Colunista Júnior Gurgel

  • RIBEIRO E REGO NA DISPUTA MUNICIPAL

    17/06/2019

    Os últimos acontecimentos da lava-jato, envolvendo o PP, são presságios para noites de angústia e dias de ansiedade para o Clã Ribeiro. Indiciado como réu no STF, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro terá que ter muita fibra, fé e sorte, para escapar incólume de um julgamento realizado por uma Corte com 11 ministros, que vive o seu pior momento de credibilidade na história da Justiça brasileira.

    Ex-governador Ronaldo Cunha Lima preferiu renunciar, que enfrentar o STF, não por corrupção: tentativa de homicídio contra o ex-governador Tarcísio Buriti. O poeta foi precavido...

    Pouco tempo depois, os ministros indicados pelo PT (seis) passando pelo crivo de Zé Dirceu, puseram não só ele na cadeia, mas os grandes símbolos da legenda como José Genoino, Delúbio Soares; da Igreja Evangélica como Bispo Rodrigues... Todos trancafiados na “Papuda” (presídio de Brasília), pelo escândalo do “mensalão”. Vinte e seis, dos trinta e oito denunciados e acusados pela PGR, foram condenados por corrupção ativo/passiva lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Isto nos bons tempos “petistas”, quando a legenda mandava no país - apoiada pela mídia profissional - que “abafou” o quanto pôde blindando o ex-presidente Lula e tratando a notícia de forma seletiva. Se na época as “redes sociais” tivessem o alcance de hoje, Lula teria sido impedido de governar.

    Duas apostas exitosas do pepista Aguinaldo Ribeiro romperam o limite da “ambição”, e se transformaram em “ganância” compulsiva pelo poder. No primeiro mandato como deputado federal, alcançou a vice-liderança do PP. No segundo, ministro das Cidades. Com impeachment de Dilma Rousseff, líder do governo na câmara dos deputados, e principal cabo eleitoral que elegeu o atual presidente Rodrigo Maia. Em 2018, aumentou o lance, e elegeu sua irmã Senadora da República. Estava convicto que ocuparia qualquer ministério, pouco importando qual fosse o presidente eleito. Mas, foi Bolsonaro... Baixíssimo clero no parlamento, ignorado pelo PP. O “mito” conhece de perto todo o “centrão”. Observou e sempre denunciou as “manobras” para ocuparem espaços e desfrutarem de privilégios do governo central. Perdida no Salão Azul se encontra sua irmã Daniella Ribeiro. Seu partido é o “abre alas” do “centrão”, o mais queimado por toda população brasileira, por obstruir a governabilidade em nome do toma lá, dá cá. A legenda não conseguirá nada da gestão Bolsonaro. Para não encerrar a carreira política no Senado Federal, e ressarcir os custos do investimento em sua campanha feito por seu irmão, Daniella Ribeiro precisará de “poder de caneta”. Disputará ano vindouro o pleito municipal, partindo com uma boa performance: 103.870 votos obtidos nas urnas de 2018.

    Quanto aos Regos, o destino é semelhante aos Ribeiros. Ministro do TCU ex-senador Vital Filho é réu da lava-jato em Curitiba (primeira instância). Terá mais chances para recorrer de quaisquer decisões desfavoráveis, vantagem que não desfruta Aguinaldo Ribeiro, que será julgado pela última (STF). Acima desta, só a justiça Divina. Mas, o senador Veneziano Vital do Rego que sempre sonhou em ser governador, a passagem pela Prefeitura de Campina Grande é indispensável para alçar este voo. Vive o mesmo dilema de Daniella: está preso a uma legenda “demonizada” pelo governo Bolsonaro: PSB. Que se faça justiça: Veneziano é um “estranho no ninho”. Nunca foi comunista, seus ancestrais não deixaram rastros nos caminhos trilhados pelas esquerdas, e se sente desconfortável em fazer um eventual papel de ridículo, representando um “contrão”. Senador Ney Suassuna - “suporte” de sua vitória - em entrevista radiofônica semana passada, afirmou que existe um acordo para Vené lhes ceder parte de seu mandato. A oportunidade pelo visto, seria logo agora em 2019. Ney tem ligações com o governo Bolsonaro, não esconde sua pretensão em ajudá-lo no Senado Federal. É bom não esquecer, que o Prefeito Romero Rodrigues terá um candidato, quer seja um Cunha Lima ou não. Está muito bem posicionado nas pesquisas de aprovação de sua gestão e sonha também com o governo do estado (2020). A campanha será atípica. Talvez semelhante ao que previu Albert Einstein, numa resposta “quebra queixo” feita por um repórter, após a bomba de Hiroxima: “Como o senhor acha que será a terceira guerra mundial”? Einstein respondeu: “a terceira eu não sei... Sei que a quarta será com pedras e paus”.

  • FAVORITISMO DE ROMERO RODRIGUES

    10/06/2019

    O enigmático mundo político e seus resultados imprevisíveis são semelhantes aos efeitos do futebol ou quadros de guerras. Comumente usa-se “alegorias”, comparando os campos de batalhas e as disputas esportivas aos inesperados resultados das urnas, na hora da contagem dos votos: sempre surpreendentes.

    O “favoritismo” do candidato (ainda desconhecido) a prefeito de Campina Grande, apoiado por Romero Rodrigues - seja quem for – segundo pesquisas que apontam elevado índice de aprovação da sua gestão, é tão imbatível quanto as duas seleções dirigidas pelo técnico Telê Santana (1982/1986). Mesmo figurando na lista dos melhores técnicos do mundo até 2018, Telê teve duas chances de conquistar o tetra campeonato, na melhor fase craques do nosso futebol. Não conseguiu chegar às finais.

    Romero Rodrigues ainda tem dezoito meses de governo. Hoje já desponta na historia como um dos melhores gestores da cidade no século XXI, a exemplo de Vergniaud Wanderley e Enivaldo Ribeiro no século XX: ambos expandiram a Rainha da Borborema, modernizaram-na e investiram muito em infraestrutura urbana. Ao se aproximar do final de seu mandato, Romero está deixando Campina Grande cada vez mais bela e apaixonante. Sem uma única favela, e quase toda pavimentada.

    Vergniaud Wanderley governou por duas vezes: 1935/1938 e de 1940 a 1945. Mudou completamente a fisionomia da cidade, construindo novas ruas e avenidas largas, atraindo prosperidade e um crescimento extraordinário, alcançando uma população de 141.226 habitante (1945) maior que várias capitais brasileiras da época. Seu prestígio foi reconhecido por toda a Paraíba, que o elegeu Senador Constituinte nas eleições de 1947.

    Enivaldo Ribeiro foi eleito em 1974 e teve seu mandato prorrogado por dois anos. Romero Rodrigues foi eleito em 2012 no segundo turno. Reeleito em 2016 no primeiro, com uma maioria esmagadora, sem registros precedentes na memória das disputas eleitorais da cidade. Entretanto, existe algo “anormal” ou “místico” de difícil interpretação ou compreensão da crônica política. Crescendo eleitoralmente desde o segundo turno de 2012, Romero Rodrigues tem uma enorme dificuldade em transferir votos, mesmo para os que lhes iniciaram na vida pública. Seu primo, ex-senador Cássio Cunha Lima, foi derrotado para o governo do estado em 2014. Bem, pode ser alegado que a disputa era estadual... Mas, o compartimento da Borborema – 48 cidades no entorno da Capital do trabalho – onde é refletida a imagem do prefeito de Campina Grande, Cássio foi mal... Perdeu na maioria destas cidades que orbitam em torno da Rainha da Borborema.

    Nas eleições de 2018, Cássio Cunha Lima, recorde em gestões como Prefeito de Campina Grande (três vezes), duas passagens pela câmara dos deputados; governador do estado reeleito; senador da república que não conseguiu renovar seu mandato, quando o eleitor escolheu outros dois campinenses em seu lugar: Veneziano Vital do Rego e Daniella Ribeiro. O primeiro (ex-cabeludo) esteve à frente dos destinos de Campina Grande por duas vezes (2004/2008 até 2012), foi deputado federal com uma votação expressiva (2014), porém, em 2016 ao enfrentar Romero Rodrigues, saiu das urnas com um resultado pífio - metade da votação obtida em 2004 - pouco mais de 53 mil votos. Romero Rodrigues ultrapassou os 138 mil sufrágios. Daniella Ribeiro atingiu seu ápice nas eleições municipais de 2012 - não alcançando o segundo turno - recebeu 36 mil votos. O que houve de errado com Romero Rodrigues, que permitiu Daniella Ribeiro ser consagrada campeã de votos em Campina Grande (2018) para o senado, com 103.877 votos? Cássio ficou atrás com quase nove mil votos de diferença (94.560) e Veneziano se recuperou do “tombo” de 2016, crescendo em mais de 21 mil votos (74.485). O mais grave foi o “cochilo” que permitiu o estranho e forasteiro Luís Couto “arrancar” do “Campinismo” 42.204 votos. Tragédia semelhante ao “apagão” da seleção brasileira comandada por Felipão em 2014: 7x1 para Alemanha.

    Ano vindouro Romero Rodrigues confirmará ou não, o histórico do fadário destinado aos grandes prefeitos da Rainha da Borborema. Vergniaud Wanderley não concluiu seu mandato de senador. Foi nomeado para o TCU em 1951, faleceu em 1986, esquecido politicamente. Enivaldo Ribeiro tentou quatro vezes voltar ao “Palácio do Bispo”. Nas eleições de 2000 foi “patrolado” pela chapa Cássio/Cozete Barbosa. Com quatro mandatos de deputado federal, em 2002 foi batido nas urnas em Campina Grande por um estranho Mikika Leitão (?). Ninguém jamais viu este cidadão na cidade. Aliando-se a seus arqui-inimigos (políticos) - Cunha Lima - lançou sua filha Daniella Ribeiro como vice de Rômulo Gouveia em 2004. Perderam por apenas 686 votos. Numa manobra misteriosa e ainda não desvendada, Romero Rodrigues com reeleição garantida, substituiu Ronaldo Cunha Lima Filho – irmão de Cássio – por Enivaldo Ribeiro. Uma homenagem para evitar o esquecimento, no ocaso de sua carreira política?

  • O SILÊNCIO DE VENEZIANO

    03/06/2019

    O companheiro Marcos Marinho comentou ontem (31/05/2019) em artigo postado na sua página do Faceboock, a possibilidade de uma união entre Ricardo Coutinho e o Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, com vistas a “isolar” politicamente o senador Veneziano Vital do Rego, deixando-o fora do pleito municipal do ano vindouro. Ressalvou Marinho com ceticismo, que as informações partiam do blog assinado pelo radialista Milton Figueiredo (Resumo PB) frequentador da Corte dos Rodrigues, fato que mereceu destaque e repercussão no blog “Polêmica PB” do comunicador e respeitado marqueteiro Gutemberg Cardoso.

    Com um olho no peixe e outro no gato, temos acompanhado o quotidiano paroquiano da política local e estadual, muito embora nossa atenção esteja mais focada em Brasília, onde as mudanças são radicais. Como adverte um velho adágio sertanejo, a situação é de “vaca desconhecer bezerro”. Nos seus estertores, a velha política agoniza. E a “nova” ainda é uma imagem desfocada como filme fotográfico preto e branco. Todavia, logo mostrará seus traços fisionômicos. O fogo amigo do PSB-PB tem atingido o Senador Veneziano Vital do Rego, que segundo os mais “chegados” de Ricardo Coutinho, já recebeu diversos “carões” do ex-governador, por não assumir uma posição frontal contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. Será? Só Veneziano sabe o que sofreu nas unhas de Ricardo Coutinho de junho até 19 de setembro de 2019, quando Ney Suassuna aceitou ser seu suplente.

    Mais de 60 dias insone e tonto, sem ter a quem recorrer. Só ia dormir quando sabia que Luis Couto estava em casa e roncando. Amanhecia na Granja Santana, ou onde estivesse o então governador Ricardo Coutinho. Colado o tempo todo. Qualquer “vacilo”, o líder girassol pedia o voto para Luís Couto, e “marcava” com outro nome que não fosse Veneziano. Em nenhum momento – até a chegada de Ney – Ricardo se empenhou pela eleição de Veneziano. Os motivos são óbvios: ainda não existia a “operação calvário”, e o ex-governador pretendia – se ainda pretende é louco – voltar a governar a Paraíba. Veneziano seria uma ameaça... Poderia liderar uma frente de oposição. Luís Couto desejava encerrar sua carreira política no Senado Federal. Mas, o “lance” de Ney foi a jogada mais brilhante e já vista nas últimas campanhas da Paraíba.

    O que espera no momento Ricardo Coutinho de Veneziano? Ele é quem deve muito ao ex-cabeludo, que deixou seu partido (PMDB), onde tinha a mesma vaga que disputou pelo PSB, poderia ter sido reeleito deputado federal e ter lançado sua esposa Ana Cláudia como vice de Maranhão. Foi cortejado pelos irmãos Cartaxos, porém, acreditou na palavra de Ricardo Coutinho. Foi salvo por Ney Suassuna. Não só pela questão de “estrutura financeira”, mas pelo próprio peso e força que Ney ainda tem no Estado. A crônica política – em sua maioria desmemoriada – esqueceu que Ney foi Ministro da Integração Nacional e todos os 223 municípios da Paraíba receberam verbas orçamentárias e extraorçamentárias, independente de partido e suas cores pastoris da época. Ney nunca deixou de cumprir seus compromissos. Não se tem noticia de políticos da Paraíba reclamarem, que Ney prometeu e falhou. Isto foi muito importante na campanha de Veneziano. Ney tinha “credito” político para assumir e cumprir depois.

    Eleição e posse de João Azevedo, Veneziano era - continua sendo - um ilustre desconhecido no Palácio da Redenção, que só mudou a posição na mesa do jantar. Na cabeceira, João Azevedo. Ricardo Coutinho deve ter ouvido Juscelino Kubistchek: “não importa a posição na mesa, a cabeceira é onde eu estiver sentado”. Nomeou quem quis no governo, ignorando os inúmeros pleitos do senador Veneziano Vital do Rego. Mesmo depois das rusgas recentes, onde parte do parlamento já pede que João se afaste de Ricardo, Veneziano ainda não foi procurado pelo governador “de direito”, para discutirem a gestão, e perspectivas para as eleições de 2020. O silêncio de Veneziano ainda é prudencial. Se em seu lugar estivesse o saudoso Tribuno – seu pai – já tinha rompido e procurado outra legenda. A postura de que o homem é “senhor do que cala, e escravo do que fala”, mostra que o ex-cabeludo amadureceu.

  • JUSTIÇA SURDA

    21/05/2019

    O CAEGO da Paraíba sempre foi muito lento, apoucado ou temeroso, comparando-o aos demais, como por exemplo, o grupo destemido e ágil do vizinho Rio Grande do Norte. O deputado Wallber Virgolino, que esteve como Secretário de Estado no RN, presenciou cenas do CAEGO inimagináveis e nunca realizada em outros Estados. Prisões dentro do TJ-RN, afastamento de três Desembargadores com prisões domiciliares; prisão da esposa do Secretário de Segurança – um General do Exército – onde quase se deflagrou um conflito armado, pela resistência do General, desconhecendo o envolvimento de sua consorte na Secretaria de Saúde, mandou a PM cercar o condomínio e os policiais federais que estavam lá. Na Assembleia Legislativa, operação “Dama de Espada” encalacrou todo o parlamento, afastou o presidente e no imbróglio que foi esbarrar no TJ-RN, 11 dos 15 Desembargadores se averbaram “suspeitos” em julgar habeas corpus, tangendo-o para o STJ: nepotismo cruzado.

    Nos últimos dois anos, já foram realizadas mais de 20 novas eleições no RN por cassações de mandatos dos prefeitos eleitos no pleito de 2016, acusados de compras de votos ou abuso do poder econômico. E na Paraíba? A prática é a mesma e vulgarizada universalmente em todos os grotões deste país. Quantas cassações ocorreram? O respeito hoje desfrutado pelo GAECO-RN é impressionante. Fato que justifica a população seus bons salários, pois o povo se sente confiante e paradoxalmente, protegidos por eles. Os habitantes das pequenas cidades potiguares não procuram mais a polícia. Vão direto até o Promotor. A demanda é imensa, a partir de briga de vizinhos, lâmpada queimada na rua, ou o buraco na avenida... Só quem resolve é o Promotor.

    A “operação calvário” realizada pelo GAECO-PB foi um avanço que nos deixou perplexos, mesmo sabendo que a iniciativa foi do MP do Rio de Janeiro, Estado onde o GAECO-RJ descobriu uma saída para a lei no gigantesco labirinto da corrupção que envolve de forma associativa todos os poderes constituídos. O GAECO carioca pôs na cadeia todos os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Prendeu todo o Secretariado do ex-governador Sérgio Cabral; o próprio governador (Pezão) no exercício de suas funções no Palácio Guanabara; Presidente da Assembleia Legislativa e toda sua mesa diretora... A lei começa a ser temida e respeitada. Criminosos são tratados de forma isonômica, independente de sua posição sócio/econômica ou política. Militares, Milicianos; temidos narcotraficantes; bicheiros; deputados e senadores se nivelaram na forma da lei aos ladrões de galinhas ou batedores de carteiras, sem levar-se em conta a cor de sua pele.

    Simbolicamente a Justiça se apresenta como “cega”. Privilégio que a lei não permite ser usufruído pelo MP e o GAECO. Sua miopia ou estrabismo comprometeriam a fiscalização da aplicação da Lei. Para se tornarem mais eficazes, criaram um grupo de combate à corrupção e o crime organizado. Mesmo se apresentando como “cega” a Justiça não é surda, nem tem tapumes em seus ouvidos. Um “operador” da corrupção da “operação calvário” foi preso e delatou o primeiro escalão do ex-governador Ricardo Coutinho. Ato subsequente, prisão da supersecretária Livânia Farias. Sua liberação – com duas preventivas – sugere colaboração ou “delação premiada”. Vídeo mostra o ex-governador Ricardo Coutinho desembarcando no hangar do governo do estado, Aeroporto Castro Pinto. Ex-governador vai ao rádio e responde que estava despachando verbas para o projeto Empreender com dois secretários (?). O Governador não é João Azevedo? No passo de tartaruga do CAEGO-PB, prenderam a número dois da Procuradoria do Estado, delatada como tesoureira da campanha de João Azevedo. E o número um, Gilberto Carneiro? Só busca e apreensão? Dia seguinte a Secretária de Finanças do governo João Azevedo renuncia. Para espanto da Paraíba, é esposa ou companheira do ex-governador Ricardo Coutinho. Neste caso, João não governa.

    O GAECO-PB “cochichou”, o povo alarmou, e a mídia alternativa – não subsidiada pelo Palácio da Redenção – fez um estardalhaço sobre fatos reais, de uma ficção montada pelo governo girassol. Só resta uma pergunta: a Justiça também é surda? O que ainda resta para prestar contas à sociedade, revelando o desmantelamento de uma quadrilha que por oito longos anos ininterruptos saqueou os cofres públicos da Paraíba? Com a palavra, o silente GAECO-PB e nosso respeitado TJ-PB.

  • QUEM GOVERNA A PARAÍBA?

    30/04/2019

    Pegou pesado o ex-governador Ricardo Coutinho ao responder acusações do deputado estadual Wallber Virgolino, sobre o uso de estrutura da Infraero e do hangar do Governo do Estado no aeroporto Castro Pinto - fato ocorrido há três dias – documentado em vídeo e “viralizado” nas redes sociais.

    Culpar o parlamentar pelo “vazamento” do vídeo foi o primeiro de seus erros neste episódio que lhes rendeu impopularidade imensurável. O segundo – mais grave – a justificativa apresentada: “estava no hangar com dois secretários “meus” despachando recursos para o projeto Empreender em Cajazeiras”. Terrível! Revelou a toda Paraíba que João Azevedo não governa e quem continua no comando do estado é “ele” - Ricardo Coutinho. Para concluir sua malfadada jornada midiática, insinuou que o deputado Wallber Virgolino “sabia” dos motivos de sua saída da gestão “Ricardo I”, da secretaria de administração penitenciária.

    O parlamentar respondeu na bucha: “porque não concordei em superfaturar a refeição dos presídios, terceirizando para uma empresa que cobraria 45 milhões, quando se gastava praticamente a metade, 25 milhões de reais”.

    O famoso promotor de lutas de boxe – pesos pesados – Don King quando rompeu com o fenômeno Mike Tyson - o melhor de todos os seus lutadores - assegurou-lhe que iria preparar um adversário, treiná-lo e derrotá-lo. Tyson tinha 27 lutas, todas ganha por nocaute, e apenas uma, chegando ao nono round. King descobriu Evander Holyfield e o treinou. Fez recomendação: rode o tempo todo ele no ringue. Não deixe ele se aproximar porque ele o levará a nocaute. Se você aguentar até o quinto round vencerá a luta. Tyson não luta de forma desportiva, disputa com raiva e muito ódio do desafiante, isto o levará ao cansaço físico. Foi exatamente o que aconteceu.

    Ricardo Coutinho está lutando com fúria, odiosidade e rancor. Práticas obsoletas na atual política de “coalizão”. A ira contra o deputado Wallber Virgolino não foi por conta da denúncia do uso do carro da Infraero. Mas, pelas imagens que sugerem medo e fuga do povo. Precisava ir até a mídia se explicar? O episódio logo seria imêmore, superado por outros eventos, provavelmente mais tensos e ruidosos que advirão da operação “Calvário”: denuncia que investiga as ações de sua gestão envolvendo suborno, lavagem de dinheiro; improbidade administrativa; formação de quadrilha... Só Deus sabe a quantidade de imputações criminosas que comporão a peça acusatória do MP.

    E quanto a João Azevedo? Qual será seu destino? Se continuar deixando Ricardo Coutinho governar, poderá ser afastado do cargo a pedido do MP que indiscutivelmente irá considerá-lo suspeito - comportamento precário - permitindo que seus secretários acatem ordens do seu antecessor investigado. A simples presença de Ricardo Coutinho pode ocasionar destruição de provas já coletadas nas delações realizadas. Até agora, só quem está ganhando na disputa é Walber Virgolino, ironicamente com ajuda de Ricardo Coutinho. Segundo o ex-governador “é um parlamentar de um único mandato”. Eleito numa destas “brechas” oportunas da política. Olhando o retrovisor... Walber é hoje o Ricardo de ontem. Sua trajetória para chegar a PMJP só depende dos desdobramentos da “operação Calvário”.

  • TRINTA E SETE DIAS NO CÁRCERE

    25/04/2019

    O ex-ministro José Dirceu, relatando sobre seus dias na prisão da “Papuda” (Brasília) após condenação no mensalão, descreveu a inevitável depressão que se abate sobre o condenado, quando a porta da cela se fecha e só lhes resta o silêncio e a solidão. Após as duas primeiras semanas, com ideias e pensamentos totalmente desconectados, começa o julgamento interior se vale a pena ou não, permanecer vivo.

    Imagine a surpresa e o choque paralisante sofrido pela ex-secretária Livânia Farias, mulher, mãe; Secretária de Estado respeitada pela sociedade; exemplo para família, ao receber voz de prisão no aeroporto de João Pessoa - sábado 16.03.2019 final de tarde - vindo de Brasília, e provavelmente com garantias que conseguiria um habeas corpus preventivo. Motivo de sua viagem com o ex-governador Ricardo Coutinho dois dias antes, foi a polícia a mando da Justiça, vasculhar sua residência e local de trabalho na busca de provas compatíveis com delação de seu secretário de confiança, que a acusara de guardiã do tesouro girassol, e chefe de todo um esquema de propinas.           

    José Dirceu é homem e já tinha sido preso antes – segundo ele até torturado – na época dos militares. Passou por um julgamento no STF onde foi condenado. Sabia os anos de sua pena, mesmo procrastinando até onde foi possível. Sua prisão não o surpreendeu. Alimentava a possibilidade de soltura, por sua indiscutível influência no STJ e STF, instâncias da Justiça onde todos os nomeados da era petista – exceto Edson Fachin – passaram pelo seu crivo. Mais cedo ou mais tarde... Como de fato aconteceu, ganhou regime condicional. Voltou para a prisão quando desencadeou a lava-jato. Inicialmente descartou fazer uma delação. Mas, para seu desespero, seu líder – ex-presidente Lula – lhes foi fazer companhia na sede da PF em Curitiba. Restava-lhes só uma carta sob a manga... O Ministro Dias Toffoli, cobrado por Dirceu e Lula, optou pela soltura de Dirceu, temendo consequências mais graves e institucionais envolvendo os militares. O roteiro argumentativo de Dirceu era que, uma vez livre, venceria a campanha (2018) e Lula seria solto através do indulto natalino, deixando Curitiba como herói nacional e participando da transmissão de cargo em 01/01/2019.

    Livânia Farias foi encarcerada. Seu mundo deve ter desmoronado na primeira noite no atrás das grades. Mas, o consolo vinha através de seus advogados (treinados) que lhes pediam força e um pouco de paciência. Por outro lado, ela acreditava no poder de seu comandante (Ricardo Coutinho) que já tinha dado provas inequívocas de ser influente nas Cortes de Justiça. O atual governador João Azevedo iria quebrar lanças para tirá-la de lá. Ao sair, poderia recomeçar sua vida, longe e distante de tudo. Jamais esteve preparada para “puxar” cadeia. Talvez admitisse responder processos por improbidade, frequentar salas de audiências no Fórum acompanhada de bons advogados... Mídia comprometida agindo em sua defesa... E, o Marechal “tempo” se encarregaria de resolver o restante.

    Primeiras tentativas de soltura negaram-lhes Habeas Corpus. Veio a audiência de custódia, ocasião que lhes encheu de esperanças. Para seu infortúnio, outra surpresa: um segundo mandado de prisão, como cúmplice de um processo que corre em segredo de justiça (?). A esta altura, o chão desapareceu. Os dias viraram semanas, meses e ano, sem que nada acontecesse. Literalmente depressiva, a família aconselhou-a a fazer uma delação premiada. Neste ponto, se inicia um conto inédito e não revelado. O temor de uma delação de Livânia assombrou a “família girassol”. Como evitar? Montar uma guarda permanente através dos seus advogados, para impedir o fato. Livânia passou a ser monitorada 24 horas pelos causídicos, que a torturavam mentalmente criando um quadro de terror, e ao mesmo tempo alimentavam decisões de Brasília. O Ministro Sérgio Moro – por se tratar de dinheiro do governo federal - se prontificou enviar Força Tarefa da PF, para ajudar nas investigações. O tempo de Livânia se esgotou. Lula, Eduardo Cunha; João Vaccari; Renato Duque... Muitos permaneceram presos até serem condenados. A chegada da PF a Paraíba foi definitiva para sua decisão. Num “cochilo” dos advogados “carcereiros” de Livânia (23.04.2019) a PF e o CAEGO levaram-na para um socorro médico, que durou seis horas. De volta à cela, começou a arrumar sua bagagem. Não atendeu mais seus algozes advogados, e poucas horas depois a juíza Andréa Gonçalves de Lopes Lins, usando uma dezena de artigos, parágrafos e incisos – com anuência do MP e CAECO - expediu alvará de soltura sem a presença dos advogados de Livânia.

    Imbróglio que durou 37 dias, foi resolvido em pouco mais de oito horas, numa celeridade ímpar na história do Judiciário.

    O gabinete da crise, comandado pelo secretário Luiz Torres, chegou a festejar momentaneamente a decisão. Porém, não encontrou seu comandante Ricardo Coutinho para lhe transmitir a noticia em primeira mão. A PF trabalha com logística. Não tem pressa, e montará cuidadosamente o cerco para prender todos em um só dia. Quantos e quem? Não se sabe. Talvez muitos e notáveis, que causarão perplexidade à sociedade. É bom lembrar que o ex-governador Pezão foi preso no Palácio da Guanabara no exercício de suas funções. E seu antecessor, Sérgio Cabral já acumula condenações com tempo de quase dois séculos de cadeia.   

  • NOVA EQUIPE DE ROMERO COM SEU CANDIDATO

    16/04/2019

    A derrota (que previmos*), porém não de forma tão acachapante, do senador Cássio Cunha Lima, foi algo visível pelo erro cometido com a divisão das oposições. Surpresa chocante foi o inimaginável estrago provocado no eleitorado do deputado federal Pedro Cunha Lima, fato que teve desdobramentos com o aprofundamento da pequena “fissura” (hoje fosso) entre o prefeito Romero Rodrigues e o clã Ronaldista.

    O baixo desempenho registrado na campanha por Pedro comprometeu – no presente - projeto de seguir os passos de seu avô e pai. Por outro lado, Cássio não esperava ser o segundo lugar em Campina Grande, perdendo para Daniella Ribeiro, que no seu melhor momento – como candidata a prefeita da Rainha da Borborema – atingiu a marca de 36 mil votos. Triplicou sua votação como coadjuvante de Cássio? Estes eventos não passam em branco. Têm sempre um culpado ou “negligente”. Imperdoável foi Luiz Couto obter mais de 42 ml votos, onde nunca celebrou uma missa.

    Prefeito Romero Rodrigues tem mostrado ser um dos casos raros em termos de avaliação popular na administração pública, onde a gestão é maior e mais reluzente que a figura do gestor (?). Fenômeno histórico comparativo, só encontrado em Cícero Lucena e sua conturbada carreira política em João Pessoa. Eleito e reeleito de forma brilhante mostrou-se um péssimo transferidor de votos, e não conseguiu emplacar seu sucessor – deputado federal Rui Carneiro – apoiado pelo governo do estado (Cássio), presidência e maioria do parlamento paraibano; presidência e maioria na câmara municipal da capital... Cícero não empolgou o povo. Rui Carneiro foi derrotado por um candidato improvisado – considerado por alguns como medíocre, por outros um excêntrico – ex-vereador e deputado estadual, suspenso do PT; escolhido na vigésima quinta hora, e catapultado inicialmente apenas por Nadja Palitot do PSB.

    Conferindo os novos nomes da equipe de Romero Rodrigues – reforma de abril (2019) - e suas respectivas posições estratégicas, ficam clarividentes as intenções do prefeito em apoiar como candidato a sua sucessão o ex-deputado estadual Bruno Cunha Lima. Todavia, é bom lembrar que quem estava tentando construir este “perfil” ocupava o mesmo espaço hoje preenchido por Bruno - contraparente Tovar Cunha Lima (deputado estadual) – que teve o infortunio desastroso nas urnas (2018) quase derrotado na disputa por sua recondução à Casa Epitácio Pessoa.

    Onde erra, ou errou Romero? Para a cidade, e quem a visita, sua gestão é primorosa. E qual a dificuldade do povo homenageá-lo, reconhecendo sua tamanha dedicação, votando em seus indicados? O irmão Moací, com seu apoio disputou uma das vagas para o parlamento paraibano. Entrou pelas sobras “surfando” na contagiante onda Bolsonaro.

    Provavelmente para Romero, Bruno e sua equipe, a campanha está ganha e não terão adversários em nível de competição. Enxergamos sob outro viéis... Toda unanimidade é burra, segundo saudoso cronista Nelson Rodrigues. Como Romero em nada mudou desde o pleito de 2018, o “fantasma” que o acompanha se ainda não foi “exorcizado”, seu sucessor a esta altura talvez não sonhe sequer em ser candidato.

    *FAVORITISMO AMEAÇADO – artigo publicado em 07.08.2018 em apalavraonline http://www.apalavraonline.com.br/colunista/junior-gurgel/ e O ALVO É CÁSSIO igualmente postado no mesmo mês de agosto 2018 no site WWW.paraibaconfidencial.com.BR. http://www.paraibaconfidencial.com.br/?page_id=469.

  • O POVO VOLTA ÀS RUAS

    10/04/2019

    Quando pensávamos que já tínhamos visto e testemunhado tudo de mais excêntrico no comportamento impulsivo do nosso povo, eis que surge o inusitado: domingo 07/04/2019 o povo voltou às ruas manifestando sua indignação contra a Suprema Corte, em defesa da operação policial de combate a corrupção lava-jato e repudiando a mídia tradicional (grande imprensa), formadora de opinião da Nação. Isto jamais foi visto nas democracias ocidentais… O povo contra o Poder Judiciário? Pedindo sua extinção ou impeachment de seus Ministros!? Historicamente o movimento se assemelha com queda da Bastilha, que culminou na revolução francesa.

    O impressionante é que desta feita não houve apoio de movimentos organizados como MBL, Vem Prá Rua… Diversos outros grupos considerados de “direita”, que se aparelharam nos períodos das manifestações (três vezes) pedindo o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Este povão – desacreditado pela grande mídia e subestimado pelo Poder Judiciário e o Legislativo – já havia mostrado seu rosto na campanha que realizaram através das redes sociais, apoiando e elegendo o presidente Jair Bolsonaro. Candidato literalmente sabotado pelos nossos “cidadãos Kane”, que ainda não conseguem entender os motivos da rebelde alforria coletiva da senzala controlada pelos Capitães de Mato, proprietários dos grandes grupos de comunicação do país.

    A partir desta segunda feira (08/04/2019) se tivesse como conferir, saberíamos o tamanho do estrago na audiência da Rede Globo, pelo boicote na cobertura dos eventos e registros sem mostrar o tamanho das multidões – sobretudo em São Paulo – avenida paulista. Até onde eles (extrema-mídia) acham que derrotarão a vontade popular? As imagens que foram suprimidas pelas redes de TV foram exibidas em tempo real pelo Youtube, Faceboock; Instagram; Twitter; grupos de Whatsapp…

    A convocação partiu do Twitter, sem apoio de nenhum político. Os motivos foram simples: a intenção de legitimarem seu voto pelas mudanças, ratificando que fizeram a escolha certa nas eleições presidenciais (2018); desmentindo as pesquisas e seus índices desmerecedores de crédito; mostrando que não são robôs que disparam mensagens automáticas nas redes sociais, como tentam justificar seus fracassos os “jornalões” e revistas semanais do sudeste. As esquerdas, em número inexpressivamente inferior – se organizaram e também esteve nas ruas – pedindo a liberdade do ex-presidente Lula, preso por corrupção, lavagem de dinheiro e condenado a 12 anos de cadeia, em uma das duas sentenças da Justiça Federal do Paraná. Neste evento, o destaque da TV foi maior, mas não mostraram “gigantismo” da multidão, na nítida intenção de compará-las em igual volume.

    Surpreendido pelo evento, o STF – ainda incrédulo – se limitou a divulgar uma pequena nota, afirmando que é legítimo o poder de manifestações (?). Contra a Suprema Corte? É uma anomalia inédita e desmoralizante, com repercussões internacionais de proporções inimagináveis. O que a história registra é o contrário, o povo contra as ditaduras que fecham as Supremas Cortes de Justiça, deixando a população civil a mercê dos tiranos e seus tribunais de exceção. Que tipo de segurança jurídica representa hoje o STF, quando o povo vai às ruas protestar contra seus atos? Como nos avaliarão nos demais países e continentes? Empreendedores e turistas viriam a um País onde seu próprio povo não confia em sua Justiça? O que fará o próprio STF a partir de hoje? E os demais poderes, como agirão depois de um voto de desconfiança da população, dado a um dos pilares de nossa Democracia? Estamos a caminho de uma ditadura popular, exigida pelo povo? Sem Legislativo e Judiciário?

    As multidões querem respostas. As famílias abdicaram de seu lazer dominical, sua praia, seu churrasco e foram pedir nas avenidas de diversas capitais brasileiras Justiça para a Justiça. Seria risível, se não fosse tão trágico e desconcertante. Ou o Senado instala os processos de impeachment protocolados – ora levados de barriga pelo Senador David Alcolumbre – ou pelo menos quatro dos atuais ministros do STF terão que renunciar, pelo bem da Democracia e da paz da Nação. Do contrário, as próximas mobilizações serão bem maiores e mais amplas e contundentes, incluindo o Congresso. Os promoventes? Serão os legítimos donos e senhores do poder: o povo, que em sua maioria – segundo o Datafolha – tem optado por um governo autoritário.

  • A OUSADIA DO IRREVERENTE RODRIGO MAIA

    22/03/2019

    Conta a fábula que uma grande comunidade de ratos vivia tranquila e se reproduzia rapidamente num velho armazém. Por mais que seu proprietário tentasse envenená-los, não conseguia. Ratoeiras? Nem pensar, cardápio diferente... Era melhor continuarem nos grãos. Até que cansando, o dono do depósito resolveu botar um gato. Na primeira noite, três vítimas. Durante o dia ou a qualquer hora, o gato atento, mesmo dispensando refeição extra, matava-os por instinto predatório. Em uma semana, as baixas foram grandes. Os ratos acuados se reuniram para discutir o destino da comunidade. Surgiu a ideia de botar um chocalho no gato, pois ao andar, com o som do chocalho, eles localizariam onde estava o bichano. Todos concordaram. Então veio a pergunta irrespondível: quem vai botar o chocalho no gato? Não apareceu o voluntário.

    No sábado (17.03.2019), um dia antes de o presidente Bolsonaro viajar para os Estados Unidos, o irreverente Rodrigo Maia convidou-o para um churrasco íntimo em sua casa, onde discutiriam “minúcias” sobre a reforma da Previdência. No encontro, apenas ele, o ministro Onyx Lorenzoni e o convidado (Jair Bolsonaro). Desconfiado da cortesia e conhecedor da “malandragem carioca”, o presidente foi. Mas, levou consigo 17 convidados. Dentre eles, alguns generais, o ministro Heleno do Gabinete de Segurança Institucional. Para surpresa de todos, quem estava lá era o Ministro Dias Toffoli, presidente do STF, David Alcolumbre (presidente do Senado) e seu ex-ministro da Casa Civil, Gustavo Bebianno (?).

    A ousadia do destemido Rodrigo Maia, pressionado e instigado pelo famigerado “centrão”, é de um afoito inominável. Ao lado de David Alcolumbre – presidente do Senado - “armaram” para tentar botar o chocalho no gato (Bolsonaro). Mas, para o bem geral da nação, o ímpeto foi abortado pelo excesso de testemunhas. A partir da “cabeça” do ministro Sérgio Moro, ocupação de cargos estratégicos (com dinheiro) pelo centrão; barrar pedidos de impeachment de ministros do STF; impedir instalação da lava-toga e fim da lava-jato, tudo seria discutido e pleiteado. Um registro fotográfico discreto seria providenciado, e espalhado nas redes sociais, fato que geraria suspeitas no eleitorado de Bolsonaro e em toda a sua equipe de abnegados da causa de mudar o país. A foto ainda foi feita e divulgada. Mas, não conseguiram esconder o Gen. Heleno, delegado Waldir, ministra Damares...

    O “centrão” é um movimento de deputados federais suprapartidário, que surgiu das cinzas do “baixo clero” - aglomerado de parlamentares espertos - que elegeram em 2005 o pernambucano Severino Cavalcanti para presidência da câmara, uma candidatura avulsa, derrotando o pretendente do governo (PT) e adversários lançados por composições das grandes legendas de então, PMDB, PFL; PDT; PTB... Severino Cavalcanti durou pouco mais de 07 meses como presidente. Em manobras para abortar o mensalão, fazendo todo tipo de negociação espúria e trancando a pauta com o apoio da gang que o cercava, foi alvo do MPF em investigação destinada, onde descobriram um “mensalinho” pago a ele pelo concessionário que explorava os serviços de restaurante da câmara. Temendo ser cassado, renunciou à presidência e seu mandato.

    A tática do centrão é levar o governo de plantão ao desgaste. Na medida em que o governo se impopulariza, cresce o centrão, passando a ocupar a esplanada dos ministérios e negociando pessoalmente (deputado por deputado) votos para projetos que tragam benefícios diretos para o povo e o governo brasileiro. De bolsos cheios, renovam seus mandatos com folgas. Até as eleições de 2014, os campões de votos por estado, eram todos do centrão. O “baque” veio em 2018. Mas, com o aprofundamento da crise, a pressão do centrão empurra o presidente da câmara para chantagear o executivo até que ele ceda. O destempero do presidente Rodrigo Maia não é por acaso. Já disse que “a câmara não é cartório para registrar queixas do povo” (?). Depois disparou com outra: “a câmara e seus deputados são soberanos...” Um internauta respondeu que “soberano” não se elege, já nasce soberano. O povo vota em representantes. Quarta-feira (20.03.2019) foi a vez de agredir e humilhar um dos nomes mais respeitados do país, o Juiz Sérgio Moro. “Ele é funcionário de Jair Bolsonaro... Está trocando as bolas, eu converso com o presidente”. Ontem, quinta-feira, veio a prisão de seu sogro, ex-governador do Rio Moreira Franco. Seus comparsas quiseram atribuir a uma retaliação corporativa do Juiz Marcelo Bretas, em defesa de Sérgio Moro. Rodrigo Maia conferiu que o mandado de prisão foi expedido um dia antes 19.03.2019.

    Queiram ou não, para aprovar a reforma da Previdência, Bolsonaro terá que botar um “gato” (PF e lava-jato) na câmara. E Rodrigo Maia, se tiver juízo, renuncia imediatamente a presidência e seu mandato. Imagine se na busca e apreensão na casa de seu sogro, a PF tiver encontrado algo como “doação de campanha não declarada”?

  • O TESOURO ESCONDIDO NO LABIRINTO DO PSB

    20/03/2019

    Quem assistiu ao vídeo da última audiência do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), precipitadamente deve tê-lo julgado como cínico psicopata; chantagista em busca de oportunidade para uma delação, na procura de reduzir suas penas impostas pelas inúmeras condenações, que já ultrapassa um século. Causou estranheza as profundas alterações em seus movimentos físicos faciais – a partir do olhar - uma mudança radical de sua linguagem coloquial, ao optar por uma confissão aberta, sem fugir a nenhuma das perguntas elaboradas pelo Juiz Marcelo Bretas (surpreso), respondendo tudo olhando nos olhos do Magistrado. Em nenhum instante contestou algo, nem tão pouco indicou ou sugeriu a existência de outros cúmplices. Uma única frase deixou pistas de sua mudança: “o poder é um vício doentio...” Fica subentendido que o réu confesso está em tratamento, e com acompanhamento psicológico.

    O poder exerce forte atração sobre o dinheiro. Na política, normalmente se juntam, e em questão de tempo não se separam mais. Transforma-se em uma mistura homogênea, que vicia e provoca danos irreparáveis na psique dos seus usuários, com lesões maiores que as provocadas pelo uso contínuo do álcool, das drogas e outros tipos de entorpecentes. Só os loucos ou os amantes, abdicam do poder e do dinheiro. Esta mistura provoca alucinações como a perda do medo, pudor; ética; moral; cria a megalomania; ganância; corrupção e violência. Suas vítimas se convertem em mentirosos compulsivos, chegando ao ponto de confundirem realidade com ilusão. Por poder e dinheiro, o homem é capaz até de tirar a vida do seu semelhante.

    Pouco adiantou o TCE-PB advertir inúmeras vezes - por seis longos anos - que o contrato da Cruz Vermelha era irregular, infringia normas e leis do serviço público. Criava facilidades para superfaturamento, feria cláusulas Constitucionais e turvava as transparências exigidas pela Corte de Contas e de Justiça. Além do TCE, a sua Procuradoria - que é independente - recomendou a rejeição das contas da gestão “girassol” dos exercícios financeiros de 2013/14/15/16 e 17. Em 2014, encaminhou ao MPE da Paraíba, pedido de cassação do governador reeleito, por abuso do poder econômico. Ao invés de recuar, ex-governador Ricardo Coutinho adotou a tática de usar o ataque como defesa. Usando a mídia, desqualificava todos que contestavam a suspeita de má gestão dos recursos públicos. O MPPB, final de 2018, após as eleições, “recomendou” num gesto até estranho e de “cortesia”, a não renovação do contrato com a Cruz Vermelha, que se encerraria em 02.01.2019. Pouco se importando com aconselhamento, Ricardo Coutinho renovou o contrato, no apagar das luzes de sua gestão (2018), temendo que seu sucessor João Azevedo fosse “acuado” pela prudência e defenestrasse a OCRIM. A esta altura, os efeitos dos alucinógenos viciantes causados pelo poder e o dinheiro, tinham-no levado ao grau de dependência total.

    Quando chegou ao poder (municipal) da Capital, o ex-governador Ricardo Coutinho montou o seu time. Como o dono da bola, jogava quem ele queria. Centralizou o dinheiro, e começou a arbitrar o valor de cada pessoa ou ente, que viesse ajudá-lo ou precisasse ser subornado para não obstacular sua trajetória. Alguns pularam do barco. Luciano Agra, Roseana Meira; Nonato Bandeira... Os que ficaram fizeram “juramento de sangue”, e passaram a cumprir tudo que ele determinava. Enfrentou Justiça, MPPB; MPE; TCE e criou um “ninho” de cumplicidade com o parlamento. Venceu todas as batalhas em que foi desafiado, e através da mídia comprometida, intimidava ou aterrorizava as poucas vozes que defendiam o estado da ordem democrática. Na sua visão, tudo tinha um preço, e era negociável. Livânia Farias, Gilberto Carneiro; João Azevedo... Um time de 20 pessoas com mais 17 parlamentares não tinham o que temer. “Rambo” resolveria tudo. E, enquanto isto, privilégios (desvio do dinheiro público) também foram “socializados”. A “ilha da fantasia” tornara-se realidade na Paraíba, por mais de 12 anos. Até que o lento e cauteloso CAECO-PB - bem mais prudente que o do RN - resolveu um dia agir. Para infelicidade do “socialista”, estes promotores não têm preço de mercado. E seu primeiro momento de azar foi o destino do processo: Desembargador Ricardo Vital de Almeida, que chegou a Corte de Justiça da Paraíba por méritos e merecimento. Mesmo tendo dois primos em primeiro grau influentes – Senador Veneziano Vital do Rego e Ministro Vital Filho - jamais aceitou “ajudas” em sua brilhante carreira na Magistratura.

    Secretária Livânia Farias, em prisão preventiva, não conseguirá sair com facilidade do labirinto onde ainda esconde um enorme tesouro do PSB, sem a imprescindível ajuda e colaboração de seus colegas de governo, para apontarem a trajetória por onde percorreu bilhões de reais – não só da Cruz Vermelha – mas, de todos os demais segmentos da máquina pública. A novela está apenas começando. Muitos personagens – insuspeitos – surgirão até que se encerre o último capítulo. A propósito: com passaporte diplomático, Ricardo Coutinho ainda está na Paraíba?

  • O SISTEMA “S” E A CRUZ VERMELHA

    22/02/2019

    Até quando a Assembleia Legislativa da Paraíba irá ignorar as mudanças radicais que ora acontecem no Brasil? Quando irá instalar a CPI da Cruz Vermelha, apurando fatos que podem minimizar ou ampliar o comportamento de uma organização criminosa no estado, que por oito anos consecutivos desviou cerca de 350 milhões de reais? Seus principais protagonistas já estão encalacrados pelo MPF e PF. Ninguém foge da Justiça neste novo padrão (internacional) de combate a corrupção. Presidente da FIFA (octogenário) continua preso nos Estados Unidos, fazendo uma faxina semanal no corredor onde se situa sua cela.

    A corrupção desde 2002 foi considerada uma ameaça maior para a sociedade que o terrorismo, por ser um crime sem causa ideológica ou religiosa, que age de forma disfarçada, porém com efeitos devastadores. O desvio de verbas públicas – na saúde e educação - mata mais que atentados. Traz o desemprego que desagrega famílias, criam-se as OCRIM que exploram a droga, contrabando; prostituição e os crimes violentos hoje banalizados. A irresponsabilidade dos políticos, o descaso das Cortes Superiores de Justiça e Contas, culminou numa ação coordenada sem influência de governos, graças à sensibilidade do MP que cumpre seu papel Constitucional de fiscalizar a aplicação da lei, atendendo as exigências de transparência cobradas pela população, que tem se agigantado através das redes sociais.

    Estamos vivenciando um ano em dias, décadas em semestres, impulsionados pela intensa mobilização da população, no seu uso incansável e diuturno das redes sociais. O Facebook – há um ano – era só glamour. Usuários desta ferramenta se transformaram em milhões de colunistas sociais. As postagens eram sobre festas, casamentos, aniversários; relacionamentos amorosos do momento; ensaios fotográficos; frases de autoestima...  De repente se converteram em milhares de batalhões destemidos que denunciam, cobram postura e legalidade dos poderes e deram seu recado nas eleições de outubro (2018).

    A guerra está apenas começando. O Senado Federal – legislatura instalada há vinte dias - não resistiu à pressão das redes e resolveu aceitar o protocolo de pedido de impeachment contra quatro, dos onzes ministros da Suprema Corte. O povo (maioria) foi contra o PT, Câmara e Senado. Exige a lava-toga, extensão da lava-jato a estados e municípios e se o Parlamento não aderir a esta causa, será atropelado com grandes mobilizações em ruas e praças deste país.

    A prisão do presidente da CNI – Confederação Nacional da Indústria, uma das maiores autoridades institucional do país, considerado acima de qualquer suspeita, jamais esteve no imaginário de qualquer cidadão deste país. É um homem que luta para construir os trilhões de reais do nosso PIB. Que cobra e incentiva a produção. Como sequer desconfiar seu envolvimento em propinas?

    Inimaginável uma acusação de prática de corrupção – desvio de dinheiro público - oriunda do Ministério do Turismo em “episódio” que envolve contratação de eventos entre 2002 e 2008, fato que causou perplexidade sem parâmetro em nível nacional. A opinião pública ainda está tonta, como quem toma uma pancada na cabeça. Questionamos mais uma vez o Parlamento paraibano: quem imaginaria que a Justiça iria buscar no fundo do baú processos de investigações da CGU relacionado a supostos fatos ocorridos há dezessete anos? Imaginem a denuncia da Cruz Vermelha? O dinheiro do turismo transferido para o sistema “S”, segundo delegado da PF, foi superfaturado e em algumas ocasiões, os festejos não foram realizados. O prejuízo não traz danos à vida humana. Mas, 350 milhões de reais desviados da Cruz Vermelha ceifaram a vida de muitos, por falta de medicamentos, pronto atendimento; contratação de profissionais competentes; morte da fila do centro cirúrgico... As consequências são bem mais graves.

    Tudo o que só nos resta – no caso CNI - é torcermos por um final “transparente”, onde se possa enxergar que tudo não passa de um grande mal entendido ou equívoco. Já a Cruz Vermelha, a Assembleia Legislativa parece que pretende enfrentar o povo, e mostrar que pode mais que o eleitor. Para desencargo de consciência, o aconselhável seria o presidente da ALPB realizar uma pesquisa nas redes sociais, ou através de institutos especializados, consultando os paraibanos sobre a importância desta CPI. Se a maioria desconsiderar, se salva o poder legislativo.

  • AS REDES E A DEMOCRACIA REPRESENTATIVA

    14/02/2019

    Inebriados com a avalanche de notícias positivistas manipuladas pela grande mídia nacional, os governos petistas navegaram por um longo tempo em “mar de almirante”. Índices econômicos manejados, com fórmulas mágicas sobre cálculos de inflação, renda; emprego e distribuição de crédito “eleitoreiro” - subsidiado pelo governo - criando uma realidade fictícia, não compatível com o custo de vida do povo brasileiro. Apesar da renuncia fiscal (incentivos) para tornar mais barato o preço de automóveis, eletrodomésticos e materiais de construção, a miséria crescia de forma desordenada trazendo a reboque a violência que banalizou os assaltos – não só de dinheiro, mas, de qualquer objeto - roubos; fraudes; arrombamentos de residências; arrastões em restaurantes; condomínios residenciais, até em transportes coletivos da periferia, usado pelo pobre trabalhador assalariado na faixa mínima.

    Esta bonança ilusória, criminosamente manipulada pela mídia – regiamente paga e em alguns casos sócia do tesouro nacional – levou milhões de brasileiros a creem numa das maiores mentiras oficiais de um governo irresponsável, perdulário, loteado e ocupado por OCRIM. Alguém deve recordar que a TV, Jornalões; rádios e revistas mostravam o Brasil como a 5ª economia do mundo, suplantando a Inglaterra e prestes a ultrapassar a Alemanha. A clarividência da manipulação não resistia a um comparativo aos dados divulgados anualmente, mostrando o desempenho das nações, pelas mais diversas instituições inclusive a ONU. Educação 80ª posição no ranking, lanterna na América do Sul e ficando atrás de alguns países da África subsaariana. Mortalidade infantil; Universidades (USP o nosso orgulho abaixo de 400 outras do mundo); tecnologia de ponta, zero. Segurança Pública: Síria e Afeganistão matavam bem menos que o Brasil. Por que as “elites” econômicas e intelectuais deste gigante verde amarelo engoliam tanta mentira e defendia os “desgovernos” petistas?

    O povo deu seus primeiros sinais de insatisfação quando inundou as ruas de São Paulo e Rio de Janeiro em 2013. Sem líderes, manifestantes pacificamente apolíticos, simplesmente caminhavam no final de cada tarde para mostrar as redes da comunicação tradicional que não suportavam mais a mentira, queriam mudanças. Em alguns destes eventos, políticos de oposição tentaram se infiltrar, porém foram expulsos debaixo de vaias. As esquerdas brasileiras, inspiradas na tirania Cubana, logo reagiram. Infiltraram a “psolista” Eliza Quadros (Sininha) no movimento de ruas do Rio de Janeiro, comandando um grupo de arruaceiros (Black Blocs) que depredavam tudo que estivesse à sua frente, com propósito de atrair a polícia, para com jatos de água e uso de cassetetes expulsarem as famílias pacifistas. Os acontecimentos culminaram na morte de um cinegrafista e prisões de dois recrutadores (menores); Sininha Quadros foragia e hoje se tratando com psiquiatra, após dois anos de internação. O povo deixou as ruas, e aguardou outra oportunidade. A esta altura, não acreditavam mais em seus representantes: vereadores, deputados estaduais; federais; senadores da república; prefeitos; governadores; presidente... Até o Poder Judiciário passou a ser suspeito.

    Na primeira oportunidade surgida, Copa do Mundo, voltaram a se manifestar de forma mais segura. Em todos os jogos que a presidente Dilma Rousseff esteve presente (nos Estádios) os apupos eram ensurdecedores e por longos minutos, a partir da abertura da competição, o que causou curiosidade a mídia internacional que não entendeu o gesto de um povo infeliz, pedindo socorro ao mundo. Mesmo assim, as dezenas de bilhões investidos na mídia, minizava os fatos, ignorando a população. Surgiu Sérgio Moro e a operação lava-jato: o povão simplesmente o beatificou. A partir de então, a revolta ganhou proporções tão alarmantes, que quando Dilma Rousseff aparecia na TV, um panelaço estrondoso acontecia em todo o país. Sejamos sinceros ou pelo menos racionais: como uma pessoa tão impopular, odiada, consegue se reeleger em meio à tamanha revolta? Alguém ainda acredita na eleição e reeleição de Dilma? Depois de tudo que aconteceu no país, numa eleição com 81 votantes (Senado), ainda tentaram fraudar! Imaginem as urnas eletrônicas? Que não tem meios de conferir quem votou? Finamente o povão descobriu as redes sociais e começou a mudar o Brasil. Derrubou o PT, 50% da Câmara dos Deputados; 85% de 2/3 do Senado Federal; impediu Renan Calheiros de voltar a presidir o Congresso; pôs Sergio Moro no Ministério da Justiça e agora quer expulsar do STF quatro Ministros suspeitos. Pela primeira vez na história de nossa democracia, nossos representantes eleitos estão dando satisfações a quem os elegeu, temendo não renovarem seus mandatos. São novos tempos, surpreendentes... 

  • Escândalo da Cruz Vermelha

    06/02/2019

    Governador João Azevedo tem início de gestão bastante tumultuado pelo escândalo divulgado em nível nacional – programa Fantástico Rede Globo – exibido no último domingo 03/02/2019 após completar trinta dias de sua posse.

    Evidente que o fato não o atinge de forma direta, mas nocauteia o principal cabo eleitoral de sua campanha - uma inesperada vitória em primeiro turno - ex-governador Ricardo Coutinho.

    O evento, episódio previsível, não foi novidade ou surpresa para os meios políticos, que desde 2004 começaram a superestimar a capacidade de Ricardo Coutinho por ter se tornado imbatível neste tipo de contencioso: malversação do dinheiro público. Escapou de escândalos dos livros e editoras (quando prefeito da capital), tráfico de influência – inúmeros casos envolvendo seu irmão Coriolano; Jampa Digital... No governo do estado ignorou que a Cruz Vermelha estava sendo investigada no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Trouxe-a para a Paraíba, mesmo tendo sido aconselhado a evitar problemas no futuro. Manteve sua característica: “posso, quero e mando”.

    Uma nota de repúdio foi redigida às pressas, onde se enxerga as digitais de Ricardo Coutinho. João Azevedo não tem nada a dizer ou responder sobre a Cruz Vermelha. Pelo contrário, o problema não ocorreu em sua gestão, e atendendo a orientações nomeou interventores nos dois principais hospitais administrados pela empresa denunciada. Será que a iniciativa de “escrachar” a Globo foi de João Azevedo?

    O poder quando exercido em longevidade culmina na auto-hipnose insensata que afasta o homem do humano, e o faz crer que possui dons divinos. Quem assistiu na TV ou acompanhou pelas redes sociais a eleição da mesa diretora do Senado da República, deve ter percebido a obsessão (irracional) do senador Renan Calheiros em assumir a presidência do Congresso Nacional a qualquer custo. Depois que presidiu o Senado pela primeira vez, não quis mais largar o osso. O país inteiro se manifestou na internet contra ele, que não deu a mínima importância para o fato. Lançou-se candidato, rachou seu partido, provocou uma mudança no processo de escolha, com 50 senadores dos 81 sendo favorável ao voto aberto. Após ser vencido, suspenderam a sessão e todos concordaram em adia-la para o dia seguinte, prevalecendo a decisão plenária do voto aberto. Renan acordou o presidente do STF, e o pôs para trabalhar durante toda a madrugada, para que a Justiça interferisse no Legislativo e o voto fosse secreto como era seu desejo. Quando percebeu que perderia, surgiu uma “misteriosa” fraude para ganhar tempo. Novo escrutínio foi realizado. Ao alcançar que seria “esmagado”, renunciou em meio à votação para tumultuar o processo. Desta feita o decano paraibano, senador José Maranhão, cansado de atender seus caprichos, concluiu os trabalhos, onde Renan figurou apenas com cinco votos e quatro ausentes.

    Ricardo Coutinho coleciona vitórias desde 2004. Tem atropelado TCE, MPE; TRE; Assembleia Legislativa e anulado a mídia tradicional – manipulando os proprietários dos órgãos de comunicação - intimidando seus principais profissionais. “Triste do poder que não pode” é uma máxima que as redes sociais estão abominando de forma definitiva. Novos protagonistas da cena política não procuram mais câmeras nem microfones das grandes redes. Usam “lives”, Self; áudios através do “Zap” comunicando-se diretamente com seus eleitores, realizando enquetes e pedindo opiniões para cada decisão a ser tomada.

    Na essência do personagem político estão sedimentados – salvo raríssimas exceções – sentimentos negativos como a inveja, traição; revanchismo e desprezo. São figuras frias e calculistas. Assembleia Legislativa colhe assinaturas para instalar uma CPI investigando o caso da “Cruz Vermelha” e sua atuação na Paraíba. Cremos que Ricardo Coutinho não seja tão infantil para acreditar na “gratidão” e “fidelidade” dos seus “amigos” ora no parlamento. Afinal, todos os dias ele se mira no espelho para se barbear e deve avaliar, através de si mesmo, o que significa “gratidão”.

    Uma CPI neste momento define como será a gestão João Azevedo. Se quebrar lanças para “aborta-la”, loteia seu governo e assume a posição de “poste”. Perde o respeito do eleitorado - ora em movimento de metamorfose - e será comandado pela equipe de um governo que de “fato” ainda se mantém a frente dos destinos da Paraíba.

    Em pronunciamento antes de sua eleição para presidência da Assembleia Legislativa, “pinçamos” uma frase do deputado Adriano Galdino: fidelidade e lealdade sim. Subserviência jamais. O resultado foi sua junção com Tião Gomes, afastando-se de Ricardo Coutinho e deixando um recado claro para João Azevedo: para governar, terá que nos ouvir.

  • MEDO CHINÊS DO FUTURO GOVERNO BOLSONARO

    11/12/2018

    Infelizmente o jornalismo brasileiro – da área econômica e política internacional – pouco têm nos revelado sobre a guerra surda que se arrasta por décadas na disputa da hegemonia econômica (comercial) do mundo, a partir da metade deste século XXI. O recrudescimento da peleja entre norte-americanos e chineses (ocidente e oriente) pelo que lemos, assistimos na TV e nos informamos através da internet, não mostra nada - em profundidade – sobre como nos inseriremos nesse contexto, sendo um país emergente. Nossos “notáveis” economistas – que interpretam “varejos” - se limitam comentar os motivos da bolsa cair ou subir, dólar disparar ou despencar com justificativas ridículas. Propositalmente ou não, se esquecem de apontarem os verdadeiros motivos de sempre: atos ilegais dos supercapitalistas e suas ganâncias, usando o Brasil continental riquíssimo, como rota de toda a bandidagem e pirataria internacional a partir do submundo da especulação. Desde a era Delfin Neto – ex-ministro dos governos Militares – que se instalou no país o “capital motel”. Derrubam as bolsas da quinta para a sexta-feira e sobem o dólar. Na segunda-feira o quadro volta à normalidade. Neste intervalo, evaporam-se milhões de dólares de nossas divisas.

    Nenhum presidente – após Emílio Garrastazu Médici que expulsou o FMI do Brasil - foi capaz de acabar com esta farra, que só acontece conosco. São bilhões de dólares anualmente que deixam a produção, vão para especulação e não retornam mais em forma de investimentos. O que gera riquezas é o trabalho, não o dinheiro. Manobras criminosas apoiadas pelo Banco Central, CVM – Comissão de Valores Mobiliários –  centro de ladroagem e impunidade – mancomunado com cartel dos bancos, composto pelo Bradesco/Itaú/Santander, seguidos pelos estatais BNDES, BB; BASA; BNB...

    Esperamos doravante, que findo o período mais negro de nossa história, quando governou o país o PSDB/PT – lá se foi 24 anos - praticamente ¼ de um século, a economia mundial volte a enxergar o Brasil. Desde 1980 nenhuma planta industrial das grandes multinacionais se instalou nas terras guaranis. FHC entregou as joias de nossa coroa, através de um processo de privatização subavaliado, aos Chineses, usando larápios amigos seus como intermediários. Por onde anda o bilionário “laranja” de FHC e do PSDB, “festejado” Benjamin Steinbruch? O homem riquíssimo que comprou a CSN – Cia. Siderúrgica Nacional, Cia. Vale do Rio Doce além de outras dezenas de estatais? Depois de todas estas falcatruas, não figura sequer na lista dos bilionários do Brasil. Tudo encenação. Vieram Lula e o PT, e investiram as economias do povo (BNDES) nos países quebrados pelo comunismo. Entretanto, mesmo sendo saqueados por décadas, quanto mais nos roubaram, mais riquezas infindáveis surgiram produzidas por brasileiros autênticos que ainda sonham em construir uma grande nação.

    O Brasil chegará em 2019 como um dos maiores celeiros do mundo. Sonho inalcançável pelos Chineses e seu líder agrário Mao Tsé-Tung – hoje nosso maior comprador de commodities – a partir do agronegócio (70% de nossa soja) além de carne bovina; suína; aves; café; frutas nobres... Para alimentar suas indústrias adquirem quase todo nosso aço, minério de ferro; nióbio; alumínio; estanho... Até mármore e granito. A mudança repentina de governo e víeis ideológico do país, estremeceram as estruturas dos Chineses. Os norte-americanos voltaram a cortejar seu antigo (primeiro) aliado, que os ajudaram a tornar-se superpotência. Pretende comprar tudo o que produzirmos – ora enviado para a China – que agrega valores (empregos) ao manufaturar através da indústria, decuplica o preço e exporta para os Estados Unidos. Um verdadeiro “negócio da China” para os Chineses. Se o Brasil romper este acordo, alguns milhões de Chineses perderão seus empregos. Cai o seu PIB, reduz seus saldos nas balanças comerciais com diversos países do mundo e despencam suas reservas cambiais.

    Para que se tenha noção de nossa importância no cenário internacional é necessário que observemos alguns dados interessantes, sobre o que ainda restou do Brasil, após o “vandalismo” econômico promovido pelo PSDB/PT. Rebanho brasileiro hoje é de 215 milhões de cabeças. Dos Estados Unidos, 87 milhões. Temos mais gado que gente. Somos uma nação totalmente autossuficiente: produzimos em demasia tudo que consumimos, mesmo com o MST; CUT; ONG e interferência das políticas ambientalistas. Para nosso infortúnio, atrasamo-nos em tecnologia por imposição esquerdopata das Universidades que priorizaram – ao invés da pesquisa - discutir religião, gênero e defender o LGBT, doutrinas do comunismo do século XXI. Colhemos em 2018, 350 milhões de toneladas de grãos (só a soja 226; milho; café...) o Brasil segundo a FAO (ONU), até 2025 será o maior centro de produção agropecuarista do planeta. Destaque-se ainda: 1/3 de todo o café plantado no mundo está no Brasil, que também lidera como maior produtor de açúcar e etanol; petróleo, somando a produção da Petrobras com seus parceiros atingiu-se 3,15 milhões de barris dia, contra 2,7 da Venezuela. Como conseguimos alcançar posições tão importantes, sendo (des) governado durante 24 anos pelo que existiu de mais espúrio em nossa classe política historicamente a partir da independência? Sobrevivemos à corrupção generalizada, padecemos os efeitos de uma economia controlada por financistas, que integram um criminoso cartel de bancos - com vistas grossas do CADE - justiça politizada; violência banalizada; insegurança... Agora, só depende de nós cidadãos, nos manter vigilantes e nos livrarmos democraticamente de todos que nos trouxeram este amargo atraso.

  • FUTURO SOMBRIO DO JORNALISMO CONVENCIONAL

    03/12/2018

    Após o segundo turno das eleições presidenciais realizadas em outubro último (2018) a Globo News divulgou com ênfase um anuncio institucional (da própria emissora) mostrando o alcance do seu recorde histórico de audiência - 121 horas ininterruptas no ar com a Central das Eleições com um gigantesco time de repórteres e comentaristas – conseguindo registrar nas visualizações do seu gráfico oscilante o momento “mágico” de oito milhões de telespectadores.

    Não deu para entendermos bem o motivo para tal comemoração... O presidente eleito Jair Bolsonaro tem mais de 8 milhões de seguidores – que o acompanham diuturnamente – em apenas um dos segmentos das redes sociais (Instagram). Quando se acrescente o Facebook com 5,5 milhões; mais de 5 milhões no Twitter; milhões de grupos do whatsapp - cada um com cerca de 200 seguidores - YouTube... Estas mensagens são compartilhadas gerando efeito multiplicador geométrico. A audiência de Jair Bolsonaro, operada com ajuda do filho, um telefone celular e direto do terraço de sua casa, corresponde a todo público telespectador de todas as emissoras de televisão do país em seus horários nobres.

    Estávamos em Brasília (2012) conversando com o amigo David Araújo - apaixonado por tecnologia - ele nos mostrando (maravilhado) a explosão do twitter. Interação simultânea entre todos, sem observância ou reservas de categorias sociais ou acesso aos exclusivos grupos fechados de “intelectuais” - considerados como “vanguarda” do pensamento moderno - introduzindo na época o polêmico debate sobre o “politicamente correto”.  Todos se “misturavam” na discussão com críticas fundamentadas ou simples “baboseiras” doutrinárias, piadas e conversas desconexas. Ficamos impressionados com esta nova “ferramenta” que permitia alguém se contrapor aos “medalhões” da velha mídia convencional, monstros sagrados da comunicação. Indagamos de David: quando será que a internet chegará a televisão? David com um risinho irônico respondeu: a pergunta está certa, porém foi feita de forma inversa. O que você deve questionar é quando a TV irá aderir à internet. Em uma década, não só a TV, mas os jornais, revistas e até o próprio radio terão que ir buscar público na internet.

    Nosso companheiro do extinto Diário da Borborema e da Grafset foi generoso demais. Previu – o que não acreditávamos – o prazo de uma década. Não chegou a metade. A justificativa da “instantaneidade da informação” como milagre da internet e o motivo dos “dislike” contra programas da televisão – sobretudo alguns noticiosos – outrora campeões de audiência, são argumentos infundados, defendidos por alguns poucos sobreviventes que ainda restam deste tipo de jornalismo, que não admitem o erro de seus patrões, e suas respectivas subserviências. Filtrar, distorcer e ignorar a divulgação de fatos do interesse do povão é manipulação. Ao alegarem que nos Estados Unidos está ocorrendo ou ocorreu, o mesmo fenômeno do Brasil. E daí? É mais uma prova incontestável da falta de “imparcialidade”, não da liberdade.

    Danilo Gentili tem um programa no SBT (meia noite) que há mais de um ano bate a rede Globo com Pedro Bial – substituto de Jô Soares - no mesmo horário. Gentili tem 7,2 milhões de seguidores no seu twitter. Ele leva este público ou parte dele, para assisti-lo e participar de seu programa. Pedro Bial no twitter tem este apenas 911 seguidores. Quem há seis anos conhecia o filósofo Olavo de Carvalho? Três décadas escrevendo nos principais jornais do país, autor de 18 livros que agora é que estão começando a serem lidos e muito vendidos. Em entrevista quinta-feira (28.11.2018), o filósofo afirmou que já foi entrevistado por 21 jornalistas famosos do Brasil, e perguntou aos mesmos: você já leu algum livro meu? Qual? Nenhum tinha lido. Olavo de Carvalho é um dos mais festejados sucessos do Youtube. Tem cinco mil inscritos em seus mais diversos cursos sobre filosofia. Imagine uma anualidade de no mínimo mil doares per capita! Foi a internet que levou seus seguidores a ler seus livros e imortalizarem-no. Sua importância o levou a indicar os dois principais Ministros do governo Bolsonaro: Relações Exteriores e Educação.

    Reconhecedor dos avanços da cibernética, aceitando sua magia interativa, defendemos mesmo assim, os mesmos sonhos e ideais - quiça saudosistas - do amigo Marcos Marinho. Acreditamos na volta da mídia impressa, como fonte de informação, educação e formação de opinião. Mas, no novo formato “sincericídio”, não no falido modelo “motomaníaco”. Em entrevista coletiva sexta-feira 30/11/2018 acompanhado da postagem feita nas redes para os seus 70 milhões de seguidores, Jair Bolsonaro comentou: “Por que no Brasil devemos mantê-los (índios) reclusos em reservas, como se fossem animais zoológicos?” Manchete de O Globo do sábado: “Bolsonaro compara índios em reservas a animais zoológicos”. Este tipo de jornalismo, morreu.

  • Bomba nas eleições OAB-PB

    26/11/2018

    CARLOS FÁBIO E JAIRO DO PT TEM NA CHAPA CANDIDATO ACUSADO DE DAR GOLPE EM CLIENTE

    Uma farta documentação em forma de denúncia chegou às nossas mãos - encaminhada por um ilustre e respeitado advogado de Campina Grande - contendo cópia inteira de um volumoso processo, devidamente acompanhado de uma análise jurídico-processual, fato que nos causou surpresa, nos deixando estarrecido pelas incríveis peripécias de um “profissional”, configuradas no mínimo como “infidelidade” no patrocínio da causa de uma pobre viúva.

    Referimo-nos ao advogado campinense Orlando Virgínio Penha.

    A viúva teve de acioná-lo na justiça para tentar receber seus direitos, apreendidos indevidamente, submetendo-a a uma longa e sofrida espera, que durou mais de quatro anos, em função das sucessivas e incríveis manobras do advogado Orlando Virgínio Penha.

    O processo em que ele foi acionado para prestar conta é o de nº 001.2011.011.685-0*, que tramitou na 4ª Vara Cível da comarca de Campina Grande e está arquivado. A autora é a viúva e pensionista Maria da Guia Andrade de Araújo, que se sentiu lesada no momento do repasse do valor executado nos autos de uma ação indenizatória nº 001.1996.005.739-5, movida, na mesma Vara, contra a Companhia de Seguros Aliança da Bahia.

    Os primeiros autos revelam que o advogado Orlando Virgínio Penha usou de completa deslealdade, extrema má-fé, ao aprisionar indevidamente valores pertencentes à viúva-pensionista, depois de 12 anos de perseguição do direito. Deu maçada para repassar valores, escolheu quando deveria liberá-los, fazendo-o em fatias muito aquém do valor do crédito, forçando a viúva a promover a ação de prestação de contas.

    Depois de tanto se sentir pressionada através de sucessivas canseiras, que duraram mais de três anos, a viúva terminou cedendo e aceitou um espúrio “acordo” formalizado nos autos da prestação de contas, ficando o advogado com mais da metade da importância da indenização a título de honorários.

    O SINUSO E AMARGO PERCURSO EM BUSCA DOS CRÉDITOS

    O início desta história sinistra aconteceu quando o Advogado recebeu valores da cliente, por meio de alvarás: R$ 63.157,64, em 03/12/2008, e R$ 196.235,86, em 19/12/2008, totalizando R$ 259.393,50.

    Já era muito estranho o fato de o advogado transferir à cliente pequenas quantias, em dias diferentes, e o mais inacreditável, repassando inicialmente o valor de R$ 16.000,00, em 30/12/2008, alegando que só havia recebido R$ 20.000,00 de indenização e que, portanto, tinha retirado apenas os 20% de seus honorários.

    Diante da insatisfação da cliente, o advogado resolveu repassar-lhe os valores de R$ 40.000,00 e R$ 5.000,00, mas somente num espaço de mais de dois meses, nos dias 07.01.2009 e 17.03. 2009, respectivamente, fazendo acreditar que havia repassado o que era de direito da cliente, que acreditou no advogado.

    O fato já configurava confissão da infidelidade e apropriação indébita.

    Descoberto o patrocínio infiel e a apropriação indébita, a viúva acionou o advogado (jun/2011) com o pedido de prestação de contas, pois ele tinha recebido (dez/2008) a importância de R$ 259.393,50, com a incidência de juros e correção, na época, já por mais de 02 (dois) anos, e somente lhe havia repassado R$ 61.000,00.

    Diante do flagrante incontestável, o advogado Orlando Virgínio Penha propôs à viúva, em “acordo”, para pagá-la apenas 60 mil, alegando suposto acordo verbal de 50% de honorários, além de despesas de viagem sem a apresentação de qualquer documento. A pensionista terminou cedendo e realizando o acordo.

    Porém, a viúva ainda iria cumprir uma longa via crucis, como se o destino tivesse escolhido o advogado Orlando Virgínio Penha verdugo que a faria cumprir sentença de purgação dos seus pecados, jamais praticados. Infelizmente a pensionista Maria da Guia Andrade de Araújo não teve a oportunidade de ler o saudoso cronista (carioca) Stanislaw Ponte Preta, que advertia: “todos os dias saem de casa um malandro e um otário. A tragédia é a hora do encontro”.

    O acordo judicial foi realizado, mas não cumprido. O advogado passou a se esquivar e sob mil desculpas adiar o seu cumprimento, a ponto de promover uma demanda de arbitramento de honorários alegando que o juiz é que iria decidir o valor a ser pago. E tome incidência de correção e juros sobre o valor apropriado.

    O não cumprimento do acordo, espúrio e danoso, levou a viúva desservida a promover execução da sentença de sua homologação, na busca de sucumbir o restante da pena de expiação de seus pecados que durou, ainda, mais de três anos.

    Depois desse longo período na incessante busca por seus direitos, a cliente recebeu apenas parte deles, ou seja, R$ 61.000,00 (entre dez/2008 e março de 2009). E R$ 60.0000, em fevereiro de 2014.

    Em suma, coube à viúva-pensionista, nascida em 1943, a quantia de 121 mil, ficando o advogado Orlando Virgínio Penha com a importância de 138 mil, sem contabilizar os juros e atualização monetária dos expressivos valores correspondentes a 198 mil durante o longo período de quase seis anos.

    O inacreditável e mais cruel foi o fato de que o advogado deixou registrado no “acordo”, que veio a ser descumprido e só realizado por meio de execução, que transigiu “por mera liberalidade”, sem reconhecer qualquer ato que desabonasse sua “integridade moral e ética” (?)

    CONDUTA PROFISSIONAL TOTALMENTE CONTRÁRIA À ÉTICA E À HONESTUIDADE

    A grave denúncia e o medonho episódio traduzem uma conduta profissional contrária aos princípios da ética, da moral, dos bons costumes e, sobretudo, da honestidade. O fato macula o exercício da profissão do advogado e enrubesce a tradicional austeridade da Ordem dos Advogados do Brasil, que não pode silenciar sobre este tipo de prática delinqüente, cometidas por profissional que não tem o menor respeito por sua própria Entidade.

    ORLANDO CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA CAIXA DE ASSISTÊNCIA

    Mesmo com um passado nebuloso, o acusado de patrocínio infiel e apropriação do dinheiro da cliente Maria da Guia Andrade de Araújo é candidato à presidência da CAIXA de ASSISTÊNCIA, que movimenta um orçamento anual em torno de R$ 1.500.000,00 (um milhão e meio de reais). Na opinião de um membro da velha guarda da OAB, “estão entregando as chaves do galinheiro à raposa”.

    O que causa mais estranheza sobre os desdobramentos do inusitado fato é que mesmo estando o candidato envolvido nessa situação contrária à ética e à honestidade, foi indicado, na eleição passada, por Carlos Fábio e Jairo do PT, para o cargo de vice-presidente da Caixa de Assistência dos Advogados da Paraíba.

    E agora o mesmo “causídico” que fez “gatos e sapatos” dos valores pertencentes à sua cliente, é candidato à Presidência da Caixa, função hoje exercida pelo advogado Carlos Fábio, candidato à presidência da OAB Estadual.

    A ÉTICA DO PATROCINADOR DE CARLOS FÁBIO

    Informações dos bastidores da subsecional de Campina Grande confirmam a ciência de Jairo de Oliveira, conhecido como Jairo do PT, de todo este episódio. No início da atual pré-campanha da OAB, Jairo chegou a declarar apoio a Paulo Maia para a reeleição, mas condicionou, como exigência, o nome de Orlando na chapa como candidato a Presidência da Caixa. Paulo Maia recusou a imposição de Jairo, que automaticamente passou a apoiar Carlos Fábio.

    JAIRO E FÁBIO SABIAM DA ACUSAÇÃO CONTRA ORLANDO

    Não só Jairo do PT, mas Carlos Fábio também sabia do processo cível que acusa Orlando de apropriação indébita. Segundo comentários de advogados de Campina, a viúva espoliada promoveu processo ético disciplinar contra Orlando na Subseção de Campina Grande antes mesmo de sua candidatura à vice-presidência da Caixa de Assistência.

    Jairo, mesmo conhecedor do tenebroso processo, fez vistas grossas e contribuiu para que Orlando fosse candidato à vice-presidente da CAIXA, no triênio 2016/2018. Agora, bate o pé pela candidatura de Orlando à presidência da mesma Entidade, inicialmente como troca do apoio a Paulo Maia – sensitivo e zeloso ”curador” da imagem da OAB-PB resolveu preservar a tradição de postura ética da Entidade. Carlos Fábio, enxergando apenas seu umbigo e defensor do mau-corporativismo aceitou o apoio de Jairo, mesmo correndo o risco de se tornarem cúmplices de um processo moral: “ocultação da verdade”.

    Jairo e Carlos Fábio, caso venham a argumentar que somente agora tomaram ciência desse envolvimento pecaminoso de Orlando, devem adotar providências para evitar a contaminação da chapa. No entanto, se insistirem na candidatura eles devem dar explicação à advocacia paraibana.

    UM ALERTA AOS ADVOGADOS DE CAMPINA E DA PARAÍBA

    Não se deve apenas examinar propostas das chapas, mas principalmente a conduta de seus candidatos no exercício da atividade profissional. Estamos virando páginas e encerrando capítulo na vida do País, cuja população tem demonstrado engajamento no combate a tudo que indique existência de “focos” da velha corrupção instalada por décadas na nação, e uma Chapa da OAB séria não indicaria para integrá-la advogado descompromissado com a ética e a honestidade, principalmente aquele que, se eleito, vai administrar um expressivo patrimônio pertencente à Classe dos Advogados.

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    *Peças do processo de prestação de contas, acessar link abaixo.

    https://documentcloud.adobe.com/link/track?uri=urn%3Aaaid%3Ascds%3AUS%3A424bc25e-971e-4d39-a023-cb67b71c57e0&fbclid=IwAR1l5lbSrR5Pr2qWW6xYDZoIr3uc6LsauQOKV1uFt-Nd5A2k21sTpxl4qnA

     

  • O DIA SEGUINTE DE RICARDO COUTINHO

    22/11/2018

    Parafraseando o líder Chinês Deng Xiaoping, “não importa a cor do gato se ele come o rato”, o governador Ricardo Coutinho conseguiu superar todas as expectativas dos mais céticos - inclusive a nossa - quanto ao tamanho e abrangência de sua liderança nas eleições de outubro último (2018). Culpar as oposições por seus erros é premiar o “socialista” pelos seus acertos consecutivos e oportunos.

    Doravante, resta saber como Ricardo Coutinho administrará este seu último triunfo - tira teima - ocasião que derrotou todos que se sentiram responsáveis por suas conquistas anteriores: José Maranhão, Cássio Cunha Lima e Luciano Cartaxo. Os três, divididos, foram vencidos pelo voto - sem golpes ou rasteiras - praticando entre si o mesmo e velho estilo “clientelista” de cooptação das lideranças. Contudo, fazendo uma analogia a um quadro de guerra, destaque-se que derrotar o inimigo é uma tarefa árdua e difícil. Exigem enormes sacrifícios, engenhosidade e um pouco de sorte. No entanto, o maior desafio que vem pela frente é manter o território ocupado. Que o diga a Wehrmacht (Forças Armadas integradas por Exército, Marinha e Aeronáutica) do terceiro Reich, quando seu blitzkrieg em apenas oito semanas varreu a Europa pondo de joelhos até os ingleses, encurralados no penhasco de Dunquerque. Foram quatro anos de ocupação dos nazistas. Junho de 1940 ao mesmo mês de junho de 1944, com o desembarque das tropas aliadas na Normandia, que deu início ao fim do III Reich.

    O candidato eleito com apoio de Ricardo Coutinho, engenheiro João Azevedo, pode até ter assimilado tudo - como um bom discípulo - de seu mestre. Inclusive deverá continuar aceitando seus conselhos permanentes, no tocante a convivência com o Parlamento, Poder Judiciário e Tribunal de Contas. Porém, aparenta conduta dessemelhante a partir do “víeis” ideológico doutrinário. João Azevedo vem aos poucos evidenciando seu conhecimento da realidade do Estado. Nas entrelinhas de algumas de suas poucas declarações, aparenta ter enxergado que a Paraíba não tem capacidade ou estrutura de suportar uma “trincheira de resistência” ao Governo Federal. Terá que se engajar nas mudanças radicais que serão promovidas pelo governo central, com vistas ao combate das políticas anacrônicas implementadas pelo PT ao longo dos últimos 16 anos. Este pode ser o ponto crítico, capaz de fissurar o “mezanino” de concreto que sedimentou a aliança política entre João Azevedo e Ricardo Coutinho.   

    O Estado é pobre, dependente e endividado. A diferença entre “a pequenina” e alguns demais da região, são seus limites prudenciais, por ter obedecido a LRF. Recebe mais de cinco bichões de transferências da União, e retorna pouco mais de 1,2, fato que torna a Paraíba deficitária, distante de conquistar a categoria “A”, nota classificatória do Tesouro Nacional para Estados e Metrópoles.

    O que especula a oposição é quando se dará o rompimento entre João Azevedo e Ricardo Coutinho. Com Tarcísio Buriti e Wilson Braga, o que parecia um eterno revezamento do poder não durou seis meses. Entre Ronaldo Cunha Lima e José Maranhão foram três anos. Se fosse Mariz, não teria chegado ao primeiro aniversário. Mas, José Maranhão sentia-se refém de Ronaldo, que foi o patrono da chapa que o elegeu como vice. Como será o “dia seguinte” de Ricardo Coutinho?

    Até mesmo em família, fica explícito que o poder é piramidal. Quando o clã Cunha Lima esteve no domínio - em Campina Grande e no Governo do Estado - os frequentadores da casa de Ronaldo não eram os mesmos da casa de Cássio. Respeitavam-se em nome da “causa” que cingia todos. Inevitavelmente acontecerá o mesmo - a partir de janeiro 2019 - com os amigos de João Azevedo e os “talibãs” ideológicos de Ricardo Coutinho. Terão o respeito de João, mas não gozarão de sua intimidade. Os mais sensatos - amigos de João Azevedo - buscam influenciar o governador Ricardo Coutinho a fazer um curso numa universidade no exterior - dentro de sua área - como professor da UFPB, pelo período de um ano, para não haver rupturas provocadas via seus fieis seguidores, que acreditam estarem no mesmo governo ou gestão e que o inquilino do Palácio da Redenção se limitará a assinar os decretos impostos por Ricardo Coutinho. O argumento vai mais além... Chamam a atenção do “socialista” para a dezena de processos na Justiça em primeira instância. Estando fora do País, dificulta um pouco o rito e a celeridade cobrada por seus adversários. De qualquer sorte, a travessia de Ricardo - seu Saara - durará 20 meses até alcançar o “Oasis” do período eleitoral (agosto de 2020). Isto, se conseguir chegar até lá ileso e evitar cair em meio a algumas “tempestades de areia”, que possam surpreendê-lo em seu longo e solitário trajeto.   

  • O "ELE NÃO" CONTRA PAULO MAIA

    13/11/2018

    A ignorância política, aliada ao radicalismo obtuso e alicerçado no extremismo doutrinado, é parturiente da intolerância aterrorizante que permite o surgimento da “miopia adquirida”, resistente em não enxergar a realidade da lógica.

    Disputa pela presidência da OAB-PB (28.11.2018) vem se revelando, através da mídia, como um fato inusitado comportamental ao transformar uma eleição – sempre seletiva e diferenciada - de um órgão classista, numa disputa aberta com as mesmas características delinquentes das malogradas manobras de campanhas eleitorais ocorridas nas últimas décadas.

    A falta de discursos pontuais e consistentes, a ausência de programas que se limitem dentro do que é previsto e permitido pelo Estatuto da Ordem, tem originado o “clientelismo” oportunista por parte das oposições ao atual presidente e candidato à reeleição Paulo Maia. Prometem “Residência” ao advogado (?), alegam quebra de compromisso com o que foi prometido no pleito anterior, ocasião em que Paulo Maia se manifestou pelo fim da reeleição. Para se agravar ainda mais o baixo nível da disputa, as chapas das oposições tentam se “cacifar” de modo ardiloso, usando indevidamente o nome de lideranças políticas com intuito de trazer para a entidade o debate ideológico discutido arraigadamente nas ruas das cidades de todo o país pelo povão.

    Candidato Carlos Fábio, que compôs a chapa de Paulo Maia no último pleito - por ter sido preterido como o escolhido do continuísmo de então - argumenta de forma maldosa e repetitiva que o atual presidente descumpriu com o que prometeu. O pior é que a maioria dos filiados da entidade, que não acompanham o quotidiano da OAB-PB, talvez acreditem na “fake news”.

    Procuramos nos inteirar do fato e nos deparamos com a estarrecedora verdade, exatamente oposta à admoestação de Carlos Fábio. Honrando o que prometeu em seu discurso de posse, Paulo Maia encaminhou ao Conselho da OAB-PB mudança no seu Estatuto, vetando a reeleição. Defendeu sua propositura e o Conselho aprovou. Porém, o Conselho Federal da OAB determinou a revogação do Conselho da Paraíba, por ferir o regimento da entidade em nível nacional, que defende a reeleição. Neste caso, Paulo Maia não descumpriu o que havia prometido.

    Por outro lado, se Carlos Fábio é contra a reeleição de Paulo Maia, por que apoia a reeleição de Jairo de Oliveira da Subseccional de Campina Grande?  E o próprio Jairo Oliveira, que também faz objeções ao processo de reeleição, por que não dá ele mesmo o exemplo, e desiste de sua recondução?

    Este tipo de “chauvinismo” obsoleto, que inspirou as direitas nos anos 80, foi reeditado pelo PT a partir de 2014, culminando com uma derrota acachapante em outubro último (2018). A intransigência despida de coerência gera antipatia e “vitimismo”. Senão vejamos: 2016 impeachment é golpe. Golpe é todo ato de força que atropela a Constituição. Impeachment é constitucional. Em seguida, eleições sem Lula é golpe. Lula estava condenado em segunda instância, e se tornou inelegível por uma Lei que ele mesmo sancionou - Lei do Ficha Limpa.  Quando perceberam o crescimento de Jair Bolsonaro e a cristalização do seu voto, passaram a pichá-lo como “Fascista” e “Nazista”. Talvez nem o próprio Bolsonaro conheça de verdade o que foi o fascismo e o nazismo, imagine o povão! Pensaram até que era um palavrão. Paralelamente, os indecisos começaram a incorporar o sentimento de vitimismo sofrido por Jair Bolsonaro, e aqueles que se tornaram antipetistas, porém se envergonhavam em assumir posição de “voto aberto” para Bolsonaro, se irritaram, e furiosos, tornaram-se militantes. Já esgotado todo o estoque de apelos populistas, o PT cometeu o maior de seus equívocos: “ele não”! Mas, não explicava os motivos nem convencia os contrários.

    Pelo andar da carruagem, doravante só resta às oposições de Paulo Maia o sofisma tosco contrão do “ele não”. 

  • MANOBRA INTRIGANTE

    06/11/2018

    A dissidência aberta pelo presidente da Subseção da OAB-PB de Campina Grande, em apoiar repentinamente a chapa de oposição à reeleição de Paulo Maia, tornou-se um fato curioso, por ser despido de motivos que justifiquem a atitude - provavelmente “caprichosa” - do advogado Jairo de Oliveira que optou disponibilizar seu nome na chapa encabeçada por Carlos Fábio.

    Justificando o caráter de sua decisão, Jairo de Oliveira argumenta que em seu discurso de posse Paulo Maia havia afirmado que não seria candidato a reeleição. Todavia, as circunstâncias o fizeram mudar de opinião, quando a maioria dos filiados da OAB-PB passou a defender sua recondução, por considerar a gestão além de exitosa, ainda em processo de consolidação das metas estabelecidas em seu programa de campanha exaustivamente debatido em 2015.

    Para quem não se recorda, Paulo Maia quebrou um continuísmo (politizado) da OAB-PB, cristalizado ao longo de décadas, tornando a eleição do ano 2015 uma das mais disputadas da história da instituição. Votaram 7.361 advogados, na acirrada disputa na qual Paulo Maia conquistou 3.806 votos contra 3.362 obtidos por seu concorrente Carlos Frederico. E para nossa decepção, 193 membros da Ordem anularam seu voto (?). Logo numa eleição da OAB - que sempre pregou democracia através do voto – optar-se pela anulação! O ato se configura como “negação” ao processo democrático. Mais compreensível – porém injustificável – seria a abstenção. Se existem dois postulantes em um pleito e ambos não agradam, o sugestivo é praticar o que tão bem faz os norte-americanos: escolher dos males o menor.

    A “sombria” decisão do “incausado” Jairo de Oliveira – se não for algo pueril – encontra amparo apenas no adágio popular que recomenda: “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”. Sua birra – segundo o que comentam – é em função da mudança de opinião do presidente Paulo Maia, que decidiu ser candidato a reeleição. Por que então o próprio Jairo aceita ser reeleito, e não permite a Paulo Maia gozar deste mesmo direito? Para ser absolutamente coerente com o que defende, Jairo de Oliveira deveria abdicar do direito de disputar sua permanência na Subsecional da Rainha da Borborema.

    Política classista difere muito da prática partidária. Todavia, dentro da OAB-PB sempre existiu esta ousada tentativa (atípica) de se “misturar” cores e bandeiras dos partidos políticos, por ocasião de suas disputas internas. Entretanto, este comportamento nunca foi visto no CREA, CRM; COREM... E tantos outros Conselhos que agrupam as mais diversas categorias de profissões liberais do país. A história nos mostra que a OAB tem se manifestado no plano político institucional, quando está em jogo nossa Constituição e os direitos de liberdade e expressão, inerentes ao regime democrático como determina nossa Carta Magna.

    Resta observar ao longo de todo este mês de novembro – até o dia 28 - se a manifestação “excêntrica” do presidente da Subsecional de Campina Grande da OAB se restringe apenas em ser oposição, para ser “contrão”, ou se por trás desta “manobra”, existe de fato uma questão partidária.    

  • ROMERO, A ÚLTIMA TRINCHEIRA

    17/10/2018

    A renhida batalha eleitoral do dia 07/10/2018 – enfrentamento das forças políticas paraibanas- provocou baixas inestimáveis no invencível exército do Clã Cunha Lima, que após a derrota só restou a trincheira de Campina Grande, sob o comando de Romero Rodrigues, como a última fortaleza de resistência das tropas sobrepujadas.

    Quatro anos antes (2014) os Cunha Lima - descendentes da árvore genealógica do poeta Ronaldo - contavam com um senador (Cássio), o vice-prefeito de Campina Grande Ronaldo Filho; deputado federal (Pedro); um primo - neto de Ivandro (Bruno) - deputado estadual; Artur Filho – suplente da Casa Epitácio Pessoa, que assumiu a titularidade por quase toda a legislatura que se encerrará em 02/02/2019. Acrescente-se os contraparentes da “linhagem” Cunha Lima: o prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues; Tovar Correia Lima, genro do conselheiro do TCE Fernando Catão – irmão da mãe do senador Cássio; o escudeiro mor (agregado) saudoso Rômulo Gouveia.

    Nomear culpados é o caminho mais fácil para não se reconhecer erros. Hoje, dos descendentes diretos de Ronaldo Cunha Lima apenas Pedro (neto) tem um mandato parlamentar. Quando começaram os desacertos? A partir de 2016, reeleição do prefeito Romero Rodrigues? Provavelmente sim. Com um elevado índice de aprovação, desistiram de repetir a chapa doméstica e aliaram-se ao PP. Precisavam do PP para se reeleger? Claro que não. Já tinham derrotado Daniella em 2012, que sequer alcançou o segundo turno. E Veneziano, pelo que ficou registrado na memória dos campinenses nos seus últimos dias de gestão, não tinha como competir com Romero Rodrigues.

    Lembramo-nos do grande cronista carioca da década dos anos sessenta, Stanislaw Ponte Preta: “todos os dias saem de casa um malandro e um otário. O problema está na hora do encontro”. Alguém começou a massagear o ego do prefeito Romero Rodrigues, após sua reeleição, destacando suas chances de disputar o Governo do Estado. Não resistindo ao “canto da sereia”, iniciou uma peregrinação com vistas a viabilizar sua candidatura. A cada distância percorrida, aumentava a folha de pagamento da PMCG. E, oportunamente, o PP se aparelhava dentro da gestão, ocupando espaços privilegiados. Nada de errado por parte dos “pepistas” em buscar expandir sua estrutura dentro da máquina. Faz parte do jogo. Até o filho da senadora recém-eleita Daniella Ribeiro, que estava na terceira suplência da Casa Félix Araújo, assumiu a titularidade do mandato com o afastamento de edis que se tornaram secretários. Consequentemente, o nível da gestão começou a perder qualidade. Mas, para o então pré-candidato Romero Rodrigues, o importante era “quantidade” de lideranças que impulsionariam sua postulação, sonho ou devaneio.

    Percebendo a extensão dos danos e o “oportunismo” de aliados que vitimava Romero Rodrigues, o senador Cássio Cunha Lima “vazou” a exaustiva discussão que havia em ambiente familiar, externando seu descontentamento através de entrevistas radiofônicas, afirmando que Romero poderia e tinha o direito de ser candidato a governador. Mas, ele (Cássio) desistiria de disputar o Senado Federal. Na visão do líder tucano, a “estrutura” (PMCG) não suportava o peso de uma chapa familiar.

    No comando da legenda (PSDB) estava o “Lobo Alpha” Ruy Carneiro. Superou-se na ousada tentativa – a única possível para garantir a travessia da alcateia - unindo as oposições. No aniversário de José Maranhão (2017), milagrosamente estavam todos juntos. O ato levou Ricardo Coutinho a se afastar definitivamente de José Maranhão, com quem vinha discutindo a sucessão.  Curiosamente, registre-se: só não se fez presente a este evento o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), líder do governo  Michel Temer, partido que abriga o senador José Maranhão.

    O ataque ao Clã Cunha Lima teve início a partir deste evento. Iniciou-se uma rebelião dentro da própria legenda com sabotagens, chantagens culminando na criação da chapa alternativa “Bateau Mouche”. Evidenciou-se a partir de então – como registramos neste espaço - que o alvo era Cássio. O vice-presidente do Senado levou rasteira dos irmão Cartaxo em João Pessoa – descarregaram a votação em Daniella Ribeiro. Em Campina Grande, não apareceram os votos da gigantesca base de apoio construída por Romero Rodrigues e no restante do Estado ocorreu o “efeito dominó”.

    Aturdido, desorientado e sem rumo, o senador Cássio Cunha Lima - pelo visto ainda não sabe o que fará (politicamente) no futuro imediato – é  herdeiro de um dos mais invejáveis patrimônios políticos da Paraíba, que este ano completa meio século de existência (eleição de Ronaldo da Cunha Lima em 1968 prefeito de Campina). Passar o comando para seu filho Pedro Cunha Lima? Será que o jovem deputado já tem “musculatura” para assumir o peso deste cetro? Distante do pai e da PMCG, talvez não renove seu mandato em 2022. Do contrário, Cássio assumirá o comando do seu partido, que inevitavelmente será refundado, e lutará para manter sua base em Campina Grande.

    Romero Rodrigues - se recuperar a lucidez - tem a “caneta” na mão para reorganizar sua gestão, e lutar para eleger seu sucessor. A sensação de ser traído leva-o a considerar todos culpados. Os  Ribeiros escaparão? Talvez não. A revanche pode começar por eles. Desmontar a atual base parlamentar – tem vereador que nem suplência alcançou – que lhes asseguravam uma expressiva votação para eleger seu irmão Moacir para a Casa Epitácio Pessoa. Ficou na antepenúltima colocação. Para fechar o quadro de humilhação, esta mesma “base” elegeu Daniella como campeã de votos em Campina Grande, suplantando o imbatível Cássio, e por uma pequena diferença de quase sete mil votos sua esposa não sofreu a decepção de, como vice, perder para a vice de João Azevedo, Lígia Feliciano.


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