Colunista Júnior Gurgel

  • JOGO DE EMPURRA

    05/12/2017

    A agressividade gananciosa da equipe econômica do Governo Michel Temer, na busca irrefreável de cumprir suas “metas” com a agiotagem internacional - parte podre que compõe o capitalismo parasitário e extorsivo que explora o terceiro mundo - é algo asqueroso e insuportável para uma população que vem sendo saqueada desde 1985.

    São trinta e sete anos de perdas. Uma sangria hemorrágica desatada de nossas reservas e riquezas, sem que se faça nada para estancar. Como é que um país, por mais ignorante que seja sua gente, acredita que o seu futuro está numa reforma previdenciária? Se esta fosse a solução, o nosso futuro estaria no passado? Fica claro o sinal de que o Brasil está fora da relação dos países emergentes (crescimento econômico) nas próximas décadas. Não temos pesquisas, nem produzimos tecnologia de ponta, ora exigida pelos grandes mercados consumidores. Nosso parque fabril está inteiramente sucateado, e cheio de “montadoras”. Do automóvel, passando pela televisão chegando a um simples liquidificador, tudo vem de fora – já em desuso por lá – para ser montado aqui e consumido pelos brasileiros. Estagnamos como eternos fornecedores de “commodities”, ou matérias primas, e eternos devedores de juros extorsivos, sem perspectiva de retorno ao desenvolvimento nem em longo prazo.

    Presidente Michel Temer engana seu ministro (imposto) Henrique Meirelles, fingindo ajudá-lo a fazer a reforma que ele deseja, e prometeu aos seus patrões da banca do FED e FMI: pagar os títulos vencíveis a partir de 2024. Esta gente que controla o mundo sabe que não haverá reação no PIB capaz de cobrir os custos do setor público que corrói a arrecadação de tributos em super-salários e mordomias exacerbadas. Para evitar um colapso da turma de Wall Street – a ratazana do varejo oportunista que empresta ao Bradesco, Itaú e Santander - baixaram a taxa selic. Noticia terrível para as sanguessugas, que estão amargamente contendo a gula no momento. Ninguém sabe até quando, nem o que prometeu Meirelles, já que não tem mais o que vender. De Pré-Sal a privatizações das melhores empresas estatais, não resta mais nada no estoque, a não ser a Eletrobrás com todos os seus sistemas acoplados inclusive Petrobras. Um ataque especulativo não está fora de cogitação, nos remeteria aos anos 60 do século passado.

    Mesmo para aqueles que não querem enxergar, a ladroagem e as mentiras tornam-se tão claras e visíveis, incontestáveis através de suas próprias contradições. O Congresso Nacional votou no início do ano passado (2016) a revisão da meta para o exercício de 2017, onde estava previsto um “rombo” nas contas públicas de 159 bilhões. Estamos no final de novembro, restando apenas um mês, e o “buraco” está em 103 bilhões. Se não tivessem ocorrido as duas votações “perdulárias” na Câmara dos Deputados, em nome do “fica Temer”, e os juros fossem desde janeiro os 7.5% de hoje, o governo geraria superávit primário. Mas, os economistas (todos a serviço da grande gatunagem internacional) insistem em dizer que a economia está reagindo. Tudo mentira! A surpresa foi o IBGE e sua equipe que revelou farsa. Há seis dias (28.11.2017) os dados desmentiram todos. Desemprego 12,7 milhões. Sem emprego e a procura de trabalho, 12,5% da população produtiva do país (140 milhões), que correspondem a cerca de 16 milhões de pessoas.

    Totaliza, portanto, 28 milhões de desempregados e sem renda. Duas vezes a população de Portugal. 50% dos que estão com emprego, ganham um salário mínimo. 4,5% que têm ocupação estão com renda abaixo do salário mínimo... O Brasil quebrou. Só um choque de autoridade, centralizando todas as receitas, e acabando com as autonomias financeiras concedidas ao Judiciário, MP e MPF; Poder Legislativo; diversos Tribunais; Sindicatos; ONG e sistema “S”... Salvará a Nação. Mas, quem fará isto? Que venha 2018! 

  • SEGURANDO O PINCEL

    03/12/2017

    O ex-ministro Antônio Delfin Neto (gênio do milagre econômico do Brasil anos setenta, século passado) é também conhecido como um excelente cunhador de frases. Sua última pérola, burilada com ironia sobre o STF - extensiva às demais Cortes de Justiça e Contas do país – é de uma preciosidade extraordinária: “Ministros de Cortes Superiores de Justiça, não têm passado. Só enxergam o futuro”.

    Quinta-feira (30.11.2017) enquanto o Senador Cássio Cunha Lima festejava com emoção o nascimento de mais um herdeiro de sua dinastia política, seu tio e irmão Fernando Catão amargava a pior derrota de sua vida, patrocinada de forma humilhante por seus pares que compõem a Corte de Contas do Estado da Paraíba (TCE).

    Relator do processo das contas do Governo do Estado - exercício 2015 - o conselheiro Fernando Catão, que já tinha sido apontado como “suspeito” por Ricardo Coutinho - alegando parentesco com o senador Cássio Cunha Lima - teve a cautela de examinar com uma lupa todos os atos e decretos do executivo que contrariam a legislação vigente. Não satisfeito com pareceres técnicos do próprio TCE, ainda buscou amparo no Ministério Público de Contas e Eleitoral, Justiça; além dos demais conselheiros, com quem debatia diariamente a gravidade do processo, e defendia um julgamento justo, isento de suspeições que não viesse comprometer a imagem do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. É bom que se enfatize que o TCE perdeu um pouco de sua imparcialidade e “transparência”, ao julgar as contas de 2014, onde só o crime de apropriação indébita, cometido por um longo período de quatro anos, advertido constantemente pelo TCE, seria suficiente para levar responsáveis para cadeia: Governador, ou todo o seu secretariado, que descontavam na folha de pagamentos a contribuição do PBPREV e não recolhiam. Se fossem o prefeito de Carrapateira ou de Cabaceiras? Estariam na cadeia, execrados pela população; inelegíveis e rotulados como ladrões. Mas, Governo do Estado tem “poderes sobrenaturais”, que fazem coelhos aparecerem sem cartola. Duodécimo e nepotismo cruzado exige o gesto genuflexório.

    Na grande sessão, tão ansiada por todos, especialmente pela classe política que dava como “favas contadas” o resultado do julgamento, e a subsequente recomendação pela desaprovação das contas, eis que após sua explanação brilhante Fernando Catão percebeu que estava falando para mudos, surdos e cegos. Em meio ao seu desespero, viu seus companheiros puxarem a escada, e deixarem-no só, pendurado no pincel.

    Os efeitos desta sessão histórica mudam completamente o quadro político da Paraíba. Como fênix, Ricardo Coutinho ressurgiu das cinzas com estatura de gigante. Os velhos caciques – Cássio Cunha Lima e José Maranhão – parece que perderam totalmente seus prestígios juntos aqueles em quem mais confiavam. Cássio sentiu os efeitos da frase de Delfin Neto, nas posições de Nominando Diniz, Arnóbio Viana e Fábio Nogueira, que não olharam para trás. Certamente com medo que lhes acontecesse o mesmo, que biblicamente ocorreu com a mulher de Ló. Arthur Cunha Lima, que não foi indicado por Cássio, viabilizou-se junto a Assembleia Legislativa e foi nomeado por José Maranhão, se absteve de votar. Como o presidente só vota em caso de empate, o placar pró Ricardo Coutinho foi 4x1.

    E agora Cássio? Senador José Maranhão, respeitadíssimo pelo TJ/PB, empenhado em acabar com os benefícios suspeitos de o projeto Empreender - fonte que remunera os cabos eleitorais do “socialista” - viu uma liminar derrubar decisões judiciais.

    Ricardo vai botar a “usina” para moer, será candidato imbatível ao Senado Federal, puxará João Azevedo para o segundo turno e dá um grande empurrão no seu companheiro de chapa para a Casa Revisora do Congresso Nacional. Quem fica por um fio doravante é o senador Cássio Cunha Lima. Enfrentará Ricardo, seu companheiro de chapa; Aguinaldo Ribeiro e outro que se comporá com o tucano. Os efeitos devastadores deste tsunami, só poderão ser avaliados após a calmaria de 08 de abril de 2018.  

  • UMA JUSTA HOMENAGEM

    29/11/2017

    Próxima quinta-feira, às 19 hs, a Câmara Municipal de Campina Grande estará reunida na Casa Félix Araújo para fazer entrega do titulo de Cidadão Campinense ao Professor Moací Alves Carneiro.

    Natural de Areia (PB), conterrâneo de Pedro Américo, Padre Azevedo; José Américo de Almeida e tantas outras figuras ilustres que brilharam no cenário nacional nas mais diversas áreas - política artes e invenções - professor Moací Carneiro dedicou boa parte de sua vida profissional à Rainha da Borborema. Iniciou sua carreira como professor do ensino médio, ministrando aulas na Escola Normal de Campina Grande, entidade dedicada a formação de professores. Considerado um dos melhores mestres no curso de Letras da extinta URNE (hoje UEPB), Moací Carneiro enveredou pelos meios acadêmicos, onde exerceu as funções de Vice Reitor da URNE, permanentemente em exercício já que o titular, saudoso engenheiro José Cavalcanti Figueiredo dirigia a Unidade de Recuperação do DNOCS em Campina Grande, sobrando-lhe pouco tempo para acompanhar o ritmo da Universidade, por onde tinham passado os gênios Edvaldo do Ó, Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque; Luís Almeida (também sempre na interinidade). Os desafios URNE eram ambiciosos e gigantescos. Exigia de seu dirigente, além de sobejada competência, dinamismo para acompanhar o processo de mudanças que vinha acontecendo no País, com a abertura política, em marcha batida, percorrendo um período de transição rumo a democracia dos nossos dias.

    Um episódio marcante nesta “estação” merece registro histórico. A eleição de Moací Carneiro (1981) para a Reitoria da URNE, com apoio irrestrito dos conselhos e como candidato do então Reitor José Cavalcanti Figueiredo. Na lista tríplice encaminhada ao então prefeito Enivaldo Ribeiro - quem de direito nomeava o Reitor depois de consultar o MEC - constava Moací Carneiro em primeiro lugar; seguido por Jeremias Jerônimo; Margarida Mota Rocha. O prefeito Enivaldo Ribeiro se recusou a nomear Moací, e ou um, dos demais nomes que compunham a lista. Optou por uma solução “excêntrica”, até os dias atuais nunca vista: um reitor Pro Tempore (?). O escolhido foi o então ex-deputado Vital do Rego. Pagou caro posteriormente por sua aquiescência com a indicação. Greves, mobilizações contrárias ao ato de Enivaldo permeou o meio universitário, que politicamente dois anos depois, formou fileiras na oposição ao lado de Ronaldo da Cunha Lima, e em 1982 derrotou Vital do Rego nas eleições municipais.

    Cristão e católico apostólico fervoroso Moací Carneiro superou o episódio, que roubou seus sonhos de então. Porém inesperadamente foi premiado com um Doutorado na renomada Universidade Francesa de Sorbonne. Após seu Doutoramento, voltou a Paraíba e desiludido com os meios Acadêmicos Universitários, dedicou-se a Educação. Nomeado Delegado do MEC na Paraíba, transformou um simples escritório de representação burocrática numa entidade de prospecção de investimentos para modernização das escolas públicas, com equipamentos e treinamento de professores. Uma “usina” de projetos permanentemente produzindo novas ideias para o MEC, trazendo benefícios diretos para os paraibanos. Seu trabalho foi reconhecido, e em pouco mais de um ano era braço direito do cientista José Goldemberg, então Ministro da Educação que o nomeou Diretor do FNDE, na época o Bando do MEC.

    O currículo do professor Moací Carneiro é extenso, em efetivas e produtivas realizações. Escritor, autor de diversos livros como a LDB Fácil e o Nó da Educação (Ensino Médio) dentre outros. Exerceu cargos de Direção em diversas Universidades Privadas na Capital Federal; consultor de diversos Estados da Federação na área de Educação e um dos principais membros da equipe que conseguiu viabilizar o investimento do BIRD de quatro bilhões de dólares (Governo FHC) para Educação. Ao invés de criar escolas municipais - ideia concebida inicialmente pelo então Ministro da Educação - a equipe defendeu e conseguiu emplacar o melhor. Juntaram meia dúzia das antigas Escolas Técnicas Federais, ampliaram-nas e levou para toda a Federação o “modelo” CEFETE, estrutura que permitiu hoje ser incorporada como IF (Institutos Federais de Educação). Abaixo, algumas ações e conquistas direcionadas pelo Professor Moací Carneiro a Campina Grande:

    1) Análise e aprovação junto ao MEC do projeto de financiamento para construção da Escola Técnica Federal de Campina Grande, hoje Campus do IF-PB.

    2) Aprovação do projeto do Museu de Ciências (estabelecido na área do Açude Novo).

    3) Análise e aprovação do projeto de reforma, expansão e reestruturação da Escola Técnica-Redentorista/ETER.

    4) Analise e aprovação dos projetos de financiamento de construção de creches.

    5) Relator do parecer de criação do Conselho Municipal de Educação, deixando sua marca de pioneirismo (1º Conselho Municipal de Educação dos municípios paraibanos).

    6) Negociação com a Universidade Federal de Pernambuco para implementação de um programa de intercâmbio de professores e alunos junto à TV Universitária do Recife.

    7) Desenvolvimento, implantação, implementação e consolidação do programa de pós-graduação da FURNE, tendo posicionado a instituição entre as 5 universidades não federais com o maior número de professores incluídos no Programa Intensivo de Capacitação Docente/PICD-MEC: foram 110 professores.  

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