Colunista Júnior Gurgel

  • O DRAMA DOS DOUTORANDOS

    10/12/2019

    Desde o ano 2000, os cursos das mais diversas áreas das Engenharias ofertados pelas Universidades Públicas, vêm sofrendo pesadas baixas, a partir do processo de acesso (antigo vestibular/ENEM) até sua conclusão. Nesta última década, a crise se aprofundou. Os resultados são os piores possíveis e inimagináveis.

    Disponibilizam cinquenta vagas no primeiro semestre e cinquenta no segundo. Nos últimos cinco anos, os que conseguiram aprovação no ENEM e se matricularam, não conseguiram formar uma turma de quarenta alunos. Findo o primeiro semestre a deserção atinge 30%. Primeiro ano, metade. No último ano, restam apenas 10 ou 12 que concluem o curso, motivados pela carreira acadêmica – bolsas de Mestrado e Doutorado - não pelo mercado de trabalho.

    Engenharia Civil, Mecânica; Produção; Pesca; Química; Materiais... Estão se nivelando a Pedagogia, Letras; Filosofia; Ciências Sociais e Economia: o aluno entra na Universidade, optando por estes cursos, em função do baixo nível de concorrência. Mesmo assim, ainda têm que serem “alavancados” pelo sistema de quotas, que privilegia os alunos oriundos da escola pública, afrodescendente; deficiente físico; pardo... E recentemente, a mais esdrúxula das quotas, crida no nordeste: nativos da região do semiárido ganham um peso elevadíssimo. Somando-se todas as regalias, basta não “zerar” na redação, que a vaga na Universidade está garantida.

    A UFRN criou um curso de Medicina no Campus Avançado da cidade de Caicó (RN). No ENEM de 2018 o “ponto de corte” foi um dos maiores do país: 850 pontos. Os concorrentes que foram aprovados, não tinham 10% da capacidade e nível de

    conhecimento ou competitiva da USP. Mas, quando levavam os atestados da Escola Pública, afrodescendentes ou pardos, e nascido no semiárido, liquidava os pobres miscigenados de olhos claros, que chamam de brancos. Qual a serventia desta Universidade, que despreza em seu processo seletivo o conhecimento, e valoriza a cor da pele, origem e passagem pela Escola Pública?

    O momento mais marcante do estudante universitário de Engenharia (anos 70) era o dia do seu baile de formatura. Belíssima festa após, ou concomitantemente com a Colação de Grau. Ocasião triunfal e inesquecível para família, evento marcado pelas despedidas da turma concluinte, jovens que acabara de vencer a belíssima jornada do aprendizado. De mala pronta, dia seguinte hora de partir. Enfrentar novos desafios como profissionais, no promissor mercado de trabalho do sudeste do país, onde estavam instaladas e se instalando, grandes plantas industriais. A nação na época chegou a crescer 14% ao ano. Hoje já não existem mais os bailes das Engenharias. Colação de grau de todos e num único dia, juntando um “punhado” de cada curso. Triste!

    Particularizando os conhecimentos acadêmicos da Engenharia Mecânica, sua metodologia permanece “congelada” no distante tempo do final dos anos setenta. Não houve nenhum tipo de avanço em mais de quatro décadas. Algo semelhante a tentarmos alfabetizar nossos netos, usando a Cartilha de Sarita, onde aprendemos a soletrar as primeiras palavras. Ou estudar a Matemática Moderna do autor Osvaldo Sangiorgi, movimento renovador do modelo de aprendizagem para o antigo curso Ginasial.

    Ao iniciar o curso de Engenharia Mecânica, o aluno tem que optar em desenvolver a didática absorvida, pondo em prática estes conhecimentos construindo ao longo de todo o curso, um protótipo de automóvel fora de estrada denominado “Baja”. Um carro esportivo, que transporta só o seu piloto, nunca vendido nem adquirido no mercado ou pelas montadoras de automóveis. A segunda opção é a construir miniatura de avião (Aeromodelo), hoje peça de museu depois do Drone.

    Em 2015, o Brasil produziu 2,4 milhões de automóveis, das mais diversas marcas e montadoras. Não tem um único genuinamente brasileiro. Suas peças e componentes, não pertencem à indústria nacional. Absolutamente tudo é importado, ou licenciado para ser produzido no país, usando mão de obra mais em conta. Por que as 127 Universidades públicas - afora Campus Avançados - em quase meio século nunca desenvolveram um motor de automóvel? Banhado pelo Oceano Atlântico, O Brasil tem 9.200 km de litoral navegável.

    As nossas Universidades Públicas mostraram-se literalmente incompetentes em criar através de suas Engenharias (Mecânica, Elétrica; de Materiais; Produção...) possibilidades de se desenvolver no Brasil uma Indústria Naval, com centenas de Estaleiros produzindo todo tipo de barco, navios de transportes, de passageiros e cargueiros. Que se destaque o grande mercado consumidor, a região norte, em especial a Amazônia, onde 80% do transporte de pessoas e cargas são através dos rios que compõe sua gigante bacia hidrográfica.

    O Brasil hoje é o 8º maior produtor de Motocicletas do mundo. As nossas Universidades foram incapazes de desenvolver através de suas Engenharias um simples motor para locomoção em duas rodas. Aqui montamos: Honda, Yamaha; Suzuki; Shineray; Kawasaki... Mas, o “sindicalismo universitário” consome 100 bi anualmente.

    Os Doutorandos das Engenharias – verdadeiros heróis em perseverança – além de terem sido ludibriados por um sistema perverso de doutrinação, e não aprendizado se depara com a dura realidade: para receber o diplomado, a Universidade exige um estágio. Em toda região norte/nordeste não existem indústrias Mecânicas ou Químicas que se enquadrem dentro dos padrões exigidos pela Universidade. Se não existe vaga para estágio gratuito, haverá emprego? Sem o estágio, não concluem o curso. Milhares abandonaram e outros tantos foram jubilados. Vale a pena manter estes cursos?

    Daremos continuidade ao tema, mostrando em outros artigos, as “excentricidades” das nossas Universidades Públicas, que perdeu o “bonde” da história, como coadjuvante na construção de uma grande nação.

  • QUAL O FUTURO DA UNIVERSIDADE PÚBLICA?

    04/12/2019

     As nossas Universidades Públicas - desde 1980 - entraram num processo lento e gradual de “sucateamento”, na medida em que suas estruturas cientificas foram confundidas com processo político/populista de inclusão, priorizando especificamente a “diplomação” do terceiro grau maior. O Orçamento Geral da União – dinheiro dos impostos pagos pelo trabalhador brasileiro - destina ao Ministério da Educação 140 bilhões de reais anualmente, dos quais mais de 80% é consumido pelo ensino superior, para alimentar um gigante complexo de 127 Universidades além dos IF.

    Estas Instituições abrigam mais de seis milhões de jovens estudantes - esperançosos em assegurarem para sua vida um futuro promissor – infelizmente ora perdidos na contra mão da história, em virtude do conteúdo curricular assimilado, literalmente ultrapassados e distantes da realidade do mercado formal de trabalho, que antes se reinventa a cada década, hoje anualmente.

    Confere o adágio popular nordestino: “em casa de Ferreiro o espeto é de pau”. Universidades são centros de estudos e principalmente pesquisas. Entretanto, propositalmente nunca realizaram a mais primária de todos: averiguar quais as profissões do futuro. Este ano comemorou-se cinquenta anos da chegada do homem a Lua. Todos os técnicos e cientistas envolvidos neste fato histórico passaram pelas Universidades, onde desenvolveram pesquisas aproveitadas pela indústria: aeronáutica,

    química; elétrica; mecânica; eletrônica; física; médico/biológica, a exemplo de como reagiria o corpo humano sem a gravidade.

    As constantes descobertas de novas tecnologias - que não pedem permissão a Universidade Publica do Brasil para se expandirem - estão sendo desenvolvidas e avançando por todo o planeta, “engolindo” postos de trabalho através da “automação” ou de “aplicativos” inseridos na internet, deixando nossos “Doutores” com diplomas desempregados. Quantas profissões já desapareceram nestas duas últimas décadas? Quantas sucumbirão até 2030? Para que se tenha noção do amanhã, exemplificamos um fato previsível para década (2020/2030) que se inicia ano vindouro: a rede bancária funcionará totalmente através da internet. Este segmento profissional (Bancários) em declínio e extinção, ora ainda emprega milhares de trabalhadores “qualificados” através de diplomas universitários nas áreas de Administração, Ciências Contábeis; Economia; Engenharia; Matemática... O que farão a partir da década de 2030/2040?

    No quadro deplorável em que se encontra o país - herança dos governos social/populistas instalados desde 1995 – todas as demandas dos diversos setores da sociedade são prioritárias: saúde, educação; segurança pública; infraestrutura; matriz econômica - com política de distribuição de rendas - inspirada na versão século XXI... No caso da educação - ensino superior - a gravidade identificada é se existem chances de “recomeço”. Talvez o governo tenha que refundar este sistema.

    Inútil tentar remodelar um método anacrônico e inadequado, através de simples processo de “reciclagem”. Seria o mesmo que utilizar toda tecnologia dos atuais automóveis, num chassis de um Ford T-34 modelo 1930.

    Pesquisas oriundas dos Centros Acadêmicos avançados das Universidades dos países que progrediram no século XX, reposicionaram suas perspectivas num mundo futurista, como “locomotiva” na jornada do progresso científico, puxando o comboio dos mercados de trabalho e consumo. E o que ocorreu no Brasil? Chegando ao poder, as esquerdas adotaram o atávico sistema “sindicalista” dos anos 30 (século passado), posto em prática na Itália de Benito Mussolini (era Fascista), copiado por Getúlio Vargas e que perdura até os dias de hoje.

    As Universidades Públicas Brasileiras sindicalizaram-se, priorizando o emprego e garantindo a estabilidade de seus integrantes. Com autonomia financeira, tornaram-se independentes do MEC. Passaram a eleger seus quadros dirigentes (Conselhos) e até Reitores (?). Absurdo visto apenas no Brasil e Cuba. Ao invés do Concurso Publico, optaram pelos “Processos Seletivos”, cuja nomenclatura por si já expressa seu objetivo: só para “cumpanheirada”. Todos seus Reitores da imensa rede de Universidades Públicas (até 2018) eram militantes políticos do PT, PCdoB; PSOL. Tornaram-se difusores e doutrinadores de ideologias, convertidas em “formação de opinião”, que se expandiram de forma geométrica, explorando a ignorância política da juventude de forma perversa, transformando-os em “talibãs”.

    Paralelamente, as Universidades Privadas estão se posicionando rapidamente no ranking classificatório – em alguns Estados – bem a frente das públicas. Os Cursos à distância estão sendo moldados dentro das exigências do mercado, garantindo emprego imediato em novas profissões ou atividades, sintonizadas com o mundo globalizado do conhecimento prático. Qual o destino das Universidades Públicas? Opinião sobre este tema com completa radiografia sobre este “sistema”, não permite se encerrar num único artigo. Daremos sequencia. Próximo tema: O DRAMA DOS DOUTORANDOS.

  • ESQUERDAS E CENTRÃO PREPARAM ATAQUE FULMINANTE

    18/11/2019

    Manobras e sabotagens levadas a efeito, desde a posse do presidente Jair Bolsonaro – apenas com dez meses de gestão – têm sido orquestradas e ganham ênfase, ao se perceber a perfeição do plano para derrubá-lo. As peças soltas deste quebra-cabeça aos poucos estão se “encaixando” e mostrando a imagem prevista por Zé Dirceu, entrevista publicada pelo El País há um ano: perdemos uma eleição, mas tomaremos o poder, o que de fato é o mais importante.

    As esquerdas, aliadas ao centrão e com apoio logístico do STF, preparam uma emboscada fulminante, onde as chances de sobrevivência do governo Bolsonaro são mínimas, para não dizer “milagrosas”. Os motivos não se atêm ao presente, se impõem por força do inapagável passado de corrupção, que envolveu todos, e culminou na operação lava-jato. A queda de Dilma – eleita por urnas eletrônicas fraudulentas – foi um ato suprapartidário dos patronos da corrupção institucionalizada. A presidente não conseguiu frear a devastadora operação lava-jato, que avançava no formato “efeito dominó”: um a um começou a “cair” e logo todos estariam no chão.

    A trama contou com os principais partidos que lhes davam apoio e contraditoriamente estavam “apojados” nas “tetas” do governo: PMDB, PP; PTB; PR; DEM... Consolidou-se com o “racha” dos ideológicos PDT/PSB. No STF, ministros nomeados por Dilma – inclusive o último – Edson Fachin, foram incapazes de criarem Jurisprudência procrastinatória, em virtude da “contaminação” da Corte com nomes de alguns dos seus membros citados pelos grandes empresários delatores da lava-jato. Todos preferiram salvar a pele. Que viesse Temer e parasse a lava-jato.

    O candidato Jair Bolsonaro (2018) passou a se constituir como o principal inimigo da “Central” das OCRIM da corrupção. Tomou uma facada – não por questões ideológicas – mas, para eliminar por antecipação um provável justiceiro, considerado algoz da bandidagem do colarinho branco. Escapou do atentado e venceu o pleito. Cumprindo o que havia prometido a seus eleitores, convidou o Juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça. Hoje, se percebe que houve precipitação de ambos. Do convite de Bolsonaro e da concordância do Juiz. Talvez se ainda estivesse em Curitiba, toda a “corja” estaria agora na cadeia.

    Michel Temer mudou o foco do país e tentou parar a lava-jato. Esqueceu-se do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, que acelerou a mega delação da Odebrecht e pegou os gatunos da JBS e Funaro. Com eles, encurralaram o presidente, levando a corrupção à sala de estar do insuspeito Poder Executivo. Curioso foi a Câmara que cassou Dilma por “pedaladas fiscais” não ter cassado Michel Temer por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Observem a força do “corporativismo”, que independente de legendas se une para escapar da lei.

    O processo silencioso com propósito de derrubarem o governo Bolsonaro prossegue em ritmo célere, sem a percepção do povo. Aqui, acolá, deixaram “pistas” soltas, ignoradas pelos mais perspicazes observadores, que consideram ainda impossível tamanha ousadia. Mas, a vaidade do Ministro Gilmar Mendes, em uma entrevista concedida a Mário Sérgio Conti da TV Globo News (14/11/2019), deixou marcas evidentes das peadas na trilha por onde caminha o “golpe”. Segundo o Ministro “Lula merece um julgamento justo pelo STF e seu processo pode ser anulado, mesmo com as condenações do TRF-4/STJ”. Culpou a mídia e acusou STJ de medroso (?).

    Gilmar Mendes apontou corrupção na Força Tarefa da lava-jato, sugeriu conluio do Juiz Sérgio Moro com os Promotores do MPF; considerou Moro como facilitador da vitória de Bolsonaro, por ter vazado a delação de Palocci nas vésperas da eleição; sobre prisões de Moro ele avaliou como “tortura psicológica”, com objetivo de colher confissão. Criou um roteiro sugerindo que as ações do atual Ministro visavam chegar ao Ministério. Gilmar mostrou-se fiel ao script, e cumpre seu papel na missão da “conspiração”: denegrir e desmoralizar Sérgio Moro, MPF e Força Tarefa da lava-jato.

     ESQUERDAS E CENTRÃO PREPARAM ATAQUE FULMINANTE

    Manobras e sabotagens levadas a efeito, desde a posse do presidente Jair Bolsonaro – apenas com dez meses de gestão – têm sido orquestradas e ganham ênfase, ao se perceber a perfeição do plano para derrubá-lo. As peças soltas deste quebra-cabeça aos poucos estão se “encaixando” e mostrando a imagem prevista por Zé Dirceu, entrevista publicada pelo El País há um ano: perdemos uma eleição, mas tomaremos o poder, o que de fato é o mais importante.

    As esquerdas, aliadas ao centrão e com apoio logístico do STF, preparam uma emboscada fulminante, onde as chances de sobrevivência do governo Bolsonaro são mínimas, para não dizer “milagrosas”. Os motivos não se atêm ao presente, se impõem por força do inapagável passado de corrupção, que envolveu todos, e culminou na operação lava-jato. A queda de Dilma – eleita por urnas eletrônicas fraudulentas – foi um ato suprapartidário dos patronos da corrupção institucionalizada. A presidente não conseguiu frear a devastadora operação lava-jato, que avançava no formato “efeito dominó”: um a um começou a “cair” e logo todos estariam no chão.

    A trama contou com os principais partidos que lhes davam apoio e contraditoriamente estavam “apojados” nas “tetas” do governo: PMDB, PP; PTB; PR; DEM... Consolidou-se com o “racha” dos ideológicos PDT/PSB. No STF, ministros nomeados por Dilma – inclusive o último – Edson Fachin, foram incapazes de criarem Jurisprudência procrastinatória, em virtude da “contaminação” da Corte com nomes de alguns dos seus membros citados pelos grandes empresários delatores da lava-jato. Todos preferiram salvar a pele. Que viesse Temer e parasse a lava-jato.

    O candidato Jair Bolsonaro (2018) passou a se constituir como o principal inimigo da “Central” das OCRIM da corrupção. Tomou uma facada – não por questões ideológicas – mas, para eliminar por antecipação um provável justiceiro, considerado algoz da bandidagem do colarinho branco. Escapou do atentado e venceu o pleito. Cumprindo o que havia prometido a seus eleitores, convidou o Juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça. Hoje, se percebe que houve precipitação de ambos. Do convite de Bolsonaro e da concordância do Juiz. Talvez se ainda estivesse em Curitiba, toda a “corja” estaria agora na cadeia.

    Michel Temer mudou o foco do país e tentou parar a lava-jato. Esqueceu-se do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, que acelerou a mega delação da Odebrecht e pegou os gatunos da JBS e Funaro. Com eles, encurralaram o presidente, levando a corrupção à sala de estar do insuspeito Poder Executivo. Curioso foi a Câmara que cassou Dilma por “pedaladas fiscais” não ter cassado Michel Temer por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Observem a força do “corporativismo”, que independente de legendas se une para escapar da lei.

    O processo silencioso com propósito de derrubarem o governo Bolsonaro prossegue em ritmo célere, sem a percepção do povo. Aqui, acolá, deixaram “pistas” soltas, ignoradas pelos mais perspicazes observadores, que consideram ainda impossível tamanha ousadia. Mas, a vaidade do Ministro Gilmar Mendes, em uma entrevista concedida a Mário Sérgio Conti da TV Globo News (14/11/2019), deixou marcas evidentes das peadas na trilha por onde caminha o “golpe”. Segundo o Ministro “Lula merece um julgamento justo pelo STF e seu processo pode ser anulado, mesmo com as condenações do TRF-4/STJ”. Culpou a mídia e acusou STJ de medroso (?).

    Gilmar Mendes apontou corrupção na Força Tarefa da lava-jato, sugeriu conluio do Juiz Sérgio Moro com os Promotores do MPF; considerou Moro como facilitador da vitória de Bolsonaro, por ter vazado a delação de Palocci nas vésperas da eleição; sobre prisões de Moro ele avaliou como “tortura psicológica”, com objetivo de colher confissão. Criou um roteiro sugerindo que as ações do atual Ministro visavam chegar ao Ministério. Gilmar mostrou-se fiel ao script, e cumpre seu papel na missão da “conspiração”: denegrir e desmoralizar Sérgio Moro, MPF e Força Tarefa da lava-jato.

    Paradoxalmente, a única vez que o Ministro Mendes se referiu ao Presidente Jair Bolsonaro foi para elogiá-lo, por ter nomeado para PGR o Procurador Aras - fora da lista do MPF - instituição que ele abomina e denuncia como “corporativista e imoral”. Enalteceu o presidente, por não ter escolhido um nome da Força Tarefa da lava-jato.

    Paralelamente, trabalham a quatro mãos, em outra frente, o presidente do Senado Federal David Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia. Alcolumbre não instalou - e nem instalará - a CPI da lava-toga, impeachment de quatro ministros do STF; votação do fim do foro privilegiado.

    Rodrigo Maia, por sua vez, tirou o COAF das mãos do Ministro Moro e “guilhotinou” o Secretário da Receita Federal. Já colheu 200 assinaturas para PEC 0037/2019 – criada inexplicavelmente em março – inicio do governo, cujo objetivo é impedir o General Mourão assumir o cargo de Presidente, em caso de cassação, morte ou impedimento do titular Jair Bolsonaro. A PEC não precisa mais passar pela CCJ da Câmara. Pode ser levada a Plenário a qualquer hora, provavelmente antes do recesso do final deste ano, por ocasião da última sessão prevista para 20 de dezembro.

    Se em Abril de 2020, o TCU apresentar relatório recomendando a desaprovação das contas do presidente Jair Bolsonaro, será o suficiente para se iniciar um processo de impeachment, numa casa legislativa onde o mesmo está sem partido e em minoria. Só o povo pode impedir de acontecer, o que está fatidicamente consumado: Poder Legislativo e Judiciário unidos para derrubar o governo e se salvarem do fantasma da corrupção que os persegue.

  • CÁSSIO ABENÇOADO PELO FATOR SURPRESA

    13/11/2019

    O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, construiu a maior obra da cidade dos últimos tempos: complexo habitacional - ou cidade - Aluízio Campos. Segurou o quanto pode o evento da inauguração - entrega das quatro mil e cem unidades habitacionais – na certeza que este “momento” o consagraria historicamente como a maior liderança política da Rainha da Borborema, isolando-se dos demais e ganhando fôlego para no início do próximo ano lançar seu candidato à sucessão. Certamente no seu imaginário – e do meio político - derrota sofrida em 2018 pelo grupo Cunha Lima afastava qualquer perspectiva de um membro deste clã reunir condições para uma disputa municipal.

    E o que se passava pela cabeça de Cássio Cunha Lima? Eleito aos 21 anos deputado federal Constituinte, iniciou uma jornada sucessiva e ininterrupta de vitórias por uma longa temporada de 28 anos. Prefeito de Campina Grande, três vezes; deputado federal duas vezes; governador do Estado duas vezes; senador da República um mandato. Seu primeiro tropeço (derrota) foi em 2014. Mesmo assim, venceu o governador candidato à reeleição Ricardo Coutinho no primeiro turno. No segundo, perdeu por mais de 120 mil votos.

    Em 2018, ao tentar renovar seu mandato para o Senado, foi atingido por um tsunami: Ricardo Coutinho “obrando milagres” avançou nos redutos “cassistas” e sem piedade o deixou na quarta posição – última – dos que disputaram as duas vagas. Perdeu até em Campina Grande para Daniella Ribeiro, muito embora tenha ficado bem à frente de seu concorrente direto, Veneziano Vital do Rego. Entretanto foi “atacado” pelo desconhecido Luíz Couto, que lhe arrancou 44 mil votos.

    O marechal “tempo” transformou os “milagres” de Ricardo Coutinho em “calvário”. Está sendo castigado por ter saqueado os cofres públicos. Da Cruz Vermelha foram desembolsados 200 milhões de reais para compra de votos. Estimado em 100 reais – per capita – compraram o equivalente a dois milhões de sufrágios.

    Além da Cruz Vermelha, já estão surgindo nomes de dezenas de empresas, através das delações premiadas dos envolvidos no maior “esquema” de corrupção da história da Paraíba, estimado pelo GAECO em dois bilhões de reais desviados nos últimos oito anos. Evidente que a visão deste quadro só pode ser observada agora, depois da prisão e confissões de membros da quadrilha. No pós-campanha de 2018, todos atribuíram a derrota de Cássio ao cansaço de sua liderança. Esqueceram até de mencionar a “maquina” do Estado usada como “Blitzkrieg”, cujo alvo principal era varrer a resistência “tucana” em todos os redutos da Paraíba.

    Sob a ótica de Ricardo Coutinho, a reeleição de Cássio Cunha Lima ameaçaria seu projeto de voltar ao governo em 2022, passando antes pela PMJP. Para tanto, faltou-lhes coragem de renunciar e disputar uma das vagas do Senado. Talvez este tenha sido o motivo de sua ira: ficar imobilizado, sem mandato e agora sem prerrogativa de foro. Cássio, num tom de desabafo, declarou precipitadamente que estava mudando seu domicilio para Brasília, deixando subentendido que havia abandonado a vida pública.

    A ironia do destino, considerado como “fator” surpresa no dia 11/11/2019 - não “elemento” surpresa que é cuidadosamente preparado e planejado - inverteu completamente as expectativas de toda a classe política de Campina Grande e da Paraíba. O primeiro episodio foi a descortesia “oficial” do governador João Azevedo, que deveria ter ido receber o Presidente da República no aeroporto, devolvendo a gentileza que teve Jair Bolsonaro em recebê-lo em audiência no Palácio do Planalto. Um ato de grosseria. O segundo equivoco foi do senador Veneziano Vital do Rego, que não soube explorar politicamente a ocasião, oportunidade que destacaria a “paternidade” da obra: governo petista de Dilma Rousseff, hoje sua aliada.

    Romero Rodrigues, que deveria ter chegado ao lado de Cássio, talvez tenha avaliado que o ex-senador estivesse com receio de ser apenas um a mais no palanque, completamente perdido no tempo, sem o velho aconchego do povão. Todos erraram e só Cássio que chegou cautelosamente temendo ser percebido, foi ovacionado de modo emocionante como nos velhos tempos e com rasgados elogios de Bolsonaro.

    Curioso, imprescindível e imprevisível é a troca repentina de projetos, e o mapa que começa a se redesenhar nas hostes Cunha Lima. Se Romero Rodrigues guardava sob a manga um candidato à sua sucessão, a preferência agora é do ex-senador  Cássio Cunha Lima. Enivaldo Ribeiro pode ser o vice de Cássio, tem direito a uma reeleição. Só, Veneziano jamais enfrentaria Cássio Cunha Lima. Caso venha disputar e vencer o pleito, aquilo que foi planejado por Ricardo Coutinho quem executará será Cássio Cunha Lima. João Azevedo não terá estrutura para enfrentar o governo federal e provavelmente até 2022 Ricardo Coutinho esteja inelegível.

    Cássio Cunha Lima doravante tem que “assoprar” a fogueira e não deixar a chama baixar. Não repetir o erro cometido em 2014, quando por três anos afirmou que não seria candidato ao governo e apoiaria a reeleição de Ricardo Coutinho. Deixou para se lançar sete meses antes do pleito, perdendo parte de seu Exército e ganhando o estigma e discurso de traidor.

  • NÃO ESPEREM OS MILITARES

    04/11/2019

    Por ocasião do início da “Operação Lava-Jato”, começou a surgir um movimento nas redes sociais pedindo intervenção das Forças Armadas nos três poderes da República. O povo exigia ampla investigação e punição severa a todos que levaram nas ultimas três décadas o País a bancarrota. A suspensão temporária do processo democrático - continua sendo reivindicação da maioria dos brasileiros – é um fato incontestável que sugere franca demonstração de insegurança e completa desconfiança nas instituições, exceto nos militares, particularmente no Exército Brasileiro.

    Ao longo dos últimos trinta e cinco anos a sonhada democracia aspirada por uma “minoria” que tinha sede de poder – não pela maioria do povão – sequestrou uma gigante Nação com apoio da grande mídia, e manteve sua gente presa no escuro cativeiro da ignorância. Desterraram de suas mentes as conquistas ocorridas entre 1964/1978, período “satanizado” como “a era do chumbo”. Silentes, os militares não se manifestaram (até o momento) em responder ao clamor popular. Foram “despolitizados” em 1978, pelo ex-presidente Ernesto Geisel, ao perceber que as esquerdas estavam chegando aos quartéis. Tirou-os da vida pública e das ruas, e os conduziu de volta para a caserna, de onde não surgiu mais novas lideranças.

    A Lei da Anistia (ampla geral e irrestrita de 1989) – perdoando sequestradores, assassinos; guerrilheiros e seus mentores – teve dois pesos e duas medidas. Os militares que apenas cumpriram ordens foram vítimas de um golpe cultural/midiático (1986) quando as esquerdas chegaram ao poder, e com revanchismo criaram a fantasmagórica “Comissão da Verdade” para humilhar publicamente as Forças Armadas. O discurso antes de alcançar o poder era revelar a “roubalheira” dos governos militares. Como não encontraram nenhum erro, optaram pelo processo de “desconstrução” da história.

    Picharam imagens de octogenários – ainda vivos - que se dedicaram em servir ao País, criando mentiras e enredos hediondos. Reescreveram temporariamente este capitulo no formato “quadrinhos”, onde guerrilheiros assassinos tornaram-se heróis e militares que defenderam a Nação e povo impedindo a instalação de uma verdadeira ditadura comunista foram considerados vilões truculentos e torturadores. Absurdo!

    Os militares, desde a Independência, tiveram um papel preponderante na história do Brasil. Consolidaram um gigante território de dimensão continental - dentro de um País - falando uma única língua. Contiveram diversos levantes separatistas, com combates e milhares de vítimas. Porém, em julho de 1922 o Exército foi abalado pelo movimento “tenentista”, que exigia mudanças na política e renovação nas Forças Armadas, fato marcado pelo episódio dos dezoito do Forte.

    A partir de então, as inquietações foram uma constante nos quartéis que se politizaram. O movimento “tenentista” ganhou força ao longo das décadas que se seguiram, sempre reprovando com intransigência os privilégios da velha política, corrupção e “entreguismo” de nossas riquezas a novos colonizadores travestidos de “investidores”. Sobreviveu ao Estado Novo – ditadura Vargas - governo de transição do General Gaspar Dutra; crise do suicídio de Getúlio (1954); asseguraram o mandato de Juscelino Kubitschek – abortando algumas sublevações – garantiram a posse do pleito que elegeu Jânio Quadros, mas, não estavam esperando o golpe mais duro: sua renúncia. A partir de então, começaram a estruturar a intervenção.

    Com a renúncia de Jânio, por não ceder à gula da “camarilha” que se apoderou do Congresso Nacional, queriam impedir a posse - e até o retorno do vice-presidente João Goulart - que estava em visita oficial a China. Os “tenentes” asseveraram sua volta e posse. Mas, o Congresso promoveu um golpe político na calada da noite, mudando a Constituição e criando um Parlamentarismo, transformando o presidente em “Rainha da Inglaterra”. Usando de poderes Constitucionais, João Goulart um ano depois convocou um plebiscito e a maioria do povo optou pelo Presidencialismo, defenestrando os abutres congressistas da época (1963) que nada difere dos atuais (2019).

    Alguns historiadores consideram 1964 como o fim do ciclo “tenentista” de 1922. O presidente Castelo Branco chegou ao poder eleito pelo Congresso Nacional e começou a implantar as sonhadas reformas, através de atos institucionais, cassando mandatos de corruptos inveterados, expatriando muito deles; enxugou a máquina pública; extinguiu salários de vereadores, permitido apenas para cidades com mais de 200 mil eleitores; pagou toda a dívida externa; liquidou o rombo e calote da previdência, unificando numa só: INSS. Extinguiu o famigerado “Subsidio Parlamentar” hoje renomeado como “Emendas”. Nenhum dos poderes tinha autonomia financeira (duodécimo sobre o orçamento) e a folha de pagamentos era centralizada no governo federal. Poder Legislativo e Judiciário foram proibidos de contratar e criar qualquer tipo de despesa extra.

    Uma intervenção militar neste momento seria o ideal para desbaratar as OCRIM que operam dentro e fora dos poderes. Exigir austeridade para se instalar auditorias com IPM – Inquérito Policial Militar; cassação de mandatos; sequestros de bens; concentração das finanças públicas; redistribuição de rendas; muitas prisões e uma nova Constituição. Para por a Nação nos trilhos, o tempo presumido será de no mínimo uma década. As Forças Armadas do Brasil tem excelentes comandantes militares. Mas, será que estão preparados para governarem a Nação?

    Não esperem os militares...

  • A DISTRAÇÃO DE ROMERO

    28/10/2019

    Restam pouco mais de trezentos dias para as eleições municipais de outubro de 2020. O tempo passou muito rápido, roubando a atenção de toda classe política, envolvida ou sobressaltada com a enxurrada de denuncias e operações policiais, promovida pelo MP no seu incansável combate à corrupção. Nos últimos três anos, o País amanhece diariamente repleto de surpresas, quer seja nos municípios, estado; governo federal; Congresso Nacional; STF... Momentos conturbados para muitos, que terminaram por esquecer de olhar o calendário e enxergar que a democracia tem seus prazos com data e hora marcados, para celebração de sua festa cívica: eleições.

    Campina Grande passou por uma grande transformação urbana nestes últimos sete anos. O prefeito Romero Rodrigues vai deixar marcas históricas de sua gestão, mesmo com adventos indesejáveis, como denuncias de desmandos (corrupção) que envolvem membros de sua equipe. Eventos que talvez “pessoalmente” não lhes renda desgaste em curto prazo, todavia cria roteiro para inspirar fortes discursos da oposição, por ocasião da campanha com vistas a sua sucessão. Mais grave tem sido sua distração em não ter ainda começado a preparar seu candidato, na certeza que o tempo esperará por seu momento. A desatenção para este pequeno detalhe criou um vácuo dentro da aliança partidária que o apoia, abrindo-se espaços que começam a ser preenchidos por nomes alheios ao seu meio.

    Formadores de opinião da sociedade começam a especular sobre dois importantes nomes, como pré-candidatos. Dalton Gadelha da UNIFACISA, que está dando uma grande contribuição para a cidade se tornar um polo regional de educação e saúde, e o médico Geraldo Medeiros, consagrado como excelente gestor na área da saúde pública, probo - acima de qualquer suspeita - distante das investigações que apuram os desvios da “operação Calvário”, praticados pela Cruz Vermelha.

    Na medida em que a administração Romero Rodrigues avança, com conquistas extraordinárias para a cidade – destaque-se o fim do déficit habitacional - e a gigantesca obra do complexo habitacional “Aluizio Campos”, paradoxalmente ele se distancia no ranking que elenca as principais lideranças políticas do Estado. Nestes últimos sete anos, tenta enxergar no empoeirado retrovisor de sua trajetória, onde “se apeou” o seu líder,  ex-senador Cássio Cunha Lima, com duas derrotas consecutivas: 2014/2018.

    A queda brutal da popularidade do deputado federal Pedro Cunha Lima; reeleição “suada” de seu contraparente Tovar; Daniella Ribeiro suplantando Cássio na Rainha da Borborema (?) absurdo! Bruno Cunha Lima sendo derrotado por Edna para Câmara dos Deputados... Acrescente-se ainda, baixas inestimáveis registradas por deserção do valente exercito que compunha a “Legião de Honra” do Ronaldismo/Cassista.

     Dalton Gadelha, despido de ambições ou projetos políticos, está no comando do maior empreendimento da cidade: UNIFACISA. Concluirá até o inicio de 2020, um dos mais bem equipado hospitais do país, com tecnologia de última geração. Profissionais vindos do exterior, através de cooperação técnica/científica - objeto de convênios celebrados com os grandes centros de pesquisas da área médica – propiciará um  intercâmbio com o centro médico da UNIFACISA, cujo curso de Medicina recebe “cinco estrelas” do MEC, posicionando-se acima ou a frente da UFCG e UFPB. Não se sabe em qual legenda Dalton pertence - muito menos se é filiado a algum partido - nem se aceitará disputar as eleições de 2020. Porém, seu nome desponta como forte candidato.

    Quanto a Geraldo Medeiros é o nome ideal para o governador João Azevedo. Não tem a rejeição do senador Veneziano, e está apto a conquistar o eleitorado do ex-cabeludo. Abre inclusive a perspectiva de acomodar o atual vice-prefeito Enivaldo Ribeiro - que pode ser candidato à reeleição - trazendo para seu palanque a senadora Daniella Ribeiro e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, que têm interesse em se aproximar do governo do estado, fortalecendo a aliança que apoia João Azevedo.

    Finalmente, Romero Rodrigues sai com quem? Félix Araújo Neto?

  • O SILÊNCIO SEPUCRAL DO TRE-PB

    18/10/2019

    Desde as primeiras diligências da “Operação Calvário”, investigação hoje merecedora de elogios ao GAECO-PB – que inúmeras vezes criticamos sua lentidão, confrontando com a agilidade do GAECO-RN – a Paraíba espera uma reação do TRE-PB, manifestando-se sobre duas dezenas de ações ajuizadas pelas coligações derrotadas em 2018, todas acusando o PSB de praticar abuso do poder econômico e o ex-governador Ricardo Coutinho pelo uso da máquina pública em favor de seu candidato.

    O TRE-PB tem um comportamento estranho. Nunca deu “provimento” a uma ação eleitoral contra o ex-governador José Maranhão, desde o imbróglio das convenções que derrotaram o então senador Ronaldo Cunha Lima nas convenções do PMDB de 1988. As ações contra o ex-governador Ricardo Coutinho se arrastaram por longos quatro e oito anos para serem julgadas. Uma foi parar no TSE, cujo julgamento envergonhou a nação. O Ministro Relator demonstrou claramente que não leu o processo. Discorreu sobre sua passagem pela Justiça Federal na Paraíba, e seu saudosismo deste período (?).

    Contra Veneziano Vital do Rego – então prefeito de Campina Grande – o descaso com a lei passou dos limites. Algo jamais visto em nenhuma Corte de Justiça, a não ser em Tribunais de Exceções, quando o réu vai apenas ouvir o veredicto formal do que já foi decidido. Atropelaram até o Regimento da Corte. A Sessão se iniciou e o Juiz Relator votou pela cassação do mandato do então prefeito Veneziano Vital do Rego reeleito em 2008, exibindo farta materialidade de provas que atestavam abuso do poder econômico e uso da máquina. Foi seguido por mais dois desembargadores.

    Quando o quarto Desembargador se preparava para pronunciar seu voto, decidindo a cassação, o presidente da Corte – que só vota em caso de empate – se antecipou e pediu vistas. Duas sessões seguintes, a Corte volta a se reunir e o Relator mudou seu voto – posicionando- se contra a cassação - e foi seguido por todos (até pelo presidente) que fez questão de votar. Em apenas sete dias, reverteram um 3x0, em 7x0. A gravidade dos fatos trouxe a então Ministra Eliana Calmon, presidente do CNJ a Paraíba, para exigir uma correição sobre o episódio, logo arquivado pelo TJ-PB.

    O saudoso Tribuno Vital do Rego sempre mencionava com certa insipidez, a “politização” instalada nos TRE e no TSE, Corte que ajudou na sua formatação, Constituição de 1988. Este comentário ganhou ênfase por ocasião da cassação do mandato do ex-governador Cássio Cunha Lima, ocorrido dentro de um rito de celeridade sem precedentes na história, numa única sessão de cinco horas de duração.

    Oito meses após sua posse, Cássio Cunha Lima teve seu mandato cassado pelo TRE-PB. Sua permanecia no governo, por pouco mais de um ano, deveu-se a inúmeros embargos da defesa e pedido de vistas dos Ministros (TSE). O saudoso Tribuno, que foi participar como convidado da sessão de julgamento do TRE-PB confessou-me seu estarrecimento com o comportamento excêntrico da Corte, a partir de seu presidente, que queria empossar após o encerramento e cassação, o então Senador José Maranhão, antes da publicação dos acórdãos e notificação do cassado, assegurando-lhes o direito constitucional da “ampla defesa”.

    Todas as delações feitas até agora pelos investigados da “Operação Calvário”, se reportam diretamente a caixa dois e propinas destinadas para compra de votos nas eleições de 2018. A Cruz Vermelha registra desembolso de 200 milhões de reais, dinheiro que desequilibraria uma campanha presidencial, imagine uma eleição para governo. O nome de João Azevedo ainda não foi citado. Em nossa opinião, talvez jamais seja. Ele poderia até suspeitar o que estava acontecendo em seu derredor. Mas, dá ou receber dinheiro, não cabe dentro da moldura do seu perfil.

    O conteúdo de todas estas delações está sendo encaminhado ao Ministério Público Eleitoral? Elas se constituem em provas, preenchendo lacunas das denuncias feitas pelas coligações derrotadas em 2018. O que ainda espera o TRE-PB para fazer estes processos andarem? Todos ainda dormitam no protocolo, aguardando despachos e designação de Relatores. Enquanto isto, quinto Constitucional, afia facas e garfos para o grande banquete.

  • O CUSTO FINAL DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

    14/10/2019

    A Reforma da Previdência era para ter sido votada e aprovada até o recesso parlamentar da legislatura de 2018. Ex-presidente Michel Temer tinha negociado e pago por antecipação ao Congresso Nacional. Mas, após as eleições e vitória de Bolsonaro, a OCRIM “Centrão” viu ruir parte de sua estrutura com a derrota de velhos Caciques que compunham a Grande Nação “Baixo Clero” – Confraria que se divide de forma aparente em dezenas de legendas e em palanques opostos - porém se unem na hora de saquearem ou assaltarem os cofres públicos.

    Bem que Michel Temer forçou a barra até seu ultimo dia de governo, pois tinha força sobre a quadrilha. Todavia, “manhosamente” o sicário exterminador dos sonhos brasileiros, Rodrigo Maia, aconselhou o imaturo e despreparado superministro Paulo Guedes, aguardar a nova legislatura que se instalaria em 02/02/2019. O argumento – para não por em votação - foi o risco de uma derrota em plenário da proposta de Temer, com a abstenção dos parlamentares que foram derrotados. Só cai neste golpe, quem desconhece por completo o mundo político, em particular o Congresso Nacional. O momento era mais que oportuno, pois quem estava sendo “despejado” pelo voto popular, aceitaria qualquer adjutório para recomeçar a vida. Principalmente como adidos nas Embaixadas, Membros dos Conselhos das Estatais; Cargos Comissionados no Parlamento... Infelizmente a ocasião “custo zero”, foi desperdiçada.

    Rodrigo Maia não tinha votos suficientes para ser reconduzido à presidência da câmara. Muitos novatos – ou herdeiros dos assentos – não o conhecia e esperavam um nome indicado pelo Palácio do Planalto. O presidente Bolsonaro conhecia o “campo” e “jogo”, fato que nos deixa perplexo pela sua inapetência em não ter participado da partida: escolha da mesa diretora, sabendo do imensurável poder de barganha que tem o parlamento sobre o Poder Executivo. Ignorando o caráter pusilânime da maioria dos Congressistas, o neófito Paulo Guedes, em nome do “Carioquismo” criou seu Frankstein (Rodrigo Maia) a quem conferiu poderes para articular sua permanência na Presidência da Câmara e catapultar Alcolumbre. Por que Bolsonaro em pessoa não trabalhou a eleição de Álvaro Dias? Justamente quem mais o ajudou (indiretamente) nos debates da campanha (2018) na TV, enfrentando e desmoralizando o PT.

    Para aprovar a Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia cobrou liberação de todas as emendas (restos a pagar) governo anterior, o controle do COAF – instrumento que hoje permite chantagear seus pares – tirando-o das mãos do Ministro Sérgio Moro, indo para o Banco Central com poderes divididos. O sigilo, quem gerencia é um indicado de Rodrigo Maia. Exigiu a demissão do Secretario da Receita Federal, que estava investigando parlamentares e ministros do STF, indicando uma pessoa de sua confiança.O Centrão também ocupou a presidência do FNDE, Banco do MEC, determinando a exoneração do nome escolhido por Paulo Guedes e Bolsonaro. FNDE é o único Banco Autárquico que não é fiscalizado pelo BANCEN e opera uma montanha incalculável de dinheiro. Nomearam um Assessor Parlamentar do Centrão (?) que só conhece Banco pelo nome. Inúmeros outros cargos do terceiro escalão, por onde flui o desembolso do Orçamento Geral da União foram indicados por Maia. Ficou melhor que antes: trocaram o “varejo”, pelo sedutor “atacado”.

    David Alcolumbre observando os “ganhos” de Rodrigo Maia partiu também para chantagem. Só vota o segundo turno da Reforma da Previdência, se o governo liberar 30% do leilão da cessão onerosa do Pré-Sal, estimada em 106 bilhões. O projeto teve que ir a Câmara, que num único dia aprovou o pleito do Senado e decidiu que dos 30% (31 bilhões), 15% serão destinados para Estados e os outros 15% para Municípios, dando prioridade ao Nordeste com parcelas maiores. O projeto está de volta ao Senado, onde Alcolumbre quer alterar: 10% para estados, 10% para municípios e 10% para famigeradas “emendas parlamentares”. Se o governo federal conseguisse ficar com o dinheiro que é todo seu, iríamos zerar o déficit púbico este ano. Alcolumbre ainda quer mais: relação de cargos para indicar pessoas de seu time e de sua confiança.

    Quanto finalmente vai custar a Reforma da Previdência ao Brasil? Talvez o mesmo valor, que teoricamente iria economizar. E quantas vezes o povo terá que pagá-la? Muitos já arcam com o ônus antecipado de jamais se aposentarem. Para o governo e Paulo Guedes foi uma vitoria de Pirrica*.

    *Vitória Pirrica – Pirro, Rei de Épiro, ousado guerreiro que resolveu no ano 279 a.c enfrentar os Romanos na Batalha de Ásculo. Perdeu metade de seu Exército. Ao parabeniza-lo seus Generais ouviram como resposta: “outra vitória desta, estarei arruinado”. O que de fato aconteceu no segundo embate, onde suas tropas desertaram e ele voltou a Épiro, perdendo também o seu Reino.

  • A REVANCHE - ALEXANDRE DE MORAES, SALVAÇÃO DO STF

    30/09/2019

    O ex-presidente Michel Temer, logo após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, se preparou para ser reeleito no cargo. Gozando de popularidade momentânea imposta pela grande mídia nacional, era festejado pelo Congresso, STF; STJ. Mas, esqueceu a PGR (Procuradoria Geral da Repúbica) e a figura polêmica de seu titular Rodrigo Janot, escudeiro e protetor do MPF, patrocinador da operação Lava-Jato.

    O inesperado e fatídico acidente (?) que culminou na morte do ministro Teori Zavascki (STF), deu a oportunidade para Michel Temer escolher o sucessor. Optou pelo “tucano” Alexandre de Moraes, ex-secretário de segurança pública do governo Geraldo Alckmin, indicado ministro da Justiça e Segurança Pública no início do governo Temer pela bancada do PSDB, que o escalou para importante missão de limitar as investigações da lava-jato, restringindo-as no âmbito do PT. Nada de avançar contra o PSDB, PMDB; PP... Com o PT “desalojado” do Planalto Central, criar-se-ia uma agenda de “revezamento do poder”. Senado, Câmara e Presidência da República estavam sob o comando do PMDB: Renan, Eduardo Cunha e Michel Temer. PSDB foi convidado para sentar à mesa, na condição de reciprocidade: apoio no Congresso Nacional. Tudo acertado, mas esqueceu-se de consultar Rodrigo Janot.

    Quem ouviu, assistiu ou leu atentamente o discurso de posse de Rodrigo Janot, não se enganou com os desdobramentos da operação lava-jato e outros atos ousados como a delação dos irmãos Batistas (JBS), primeira denúncia contra o ex-presidente Michel Temer por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça. Na sequência, prisões de ex-ministros - até então “insuspeitos” - e honoráveis lideranças políticas, que aparentemente sugeria respeitabilidade incontestável. Homens grisalhos, com dezenas de anos na vida pública, foram algemados e encarcerados como ladrões, quadrilheiros e bandidos da pior espécie.

    Quando esteve como Ministro da Justiça e Segurança Pública, Alexandre de Moraes tinha o controle da Força de Segurança Nacional, Polícia Federal e Advocacia Geral da União (AGU). Seu papel era “estreitar” o relacionamento com o STF e “engessar” a PGR, matando por asfixia a operação lava-jato. Ex-presidente Michel Temer navegava em “mar de almirante”... Em apenas onze meses, Alexandre de Moraes teve seu nome indicado para o STF, apoiado pelos ministros Marco Aurélio, Gilmar Mendes e Luiz Fux, que enfrentaram publicamente a oposição de alguns parlamentares, criticando a indicação como “partidária”.

    Não se sabe se Alexandre de Moraes tentou cumprir a parte mais difícil de sua incumbência: propor a recondução de Rodrigo Janot na PGR, em troca, sepultar a lava-jato. Talvez lhes tenha faltado coragem ou oportunidade. Mal se sentou na cadeira (STF), veio a surpresa: pedido de prisão de Eduardo Cunha, Moreira Franco; Eliseu Padilha; Gedel Vieira Lima; denúncias contra Aécio Neves; Aluisio Nunes; prisão da irmã de Aécio Neves; Michel Temer apontado – em segunda denúncia - como chefe de organização criminosa, após delação do doleiro Lúcio Funaro. O mundo ruiu. Não era só o PT que roubava, segundo Janot e a PGR, eram quase todas as legendas.

    O que fazer para conter Janot? Quando tomou conhecimento que não seria reconduzido por mais dois anos, concedeu entrevista e foi claro: “enquanto houver bambu, teremos flechas”. Ex-presidente Michel Temer escolheu uma opositora do Procurador Geral: Raquel Dodge. Entretanto, os estragos feitos pelo “bombardeio” de Janot, popularizou a lava-jato transformando-a na única instituição justiceira do país. Notabilizou a coragem do Juiz Sérgio Moro, hoje herói nacional. E, provocou uma reviravolta no mundo político, culminando na eleição do presidente Jair Bolsonaro. Não esqueçamos que, se ao invés de Rodrigo Janot estivesse na PGR um Sepúlveda Pertence, não existiria lava-jato, Sérgio Moro e Jair Bolsonaro.

    Um fato que ocorreu em 2017 – Janot ter desejado assassinar Gilmar Mendes - narrado e confessado em áudio dois anos depois, ser merecedor de uma reação tão forte como a do Ministro Alexandre de Morais, causou perplexidade e medo em todo o país. Principalmente após o Senado ter coibido - através da Lei de Abuso de Autoridade - atos arbitrários deste tipo, inimaginável ser cometido contra alguém que tem Foro Privilegiado. Invadir o apartamento de um Procurador da República, sem denúncia e sequer um Boletim de Ocorrência! Apreender sua arma – posse e porte garantidos pela Constituição – e o mais grave: levar seu computador? Qual a finalidade da apreensão do computador? Ele põe em ameaça a vida de Gilmar Mendes ou a existência do STF? A vingança foi explicitada de forma tão clara e indiscutível, semelhante a “batom na cueca”. O que não se esperava era a precaução de apreender o computador de Janot.

    A última manifestação do Ministro Barroso - voto vencido contra o perdão ao crime do colarinho branco - defendido por seus pares da Corte, reforçou seu argumento historiando passo a passo todos os atos orquestrados pelo STF, para acabar com a lava-jato. Mostrou que o País está em rota de colisão frontal com suas instituições e o desastre é inevitável. Não dá para esperar mais três longos anos por uma nova eleição.

  • 2020, QUAL O PALANQUE DE RICARDO?

    24/09/2019

    Desde o final do governo Burity (I) que todo “ex” é considerado um governador em férias. Começou com o próprio Burity, que retornou depois de quatro anos (1986), rompido com o candidato que elegera (Wilson Braga) e a máquina do Estado no comando de Milton Cabral. Derrotou Marcondes Gadelha e o próprio Braga para o Senado. Este resultado acachapante não tirou do homem do Canaã o status de “governador em férias”. Nas eleições de 1990 – a primeira com dois turnos – venceu no primeiro para Ronaldo Cunha Lima. As alianças para o segundo o derrotaram.

    Ronaldo, Maranhão e Cássio, todos ocuparam a posição de “governador em férias”. Ganhando ou perdendo - as disputas sempre foram renhidas - o embate se inicia a partir das eleições municipais dois anos antes. Hora de mostrar força política nos principais colégios eleitorais, especialmente na “espinha dorsal” do Estado: Cabedelo, João Pessoa; Guarabira; Campina Grande; Patos; Sousa e Cajazeiras. A oposição sempre vencia nestes redutos, turbinando a candidatura do “governador em férias”.

    Passados apenas oito meses - fora do governo - Ricardo Coutinho surpreende a todos, por ser o primeiro ex-governador a atingir sua compulsória na vida pública, sem chances sequer de ser considerado mais um “governador em férias”. Previmos neste espaço que a lua de mel entre um “ex” e seu sucessor nunca completa o primeiro aniversário.

    Extraordinariamente, só no caso de José Maranhão que era vice de Antônio Mariz. Ambos não tinham “bases”, nem quadros políticos. Mariz não teve tempo de formar sua equipe. Maranhão deixou Ronaldo – no Senado Federal - governar por quase três anos. O único remanescente da equipe de Mariz, Mário Silveira - após o episodio do Clube Campestre - foi quem criou a estrutura para enfrentar Ronaldo, não através das urnas, mas, em duas convenções partidárias (PMDB 1998).

    Combatendo em diversas frentes - criadas por ele mesmo - Ricardo Coutinho já sinaliza desespero, ao perceber que pode se tornar algo tão excêntrico na história política da Paraíba, quanto a sua imprevista eleição para a PMJP em 2004. O efeito “fermento” que deu robustez à sua trajetória até 2018 foi trocado por pela formula “sonrisal”. Sua liderança alicerçada no medo - usada de forma intimidatória - provocou uma debandada no núcleo girassol estranhamente movida pelo sentimento de “alforria” (?). Dissolveu-se no governo, na ALPB; e se diluiu em sua própria legenda, PSB.

    A crônica política especula que irá liderar as oposições, divididas pelo abandono do ex-senador Cássio Cunha Lima e a inapetência do senador José Maranhão. Mas, como fará isto? Ser oposição ao governo que ele elegeu e esteve lá até noventa dias atrás? Desqualificam-se suas duas gestões. João Azevedo é continuísmo em obras, serviços e ações, em expansão, concebidas pelo próprio Ricardo.

    Recomeçar se elegendo novamente prefeito da Capital? Falta-lhes o principal: discurso. Enfrentar duas máquinas? PMJP e governo do Estado? Seria um ato de ousadia inimaginável. Já sofreu duas derrotas consecutivas para os irmãos Cartaxos. A operação Calvário – calcanhar de Aquiles - não tem data e hora para terminar. E, quem subirá no seu palanque? Alias, em que palanque ele estará? Como ensina algumas correntes filosóficas, os “ativos” (fortes) sempre são derrotados pelos “reativos” (fracos). Ricardo superestimou a si mesmo, e subestimou valores de todos que o cercavam. 

  • RC AVISTA DECLINIO DE SUA LIDERANÇA

    02/09/2019

    Em tempos de internet e a velocidade de suas informações, os políticos começam a se perder ao medir seu prestigio, iludidos pela mídia tradicional que ora vende o que não dispõe mais na prateleira: credibilidade.

    Ricardo Coutinho - endeusado desde 2004 pelos plantonistas da comunicação oportuna - acreditou que era tão insuperável quanto o notabilizaram seus assessores de comunicações e marqueteiros. Elegeram-no como guia de um povo, que por múltiplas razões o consagraram em triunfos extraordinários. Os métodos? Pouco importam. Em guerras, a ética é pisoteada pelo cego propósito de vitória.

    O comício ontem na cidade de Monteiro - evento marcado por um fiasco sem precedentes - deve ser considerado como o primeiro, dos seus piores momentos da vida pública, de outros que ainda poderão advir, resultado de um conjunto de erros e abusos praticados pelo próprio Ricardo Coutinho.

    Que imagem levou Fernand Haddad, Gleisi Hoffmann; o filho de Eduardo Campos e outros parlamentares petistas do Nordeste, daquele que se propunha assumir uma liderança nacional na campanha Lula Livre, e no combate direto ao presidente Jair Bolsonaro?

    Inaceitável foi a maneira como enganaram os pouquíssimos presentes. Os locutores anunciavam: “daqui a pouco, presença do governador e sua comitiva”, subtendendo-se que seria João Azevedo. Quando Ricardo Coutinho chegou, os locutores continuaram: “acaba de chegar o governador Ricardo Coutinho” (?).

    Senador Veneziano Vital do Rego estava num restaurante na entrada da cidade, certamente esperando João Azevedo. Alguém deve ter ligado para ele. Apressou seu almoço e partiu. Do palanque os locutores anunciavam seu nome, mas lá não apareceu. Da cidade de Monteiro talvez tivesse 100 pessoas. O resto veio nas caravanas de ônibus.

    Arrogância e prepotência são vícios adquiridos na longevidade do poder. O modo como o ex-governador Ricardo Coutinho passou a tratar seu sucessor foi algo tão abominável pela população, que chegou a comover até a insensível classe política composta pelos que cercavam e se abrigavam na mesma legenda do “socialista”. João Azevedo recebeu apenas as chaves da granja Santana. Na visão de Ricardo e seus asseclas, já estava de bom tamanho. Tudo continuaria como d’antes. Que loucura!

    A deserção de Monteiro foi mais uma vitória de João Azevedo, que não entrou na briga e jamais procurou este tipo de enfrentamento. Seguiu Ricardo Coutinho desde os tempos de prefeito da Capital, despido de qualquer ambição política. Foi tão sincero e correto, que terminou sendo escolhido como candidato de “confiança” do ex-governador. Será que confundiram sinceridade com ingenuidade? Talvez equivocadamente sim, já que a figura de João é desprovida de vaidade.

    Alguns saudosistas da era “Ricardista” querem atribuir o fracasso de Monteiro à falta do “poder de caneta”. Neste caso, Ricardo nunca foi um líder. Antes da “caneta” ele sozinho – como vereador – juntava mais gente. Por que não se observa o evento sob outro prisma? Operação Calvário, por exemplo. No palanque, exceção feita apenas ao filho de Eduardo Campos, a constelação era de estrelas cadentes: todos respondem a processos por corrupção, formação de quadrilha... O povo está mudando seus conceitos sobre lideranças, paradoxalmente “mitificadas” por eles mesmos. Os tempos são outros, que o diga Ricardo Coutinho hoje, após o inesquecível “momento de Monteiro”.

  • DESTERRO DOS GIRASSÓIS

    21/08/2019

    Ex-governador Ricardo Coutinho – professor da área de Saúde da UFPB – demonstra profunda desprezo ou ignorância pela história ao desaperceber que o futuro sempre esteve no passado. Os eventos se repetem em forma de espiral e as lideranças se esgotam em si mesmo, nos limites da mediocridade permeada pela vaidade exacerbada. Perder uma disputa pelo comando de sua própria legenda (PSB)?

    Quem não tem a capacidade de liderar seu próprio exército, perde as dragonas que carrega sobre os ombros e o respeito da tropa.

    Humildade é a palavra mais pronunciada pelos políticos, muito embora (paradoxalmente) poucos a exerçam na pratica, ou interpretem seu real significado. Poder não se transfere, se conquista. Não importam os métodos, carisma ou sorte de João Azevedo – mesmo que os “girassóis” o considerem “cria” do ex-governador Ricardo Coutinho – são inquestionáveis suas conquistas, a partir da escolha do seu nome como candidato do PSB ao Governo do Estado em 2018. Derrotar em primeiro turno dois opositores de peso, não é tarefa fácil. Um representando o PSDB, apoiado pelo ex-senador Cássio Cunha Lima, prefeito da Capital; prefeito de Campina Grande... O outro, senador da república, ex-governador que já comandou três vezes os destinos da Paraíba. Nem o próprio Ricardo, nos seus melhores dias, conseguiu tamanha façanha.

    Na história de todas as civilizações, o poder sempre foi “piramidal”. Roma no auge de sua expansão – período republicano - até que tentou modificar este método, criando um Triunvirato. Não funcionou.

    Ex-governador Ricardo Coutinho, quando passou o “bastão” para João Azevedo foi aconselhado pela maioria dos seus amigos “mergulhar” temporariamente, e deixar seu sucessor “tocar o barco”. Experimentar as primeiras tempestades, criar seu próprio estilo e tomar gosto pela governança. Nos momentos difíceis, necessariamente o procuraria para contemporizar as “meditas” na aliança partidária que sustentaria a governabilidade. Isto era o obvio e o mais prudente. Mas, a vaidade alimentada pela bajulação midiático-palaciana o transformou num árbitro do governo. Uma “Eminência Parda” que de “fato” governava até quem de “direito” ocupava o cargo governador. João Azevedo foi muito tolerante...

    Ricardo Coutinho começou a arrostar de forma autoritária o governo federal - legitimamente eleito pelo povo - que já não suportava mais o PT e a quadrilha composta por seu séquito de aliados. Postura que obstruía os caminhos de João Azevedo na busca de apoio financeiro para sua gestão. Difícil...

    Em seguida, “Operação Calvário” prende por corrupção e formação de quadrilha a supersecretária Livânia Farias. A Paraíba descobre que a Secretária de Finanças do Governo do Estado era a “companheira” do ex-governador Ricardo Coutinho. Boquiaberto, o povão estarrecido indagava: João Azevedo é mesmo governador?

    Gilberto Carneiro – general quatro estrelas das tropas “Ricardistas” se afasta voluntariamente, após sua “imediata” ser presa. Neste caso, só restou ao governador João Azevedo a alternativa “Djalma Marinho”*: “ao Rei tudo, menos a honra”.

    Com ou sem delações que o envolva no desvio constatado de 200 milhões de reais, a imagem de Ricardo Coutinho desgastou-se rapidamente, ao ponto de perder o respeito e prestígio da maioria dos diretorianos da legenda que o abriga. Sua ira foi punir Edvaldo Rosas, presidente do PSB: destituí-lo de forma ilegítima e por um ato de força da executiva nacional. Um verdadeiro absurdo praticado por quem defende a democracia.

    Apesar de ter um semblante arrogante, prepotente, Edvaldo Rosas demonstrou que sabe o significado da palavra “humildade”. Foi o “carregador de piano” do PSB e escudeiro mor de Ricardo Coutinho desde seu primeiro mandato como prefeito de João Pessoa. Considerado como da “cozinha” de Ricardo, Edvaldo desde 2004 que prepara banquetes para receber convidados que querem sentar à mesa de jantar do poder: Gervásio Maia, Adriano Galdino; Ricardo Barbosa; Efraim pai e filho; família Mota de Patos; Veneziano Vital do Rego... Para ele, a refeição viria das sobras, ou se serviria após os convivas sentirem-se regalados. Candidatou-se a deputado federal, perdeu. Estadual, idem. Nunca ocupou um espaço de prestígio no primeiro escalão da era “Ricardista”. Viu todos seus adversários de outrora atropelarem-no, por ser absolutamente invisível dentro do poder, e para quem servia.

    A vingança é um prato frio...

    Represálias são atos absolutamente necessários e indispensáveis no mundo político. Afinal, com quem Edvaldo Rosas aprendeu? Com aquele que traiu Nadja e Herbert Palitot, Luciano Agra; Roseana Meira; Nonato Bandeira...
    _____________________________.
    *Djalma Marinho – deputado federal do Rio Grande do Norte, udenista depois arenista. Líder do governo na Câmara, quando estourou a bronca dos militares, pedindo licença para processar Márcio Moreira Alves. Jornalista e deputado federal que fez um artigo bobo, pedindo às moças que não dançassem a valsa com os cadetes formando no baile da AMAN. Este episódio culminou no fechamento do Congresso e cassação de vários parlamentares, lista encabeçada por Mário Covas. Na hora de votar, Djalma fez um rápido pronunciamento sobre sua lealdade. Mas, no final votou contra os militares e justificou: “ao Rei tudo, menos a honra”. Não foi punido nem cassado.  

  • A BUROCRACIA FORMA QUADRILHAS

    29/07/2019

    O ex-prefeito de Campina Grande, Williams de Souza Arruda, eleito vice de Newton Rique cassado em 1964, antes de concluir seu mandato publicou um aviso nos jornais e emissoras de rádio comunicando que quem tivesse débito a receber do município se dirigisse a seu gabinete para recebê-lo.

    Bons e saudáveis tempos... Onde os gestores não eram obrigados a seguirem leis, decretos nem portarias sobre sua conduta administrativa. Só deviam satisfações à Câmara Municipal, a quem caberia aprovar ou não suas contas.

    Williams de Souza Arruda recebia dos secretários o pedido de compra de materiais e insumos, e ele mesmo ia fazer as compras. Percorria a rua João Pessoa, feira central e centro da cidade, e onde o preço fosse mais barato comprava, pedia a nota fiscal e pagava na hora com um cheque da PMCG.

    Não existia possibilidade de corrupção!

    Poderia até ocorrer desvio de materiais no almoxarifado, mas logo que detectado o responsável era preso e demitido por justa causa.

    Infelizmente, nos anos 70 o Governo Federal se deparou com casos da corrupção, pelo tamanho do Estado que estava se agigantando e pela administração que aos poucos foi sendo descentralizada. Criou-se então a necessidade de uma lei, com conjunto de regras para compra e aquisição de materiais e equipamentos, sobretudo contratação de obra de engenharia: Decreto Lei 200.

    Um modelo simples e eficaz, semelhante ao dos Estados Unidos.

    Os órgãos tinham uma lista de preços, a Comissão de Licitação divulgava o edital, e venceria quem mais se aproximasse do preço oferecido pelo órgão licitante, que permitia uma oscilação de 10%, para mais ou para menos.

    Enquanto vigorou este decreto - substituído por outro pelo presidente FHC - não ocorreram casos de superfaturamentos. Mas, a formação de “times das licitações” foi inevitável. As exigências burocráticas foram aumentando, os editais começaram a enxertar exigências esdrúxulas - não havia garantia de pontualidade dos pagamentos – fato que levou a maioria das grandes empresas abandonar os certames.

    A Lei em vigor que vem de FHC afastou todos definitivamente, e só permaneceu quem era do “ramo”. Para fornecer mil toneladas de alimentos, basta ter um escritório em casa, uma firma registrada com Capital Social que atenda às exigências do edital, cerca de 40 certidões atualizadas. Não precisa de galpões, estoques ou armazenamento. Quem vence as licitações compra onde bem quer e entende e entrega no almoxarifado destinado. Atestada a nota, aguarda o pagamento, fazendo promessas com todos os santos e prometendo vantagem a funcionários corruptos – em postos exigidos pela burocracia – para que ponha seu processo em andamento.

    Com muita sorte, amizade e propina (em alguns casos), da hora da licitação até receber o dinheiro são no mínimo 120 dias.

    Quem criou tudo isto? O empreguismo político, os Tribunais de Contas; os órgãos de fiscalização e controle que em nada ajudam - só atrapalham - e criam espaço para que prospere a corrupção.

    Se fosse aos tempos de Williams Arruda, a Secretária de Educação da PMCG jamais teria sido presa. Nem Romero Rodrigues passaria pelo vexame ou dissabor das críticas politiqueiras, que nestas ocasiões se “alopram” e confundem a população desinformada.

    Ao assumir o Governo do Estado da Paraíba no ano de 2003, Cássio Cunha Lima se deparou com o inesperado. A barragem de Camará, com a metade de sua capacidade, tinha rompido, causando prejuízos até hoje incalculáveis à população, e para o Governo Federal algumas dezenas de milhões de reais. Quem foi o culpado? Não se sabe, nunca apareceu.

    José Maranhão disse que entregou a obra, poucos dias antes de deixar o governo. Cássio não tinha culpa porque a garantia do construtor é de cinco anos. O processo ainda “rola” na Justiça, outra obra foi construída, e não apareceram responsáveis.

    De fato e sob o ponto de vista lógico, quem deveria ser punida era a burocracia.

    João Agripino em seu governo – mesmo período em que Williams Arruda era prefeito - construiu a BR 230. Quem vistoriava a obra era ele - em pessoa - antes de liberar o pagamento das medições. Se algo de errado acontecesse, era o único responsável, como Williams Arruda no caso de PMCG.

    O povo conhece um processo licitatório? Claro que não.
    Está na hora de começarmos a lutar para derrubar esta burocracia infernal, que inexiste em regimes democráticos, são úteis em regimes de força, nas ditaduras ou autocracias.

  • OS PREGOS DA CRUZ VERMELHA

    09/07/2019

    O percurso do “calvário” para finalizar processo de uma operação que investiga formação de quadrilha, desvio do dinheiro público; corrupção e lavagem de dinheiro na Paraíba - acrescentem-se compra de votos para reeleição de 2014 e eleições de 2018 – alonga seu itinerário, criando rotas com vistas a cansar o público que acompanha o trajeto ou o préstito da justiça. O pachorrento GAECO-PB não esconde mais sua inapetência em dar continuidade ao processo instalado pelo MP do Rio de Janeiro. Antes, já foi inútil em não reagir ao volume de denuncias - desde que a Cruz Vermelha se instalou na Paraíba. O que se constata nesta longa jornada é sua deficiência locomotiva, auditiva e visual. Em nenhum instante ouviu a classe médica ou lideranças políticas. Sua miopia o impediu de ler os pareceres da Procuradoria do TCE. Não deu um único passo, além do solicitado para fechar as investigações solicitadas pelo MP-RJ.

    Prenderam uma ex-secretária de Estado, um motorista e uma adjunta da Procuradoria. Todos já foram liberados. Suscitou-se a possibilidade de delação premiada. Pelo visto não. A colossal burocracia brasileira evidencia que para roubar dinheiro público tem que existir cumplicidade, que origina “quadrilha”. Toda organização criminosa só funciona com o chefe. Na ocasião da CPI do mensalão, quem assumiu este ônus foi José Dirceu, blindando Lula. Muitos acreditaram que o ex-presidente tinha sido vítima de traição da confiança. O tempo mostrou o contrário: ambos estão trancafiados. Por que na “operação calvário” da Paraíba, a Justiça sequer ousa descobrir quem é o verdadeiro chefe da gang? Todos que foram presos, já estão em liberdade. O processo? Acomodado num armário empoeirado, aguardando prescrição.

    O que ainda resta da crônica política independente alegava que faltavam os “pregos” para crucificação. Finalmente agora apareceram. Mesmo sem o GAEGO-PB procura-los, ato do governador João Azevedo revelou o exorbitante volume do desvio ao longo de oito anos: Respeitado Jornalista Heron Cid, em sua coluna “Bastidores”, postou no último 03/07/2019 às 15:55: “Sem Cruz Vermelha, Estado economizará 3,7 milhões por mês”. No texto, Heron Cid cita a intervenção no Hospital Senador Humberto Lucena e a substituição da Cruz Vermelha pelo Instituto Acqua (?). A matéria acrescenta que o valor pago a mais, daria para comprar cinco tomógrafos de última geração. Agora as contas fecham... Foram 72 meses, que ao multiplicar-se por 3,7 milhões, totalizam R$ 266,4. Divididos por duas campanhas, chega-se a 133,2 milhões para cada pleito. O voto custando 100 reais per capita daria para comprar 1 milhão e trezentos mil sufrágios. Isto, sem levar-se em conta a “máquina”, codificados; cargos comissionados... Jamais qualquer adversário venceria o “sistema” Girassol. Se o Instituto Acqua presta o mesmo serviço da Cruz Vermelha, subtraindo 3,7 milhões de reais, fica claro que o valor a mais foi superfaturado. Rastreando o dinheiro, prenderão todos os membros da OCRIM e seu chefe. Resta saber se os paraibanos ainda acreditam que os assaltantes do dinheiro público sejam pelo menos denunciados. Julgados? Talvez nunca. Mídia comprada, comunicadores devendo ao “Empreender”. Sites e blogs subsidiados... Longe do noticiário, o quotidiano dirige o cidadão para temas alhures. 

  • RIBEIRO E REGO NA DISPUTA MUNICIPAL

    17/06/2019

    Os últimos acontecimentos da lava-jato, envolvendo o PP, são presságios para noites de angústia e dias de ansiedade para o Clã Ribeiro. Indiciado como réu no STF, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro terá que ter muita fibra, fé e sorte, para escapar incólume de um julgamento realizado por uma Corte com 11 ministros, que vive o seu pior momento de credibilidade na história da Justiça brasileira.

    Ex-governador Ronaldo Cunha Lima preferiu renunciar, que enfrentar o STF, não por corrupção: tentativa de homicídio contra o ex-governador Tarcísio Buriti. O poeta foi precavido...

    Pouco tempo depois, os ministros indicados pelo PT (seis) passando pelo crivo de Zé Dirceu, puseram não só ele na cadeia, mas os grandes símbolos da legenda como José Genoino, Delúbio Soares; da Igreja Evangélica como Bispo Rodrigues... Todos trancafiados na “Papuda” (presídio de Brasília), pelo escândalo do “mensalão”. Vinte e seis, dos trinta e oito denunciados e acusados pela PGR, foram condenados por corrupção ativo/passiva lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Isto nos bons tempos “petistas”, quando a legenda mandava no país - apoiada pela mídia profissional - que “abafou” o quanto pôde blindando o ex-presidente Lula e tratando a notícia de forma seletiva. Se na época as “redes sociais” tivessem o alcance de hoje, Lula teria sido impedido de governar.

    Duas apostas exitosas do pepista Aguinaldo Ribeiro romperam o limite da “ambição”, e se transformaram em “ganância” compulsiva pelo poder. No primeiro mandato como deputado federal, alcançou a vice-liderança do PP. No segundo, ministro das Cidades. Com impeachment de Dilma Rousseff, líder do governo na câmara dos deputados, e principal cabo eleitoral que elegeu o atual presidente Rodrigo Maia. Em 2018, aumentou o lance, e elegeu sua irmã Senadora da República. Estava convicto que ocuparia qualquer ministério, pouco importando qual fosse o presidente eleito. Mas, foi Bolsonaro... Baixíssimo clero no parlamento, ignorado pelo PP. O “mito” conhece de perto todo o “centrão”. Observou e sempre denunciou as “manobras” para ocuparem espaços e desfrutarem de privilégios do governo central. Perdida no Salão Azul se encontra sua irmã Daniella Ribeiro. Seu partido é o “abre alas” do “centrão”, o mais queimado por toda população brasileira, por obstruir a governabilidade em nome do toma lá, dá cá. A legenda não conseguirá nada da gestão Bolsonaro. Para não encerrar a carreira política no Senado Federal, e ressarcir os custos do investimento em sua campanha feito por seu irmão, Daniella Ribeiro precisará de “poder de caneta”. Disputará ano vindouro o pleito municipal, partindo com uma boa performance: 103.870 votos obtidos nas urnas de 2018.

    Quanto aos Regos, o destino é semelhante aos Ribeiros. Ministro do TCU ex-senador Vital Filho é réu da lava-jato em Curitiba (primeira instância). Terá mais chances para recorrer de quaisquer decisões desfavoráveis, vantagem que não desfruta Aguinaldo Ribeiro, que será julgado pela última (STF). Acima desta, só a justiça Divina. Mas, o senador Veneziano Vital do Rego que sempre sonhou em ser governador, a passagem pela Prefeitura de Campina Grande é indispensável para alçar este voo. Vive o mesmo dilema de Daniella: está preso a uma legenda “demonizada” pelo governo Bolsonaro: PSB. Que se faça justiça: Veneziano é um “estranho no ninho”. Nunca foi comunista, seus ancestrais não deixaram rastros nos caminhos trilhados pelas esquerdas, e se sente desconfortável em fazer um eventual papel de ridículo, representando um “contrão”. Senador Ney Suassuna - “suporte” de sua vitória - em entrevista radiofônica semana passada, afirmou que existe um acordo para Vené lhes ceder parte de seu mandato. A oportunidade pelo visto, seria logo agora em 2019. Ney tem ligações com o governo Bolsonaro, não esconde sua pretensão em ajudá-lo no Senado Federal. É bom não esquecer, que o Prefeito Romero Rodrigues terá um candidato, quer seja um Cunha Lima ou não. Está muito bem posicionado nas pesquisas de aprovação de sua gestão e sonha também com o governo do estado (2020). A campanha será atípica. Talvez semelhante ao que previu Albert Einstein, numa resposta “quebra queixo” feita por um repórter, após a bomba de Hiroxima: “Como o senhor acha que será a terceira guerra mundial”? Einstein respondeu: “a terceira eu não sei... Sei que a quarta será com pedras e paus”.

  • FAVORITISMO DE ROMERO RODRIGUES

    10/06/2019

    O enigmático mundo político e seus resultados imprevisíveis são semelhantes aos efeitos do futebol ou quadros de guerras. Comumente usa-se “alegorias”, comparando os campos de batalhas e as disputas esportivas aos inesperados resultados das urnas, na hora da contagem dos votos: sempre surpreendentes.

    O “favoritismo” do candidato (ainda desconhecido) a prefeito de Campina Grande, apoiado por Romero Rodrigues - seja quem for – segundo pesquisas que apontam elevado índice de aprovação da sua gestão, é tão imbatível quanto as duas seleções dirigidas pelo técnico Telê Santana (1982/1986). Mesmo figurando na lista dos melhores técnicos do mundo até 2018, Telê teve duas chances de conquistar o tetra campeonato, na melhor fase craques do nosso futebol. Não conseguiu chegar às finais.

    Romero Rodrigues ainda tem dezoito meses de governo. Hoje já desponta na historia como um dos melhores gestores da cidade no século XXI, a exemplo de Vergniaud Wanderley e Enivaldo Ribeiro no século XX: ambos expandiram a Rainha da Borborema, modernizaram-na e investiram muito em infraestrutura urbana. Ao se aproximar do final de seu mandato, Romero está deixando Campina Grande cada vez mais bela e apaixonante. Sem uma única favela, e quase toda pavimentada.

    Vergniaud Wanderley governou por duas vezes: 1935/1938 e de 1940 a 1945. Mudou completamente a fisionomia da cidade, construindo novas ruas e avenidas largas, atraindo prosperidade e um crescimento extraordinário, alcançando uma população de 141.226 habitante (1945) maior que várias capitais brasileiras da época. Seu prestígio foi reconhecido por toda a Paraíba, que o elegeu Senador Constituinte nas eleições de 1947.

    Enivaldo Ribeiro foi eleito em 1974 e teve seu mandato prorrogado por dois anos. Romero Rodrigues foi eleito em 2012 no segundo turno. Reeleito em 2016 no primeiro, com uma maioria esmagadora, sem registros precedentes na memória das disputas eleitorais da cidade. Entretanto, existe algo “anormal” ou “místico” de difícil interpretação ou compreensão da crônica política. Crescendo eleitoralmente desde o segundo turno de 2012, Romero Rodrigues tem uma enorme dificuldade em transferir votos, mesmo para os que lhes iniciaram na vida pública. Seu primo, ex-senador Cássio Cunha Lima, foi derrotado para o governo do estado em 2014. Bem, pode ser alegado que a disputa era estadual... Mas, o compartimento da Borborema – 48 cidades no entorno da Capital do trabalho – onde é refletida a imagem do prefeito de Campina Grande, Cássio foi mal... Perdeu na maioria destas cidades que orbitam em torno da Rainha da Borborema.

    Nas eleições de 2018, Cássio Cunha Lima, recorde em gestões como Prefeito de Campina Grande (três vezes), duas passagens pela câmara dos deputados; governador do estado reeleito; senador da república que não conseguiu renovar seu mandato, quando o eleitor escolheu outros dois campinenses em seu lugar: Veneziano Vital do Rego e Daniella Ribeiro. O primeiro (ex-cabeludo) esteve à frente dos destinos de Campina Grande por duas vezes (2004/2008 até 2012), foi deputado federal com uma votação expressiva (2014), porém, em 2016 ao enfrentar Romero Rodrigues, saiu das urnas com um resultado pífio - metade da votação obtida em 2004 - pouco mais de 53 mil votos. Romero Rodrigues ultrapassou os 138 mil sufrágios. Daniella Ribeiro atingiu seu ápice nas eleições municipais de 2012 - não alcançando o segundo turno - recebeu 36 mil votos. O que houve de errado com Romero Rodrigues, que permitiu Daniella Ribeiro ser consagrada campeã de votos em Campina Grande (2018) para o senado, com 103.877 votos? Cássio ficou atrás com quase nove mil votos de diferença (94.560) e Veneziano se recuperou do “tombo” de 2016, crescendo em mais de 21 mil votos (74.485). O mais grave foi o “cochilo” que permitiu o estranho e forasteiro Luís Couto “arrancar” do “Campinismo” 42.204 votos. Tragédia semelhante ao “apagão” da seleção brasileira comandada por Felipão em 2014: 7x1 para Alemanha.

    Ano vindouro Romero Rodrigues confirmará ou não, o histórico do fadário destinado aos grandes prefeitos da Rainha da Borborema. Vergniaud Wanderley não concluiu seu mandato de senador. Foi nomeado para o TCU em 1951, faleceu em 1986, esquecido politicamente. Enivaldo Ribeiro tentou quatro vezes voltar ao “Palácio do Bispo”. Nas eleições de 2000 foi “patrolado” pela chapa Cássio/Cozete Barbosa. Com quatro mandatos de deputado federal, em 2002 foi batido nas urnas em Campina Grande por um estranho Mikika Leitão (?). Ninguém jamais viu este cidadão na cidade. Aliando-se a seus arqui-inimigos (políticos) - Cunha Lima - lançou sua filha Daniella Ribeiro como vice de Rômulo Gouveia em 2004. Perderam por apenas 686 votos. Numa manobra misteriosa e ainda não desvendada, Romero Rodrigues com reeleição garantida, substituiu Ronaldo Cunha Lima Filho – irmão de Cássio – por Enivaldo Ribeiro. Uma homenagem para evitar o esquecimento, no ocaso de sua carreira política?

  • O SILÊNCIO DE VENEZIANO

    03/06/2019

    O companheiro Marcos Marinho comentou ontem (31/05/2019) em artigo postado na sua página do Faceboock, a possibilidade de uma união entre Ricardo Coutinho e o Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, com vistas a “isolar” politicamente o senador Veneziano Vital do Rego, deixando-o fora do pleito municipal do ano vindouro. Ressalvou Marinho com ceticismo, que as informações partiam do blog assinado pelo radialista Milton Figueiredo (Resumo PB) frequentador da Corte dos Rodrigues, fato que mereceu destaque e repercussão no blog “Polêmica PB” do comunicador e respeitado marqueteiro Gutemberg Cardoso.

    Com um olho no peixe e outro no gato, temos acompanhado o quotidiano paroquiano da política local e estadual, muito embora nossa atenção esteja mais focada em Brasília, onde as mudanças são radicais. Como adverte um velho adágio sertanejo, a situação é de “vaca desconhecer bezerro”. Nos seus estertores, a velha política agoniza. E a “nova” ainda é uma imagem desfocada como filme fotográfico preto e branco. Todavia, logo mostrará seus traços fisionômicos. O fogo amigo do PSB-PB tem atingido o Senador Veneziano Vital do Rego, que segundo os mais “chegados” de Ricardo Coutinho, já recebeu diversos “carões” do ex-governador, por não assumir uma posição frontal contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. Será? Só Veneziano sabe o que sofreu nas unhas de Ricardo Coutinho de junho até 19 de setembro de 2019, quando Ney Suassuna aceitou ser seu suplente.

    Mais de 60 dias insone e tonto, sem ter a quem recorrer. Só ia dormir quando sabia que Luis Couto estava em casa e roncando. Amanhecia na Granja Santana, ou onde estivesse o então governador Ricardo Coutinho. Colado o tempo todo. Qualquer “vacilo”, o líder girassol pedia o voto para Luís Couto, e “marcava” com outro nome que não fosse Veneziano. Em nenhum momento – até a chegada de Ney – Ricardo se empenhou pela eleição de Veneziano. Os motivos são óbvios: ainda não existia a “operação calvário”, e o ex-governador pretendia – se ainda pretende é louco – voltar a governar a Paraíba. Veneziano seria uma ameaça... Poderia liderar uma frente de oposição. Luís Couto desejava encerrar sua carreira política no Senado Federal. Mas, o “lance” de Ney foi a jogada mais brilhante e já vista nas últimas campanhas da Paraíba.

    O que espera no momento Ricardo Coutinho de Veneziano? Ele é quem deve muito ao ex-cabeludo, que deixou seu partido (PMDB), onde tinha a mesma vaga que disputou pelo PSB, poderia ter sido reeleito deputado federal e ter lançado sua esposa Ana Cláudia como vice de Maranhão. Foi cortejado pelos irmãos Cartaxos, porém, acreditou na palavra de Ricardo Coutinho. Foi salvo por Ney Suassuna. Não só pela questão de “estrutura financeira”, mas pelo próprio peso e força que Ney ainda tem no Estado. A crônica política – em sua maioria desmemoriada – esqueceu que Ney foi Ministro da Integração Nacional e todos os 223 municípios da Paraíba receberam verbas orçamentárias e extraorçamentárias, independente de partido e suas cores pastoris da época. Ney nunca deixou de cumprir seus compromissos. Não se tem noticia de políticos da Paraíba reclamarem, que Ney prometeu e falhou. Isto foi muito importante na campanha de Veneziano. Ney tinha “credito” político para assumir e cumprir depois.

    Eleição e posse de João Azevedo, Veneziano era - continua sendo - um ilustre desconhecido no Palácio da Redenção, que só mudou a posição na mesa do jantar. Na cabeceira, João Azevedo. Ricardo Coutinho deve ter ouvido Juscelino Kubistchek: “não importa a posição na mesa, a cabeceira é onde eu estiver sentado”. Nomeou quem quis no governo, ignorando os inúmeros pleitos do senador Veneziano Vital do Rego. Mesmo depois das rusgas recentes, onde parte do parlamento já pede que João se afaste de Ricardo, Veneziano ainda não foi procurado pelo governador “de direito”, para discutirem a gestão, e perspectivas para as eleições de 2020. O silêncio de Veneziano ainda é prudencial. Se em seu lugar estivesse o saudoso Tribuno – seu pai – já tinha rompido e procurado outra legenda. A postura de que o homem é “senhor do que cala, e escravo do que fala”, mostra que o ex-cabeludo amadureceu.

  • JUSTIÇA SURDA

    21/05/2019

    O CAEGO da Paraíba sempre foi muito lento, apoucado ou temeroso, comparando-o aos demais, como por exemplo, o grupo destemido e ágil do vizinho Rio Grande do Norte. O deputado Wallber Virgolino, que esteve como Secretário de Estado no RN, presenciou cenas do CAEGO inimagináveis e nunca realizada em outros Estados. Prisões dentro do TJ-RN, afastamento de três Desembargadores com prisões domiciliares; prisão da esposa do Secretário de Segurança – um General do Exército – onde quase se deflagrou um conflito armado, pela resistência do General, desconhecendo o envolvimento de sua consorte na Secretaria de Saúde, mandou a PM cercar o condomínio e os policiais federais que estavam lá. Na Assembleia Legislativa, operação “Dama de Espada” encalacrou todo o parlamento, afastou o presidente e no imbróglio que foi esbarrar no TJ-RN, 11 dos 15 Desembargadores se averbaram “suspeitos” em julgar habeas corpus, tangendo-o para o STJ: nepotismo cruzado.

    Nos últimos dois anos, já foram realizadas mais de 20 novas eleições no RN por cassações de mandatos dos prefeitos eleitos no pleito de 2016, acusados de compras de votos ou abuso do poder econômico. E na Paraíba? A prática é a mesma e vulgarizada universalmente em todos os grotões deste país. Quantas cassações ocorreram? O respeito hoje desfrutado pelo GAECO-RN é impressionante. Fato que justifica a população seus bons salários, pois o povo se sente confiante e paradoxalmente, protegidos por eles. Os habitantes das pequenas cidades potiguares não procuram mais a polícia. Vão direto até o Promotor. A demanda é imensa, a partir de briga de vizinhos, lâmpada queimada na rua, ou o buraco na avenida... Só quem resolve é o Promotor.

    A “operação calvário” realizada pelo GAECO-PB foi um avanço que nos deixou perplexos, mesmo sabendo que a iniciativa foi do MP do Rio de Janeiro, Estado onde o GAECO-RJ descobriu uma saída para a lei no gigantesco labirinto da corrupção que envolve de forma associativa todos os poderes constituídos. O GAECO carioca pôs na cadeia todos os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Prendeu todo o Secretariado do ex-governador Sérgio Cabral; o próprio governador (Pezão) no exercício de suas funções no Palácio Guanabara; Presidente da Assembleia Legislativa e toda sua mesa diretora... A lei começa a ser temida e respeitada. Criminosos são tratados de forma isonômica, independente de sua posição sócio/econômica ou política. Militares, Milicianos; temidos narcotraficantes; bicheiros; deputados e senadores se nivelaram na forma da lei aos ladrões de galinhas ou batedores de carteiras, sem levar-se em conta a cor de sua pele.

    Simbolicamente a Justiça se apresenta como “cega”. Privilégio que a lei não permite ser usufruído pelo MP e o GAECO. Sua miopia ou estrabismo comprometeriam a fiscalização da aplicação da Lei. Para se tornarem mais eficazes, criaram um grupo de combate à corrupção e o crime organizado. Mesmo se apresentando como “cega” a Justiça não é surda, nem tem tapumes em seus ouvidos. Um “operador” da corrupção da “operação calvário” foi preso e delatou o primeiro escalão do ex-governador Ricardo Coutinho. Ato subsequente, prisão da supersecretária Livânia Farias. Sua liberação – com duas preventivas – sugere colaboração ou “delação premiada”. Vídeo mostra o ex-governador Ricardo Coutinho desembarcando no hangar do governo do estado, Aeroporto Castro Pinto. Ex-governador vai ao rádio e responde que estava despachando verbas para o projeto Empreender com dois secretários (?). O Governador não é João Azevedo? No passo de tartaruga do CAEGO-PB, prenderam a número dois da Procuradoria do Estado, delatada como tesoureira da campanha de João Azevedo. E o número um, Gilberto Carneiro? Só busca e apreensão? Dia seguinte a Secretária de Finanças do governo João Azevedo renuncia. Para espanto da Paraíba, é esposa ou companheira do ex-governador Ricardo Coutinho. Neste caso, João não governa.

    O GAECO-PB “cochichou”, o povo alarmou, e a mídia alternativa – não subsidiada pelo Palácio da Redenção – fez um estardalhaço sobre fatos reais, de uma ficção montada pelo governo girassol. Só resta uma pergunta: a Justiça também é surda? O que ainda resta para prestar contas à sociedade, revelando o desmantelamento de uma quadrilha que por oito longos anos ininterruptos saqueou os cofres públicos da Paraíba? Com a palavra, o silente GAECO-PB e nosso respeitado TJ-PB.

  • QUEM GOVERNA A PARAÍBA?

    30/04/2019

    Pegou pesado o ex-governador Ricardo Coutinho ao responder acusações do deputado estadual Wallber Virgolino, sobre o uso de estrutura da Infraero e do hangar do Governo do Estado no aeroporto Castro Pinto - fato ocorrido há três dias – documentado em vídeo e “viralizado” nas redes sociais.

    Culpar o parlamentar pelo “vazamento” do vídeo foi o primeiro de seus erros neste episódio que lhes rendeu impopularidade imensurável. O segundo – mais grave – a justificativa apresentada: “estava no hangar com dois secretários “meus” despachando recursos para o projeto Empreender em Cajazeiras”. Terrível! Revelou a toda Paraíba que João Azevedo não governa e quem continua no comando do estado é “ele” - Ricardo Coutinho. Para concluir sua malfadada jornada midiática, insinuou que o deputado Wallber Virgolino “sabia” dos motivos de sua saída da gestão “Ricardo I”, da secretaria de administração penitenciária.

    O parlamentar respondeu na bucha: “porque não concordei em superfaturar a refeição dos presídios, terceirizando para uma empresa que cobraria 45 milhões, quando se gastava praticamente a metade, 25 milhões de reais”.

    O famoso promotor de lutas de boxe – pesos pesados – Don King quando rompeu com o fenômeno Mike Tyson - o melhor de todos os seus lutadores - assegurou-lhe que iria preparar um adversário, treiná-lo e derrotá-lo. Tyson tinha 27 lutas, todas ganha por nocaute, e apenas uma, chegando ao nono round. King descobriu Evander Holyfield e o treinou. Fez recomendação: rode o tempo todo ele no ringue. Não deixe ele se aproximar porque ele o levará a nocaute. Se você aguentar até o quinto round vencerá a luta. Tyson não luta de forma desportiva, disputa com raiva e muito ódio do desafiante, isto o levará ao cansaço físico. Foi exatamente o que aconteceu.

    Ricardo Coutinho está lutando com fúria, odiosidade e rancor. Práticas obsoletas na atual política de “coalizão”. A ira contra o deputado Wallber Virgolino não foi por conta da denúncia do uso do carro da Infraero. Mas, pelas imagens que sugerem medo e fuga do povo. Precisava ir até a mídia se explicar? O episódio logo seria imêmore, superado por outros eventos, provavelmente mais tensos e ruidosos que advirão da operação “Calvário”: denuncia que investiga as ações de sua gestão envolvendo suborno, lavagem de dinheiro; improbidade administrativa; formação de quadrilha... Só Deus sabe a quantidade de imputações criminosas que comporão a peça acusatória do MP.

    E quanto a João Azevedo? Qual será seu destino? Se continuar deixando Ricardo Coutinho governar, poderá ser afastado do cargo a pedido do MP que indiscutivelmente irá considerá-lo suspeito - comportamento precário - permitindo que seus secretários acatem ordens do seu antecessor investigado. A simples presença de Ricardo Coutinho pode ocasionar destruição de provas já coletadas nas delações realizadas. Até agora, só quem está ganhando na disputa é Walber Virgolino, ironicamente com ajuda de Ricardo Coutinho. Segundo o ex-governador “é um parlamentar de um único mandato”. Eleito numa destas “brechas” oportunas da política. Olhando o retrovisor... Walber é hoje o Ricardo de ontem. Sua trajetória para chegar a PMJP só depende dos desdobramentos da “operação Calvário”.

  • TRINTA E SETE DIAS NO CÁRCERE

    25/04/2019

    O ex-ministro José Dirceu, relatando sobre seus dias na prisão da “Papuda” (Brasília) após condenação no mensalão, descreveu a inevitável depressão que se abate sobre o condenado, quando a porta da cela se fecha e só lhes resta o silêncio e a solidão. Após as duas primeiras semanas, com ideias e pensamentos totalmente desconectados, começa o julgamento interior se vale a pena ou não, permanecer vivo.

    Imagine a surpresa e o choque paralisante sofrido pela ex-secretária Livânia Farias, mulher, mãe; Secretária de Estado respeitada pela sociedade; exemplo para família, ao receber voz de prisão no aeroporto de João Pessoa - sábado 16.03.2019 final de tarde - vindo de Brasília, e provavelmente com garantias que conseguiria um habeas corpus preventivo. Motivo de sua viagem com o ex-governador Ricardo Coutinho dois dias antes, foi a polícia a mando da Justiça, vasculhar sua residência e local de trabalho na busca de provas compatíveis com delação de seu secretário de confiança, que a acusara de guardiã do tesouro girassol, e chefe de todo um esquema de propinas.           

    José Dirceu é homem e já tinha sido preso antes – segundo ele até torturado – na época dos militares. Passou por um julgamento no STF onde foi condenado. Sabia os anos de sua pena, mesmo procrastinando até onde foi possível. Sua prisão não o surpreendeu. Alimentava a possibilidade de soltura, por sua indiscutível influência no STJ e STF, instâncias da Justiça onde todos os nomeados da era petista – exceto Edson Fachin – passaram pelo seu crivo. Mais cedo ou mais tarde... Como de fato aconteceu, ganhou regime condicional. Voltou para a prisão quando desencadeou a lava-jato. Inicialmente descartou fazer uma delação. Mas, para seu desespero, seu líder – ex-presidente Lula – lhes foi fazer companhia na sede da PF em Curitiba. Restava-lhes só uma carta sob a manga... O Ministro Dias Toffoli, cobrado por Dirceu e Lula, optou pela soltura de Dirceu, temendo consequências mais graves e institucionais envolvendo os militares. O roteiro argumentativo de Dirceu era que, uma vez livre, venceria a campanha (2018) e Lula seria solto através do indulto natalino, deixando Curitiba como herói nacional e participando da transmissão de cargo em 01/01/2019.

    Livânia Farias foi encarcerada. Seu mundo deve ter desmoronado na primeira noite no atrás das grades. Mas, o consolo vinha através de seus advogados (treinados) que lhes pediam força e um pouco de paciência. Por outro lado, ela acreditava no poder de seu comandante (Ricardo Coutinho) que já tinha dado provas inequívocas de ser influente nas Cortes de Justiça. O atual governador João Azevedo iria quebrar lanças para tirá-la de lá. Ao sair, poderia recomeçar sua vida, longe e distante de tudo. Jamais esteve preparada para “puxar” cadeia. Talvez admitisse responder processos por improbidade, frequentar salas de audiências no Fórum acompanhada de bons advogados... Mídia comprometida agindo em sua defesa... E, o Marechal “tempo” se encarregaria de resolver o restante.

    Primeiras tentativas de soltura negaram-lhes Habeas Corpus. Veio a audiência de custódia, ocasião que lhes encheu de esperanças. Para seu infortúnio, outra surpresa: um segundo mandado de prisão, como cúmplice de um processo que corre em segredo de justiça (?). A esta altura, o chão desapareceu. Os dias viraram semanas, meses e ano, sem que nada acontecesse. Literalmente depressiva, a família aconselhou-a a fazer uma delação premiada. Neste ponto, se inicia um conto inédito e não revelado. O temor de uma delação de Livânia assombrou a “família girassol”. Como evitar? Montar uma guarda permanente através dos seus advogados, para impedir o fato. Livânia passou a ser monitorada 24 horas pelos causídicos, que a torturavam mentalmente criando um quadro de terror, e ao mesmo tempo alimentavam decisões de Brasília. O Ministro Sérgio Moro – por se tratar de dinheiro do governo federal - se prontificou enviar Força Tarefa da PF, para ajudar nas investigações. O tempo de Livânia se esgotou. Lula, Eduardo Cunha; João Vaccari; Renato Duque... Muitos permaneceram presos até serem condenados. A chegada da PF a Paraíba foi definitiva para sua decisão. Num “cochilo” dos advogados “carcereiros” de Livânia (23.04.2019) a PF e o CAEGO levaram-na para um socorro médico, que durou seis horas. De volta à cela, começou a arrumar sua bagagem. Não atendeu mais seus algozes advogados, e poucas horas depois a juíza Andréa Gonçalves de Lopes Lins, usando uma dezena de artigos, parágrafos e incisos – com anuência do MP e CAECO - expediu alvará de soltura sem a presença dos advogados de Livânia.

    Imbróglio que durou 37 dias, foi resolvido em pouco mais de oito horas, numa celeridade ímpar na história do Judiciário.

    O gabinete da crise, comandado pelo secretário Luiz Torres, chegou a festejar momentaneamente a decisão. Porém, não encontrou seu comandante Ricardo Coutinho para lhe transmitir a noticia em primeira mão. A PF trabalha com logística. Não tem pressa, e montará cuidadosamente o cerco para prender todos em um só dia. Quantos e quem? Não se sabe. Talvez muitos e notáveis, que causarão perplexidade à sociedade. É bom lembrar que o ex-governador Pezão foi preso no Palácio da Guanabara no exercício de suas funções. E seu antecessor, Sérgio Cabral já acumula condenações com tempo de quase dois séculos de cadeia.   


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