Colunista Júnior Gurgel

  • OUSADIA DO SOCIALISTA

    16/06/2018

    Segundo postagem nos grupos do whatsapp - atribuídas ao Jornalista Milton Figueiredo - o governador Ricardo Coutinho procurou pessoalmente a ex-deputada Eva Gouveia, viúva do saudoso Rômulo Gouveia (falecido há 31 dias), e a convidou para ser a vice na chapa patrocinada pelo Palácio da Redenção, encabeçada pelo engenheiro João Azevedo. Por que não o Senador Raimundo Lira, que anseia por esta oportunidade e ficará no comando do PSD? A resposta é simples: Ricardo quer os votos, não suplente. No texto, duras críticas pela ousadia e falta de memória do governador, tendo em vista tratamento dispensado ao “gordinho”, quando foi seu vice (2010/2014).

    A formação política do governador Ricardo Coutinho, doutrinada no pragmatismo de: “o que importa é o resultado final”, historicamente não é tão aberrante. Seu ídolo - inspirador de sua geração - Luís Carlos Prestes, fez bem pior em nome da “causa”, apoiando em eleições diretas o ditador que o prendeu (Getúlio Vargas) e expatriou sua esposa Olga Benário, grávida e morta em um campo de concentração nazista. Se não fosse o pacto de não agressão celebrado entre Russos e Alemães que permitiu a invasão da Polônia e sua divisão, Anita Leocádia, filha de Olga Benário e Luis Carlos Prestes (criada na Rússia) teria também sucumbido nos orfanatos ou campos de trabalhos que abrigavam estrangeiros, prisioneiros de guerra e inimigos do regime. Prestes na época desculpou-se, alegando que não cabiam sentimentos individuais ou egoístas como “o amor” (coisa de pequeno burguês), quando a luta era em nome de um bem estar coletivo (?). Vargas, mais prudente, simplificou a “brasilidade” política/partidária sedenta pelo poder: “em política não existem amigos inseparáveis, nem inimigos irreconciliáveis, tudo é possível”.

    O arrojo do governador – se tivesse surtido efeito positivo – criaria um fato novo na campanha de seu candidato (João Azevedo) suplantando todas as perdas que vem sofrendo em suas bases, para o senador José Maranhão. Basta que se veja fotos da festa de Santo Antônio em Piancó, evento que Ricardo Coutinho, João Azevedo e Lucélio Cartaxo “queimaram”. O “socialista” estabeleceria uma importante “cabeça de ponte” dentro de Campina Grande, encurralando Exércitos de seus grandes inimigos, Romero Rodrigues e o Clã Cunha Lima. Com efeito, a partir de então, iria buscar o apoio do PP.

    Eva e Rômulo ou vice-versa, surgiram juntos na antiga UCES – União Campinense de Equipes Sociais, entidade que congregava todas as Associações de Amigos de Bairros da cidade, na gestão do Prefeito Ronaldo Cunha Lima. Cargo estratégico para quem sonhava com um mandato, a dupla (ainda não casados) passaram a conhecer centímetro por centímetro da cidade, lidando exatamente com o povão carente, onde se enraizaram como referência política. Deste trabalho, Rômulo conquistou seu primeiro mandato de vereador. Conservaram a trincheira, onde se posicionava Eva, como “retaguarda”. Não foi por acaso que na última campanha disputada por Ronaldo Cunha Lima (2006) para Deputado Federal, Rômulo obteve mais votos que o poeta em Campina Grande, fato não bem digerido então, já que toda a família – puxada por Glória Cunha Lima - se empenhou no “adeus do poeta” a sua vida pública. Entretanto, posteriormente reconheceram que nos bairros periféricos e populosos, a presença de Eva era uma constante. Como continuou sendo. Esteve à frente da Secretaria de Ação Social até abril último (2018), oportunidade para atualizar seu “cadastro”. Ricardo Coutinho foi o primeiro a chegar, e valorizando Eva, já que os “amigos” do “gordinho” não fizeram o mínimo esforço para assegurar a mesma, a condição de sucessora de seu falecido esposo na Câmara dos Deputados. Pelo contrário, Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo – devedores do inesgotável trabalho de Rômulo Gouveia em suas eleições e reeleições - se juntaram para fortalecer uma chapa doméstica, esquecendo a “fineza” de pelo menos convidarem Eva, para compor a vaga de vice. Não se sabe o que é pior ou mais dolorido: esquecimento e abandono prematuro, ou uma lembrança oportunista.

     

  • PROCURANDO O MARTELO

    12/06/2018

    Uma “pérola” de incoerências e improvisos mal arranjados, a entrevista do pré-candidato Lucélio Cartaxo - principal protagonista de um projeto natimorto – com vistas à sucessão do governador Ricardo Coutinho. Discurso vazio, despido de ideias e repetitivo nos velhos chavões de renovação (?) sem começo, com “meio” confuso e final desastroso. Tentando atingir o senador José Maranhão, Lucélio Cartaxo (PV-PB) ilustrando o “novo” afirmou que “tudo seria diferente, sem o anacronismo do passado...”. Um astuto jornalista perguntou: “onde fica seu aliado Cássio Cunha Lima”? Ele representa o passado, já governou a Paraíba. Lucélio se perdeu. A resposta foi semelhante - e tão convincente - quanto à do saudoso radialista (era de ouro do rádio) campinense Gil Gonçalves, num momento em que se viu em apuros: “procurando o martelo*”.

    Enquanto Lucélio Cartaxo desafinava - esquecendo até trechos da letra musical que entoava uma canção não ensaiada - o prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues se justificava na mídia, respondendo ao claudicante arlequim João Azevedo, usando a “Cristandade” como pretexto. Em seus argumentos desprovidos de lógica ou razão, Romero Rodrigues interpretou - pelo que ficou subentendido - que o povo paraibano aspira por uma chapa cujo principal propósito seja unir duas famílias. Sem dúvidas, para que se amplie ainda mais o nepotismo reinante. Se isto não for insanidade, é mediocridade sem precedentes.

    Se seu desígnio tem como missão unir famílias, Romero Rodrigues deveria começar a partir de sua própria “linhagem”. Trazer de volta a mesa de jantar do Clã Cunha Lima Renato, irmão de Ronaldo e tio de Cássio, e o deputado estadual Arthur Filho, ambos ainda na base do governador Ricardo Coutinho. Amenizaria as tensões entre Bruno e Tovar – seu parente por afinidade, genro do Conselheiro Fernando Catão seu tio, a quem confiou sua Chefia de Gabinete na PMCG com “poder de caneta”. Alavancaria o nome de seu irmão Moací, eterno candidato a deputado federal - carente de seu apoio – frustrado sempre com tristeza ao ver sua postulação abortada antes das convenções. Para surpresa de todos, Romero Rodrigues vem aos poucos – em público – minimizando a grandeza da liderança de seu criador, senador Cássio Cunha Lima.

    A escritora inglesa Mary Shelley, autora da primeira obra de ficção científica, “Frankstein ou o Moderno Prometeu” (1818), não previu que seu enredo seria plagiado na distante província da Parahyba – na época pertencente ao Império do Brasil – e no final do longínquo século XX, já como República Federativa e em regime democrático. Senador Cássio Cunha Lima será vítima de suas “criaturas”, como o personagem de Mary Shelley? Que o diga o senador José Maranhão, “criador” da figura de Prefeito da Capital Ricardo Coutinho, Luciano Cartaxo e o de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego, que hoje unidos ou separados – motivados por suas rebeldias ingratas - tentam defenestrar aquele que lhes deu o “sopro” de vida, como homens públicos.

    *Procurando o Martelo – muito usado na redação do extinto Diário da Borborema, na época do seu Editor Chefe, Jornalista Josusmá Colho Viana. Referia-se a surpreender alguém e encalacra-lo sem respostas. Poucos sabiam a origem. Saudoso Gil Gonçalves, fino, educado e muito culto - já sexagenário e em sua fase da pré-andropausa – costumava divertir-se furtivamente com suas secretárias do lar. Numa certa manhã de domingo sua esposa foi à missa, e voltou às pressas por ter esquecido a mantilha. Na cozinha, a secretária em frente ao fogão e Gil a abraçando por trás. “O que é isto Gil”? Bradou sua senhora. Gil, diante da surpresa respondeu: “estou apenas procurando o martelo”.

  • CHAPA TITANIC

    09/06/2018

    O precipitado anúncio (ontem 08.06.2018) de uma chapa que dividirá as oposições na Paraíba - pela sua formação - vem concretizar a tese da existência “autista” no mundo político, onde se acomodam alguns dementes, literalmente desconectado com a realidade e desmemoriado de exemplos mal sucedidos por aqueles que tentaram nomear “herdeiros” de um patrimônio (votos) que pertence ao povo.

    O prefeito de Campina Grande, que após um ano de peregrinação por todo o estado não conseguiu viabilizar sua candidatura para governador (eleições 2018), se juntou com o de João Pessoa, e lhes passou o bastão. Cartaxo “amarelou” diante do desafio e indicou seu irmão gêmeo (?) que há quarenta dias não ultrapassou a ponte do Rio Sanhauá. Sua plataforma de campanha se resume em transformar a residência oficial do governador (Granja Santana) em um parque infantil. Diante de tanta “miopia”, o aconselhável foi lhes indicar uma companheira de chapa “oftalmologista” que pode até ajudá-lo a enxergar, porém, jamais “ver” a mediocridade desta esdrúxula composição “familiar” - de caráter mesquinho - e com nítido propósito (ou devaneio) de ocuparem o poder a qualquer custo, ignorando completamente qualquer raciocínio lógico do eleitor, transformando-os em idiotas.

    Infelizmente chegamos à conclusão que o poder deve ser mesmo “doentio”, ou deixa psiquicamente “enferma” as pessoas que o desfrutam por muito tempo. Romero Rodrigues sabe das dificuldades e os longos anos de aprendizado que lhes foi necessário, para alcançar o posto de Prefeito de Campina Grande. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal de Campina Grande; Deputado Estadual; Chefe da Casa Civil (com poder de caneta) do então governador e primo Cássio Cunha Lima; Deputado Federal, com bom desempenho no parlamento, conquistar finalmente o respeito da população Campinense, que o elegeu e reelegeu Prefeito da Capital do interior nordestino.

    É inimaginável que com tanta experiência, cometa um erro tão primário, como permitir que sua esposa componha uma chapa para o governo do estado - encabeçada por um cidadão - cujo único mérito é ser irmão do atual prefeito da Capital. E o Senador Cássio Cunha Lima? Não está percebendo este desastre? Apesar de sua excelente posição nas pesquisas – para o Senado Federal - não tem “musculatura” para alavancar e sustentar esta aventura “sangue azul”. As uniões familiares para fortalecerem o poder, morreram com as Monarquias Absolutistas. Nem a Rainha da Inglaterra tem coragem de lançar membro de sua família na política partidária. Preferem se acomodarem na Câmara dos Lordes, que disputarem o voto dos seus súditos.

    Poder político numa democracia não se transfere nem se herda: se conquista. Senador Cássio Cunha Lima começou sua luta pela conquista do poder, nas eleições de 1986, quando seu pai era Prefeito de Campina Grande. Mesmo assim, fez uma campanha diferenciada. Foi o candidato “constituinte” representando a juventude. Campeão de votos no estado - altíssimo percentual do voto feminino – que o denominava de “Cássio Coisa Linda”. Para suceder seu pai – se na época tivesse segundo turno – teria sido derrotado. Edvaldo do Ó, dividiu a oposição com Enivaldo Ribeiro.

    Sua caminhada para alcançar o governo do estado se alicerçou em três mandatos como Prefeito de Campina Grande; dois de Deputado Federal; passagem pela extinta SUDENE como Superintendente; apoios imprescindíveis de adversários históricos como Wilson Braga e Efraim Morais e a desistência de Ney Suassuna (2002) véspera das convenções, levando José Maranhão a lançar seu vice Roberto Paulino, que não havia se preparado para disputa. Uma vitória apertada no segundo turno levou Cássio ao Palácio da Redenção.

    Registrem-se exemplos históricos: palanque fraco, derrota todos. Senador Cássio Cunha Lima e alguns candidatos a renovar seus mandatos para a Câmara dos Deputados podem ser vítima de um “empuxo”, afogando-se no naufrágio desta chapa “Titanic”.

  • POLARIZAÇÃO PREVISTA: MARANHÃO E LUCÉLIO

    11/05/2018

    O cerco do Poder Judiciário se fecha contra o governador Ricardo Coutinho. Mais de onze processos que dormitavam nas “conchegativas” prateleiras – climatizadas com ar refrigerado no STF - desceram para o Tribunal de Justiça da Paraíba, para que se remetam todos a sua origem: primeira instância. Enquanto isto, no TSE e TRE-PB ainda restam ações que o acusam de “uso da maquia” e abuso do poder econômico em sua reeleição de 2014. Um verdadeiro calvário, principalmente para Ricardo Coutinho, que sempre dispensou pouca cortesia e atenção ao Poder Judiciário.

    Como destacamos algumas vezes, e sempre valendo-nos da analogia, as derrotas dos grandes generais da história ocorreram quando lutaram em duas frentes. Ricardo Coutinho se depara diante deste desafio. Vencer cerca de vinte processos que tramitam na Justiça – alguns da época que foi prefeito da Capital – e simultaneamente comandar a campanha de seu “claudicante” candidato à sucessão, João Azevedo.

    As deserções de seus batalhões já começaram. O PR do deputado federal Wellington Roberto, está se agrupando às tropas “maranhistas”, na esperança de indicar o vice do MDB. O PP do clã Ribeiro - se porventura arriscar romper com a aliança que tem com o PSDB - não terá alternativa, senão procurar se agregar a postulação emedebista. Entretanto esta hipótese parece bastante remota, em função da perda de espaços, onde está aquartelada toda sua força de combate para enfrentar a “guerra” eleitoral deste ano de 2018: PMCG e PMJP. O PDT da vice-governadora Ligia Feliciano se lançará na disputa. O DEM? briga com o PT. Os herdeiros do “lulismo” não admitem presença em palanque dos “golpistas” do Democrata.

    Inteiramente alheio ao que se passe nos bastidores – deslumbrado pela bajulação em sua volta - o ex-secretário João Azevedo peregrina com uma caravana de “comissionados” do governo, batendo as portas de Prefeitos - outrora desprezados pela gestão “socialista” – que simplesmente ignorava este tipo de liderança política. João Azevedo ainda não sabe quem serão seus candidatos ao Senado Federal, muito menos seu (a) vice. E a chapa para a Câmara dos Deputados?

    Em circunstância inversa, o PV navega em “mar de almirante”. No instante em que faltam nomes no MDB e PSB, sobram na aliança que brande a bandeira de Lucélio Cartaxo. Senador Cássio Cunha Lima é o primeiro dos candidatos ao Senado. Lira tem a pretensão de ser o segundo. Porém, Manoel Júnior (PSC) vem demonstrando reunir mais condições, pela questão da “antiguidade” e fidelidade junto ao grupo. Esteve ao lado do senador Cássio nas eleições de 2014, como dissidente do PMDB. Foi candidato a vice-prefeito da Capital para consolidar a vitória de Luciano Cartaxo. Raimundo Lira representa o PSD, legenda que o abrigou depois de romper com o MDB. Talvez, Manoel Júnior pudesse até declinar de seu intento. Isto, se porventura o Deputado Federal Rômulo Gouveia reivindicasse para si mesmo a vaga. Para transferir, é outra “estória”. Todo o esforço do MDB, doravante, é polarizar a disputa com Lucélio Cartaxo. João Azevedo – como peixe no aquário - não fará outra coisa, senão nadar em círculo. Como nada é impossível no dinâmico mundo da política, só um fato extraordinário, ou estapafúrdio, mudará este quadro.  

  • CAMPANHA DE MARANHÃO NÃO CONSEGUE DECOLAR

    08/05/2018

    Resta pouco mais de oitenta dias (05.08.2018) para o encerramento do prazo final permitido pela legislação eleitoral para os partidos realizarem suas convenções e formalizarem pedidos de registros das candidaturas de suas chapas, com vistas às eleições de outubro próximo (07.10.2018).

    Em apenas um ano, o quadro das pré-candidaturas sofreu alterações inesperadas – principalmente para o povão – que acompanhava esta “maratona” observando e torcendo por um bom desempenho dos participantes à época. Prefeitos Romero Rodrigues (Campina Grande) e Luciano Cartaxo, de João Pessoa, não alcançaram a metade da prova. Governador Ricardo Coutinho – com campanha pronta para o Senado da República - “amarelou” e perdeu o ritmo, temendo a Justiça Eleitoral que julgaria sua cassação só após 07.04.2018. De todos que começaram a disputa, claudicando ainda permanece o senador José Maranhão, e representando os interesses “continuístas” do Palácio da Redenção o engenheiro João Azevedo.

    Ao se debruçar sobre as “oligarquias” e onde elas se encontram no momento, o senador José Maranhão tem uma noção precisa de suas dificuldades - criadas por ele mesmo – por não ter se “reinventado” ao longo do tempo, mudando um estilo que já o levou a uma série de derrotas. Onde estão os “Regos”? Ao lado do governador Ricardo Coutinho, seu grande “invento” (2004) para arrostar os Cunha Lima. Os “Motas” de Patos? Os irmãos Cartaxos? Todos foram produtos do “maranhismo”. Adicione-se a estes o ex-senador Efraim Morais e ex-deputado federal Wilson Santiago, que ganharam espaços nas duas gestões do PMDB à frente dos destinos da Paraíba.

    Finalmente, com quem vai formar seu “time” o senador José Maranhão? Até o suplente (hoje titular) Raimundo Lira deixou o MDB (caindo num golpe) e ficou trancafiado ou refém do PSD de Rômulo Gouveia. A pré-candidatura do senador Maranhão começa a aparentar um desafio “quixotesco”, em virtude da incapacidade de conquistar adesões dos Deputados Federais, Estaduais e Prefeitos. Resta no momento apenas o PR de Wellington Roberto - até onde se saiba - ainda comprometido ao lado de Wilson Santiago com o projeto político do governador Ricardo Coutinho, que impõe sua “criatura” João Azevedo, como defensor da sobrevivência política de seu grupo.

    Para os que consideram que “o homem é um produto do meio”, talvez o senador José Maranhão tenha colecionado algumas derrotas por ouvir os “arautos” do seu próprio “meio”. Bem que quis evoluir, ano passado (2017), quando visitou o ex-senador Ivandro Cunha Lima e se reaproximou do senador Cássio. Porém, falando mais que escutando, alardeava seu desejo imperioso de voltar ao Palácio da Redenção. E, qualquer que fosse a forma de unir as oposições, o cargo de pré-candidato ao governo era inegociável para o MDB. Postulantes ao Parlamento (Estadual e Federal) e Senado da República fogem de palanques fracos. Basta observar-se o destino do ex-senador Vital Filho, que enterrou sua carreira política na aventura de 2014: 110 mil votos, contra mais de 650 mil, obtidos quatro anos antes, para o Senado Federal.

  • PREVISÕES DE TEORI ZAVASCKI

    04/05/2018

    Aproximadamente uma semana antes do fatídico (suspeito) acidente que culminou na morte de Teori Zavascki (janeiro de 2017) - relator da “operação lava-jato”-, zeloso cuidador do sigilo e do “foro privilegiado” desfrutado por dezenas de políticos e congressistas envolvidos no escândalo do petrolão e seus desdobramentos, o ministro foi abordado por um repórter na entrada do STF, que o indagou sobre o “tema” Eduardo Cunha (preso em 19/10/2016). Tergiversando a resposta, Zavascki deixou escapar sua real preocupação e “sublinhou” em rápida resposta: PT, PSDB; PP; PSD deverão ser extintos (?). Este importante registro histórico foi visto em alguns portais de notícias como “nota de rodapé”, sem destaque ou importância.

    A mídia esqueceu que já estava nas mãos do ministro a mega delação dos oitenta executivos da Odebrecht, envolvendo os partidos políticos a que ele se referiu. Poucos dias após, veio a tragédia (19.01.2017). A ministra Carmem Lúcia assegurou ao MPF que manteria a decisão do saudoso ministro, em homologar todas as delações. Recrutou uma equipe de juízes que em ritmo acelerado concluiu o trabalho numa área reservada do STF, e a Presidente Carmem Lúcia nomeou em (07/02/2017) o Ministro Fachin para quem entregou o farto material colhido nas delações e suas extensões, atingindo de cheio todo o alto escalão da República, ferindo de morte o Congresso Nacional. Ministro Edson Fachin herdou um dos piores “espólio histórico” da República, com a função de “escorá-la”, ou deixá-la desmoronar como já tinha advertido e previsto seu antecessor Teori Zavascki.

    Em apenas quinze meses, o Presidente Michel Temer já escapou de duas denuncias do MPF, que pediu permissão à Câmara dos Deputados para processá-lo. Muitos ex-ministros e a principal estrela do governo petista (ex-presidente Lula) foram para a cadeia. O líder do PSDB Aécio Neves sobreviveu com ajuda de seus pares do Senado Federal a uma prisão semelhante à de Delcídio do Amaral. Os “arautos” de todas as siglas mencionadas por Teori Zavascki estão envolvidos. Os que não estão presos – protegidos pelo foro – estão aguardando decisões do STF que ontem (03.05.2018) admitiu restringir os benefícios que os tornava inalcançáveis perante a lei. Coincidentemente, no mesmo instante que a PF realizava uma operação prendendo mais de 51 doleiros no Brasil, e outros no Uruguai e Paraguai. Evidente que esta operação está alicerçada na delação do ex-ministro Antônio Palocci.

    Até Julho deste ano (2018) saberemos quem foi atingido pelas flechas desferidas do “bamburral” de Rodrigo Janot, ex-procurador geral da república. São tantos fatos simultaneamente acontecendo que o povão perde completamente a noção da sequencia. Fazendo uma analogia aos vendedores ambulantes das grandes cidades, a PGR, PF e lava-jato está fazendo um “rapa”. Na classe política, um verdadeiro salve-se quem puder. Aumentando ainda mais a dor de cabeça de muitos, vem a qualquer momento as “sequelas” da delação de Paulo Preto, “operador mor” do PSD de Gilberto Kassab, que segundo planilhas da PF usou uma rede de “malha fina” e pegou até as “piabas” (pequenos empreiteiros, empresas fantasmas, parlamentares e prefeitos) parturientes do “milagre” da multiplicação que resultou numa arrecadação de 180 milhões de reais (até o momento). Alguns partidos mudaram de nome. Mas, como recomenda um adágio popular gaucho, “não adianta trocar as almanjarras se as bestas são as mesmas”.

  • A FARRA DO BOI

    17/04/2018

    Quinta-feira (05.04.2018) a partir das 17h30min, os meios de comunicações do país atingiram seu pico máximo - quer seja de audiência nas redes de televisão - rádio; sites; face; twitter... O Juiz Sérgio Moro em cumprimento a determinação do TRF-4 - cometendo um equivoco em nome da gentileza - ao invés de mandar prender o ex-presidente Luis Inácio da Silva Lula, enviou-lhes um ofício concedendo-lhes o prazo de 24 horas para se apresentar a Superintendência da Policia Federal em Curitiba (PR). Notificado do mandado de prisão, Lula correu e entrincheirou-se em seu “bunker” no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - uma mega estrutura que chocou o contribuinte telespectador - financiador da obra, através do Imposto Sindical. Aquartelado, o ex-presidente acionou a militância sindicalista (pelega) do partido, para formar uma barreira humana, fechando os acessos ao prédio onde se homiziara, impedindo aproximação da policia, sem que ocorressem riscos de graves incidentes violentos.

    Imediatamente os “cardeais” da legenda correram para o local e num total desrespeito a lei, provocavam a autoridade policial, desafiando a ir prendê-lo lá no Sindicato, como conclamou os Senadores Lindberg Farias, Gleisi Hoffmann, Deputados Federais; músicos e artistas ligados ao PT... Passando uma equivocada imagem para o Brasil e o mundo, que a lei estava acima de todos, porém, abaixo do Partido dos Trabalhadores. A noite foi longa, e no dia seguinte, Advogados do réu – após duas tentativas de Habeas Corpus mal sucedida – aconselharam ao mesmo que se apresentasse, conforme solicitou o Juiz Sérgio Moro. Esgotada as tentativas de se manter em liberdade, o ex-presidente e sua equipe de marketing cuidaram de criar uma cena de “injustiça”, com roteiro “vitimizador” onde se dava ênfase a uma trágica “perseguição política”, esquecendo que a condenação do réu foi por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em três instâncias, e na quarta (STF) foi lhes negado um habeas corpus preventivo, até que ocorresse o “transito em julgado”.

    Dia seguinte, sexta-feira (06.04.2018), num palanque montado em frente à entrada principal do Sindicato dos Metalúrgicos, iniciou-se uma contagem regressiva até a hora que Lula deveria se apresentar. Para nossa surpresa – e de todos os brasileiros – no palanque estava acompanhando a contagem, à ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, que deixara a legenda quando surgiu denuncias de corrupção. Preocupados, os Advogados iniciaram um processo de negociação com a Polícia Federal, na expectativa que as exigências do condenado fossem atendidas. Tudo que conseguiram foi elastecer por mais 24 horas o prazo já vencido. Outra longa noite de farra, com muita música, Rock; bebidas; bagunça... Na manhã do sábado, veio o mais trágico de toda esta “armação”. Celebração de uma missa, por um Arcebispo da Igreja Católica, para comunistas, ateus; defensores da questão do gênero... Duas homilias. A do Arcebispo que pouco falou sobre a homenageada falecida Marisa Letícia, e a de Lula, que em sua alucinação (provavelmente alcoólica) disse que não mais existia fisicamente, se transformou numa imortal ideia (?). Sequer respeitou o Arcebispo e Padres presentes, confessando sua fé, ou mencionando os nomes de Deus, Jesus Cristo... Tempo de 55 minutos dedicado a um discurso de ódio, rancor; revanchismo e incendiário, quando subliminarmente recomendou que todos “fizessem” o que tinham que “fazer”, já planejando: recado para o MST, MTST.

    Diante da TV, encontramos a explicação do “por quê” de a Igreja Católica ter perdido tantos fiéis, e está sendo esvaziada com o avanço de milhares de outras Igrejas Evangelizadoras: as novas Igrejas não defendem celebrações para políticos, principalmente ladrões condenados, comunistas ateus. Não esqueceram Dilma Rousseff, que mandou retirar de seu gabinete o Crucifixo, e Bíblia Sagrada sobre sua mesa.

    Do Rio Grande do Sul a Brasília, presumimos que perplexos, os Desembargadores do TRF-4 e Ministros do STJ e STF tiveram a sensação de estarem assistindo uma reedição (humana) da Farra do Boi*, promovida por políticos oportunistas, com vistas às eleições de 2018. Almoço com amigos, políticos e familiares se estendeu pela tarde. Esgotado o novo prazo, a PF se aproximou. Lula em movimentos ensaiados pela militância fingia querer sair, mas “o povo” não deixava: bêbados, irresponsáveis e moradores de rua. Trouxeram um Carro de Som, e Gleisi Hoffmann explicou que Lula tinha que se apresentar, mas, não pediu que todos se afastassem para a PF recolher o já foragido da Justiça. Finamente após três horas Lula saiu caminhou até o comboio da PF que o escoltou para sede de São Paulo, Aeroporto e 22:30 em Curitiba.

    Desnecessário destacar, que depois do pentacampeonato do Brasil, o país só foi principal manchete dos Jornais mais importantes do mundo, nas cenas tristes da prisão de Lula, onde nos qualificaram como uma “nação corrupta”, e exageravam afirmando que o país estava dividido, com a prisão de um ex-presidente delinquente.

    *Farra do Boi – Festa popular nas aldeias de pescadores do Estado de Santa Catarina, proibida pelo STF, pelo grau de sadismo cometido ao animal. Um boi depois de engordado era solto e perseguido pelos farristas embriagados, assustando-o, acuando-o, fazendo-o correr durante horas a fio até atingir o cansaço insuportável pela exaustão. Todos os participantes o abandonavam, e alguém vinha sacrifica-lo. Depois, repartiam sua carne entre os participantes da “farra”.

  • FIM DA TERCEIRA FORÇA

    15/04/2018

    Declarações do PSDB nesta sexta-feira (13.04.2018) sobre apoio ao projeto majoritário para o governo do Estado, do PV (Lucélio Cartaxo) com adesão do PSD e outras pequenas legendas, sinalizam o fim da tão sonhada “terceira força” política na Paraíba, projeto do PSB de Ricardo Coutinho.

    O fato é espantoso; silenciou toda a crônica política “palaciana”. Atônitos, e sem argumentos plausíveis para justificarem como se desmorona uma estrutura - erguida durante 15 anos ininterruptos com “poder de caneta” – com um único “movimento de peões”, questiona-se: como se põe em xeque, de modo tão simples a credibilidade e confiança de uma liderança do perfil Ricardo Coutinho, ousado, desafiador e colecionador de vitórias?

    Como “mito” da antiga Grécia, o “socialista” sempre teve o seu “calcanhar de Aquiles”: vaidade exacerbada aliada a soberba. Cometeu uma série de erros ao longo de sua vida pública, mas, como destacamos em um artigo sobre o “fenômeno sorte”, este evento supersticioso sempre o salvou de derrotas iminentes. Bateu impiedosamente durante os últimos três anos no tucano Cássio Cunha Lima, e poupou os irmãos Cartaxo. Como criar agora um discurso contra Luciano e Lucélio? Mesmo que acreditemos que Lucélio talvez ainda seja provisoriamente um “Coelho de Maratona”.

    Ao percorrer os imensos corredores existentes no labirinto do poder, não é recomendável “fechar portas” no percurso sob pena que, em caso de retorno, não ter como reabri-las. Ricardo Coutinho derrotou Cássio, Cícero e Rui Carneiro em 2004 (eleições municipais da Capital) com apoio de José Maranhão. Em 2008 reelegeu-se e derrotou todos – com uma chapa puro sangue - tratando José Maranhão já como eleitor, não como força política. Pleito de 2010, eleições para o Governo do Estado, voltou-se contra José Maranhão e o venceu, aproveitando-se da sanha revanchista do senador Cássio Cunha Lima, cassado em 2008. Para reeleger-se em 2014, Cássio Cunha Lima foi seu “cabo eleitoral” quando deixou de apoiá-lo, depois que repetiu inúmeras vezes que endossava o “socialista” no seu projeto de reeleição. E manteve até o último minuto da prorrogação (analogia ao futebol) dez Secretários de Estado por ele indicado na gestão do “socialista”, dando a Ricardo o discurso do traído. Uma campanha prevista para ser ganha no primeiro turno (Cássio), foi levada para seu segundo momento, ocasião que José Maranhão repetiu o gesto de Cássio, vingando-se de suas derrotas - impostas pelo tucano campinense - e apoiou Ricardo Coutinho, transferindo os 110 mil votos “partidários” de sua legenda (PMDB), conferidos ao ex-senador Vital Filho, que disputou o governo, para contar quantos votos tinha o PMDB-PB.

    Ao permanecer no cargo e não renunciar, Ricardo Coutinho expôs seu ponto frágil, reconhecido por seus correligionários: péssimo e inábil transferidor de votos – já observado em outras ocasiões – quando não conseguiu eleger em duas tentativas o prefeito da Capital, um Deputado Federal ou Senador da República. Para que se tenha uma noção mais exata sobre sua claudicante dificuldade em “transferir votos”, basta destacar que seu líder na Assembleia Legislativa é um suplente. Como se não bastasse, duas ações no TSE põem em risco seu mandato. Se ocorrer uma cassação, inaugura-se um período “aziago” em sua vida pública, que pode leva-lo a abandona-la precocemente. 

     O lançamento de Lucélio criou instantaneamente uma polarização dentro da oposição, ofuscando literalmente o candidato de Ricardo Coutinho, que ficou sem nomes ou quadros, para formar uma chapa competitiva.     

  • NADA ALÉM DO PREVISTO

    10/04/2018

    Publicamos neste espaço - ao longo dos últimos seis meses - alguns pontos de vista sobre as manobras políticas/partidárias da “pequenina”, pontuando o previsível dentro de uma leitura realista do quadro político e o imutável comportamento “padrão” de seus protagonistas.

    A permanência de Ricardo Coutinho no governo registramos com bastante antecedência, balizando-nos pela lógica: a perda do foro privilegiado. Posteriormente, dois eventos cristalizaram a decisão: processo de cassação de seu mandato no TSE e sua condenação no TRE-PB por conduta vedada nas eleições de 2014. Ambos, para serem revertidos, exigem investidura da “autoridade” de governador, e no cargo.

    Sobre a cassação do TRE-PB, a mídia palaciana - que permeia já todo o Estado - festejou a minimização dos efeitos daquilo que foi prolatado pela Corte Eleitoral alegando que a decisão visava obrigar o condenado a pagar uma multa (?). Se um condenado é obrigado a pagar uma multa por “conduta vedada” ele cometeu um crime eleitoral, punível com inelegibilidade de 05 a 08 anos. O TRE pode até não ter publicado em seus acórdão, os efeitos penais, mas é de ofício o MPE recorrer pedindo seu afastamento do cargo, o que lhes torna inelegível.

    Quanto à ação do TSE, já pronta para ir a plenário, os advogados de Ricardo Coutinho travarão uma batalha titânica, usando os artifícios “recursais” e procrastinatórios, já que por um triz seu processo foi atravessado pelo do Estado do Tocantins, e por motivos semelhantes governador e vice foram cassados. Se Ricardo Coutinho tivesse se afastado, a esta altura - pela decisão do TRE-PB - já estava (como está) inelegível. O “fico” foi um drama circense, comemorado pelos apaniguados do Palácio da Redenção, que torcem para que o governo alcance 31.12.2018.

    Luciano Cartaxo, bem mais realista - apesar de exibir musculatura (financeira) para entrar na corrida - desistiu temendo os próximos capítulos da lava-jato e outras operações da PF, que poderiam surpreendê-lo sem mandato, e foro privilegiado. Preferiu não correr riscos, num momento em que o MPF e as Cortes de Justiça estão revendo seus limites de tolerância, contra as “traquinagens” recorrentes da intrépida classe política.

    Romero Rodrigues, que realiza uma brilhante gestão como prefeito de Campina Grande, desistiu pela absoluta falta de estrutura - inclusive financeira - para abraçar o projeto. Ao iniciar suas andanças como pré-candidato, repetindo os passos de Cássio (2002), sentiu que lhes faltava o apoio da prefeitura de João Pessoa, e a “reserva de caixa” - da época de Cássio -, gordura criada com a venda da CELB. Por outro lado, questionou-se a discutível “confiança irrestrita” no grupo político que pertence seu vice.

    A disputa volta ao ponto de partida, início de 2017, com José Maranhão (MDB), Cássio Cunha Lima (PSDB) e o candidato de Ricardo Coutinho (PSB) até o momento, João Azevedo. O desafio da “maratona” é alcançar julho, um longo caminho a ser percorrido.

    Ricardo Coutinho estando ainda na “cadeira” talvez João Azevedo reúna condições de registrar sua chapa. Do contrário, sobrarão Cássio e José Maranhão. Será que celebrarão o acordo, já pré-ajustado? Se o fizerem, Maranhão volta ao Palácio da Redenção e Cássio para o Senado da República. Mas, o amigo Gilvan Freire fez uma insinuação recentemente em um artigo, sobre Pedro Cunha Lima. Neste caso, Cássio desceria para a Câmara dos Deputados - como fez seu pai em 2002 -, abriria duas vagas para o Senado e Pedro disputaria com José Maranhão. Pelas exigências dos eleitores, diante dos escândalos da lava-jato, ser ficha limpa é fundamental. Na oposição, com estes perfis, têm-se José Maranhão, Pedro Cunha Lima e João Azevedo.

    O que ainda nos intriga, e que pode trazer surpresas, é o “faro” de Gilvan Freire.

  • AS BARBAS DE RICARDO

    23/03/2018

    Governador Ricardo Coutinho com certeza não leu a Odisseia de Homero, clássico da literatura grega, escrito 850 anos A.C. Ou , se leu, esqueceu-se de tapar os ouvidos de seus marinheiros, e se amarrar ao mastro do seu navio (mandato) evitando se afogar, caindo no mar embalado no irresistível “canto da sereia”.

    Os sinais lhes mostraram um grau de dificuldades ao termino de seu mandato, envolvido com demandas judiciais. Tudo começou com o TCE e sua queda de braço com o conselheiro Catão, considerando-o suspeito de julgar suas contas do ano eleitoral de 2014. A Procuradoria do TCE foi enfática em seu parecer, mostrando desvio de conduta na execução do orçamento, o que seria passível de correções, revisões ou juntada de documentos pertinentes, que sanassem as exigências legais. Mas, usando das prerrogativas do “triste do poder que não pode”, atropelou o TCE.

    Empurrando com a “barriga”, sua prestação de contas foi recomendada para aprovação com “ressalvas”, o que implica em uma análise mais profunda e com subsídios enriquecedores, para que a Assembleia Legislativa chancele as recomendações do TCE.

    Vencido o contencioso de 2014, eis que surge o de 2015, com os mesmos problemas represados de 2014 e investigação minuciosa da Procuradoria do TCE, que recomendou ao relator conselheiro Fernando Catão rejeitar as contas do exercício 2015. Fernando Catão levou mais de seis meses conversando com seus pares para minimizar os efeitos de seu relatório, temendo ser “politizado” na interpretação do “pastoril político” que vive o Estado. Após consenso, foi a plenário e seus colegas puxaram a escada, o deixando só, e segurando apenas no pincel. Abstenção e mudanças bruscas de posições constrangeram o conselheiro, que viveu momentos humilhantes.

    A Procuradoria encaminhou toda esta documentação para o Ministério Púbico Eleitoral, que se abasteceu de provas robustas, no que se refere ao abuso do poder político e econômico – uso da máquina pública – fator decisivo para desequilibrar uma campanha. Renuncias fiscais, caso da PBPREV; assistencialismo... Um conjunto de condutas vedadas, praticadas pelo governador, que disputou a reeleição na cadeira e com “poder de caneta”. Superado todos os recursos procrastinatórios, veio o primeiro julgamento de uma AIJE onde o TRE absolveu Ricardo por 5x1. O MPE apelou, foi acolhido pelo MPF/PGR e está em pauta para julgamento no TSE. Hoje (22.03.2018) o TSE cassou o governador e o vice do Tocantins, por motivos semelhantes ao caso da Paraíba – conduta vedada - com a diferença de valores bem inferiores ao exposto na denúncia paraibana.

    O roteiro parece com 2008. Tocantins, Cássio; Jaques Lago...

    Quando a oposição começou a se desorganizar, Ricardo Coutinho era para ter percebido que algo estava errado. Já que na dispersão ninguém o procurou, ficava evidente que ele seria a “bola da vez”. A tentativa de sua Secretaria e ex-procuradora patrocinar um jantar em sua residência, com os casais Sales Gaudêncio, José Maranhão/ Desembargadora Fátima Cavalcanti e o próprio Ricardo Coutinho, foi uma oportunidade ímpar para o “socialista” calçar as sandálias da humildade e ouvir, pedir ajuda, ou aconselhamento do Senador José Maranhão, decano da legenda (MDB) no Estado e no país, um dos escudeiros da “tropa de choque” do Presidente Temer. Entretanto, embalado com a bajulação midiática palaciana, desperdiçou a oportunidade e falou apenas de seus altos índices de popularidade, e sua obstinação em eleger seu candidato João Azevedo.

    Presidente Michel Temer ficou ressentido com a insistência da campanha que o governador Ricardo Coutinho fazia e faz contra ele. Chamando-o de “golpista”, traidor e desconhecendo sua gestão. Tudo isto embalado no “canto da sereia” da mídia que ele paga, que chegou ao ponto de lançá-lo como provável candidato a vice-presidente ou talvez até Presidente da República (?). Com todo respeito a sua gestão, suas obras só beneficiam o estado, dentro de suas divisas. O nome não é conhecido nacionalmente. Seu “guru”, saudoso Eduardo Campos, com todo o peso de sua biografia oligárquica, quando faleceu ainda estava com 6% das intenções de votos na corrida presidencial.

    O TSE retirou de pauta (nesta quinta-feira 22.03.2018) o seu processo, que pode voltar nas duas sessões da semana vindoura. No TRE ainda estão procrastinando um pedido de vistas, num placar de 4x0, onde pedem sua cassação. Outra AIJE que estava pautada para esta semana que se encerra amanhã, a Secretaria do TRE ainda não marcou a data do início de mais um julgamento. Para Ricardo Coutinho tudo que resta agora é cuidar de suas barbas e pô-las de molho. As do vizinho (Tocantins) arderam bastante. Seus gemidos chegaram a ser ouvidos até por aqui.

  • LEGÍTIMA E RESISTENTE OPOSIÇÃO

    17/03/2018

    Os solavancos provocados pelo “controle”, ou maior parcela do “Fundão Eleitoral”, esfacelaram os grupos políticos da Paraíba, que tentavam formar um bloco de oposição para enfrentar o PSB do governador Ricardo Coutinho.

    Sempre o velho dinheiro... Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, quis uma “fonte” própria e deixou o PSD de Rômulo Gouveia, que “encolhe” significativamente com sua debandada. A legenda que carreou recursos para sua gestão agora é descartada.

    Buscando quota extra, o filho do líder tucano da Paraíba, deputado Federal Pedro Cunha Lima, está tentando se abrigar no PPS. Do ponto de vista político ideológico, uma contradição sem precedentes.

    O clã da família Mota de Patos já está no comando de outra sigla (PRB), garantindo recursos para voltarem a seus postos no Parlamento.

    Vice-Prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, quis lançar sua pré-candidatura ao Governo do Estado, justificando sua saída do MDB, e procurar outra agremiação política.

    No TSE tem 36 legendas com registros, porém, apenas 24 com representação no Congresso Nacional. Pelo visto, em 2022 serão 594 Partidos políticos com assento nas duas Casas Legislativas. Cada Deputado Federal e Senador da República terão seu próprio partido, para financiar suas campanhas e barganharem em votações polêmicas do Executivo.

    O povo é sempre o último a “saber” - paradoxalmente nunca entender - estas “acrobacias” circenses de suas lideranças, com malabarismos “escapistas” que os deixa cada vez mais confusos e céticos, quanto à eficiência do modelo de regime político que escolhemos e batizamos de “democracia brasileira”, em função de suas peculiaridades e excentricidades, não vista na teoria e nem na prática por onde ela existe, e foi adotada.

    Na nossa amada “pequenina” dois fatos nos chamaram a atenção esta semana, que se encerra hoje. Primeiro o TSE que marcou pauta para o julgamento do governador Ricardo Coutinho dia 13/03/2018. A grande mídia estadual, além de não noticiar o fato, muito menos registrou seu desdobramento: a sessão foi adiada e poderá ser realizada a partir do dia 20/03/2018 se o Ministro Barroso estiver presente. Em seguida, ontem (15/03/2018) o TRE-PB esteve reunido e julgando uma AIJE contra Ricardo Coutinho. Um dos Juízes pediu “vistas”, quando o placar já estava em 4x0 contra Ricardo Coutinho. Se a Corte Eleitoral é composta de sete membros, em tese o réu já está condenado por “conduta vetada”, nomeações e exonerações no microperíodo eleitoral. Para um bom entendedor, isto implica em cassação ou perda do mandato. Mas, a mídia também não noticiou. Uma terceira ação (AIJE) entrará na pauta do TRE-PB semana vindoura, sobre uso eleitoreiro de o projeto Empreender, considerado como uso da máquina no pleito de 2014.

    Em meio a todos estes acontecimentos, a mídia só estava preocupada com a divisão das oposições, e a falta de um candidato (?). Acho que todos estão surdos, mudos ou cegos. Senador José Maranhão é o mais legítimo candidato de oposição, há mais de um ano. Tem percorrido todo o estado, visitado até adversários hostis como o clã Cunha Lima, na busca de apoio ao seu projeto. Em nenhum momento ele falou em abdicar de sua postulação. Ouviu até um lamento do Senador tucano Cássio Cunha Lima: “PSDB-PB era para estar unido ao PMDB-PB desde 2014”. Por que agora toda esta celeuma? Cremos apenas por conta dos interesses pessoais dos capitães da mídia, que estão percebendo claramente a possibilidade de em 2018, realizarem uma travessia longa e incerta, sem o oásis dos cofres públicos para saciar sua “sede”. A probabilidade do governador Ricardo Coutinho estar fora do Palácio da Redenção até maio de 2018 são manifestas. Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues, fora da disputa, como sobreviverão os grandes sistemas de comunicações e seus “formadores de opinião”?  Em tempo, se o TSE cassar o governador Ricardo Coutinho, quem assume é a vice, Lígia Feliciano que pode disputar uma reeleição.

  • ESTRANHA NORMALIDADE

    12/03/2018

    Sábado (10.03.2018) o Presidente Michel Temer deixou o Palácio Jaburu sem sua indumentária formal e tentando usar da discrição – imaginando que fugiria da mídia plantonista – e dirigiu-se à residência oficial da Presidente do STF, Ministra Carmem Lúcia. Pego de surpresa, o Presidente criou uma versão “republicana” para o encontro, escondendo seu verdadeiro propósito, que dentre outros temas, constam desde a “inquietação dos quartéis” até provavelmente ao processo que responde, e seus desdobramentos, a partir do intempestivo pedido da Procuradoria Geral da República da quebra de sigilo bancário, solicitação de pronto atendida pelo Ministro Barroso. No mundo ocidental democrata e civilizado é o primeiro caso que ocorre de um pedido de quebra de sigilo bancário de um Presidente da República, no exercício pleno de suas funções. Quem fiscaliza a conduta do Presidente é o Congresso Nacional. Se ele tivesse afastado de suas funções...

    A cada dia, a Constituição perde sua função regulatória.

    O distanciamento do Poder Judiciário dos dois outros pilares da República - Legislativo e Executivo - tem ensejado um quadro inusitado de “intimidações” e expectativas das mais diversas, em função de suas decisões “interpretativas” mudando o formato da lei votada pelo parlamento, discutida e escrita no Português que é conhecido e ensinado nas escolas do país, a todos os brasileiros (?).

    No encontro do MPF do Rio, vésperas da despedida do então Procurador Rodrigo Janot, Carlos Fernandes e Delangol (Força Tarefa Lava-Jato) deixaram claro e de forma enfática, que todos decidiram travar a batalha final contra a corrupção, nas eleições deste ano em curso 2018. O pacto tem mostrado seus efeitos. Nos últimos trinta dias, aumentou consideravelmente – acima da média – o número de denuncias do MPF contra a classe política, que estejam ou não usufruindo das prerrogativas do mandato eletivo.

    Relator da Reforma Trabalhista, Deputado Rogério Marinho foi denunciado. Vice-Prefeito de João Pessoa Manoel Júnior (ex-deputado federal) teve um pedido de inquérito enviado do STF para o Juiz Sérgio Moro. Até o insuspeito Senador Álvaro Dias – intransigente defensor da lava-jato - neste final de semana foi alvo de um delator.

    Neste nebuloso quadro de incertezas, encontra-se o governador da Paraíba Ricardo Coutinho, que tem pauta de julgamento no TSE, marcada para amanhã (13.03.2018). O relator do processo que pede a cassação de seu mandato é o ministro Napoleão Maia, que deu provimento a ação, em atendimento a uma apelação do então Procurador Geral Eleitoral Nicolao Dino. Em Brasília, o clima conspiratório tem tirado o sono dos políticos, que tentam se salvar deste processo “inquisitório” imposto pelo MPF semelhante e em nada difere do “Santo Ofício” e seu terror espalhado em nome da fé nos séculos XVII, XVIII e na Espanha – seu auge – até meados do século dezenove.  

    Ricardo Coutinho tem demonstrado uma estranha normalidade. Terá uma “bola de cristal”? Ou sabe por antecipação o resultado do seu julgamento? Não está e nem foi a Brasília, reunir-se com seus advogados? É tudo muito estranho... O pedido do MPF deixa claro que só quer cassar o governador. Os efeitos do ato, não anulam a chapa nem atinge a vice Lígia Feliciano; seu partido PSB e sua postura pessoal ainda acusa o Presidente Temer de golpista; José Maranhão integra o projeto de reeleição de Michel Temer, que tem quatro Ministros nomeados no TSE; existe a semelhança do caso da Paraíba com o julgamento de Dilma/Temer pelo TSE e para fechar, o PDT deve estar usando de tudo que pode, com intuito de emplacar uma candidata na Paraíba, que disputaria uma reeleição. Em meio a todo este “tiroteio”, Ricardo Coutinho ainda discute a longevidade de Maranhão? Seus últimos pronunciamentos sinalizam que permanecerá no governo. Mas, já não será a certeza que será cassado? Se o for, tudo que tem a fazer é torcer – contando com sua inesgotável sorte – para que a sentença não o deixe inelegível, e o beneficie com a mesma forma que privilegiou Dilma Rousseff.   

  • DESSMORALIZARAM O EXÉRCITO

    06/03/2018

    O país se entusiasmou quando o Presidente Michel Temer decretou intervenção Federal na Segurança Púbica do Rio de Janeiro. Finalmente, a partir de um “ponto”, se iniciaria um “conto” de uma jornada vitoriosa rumo à paz pública, fim da violência banalizada; desmantelamento das Organizações Criminosas; combate a corrupção no seu nascedouro; disciplina; repeito a ordem e esperança no futuro, para que o progresso regressasse como o sonho secular, ainda estampado na Bandeira Nacional.

    Transcorreram-se mais de vinte dias, e o Rio de Janeiro continua o mesmo. Há três dias, numa “ação midiática”, as Forças Armadas “pinçaram” uma das milhares de favelas (rebatizadas de comunidades) pelas esquerdas – Vila Kennedy – e removeram 16 barricadas que impediam o trânsito de veículos nas principais via de acesso a população ali encarcerada a céu aberto. Não houve um único incidente. Repórteres tentaram contato com habitantes locais, que não falaram. Já tinha vivido tudo “aquilo”: cena e modus operandi são repetitivos, sem efeitos duradouros. Com a bandidagem se sentindo totalmente no controle do caos, a orientação é deixarem as tropas desfilarem, sem incomoda-las, e tudo voltariam a ser como de sempre em questões de dias. Mas, desta feita, foram mais rápidos. Em 48 horas repuseram todas as “barricadas” removidas pelo Exército, que deve voltar, e fazer o novamente a operações “tiram e botam”.

    O povão sofrido dos subúrbios não suporta mais viverem nestes “guetos” piores que o de Varsóvia (II Guerra) controlados pelos bandidos armados, Milícias, supervisionados pelas Policias Militares e Civis que fazem o papel das SS e Gestapo. Querem ver sangue derramado, em forma de vingança pelas perdas de milhares de vidas, extorsões sofridas; assaltados; destruição com vandalismo de seus lares; criminosos estuprando física e mentalmente crianças de 12 anos, transformando-as em prostitutas e traficantes mirins (aviões). O Poder Público, que nada fez ou faz, para coibir tudo isto, ainda pede paciência para que as Forças Armadas realizem “operações inteligentes”? Por que não aproveitam esta oportunidade e decretam Estado de Sítio?

    O narcotráfico tem hoje um efetivo de guerrilha fortemente armada, dez vezes maior que todo poder Militar do país, incluindo-se Forças Armadas, Polícia Federal e efetivo Policial dos Estados. Vão se entregar? Prisões isoladas farão recuarem? Só com perdas (baixas) expressivas é que se vencerá esta guerra. A população esperava enfrentamento, cobates, vê que seus algozes do quotidiano estariam mortos. Se possível, com a mesma tirania ou selvageria que vitimaram seus familiares. É a lei de Talião, que o Cristianismo com dois milênios não conseguiu abolir da alma humana. A Arena e os jogos de Roma sobreviveram. George Bush (pai) quando Presidente dos Estados Unidos foi desafiado por Sadan Hussein que invadiu o Kuwait, pequeno país que paga segurança aos Americanos, por não ter um Exército. Nos Estados Unidos, quem declara guerra é o Congresso, e não o Presidente. Mas, o Chefe da Nação usa de prerrogativas por até por 60 dias, que lhes permite o envio de tropas ao exterior. Bush não quis repetir o fracasso Jimmy Carter, que usou a “inteligência” para resgatar os Americanos presos no Irã, com a revolição dos Aiatolás. Enviou todo o seu potencial bélico, e expulsou Sadan Hussein do Kuwait. Entrou em território Iraquiano e foi deixa-lo em Bagdá. Só não liquidou o Iraque naquela ocasião, porque seu tempo de 60 dias havia se esgotado, e o Congresso não manifestou a intenção de declarar guerra.

    Ensina um adágio popular chinês: “quando os gatos se tornam amigos dos ratos, o prejuízo fica para o dono do armazém”. OAB, Justiça; Câmara dos Deputados... Todos querem saber o que o Interventor Braga Netto fará no dia seguinte. Para a OAB, a maior carteira de clientes de seus associados é o Rio de janeiro. A Justiça e o Sindicato dos Advogados do Rio convivem num          “excelentes” clima de relações “institucionais”. A população Carioca tem nas “comunidades”, 80% do eleitorado. Este ano, teremos eleições, e no Rio o voto é comprado e entregue com a mesma fidelidade e confiança, que aquisição de um papelote de cocaína, transportado por um “aviãozinho”. O que ainda está fazendo por lá o General Braga Netto? Não tem Poder de Policia, está submisso ao Judiciário; recebe ordens indiretas do Presidente da Câmara, candidato a Governador... Renuncie General! Convença seu Comandante a tirar o Exercito e Forças Armadas deste caos. Suas tropas estão cercadas e caíram num “bolsão” vigiado pelas imbatíveis Forças da Grande Corrupção que comaça no narcotráfico, e permeia com “disfarces” todos os Poderes Constituídos da nação. A cada 5.8 minutos, um assassinato é praticado no país. Duas horas escrevendo este texto, lá se foram no mínimo 24 vítimas.

  • CARTAXO E O HISTERISMO MIDIÁTICO

    04/03/2018

    Ao anunciar que não mais seria o pré-candidato das oposições ao Governo do Estado nas eleições de outubro próximo (2018) o prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo não imaginou que provocaria uma “histeria coletiva” na população, que atônita desconhecia por completo os efeitos desta fatídica decisão, como interpretou a mídia radiofônica influenciadora das redes sociais.

    Centenas de grupos do Whatsapp bateram recordes em postagens contra e a favor. A verdade - sendo otimista - todo este tumulto deve ter alcançado no máximo 10% da população paraibana.  Atentos ao evento, só os defensores de contracheques, ocupantes de cargos comissionados nas prefeituras de Campina Grande e João Pessoa, dando-se maior ênfase aos barnabés do Estado.

    Ao longo das três últimas décadas, os proprietários de emissoras de rádio na Paraíba atrelaram seus faturamentos e empreendimentos ao Governo do Estado e às prefeituras das duas principais cidades da Paraíba: Campina Grande e João Pessoa. Criaram equipes e “monstros sagrados” dos microfones, capazes de “formar opinião”, e elegerem ou derrotarem candidatos por eles construídos, ou destruídos.

    Mera ilusão... Sobretudo dos que estão no poder e sabem quanto custou suas campanhas, e de que forma chegaram até onde estão. É claro que a bajulação diária da radiofonia massageia o ego do poder. Mas, não leva o povo a decidir, sem antes refletir. Se prevalecesse como verdadeira a tese da influência decisiva da mídia radiofônica paraibana nos destinos políticos do Estado, todos os que passaram pelo Palácio da Redenção eram imbatíveis. A história não tem nos provado esta premissa, como fato verdadeiro.

    Quatro anos da gestão do então governador Cássio Cunha Lima (2002/2006) o maior sistema de comunicação do Estado, através de sua imensa cadeia radiofônica, bateu impiedosamente no tucano que dentre outras dificuldades administrativas constava o atraso da folha de pagamentos e o recebimento do 13º salário em forma de empréstimo bancário. O ex-governador José Maranhão, “considerado em férias”, esperava retorno triunfante em 2006. Os “ouvintes” preferiram manter o “menino de Ronaldo” no Governo da Paraíba, derrotando o cacique peemedebista nos dois turnos do pleito. Mas, ao que nos parece, a lição não foi absorvida pelo “mestre de obras”. Conseguiu, através da Justiça, cassar o tucano e assumir o comando da Paraíba. E, repetiu o mesmo erro.

    Segundo o saudoso Jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), todos os dias saem de casa um malandro e um otário... O problema é a hora do “casual” encontro. Dois anos de mandato após a cassação de Cássio Cunha Lima, José Maranhão postulou sua reeleição. Ao seu lado (2010) estavam todos os “sistemas de comunicações” e a “elite” formadora de opinião da radiofonia paraibana. Contou até com o IBOPE, através da Rede Globo, que divulgou na sua pesquisa em nível nacional resultado de todos os Estados. Na Paraíba não haveria 2º turno. José Maranhão vencia com a margem de 22,7% de maioria, sobre o atual governador Ricardo Coutinho. Os “ouvintes” não escutaram os apelos dos formadores de opinião? Sequer deram crédito ao IBOPE...

    Há poucos dias viajamos ao interior do Rio Grande do Norte, cruzando quase toda a Paraíba, a partir de Campina Grande. Roteiro sem pressa, paradas em botecos; feiras livres; Mercados Centrais; Postos de combustíveis, onde conversamos com o povo informalmente. O assunto predileto se reportava a banalização da violência, e as vísceras: fome. A falta de dinheiro, meios para ganhar alguns trocados; luz e água com fornecimento cortado... Uma lamuria geral. Quando indagamos sobre política e candidatos, percebemos uma imensa inapetência pelo tema. A maioria não sabe, não conhece nem ouviu falar sobre Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues. Conhecem Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima e José Maranhão. Todos falam mal dos Vereadores, e a maioria do Prefeito local. Esqueceram Lula e Dilma, e ainda esperam uma ação do Presidente Michel Temer. Estamos falando do povão, que já tem celular “lanterninha”, e não está nas redes sociais. Como encorajar essa gente para apoiar um projeto político? Luciano Cartaxo, por exemplo, dos 223 municípios ele visitou pelo menos os últimos 23 como candidato? E Romero Rodrigues, fez o mesmo? Além do entorno de Campina Grande (compartimento da Borborema), por onde mais ele andou? João Azevedo tem viajado mais. Todavia, é visto como um burocrata do governo que conhece correligionários políticos e despreza adversários. Queiram ou não, os nomes conhecidos são os já citados: Ricardo, Maranhão e Cássio. Destes três, se dois juntarem-se, derrotam o que ficou de fora. Não tem espaço ou tempo para “outsider”. Inexiste oportunidade para um “novo”. Quanto à comunicação radiofônica? Seria um excelente tema para Stanislaw Ponte Preta, que também era Contista. 

  • GENERAL HELENO

    28/02/2018

    Quem assistiu ao programa Painel (Globo News) sob o comando de Renata Loprete e com a participação do General Heleno, percebeu a surpresa impactante que causou o convidado, silenciando todos. O clima de constrangimento dos participantes, e da apresentadora, demonstrou que não estava no script um desabafo, com palavras tão duras, sinceras e sem rodeios – linguagem da caserna – mostrando a visão das Forças Armadas sobre o atual quadro político do país.

    Segundo o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, a intervenção militar no Rio de Janeiro tem que ser curta e contundente. O Comandante (Interventor) deverá ter a responsabilidade de honrar a tradição do “verde oliva”, se impondo sobre um quadro de guerra. Assegurou que é impossível não haver derramamento de sangue neste enfrentamento. Defendeu que as tropas terão que abrir fogo contra qualquer alvo armado – independente de questões de direitos humanos – pois se trata de guerra, não de um exercício militar. Relatou que quando esteve na missão de paz no Haiti, seus soldados usaram armas para conter o caos, numa desordem existente e bem menor que a ora vivida pelos cariocas. O Rio de Janeiro é um dos centros de operações do crime organizado que já domina de norte a sul o país, enfatizou o General, usando um tom de voz que ensurdeceu a hipocrisia dos estúdios da News.

    Não precisa ser gênio para interpretar o recado do General. Mais cedo ou mais tarde... Com ou sem apoio dos políticos ou da Justiça, eles intervirão para evitar a escalada da guerra civil – no momento entre facções criminosas – em seguida sitiando a população, já a mercê da bandidagem. O General pediu compreensão e apoio – se referindo ao Rio de Janeiro – do Poder Judiciário. E em seguida disparou: “a corrupção vem de cima e envolve até o Presidente da República”.

    A “inquietação dos quartéis” sempre foi um fantasma presente na história política do Brasil, desde a proclamação da República. O movimento dos “Dezoito do Forte” (Copacabana 1922) provocou uma reestruturação nas Forças Armadas, que assumiu posição de destaque na defesa de uma nova geopolítica, para assegurar a união dos Estados, numa nação de dimensões continentais. Após a redemocratização com a Constituição de 1988, chegou-se a imaginar que este tipo de evento era passado, sem chances de ressurgimento. Os militares foram obedientes a Lei e a ordem da nova Carta Magna, e bem antes voltaram à caserna, no final do Governo Ernesto Geisel (1978).

    A Intervenção no Rio de Janeiro, e seu suposto sucesso, se expandirão pelos demais Estados. Pode evitar uma longa ditadura, com ou sem o apoio da classe política. O que ninguém sabe ainda é se a ideia foi do Presidente Michel Temer, ou foi imposição da comunidade financeira internacional e seus organismos correlatos. Como bem frisou o General Heleno, “o Brasil ocupa a primeira posição dos viciados em crack, a segunda em cocaína, e é o maior centro exportador de drogas para todo o planeta.” Existe um poder paralelo armado, e temos a segunda maior população carcerária do mundo – porque todos os mandados de prisão não foram cumpridos – senão estaríamos à frente, e bem distante do segundo lugar. A corrupção política permeou todas as legendas com assento no Congresso Nacional. Finalmente chega-se à conclusão que a mudança pelo voto, e com as leis atuais e suas Cortes de Justiça, nada mudará no país. Os Militares vêm avisando... Inclusive nas redes sociais, já alertaram que nenhum corrupto condenado pela lava-jato – caso sejam reeleitos - assumirá seus mandatos.

    Que o Rio e sua intervenção salve nossa democracia.

  • COUTINHO NO CADAFALSO

    20/02/2018

    O ministro Corregedor do TSE, Napoleão Nunes Maia Filho, pediu pauta para julgamento da AIJE que acusa o governador Ricardo Coutinho de ter cometido crime eleitoral, por abuso de poder político/econômico.

    Coincidência?

    A notícia atingiu o “socialista” no momento mais cruciante de sua vida pública: “Descida de ladeira”, final de oito anos consecutivos de um mandato polêmico, todavia bem avaliado pela população, frente à crise que atravessa o país. Restando-lhes apenas quarenta e cinco dias para tomar a decisão de se afastar oficialmente do governo (renuncia); decidir se irá lançar sua candidatura ao Senado ou Câmara dos Deputados; abdicar da política partidária. Um xeque-mate que exige muita habilidade e “sorte”, fenômeno que o tem acompanhado desde sua primeira eleição para o Parlamento Mirim da Capital. 

    Seu julgamento no TSE - com previsão para os próximos vinte dias - não implica em considerar por antecipação que seja condenado. Pelo contrário, têm sido raros os casos em que a Corte Superior da Justiça Eleitoral reforma decisões colegiadas dos Tribunais Regionais Eleitorais. Neste processo, o TRE-PB já o inocentou por um placar de 5x1. Não satisfeito - e de ofício - o Ministério Púbico Eleitoral apelou da decisão. Entretanto, é bom lembrar que o TSE é a Corte de Justiça mais politizada do país. Basta rememorar o julgamento de Dilma Rousseff que teve seu mandato cassado desvinculado do seu vice, atual Presidente Michel Temer, e não foi aplicada a lei que a deixaria inelegível por oito anos. Observe-se também, que quem não deixou a ação ser extinta foi o então Ministro que compunha a corte Gilmar Mendes, e que depois foi quem decidiu como Presidente, através do voto de minerva, cassar o mandato da já impedida de governar ex-presidente Dilma Rousseff.

    Governador Ricardo Coutinho hoje é considerado “persona non grata” pelo governo peemedebista/tucano, graças à sua precipitação ou falta de cautela. Excedeu-se e se expôs quando acusou, acusava e acusa abertamente o Presidente Michel Temer de golpista. Esqueceu o adágio popular que sentencia: “o homem é senhor do que cala e escravo do que fala”. Recentemente (cerca de trinta dias), num jantar na casa de Livânia Farias articulado pelo ex-secretário da Educação Sales Gaudêncio, José Maranhão, sua esposa Desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti estiveram frente a frente com Ricardo Coutinho, e esperaram dele um apoio oficial ao projeto do cacique peemedebista da Paraíba em voltar a governar o Estado. Relatos dão conta do mais completo descaso do “socialista”, que não abriu sequer espaço ao senador José Maranhão para expor seu projeto político. Coutinho mostrou pesquisas com índices de sua popularidade e aprovação de sua gestão, fato que o qualificava a eleger com facilidade seu pré-candidato João Azevedo. O cavalo passou selado... Desconcertado, o senador José Maranhão voltou a conversar com o tucano Cássio Cunha Lima, de quem tivera melhor acolhida.

    A atual composição do TSE não sinaliza simpatia à causa do “socialista”. Exceto o presidente Luiz Fux e a “Dilmista” Rosa Weber, os demais estão conectados com o Palácio do Planalto. Evidente que não irão atropelar a legislação. A função do TSE será aprovar ou desaprovar a decisão do TRE-PB examinando em profundidade se os Juízes votaram corretamente, em observância ao conteúdo da denúncia.

    Ricardo subiu no cadafalso. Se for inocentado pelo TSE ganha fôlego de chegar ao final da maratona com amplas chances de vitória. Se condenado, o Titanic afunda e com seu empuxo leva a vice-governadora. Todos os processos “travados” pelo seu foro privilegiado ganharão celeridade.

    Rei morto, Rei posto.

  • ULTIMAS APOSTAS

    19/01/2018

    Roleta do destino da classe política paraibana já está girando, e o crupiê que representa o grande eleitorado aguarda as últimas apostas, que podem ainda surpreender (preto 17 ou vermelho 36). Quem mais arrisca nesta rodada é o governador Ricardo Coutinho - com um tempo exíguo de quarenta e seis dias - para depositar todas as suas fichas na mesa. Renunciará o mandato? A escolha do número (candidato) recairá sobre João Azevedo? Sem fatos novos que justifique “desmonte” da escultura que vem sendo talhado pelo próprio Ricardo - falta de um “outsider” que convença o povo a tomar decisões atípicas, fora da realidade partidária do Estado - João Azevedo é a única opção que resta ao projeto de continuísmo do “socialista”.

    As oposições (divididas) aguardam a roleta parar (sete de abril), data limite para o governador Ricardo Coutinho chamar o caminhão da mudança. Pesquisas de intenção de votos sinalizam no momento eleição tranquila do “socialista”, caso venha disputar uma das duas vagas para o Senado da República. É bom lembrar que pesquisas refletem o momento. Sem “poder de caneta” e com modificações no Secretariado que o acompanha desde o seu primeiro mandato, como prefeito da Capital, Ricardo Coutinho irá se deparar com uma realidade totalmente imprevisível, talvez adversa. Ao invés de mandar (o que vem fazendo há quinze anos) irá pedir. Deixará de ser o “motorista”, passará a ser “caronista” - de um novo governo - que caso venha ser sua vice, pensa e age de modo oposto ao seu. Estes maus presságios têm assombrado alguns de seus fiéis companheiros de “roleta”, que não estão confiantes no seu palpite (João Azevedo). Deputado Federal Wellington Roberto, foi o primeiro a se afastar entregando a Secretaria de Esportes, em pleno ano eleitoral (?). Inacreditável.

    Longe de subestimar o campeão de votos da Paraíba – por duas vezes – Ricardo Coutinho. Segundo a fonte José Antônio (Gotinha), existe um trabalho nos bastidores do Palácio da Redenção, para a vice-governadora Ligia Feliciano também renunciar no dia sete de abril (2018). Uma eleição indireta seria realizada através da Assembleia Legislativa, para um mandato “tampão”. Claro que o candidato seria João Azevedo, que disputaria em outubro sua reeleição. Seriam quatro anos (se reeleito) guardando a cadeira para o retorno de Ricardo. Senador Raimundo Lira deixaria o MDB e seria o suplente de Ricardo Coutinho. Aguinaldo Ribeiro, em caça, aguarda um movimento em falso de Romero Rodrigues, para se posicionar como a segunda opção da chapa do PSB, já comprometida com Veneziano Vital do Rego.

    Deputado Federal Pedro Cunha Lima será o vice de Luciano Cartaxo. Romero Rodrigues está sendo “assediado” por José Maranhão para indicar sua esposa como vice do MDB. Quem vai jogar sinuca com “pau” de dois “bicos”? Cássio ou Maranhão? Na perspectiva da primeira dama do município não sair como candidata à vice de Maranhão, disputará uma vaga para a Câmara dos Deputados, enterrando o prestígio de Enivaldo (atual vice-prefeito), levando Aguinaldo e Daniella a obterem uma votação pífia em Campina Grande, sepultando suas pretensões para 2020. Fazendo uma analogia desta feita ao futebol, treino é treino, jogo é jogo. A partida começa em 08.04.2018.

  • DISPERSÃO DAS OPOSIÇÕES

    08/01/2018

    Os últimos movimentos do senador José Maranhão - no tabuleiro do xadrez político da Paraíba - deixaram a união das oposições em xeque. Uma visita pessoal ao prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, sem combinar antes com o presidente do PSDB Rui Carneiro, nem avisar ao chefe do Clã, Cássio Cunha Lima, deixou perplexo e curioso os demais aliados. Faz declarações desastrosas sobre o prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo e concomitantemente se reúne com cacique do PSD Rômulo Gouveia (?). Na sequencia dos desacertos, contratou marqueteiro que no momento presta “serviços de consultoria” ao governador Ricardo Coutinho. Falou de separação e divorcio com o PSD, correndo o risco de perder o vice-prefeito Manoel Júnior. Os Motas de Patos tratam sua postulação com frieza, despida de qualquer entusiasmo. Veneziano Vital do Rego, sendo cortejado pelo governador, que massageia seu ego, quando manifesta em público o desejo de votar no ex-cabeludo.

    Onde passa um boi, escapa toda uma boiada. Senador José Maranhão está abandonando o “diálogo” - caminho duramente construído pelo presidente do PSDB Rui Carneiro - e enveredando pelo “monólogo” sob a alegação que, de todos os políticos com mandato no momento, o único que nada tem a perder nesta campanha é ele. Esquece que pode perder o principal: as eleições.

    Neste ritmo, terminará só.

    Desde 1994 que o PMDB não vence uma eleição na Paraíba. Chegou ao Poder com Buriti (1986) no auge do Plano Cruzado. Em 1990, mesmo com o desgaste da legenda - satanizada em todo o país - Ronaldo Cunha Lima manteve a sigla no Poder e elegeu seu sucessor o “claudicante” Antônio Mariz (1994), derrotando uma máquina de fazer votos, Lúcia e Wilson Braga. Desconsidere-se a reeleição de Maranhão (1998) como uma peleja. Deputado Federal Gilvan Freire e seu PSB representaram uma postulação “Quixotesca”, sem chances de disputa, deserta de apoios, apostando apenas no idealismo. E lá, já se foram 20 anos de derrotas subsequentes do PMDB-PB.

    Nesta linha do memorialismo lembramo-nos que no distante ano de 1998 o então governador José Maranhão pregava por todos os recantos da Paraíba que seria candidato à reeleição, e seu vice seria o ex-senador Ivandro Cunha Lima. Uma manchete do Jornal da Paraíba sepultou o projeto desagregador. “Ronaldo Cunha Lima: Eu tenho posição, Maranhão imposição”. Maranhão estava e parece que ainda continua conjugando verbos, no singular: eu, tu; ele. Alianças exigem o plural: “nós”.

    Os percalços das oposições inversamente confortam o projeto de Ricardo Coutinho. Está tudo acontecendo dentro do esperado - divisão de seus adversários - e o senador José Maranhão representando o mesmo papel desempenhado por Vital Filho, no voo “solo” de 2014. Expectativas do “socialista” estimam entre 100 a 200 mil votos (obtidos por Maranhão 2018) que no segundo turno apoiará o candidato do PSB. Ricardo, provavelmente ao lado de Veneziano ou Aguinaldo Ribeiro, formará o palanque de João Azevedo. O que mais impressiona, é como José Maranhão conseguiu, em tão poucos dias, desagregar todo um projeto, cujo principal objetivo era evitar a solidificação da terceira forca política no Estado.

    Pelo visto, tarde demais...

  • MITOMANIA E SINCERISÍDIO NA POLITICA

    03/01/2018

    Numa destas viagens noturnas - expedições exploratórias pela internet – hábito comum dos notívagos, que sabem apenas de onde partiram, mas não tem a menor noção aonde chegar, deparamo-nos com um texto de *S.R. Martinez, sobre psicanálise sociológica comportamental e sua influencia direta na sociedade dos nossos dias. Pincei alguns dos principais pontos da tese, enquadrando-o numa visão do momento político do país. O conteúdo oferece a memorialistas e historiadores, um mapa perfeito dos caminhos construídos por nossas elites, em dois momentos: partir de 1965 e pós 1985. Noutro aspecto, observem-se a responsabilidade e o papel de cada cidadão, no novo modelo de “comunicação” globalizada (Redes Sociais). A clareza analítica do texto dispensa citar nomes de políticos e lideranças, que pretendem disputar o pleito deste ano (2018). Dos pré-candidatos que aí estão o texto revela com perfeição suas fisionomias. A MITOMANIA COMO RECURSO IDEOLOGICO E A CAVERNA DE PLATÃO.

    Mitomania é a mania de mentir, compulsivamente. O mitomaníaco mente continuadamente e isso é seu “modus operandi", maneira de viver e se comunicar. A pessoa tem prazer em mentir, mesmo que no fundo, saiba que isso pode ser prejudicial a si mesmo. A etiologia do problema é multifatorial, podendo ser desde a compensação de uma baixa-estima, até algo mais grave, como um transtorno de personalidade antissocial (ou seja, uma sociopatia). Viver em sociedade implica que você também não pode fazer o extremo oposto, dizer a sua versão da verdade na cara de todo mundo, forçando assim, com agressividade, que as pessoas vejam seus pontos falhos, suas dificuldades e deficiências. Há um nível limite na comunicação, de respeito à dignidade alheia e às suas qualidades e defeitos, sem o qual, o resultado seria conflitividades constantes e, no fim, as pessoas querendo distância de você. Portanto, o "Sincericídio" é tão patológico com sua agressividade, quanto à mitomania.

    No caso do histérico em surto histriônico, a mentira é contada para si mesmo, pois ele precisa acreditar naquelas palavras e naquela explicação para aplacar o desconforto perante o real, para o qual não suporta reagir ou observar. Como a mentira não resolve o problema de mal-estar contínuo dos dados da realidade, ele introjetará cada vez mais mentiras, num ciclo contínuo de reforço das fantasias, cada vez mais e mais distantes do esperado senso crítico e autonomia. Chega-se ao ponto de se vivenciar o chamado "transe ideológico", quando o indivíduo em surto histriônico rompe com a realidade e passa a viver em um mundo paralelo à realidade, concomitante ou não, com o uso de substâncias psicoativas e cercado de pessoas dentro da mesma bolha que se retroalimentam. O problema desses casos de hipnose coletiva está no fato de que, o quadro é de tamanho reforço entre os pares, a ponto de aprisionar suas mentes, que passam a não elaborar criticamente saídas pessoais.

    Aqui se pode evocar o "Mito da Caverna" de Platão, onde presos acorrentados de uma caverna só viram, por anos, as sombras do que existia fora dela. Quando um deles consegue fugir e vê como está o mundo afora, retorna e tenta convencer aos presos de que tudo está muito diferente do que imaginavam e os quer libertar. Acaba sendo assassinado por isso. Até que ponto o apego às cavernas ideológicas não transforma seres humanos em prisioneiros de discursos prontos e acabados, a ponto de matarem quem os confronta? Revoluções, ditaduras e genocídios apontam neste sentido. Já no caso de sociopatas com quadro mitomaníaco a partir de diagnóstico de transtorno de conduta antissocial, a questão se complica, pois a mentira é instrumento de realização de seus desejos perversos. Ela faz parte contínua de sua estratégia de conquistar mentes, produzir alienação e assim, gerar exércitos de histéricos em transe ideológico, a seu favor. Aqui o uso de recursos de linguagem, a distorção dos fatos, a demarcação de um “duplipensar” (ausência de coerência), é conscientemente planejada e coloca em prática: conquistar mentes e corações, e os colocá-los submissos a seu serviço.

    Daí vem à tona a discussão sobre os prazeres do mentir. Há o prazer daquele que possuir baixa-estima e usa a mentira contínua para se sentir aceito e amado. Há o prazer do histérico, que mente a si mesmo para afastar o mal-estar do mundo real à sua frente. Há o prazer do psicopata, que mente para conseguir o que quer. Há o prazer do sociopata, que mente para colocar seu projeto de poder em curso. Mas, existirá um prazer de dizer a verdade? Sim, existe e muitos assim se expressão em equilíbrio e bem longe de qualquer quadro de perversão, individual e social. O problema é que, dizer a verdade e posicionar-se significa abrir mão de ser aceito e amado por determinados grupos, ostentar e sentir-se estar fazendo o bem, dentro da ideologia ventilada principalmente nos meios educacionais. A quem está maduro e busca sua individualidade isso não é um problema. Porém, aos mais jovens, ser banido do grupo maior por pensar diferente e se posicionar pode ser problemático é difícil de ser efetivado, enquanto não adquirem condições e estima suficiente para serem donos de seu próprio destino (e isso leva certo tempo).

    Interpretamos neste último parágrafo, o status dos meios Acadêmicos e Universitário do Brasil - inclua-se IFs - partidariamente controlados pelo PT e PCdoB.

    *S.R.Martinez – Doutorado em Direito das Relações Sociais pela UFPR; Estágio Doutoral na Universidade de Coimbra; Mestrado em Direito Negocial pela UEL; Pós Graduado em Direitos Humanos e Democracia pela Universidade de Coimbra; Psicanalista pelo Instituto Brasileiro de Transpsicanálise; Jurista; Professor Universitário e autor de livros.  

  • FRAUDE ELEITORAL

    20/12/2017

    O último embate cívico do saudoso ex-governador Leonel Brizola coincidiu com a estreia do “mensalão”. O PDT levou ao plenário do Congresso Nacional proposta para a impressão do voto eletrônico – efeito de recontagem - e confecção de novas urnas eletrônicas, com teclas que oferecessem ao eleitor opções de “nulo” e “branco”. Estranhamente o então Chefe da Casa Civil do Governo Lula, deputado federal José Dirceu, entrou em cena e ofereceu trinta mil reais (mensalidade) para quem votasse contra a proposta do PDT (?). Maioria apertada, Dirceu venceu Brizola.

    Não era por acaso que Brizola suspeitava do resultado “artificioso” das urnas eletrônicas. Já tinha sido vítima da “cibernética”, manipulada por mais de uma vez, fatos embora questionados judicialmente, foram ignorados pelo TRE-RJ e TSE.

    O primeiro caso de falcatrua foi nas eleições de 1982, para Governo do Estado do Rio de Janeiro. O voto ainda era no papel. O TSE tinha “normatizado” para que sua totalização fosse feita através de computadores. Em todas as pesquisas, e de todos os Institutos, a eleição de Brizola no Rio era um passeio. Recém-chegado do exílio (anistiado em agosto de 1979), o então ex-governador do Rio Grande do Sul já era imbatível para a Presidência da República. Todavia, para seu infortúnio, não conseguiu controlar sua ansiedade, resolvendo disputar as eleições para o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Enfrentou os jovens Moreira Franco e Miro Teixeira, representando o PDS e PMDB respectivamente. Sandra Cavalcanti (PTB) e Lysâneas Maciel (PT). As tradicionais forças políticas cariocas se organizaram bem divididas, para esmagarem o gaúcho forasteiro. Sistema de comunicação Globo, ligado ao PDS, fazia a campanha de Moreira Franco. Uma semana de apuração, e a dúvida permeava o Estado do Rio. Computadores da Globo, alimentados pelo Proconsult – empresa que totalizava os votos no TRE – indicavam vitória de Moreira Franco. A rádio Jornal do Brasil - com uma equipe de repórteres – fez um duro trabalho de pegar cópias de todos os mapas eleitorais, de cada secção de votação e na velha máquina de somar fazia sua totalização diária. Brizola vencia a eleição “disparado”. Vendo a tramoia e prevendo o pior, começaram as entrevistas e denuncias do candidato vencedor. Roberto Marinho – segundo memorialistas – levou um “puxão de orelhas” do Palácio do Planalto descredenciando “arapongas” que se diziam servir ao SNI, e com apoio do Governo Federal queriam a eleição de Moreira Franco. O TRE-RJ concedeu a vitória a Brizola. Os números reais jamais se saberão. As cédulas foram incineradas, após insistentes pedidos de recontagem feitos pelo PDT (vencedor do pleito) e pelo MPE.

    Em 1988 foi o festejado ano da primeira eleição direta para Presidente da República, vinte e oito anos depois do último pleito (1960). A totalização dos votos seria mais uma vez feita por computadores. Todas as pesquisas indicavam o segundo turno entre Leonel Brizola e Fernando Collor de Melo. Brizola, o inimigo “número um” de Roberto Marinho e Rede Globo de Televisão, foi surpreendido na véspera do pleito (primeiro turno) com uma pesquisa divulgada pela TV Globo apontando Lula no segundo turno. Para a infelicidade dos nacionalistas, com apenas 1% de diferença, o petista superou Brizola. Recorreram e pediram recontagem de votos no Nordeste, onde a fraude foi mais grosseira e testemunhal – principalmente em Pernambuco - Estado do vice de Brizola (Fernando Lyra) e onde o PT venceu na maioria dos municípios quando sequer tinha diretórios ou militância. Cinco pedidos protocolados, e todos negados pelo Presidente do TSE Francisco Rezek. Coincidentemente, Rezek foi o primeiro dos Ministros a ser escolhido pelo vencedor do segundo turno (Fernando Collor), para comandar o Itamaraty. Instalou-se doravante o processo “indutor” das pesquisas. IBOPE/DATAFOLHA e VOX POPULI criaram um “triunvirato” para comandarem os resultados dos pleitos. Índices semelhantes, divulgados repetidas vezes, atestavam o resultado “fabricado” nas urnas eletrônicas, que totalizam os votos via complicadíssimo processo “percentual” e não numérico como o “Impostrômono” ou Formula 1.

    Brizola que governou o Rio de Janeiro por duas vezes (1982 e 1990) foi a primeira vítima das urnas eletrônicas, nas eleições municipais de ano 2000, quando se candidatou a prefeito da Cidade Maravilhosa, não alcançando o segundo turno. Ficou atrás de Benedita da Silva com apenas 9,1% dos votos. Luís Paulo Conde e César Maia (ex-secretário de Brizola) chegaram ao segundo turno, com a vitória de Maia. O indignado Brizola apelou para recontagem de votos. Não podia – e nem pode até hoje – ser feito. Quantos votos nulos e brancos? Não tinha (nem tem) nas urnas como votar “nulo” ou “branco”. O eleitor anula seu voto errando. E fica em branco quando assina a folha de votação, vai até a cabine e se abstém de escolher um candidato.

    Presidente do TSE (2001/2003), ministro Nelson Jobim prometeu a Brizola que pelo menos 50% das urnas eletrônicas do Rio de Janeiro no pleito de 2002 teria o voto impresso. Brizola enfrenta sua última derrota, disputando o Senado da República. Apenas 30 secções viram este tipo de urna, que não foi mais usado em nenhum outro lugar do país, até os dias de hoje. Venceram para o Senado em 2002, no Rio de Janeiro, o neófito Marcelo Crivella (3,234 milhões de votos) e o jovem intrépido Sérgio Cabral (4,187 milhões de votos). Brizola amargou a sexta colocação, com 1,237 milhões de votos, atrás do Pastor Manoel Ferreira; Edson Santos – dois meros desconhecidos - e Arthur da Távola, muito embora conhecido, sempre teve baixa densidade eleitoral.

    Presidente do TSE Gilmar Mendes veio a público informar que ainda não comprou as impressoras, o que nos leva a mais um pleito de resultado duvidoso. Se Edward Snowden (NSA) der uma passadinha por aqui, elege o de sua preferência.


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