Colunista Amaro Pinto

  • VIVA O REINADO, SALVE A SINECURA, ABAIXO A PLEBE.

    17/08/2017

    Ao retomar seu prestigiado Portal “A PALAVRA”, legenda viva do jornalismo paraibano, tive a honra de ser novamente agraciado com o convite do multimídia Marcos Marinho para refestelar-me na saudável, talentosa e mui nobre companhia de seu luzidio corpo de Colunistas – fato que para me é motivo de muito orgulho e extremada alegria – ainda mais em púlpito tão visto e acessado nessas nuvens cibernéticas – sobretudo porque neste honroso espaço não há censura opinativa nem sobrevive a subserviência dos conhecidos “chaleiras” de plantão, sempre a postos ao deleite de acariciar com mumunhas de consentimento os seus famigerados chefetes.
     
    E nestes tempos, amigos, dir-se-ia – ao lembrar-me de saudoso e incomparável escriba – nada mais atual que a velha e boa Monarquia que reina neste nosso Brasil desde os pródromos do Descobrimento, devidamente reforçada por ocasião do desembarque da Família Real e respectiva Corte Portuguesa por estas bandas, nos idos de 1808 – batendo carreira (!) de Napoleão, sabem os doutos.
     
    Em recente entrevista, herdeiros do Imperador Pedro II se alternaram em defender a volta da monarquia parlamentarista da época de seus nobilíssimos ancestrais, sob o argumento de que entre dez dos maiores países do mundo com maior taxa de desenvolvimento econômico-social, e veja-se, menor nível de corrupção, sete, isso mesmo, setenta por cento eram monarquias parlamentaristas – à semelhança daquela que oportunizou orgasmos múltiplos de Poder e fausto aos nossos ícones da História.
     
    À parte discussões doutrinárias e preferências gerais – começo a convencer-me que talvez realmente (sem trocadilho) tenhamos chegado à hora de trazermos de volta nossos reis, imperadores, príncipes, condes, duques e toda essa choldra que veio aboletada nas caravelas de Cabral para se “apojar nas tetas do Estado” – também no dizer de velho saudoso amigo e professor e colega de muitas lides forenses...
     
    É que, abstraída a forma e o sistema jurídico-constitucional vigentes, ratificados pelo Plebiscito de 1993 – nunca deixamos de ser uma monarquia, ou reinado, ou o que seja como se defina – desde que se mantenha essa rafameia disfarçada de nobreza, que vive deitada em sinecuras espetaculares e inacreditáveis (e que só existem neste país, como assevera um dos herdeiros reais na tal entrevista), se empanturrando de cargos vitalícios, eletivos, pensões, terças, soldos e montepios (é o novo!), alimentada por auxílios intemporais (absolutamente necessários e indispensáveis) para viver, morar, se vestir, comprar livros (sim, alguns sabem ler! Outros também sabem falar!), tomar banho de uísque azul, cuidar da saúde e (eita!) para praticar atividades físicas, sob a devida orientação de professor especializado em Educação Física.
     
    Enquanto isso...Bem, enquanto isso a plebe “que se exploda”, no bordão imortal de Chico Anysio, aboletada em ônibus lotados, favelas enlameadas e metralhadas, porões miseráveis, hospitais sucateados, sem escola, sem leito e leite, sem pão – desprovida de saúde e segurança, faminta de direitos fundamentais – e (ainda) assim há quem defenda à enérgica heresia, de modo enfático e reiterado (e isso é maior na própria turma do andar de baixo, analfabeta e ignara) – que se estabeleça a pena de morte e tome chumbo na tomada elétrica do povo, abandonado, sofrido, traído, roubado.
     
    Usam-se (mesmo) alguns eufemismos para se definir essa corja de canalhas emperobados: corruptos, ímprobos, apropriadores indébitos, enfim, toda uma saraivada de termos jurídicos empolados para proteger a Casta de oligarcas, coronéis, chefetes de bandidos, importados ou não – cuja maior e perfeita definição, suprema ironia, veio da cunha (?) do mui eminente ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal – que disse sem debique ou galhofa existir cá nestes rincões brasileiros, uma aristocracia insaciável, instalada e aferrada com gosto no Serviço Público – se empanturrando com altíssimos vencimentos e vantagens, e não somente de roubalheira, à custa das inesgotáveis burras populares – ou seja, dos nossos suados e caríssimos impostos, pagos sem um pio, uma panelada, um tremular de bandeira amarela...Uma passeata que seja....
     
    Vivamos e clamemos, pois, que se dê fim à República e toda a podridão que lhe é imanente e gritemos, a pulmões plenos, que tenhamos um Rei, um Imperador, um Príncipe, seja de que gênero for – para que possamos voltar a sonhar, porque de vida não se basta, mas no divagar encontramos o eterno...
     
    Avante – porque somente DEUS é grande.

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