Colunista Júnior Gurgel

  • COUTINHO NO CADAFALSO

    20/02/2018

    O ministro Corregedor do TSE, Napoleão Nunes Maia Filho, pediu pauta para julgamento da AIJE que acusa o governador Ricardo Coutinho de ter cometido crime eleitoral, por abuso de poder político/econômico.

    Coincidência?

    A notícia atingiu o “socialista” no momento mais cruciante de sua vida pública: “Descida de ladeira”, final de oito anos consecutivos de um mandato polêmico, todavia bem avaliado pela população, frente à crise que atravessa o país. Restando-lhes apenas quarenta e cinco dias para tomar a decisão de se afastar oficialmente do governo (renuncia); decidir se irá lançar sua candidatura ao Senado ou Câmara dos Deputados; abdicar da política partidária. Um xeque-mate que exige muita habilidade e “sorte”, fenômeno que o tem acompanhado desde sua primeira eleição para o Parlamento Mirim da Capital. 

    Seu julgamento no TSE - com previsão para os próximos vinte dias - não implica em considerar por antecipação que seja condenado. Pelo contrário, têm sido raros os casos em que a Corte Superior da Justiça Eleitoral reforma decisões colegiadas dos Tribunais Regionais Eleitorais. Neste processo, o TRE-PB já o inocentou por um placar de 5x1. Não satisfeito - e de ofício - o Ministério Púbico Eleitoral apelou da decisão. Entretanto, é bom lembrar que o TSE é a Corte de Justiça mais politizada do país. Basta rememorar o julgamento de Dilma Rousseff que teve seu mandato cassado desvinculado do seu vice, atual Presidente Michel Temer, e não foi aplicada a lei que a deixaria inelegível por oito anos. Observe-se também, que quem não deixou a ação ser extinta foi o então Ministro que compunha a corte Gilmar Mendes, e que depois foi quem decidiu como Presidente, através do voto de minerva, cassar o mandato da já impedida de governar ex-presidente Dilma Rousseff.

    Governador Ricardo Coutinho hoje é considerado “persona non grata” pelo governo peemedebista/tucano, graças à sua precipitação ou falta de cautela. Excedeu-se e se expôs quando acusou, acusava e acusa abertamente o Presidente Michel Temer de golpista. Esqueceu o adágio popular que sentencia: “o homem é senhor do que cala e escravo do que fala”. Recentemente (cerca de trinta dias), num jantar na casa de Livânia Farias articulado pelo ex-secretário da Educação Sales Gaudêncio, José Maranhão, sua esposa Desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti estiveram frente a frente com Ricardo Coutinho, e esperaram dele um apoio oficial ao projeto do cacique peemedebista da Paraíba em voltar a governar o Estado. Relatos dão conta do mais completo descaso do “socialista”, que não abriu sequer espaço ao senador José Maranhão para expor seu projeto político. Coutinho mostrou pesquisas com índices de sua popularidade e aprovação de sua gestão, fato que o qualificava a eleger com facilidade seu pré-candidato João Azevedo. O cavalo passou selado... Desconcertado, o senador José Maranhão voltou a conversar com o tucano Cássio Cunha Lima, de quem tivera melhor acolhida.

    A atual composição do TSE não sinaliza simpatia à causa do “socialista”. Exceto o presidente Luiz Fux e a “Dilmista” Rosa Weber, os demais estão conectados com o Palácio do Planalto. Evidente que não irão atropelar a legislação. A função do TSE será aprovar ou desaprovar a decisão do TRE-PB examinando em profundidade se os Juízes votaram corretamente, em observância ao conteúdo da denúncia.

    Ricardo subiu no cadafalso. Se for inocentado pelo TSE ganha fôlego de chegar ao final da maratona com amplas chances de vitória. Se condenado, o Titanic afunda e com seu empuxo leva a vice-governadora. Todos os processos “travados” pelo seu foro privilegiado ganharão celeridade.

    Rei morto, Rei posto.

  • ULTIMAS APOSTAS

    19/01/2018

    Roleta do destino da classe política paraibana já está girando, e o crupiê que representa o grande eleitorado aguarda as últimas apostas, que podem ainda surpreender (preto 17 ou vermelho 36). Quem mais arrisca nesta rodada é o governador Ricardo Coutinho - com um tempo exíguo de quarenta e seis dias - para depositar todas as suas fichas na mesa. Renunciará o mandato? A escolha do número (candidato) recairá sobre João Azevedo? Sem fatos novos que justifique “desmonte” da escultura que vem sendo talhado pelo próprio Ricardo - falta de um “outsider” que convença o povo a tomar decisões atípicas, fora da realidade partidária do Estado - João Azevedo é a única opção que resta ao projeto de continuísmo do “socialista”.

    As oposições (divididas) aguardam a roleta parar (sete de abril), data limite para o governador Ricardo Coutinho chamar o caminhão da mudança. Pesquisas de intenção de votos sinalizam no momento eleição tranquila do “socialista”, caso venha disputar uma das duas vagas para o Senado da República. É bom lembrar que pesquisas refletem o momento. Sem “poder de caneta” e com modificações no Secretariado que o acompanha desde o seu primeiro mandato, como prefeito da Capital, Ricardo Coutinho irá se deparar com uma realidade totalmente imprevisível, talvez adversa. Ao invés de mandar (o que vem fazendo há quinze anos) irá pedir. Deixará de ser o “motorista”, passará a ser “caronista” - de um novo governo - que caso venha ser sua vice, pensa e age de modo oposto ao seu. Estes maus presságios têm assombrado alguns de seus fiéis companheiros de “roleta”, que não estão confiantes no seu palpite (João Azevedo). Deputado Federal Wellington Roberto, foi o primeiro a se afastar entregando a Secretaria de Esportes, em pleno ano eleitoral (?). Inacreditável.

    Longe de subestimar o campeão de votos da Paraíba – por duas vezes – Ricardo Coutinho. Segundo a fonte José Antônio (Gotinha), existe um trabalho nos bastidores do Palácio da Redenção, para a vice-governadora Ligia Feliciano também renunciar no dia sete de abril (2018). Uma eleição indireta seria realizada através da Assembleia Legislativa, para um mandato “tampão”. Claro que o candidato seria João Azevedo, que disputaria em outubro sua reeleição. Seriam quatro anos (se reeleito) guardando a cadeira para o retorno de Ricardo. Senador Raimundo Lira deixaria o MDB e seria o suplente de Ricardo Coutinho. Aguinaldo Ribeiro, em caça, aguarda um movimento em falso de Romero Rodrigues, para se posicionar como a segunda opção da chapa do PSB, já comprometida com Veneziano Vital do Rego.

    Deputado Federal Pedro Cunha Lima será o vice de Luciano Cartaxo. Romero Rodrigues está sendo “assediado” por José Maranhão para indicar sua esposa como vice do MDB. Quem vai jogar sinuca com “pau” de dois “bicos”? Cássio ou Maranhão? Na perspectiva da primeira dama do município não sair como candidata à vice de Maranhão, disputará uma vaga para a Câmara dos Deputados, enterrando o prestígio de Enivaldo (atual vice-prefeito), levando Aguinaldo e Daniella a obterem uma votação pífia em Campina Grande, sepultando suas pretensões para 2020. Fazendo uma analogia desta feita ao futebol, treino é treino, jogo é jogo. A partida começa em 08.04.2018.

  • DISPERSÃO DAS OPOSIÇÕES

    08/01/2018

    Os últimos movimentos do senador José Maranhão - no tabuleiro do xadrez político da Paraíba - deixaram a união das oposições em xeque. Uma visita pessoal ao prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, sem combinar antes com o presidente do PSDB Rui Carneiro, nem avisar ao chefe do Clã, Cássio Cunha Lima, deixou perplexo e curioso os demais aliados. Faz declarações desastrosas sobre o prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo e concomitantemente se reúne com cacique do PSD Rômulo Gouveia (?). Na sequencia dos desacertos, contratou marqueteiro que no momento presta “serviços de consultoria” ao governador Ricardo Coutinho. Falou de separação e divorcio com o PSD, correndo o risco de perder o vice-prefeito Manoel Júnior. Os Motas de Patos tratam sua postulação com frieza, despida de qualquer entusiasmo. Veneziano Vital do Rego, sendo cortejado pelo governador, que massageia seu ego, quando manifesta em público o desejo de votar no ex-cabeludo.

    Onde passa um boi, escapa toda uma boiada. Senador José Maranhão está abandonando o “diálogo” - caminho duramente construído pelo presidente do PSDB Rui Carneiro - e enveredando pelo “monólogo” sob a alegação que, de todos os políticos com mandato no momento, o único que nada tem a perder nesta campanha é ele. Esquece que pode perder o principal: as eleições.

    Neste ritmo, terminará só.

    Desde 1994 que o PMDB não vence uma eleição na Paraíba. Chegou ao Poder com Buriti (1986) no auge do Plano Cruzado. Em 1990, mesmo com o desgaste da legenda - satanizada em todo o país - Ronaldo Cunha Lima manteve a sigla no Poder e elegeu seu sucessor o “claudicante” Antônio Mariz (1994), derrotando uma máquina de fazer votos, Lúcia e Wilson Braga. Desconsidere-se a reeleição de Maranhão (1998) como uma peleja. Deputado Federal Gilvan Freire e seu PSB representaram uma postulação “Quixotesca”, sem chances de disputa, deserta de apoios, apostando apenas no idealismo. E lá, já se foram 20 anos de derrotas subsequentes do PMDB-PB.

    Nesta linha do memorialismo lembramo-nos que no distante ano de 1998 o então governador José Maranhão pregava por todos os recantos da Paraíba que seria candidato à reeleição, e seu vice seria o ex-senador Ivandro Cunha Lima. Uma manchete do Jornal da Paraíba sepultou o projeto desagregador. “Ronaldo Cunha Lima: Eu tenho posição, Maranhão imposição”. Maranhão estava e parece que ainda continua conjugando verbos, no singular: eu, tu; ele. Alianças exigem o plural: “nós”.

    Os percalços das oposições inversamente confortam o projeto de Ricardo Coutinho. Está tudo acontecendo dentro do esperado - divisão de seus adversários - e o senador José Maranhão representando o mesmo papel desempenhado por Vital Filho, no voo “solo” de 2014. Expectativas do “socialista” estimam entre 100 a 200 mil votos (obtidos por Maranhão 2018) que no segundo turno apoiará o candidato do PSB. Ricardo, provavelmente ao lado de Veneziano ou Aguinaldo Ribeiro, formará o palanque de João Azevedo. O que mais impressiona, é como José Maranhão conseguiu, em tão poucos dias, desagregar todo um projeto, cujo principal objetivo era evitar a solidificação da terceira forca política no Estado.

    Pelo visto, tarde demais...

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