Colunista Valberto José

Jornalista, formado pela Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Iniciou como colunista na Gazeta do Sertão e trabalhou no Diário da Borborema e Jornal da Paraíba, colaborou na versão impressa d`A PALAVRA.

  • Não Serei o Lenhador de Augusto

    02/06/2020

    Se depender da aniversariante do dia, não serei o lenhador que Augusto explora e ainda terei a velhice que o poeta implora. Esta menina, embora carregue a zanga da mãe, me traz a tranquilidade paterna que um genitor anseia.

    Como Morgana me preenche de esperança! Pelo talento, pelo carisma, pela simpatia, pela beleza... Não a beleza externa que todos veem, mas a beleza interna que sensibiliza os sábios e desarma os brutos. Uma beleza alicerçada na fé; a fé que traz esperança.

    De tão divina, essa beleza interna de Morgana chega a ser profética, servindo-lhe de livramento; sempre vislumbra o perigo à frente. Aí, não lhe falta coragem para decidir, mesmo que, feito Maria, lhe trespasse o peito.

    Esta filha herdou de mim o gosto pelo trabalho e pelas festas. A intensidade de sua determinação trabalhista neutraliza qualquer ação mandonista patronal ou mesmo paternal. Sem causar ranço.

    Para ilustrar: no nosso comércio (quando estava funcionando), a porta de acesso tem uma chave no meio e um cadeado embaixo, fechando no piso. Para abri-la, giro no meio, me inclino para tirar o cadeado e levantar a porta; ela, até quando pôde nos ajudar, não me deixava abaixar de novo para pegar a peça de travamento, recolhendo-a numa rapidez admirável, poupando-me o agachamento necessário.

    Festa é com Morgana, mas com intensa responsabilidade. Certa vez fui falar com ela pelo seu excesso festivo, aí me calou: painho, puxei ao senhor, que numa festa só sai no lixo; a diferença é que o senhor não dança.

    Estou convicto de que essa filha não me será "uma árvore de empecilho". E nem precisará se "abraçar com o tronco", pois ela mesma tece para mim a velhice do poeta Augusto.

    A imagem pode conter: planta, grama, natureza e atividades ao ar livre

    Filhos nos surpreendem

    O jardim de nossa casa foi desativado tempos atrás, restando apenas a palmeira que já teimava (foi podada) agourar os donos. Bem antes de pavimentar o jardim, Glauber nos surpreendeu com esta foto de um cogumelo que surgiu entre a grama e as poucas plantas que ainda restavam.

    No clic do nosso filho, este corpo frutífero se agigantou de tal forma, que quase ficou na altura do gradeado de acesso ao interior da residência. O registro fotográfico me fez lembrar de Nicolau de Castro, Carlos Alberto e Leonardo Alves. Grandes profissionais com quem trabalhei no Diário da Borborema e Jornal da Paraíba.

    O nosso primogênito Helder, craque na informática, com curso no Redentorista, UEPB e metrado na área, é do tipo quieto, discreto e calado. Por isso tende a surpreender mais. Quando resolveu aceitar uma proposta de emprego em João Pessoa e, meses depois, quando ligou confirmando que tinha comprado uma moto. Até então nunca tinha pilotado uma.

    Logo deu uns treinos com um primo, iniciou na auto escola, fez todos os testes no Detran e conseguiu a aprovação, nos deixando a par de todo processo. Mas não disse quando recebeu a Carteira de Habilitação. No sábado da mesma semana que pegou o documento, uma insistente buzina de moto azucrinou quem estava em casa. Ao abrirmos o portão, ele entrou todo possante em cima de duas rodas. A mãe quase teve um treco.

    Sobre futebol


    Pessoal me perguntando se não vou escrever sobre futebol, essa monocultura do esporte brasileiro. A pretensão da coluna é ser plural, comentando sobre tudo e o esporte terá o seu espaço. Como estamos em quarentena fica para depois quando a normalidade se restabelecer, se é que vai ser normal.

    Trilogia humana

    Tenho projeto de conteúdo esportivo, mas, adepto do “Fique em casa”, dependo de pesquisas. Pretendo rememorar títulos e a bela campanha do Treze no Campeonato Brasileiro de 86; também títulos e jogos do Campinense. De inicio quero exaltar a trilogia que sustenta o ser humano: família, religião e amigos.

  • O Palavrão de Boldrin

    28/05/2020

    Um dia após a divulgação do ansiado vídeo da reunião presidencial com o seu ministério, estava eu na quarentena de minha casa, varrendo o quintal, quando me lembrei da música Palavrão, de Rolando Boldrin, que foi tema da novela Ovelha Negra, da Rede Tupi. A trama foi escrita por Walther Negrão e Chico de Assis e esteve no ar em 1975; tinha, além Boldrin no papel principal, atores do nível de Cleide Yáconis, Joana Fromm, Edney Giovenazzi, Jonas Bloch, Antônio Pitanga e até o homem do Trem das Onze, Adoniram Barbosa.

    A letra de Palavrão, quatro décadas depois, me parece atual. Castigando setores da sociedade e negando respeito e até usando o nome de Deus em vão. Desafiando e sem apreciar, almoçando, jantando, certamente berrando tantos palavrões, que, felizmente, não vêm a público; só em rara exceção, quando a Justiça determina. Grande é Deus! Que Ele nos livre daquele palavrão que nos atormentou por 21 anos e que parece nos, feito o que descreve a música de Vanzolini, rondar: ditadura.

    Vou te castigar de tudo quanto é jeito
    Não te respeito não

    Benza a Deus, mas que vontade louca
    Que me queima a boca nesse palavrão

    Vou te misturar no prato um desafio
    Não te aprecio não

    Benza a Deus, a gente almoça e janta
    Grita, berra e canta esse palavrão

    Vou te censurar a torto e a direito
    Não te aceito não

    Grande é Deus, maior o seu segredo
    A morte, o fim e o medo desse palavrão

    Vou te castigar de tudo quanto é jeito
    Não te respeito não

    Benza a Deus, mas que vontade louca
    Que me queima a boca nesse palavrão

    Benza a Deus, a gente almoça e janta
    Grita, berra e canta esse palavrão

    Grande é Deus, maior o seu segredo
    A morte, o fim e o medo desse palavrão

  • O Meu Mar

    26/05/2020

    Nos inícios dos anos 80, um vírus começou a me rondar, no Curso de Comunicação, e por três vezes tentei me defender do contágio, mas na terceira tentativa ele neutralizou completamente as minhas defesas. Desde então vivo uma quarentena que está na corrida do calendário matrimonial para comemorar Bodas de Esmeralda.

    Se neste 23 de março Margarida festejou o dom da vida, a data sugere uma comemoração dupla, pois justamente há 32 anos ficamos noivos. Para poucos meses depois subirmos ao altar.

    Como esse vírus tem me feito bem! Até mesmo nos momentos de zanga. Se a zanga chega repentinamente, impressiona a rapidez com que refaz a calma. E acalma a todos, desestimulando possíveis mágoas.

    Como essa mulher tem sido guerreira nesses tempos de crise! Sem qualquer pretensão, vem me professando uma realística lição nos meus intensos momentos de incúria; além de ser um exemplo titânico para os rebentos.

    Quando chega o verão, como no xote de Dominguinhos, é desassossego nas famílias interioranas, com a quase totalidade de seus membros querendo, e até forçando, uma temporada no litoral. Recarregar as energias no gostoso banho de mar e uma oportunidade para o descanso anual.

    Como minha inclinação não é litorânea e, se for o caso, ainda não a descobri, nunca passei temporada na praia. Quando muito, ficamos no máximo três dias. No mar, arrisco um mergulho leve, pois prefiro o paciente banho interno com a água ardente do engenho nas sombras dos coqueirais ou nas barracas à sua beira.

    Com certeza, não necessito viver no mar, viver o mar, pois tenho um mar que não seca em mim. Uma dádiva divina! Confesso que as vezes suas ondas me jogam nas pedras, mas antes que me choque nos pedregulhos marinhos me arrebata nos seus braços e me aconchega nas areias de sua praia particular.

    E esse mar, hoje e sempre, merece os meus, e de todos os meus, parabéns.

    Eu não preciso viver no mar, eu tenho o mar... Margarida.

    ARIANAS

    Talvez por uma solidariedade involuntária à minha mãe, que é ariana de abril, outras duas mulheres da minha vida também são de Áries. Com a diferença que descentes de março, uma de 23, outra de 27. Aproveitando a quarentena, homenageei o trio feminino do meu coração com palavras de amor e carinho.


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