátrio de futebol durante os jogos da Copa do Mundo, é de uma insensatez primária - e igualmente vergonhosa.

    Hulk, convenhamos, é um cidadão de boa índole, um cara humilde que até joga um bolão. E tem correspondido, fora de campo, ao carinho que os conterrâneos devotam-lhe pelo que faz nas quatro linhas.

    Ele sempre exaltou a terra-mãe quando lhe deram a amarelinha da seleção e com ela fez boas atuações. Assim foi em alguns dos amistosos da canarinha e assim foi na Copa das Confederações. Mas, nesta Copa do Mundo que a Alemanha, com toda honra e toda garra, levou para si, deixou muito a desejar. Até um pênalti contra o Chile perdeu, frustrando toda a galera paraibana que roia as unhas em frente às TVs.

    Não vimos Hulk mostrar seus valores desta vez. Aliás, nem ele e nem os seus companheiros. Por isso, do vexame das duas goleadas não pode se excluir, como tem feito questão de fazer nessa volta às férias na Rainha da Borborema.
    Tem faltado ao atacante a mesma assessoria boa que falta ao prefeito Romero Rodrigues e ao reitor da Universidade Estadual da Paraíba, Rangel Júnior, que juntos protagonizaram uma cena deprimente em espaço do belo marco arquitetônico que Niemayer projetou às margens do Açude Velho e a quem essa oficialidade vesga denominou de Museu dos Três Pandeiros.

    Primeiro, porque perder - essas autoridades - toda uma tarde de trabalho para louvar um derrotado, já é de uma gravidade inominável. Depois, porque a perda de todo esse tempo se deu para receber uma camisa que shopping’s e camelôs já botaram em queima de estoque a preço de banana podre. E, por último, porque à cara dos três - Hulk, Romero e Rangel - acabou se amoldando a máscara do Pateta, aquele personagem atabalhoado de Walt Disney.
    Ora, a camisa Sete com carimbo de Hulk já não é orgulho para ninguém.

    Sequer para nós, paraibanos seus irmãos. Ou esses nossos “Três Patetas” estão esquecidos que fomos humilhados pelos sucessores de Hitler com sete bolas no nosso gol?

    Eu, pelo menos, estou fora desse lance. Não me sinto homenageando Hulk e nem homenageado por Hulk. Cá prá nós, empurrei no fundo da mala a camisa sete que comprei para torcer pelo cara e espero não vê-la mais pelos próximos quatro anos.

    Só lamento que meu prefeito e meu reitor tenham pago tão dilacerante mico, posando com o SETE de nosso derrotado gajo do traseiro monumental numa hora tão inconsequente como esta da derrota humilhante que Hulk e seu abestalhado bando nos proporcionaram.

    No caso específico do prefeito e/ou prefeitura, realcemos o bom senso da Secretaria de Esportes - onde parece haver cabeça boa e pensante -, que se eximiu da festa ou, pelo menos o seu titular Gustavo Ribeiro, de aparecer nessas fotos que deslustram a história.

    Sem trocadilho com o Maior São João do Mundo, é forçoso registrar que desta vez Romero e Rangel - em tabela desafinada com Hulk - deram a maior bola fora do mundo.

  • ROLO COMPRESSOR

    29/08/2017

    Aceno do senador José Maranhão (direcionando recado) numa entrevista radiofônica, sobre sua intenção de construir uma “agenda” com o governador Ricardo Coutinho, sinaliza claramente que aumentam de modo considerável as dificuldades do pré-candidato tucano Romero Rodrigues em levar a cabo e com êxito seu projeto de chegar ao Palácio da Redenção.

    Indiscutivelmente Ricardo Coutinho continua crescendo em popularidade e aprovação do seu governo. Enfrentando – como todos os demais Estados da Federação – uma das maiores crises econômicas da história do país, o “socialista” dá sequência a inauguração de obras importantes, nas áreas de influência de Romero Rodrigues. Adutoras na circunvizinhança de Campina Grande. Acrescendo ainda o momento desfavorável que ora vive o tucano, pesquisa realizada na cidade de Patos-Pb apontou 80% de aprovação da gestão de Ricardo Coutinho. Dados divulgados no mesmo dia em que a Câmara Municipal da Capital do Sol – cidade governada por um aliado do prefeito de Campina Grande - rejeitou propositura de aprovação de um título de cidadania a Romero Rodrigues.

    A união PMDB/PSB/PR/PDT/DEM forma um “rolo compressor” capaz de esmagar o PSDB e PSD que demonstram unidos, porém nos bastidores continuam separados, em função da “cabeça de chapa”. Luciano Cartaxo tem o mesmo sonho e desejo de Romero Rodrigues.

    De qualquer sorte, os “socialistas” não devem comemorar o “aceno” do senador José Maranhão como uma adesão. Observe-se que na mesma ocasião em que admitiu conversar com Ricardo Coutinho - descartando Luciano Cartaxo - enfatizou mais uma vez que seu nome está à disposição para o Governo do Estado no pleito de 2018. A lógica indica que para o senador José Maranhão, o nome de João Azevedo ainda é um “balão de ensaio” do PSB.

    Governador Ricardo Coutinho - caso decida ser candidato ao Senado Federal – ficará sob a “guarda” de José Maranhão e seu indiscutível prestígio que desfruta junto ao TJ-PB e TRE-PB, fato comprovado ao longo do tempo. Como nem tudo é um mar de rosas, Ricardo Coutinho atravessará um período crítico, no qual ficará sem mandato e foro privilegiado a partir de 03.04.2018. Exposto por inúmeras ações na Justiça - ambiente que não desfruta muita simpatia - deve temer se tornar “presa” fácil e atacada pelos predadores da Primeira Instância. Esta talvez seja a única razão que leve o “socialista” a desistir do projeto João Azevedo.

    Senador Raimundo Lira já admite ser o suplente de Ricardo Coutinho, e a vice poderia ficar com o DEM (Efraim Morais).

    Veneziano Vital do Rego brigaria ao lado de Gervásio Filho e Wilson Santiago pela segunda opção para o Senado ao lado de Ricardo Coutinho.

    A grande vencedora seria D. Nilda Gondim que se tornaria Senadora da República por quatro anos.

  • RECORDANDO (I)

    28/08/2017

    Com o criminoso ataque de hackers ao portal perdi mais de 30 mil fotos e todos os textos nele publicados, aí incluídas as minhas colunas. Mas, parte delas postei também no Facebook e, a partir de hoje, estarei republicando alguns dos artigos - os sobreviventes -, até mesmo como forma de CONSOLO.

    QUANTIDADE x QUALIDADE (28.07.14)

    Os palanques nunca se desarmam em Campina Grande. Por isso, nas últimas décadas todas as eleições estaduais se decidem por aqui. As brigas no sertão, os qüiproquós no cariri, as pendengas litorâneas, os rame-rames no agreste ou os bate-bocas no brejo representam tão somente a parte miúda do imbróglio eleitoral.

    Campina respira política cada minuto do dia e não forró, como algum apressado ouse acreditar. Daí a razão da parte graúda nesse processo residir na serra, ao embalo das brisas que nela se encontram vindas da ponta e do fim – o mar e o tórrido chão da caatinga interiorana.

    Não é por simples coincidência que a Rainha da Borborema dispõe hoje de dois dos três assentos reservados à Paraíba no Senado e elegeu cinco dos 12 nomes de paraibanos na Câmara Federal, o que importa em praticamente a metade de toda a representação congressual do Estado na capital da República.

    Na Assembleia Legislativa a força campinense também nunca foi desprezível, estando atualmente representada por um quinto das 36 cadeiras, algo de fato extraordinário quando se verifica que a Capital, com o dobro da população, tem número mixoxo de deputados.

    Isso tudo não deixa de ser maravilhoso, embora nesse caso a história (ou a vitória) de Pirro venha ser convocada a dar-se como exemplo. E por isso mesmo: em quantidade, nada Campina tem a reclamar; Já em qualidade, aí o cancão pia...

    Porque, raríssima é a exceção, os parlamentares de hoje envergonham! Se apresentam anos-luz de distância daqueles de ontem e o que salva - e estamos falando sobre os eleitos por Campina - é a ainda maior desqualificação do restante das bancadas, gerando uma nivelação para baixo que permite ao menos observador dos cidadãos não distinguir o melhor do pior, e vice-versa.

    Essa reflexão é oportunissima agora, quando o povo será obrigado a escolher novas representações.

    Um incauto analista logo se apressaria em situar que o nível de politização do povo campinense é o melhor possível. Afinal, filhos seus há décadas dominam quantitativamente os Parlamentos e muitos desses hoje ainda estão, por conta das suas eleições, colocados nos melhores postos de trabalho da máquina pública estadual, o que não deixa de ser verdade.

    Ocorre que a buliçosa Capital do Trabalho, como um dia lhe batizou Raymundo Asfóra, quer muito mais.

    Qualidade e sobriedade, por exemplo! Que tivesse somente dois ou três nomes no Congresso. Mas que esses se dessem à cópia de um Vital do Rego (o pai), um Aluizio Campos, um Argemiro de Figueiredo...

    Que se espelhassem, os da Casa de Epitácio Pessoa, pelo menos em um Orlando Almeida, cujo grito de amor por Campina ainda ecoa por corredores e gabinetes.

    Vai ver que um dia, lá na frente, o campinense feche o cenho e entenda que o voto tem a grandeza de um valor e nunca o valor de uma face. E em não mais vindo a se vender por quaisquer dois tostões acabe adquirindo para a amada e esfuziante terra a melhor das mercadorias, cujo preço não estará em nenhuma prateleira: DIGNIDADE, em respeito ao mandato popular.

  • ESPAOS

    31/07/2017

     Obstinado, prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues tem acelerado o ritmo de sua campanha como pré-candidato ao Governo do Estado, esquecendo que a modalidade da disputa é estilo “maratona”, e não cem metros rasos. No seu encalço, Luciano Cartaxo, governador Ricardo Coutinho com um provável candidato (pessoal), o PMDB de José Maranhão, e talvez um elemento surpresa (outsider) que poderá surgir ano vindouro, fruto das futuras etapas da Lava-jato, que sempre leva um quinhão da classe política nas delações dos implicados quando presos após investigações.

    Causa surpresa - até estranheza - para aqueles que conheceram os primeiros passos da vida pública do prefeito Romero, mudança brusca e repentina em sua disciplina hierárquica no grupo que o projetou, clã Cunha Lima. Tem enfrentado o senador Cássio e trombado com o presidente de seu partido, ex-deputado federal Rui Carneiro, que apenas luta por “espaços” na chapa da legenda que preside, haja vistas a absoluta falta de redutos que lhe assegure seu retorno a Câmara dos Deputados.

    Matérias postadas nos portais de notícias trazem declarações do senador Cássio Cunha Lima admitindo até uma provável desistência de retornar ao Senado Federal, em respeito à viabilização da postulação de Romero Rodrigues. O fato revela que o senador tucano não está mais “puxando” o grupo, está sendo “empurrado” pelo mesmo, sobre pena de ser atropelado, pisoteado ou simplesmente deixado para trás. Lamentável... Que falta está fazendo o poeta.

    Na mesa do jantar dos Cunha Lima alguém tem que assumir a “cabaceira”, e botar ordem na refeição. Tem pouco pão e todos gritam. Porém, ninguém tem razão. Como celebrar alianças com demais legendas se é inegociável a vaga de Governador (Romero), Senador (Cássio); Deputado Federal (Pedro); Deputados Estaduais (Tovar, Bruno, Arthur Filho). Adicionem-se os “agregados” Rômulo Gouveia, Manoel Ludgério, provavelmente um retorno de Eva Gouveia a ALPB. Quem dará sustentação a todo este projeto será o PP, através do vice-prefeito Enivaldo Ribeiro, que lutará pela recondução do deputado federal Aguinaldo Ribeiro - Líder do Governo Federal na Câmara dos Deputados - e sua irmã Daniela Ribeiro (deputada dstadual).

    Concorrentes de Romero Rodrigues tem uma família bem menor. Senador José Maranhão, dois sobrinhos - um deputado federal e uma deputada estadual. Luciano Cartaxo, provavelmente só seu irmão Lucélio. Ricardo Coutinho só ele mesmo, e sempre foi assim, está no seu segundo mandato de governador e ainda não conseguiu eleger um único deputado federal de sua predileção.

    Como ensina o adágio popular, “em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”, os atuais deputados federais e estaduais que lutarão para se reeleger, buscarão se abrigar numa chapa que lhes assegurem mais chances. Se a reforma eleitoral extinguir as coligações proporcionais, em janeiro poderemos ter um quadro absolutamente distinto deste que se desenha no momento.

  • FADIGA

    05/08/2017

     A Câmara dos Deputados atestou mais uma vez na extenuante sessão do dia 02.08.2017 existência de um fosso profundo que hoje separa perigosamente o Parlamento Brasileiro de sua população. Por mais de doze horas emissoras de televisão transmitiram ao vivo a votação que acataria, ou não, denuncia do Procurador Geral da República contra o Presidente Michel Temer, acusado de corrupção passiva, segundo delação premiada (sortuda e suspeita) do réu confesso e impune (ladrão) Joesley Batista.

    Desta vez, o povo - aqueles que ainda acreditavam na lucidez cívica dos políticos – se mostrou cansado e iluso. Não foram mais às ruas. Ninguém quis invadir o Congresso. Nas rodovias federais, só meia dúzia de militantes do MST. Em São Paulo, Sindicatos e suas Centrais não conseguiram mobilizar mil pessoas na avenida Paulista.

    Este episódio deveria ser seriamente interpretado – pelos poucos cidadãos que ainda têm bom senso e compõem a classe política - como a mais completa descredibilidade dos Poderes Legislativo, Executivo, resvalando para o Judiciário. Ministério Público Federal? Ficou de “calças curtas”, comprovando a existência de denuncismos aleatórios (mostrar serviço) feitos com o propósito bastardo de justificarem seus altos salários e mordomias – ora exigindo 16% de aumento, tendo recebido 17% ano passado - num país onde dezenas de milhões de trabalhadores percebem salário mínimo, ano vindouro reajustado em apenas 6,47%.

    Para o Presidente Michel Temer, profundo conhecedor da Câmara dos Deputados, tudo não passou de mais uma chantagem oportunista, praticada por um Parlamento eivado em vícios contumazes e recorrentes, cujo preço teria que ser pago sob pena dele ser “apeado” do poder de forma desmoralizante, e rotulado como corrupto. Centenas de milhões de reais foram gastos com deputados – governistas e oposicionistas - através da liberação das famigeradas “emendas parlamentares”.

    A repercussão foi pífia. Não houve “buzinaço” nem “panelaço” quando o Presidente da República usou oficialmente a televisão, após o resultado da votação. Mesmo com a cobertura “aloprada” da Rede Globo, através de seus canais aberto e fechado, ficou patente aquilo que as pesquisas revelam: 93% da população rejeitam o governo Temer. Todavia, 94% não acreditam no Congresso Nacional e 97% desprezam os partidos políticos. Neste caso, o espetáculo foi bom para quem? Ruim mesmo tem sido para a Rede Globo, que perde a cada dia mais audiência, insistindo com temas desprezados pelos telespectadores. Pior ainda para a OAB, por se imiscuir em “politicagem”, comprometendo sua imagem, tomando partido num jogo de cartas marcadas. Se a oposição quisesse mesmo obstruir o processo e acuar o Presidente, não teria ido conferir 227 votos contra, e duas abstenções. Acompanhariam os 20 ausentes. O quorum recomendado pelo STF (342) teria impedido realização da sessão. Mas, a encenação estava combinada... Por outro lado, se os Deputados Federais são legítimos representantes do povo - eleitos pela população - Presidente Michel Temer ao obter 263 votos dos 492 presentes, alcançou aprovação de 53,4% do eleitorado brasileiro. Execrou comportamento glamouroso e “ciclotímico” do Ministério Público Federal.


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