Colunista Marcos Marinho

  • FADIGA

    05/08/2017

     A Câmara dos Deputados atestou mais uma vez na extenuante sessão do dia 02.08.2017 existência de um fosso profundo que hoje separa perigosamente o Parlamento Brasileiro de sua população. Por mais de doze horas emissoras de televisão transmitiram ao vivo a votação que acataria, ou não, denuncia do Procurador Geral da República contra o Presidente Michel Temer, acusado de corrupção passiva, segundo delação premiada (sortuda e suspeita) do réu confesso e impune (ladrão) Joesley Batista.

    Desta vez, o povo - aqueles que ainda acreditavam na lucidez cívica dos políticos – se mostrou cansado e iluso. Não foram mais às ruas. Ninguém quis invadir o Congresso. Nas rodovias federais, só meia dúzia de militantes do MST. Em São Paulo, Sindicatos e suas Centrais não conseguiram mobilizar mil pessoas na avenida Paulista.

    Este episódio deveria ser seriamente interpretado – pelos poucos cidadãos que ainda têm bom senso e compõem a classe política - como a mais completa descredibilidade dos Poderes Legislativo, Executivo, resvalando para o Judiciário. Ministério Público Federal? Ficou de “calças curtas”, comprovando a existência de denuncismos aleatórios (mostrar serviço) feitos com o propósito bastardo de justificarem seus altos salários e mordomias – ora exigindo 16% de aumento, tendo recebido 17% ano passado - num país onde dezenas de milhões de trabalhadores percebem salário mínimo, ano vindouro reajustado em apenas 6,47%.

    Para o Presidente Michel Temer, profundo conhecedor da Câmara dos Deputados, tudo não passou de mais uma chantagem oportunista, praticada por um Parlamento eivado em vícios contumazes e recorrentes, cujo preço teria que ser pago sob pena dele ser “apeado” do poder de forma desmoralizante, e rotulado como corrupto. Centenas de milhões de reais foram gastos com deputados – governistas e oposicionistas - através da liberação das famigeradas “emendas parlamentares”.

    A repercussão foi pífia. Não houve “buzinaço” nem “panelaço” quando o Presidente da República usou oficialmente a televisão, após o resultado da votação. Mesmo com a cobertura “aloprada” da Rede Globo, através de seus canais aberto e fechado, ficou patente aquilo que as pesquisas revelam: 93% da população rejeitam o governo Temer. Todavia, 94% não acreditam no Congresso Nacional e 97% desprezam os partidos políticos. Neste caso, o espetáculo foi bom para quem? Ruim mesmo tem sido para a Rede Globo, que perde a cada dia mais audiência, insistindo com temas desprezados pelos telespectadores. Pior ainda para a OAB, por se imiscuir em “politicagem”, comprometendo sua imagem, tomando partido num jogo de cartas marcadas. Se a oposição quisesse mesmo obstruir o processo e acuar o Presidente, não teria ido conferir 227 votos contra, e duas abstenções. Acompanhariam os 20 ausentes. O quorum recomendado pelo STF (342) teria impedido realização da sessão. Mas, a encenação estava combinada... Por outro lado, se os Deputados Federais são legítimos representantes do povo - eleitos pela população - Presidente Michel Temer ao obter 263 votos dos 492 presentes, alcançou aprovação de 53,4% do eleitorado brasileiro. Execrou comportamento glamouroso e “ciclotímico” do Ministério Público Federal.


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