Colunista Júnior Gurgel

  • DEBATE DA TV ARAPUAN

    14/08/2018

    DEBATE DA TV ARAPUAN

    Ontem, 13/08/2018, a TV Arapuan promoveu o primeiro encontro (debate) entre os pré-candidatos ao Governo do Estado da Paraíba. José Maranhão (MDB), Lucélio Cartaxo (PV); João Azevedo (PSB) e Tércio Teixeira (PSOL). O evento marcou o início da contagem regressiva da última etapa de uma maratona iniciada em janeiro de 2017.

    Na abertura – apresentação dos candidatos – o único desconhecido era o psolista Tércio Teixeira. Lucélio vem de uma longa exposição midiática desde a campanha de 2014, quando disputou o Senado da República. João Azevedo, que desta vez soube segurar-se na sela (montaria) não permitindo que seu líder o trocasse de última hora venceu a primeira batalha, ao ser o candidato do governador Ricardo Coutinho. José Maranhão - desde 1950 na vida pública - já foi deputado estadual, federal, senador da república de dois mandatos e governou a Paraíba por três vezes, limitou-se na apresentação a dizer com simplicidade a maior de suas virtudes do momento: “sou ficha limpa”. Em tempos de lava-jato, isto pesa no currículo a ser examinado pelo eleitorado. 

    Durante duas horas e meia perguntas foram feitas entre os candidatos, que seguindo um “cerimonial” teatral levantavam-se das cadeiras em que estavam sentados, caminhavam até o centro do estúdio, um se posicionava frente ao outro, e faziam a pergunta. Vinha a resposta, a réplica, e em um dos blocos a tréplica. Depois, cada um marchava de volta ao seu assento (?). Isto é comum nas escolas de artes cênicas. Chama-se “marcação de palco”. O que imaginou o produtor do programa ao levar quatro políticos a repetir gestos idiotas? Eles não estão à procura do glamour. Estão caçando votos. Suas assessorias não deveriam ter permitido tamanho vexame. Os telespectadores queriam ver e ouvir um debate polêmico, sobre o drama do seu quotidiano, não imitadores de atores circenses mambembes.

    O debate serviria como parâmetro, para aferir o nível de conhecimento dos candidatos sobre os problemas existentes na Paraíba. Suas ideias e opiniões, apontando soluções para amainar seus efeitos em curto e médio prazo, através de projetos consistentes e inovadores na gestão pública. Infelizmente, nada disto foi visto. Percebeu-se sim, o despreparo do candidato do PV Lucélio Cartaxo, que esqueceu completamente que era candidato a governador do estado, e não a prefeito de João Pessoa. Gastou todo o seu tempo divulgando a gestão do irmão gêmeo, a ponto do candidato José Maranhão – se não por lapso de memória, mas por ironia – dirigir-se quatro vezes ao mesmo o chamando de Luciano (?). Na interpretação de Tércio Teixeira – ignorando a legislação eleitoral, que proíbe parentesco de primeiro grau em casos de sucessão – insinuou que Lucélio sonhava era em ser candidato do seu próprio irmão, nas eleições de 2020. Dúvida que se instalou em Campina Grande: o senador Cássio Cunha Lima, realmente conhecia Lucélio Cartaxo?

    João Azevedo não fugiu de sua missão. Enalteceu todos os atos da gestão do governador Ricardo Coutinho, prometendo continuidade dos projetos e ações desenvolvidos pelo “socialista” nos últimos oito anos. Foi rebatido de modo civilizado pelo candidato José Maranhão, que requereu seus direitos como o licitante do maior projeto de irrigação em obras na Paraíba, e a autoria da construção do açude de Acauã. A Lucélio, José Maranhão respondeu que construiu dois hospitais de Traumas no estado, fazendo justiça sobre o início das obras do de Campina Grande à gestão do senador Cássio Cunha Lima. Acusou ainda o candidato do PV de “plagiar” sua plataforma de campanha. A Tércio Teixeira, como todo esquerdista “doutrinado”, restou a crítica pela crítica e as “pegadinhas” em Lucélio Cartaxo – sobra “transparência”, apontando o “lamaçal” de corrupção (segundo o mesmo) enterrado na lagoa do Parque Sólon de Lucena. Perguntou também ao candidato da aliança PV/PP/PSDB - que se negou em responder -, sobre o sombrio apoio do líder do governo Temer a sua candidatura. Finalmente o psolista acusou João Azevedo de “fura teto”, com salário mensal de 45 mil reais, superior ao Presidente da República e Ministros do Supremo.

    As equipes de marqueteiros erraram grosseiramente. A de José Maranhão deveria tê-lo orientado em falar muito... Três gestões a frente dos destinos da Paraíba, era para ter deitado e rolado sobre o tema recursos hídricos. Lucélio falou em recursos hídricos, sem nada entender sobre este processo. Perdeu-se ao falar sobre “mobilidade”, momento em que o candidato José Maranhão o interrompeu, afirmando que a única obra de mobilidade da gestão de seu irmão (Luciano) foi uma “passagem molhada” na Av. Beira Rio. Finalmente só quem se deu bem foi Tércio Teixeira, um senhor desconhecido até no seu próprio bairro (em João Pessoa), ontem conhecido por milhares de pessoas, por ter emparedado os “monstros sagrados” da política paraibana.

  • CÁSSIO - FAVORITISMO AMEAÇADO

    07/08/2018

    Na busca por caminhos mais curtos o comum é se perder nos desconhecidos e arriscados atalhos. Senador Cássio Cunha Lima iniciou o ano de 2018 como o principal e mais favorito de todos os pré-candidatos para ocupar uma das duas vagas para o Senado Federal. Ao longo de todo o ano de 2017, com perspicácia “desmontou” todas as postulações que porventura viessem “sombreá-lo”, a partir do ambicioso plano natimorto do prefeito Romero Rodrigues de ser o candidato ao Governo do Estado, fato que gerou uma discórdia interna na família e nos partidos.

    Os Cartaxos bandearam-se para o PV, sem aviso prévio ao PSD. Luciano passou a ser opositor de Romero e esqueceram o acerto inicial: apoio irrestrito ao senador José Maranhão (MDB), que nada tinha a perder, pois mesmo raciocinando sobre a remota hipótese de sua derrota, retornaria para concluir seu mandato no Senado da República até o ano de 2022. A chapa com Maranhão para o governo e Cássio ao lado de Luciano para o Senado acomodaria todas as legendas. Manoel Júnior assumiria a Prefeitura, Micheline Rodrigues uma vaga para a Câmara dos Deputados, Raimundo Lira seria o primeiro suplente de Cássio ou Luciano; Daniella a vice de José Maranhão. Veneziano Vital do Rego (ainda no MDB) estaria com sua reeleição garantida e com amplas possibilidades de ver sua genitora (Nilda Gondim) no Senado, em substituição a José Maranhão.

    O bem elaborado plano do então presidente do PSDB - ex-deputado federal Rui Carneiro – se configurava num “armistício” das oposições, “encurralando” Ricardo Coutinho, despido de quadros para montar um exército capaz de enfrentar o grande contingente opositor.

    Para felicidade do governador Ricardo Coutinho, os “Cartaxos” ao lado de Romero Rodrigues boicotaram o trabalho de Rui Carneiro. Trocando seis por meia dúzia, Luciano lançou seu irmão Lucélio, ao lado de Micheline esposa de Romero Rodrigues. Veneziano deixou o MDB e filiou-se ao PSB. Os Ribeiros, se aproveitando da “balburdia”, aventuraram-se e passaram a exigir um espaço na majoritária. Lira ensarilhou suas armas e bateu em retirada, com a prematura partida do saudoso Rômulo Gouveia. O PP impôs Daniella Ribeiro como companheira de chapa de Cássio Cunha Lima, na coligação PV/PP/PSDB. Cássio optou por Eva Gouveia (PSD) como primeira suplente, que nada acrescenta. Daniella escolheu um supersecretário da PMJP, com maior mobilidade que a esposa de Luciano Cartaxo. Governador Ricardo Coutinho tirou uma carta da manga, e lançou Luís Couto (PT) como companheiro de Veneziano. O quadro se complicou para Cássio...

    Tivemos acesso a uma pesquisa de consumo (realizada apenas em Campina Grande) há três semanas, onde o senador Cássio Cunha Lima aparece liderando com 30% das intenções de votos, opção de apenas 38% do eleitorado que apresenta 62% de indecisos, nulos; brancos e os que se abstiveram de opinar, não escolhendo nenhum dos candidatos. Veneziano vem em segundo lugar com 14% e Daniella Ribeiro com 11%. Luís Couto e Roberto Paulino ainda não eram candidatos. Porém, este quadro é para o primeiro voto. Quando se observa o segundo voto, Veneziano obtém mais 15%, totalizando 29%. Daniella Ribeiro 12% atingindo 23%.  E Cássio Cunha Lima zero. Para que fique mais claro, a segunda opção de Cássio representa o “Campinismo”, vai direto para Veneziano e Daniella. A segunda opção de Veneziano (soma a oposição e os anti-Cunha Lima) vai para Daniella, e a segunda opção da pepista cai no colo de Veneziano. A rigor, Cássio está empatado com Veneziano, Daniella chegou com rapidez, e continua crescendo. Como se não bastasse, o MDB despejará todos os seus votos no ex-governador Roberto Paulino, que é anti-Cunha Lima por questões locais (Guarabira). Talvez a saída de Cássio seja criar um fato novo, e chutar o pau da barraca. Isto se ainda tiver forças sobre seu partido (PSDB).

    A iminência de um resultado negativo que atinja Cássio está no resultado do maior colégio eleitoral do estado, a Capital João Pessoa. No pleito de 2010, com a ajuda de Luís Couto, Vital Filho venceu Cássio. E agora como candidato? Sua segunda opção será Veneziano. As hostes do PV (JP) darão a primeira opção a Daniella e buscarão casar votos com as sobras de Luis Couto e ou Roberto Paulino.

    Quem puxará votos para Cássio na Capital? Seria o vice-prefeito Manoel Júnior, se não tivesse sido defenestrado de forma humilhante, por todos da coligação PV/PSBD/PP. Como Cássio suplantará as desvantagens da capital, e o empate em Campina Grande? Será a eleição mais difícil de sua história política, com a clarividente perspectiva de derrota. Fazendo uma analogia a um adágio popular, “Cássio estava na planície. Criou sua própria montanha, para agora escalá-la”.

  • ...ONDE ESTAVA O POVÃO

    06/08/2018

    Ontem à noite (domingo 05.08.2018), recebi ligação do amigo José Silvino Sobrinho (João Pessoa), e como fazemos semanalmente discutimos os últimos acontecimentos sobre temas que envolvem tecnologia, crises; momento político/econômico do Brasil e do mundo. Indaguei do pai do projeto Canaã - maior autoridade do país em açudagem e Recursos Hídricos - como tinha ocorrido as convenções que oficializaram os nomes dos três principais candidatos ao governo do estado, com respectivos membros integrantes das chapas para o Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Silvino afirmou que foi apenas a uma. A do MDB, que homologou o nome do senador José Maranhão. E, para minha surpresa, confessou que passou pouco tempo no local, porque estava muito cheio. O dia inteiro os grupos do “Zap” mostraram a “lotação” das convenções do PSB e PV/PSDB.

    Lembrei-me de um fato que testemunhamos no ano de 1986, em um comício na cidade de Teixeira, onde passamos o dia em um grande churrasco oferecido pelo então prefeito Valdecir Amorim, correligionário do governador Wilson Braga e eleitor da chapa Marcondes Gadelha/Marcos Odilon/Wilson Braga e Maurício Brasilino Leite. Era um sábado e a cidade estava cheia. À noite, aconteceriam dois comícios, o de Marcondes/Wilson Braga e o da oposição, Burity, Humberto e Raimundo Lira. Por volta das 19hs não cabia mais gente no espaço onde se realizou o comício de Braga, com a presença do governador interino ex-senador Milton Cabral. Uma festa de “arrebentar”. Do alto do palanque comecei a observar com curiosidade o povo presente. Só enxergava prefeitos e comitivas da região, um mundo de funcionários públicos nomeados por Wilson Braga em João Pessoa, Campina Grande; Patos... Perguntei a Silvino se ele estava vendo o mesmo. O mestre - construtor do CCT hoje UFCG - ficou perplexo. Resolvemos deixar a festa e retornar para Campina Grande onde tinha um encontro com algumas lideranças na casa do médico Antônio Loureiro.

    Na saída da cidade, por equivoco, o motorista entrou numa rua e lá estava uma imensa multidão compacta, aplaudindo, vibrando e pulando quando o locutor citava o nome de Burity, Humberto e Lira. Ficamos chocados com a realidade. Ainda balbuciei “olhe onde está o povo de Teixeira”! No caminho, discutimos que havia algo de errado na campanha, e que alguém estava sendo enganado, ou amadoristicamente não estavam fazendo a leitura correta das pesquisas, que segundo o saudoso Carlos Roberto de Oliveira – coordenador geral e marqueteiro – estávamos num empate técnico.

    Chegando - mesmo atrasado - em Campina Grande, ainda participamos da reunião, onde estava presente o professor Moací Alves Carneiro, ex-reitor da FURNE – hoje UEPB. Ao sairmos do encontro, comentamos o fato com Moací e decidimos encomendar uma pesquisa – sigilosa – para termos conhecimento da verdade sobre o que vimos em Teixeira. Dia seguinte, nos reunimos com o professor Walter Fonseca, Doutor em Estatística do então CCT. Elaboramos as perguntas e definimos o número de entrevistados, contrariando e deixando estupefato o estatístico. Todas as cidades acima de 10 mil habitantes da Paraíba, e 20 mil entrevistados. Walter Fonseca protestava irritado, alegando que não era uma pesquisa, era uma eleição. Mas, dada à urgência – restavam 35 dias para as eleições – montou uma gigantesca equipe e em uma semana o trabalho estava pronto. Antes de apresentar, Walter Fonseca – se confessando também surpreso – deu a dica: Wilson Braga ainda pode ser salvo. Resultado imutável: Burity vencia Marcondes Gadelha com 22,7% de maioria. Humberto aparecia em primeiro e Lira estava empatado com Wilson Braga. Sugestão de Walter: aconselhe urgentemente Wilson procurar Humberto, e captar o segundo voto, oferecendo o mesmo a Humberto. Em choque, Silvino levou a pesquisa para o saudoso Soares Madruga, presidente da ALPB e conselheiro político de Braga. Madruga recusou-se inicialmente a aceitar a veracidade dos dados, e somente 10 dias depois teve coragem de enfrentar Wilson, que por sua vez demorou mais dez dias para procurar Humberto, quando tudo já estava tarde demais.

    Na convenção de ontem (05.08.2018) PV/PSDB não tinha 10% dos comissionados das Prefeituras de Campina Grande e João Pessoa. Se todos fossem, o espaço adequado seria o estádio “O Almeidão”. Do PSB com uma trinca de nanicos, se exigissem presença dos “codificados”, comissionados e contratados emergenciais, teria que ser dois “Almeidões”. E na de Maranhão? Ele não tem “codificados”, comissionados nem contratados emergenciais. Presentes, só o povão que não quer mais os modelos “Cartaxo” e “Coutinho”. Pode até ocorrer tudo de forma inversa ao fato histórico que descrevemos acima, com testemunhas ainda vivas e de boa memória. Mas, até o presente, o povo de Teixeira de 1986 é o mesmo povo de Maranhão em 2018.

  • PV/PSDB/PP PROGÓSTICO PREVISÍVEL

    06/08/2018

    Ao longo dos últimos seis meses, neste espaço, previmos algumas ações e reações da classe política paraibana, sem bola cristal, consultas a tarólogos ou médiuns videntes. A leitura sobre o que iria, ou irá acontecer, é o resultado das atitudes do quotidiano, calculando-se seus desdobramentos e os limites (ambições ganância e apego ao poder) dos personagens envolvidos nas cenas, às vezes dramáticas e até cômicas.

    Em um dos nossos últimos textos – postado aqui - afirmamos que o pré-candidato ao Senado, vice-prefeito de João Pessoa Manoel Júnior, estava sendo “fritado” pela coligação PV/PSDB, e sendo “ludibriado” pela dramaticidade da deputada estadual Daniella Ribeiro. Hoje, 03.08.2018, o ato foi consumado. Daniella Ribeiro foi “oficializada” como companheira de chapa do senador Cássio Cunha Lima, que em nossa humilde visão, o negócio foi melhor para Daniella e seu irmão deputado federal Aguinaldo Ribeiro, que para o experiente chefe do tucanato paraibano.

    A briga do ex-senador Efraim Morais para ser vice na chapa de João Azevedo (PSB-PB) é outra tentativa frustrada do líder do DEM, inaceitável por Ricardo Coutinho, a não ser que ele pretenda derrotar seu candidato ainda no primeiro turno. Governador Ricardo Coutinho jamais “arquitetaria” uma chapa sem um vice de Campina Grande. Ele mesmo já deu prova cabal, com sua própria escolha em 2014, Lígia Feliciano. Não cometeu os dois erros subsequentes de José Maranhão (MDB), que agora “despertado” indicou um campinense para seu companheiro de jornada no pleito 2018.

    A preferência de Ricardo Coutinho para formar a chapa encabeçada por João Azevedo - depois de insistentes apelos aos Regos e sua negativa – recairá sobre o nome do empresário Arthur Bolinha, até então pré-candidato a deputado estadual. Bolinha ainda está resistindo. Mas, terminará por aceitar. Quanto ao veto dos Regos, que impediu Ana Cláudia (esposa de Veneziano) em ser a vice de João Azevedo, este comportamento já foi visto antes (2010), com a recusa de Veneziano em ser vice de José Maranhão e preferir eleger seu irmão Vital Filho para o Senado e sua mãe Nilda Gondim para a Câmara dos Deputados. Tudo se repete do mesmo modo de 2010. Ana Cláudia será eleita com o apoio das bases de Veneziano, que no momento tem amplas possibilidades de alcançar uma das vagas do Senado Federal.

    Até domingo 05.08.2018 às 17hs, podem ocorrer mudanças inesperadas nas legendas PTB, PRB e DEM. A tendência é que todas, ou pelo menos uma das três, venha engrossar as fileiras do MDB de José Maranhão (PRB). Fontes de bastidores indicam que o deputado federal Hugo Mota apoiará o patrono da carreira clã patoense, José Maranhão.  Wilson Santiago e Efraim, se conseguirem ser “cingidos” pelo PSC (Manoel Júnior) desprezado pelo PV/PSDB, podem reforçar a presença garantida do MDB no segundo turno, e a recondução para a Câmara dos Deputados de Hugo Mota, Benjamin Maranhão; Wellington Roberto; Wilson Santiago; Efraim Filho e Marcondes Gadelha. Será uma jogada de mestre, semelhante a que tentou o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, afastar do MDB o vice de Wellington Roberto, seu filho Breno.  

  • MANOEL JÚNIOR FRITADO PELO PSC

    26/07/2018

    A pré-candidatura para o Senado Federal do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, lançada desde abril, foi bem recepcionada pelos paraibanos e dezenas de lideranças políticas expressivas do estado. Estradeiro, Manoel Júnior percorreu quase toda a Paraíba e se encheu de entusiasmo, surpreendido pela mais absoluta inexistência de qualquer tipo de resistência à sua postulação.

    Para seu infortúnio, quando se acenderam as fogueiras do São João seu nome começou a esfriar – ao invés de ser aquecido – em função da indecisão de sua legenda (PSC), que não engatou marcha (para frente ou para trás), ficando no meio do caminho na espera de uma decisão (conveniente) da família Gadelha. Nas mais diversas leituras (prognósticos) os Gadelhas ainda não encontraram a fórmula mágica no MDB, ou na coligação PSB/PV, que garanta a eleição de Leonardo para a Câmara dos Deputados, conjuntamente com a recondução de Renato à Casa Epitácio Pessoa.

    No universo político não existem espaços vazios. A ousadia é fundamental para alavancar qualquer projeto, e quem o torna exitoso é o protagonista da façanha. Manoel Júnior percebeu este fato quando se lançou para o Senado. Passaram-se trinta dias do mês de maio, trinta de junho, e o vice-prefeito de João Pessoa – ex-deputado federal - não conseguiu “arrancar” dos Gadelhas uma posição sobre que rumo tomaria o PSC. Marchariam com a aliança PV/PSDB? Ou abraçariam o projeto do MDB bastante adiantado, encabeçado pelo senador José Maranhão? A desculpa para “embromar” Manoel Júnior era uma posição oficial do prefeito Luciano Cartaxo, com endosso dos demais: Cássio Cunha Lima, Romero Rodrigues e Lucélio. Porém, a realidade é outra. Na percepção da “família”, no PV/PMDB as chances de Leonardo Gadelha se eleger deputado federal são maiores que no MDB, onde Renato se elege com facilidade (?). E Manoel Júnior? Pelo visto, não figura nos planos do PSC Gadelhas, como prioridade.

    Senador José Maranhão vem desempenhando – como sempre o fez - seu papel de lealdade. Esperando por Manoel Júnior e ligando constantemente para o deputado federal Marcondes Gadelha, que usando sinônimos e antônimos do dicionário português - usado na prática pela classe política – constrói frases em forma de desculpas numa linguagem simples, semelhantes aos “telegráficos” ou “sucintos” textos usados nos votos do decano do STF Marco Aurélio de Melo.

    Percebendo que Manoel Júnior voluntariamente havia se metido em uma “camisa de força”, os Ribeiros atacaram no estilo felino. Cercaram a manada de Gnus. Procuraram primeiro o PSB e Ricardo Coutinho, para “chocar” a aliança PV/PSDB. Acertaram mais uma vez na manobra. A reação foi instantânea. Chamaram o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro, seu pai vice-prefeito Enivaldo e a deputada Daniella que se comportou irredutível. Exigia uma das vagas para o senado na aliança PV/PSDB. Foi prontamente atendida. Sabendo da simpatia de Cássio pela postulação de Manoel Júnior, os Ribeiros puseram em xeque os Cartaxos.

    Só aceitariam Daniella disputar se sua suplente fosse a esposa do prefeito Luciano Cartaxo. Toparam. Ainda não oficializaram porque a tarefa de “fritar” Manoel Júnior ficou a cargo dos Gadelhas, que por sinal vêm administrando com maestria. Eles sabem que Manoel Júnior não tem o controle da legenda (PSC). Que jamais se uniria a Ricardo Coutinho. E, José Maranhão - o mais correto até o momento com Manoel Júnior – tem que acompanhar o calendário, que não para. Restam apenas nove dias para as convenções. Se até o final desta semana Manoel Júnior não desatar este nó cego, vai queimar uma eleição estragando uma de suas grandes oportunidades de sua vida pública. Com ou sem ele, Maranhão manterá seu ritmo. O que pode surpreender no último minuto é Wilson Santiago, Efraim Morais ou Lígia Feliciano resolverem embarcar na carona de Maranhão com destino a sete de outubro próximo. 

  • DESMORONAMENTO DO PSD

    23/07/2018

    Incontestavelmente não existe ninguém insubstituível. A existência dos cemitérios nos prova esta triste e dolorosa verdade. Todavia, pouquíssimos conseguem superar a morte e atingir a gloria de serem “insuperáveis”. O ex-deputado federal Rômulo Gouveia atesta após sua prematura e inesperada partida que se insere na relação dos insuperáveis. Faz apenas 68 dias, que sem aviso nem despedida, numa madrugada que parecia tranquila o destino o embarcou para sua última viagem. Quem poderia prever que tudo seria tão repentino, prematuro ou antecipado?

    Sua esposa Eva Gouveia, amigos; auxiliares; lideranças e liderados jamais esperavam passar por este momento resigno temporão. Quem imaginaria que o “gordinho”, com uma desenvoltura inigualável e apenas 53 anos de existência fosse acometido por um inoportuno infarto? Ninguém. Nem os mais próximos e de sua intimidade ouviram queixas de dores, doenças, ou sinais de que sua vida estaria em risco, dependendo de tratamentos de enfermidades quaisquer.

    A sua legenda, PSD, simplesmente desgovernou-se na estrada das eleições de 2018. Sem um maquinista, a maioria começou a pular do “trem”, que desce sem freios uma serra de muitas curvas. O impacto do brutal acontecimento para sua viúva nunca será superado. Ela não tem em curto e médio prazo as mínimas condições emocionais de dar continuidade ao ritmo de Rômulo Gouveia, que ia além-divisa da Paraíba, com reflexos no Congresso Nacional; participação na restrita cúpula de sua legenda comandada por Gilberto Kassab; contatos internacionais, afora suas habilidades de grande conciliador nas lidas partidárias, não importando o tamanho do problema, se considerado como “varejo” ou “atacado”.

    Para que se tenha um pouco de conhecimento do que representou Rômulo Gouveia no cenário político nacional, basta observar-se alguns dos seus inúmeros atos de ousadia, como por exemplo, a filiação do atual governador do Rio Grande do Norte Robson Farias, “puxado” para o PDS por Rômulo Gouveia, derrotando (2014) ninguém menos que Henrique Eduardo Alves, ao lado de Garibaldi e José Agripino Maia. Amizade construída através da UNALE – União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, quando ambos presidiam os Parlamentos paraibano e potiguar. A decisão do senador Raimundo Lira em deixar o MDB e se filiar ao PSD; Luciano e Lucélio Cartaxo que pegaram “carona” no PSD do “gordinho”. Luciano para se reeleger prefeito da Capital. Lucélio – ainda no PT - teve seu apoio para o Senado Federal em 2014, e alcançou a segunda colocação com 521.938 votos, perdendo apenas para José Maranhão com 647.271. Porém, bateu o candidato de Cássio Cunha Lima, ex-senador Wilson Santiago, que ficou com 506.093 sufrágios, na terceira colocação.

    Esta crise ora vivida pelo PP/PSDB/PV, não estaria existindo se o calendário de 2018 não tivesse registrado o funesto acontecimento do dia 13/05. Raimundo Lira estaria posto como candidato ao Senado, ao lado de Cássio. Distante há mais de 20 anos da Paraíba, só confiava no “gordinho” como seu “batedor” na rota das urnas. Daniella ocuparia a posição de vice de Luciano Cartaxo. Micheline Rodrigues disputaria uma vaga para a Câmara dos Deputados. Mas, o autor da “costura” faleceu antes de ver sua peça pronta. Resta saber o que será feito, e se vão dividir o espólio político do saudoso Rômulo Gouveia. Sugerimos neste espaço - alguns dias atrás - que Eva Gouveia deveria ser prestigiada, pelo menos como vice da chapa PSDB/PV. Não a convidaram nem para ser primeira suplente do senador Cássio Cunha Lima. Sem equilíbrio emocional, a quem Eva está confiando os destinos da legenda? O tempo que resta é muito pouco. São apenas 14 dias para as convenções e celebrações das alianças. Manoel Ludgerio, como lugar-tenente do “gordinho”, seria a pessoa capaz de salvar a sigla? Elegendo pelo menos um deputado federal e dois ou três estaduais? Para Eva, o que nos parece, é que seu mundo e sonhos políticos foram sepultados juntos com seu marido e mentor. 

  • ELEIÇÃO PARLAMENTAR

    20/07/2018

    A possibilidade da deputada estadual Daniella Ribeiro concorrer a uma das vagas para  o Senado Federal na chapa do PSB - ao lado de Veneziano Vital do Rego - vem reforçar substancialmente o projeto do governador Ricardo Coutinho em tornar competitiva a postulação do engenheiro João Azevedo, alicerçando-se densamente no segundo maior colégio eleitoral do Estado, Campina Grande. Como toda ação gera uma reação, aguardemos se o ex-prefeito de Campina Grande (o ex-cabeludo) manterá sua candidatura ao lado da “Bela”.

    Nada acontece por acaso. A ausência do PP ao encontro realizado sábado (14.07.2018), ocasião em que o prefeito Romero Rodrigues e o senador Cássio Cunha Lima formalizaram a aliança PV/PSDB, deixou nítida a intenção dos “Progressistas” em marcharem n’outra direção.

    Ao se tornar a “noiva” predileta por todos, no momento, O PP e Daniella mexeram até nos brios do padre Luiz Couto, que já se dispõe a disputar o Senado como retaliação ao ex-ministro das cidades de Dilma Rousseff, Aguinaldo Ribeiro, que além de votar pelo impeachment da ex-presidenta é hoje um dos líderes do governo Michel Temer, acusado de “golpista”. Ao que parece, o dom do perdão do sacerdote está só nas palavras e em suas homilias, ainda não habita em seu coração.

    Tudo se resume a uma questão relativista. Na visão do obstinado senador Cássio Cunha Lima, as eleições de 07.10.2018 têm o caráter “parlamentar” e seletivo ou eliminatório, para os que disputam a sucessão do governador Ricardo Coutinho, decidida em segundo turno. O árduo trabalho do chefe do tucanato paraibano tem sido minimizar riscos, com vistas à sua recondução, tarefa brilhantemente até o presente exitosa. Ricardo Coutinho e José Maranhão estão fora do páreo. Raimundo Lira abandonou a corrida. Restou Manoel Júnior, com quem não teria dificuldades em compartilhar votos. Mas, o irracional posicionamento de Veneziano, trocando o MDB pelo PSB, poderia “polarizar” o pleito em Campina Grande. Agora com Daniella, quem tem que correr atrás é o “cabeludo”, para não ficar na terceira ou quarta posição na Rainha da Borborema. O senador Cássio Cunha Lima parece que aprendeu ensinamentos dos brejeiros: “Em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”.

    Na hipótese da deputada Daniella Ribeiro compor a chapa do PSB, dividirá os votos dos anti-Cunha Lima e opositores do prefeito Romero Rodrigues com o deputado federal Veneziano Vital do Rego, que estava sozinho no embate contra Cássio na cidade. Se não houve (até o momento) revanche do clã Cunha Lima pela atitude de rebeldia de Daniella, é porque o ato foi devidamente ensaiado e combinado. O senador Cássio Cunha Lima nunca teve o menor interesse na disputa pelo Governo do Estado. Se o tivesse, ele mesmo teria se lançado, ou apoiaria diretamente o ex-governador José Maranhão. Daniella - se formar aliança com o PSB - pedirá votos para João Azevedo, mas não tentará tirar - e até buscará casar com os seus - os votos do senador Cássio. Do governador Ricardo Coutinho, a deputada receberá tratamento “diferenciado” para valorizar sua atitude. Provavelmente usará mais a “máquina” que seu companheiro concorrente Veneziano Vital do Rego.

    No tocante à disputa pelo Governo, curiosamente Campina Grande - pelo menos nas últimas cinco décadas - ficou pacificamente equilibrada e perdeu sua posição “glamourosa” de decidir o pleito. Todos os pré-candidatos têm na composição de suas chapas nomes de Campina Grande. José Maranhão, o vice Bruno Roberto; Lucélio Cartaxo, a esposa do prefeito Romero Rodrigues e o senador Cássio Cunha Lima; João Azevedo, tem o ex-prefeito Veneziano Vital do Rego e provavelmente Daniella Ribeiro, vice-prefeito Enivaldo Ribeiro e o ex-ministro das cidades Aguinaldo Ribeiro; Lígia Feliciano é atual vice-governadora, e tem o deputado federal Damião Feliciano (seu esposo) apoiador e incentivador de sua postulação. Com todos dentro do processo, a rivalidade local alcançará temperaturas altíssimas e a peleja para o Governo do Estado - fazendo uma analogia ao futebol - será decidida nos últimos minutos da prorrogação (segundo turno).

  • AS DIFICULDADES DO CANDIDATO JOÃO AZEVEDO

    19/07/2018

    A falta de memória dos políticos, aliada a seus caprichos, provocam equívocos estapafúrdios nos períodos eleitorais, quando raciocinam exclusivamente sobre seus projetos pessoais e sua continuidade, deixando sempre à margem a importância do povão, tratados eternamente como “massa de manobra”.

    Considerado como um bom técnico, o pré-candidato do PSB engenheiro João Azevedo, não tem sido alvo de críticas sobre sua capacidade e currículo. Está apto a ocupar qualquer função ou cargo dentro da área de sua formação acadêmica. Mas, política partidária na concepção e modelo que tem sido posta em prática desde a redemocratização, não se adequa à formação técnica. Principalmente aqueles acadêmicos originados na área das ciências exatas.

    O engenheiro João Azevedo chegou tarde demais ao processo eleitoral. Sua época seria o período dos militares, onde prevalecia a tecnocracia. Se ainda estivéssemos no Governo Geisel João poderia ser Prefeito da Capital (nomeado) ou governador do Estado (eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa, recomendado pelo Palácio do Planalto).

    Os militares, para sepultar a classe política e corrupta instalada e em expansão desde a redemocratização de 1945 (Constituinte de 1947), optaram em 1968 - após o recrudescimento da quartelada de 1964 - em cassar mandatos de comunistas e corruptos, privilegiando a “meritocracia”, indo buscar nas Universidades Públicas os melhores currículos para ocuparem cargos e gerenciarem programas estratégicos do governo, na expectativa de surgirem novas lideranças que acabassem com o “coronelismo” e os “currais eleitorais”, reduto hospedeiro da resistente corrupção e seus privilégios.

    Governador Ricardo Coutinho – talvez muito jovem na época – deve ter esquecido que o objetivo da “redemocratização” era a volta dos cassados, com a reocupação do poder pelas velhas oligarquias, escolhendo como adversários, a teimosa esquerda. Exemplo incontestável: Jost Van Damme, engenheiro alemão, presidia a TELPA que foi considerada a segunda em qualidade de serviços do país, perdendo apenas para a TELEPARANA. Trinta dias após a posse do ex-presidente José Sarney, foi substituído por Gervásio Maia (pai) que de telefonia tudo que conhecia era o modo de como usar o aparelho. A TELPA desceu, em um ano, para o último lugar no ranking nacional. Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque ocupou o DAU – Departamento de Assuntos Universitários do MEC - e foi o autor da expansão universitária, criando uma Universidade Pública em cada estado da federação. Presidiu o CNPQ, poderia ter sido governador da Paraíba, mas, em seu lugar foi escolhido seu Chefe de Gabinete José Tarcisio de Miranda Buriti - por indicação do respeitado ministro José Américo de Almeida - pai do General Reinaldo Almeida, comandante do 1º Exército, escolhido para suceder Médici, abdicando em nome de Orlando, que preferiu seu irmão Ernesto Geisel.

    Como Ricardo Coutinho modelará João Azevedo em um político? Sua formação não admite demagogia, mentira; rasteiras; privilégios a mediocridade; traições; perseguições... Com seus conceitos éticos acadêmicos, se chegar ao poder atropelará até quem o elegeu. Ricardo não enxergou isto? A formação do governador “socialista” é oposta ao do seu candidato. Em nada se identificam no modo de agirem. O criador dos “girassóis” é um doutrinado da “esquerda festiva” - Trotskista - que adotam o conceito (Maquiavel) sobre permanecia no poder: é preferível ser temido, que amado. 

    Por que Ricardo Coutinho está se contrapondo ao tempo? Fez um grande governo, mas não pode mais ser reeleito. Teve a oportunidade de escolher um político para sucedê-lo. Não o fez? A resposta é simples. Ele olha para si mesmo, e reconhece o quanto é difícil confiar e acreditar em um político, principalmente os da sua geração.

  • O PP AMARELOU

    11/07/2018

    A hiperatividade da deputada estadual Daniela Ribeiro tem desgastado a importância e peso de sua legenda (PP-PB), através de suas palavras, atos e gestos - no mínimo precipitados - muito embora praticados com intenções exatamente opostas.

    Observemos que toda a inquietação da parlamentar tem uma única finalidade: buscar espaço diferenciado das demais siglas, chamando a atenção das chapas majoritárias em construção para que enxerguem seu valor, com vistas à disputa eleitoral de outubro próximo (2018).

    Algumas atitudes são dignas de registros, como por exemplo a indicação de uma Secretária (dezembro 2017) substituindo o “histórico” Luís Alberto, patrimônio já considerado como “móvel ou utensílio” da cozinha do clã Cunha Lima. Para o Prefeito Romero Rodrigues, que já estava encontrando imensas dificuldades em viabilizar seu nome como pré-candidato ao governo do estado, o gesto serviu de alerta. E os supostos afetados (milhares de comissionados, prestadores e fornecedores da PMCG) começaram a temer o afastamento do prefeito, dando início a um coro “fica Romero”, amedrontados com o efeito “Marat” (Revolução Francesa) “cabeças vão rolar”.

    Se Daniela e seu irmão ex-ministro das cidades tivessem encetado movimento por todo o estado, tentando “popularizar” o nome de Romero Rodrigues como pré-candidato, hoje quem estaria à frente dos destinos de Campina Grande era o patriarca do grupo, Enivaldo Ribeiro.

    Para o infortúnio da deputada, sua legenda esqueceu a simples oração cristã de São Francisco de Assis: “é dando que se recebe...”.

    No momento em que Romero começou a sinalizar sua desistência, a deputada Daniela Ribeiro “colou” no prefeito da Capital Luciano Cartaxo, com o mesmo propósito. Luciano e Romero “amarelaram”. Lucélio aceitou a indicação de Micheline como vice, esquecendo – como mencionamos neste espaço – o gesto de cortesia de convidar Eva Gouveia do PSD, homenageando seu esposo Rômulo Gouveia, maior responsável pela estrutura financeira das campanhas de Romero Rodrigues (primeiro mandato) e Luciano Cartaxo (reeleição).

    Descartado pela majoritária do projeto natimorto do PSDB/PV, o PP partiu para a “apelação”, ignorando sua postura ética, que será avaliada pelo intransigente eleitor qualificado. Nas palavras da deputada Daniela Ribeiro, “o PP não teria nenhum problema em estar em qualquer palanque, inclusive no de Ricardo Coutinho”. Senador José Maranhão ainda tentou indicá-la como vice em sua chapa (MDB). Ao que parece, a oferta estava aquém do esperado.

    A deputada preferiu reunir-se com o governador Ricardo Coutinho, afrontando o senador Cássio Cunha Lima. Ensina um adágio popular que “quem diz o que quer, escuta o que não quer”. O líder tucano (vice-presidente do Senado Federal) disparou artilharia pesada, enfatizando que já venceu campanhas sem o PP, e que o partido pode e deve tomar o destino que melhor lhes convier.

    Daniela Ribeiro e o PP terminaram por dar a Cássio Cunha Lima argumentos, motivos e razões para retomar as conversações com o MDB, conforme noticiaram ontem alguns blogs. O PV já não contava mais com o PP. O PSD literalmente destroçado com a perda de seu guia, em nada somava. O PSC de malas prontas para seguir viagem ao lado do MDB. Os Gadelhas nunca estiveram tão bem posicionados. Reconduzirão Renato para ALPB e Marcondes para a Câmara dos Deputados. Manoel Júnior é o postulante ao Senado da preferência de José Maranhão. Cássio ficaria só? Como nada acontece por acaso, no instante que o tucano disparava contra o PP, a esposa do prefeito Luciano Cartaxo se licenciava da UFPB, se desincompatibilizando para disputar um mandato eletivo.

    O PP amarelou... Se correr para os braços de Ricardo Coutinho perde todos os cargos e privilégios que dispõe da PMCG e PMJP, posições indispensáveis para reeleição - principalmente Daniela – todavia com efeitos na recondução de seu irmão Aguinaldo Ribeiro.  

  • CHAPA DOS PREPOSTOS

    10/07/2018

    Enquanto a bola rolava nos distantes campos da Rússia e o povo começava a sonhar com a conquista do hexacampeonato da única seleção pentacampeã do planeta, no mundo político paraibano o jogo disputado era outro. Jogava-se o secular xadrez com peões, torres; cavalos; bispos; rei e rainha, numa partida já em estágio bem adiantado, onde já se enxerga com certa visibilidade as probabilidades do vencedor.

    Indiscutivelmente o senador José Maranhão - que conhece o “tabuleiro” há mais de 60 anos - tem se comportado (pela primeira vez) como um bom enxadrista, usando a lógica sem levar em conta o fator “sorte”, nem sempre determinante para uma vitória. Ganha uma eleição quem “anda mais, erra menos e gasta bem”, e não quem gasta mais. Seguindo seus instintos e pondo em prática tudo que aprendeu ao longo de seis décadas, o decano da política paraibana vem mantendo um ritmo de crescimento constante, e até o presente, evitando equívocos dos “palpiteiros” de sempre, que o influenciavam em seus lances com “pitacos” amadoristas, motivos de sete derrotas consecutivas: primeiro e segundo turno em 2002 (Com Roberto Paulino), primeiro e segundo turno em 2006; primeiro e segundo turno em 2010, perdendo uma reeleição de forma surpreendente. Como se não bastasse, em 2012 viveu o pior de todos os seus momentos da vida pública: disputou a Prefeito da Capital, e não alcançou o segundo turno do pleito.

    O anúncio do campinense Bruno Roberto - ex-secretário de esporte e lazer – como vice do ainda pré-candidato José Maranhão, vem para consertar um dos erros mais grosseiros cometido de modo repetitivo pelo senador José Maranhão, em suas disputas para o governo do estado, ocasião que sempre desprezou a importância de Campina Grande e o “Compartimento da Borborema”. Em 2002, apoiou seu vice Roberto Paulino, e ao invés de indicar um vice de Campina Grande, optou pelo saudoso deputado estadual Gervásio Maia. Filho de João Agripino, que Campina elegeu como “persona non grata” no período em que governou o estado (1966/1971), coroando sua antipatia (1970) quando derrotou o senador Argemiro de Figueiredo com o “Rei do Zinco”, senhor desconhecido, Domício Gondim. Em 2006, o senador José Maranhão considerado “governador em férias”, se lançou candidato e trouxe como vice o neófito sousense Luciano Cartaxo.

    Campina mais uma vez foi subestimada e Maranhão sofreu sua primeira derrota direta. Mesmo assim resolveu mostrar seu lado teimoso em 2010 – no Palácio da Redenção e bem avaliado – escolheu Rodrigo Soares (?). Será que os palpiteiros do senador, nunca o alertaram que além de Campina ficar fora da majoritária a cidade detesta o PT? Lula e Dilma nunca venceram em Campina Grande.

    Bruno Roberto é filho do deputado federal campinense Wellington Roberto, que está no Congresso Nacional há 20 anos. Nunca perdeu uma campanha para o governo do estado na Paraíba. Votou em José Maranhão em 1998, em Cássio Cunha Lima em 2002 e 2006; em Ricardo Coutinho em 2010 e 2014. Mesmo distante da mídia, tem um trabalho “formiguinha”, e goza da confiança de importantes redutos no interior paraibano, tarefa onde se insere o trabalho de outro filho, o deputado estadual Caio Roberto.

    Quem está “andando menos e errando muito” é o senador Cássio Cunha Lima. Apesar do seu favoritismo na disputa por uma das vagas para o Senado da República, sua postura e discurso ainda estão ininteligíveis. Ao invés de unir as oposições, encabeçada pelo senador José Maranhão - provavelmente ouvindo “palpiteiros” - insiste em alimentar uma chapa de “prepostos”. Lucélio Cartaxo e Micheline Rodrigues não são nada mais que “institores” de Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues, pré-candidatos que não conseguiram “emplacar” suas postulações, pela mais absoluta falta de perspectivas de vitória em outubro próximo (2018).

  • OUSADIA DO SOCIALISTA

    16/06/2018

    Segundo postagem nos grupos do whatsapp - atribuídas ao Jornalista Milton Figueiredo - o governador Ricardo Coutinho procurou pessoalmente a ex-deputada Eva Gouveia, viúva do saudoso Rômulo Gouveia (falecido há 31 dias), e a convidou para ser a vice na chapa patrocinada pelo Palácio da Redenção, encabeçada pelo engenheiro João Azevedo. Por que não o Senador Raimundo Lira, que anseia por esta oportunidade e ficará no comando do PSD? A resposta é simples: Ricardo quer os votos, não suplente. No texto, duras críticas pela ousadia e falta de memória do governador, tendo em vista tratamento dispensado ao “gordinho”, quando foi seu vice (2010/2014).

    A formação política do governador Ricardo Coutinho, doutrinada no pragmatismo de: “o que importa é o resultado final”, historicamente não é tão aberrante. Seu ídolo - inspirador de sua geração - Luís Carlos Prestes, fez bem pior em nome da “causa”, apoiando em eleições diretas o ditador que o prendeu (Getúlio Vargas) e expatriou sua esposa Olga Benário, grávida e morta em um campo de concentração nazista. Se não fosse o pacto de não agressão celebrado entre Russos e Alemães que permitiu a invasão da Polônia e sua divisão, Anita Leocádia, filha de Olga Benário e Luis Carlos Prestes (criada na Rússia) teria também sucumbido nos orfanatos ou campos de trabalhos que abrigavam estrangeiros, prisioneiros de guerra e inimigos do regime. Prestes na época desculpou-se, alegando que não cabiam sentimentos individuais ou egoístas como “o amor” (coisa de pequeno burguês), quando a luta era em nome de um bem estar coletivo (?). Vargas, mais prudente, simplificou a “brasilidade” política/partidária sedenta pelo poder: “em política não existem amigos inseparáveis, nem inimigos irreconciliáveis, tudo é possível”.

    O arrojo do governador – se tivesse surtido efeito positivo – criaria um fato novo na campanha de seu candidato (João Azevedo) suplantando todas as perdas que vem sofrendo em suas bases, para o senador José Maranhão. Basta que se veja fotos da festa de Santo Antônio em Piancó, evento que Ricardo Coutinho, João Azevedo e Lucélio Cartaxo “queimaram”. O “socialista” estabeleceria uma importante “cabeça de ponte” dentro de Campina Grande, encurralando Exércitos de seus grandes inimigos, Romero Rodrigues e o Clã Cunha Lima. Com efeito, a partir de então, iria buscar o apoio do PP.

    Eva e Rômulo ou vice-versa, surgiram juntos na antiga UCES – União Campinense de Equipes Sociais, entidade que congregava todas as Associações de Amigos de Bairros da cidade, na gestão do Prefeito Ronaldo Cunha Lima. Cargo estratégico para quem sonhava com um mandato, a dupla (ainda não casados) passaram a conhecer centímetro por centímetro da cidade, lidando exatamente com o povão carente, onde se enraizaram como referência política. Deste trabalho, Rômulo conquistou seu primeiro mandato de vereador. Conservaram a trincheira, onde se posicionava Eva, como “retaguarda”. Não foi por acaso que na última campanha disputada por Ronaldo Cunha Lima (2006) para Deputado Federal, Rômulo obteve mais votos que o poeta em Campina Grande, fato não bem digerido então, já que toda a família – puxada por Glória Cunha Lima - se empenhou no “adeus do poeta” a sua vida pública. Entretanto, posteriormente reconheceram que nos bairros periféricos e populosos, a presença de Eva era uma constante. Como continuou sendo. Esteve à frente da Secretaria de Ação Social até abril último (2018), oportunidade para atualizar seu “cadastro”. Ricardo Coutinho foi o primeiro a chegar, e valorizando Eva, já que os “amigos” do “gordinho” não fizeram o mínimo esforço para assegurar a mesma, a condição de sucessora de seu falecido esposo na Câmara dos Deputados. Pelo contrário, Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo – devedores do inesgotável trabalho de Rômulo Gouveia em suas eleições e reeleições - se juntaram para fortalecer uma chapa doméstica, esquecendo a “fineza” de pelo menos convidarem Eva, para compor a vaga de vice. Não se sabe o que é pior ou mais dolorido: esquecimento e abandono prematuro, ou uma lembrança oportunista.

     

  • PROCURANDO O MARTELO

    12/06/2018

    Uma “pérola” de incoerências e improvisos mal arranjados, a entrevista do pré-candidato Lucélio Cartaxo - principal protagonista de um projeto natimorto – com vistas à sucessão do governador Ricardo Coutinho. Discurso vazio, despido de ideias e repetitivo nos velhos chavões de renovação (?) sem começo, com “meio” confuso e final desastroso. Tentando atingir o senador José Maranhão, Lucélio Cartaxo (PV-PB) ilustrando o “novo” afirmou que “tudo seria diferente, sem o anacronismo do passado...”. Um astuto jornalista perguntou: “onde fica seu aliado Cássio Cunha Lima”? Ele representa o passado, já governou a Paraíba. Lucélio se perdeu. A resposta foi semelhante - e tão convincente - quanto à do saudoso radialista (era de ouro do rádio) campinense Gil Gonçalves, num momento em que se viu em apuros: “procurando o martelo*”.

    Enquanto Lucélio Cartaxo desafinava - esquecendo até trechos da letra musical que entoava uma canção não ensaiada - o prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues se justificava na mídia, respondendo ao claudicante arlequim João Azevedo, usando a “Cristandade” como pretexto. Em seus argumentos desprovidos de lógica ou razão, Romero Rodrigues interpretou - pelo que ficou subentendido - que o povo paraibano aspira por uma chapa cujo principal propósito seja unir duas famílias. Sem dúvidas, para que se amplie ainda mais o nepotismo reinante. Se isto não for insanidade, é mediocridade sem precedentes.

    Se seu desígnio tem como missão unir famílias, Romero Rodrigues deveria começar a partir de sua própria “linhagem”. Trazer de volta a mesa de jantar do Clã Cunha Lima Renato, irmão de Ronaldo e tio de Cássio, e o deputado estadual Arthur Filho, ambos ainda na base do governador Ricardo Coutinho. Amenizaria as tensões entre Bruno e Tovar – seu parente por afinidade, genro do Conselheiro Fernando Catão seu tio, a quem confiou sua Chefia de Gabinete na PMCG com “poder de caneta”. Alavancaria o nome de seu irmão Moací, eterno candidato a deputado federal - carente de seu apoio – frustrado sempre com tristeza ao ver sua postulação abortada antes das convenções. Para surpresa de todos, Romero Rodrigues vem aos poucos – em público – minimizando a grandeza da liderança de seu criador, senador Cássio Cunha Lima.

    A escritora inglesa Mary Shelley, autora da primeira obra de ficção científica, “Frankstein ou o Moderno Prometeu” (1818), não previu que seu enredo seria plagiado na distante província da Parahyba – na época pertencente ao Império do Brasil – e no final do longínquo século XX, já como República Federativa e em regime democrático. Senador Cássio Cunha Lima será vítima de suas “criaturas”, como o personagem de Mary Shelley? Que o diga o senador José Maranhão, “criador” da figura de Prefeito da Capital Ricardo Coutinho, Luciano Cartaxo e o de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego, que hoje unidos ou separados – motivados por suas rebeldias ingratas - tentam defenestrar aquele que lhes deu o “sopro” de vida, como homens públicos.

    *Procurando o Martelo – muito usado na redação do extinto Diário da Borborema, na época do seu Editor Chefe, Jornalista Josusmá Colho Viana. Referia-se a surpreender alguém e encalacra-lo sem respostas. Poucos sabiam a origem. Saudoso Gil Gonçalves, fino, educado e muito culto - já sexagenário e em sua fase da pré-andropausa – costumava divertir-se furtivamente com suas secretárias do lar. Numa certa manhã de domingo sua esposa foi à missa, e voltou às pressas por ter esquecido a mantilha. Na cozinha, a secretária em frente ao fogão e Gil a abraçando por trás. “O que é isto Gil”? Bradou sua senhora. Gil, diante da surpresa respondeu: “estou apenas procurando o martelo”.

  • CHAPA TITANIC

    09/06/2018

    O precipitado anúncio (ontem 08.06.2018) de uma chapa que dividirá as oposições na Paraíba - pela sua formação - vem concretizar a tese da existência “autista” no mundo político, onde se acomodam alguns dementes, literalmente desconectado com a realidade e desmemoriado de exemplos mal sucedidos por aqueles que tentaram nomear “herdeiros” de um patrimônio (votos) que pertence ao povo.

    O prefeito de Campina Grande, que após um ano de peregrinação por todo o estado não conseguiu viabilizar sua candidatura para governador (eleições 2018), se juntou com o de João Pessoa, e lhes passou o bastão. Cartaxo “amarelou” diante do desafio e indicou seu irmão gêmeo (?) que há quarenta dias não ultrapassou a ponte do Rio Sanhauá. Sua plataforma de campanha se resume em transformar a residência oficial do governador (Granja Santana) em um parque infantil. Diante de tanta “miopia”, o aconselhável foi lhes indicar uma companheira de chapa “oftalmologista” que pode até ajudá-lo a enxergar, porém, jamais “ver” a mediocridade desta esdrúxula composição “familiar” - de caráter mesquinho - e com nítido propósito (ou devaneio) de ocuparem o poder a qualquer custo, ignorando completamente qualquer raciocínio lógico do eleitor, transformando-os em idiotas.

    Infelizmente chegamos à conclusão que o poder deve ser mesmo “doentio”, ou deixa psiquicamente “enferma” as pessoas que o desfrutam por muito tempo. Romero Rodrigues sabe das dificuldades e os longos anos de aprendizado que lhes foi necessário, para alcançar o posto de Prefeito de Campina Grande. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal de Campina Grande; Deputado Estadual; Chefe da Casa Civil (com poder de caneta) do então governador e primo Cássio Cunha Lima; Deputado Federal, com bom desempenho no parlamento, conquistar finalmente o respeito da população Campinense, que o elegeu e reelegeu Prefeito da Capital do interior nordestino.

    É inimaginável que com tanta experiência, cometa um erro tão primário, como permitir que sua esposa componha uma chapa para o governo do estado - encabeçada por um cidadão - cujo único mérito é ser irmão do atual prefeito da Capital. E o Senador Cássio Cunha Lima? Não está percebendo este desastre? Apesar de sua excelente posição nas pesquisas – para o Senado Federal - não tem “musculatura” para alavancar e sustentar esta aventura “sangue azul”. As uniões familiares para fortalecerem o poder, morreram com as Monarquias Absolutistas. Nem a Rainha da Inglaterra tem coragem de lançar membro de sua família na política partidária. Preferem se acomodarem na Câmara dos Lordes, que disputarem o voto dos seus súditos.

    Poder político numa democracia não se transfere nem se herda: se conquista. Senador Cássio Cunha Lima começou sua luta pela conquista do poder, nas eleições de 1986, quando seu pai era Prefeito de Campina Grande. Mesmo assim, fez uma campanha diferenciada. Foi o candidato “constituinte” representando a juventude. Campeão de votos no estado - altíssimo percentual do voto feminino – que o denominava de “Cássio Coisa Linda”. Para suceder seu pai – se na época tivesse segundo turno – teria sido derrotado. Edvaldo do Ó, dividiu a oposição com Enivaldo Ribeiro.

    Sua caminhada para alcançar o governo do estado se alicerçou em três mandatos como Prefeito de Campina Grande; dois de Deputado Federal; passagem pela extinta SUDENE como Superintendente; apoios imprescindíveis de adversários históricos como Wilson Braga e Efraim Morais e a desistência de Ney Suassuna (2002) véspera das convenções, levando José Maranhão a lançar seu vice Roberto Paulino, que não havia se preparado para disputa. Uma vitória apertada no segundo turno levou Cássio ao Palácio da Redenção.

    Registrem-se exemplos históricos: palanque fraco, derrota todos. Senador Cássio Cunha Lima e alguns candidatos a renovar seus mandatos para a Câmara dos Deputados podem ser vítima de um “empuxo”, afogando-se no naufrágio desta chapa “Titanic”.

  • POLARIZAÇÃO PREVISTA: MARANHÃO E LUCÉLIO

    11/05/2018

    O cerco do Poder Judiciário se fecha contra o governador Ricardo Coutinho. Mais de onze processos que dormitavam nas “conchegativas” prateleiras – climatizadas com ar refrigerado no STF - desceram para o Tribunal de Justiça da Paraíba, para que se remetam todos a sua origem: primeira instância. Enquanto isto, no TSE e TRE-PB ainda restam ações que o acusam de “uso da maquia” e abuso do poder econômico em sua reeleição de 2014. Um verdadeiro calvário, principalmente para Ricardo Coutinho, que sempre dispensou pouca cortesia e atenção ao Poder Judiciário.

    Como destacamos algumas vezes, e sempre valendo-nos da analogia, as derrotas dos grandes generais da história ocorreram quando lutaram em duas frentes. Ricardo Coutinho se depara diante deste desafio. Vencer cerca de vinte processos que tramitam na Justiça – alguns da época que foi prefeito da Capital – e simultaneamente comandar a campanha de seu “claudicante” candidato à sucessão, João Azevedo.

    As deserções de seus batalhões já começaram. O PR do deputado federal Wellington Roberto, está se agrupando às tropas “maranhistas”, na esperança de indicar o vice do MDB. O PP do clã Ribeiro - se porventura arriscar romper com a aliança que tem com o PSDB - não terá alternativa, senão procurar se agregar a postulação emedebista. Entretanto esta hipótese parece bastante remota, em função da perda de espaços, onde está aquartelada toda sua força de combate para enfrentar a “guerra” eleitoral deste ano de 2018: PMCG e PMJP. O PDT da vice-governadora Ligia Feliciano se lançará na disputa. O DEM? briga com o PT. Os herdeiros do “lulismo” não admitem presença em palanque dos “golpistas” do Democrata.

    Inteiramente alheio ao que se passe nos bastidores – deslumbrado pela bajulação em sua volta - o ex-secretário João Azevedo peregrina com uma caravana de “comissionados” do governo, batendo as portas de Prefeitos - outrora desprezados pela gestão “socialista” – que simplesmente ignorava este tipo de liderança política. João Azevedo ainda não sabe quem serão seus candidatos ao Senado Federal, muito menos seu (a) vice. E a chapa para a Câmara dos Deputados?

    Em circunstância inversa, o PV navega em “mar de almirante”. No instante em que faltam nomes no MDB e PSB, sobram na aliança que brande a bandeira de Lucélio Cartaxo. Senador Cássio Cunha Lima é o primeiro dos candidatos ao Senado. Lira tem a pretensão de ser o segundo. Porém, Manoel Júnior (PSC) vem demonstrando reunir mais condições, pela questão da “antiguidade” e fidelidade junto ao grupo. Esteve ao lado do senador Cássio nas eleições de 2014, como dissidente do PMDB. Foi candidato a vice-prefeito da Capital para consolidar a vitória de Luciano Cartaxo. Raimundo Lira representa o PSD, legenda que o abrigou depois de romper com o MDB. Talvez, Manoel Júnior pudesse até declinar de seu intento. Isto, se porventura o Deputado Federal Rômulo Gouveia reivindicasse para si mesmo a vaga. Para transferir, é outra “estória”. Todo o esforço do MDB, doravante, é polarizar a disputa com Lucélio Cartaxo. João Azevedo – como peixe no aquário - não fará outra coisa, senão nadar em círculo. Como nada é impossível no dinâmico mundo da política, só um fato extraordinário, ou estapafúrdio, mudará este quadro.  

  • CAMPANHA DE MARANHÃO NÃO CONSEGUE DECOLAR

    08/05/2018

    Resta pouco mais de oitenta dias (05.08.2018) para o encerramento do prazo final permitido pela legislação eleitoral para os partidos realizarem suas convenções e formalizarem pedidos de registros das candidaturas de suas chapas, com vistas às eleições de outubro próximo (07.10.2018).

    Em apenas um ano, o quadro das pré-candidaturas sofreu alterações inesperadas – principalmente para o povão – que acompanhava esta “maratona” observando e torcendo por um bom desempenho dos participantes à época. Prefeitos Romero Rodrigues (Campina Grande) e Luciano Cartaxo, de João Pessoa, não alcançaram a metade da prova. Governador Ricardo Coutinho – com campanha pronta para o Senado da República - “amarelou” e perdeu o ritmo, temendo a Justiça Eleitoral que julgaria sua cassação só após 07.04.2018. De todos que começaram a disputa, claudicando ainda permanece o senador José Maranhão, e representando os interesses “continuístas” do Palácio da Redenção o engenheiro João Azevedo.

    Ao se debruçar sobre as “oligarquias” e onde elas se encontram no momento, o senador José Maranhão tem uma noção precisa de suas dificuldades - criadas por ele mesmo – por não ter se “reinventado” ao longo do tempo, mudando um estilo que já o levou a uma série de derrotas. Onde estão os “Regos”? Ao lado do governador Ricardo Coutinho, seu grande “invento” (2004) para arrostar os Cunha Lima. Os “Motas” de Patos? Os irmãos Cartaxos? Todos foram produtos do “maranhismo”. Adicione-se a estes o ex-senador Efraim Morais e ex-deputado federal Wilson Santiago, que ganharam espaços nas duas gestões do PMDB à frente dos destinos da Paraíba.

    Finalmente, com quem vai formar seu “time” o senador José Maranhão? Até o suplente (hoje titular) Raimundo Lira deixou o MDB (caindo num golpe) e ficou trancafiado ou refém do PSD de Rômulo Gouveia. A pré-candidatura do senador Maranhão começa a aparentar um desafio “quixotesco”, em virtude da incapacidade de conquistar adesões dos Deputados Federais, Estaduais e Prefeitos. Resta no momento apenas o PR de Wellington Roberto - até onde se saiba - ainda comprometido ao lado de Wilson Santiago com o projeto político do governador Ricardo Coutinho, que impõe sua “criatura” João Azevedo, como defensor da sobrevivência política de seu grupo.

    Para os que consideram que “o homem é um produto do meio”, talvez o senador José Maranhão tenha colecionado algumas derrotas por ouvir os “arautos” do seu próprio “meio”. Bem que quis evoluir, ano passado (2017), quando visitou o ex-senador Ivandro Cunha Lima e se reaproximou do senador Cássio. Porém, falando mais que escutando, alardeava seu desejo imperioso de voltar ao Palácio da Redenção. E, qualquer que fosse a forma de unir as oposições, o cargo de pré-candidato ao governo era inegociável para o MDB. Postulantes ao Parlamento (Estadual e Federal) e Senado da República fogem de palanques fracos. Basta observar-se o destino do ex-senador Vital Filho, que enterrou sua carreira política na aventura de 2014: 110 mil votos, contra mais de 650 mil, obtidos quatro anos antes, para o Senado Federal.

  • PREVISÕES DE TEORI ZAVASCKI

    04/05/2018

    Aproximadamente uma semana antes do fatídico (suspeito) acidente que culminou na morte de Teori Zavascki (janeiro de 2017) - relator da “operação lava-jato”-, zeloso cuidador do sigilo e do “foro privilegiado” desfrutado por dezenas de políticos e congressistas envolvidos no escândalo do petrolão e seus desdobramentos, o ministro foi abordado por um repórter na entrada do STF, que o indagou sobre o “tema” Eduardo Cunha (preso em 19/10/2016). Tergiversando a resposta, Zavascki deixou escapar sua real preocupação e “sublinhou” em rápida resposta: PT, PSDB; PP; PSD deverão ser extintos (?). Este importante registro histórico foi visto em alguns portais de notícias como “nota de rodapé”, sem destaque ou importância.

    A mídia esqueceu que já estava nas mãos do ministro a mega delação dos oitenta executivos da Odebrecht, envolvendo os partidos políticos a que ele se referiu. Poucos dias após, veio a tragédia (19.01.2017). A ministra Carmem Lúcia assegurou ao MPF que manteria a decisão do saudoso ministro, em homologar todas as delações. Recrutou uma equipe de juízes que em ritmo acelerado concluiu o trabalho numa área reservada do STF, e a Presidente Carmem Lúcia nomeou em (07/02/2017) o Ministro Fachin para quem entregou o farto material colhido nas delações e suas extensões, atingindo de cheio todo o alto escalão da República, ferindo de morte o Congresso Nacional. Ministro Edson Fachin herdou um dos piores “espólio histórico” da República, com a função de “escorá-la”, ou deixá-la desmoronar como já tinha advertido e previsto seu antecessor Teori Zavascki.

    Em apenas quinze meses, o Presidente Michel Temer já escapou de duas denuncias do MPF, que pediu permissão à Câmara dos Deputados para processá-lo. Muitos ex-ministros e a principal estrela do governo petista (ex-presidente Lula) foram para a cadeia. O líder do PSDB Aécio Neves sobreviveu com ajuda de seus pares do Senado Federal a uma prisão semelhante à de Delcídio do Amaral. Os “arautos” de todas as siglas mencionadas por Teori Zavascki estão envolvidos. Os que não estão presos – protegidos pelo foro – estão aguardando decisões do STF que ontem (03.05.2018) admitiu restringir os benefícios que os tornava inalcançáveis perante a lei. Coincidentemente, no mesmo instante que a PF realizava uma operação prendendo mais de 51 doleiros no Brasil, e outros no Uruguai e Paraguai. Evidente que esta operação está alicerçada na delação do ex-ministro Antônio Palocci.

    Até Julho deste ano (2018) saberemos quem foi atingido pelas flechas desferidas do “bamburral” de Rodrigo Janot, ex-procurador geral da república. São tantos fatos simultaneamente acontecendo que o povão perde completamente a noção da sequencia. Fazendo uma analogia aos vendedores ambulantes das grandes cidades, a PGR, PF e lava-jato está fazendo um “rapa”. Na classe política, um verdadeiro salve-se quem puder. Aumentando ainda mais a dor de cabeça de muitos, vem a qualquer momento as “sequelas” da delação de Paulo Preto, “operador mor” do PSD de Gilberto Kassab, que segundo planilhas da PF usou uma rede de “malha fina” e pegou até as “piabas” (pequenos empreiteiros, empresas fantasmas, parlamentares e prefeitos) parturientes do “milagre” da multiplicação que resultou numa arrecadação de 180 milhões de reais (até o momento). Alguns partidos mudaram de nome. Mas, como recomenda um adágio popular gaucho, “não adianta trocar as almanjarras se as bestas são as mesmas”.

  • A FARRA DO BOI

    17/04/2018

    Quinta-feira (05.04.2018) a partir das 17h30min, os meios de comunicações do país atingiram seu pico máximo - quer seja de audiência nas redes de televisão - rádio; sites; face; twitter... O Juiz Sérgio Moro em cumprimento a determinação do TRF-4 - cometendo um equivoco em nome da gentileza - ao invés de mandar prender o ex-presidente Luis Inácio da Silva Lula, enviou-lhes um ofício concedendo-lhes o prazo de 24 horas para se apresentar a Superintendência da Policia Federal em Curitiba (PR). Notificado do mandado de prisão, Lula correu e entrincheirou-se em seu “bunker” no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - uma mega estrutura que chocou o contribuinte telespectador - financiador da obra, através do Imposto Sindical. Aquartelado, o ex-presidente acionou a militância sindicalista (pelega) do partido, para formar uma barreira humana, fechando os acessos ao prédio onde se homiziara, impedindo aproximação da policia, sem que ocorressem riscos de graves incidentes violentos.

    Imediatamente os “cardeais” da legenda correram para o local e num total desrespeito a lei, provocavam a autoridade policial, desafiando a ir prendê-lo lá no Sindicato, como conclamou os Senadores Lindberg Farias, Gleisi Hoffmann, Deputados Federais; músicos e artistas ligados ao PT... Passando uma equivocada imagem para o Brasil e o mundo, que a lei estava acima de todos, porém, abaixo do Partido dos Trabalhadores. A noite foi longa, e no dia seguinte, Advogados do réu – após duas tentativas de Habeas Corpus mal sucedida – aconselharam ao mesmo que se apresentasse, conforme solicitou o Juiz Sérgio Moro. Esgotada as tentativas de se manter em liberdade, o ex-presidente e sua equipe de marketing cuidaram de criar uma cena de “injustiça”, com roteiro “vitimizador” onde se dava ênfase a uma trágica “perseguição política”, esquecendo que a condenação do réu foi por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em três instâncias, e na quarta (STF) foi lhes negado um habeas corpus preventivo, até que ocorresse o “transito em julgado”.

    Dia seguinte, sexta-feira (06.04.2018), num palanque montado em frente à entrada principal do Sindicato dos Metalúrgicos, iniciou-se uma contagem regressiva até a hora que Lula deveria se apresentar. Para nossa surpresa – e de todos os brasileiros – no palanque estava acompanhando a contagem, à ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, que deixara a legenda quando surgiu denuncias de corrupção. Preocupados, os Advogados iniciaram um processo de negociação com a Polícia Federal, na expectativa que as exigências do condenado fossem atendidas. Tudo que conseguiram foi elastecer por mais 24 horas o prazo já vencido. Outra longa noite de farra, com muita música, Rock; bebidas; bagunça... Na manhã do sábado, veio o mais trágico de toda esta “armação”. Celebração de uma missa, por um Arcebispo da Igreja Católica, para comunistas, ateus; defensores da questão do gênero... Duas homilias. A do Arcebispo que pouco falou sobre a homenageada falecida Marisa Letícia, e a de Lula, que em sua alucinação (provavelmente alcoólica) disse que não mais existia fisicamente, se transformou numa imortal ideia (?). Sequer respeitou o Arcebispo e Padres presentes, confessando sua fé, ou mencionando os nomes de Deus, Jesus Cristo... Tempo de 55 minutos dedicado a um discurso de ódio, rancor; revanchismo e incendiário, quando subliminarmente recomendou que todos “fizessem” o que tinham que “fazer”, já planejando: recado para o MST, MTST.

    Diante da TV, encontramos a explicação do “por quê” de a Igreja Católica ter perdido tantos fiéis, e está sendo esvaziada com o avanço de milhares de outras Igrejas Evangelizadoras: as novas Igrejas não defendem celebrações para políticos, principalmente ladrões condenados, comunistas ateus. Não esqueceram Dilma Rousseff, que mandou retirar de seu gabinete o Crucifixo, e Bíblia Sagrada sobre sua mesa.

    Do Rio Grande do Sul a Brasília, presumimos que perplexos, os Desembargadores do TRF-4 e Ministros do STJ e STF tiveram a sensação de estarem assistindo uma reedição (humana) da Farra do Boi*, promovida por políticos oportunistas, com vistas às eleições de 2018. Almoço com amigos, políticos e familiares se estendeu pela tarde. Esgotado o novo prazo, a PF se aproximou. Lula em movimentos ensaiados pela militância fingia querer sair, mas “o povo” não deixava: bêbados, irresponsáveis e moradores de rua. Trouxeram um Carro de Som, e Gleisi Hoffmann explicou que Lula tinha que se apresentar, mas, não pediu que todos se afastassem para a PF recolher o já foragido da Justiça. Finamente após três horas Lula saiu caminhou até o comboio da PF que o escoltou para sede de São Paulo, Aeroporto e 22:30 em Curitiba.

    Desnecessário destacar, que depois do pentacampeonato do Brasil, o país só foi principal manchete dos Jornais mais importantes do mundo, nas cenas tristes da prisão de Lula, onde nos qualificaram como uma “nação corrupta”, e exageravam afirmando que o país estava dividido, com a prisão de um ex-presidente delinquente.

    *Farra do Boi – Festa popular nas aldeias de pescadores do Estado de Santa Catarina, proibida pelo STF, pelo grau de sadismo cometido ao animal. Um boi depois de engordado era solto e perseguido pelos farristas embriagados, assustando-o, acuando-o, fazendo-o correr durante horas a fio até atingir o cansaço insuportável pela exaustão. Todos os participantes o abandonavam, e alguém vinha sacrifica-lo. Depois, repartiam sua carne entre os participantes da “farra”.

  • FIM DA TERCEIRA FORÇA

    15/04/2018

    Declarações do PSDB nesta sexta-feira (13.04.2018) sobre apoio ao projeto majoritário para o governo do Estado, do PV (Lucélio Cartaxo) com adesão do PSD e outras pequenas legendas, sinalizam o fim da tão sonhada “terceira força” política na Paraíba, projeto do PSB de Ricardo Coutinho.

    O fato é espantoso; silenciou toda a crônica política “palaciana”. Atônitos, e sem argumentos plausíveis para justificarem como se desmorona uma estrutura - erguida durante 15 anos ininterruptos com “poder de caneta” – com um único “movimento de peões”, questiona-se: como se põe em xeque, de modo tão simples a credibilidade e confiança de uma liderança do perfil Ricardo Coutinho, ousado, desafiador e colecionador de vitórias?

    Como “mito” da antiga Grécia, o “socialista” sempre teve o seu “calcanhar de Aquiles”: vaidade exacerbada aliada a soberba. Cometeu uma série de erros ao longo de sua vida pública, mas, como destacamos em um artigo sobre o “fenômeno sorte”, este evento supersticioso sempre o salvou de derrotas iminentes. Bateu impiedosamente durante os últimos três anos no tucano Cássio Cunha Lima, e poupou os irmãos Cartaxo. Como criar agora um discurso contra Luciano e Lucélio? Mesmo que acreditemos que Lucélio talvez ainda seja provisoriamente um “Coelho de Maratona”.

    Ao percorrer os imensos corredores existentes no labirinto do poder, não é recomendável “fechar portas” no percurso sob pena que, em caso de retorno, não ter como reabri-las. Ricardo Coutinho derrotou Cássio, Cícero e Rui Carneiro em 2004 (eleições municipais da Capital) com apoio de José Maranhão. Em 2008 reelegeu-se e derrotou todos – com uma chapa puro sangue - tratando José Maranhão já como eleitor, não como força política. Pleito de 2010, eleições para o Governo do Estado, voltou-se contra José Maranhão e o venceu, aproveitando-se da sanha revanchista do senador Cássio Cunha Lima, cassado em 2008. Para reeleger-se em 2014, Cássio Cunha Lima foi seu “cabo eleitoral” quando deixou de apoiá-lo, depois que repetiu inúmeras vezes que endossava o “socialista” no seu projeto de reeleição. E manteve até o último minuto da prorrogação (analogia ao futebol) dez Secretários de Estado por ele indicado na gestão do “socialista”, dando a Ricardo o discurso do traído. Uma campanha prevista para ser ganha no primeiro turno (Cássio), foi levada para seu segundo momento, ocasião que José Maranhão repetiu o gesto de Cássio, vingando-se de suas derrotas - impostas pelo tucano campinense - e apoiou Ricardo Coutinho, transferindo os 110 mil votos “partidários” de sua legenda (PMDB), conferidos ao ex-senador Vital Filho, que disputou o governo, para contar quantos votos tinha o PMDB-PB.

    Ao permanecer no cargo e não renunciar, Ricardo Coutinho expôs seu ponto frágil, reconhecido por seus correligionários: péssimo e inábil transferidor de votos – já observado em outras ocasiões – quando não conseguiu eleger em duas tentativas o prefeito da Capital, um Deputado Federal ou Senador da República. Para que se tenha uma noção mais exata sobre sua claudicante dificuldade em “transferir votos”, basta destacar que seu líder na Assembleia Legislativa é um suplente. Como se não bastasse, duas ações no TSE põem em risco seu mandato. Se ocorrer uma cassação, inaugura-se um período “aziago” em sua vida pública, que pode leva-lo a abandona-la precocemente. 

     O lançamento de Lucélio criou instantaneamente uma polarização dentro da oposição, ofuscando literalmente o candidato de Ricardo Coutinho, que ficou sem nomes ou quadros, para formar uma chapa competitiva.     

  • NADA ALÉM DO PREVISTO

    10/04/2018

    Publicamos neste espaço - ao longo dos últimos seis meses - alguns pontos de vista sobre as manobras políticas/partidárias da “pequenina”, pontuando o previsível dentro de uma leitura realista do quadro político e o imutável comportamento “padrão” de seus protagonistas.

    A permanência de Ricardo Coutinho no governo registramos com bastante antecedência, balizando-nos pela lógica: a perda do foro privilegiado. Posteriormente, dois eventos cristalizaram a decisão: processo de cassação de seu mandato no TSE e sua condenação no TRE-PB por conduta vedada nas eleições de 2014. Ambos, para serem revertidos, exigem investidura da “autoridade” de governador, e no cargo.

    Sobre a cassação do TRE-PB, a mídia palaciana - que permeia já todo o Estado - festejou a minimização dos efeitos daquilo que foi prolatado pela Corte Eleitoral alegando que a decisão visava obrigar o condenado a pagar uma multa (?). Se um condenado é obrigado a pagar uma multa por “conduta vedada” ele cometeu um crime eleitoral, punível com inelegibilidade de 05 a 08 anos. O TRE pode até não ter publicado em seus acórdão, os efeitos penais, mas é de ofício o MPE recorrer pedindo seu afastamento do cargo, o que lhes torna inelegível.

    Quanto à ação do TSE, já pronta para ir a plenário, os advogados de Ricardo Coutinho travarão uma batalha titânica, usando os artifícios “recursais” e procrastinatórios, já que por um triz seu processo foi atravessado pelo do Estado do Tocantins, e por motivos semelhantes governador e vice foram cassados. Se Ricardo Coutinho tivesse se afastado, a esta altura - pela decisão do TRE-PB - já estava (como está) inelegível. O “fico” foi um drama circense, comemorado pelos apaniguados do Palácio da Redenção, que torcem para que o governo alcance 31.12.2018.

    Luciano Cartaxo, bem mais realista - apesar de exibir musculatura (financeira) para entrar na corrida - desistiu temendo os próximos capítulos da lava-jato e outras operações da PF, que poderiam surpreendê-lo sem mandato, e foro privilegiado. Preferiu não correr riscos, num momento em que o MPF e as Cortes de Justiça estão revendo seus limites de tolerância, contra as “traquinagens” recorrentes da intrépida classe política.

    Romero Rodrigues, que realiza uma brilhante gestão como prefeito de Campina Grande, desistiu pela absoluta falta de estrutura - inclusive financeira - para abraçar o projeto. Ao iniciar suas andanças como pré-candidato, repetindo os passos de Cássio (2002), sentiu que lhes faltava o apoio da prefeitura de João Pessoa, e a “reserva de caixa” - da época de Cássio -, gordura criada com a venda da CELB. Por outro lado, questionou-se a discutível “confiança irrestrita” no grupo político que pertence seu vice.

    A disputa volta ao ponto de partida, início de 2017, com José Maranhão (MDB), Cássio Cunha Lima (PSDB) e o candidato de Ricardo Coutinho (PSB) até o momento, João Azevedo. O desafio da “maratona” é alcançar julho, um longo caminho a ser percorrido.

    Ricardo Coutinho estando ainda na “cadeira” talvez João Azevedo reúna condições de registrar sua chapa. Do contrário, sobrarão Cássio e José Maranhão. Será que celebrarão o acordo, já pré-ajustado? Se o fizerem, Maranhão volta ao Palácio da Redenção e Cássio para o Senado da República. Mas, o amigo Gilvan Freire fez uma insinuação recentemente em um artigo, sobre Pedro Cunha Lima. Neste caso, Cássio desceria para a Câmara dos Deputados - como fez seu pai em 2002 -, abriria duas vagas para o Senado e Pedro disputaria com José Maranhão. Pelas exigências dos eleitores, diante dos escândalos da lava-jato, ser ficha limpa é fundamental. Na oposição, com estes perfis, têm-se José Maranhão, Pedro Cunha Lima e João Azevedo.

    O que ainda nos intriga, e que pode trazer surpresas, é o “faro” de Gilvan Freire.

  • AS BARBAS DE RICARDO

    23/03/2018

    Governador Ricardo Coutinho com certeza não leu a Odisseia de Homero, clássico da literatura grega, escrito 850 anos A.C. Ou , se leu, esqueceu-se de tapar os ouvidos de seus marinheiros, e se amarrar ao mastro do seu navio (mandato) evitando se afogar, caindo no mar embalado no irresistível “canto da sereia”.

    Os sinais lhes mostraram um grau de dificuldades ao termino de seu mandato, envolvido com demandas judiciais. Tudo começou com o TCE e sua queda de braço com o conselheiro Catão, considerando-o suspeito de julgar suas contas do ano eleitoral de 2014. A Procuradoria do TCE foi enfática em seu parecer, mostrando desvio de conduta na execução do orçamento, o que seria passível de correções, revisões ou juntada de documentos pertinentes, que sanassem as exigências legais. Mas, usando das prerrogativas do “triste do poder que não pode”, atropelou o TCE.

    Empurrando com a “barriga”, sua prestação de contas foi recomendada para aprovação com “ressalvas”, o que implica em uma análise mais profunda e com subsídios enriquecedores, para que a Assembleia Legislativa chancele as recomendações do TCE.

    Vencido o contencioso de 2014, eis que surge o de 2015, com os mesmos problemas represados de 2014 e investigação minuciosa da Procuradoria do TCE, que recomendou ao relator conselheiro Fernando Catão rejeitar as contas do exercício 2015. Fernando Catão levou mais de seis meses conversando com seus pares para minimizar os efeitos de seu relatório, temendo ser “politizado” na interpretação do “pastoril político” que vive o Estado. Após consenso, foi a plenário e seus colegas puxaram a escada, o deixando só, e segurando apenas no pincel. Abstenção e mudanças bruscas de posições constrangeram o conselheiro, que viveu momentos humilhantes.

    A Procuradoria encaminhou toda esta documentação para o Ministério Púbico Eleitoral, que se abasteceu de provas robustas, no que se refere ao abuso do poder político e econômico – uso da máquina pública – fator decisivo para desequilibrar uma campanha. Renuncias fiscais, caso da PBPREV; assistencialismo... Um conjunto de condutas vedadas, praticadas pelo governador, que disputou a reeleição na cadeira e com “poder de caneta”. Superado todos os recursos procrastinatórios, veio o primeiro julgamento de uma AIJE onde o TRE absolveu Ricardo por 5x1. O MPE apelou, foi acolhido pelo MPF/PGR e está em pauta para julgamento no TSE. Hoje (22.03.2018) o TSE cassou o governador e o vice do Tocantins, por motivos semelhantes ao caso da Paraíba – conduta vedada - com a diferença de valores bem inferiores ao exposto na denúncia paraibana.

    O roteiro parece com 2008. Tocantins, Cássio; Jaques Lago...

    Quando a oposição começou a se desorganizar, Ricardo Coutinho era para ter percebido que algo estava errado. Já que na dispersão ninguém o procurou, ficava evidente que ele seria a “bola da vez”. A tentativa de sua Secretaria e ex-procuradora patrocinar um jantar em sua residência, com os casais Sales Gaudêncio, José Maranhão/ Desembargadora Fátima Cavalcanti e o próprio Ricardo Coutinho, foi uma oportunidade ímpar para o “socialista” calçar as sandálias da humildade e ouvir, pedir ajuda, ou aconselhamento do Senador José Maranhão, decano da legenda (MDB) no Estado e no país, um dos escudeiros da “tropa de choque” do Presidente Temer. Entretanto, embalado com a bajulação midiática palaciana, desperdiçou a oportunidade e falou apenas de seus altos índices de popularidade, e sua obstinação em eleger seu candidato João Azevedo.

    Presidente Michel Temer ficou ressentido com a insistência da campanha que o governador Ricardo Coutinho fazia e faz contra ele. Chamando-o de “golpista”, traidor e desconhecendo sua gestão. Tudo isto embalado no “canto da sereia” da mídia que ele paga, que chegou ao ponto de lançá-lo como provável candidato a vice-presidente ou talvez até Presidente da República (?). Com todo respeito a sua gestão, suas obras só beneficiam o estado, dentro de suas divisas. O nome não é conhecido nacionalmente. Seu “guru”, saudoso Eduardo Campos, com todo o peso de sua biografia oligárquica, quando faleceu ainda estava com 6% das intenções de votos na corrida presidencial.

    O TSE retirou de pauta (nesta quinta-feira 22.03.2018) o seu processo, que pode voltar nas duas sessões da semana vindoura. No TRE ainda estão procrastinando um pedido de vistas, num placar de 4x0, onde pedem sua cassação. Outra AIJE que estava pautada para esta semana que se encerra amanhã, a Secretaria do TRE ainda não marcou a data do início de mais um julgamento. Para Ricardo Coutinho tudo que resta agora é cuidar de suas barbas e pô-las de molho. As do vizinho (Tocantins) arderam bastante. Seus gemidos chegaram a ser ouvidos até por aqui.


Anterior - (1) 2 3 - Próxima