Colunista Júnior Gurgel

  • REENCONTRO PODE TER SELADO UNIÃO 2018

    09/10/2017

    Fato que era considerado como impossível ou inimaginável para muitos – previstos algumas vezes neste espaço através de nossa humilde opinião – aconteceu no último sábado 07/10/2017. O reencontro dos velhos amigos senador José Maranhão com o decano do clã Cunha Lima, ex-senador Ivandro Cunha Lima, na Fazenda Caiçara, em Campina Grande.

    A última vez que estiveram juntos – na Fazenda Caiçara - foi no ano de 1998, após o incidente do Clube Campestre, quando José Maranhão oficializou convite para Ivandro compor sua chapa como vice, na disputa de outubro daquele ano.  Ideia aceita pela saudosa esposa do ex-senador Ivandro – Valnysa Borborema Cunha Lima – e grande parte da família. Porém, evitando um “racha” na casa de Dona Nenzinha, o grande conciliador declinou da oportunidade de deixar seu retrato na galeria dos ex-governadores da Paraíba, optando por ficar ao lado do mano “poeta”, no momento mais cruciante da vida pública do clã, quando “queimaram” a eleição de 1998 não apresentando nem apoiando chapa majoritária.

    A partir do momento que concluiu seu mandato como presidente da CCJ do Senado Federal, o Senador José Maranhão – conservador e dissidente dos núcleos do seu partido liderados por Romero Jucá, Renan Calheiros e Eduardo Cunha – tomou a decisão que era chegado o momento de voltar a sua base e disputar o Governo do Estado. Conhecia as dificuldades dos desafios, sobretudo na composição da chapa e união das lideranças. Suas alternativas seria uma reaproximação com o grupo Cunha Lima ou aliar-se ao governador Ricardo Coutinho. No meio do caminho tinha uma pedra: Luciano Cartaxo - Prefeito da Capital - que procurava se consolidar como líder estadual e tinha entrado na corrida rumo ao Palácio da Redenção ao lado do prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues.

    OUSADIA

    O tempo traz sabedoria. E para um grande guerreiro, conhecedor das dificuldades de uma batalha, o elemento surpresa é decisivo para uma vitória retumbante. Ricardo Coutinho, surfando na gigante onda de sua popularidade – não se sabe se real ou fabricada pela mídia palaciana – subestimou a capacidade (sagacidade) do Senador José Maranhão, que demonstrou ao longo de sua trajetória política “previsibilidade” de suas ações, resignando-se aos “conselheiros” de sempre, que desde o Governo Ronaldo Cunha Lima permanecem no poder, independente de quem esteja no plantão, dando sempre seu “jeitinho” de mostrarem-se indispensáveis a gestão política. Esta gente pôs na cabeça do “socialista” que ele elegeria quem desejasse. Ao invés de Ricardo se aproximar do PSDB ou PMDB, duas legendas que lhes conferiram êxito nas urnas desde 2004 até 2014, preferiu o projeto “solo”, mantendo a mão estirada para quem quisesse beijá-la, curvando-se em respeito a sua supremacia “napoleônica”. Ledo engano...

    Como a lógica aponta que a menor distância entre dois pontos é uma reta, Senador José Maranhão passou a régua no seu aniversário, onde viu que a distância entre ele o clã Cunha Lima era possível de ser superada, e se constituía na maneira mais prática de afastar da disputa o Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo e deixar à margem (isolado) e preso ao mandato o governador Ricardo Coutinho. Enfatizamos mais de uma vez, que a ameaça do surgimento de uma terceira força na Paraíba poderia levar a união das duas oligarquias que comandam o estado por três décadas, construindo uma ponde sobre o profundo fosso que os separava.

    TRÊS PASSOS

    Na última sexta-feira 06.10.2017, o Senador José Maranhão em entrevista numa cadeia radiofônica pôs em xeque o Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo. Elogiou sua gestão, qualidades como pessoa de um futuro brilhante na política e arrematou afirmando que “se eu não for candidato, votarei em Cartaxo”. O gesto engessou o líder do PSD, que ora tenta se salvar do afogamento após o precipitado mergulho da lagoa. Dia seguinte (sábado) visitou e almoçou na Fazenda Caiçara, onde se encontrou com o “patriarca” de honra do clã Cunha Lima, ex-senador Ivandro, de quem recebeu sinal verde para ir em frente. Demonstrando humildade – inspirado na obstinação de voltar ao Palácio da Redenção – jantou com o Deputado Rômulo Gouveia, eminência parda do PSD/PB que goza de espaço e prestígio junto ao Ministro Gilberto Kassab. Cumprida esta agenda, Senador José Maranhão conclui a “topografia” do terreno onde pavimentará o caminho de seu regresso ao Governo do Estado da Paraíba.

    PRÓXIMA ETAPA

    Ajustar as posições das legendas e garantir seus espaços na chapa majoritária, além de mapearem os redutos, garantindo a recondução dos Parlamentares que comporão esta gigante aliança. O mais provável é Romero Rodrigues como vice de José Maranhão e Luciano Cartaxo como Senador ao lado de Cássio Cunha Lima. Aguinaldo Ribeiro terá que se contentar com o mandato de seu pai, a frente dos destinos de Campina Grande por quase dois anos. Fica assegurado – por questão de reconhecimento e justiça – o retorno do deputado federal Rui Carneiro, que com muita competência conduziu a legenda num período de grandes dificuldades, sem registros de perdas. Caberá a José Maranhão, criar espaços para que o ex-senador Cícero Lucena retorne a Câmara dos Deputados.

  • PERIGO REAL?

    04/10/2017

    Postagem estranha de um sargento do Exército nas redes sociais, convocando o povo para ir às ruas no dia 15 de novembro participar ativamente de uma mobilização com vistas a salvar o país da corrupção, se for verídico é um sinal claro que existe um movimento de inquietação nos quartéis.

    Na sua fala o militar defende o impedimento das eleições em 2018 e prisão para todos os envolvidos nas centenas de denúncias - surgidas a partir da lava-jato - que atinge os três poderes da República. Talvez seja “montagem” ou palhaçada anarquista de algum internauta irresponsável. Mas, o cidadão estava fardado e com identificação. Seu vídeo veio após as declarações do general que comanda a Região Militar do Sul (Porto Alegre), defendendo a ordem, aconselhando o povo a não praticar a “desordem” e protestar de forma pacífica nas ruas contra o atual quadro de caos ora vivido pela população.

    Pode ser uma ideia inteligente, contra o estigma de golpe ou ditadura. As pesquisas mostram aprovação de um governo com apenas 3%. Partidos políticos são desacreditados por 94% da população e o Congresso Nacional tem a rejeição de 92% dos brasileiros. Os militares são considerados hoje representantes da Instituição mais respeitada do Brasil (Exército) com 78% de aprovação. Igreja (67%), OAB (62%), e 58% o Poder Judiciário, talvez ainda neste patamar pelas ações do juiz Sérgio Moro.

    Estamos diante de perigo real? Ou uma tábua de salvação? O naufrágio das instituições é inevitável. Esgotou-se o diálogo entre os três poderes, que ora dividem o comando de um “Titanic” em rota de colisão com o gigante iceberg nominado “anseios populares”.

    O general Mourão “versão” 2017 - nada de parentesco com o Mourão Filho de 1964 - aproveitou um encontro Maçônico e “deu a senha”. Este evento não era apenas entre militares. Importantes empresários representantes das diversas categorias do setor produtivo do País estavam presentes e o aplaudiram. A pergunta é: “se porventura um general cercar a praça dos três poderes e estipular prazo de 24 horas para que todos os seus membros desocupem os gabinetes, quem enfrentará os tanques”? Policia Militar, Federal ou Legislativa? Quem cumprirá uma ordem Judicial contra o Verde-Oliva?

    General Mourão Filho (1964) estava aquartelado (de prontidão) em Juiz de Fora (MG), aguardando instruções. Só agiria depois que o comandante paulista se manifestasse apoiando a intervenção. Inquieto, Mourão Filho relatou em suas memórias que a discussão poderia levar semanas ou meses. O Ministro da Guerra jamais tomaria uma atitude. Resolveu por conta própria botar as esteiras de seus tanques na estrada rumo ao Rio de Janeiro. Logo que o comandante do Rio foi avisado despachou batalhões para enfrentá-lo antes de entrarem na capital carioca. Mas, quando se avistaram, os Verdes-Oliva se abraçaram, ao invés de atirarem entre si. Ao entrarem no Rio, dispararam algumas “salvas de artilharia” e logo o Palácio da Guanabara que estava cercado por tropas fieis a Goulart, recuaram. O Presidente estava no Rio Grande do Sul, quando as emissoras de rádio anunciavam em nome do Senado Federal a vacância do cargo de Presidente da República, convocando uma sessão extraordinária para ser empossado o presidente da Câmara Ranieri Mazzilli.

  • VALOR PREMONITÓRIO DAS ENQUETES

    02/10/2017

    Estávamos ocupando horário nobre na extinta rádio Borborema, ao lado do companheiro Dagoberto Pontes (2010), levando ao ar diariamente o programa DEBATE BORBOREMA, pautado em fatos do quotidiano, especialmente abordando temas políticos do ano eleitoral já em curso. Senador Cássio Cunha Lima estava cassado, ausente da mídia, e quem comandava os destinos de Campina Grande era o peemedebista Veneziano Vital do Rego, aliado do governador. Num tira-teima sobre a reeleição de José Maranhão resolvemos numa sexta-feira, nos últimos 40 minutos do programa, fazer uma enquete entre o postulante Ricardo Coutinho (ainda Prefeito da Capital) e José Maranhão, inquilino instalado na época no Palácio da Redenção.

    Quando abrimos as duas linhas telefônicas registrou-se mais de 120 ligações neste breve intervalo. Indagávamos nome e onde o ouvinte residia. Registravam sua opção, identificavam-se e não se dando por satisfeitos ainda faziam brevíssimos comentários. Para surpresa nossa e de todos os ouvintes, Ricardo Coutinho obteve o dobro das opções contra José Maranhão.

    Lembro que o episódio chateou o diretor da emissora, Marcelo Antunes, em função do faturamento da empresa. O Governo do Estado era o maior cliente da emissora, que por si só cobria todos os custos da empresa.

    O então ex-governador cassado Cássio Cunha Lima ainda não tinha manifestado seu apoio a Ricardo Coutinho. Pelo contrário, o grande mentor do processo de cassação do governador tucano teria sido o alcaide da Capital, através do advogado Marcelo Weick (PCdoB), ajuizando ação que culminou na cassação do mandato de Cássio pelo TRE-PB, confirmado depois pelo TSE.

    A enquete não tinha - e nem tem - o valor científico da pesquisa. Todavia, ouvinte de programa político é por excelência grande formador de opinião. Verdade constatada na expressiva vitória de Ricardo Coutinho – já com apoio de Cássio – em Campina Grande. Foram esta e outras enquetes que “empurraram” Cássio para apoiar Ricardo. O povo formou a chapa da vingança contra o TRE/TSE.

    No último dia 28.09.2017 o Correio Debate – programa radiofônico de grande audiência em todo o Estado - fez uma enquete sobre a preferência do eleitorado paraibano para o Senado da República, eleições ano vindouro (2018). Para nossa surpresa – e de muitos – Cássio Cunha Lima obteve 42%, Ricardo Coutinho 30%. Os demais, não pontuaram na casa de dois dígitos.

    Premonições?

    Tem algo errado no “núcleo logístico” dos socialistas. Governador Ricardo Coutinho é “festejado” diariamente por quase todos os blogueiros e portais de notícias da Paraíba. No rádio, seu nome é mais pronunciado que a “hora certa” e o prefixo das emissoras. Será que exageraram na dosagem? Toneladas de confetes para um só folião? Por outro lado, o povo talvez o considere um bom gestor, e não apostam que seja um excelente Senador. Somente uma pesquisa investigativa sobre o seu perfil, sua gestão e a linha do seu discurso, identificará os motivos de tão baixa popularidade, incompatível com as ações de sua gestão.

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