Colunista Marcos Marinho

  • NOSSO ELEITORADO EM 2020

    24/09/2020

    Oito anos anos atrás Campina Grande tinha 280.207 eleitores e agora soma 285.020, um crescimento de pouco mais de 2% em quase uma década.

    Dividido numericamente o crescimento, dá apenas 601 eleitores por ano, um caso realmente a ser estudado e que prova, de modo inegável, que os nossos jovens se formam aqui, mas imediatamente se mandam para outras plagas, à falta de emprego que os segure onde nasceram.

    O otimista pode me contrapor ao informar que no Brasil o crescimento também foi irrisório, de apenas 2,67% (2.958.369 eleitores), mas essa conta nacional diz respeito apenas aos últimos dois anos e não aos oito, como na Serra da Borborema. 


    Naquele ano dos 280.207 eleitores Romero Rodrigues venceu o Primeiro Turno com 97.659 votos (44,94%), Tatiana Medeiros, que com ele foi disputar a rodada complementar obteve 65.195 votos (30,00%), Daniela Ribeiro somou 36.801 votos (16,80%), Guilherme Almeida na quarta posição teve 6.871 votos (3,16%) e segurando a lanterna ficou Arthur Bolinha, com  6.177 votos (2,84%).

    O segundo turno foi conquistado por Romero Rodrigues, que quatro anos adiante se reelegeu no turno inicial e fez o ex-prefeito Veneziano Vital do Rego amargar uma vergonha sem precedentes em competições municipais, quando alcançou somente 24% dos votos válidos.  

    Para as eleições deste ano de 2020 estarão aptos a votar no Brasil, segundo os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 147.918.483 eleitores.

    Na Paraíba, que em 2018 contava com 2.889.731 eleitores, este ano o número por pouco não fechou em três milhões - são agora 2.966.759 aptos a votar em 15 de novembro.

    Vejamos os principais colégios eleitorais da Paraíba, em números oficiais do TSE:


    - João Pessoa: 522.269;

    - Campina Grande: 285.020;

    - Santa Rita: 94.595;

    - Bayeux: 71.288; e

    - Patos: 63.933.

    SEM BRASILEIROS

    Com a retomada dos voos aéreos, passada a fase mais aguda da pandemia do novo coronavírus, dirigentes das quatro principais companhias brasileiras vão se unir, de forma inédita, para uma importante comunicação conjunta aos clientes, quando irão reforçar o compromisso com a segurança e a saúde dos passageiros.

    Isso acontecerá  em um painel a ser transmitido virtualmente durante a ABAV COLLAB, a edição anual da Agência Brasileira de Agências de Viagem.

    Um detalhe: nenhum dos quatro mandatários das nossas aéreas é brasileiro.

    - John Rodgertson preside a Azul; Jerome Cardier é da LATAM; Paulo Kakinoff preside a GOL; e Eduardo Busch manda na VOEPASS.

    RECORDE DE CANDIDATOS

    Pode chegar a 400, batendo recorde, o número de candidatos a Vereador em Campina Grande no pleito deste ano. Até ontem (quarta feira) 380 pessoas tinham solicitado registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas como o prazo para registro de candidaturas vai até sábado (26), é provável que a conta feche. Importante lembrar: o Legislativo municipal campinense dispõe apenas de 23 vagas.

  • FURDUNÇO ELEITORAL

    21/09/2020

    A campanha eleitoral deste ano em Campina Grande está um furdunço. Parece até com  aquele famoso couro que todos conhecemos - o que estica e encolhe, estica e encolhe...  

    Se isso é bom ou ruim, não sei. Só sei que estamos em tempos modernos, de internet, de fim do palanque, sem mais olho-no-olho e, do passado, restando somente o notório interesse pessoal se sobrepondo ao coletivo.

    Aquele modo de fazer política como sacerdócio como cantava Ronaldo Cunha Lima, já era.

    Política é negócio e nada mais.

    Vejamos:

    - O MDB de Zé Maranhão mandou a bonita médica Tatiana Medeiros caprchar na maquiagem do rosto, pentear o cabelo e a apresentou como formosa miss ao eleitorado.  

    Mas...  

    O “reinado” não durou 15 dias e a médica naufragou.  

    MDB e PCdoB negociaram uma aliança de surpresa e a chapa que provavelmente estará na urna deverá ter as caras de Inácio Falcão e Tatiana.

    - No lado da mulher do senador Veneziano o vai e vem também tem se intensificado. Com muito esforço e lenga-lenga ela conseguiu o apoio de João Azevedo, mas não avaliou ainda se isso lhe acrescenta ou lhe diminui, dada a alta rejeição do governador na Serra da Borborema, ante a inércia da gestão.

    - Inácio Falcão estava na ponta das pesquisas, mas dizem que desceu pro segundo lugar depois que o nome de Bruno Cunha Lima passou a ser o de candidato oficial do prefeito Romero.

    Inácio, aliás, teve um suspiro bom quando Lígia e Damião Feliciano avisaram que dariam nova rasteira em João e ficariam com ele.

    Claro que João, ainda sem digerir a rasteira que a dupla lhe passou em João Pessoa quando migrou para o terreiro de Cartaxo e Edilma, engrosou o caldo e mandou avisar à sua vice que obviamente não tinha poderes pra demiti-la, mas que a caneta estava afiadíssima para alcançar Gustavo, o filho gordinho da dupla que é secretário de Estado.

    Gustavo não quer perder seus quase 30 mil de salário, as mordomias do cargo e o bom viver na mansão da praia do Bessa, de modo que peitou papai e mamãe e os obrigou a dar o famoso ré prá trás.  

    Pirulito docinho na boca, coube ao próprio Gustavo correr ao apartamento de Ana Cláudia e selar a paz que João Azevedo ordenou. Mas, não se sabe se as fotos de Ana e Gustavo poderão estar na urna em 15 de novembro, porque ainda é bastante temerário para tais assertivas.

    - O lenga-lenga no lado de Ana também se deu na escolha do vice, que ela optou por aceitar um militar da PM, por ordem do Palácio da Redenção, machucando o playboy da Academia Korpus que o marido recomendara, aquele mesmo que Romero levou ao precipício em 2016 abraçado a Vené. E nem precisa dizer que o “parto” deixou sequelas.  

    Que o diga a ilustre família Medeiros.

    - O outrora forte PSB correu da raia e Fábio Maia optou por limitar-se à cozinha, onde se declara Master Chef. Tirou o seu da seringa, aliou-se ao PSOL e, como seu forte é mesmo cozinhar, pegou a enteada do Baixinho do Restaurante, que há anos preparava filés à parmegiana, e a indicou para vice do filho do ex-Vereador Márcio Rocha.  

    E ponto final.  

    - Já Arthur Bolinha faz um lenga-lenga diferente. Preocupado em anunciar um secretariado que com ele sonha governar Campina Grande, já formou toda a equipe.  

    E como o caso está mais para patologia clínica do que para política partidária, botou como vice uma linda jovem com nome de Rainha – médica Anelliese Menegueso – cujo maior feito, justificando a escolha, foi entregar uma camisa do derrotado Treze no Palácio do Planalto a Jair Bolsonaro.  

    E é óbvio que a grande Nação raposeira de Campina Grande se prepara para dar o troco na urna, o que não é nada bom para o dono da Rutra.

    Até aqui, repita-se, até aqui, quem ainda continua navegando em céu de brigadeiro é Bruno Cunha Lima e o neto de Enivaldo Ribeiro, Lucas.

    Até aqui, eu disse! 

  • NO ‘JEITINHO‘ BRASILEIRO

    17/09/2020

    Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, agora eu já posso afirmar, ficaram desmoralizados literalmente este ano com a tal da “pré-campanha”, que de tudo e mais alguma coisa teve, às vistas de papel de enrolar prego das duas instituições.

    LIVE’s em profusão, na verdade foram comícios eletrônicos...

    Caminhadas por ruas, becos e vielas se deram de manhã, de tarde e de noite, em todo canto...  

    E tudo quanto é ser humano - menino e menina, velho e velha, aleijado e doido – tava vendo que candidato chamado de PRÉ não tinha nada mesmo de PRÉ.

    Convém lembrar, a propósito, que esse continua sendo o País do famoso jeitinho; que, em se plantando, tudo dá; e aonde impera a Lei de Gerson - lembram dela? - , tão bem apreciada por políticos, eleitores e também por juízes, promotores, desembargadores e etc. e tal.

    MEU CANAL

    A partir de outubro esses mini-podcast’s vão ganhar cara e cor.  

    Meu canal no Youtube já está pronto, recebendo apenas retoques de fundo, que o sobrinho Vinicius esmeradamente vem caprichando.  

    O lado ruim é que você, contumaz leitor dos meus escritos, vai ter que se acostumar a ver esta minha cara velha de quase setenta anos caga..., quero dizer ‘lavada e cuspida’, como a gente costuma dizer no maravilhoso modo do nordestino se entender.

    Aliás, é mesmo bom que fique dito, cara sem lustre nenhum. Nem de óleo de Peroba, como tantas outras caras que a gente é obrigado a ver especialmente nessa indigesta época de caça aos votos.

    FILHO PRÓDIGO

    Por tê-lo na condição de minha referência radiofônica em Campina Grande, não sou suspeito para discorrer sobre o genial Kennedy Sales, aquele jovem que nos anos áureos de Veneziano Vital na prefeitura da minha terra comandou com invulgar competência a comunicação institucional do ex-cabeludo.  

    Kennedy, como outros tantos leais e zelosos profissionais que deram o sangue para ver Vené governar Campina, foi escanteado e, também como alguns poucos desses heróicos ainda com vergonha na cara deu seu grito de independência e publicamente disse os motivos, aproveitando para elencar tudo que deu de sí para o sucesso daquele que imaginava ser seu amigo.

    Final de semana passado eu tive a grata surpresa de ouvir Kennedy conduzir, com sua voz inconfundivelmente bela de fenomenal animador de palco e palanque, a convenção conjunta dos partidos que homologaram a candidatura a prefeita da mulher amada do senador, Ana Cláudia Vital do Rego.

    Kennedy se encaixa perfeitamente na parábola do filho pródigo. A única diferença é que ele não voltou. Foi procurado!

    E eu, feliz, torço pelos dois: ele e Aninha.

    PRATO FRIO


    O óbvio, ou o mais previsível, era Maranhão levar sua nova musa Tatiana Medeiros a apoiar Ana Cláudia no seu projeto de governar Campina Grande, dama que ele também adora até mesmo por razão familiar – a de que Jordano, irmão dela, é casado com a sobrinha estimada da desembargadora Fátima Bezerra e a quem o homem de Araruna sempre fez questão de tratar como filha.  

    Mas, Zé preferiu botar a médica como vice de Inácio Falcão, mesmo sujeitando-se às críticas ideológicas que envolvem a aliança MDB-PCdoB por uma razão que nem o coração consegue controlar: vingar-se das armadilhas que Veneziano e seu mano mais velho Vitalzinho ao longo de anos sempre colocaram no seu caminho na inútil tentativa de tirar-lher o comando do partido do saudoso Ulysses Guimarães.

    Vingança, como os sábios ensinam, é um prato que se serve frio mesmo.  

    CALÇAS ARRIADAS

    O “cozinheiro” e professor Fábio Maia não resistiu à ausência de apoios e votos para manter-se candidato a prefeito de Campina Grande pelo PSB de Ricardo Coutinho e “arriou as calças” para o PSOL que na véspera havia anunciado que com ele correria o campo.

    Agora o PSOL, com APOIO (sic!?) de Maia, vai de Olímpio Rocha, filho do ex-Vereador e médico Márcio Rocha, e Sheyla Campos, a enteada do Baixinho do Restaurante, conhecida casa de pasto na Liberdade que faliu meses atrás por falta de gestão - dela, inclusive, que respondia pela parte financeira.   

    N’OUTROS TERREIROS

    Os Felicianos, leia-se a doutora Lígia e o doutor Damião, se planejam para a todo custo saírem da condição de coadjuvantes no processo político estadual e ganharem de vez a pole-position.

    Para isso, nada melhor do que investir na eleição municipal, a que faz prefeitos agradecidos obrigados a retribuir as ajudas e apoios dois anos mais tarde.

    Daí as razões, mais do que justificáveis para eles, embora nada éticas, das rasteiras que a vice e o deputado deram no ainda imaturo João Azevedo, baldeando a água do governador em João Pessoa, em Campina Grande e, estou sabendo, em vários outros Municípios da heróica Paraiba.

    Que João bote as barbas em bom molho, porque em 2022 o coração de Lígia e Damião vai bater mais forte, mas em outros terreiros.

    CONVENÇÕES NO CONDE

    O dia ontem no Conde foi de festa política. Os principais pré-candidatos a prefeito, à exceção da prefeita Márcia Lucena que optou por antecipar agenda, fizeram as suas comedidas convenções e cada qual, devido aos rigores protocolares impostos pela COVID-19, com os seus cada quais desincumbiram-se a contento do que tinham programado.

    Na de Olavo Macarrão, no mesmo centro cultural que leva o nome do pai da prefeita e onde ela dia 13 passado teve seu nome homologado para a reeleição, desfilaram no telão colocado no palco os deputados Wilson Santiago (federal), Wilson Filho (estadual) e o governador João Azevedo, aliás a principal e mais esperada figura do evento.

    Os Santiagos, que na Paraíba mandam no PTB, reiteraram apoio a Macarrão e prometeram muito trabalho e parcerias com ele a partir de janeiro de 2021.

    E João fez de modo brilhante e convincente a parte que dele todo mundo aguardava: explicitar o seu apoio e o apoio do Governo ao jovem condense, desanuviando de uma vez por todas tudo o que se tramava contra o prestígio de Macarrão junto à maior autoridade do Estado.

    João garantiu priorizar o Conde nas políticas públicas da sua gestão, até mesmo por levar em conta a importância estratégica do Município para a região metropolitana da Capital, e massageou o ego do candidato do CIDADANIA como nunca ninguém ainda tinha feito antes.

    A DEUS E AO DIABO

    Na convenção da nora de Aluízio Régis e Tatiana Lundgreen, Karla Pimentel (PROS), raras foram as estrelas a brilhar. O evento acabou terminando primeiro do que o de Olavo, ambos na sede do Conde separados um do outro apenas por três quarteirões.

    Digno de infeliz registro foi o local onde Karla se aninhou para fazer a convenção: a Casa Pastoral da Igreja Católica, a que ela repudia veementemente em suas pregações, já que na condição de evangélica e em momentos de emoção entra em êxtase e mistura política com religião, amálgama não recomendado pela boa ética.

    O detalhe: ainda ontem de manhã, mesmo dia da convenção, Karla fez publicar em redes sociais demorado vídeo retratando um culto em Ação de Graças que evangélicos por encomenda fizeram para ela e que mais se assemelhava a uma sessão de descarrego onde  a teatrologia falou mais alto e os atores - pastores, fiéis e eleitores e ela mesma – entraram em transe.  

    Karla falou da doença que a deixou “vinte dias na cama” e se vitimizou o quanto pode, mas ao sair correu em busca do padre para rogar a sua benção e pedir por súplica as instalações da Casa Paroquial para, desse modo, talvez se penitenciar daquilo que ela mesma possivelmente não acredite.

    Nesse caso, a certeza é total: Karla literalmente acendeu uma vela a Deus e outra ao Diabo.

    BATE -ESTEIRA

    A convenção de Menudo e Edinho Mendes, feita ainda com luz do dia, foi como um relâmpago. E a dúvida, quase certeza, que continua pairando no ar e no processo eleitoral é de que a dupla seja ‘bate-esteira’ de Márcia Lucena.

    A estrela presencial, ainda assim ofuscada pelas incertezas, foi o deputado estadual Branco Mendes, que até a undécima hora conspirava para convencer João Azevedo a abandonar Olavo Macarrão, o que não conseguiu.

    Pelo sim, pelo não... recomenda-se o eleitor observar os passos da dupla.

    ENCONTRO CASUAL COM ALUÍZIO

    Vindo ontem pela manhã do Conde tive o fortuito desprazer de encontrar o ex-prefeito Aluízio Régis na barraquinha ao lado do restaurante da sua nora onde costumo comprar cará da região e feijão verde, na entrada de Jacumã.

    Ele me conhece há anos, mas acho que o Alzheimer que lhe ronda tem intensificado o assédio nessa época eleitoral. Daí que correu a me interpelar como se forasteiro eu fosse.

    - “Tu vota aqui ?”, indagou-me.  

    Mentí, para provocá-lo:  

    - “Voto, sim”.

    - “Na minha nora, né ?”, perguntou fazendo pose para o casal humilde de barraqueiros com quem estava conversando.  

    - “Gosto muito dela, mas meu voto é de Macarrão”, cortei o papo enquanto escolhia as peças de cará.

    - “Não senhor, tem que votar na minha nora, oxeeee”, ordenou fazendo outra pergunta:

    - “Por que tu vai votar em Macarrão? Tu conhece Macarrão? Tu sabe a história dele? Tu sabe o que é que ele é?”, metralhou.  

    - “Porque é um jovem preparado, não tem histórico de corrupção em sua família e sonha com  um Conde onde o seu povo seja tido como gente e possa exercer a cidadania com dignidade e sem medo”, respondi-lhe informando que tinha tido acesso a algumas pesquisas e todas elas mostravam a curva ascendente de Macarrão, em contraponto às curvas de Márcia e de Karla, uma descendente e a outra estável.

    - “ E quem mandou fazer essas pesquisas?”, indagou-me já em tom furioso.

    Ato contínuo correu à porta traseira da sua camionete e de lá arrancou três calhamaços de papel que disse serem pesquisas “de verdade” que tinha em seu poder atestando a viabilidade da vitória da nora. Uma feita pelo seu marqueteiro André, outra por um instituto que Cássio Cunha Lima pagou e mandou fazer a seu pedido e outra da Datavox, instituto campinense do meu querido amigo Bruno Agra.

    Eu tive ainda a oportunidade de sugerir que ele (Karla, no caso) juntasse forças com Macarrão, porque nas pesquisas que eu vi Márcia Lucena se mantém na faixa dos 35/36 % e seria reeleita sem problemas, com a oposição a ela dividida como está.

    - “Isso é verdade”, concordou passando-me outras preciosas informações.

    - “A gente tá conversando, mas Múcio (tio financiador de Macarrão) tá ficando doido e só quer que a gente abra. E como é que a gente vai abrir tendo 25% e Macarrão sem passar de 10%? O que a gente combinou foi de abrir para o que tivesse melhor nas pesquisas, mas do jeito que ele quer não vai dar...”, concluiu com cara de desgosto.

    Pesado e pago o meu cará pisquei o olho pra minha mulher no carro buzinar me chamando e dele despedi-me.

    - “Peraí”, me segurou pelo braço censurando que “Múcio pensa que dinheiro resolve tudo”.

    - “Eu já vou, Aluízio, depois a gente conversa mais”, esquivei-me tentando livrar-me dos seus braços.

    Aumentando os decibéis da voz e falando não mais para mim mas para os barraqueiros e outras pessoas que haviam chegado, Aluízio era todo gritos:

    - “Rapaz, Múcio me ofereceu Três Milhões de Reais, me dava um apartamento de cobertura em João Pessoa no valor de R$ 1.400.00,00 e o resto em outras coisas aqui no Conde e eu disse a ele que não aceito. Isso é dinheiro demais. E outra coisa pra tu que não sabe quem é Macarrão: ele ainda moleque fumava e se drogava com força, nunca teve a carteira de trabalho assinada e nunca trabalhou em cargo público e por isso é um m.... que não sabe de nada”.

    Ainda tive tempo de deixar com ele uma pergunta, que não esperei pela resposta:

    - “Oxente, Aluízio, tu tás falando desse Macarrão que eu conheço ou daquele que eu acho seja o mesmo que foi teu vice candidato a prefeito quando Márcia Lucena te derrotou?

    Só ví que ele ficou espumando, mas para novo azar meu tive que parar no mercado de Dona Edy, que é o único em Jacumã que abre na hora do almoço, e quando vejo Aluízio estava outra vez batendo em minhas costas disposto a recomeçar a conversa. Fui salvo pelo gongo, digo, pela mulher outra vez, que correu ao caixa e me chamou, enquanto Aluízio difamava Macarrão perante outra plateia que como eu teve o desprazer de cruzar o caminho com ele.

    Ufaaa. É lamentável que o Conde ainda tenha política e políticos desse naipe!

  • MINHA GALINHA

    14/09/2020

    Fazer feira em Campina Grande é prazer que renova meu sábado a cada semana...

    Na de galinha procuro a mais gorda, mas às vezes me contenta uma franguinha que cozinhe rápido e possa come-la ainda no almoço acompanhada com feijão verde no cuscuz, batata doce, macaxeira e, à parte, a irresistível cabidela.

    Mas também escolho pato, perua e principalmente guiné, o velho ‘capote’ que não perde em sabor para nenhuma outra ave da face da terra. Nem p’ro Faisão, que eu nunca comi e nem quero comer!

    Foi Dona Virgilia, minha amada mãe, quem me introduziu ainda pirrititinho nesse mundo maravilhoso que integra parte do Mercado (feira) Central campinense, mais precisamente na censurada “Rua Boa” - a Manuel Pereira de Araújo onde reinava o Cassino Eldorado que agora em ruínas maltrata a memória de quem de fato ama e vive todas as entranhas de Campina Grande.

    Ontem à noite, após a LIVE com o amigo Olavo Macarrão em Carapibus, subi a Borborema a tempo de dormir no Itararé e cedinho acordar para me reenergizar nos mangaios da minha terra.     

    Saber escolher galinha gorda, a mais saborosa delas, aprendi em aulas práticas com Dona Pequena, a quem já comprei dezenas de penosas, algumas inclusive no fiado, dada a confiança que ela tinha no seu freguês certo.

    Hoje já não tenho mais a espevitada e amorosa velhinha soprando na ‘rua Boa’ as penas das galinhas por baixo das suas asas até encontrar a melhor delas e me garantir que a da veia mais grossa podia levar como garantia de divina gostosura.

    Dona Pequena ainda é viva e lúcida, mas seu frágil corpo não permite mais a sua presença na feira e ela, em casa, descansa junto aos seus mas, com certeza, saudosa de abraçar a mim e aos seus tantos outros fregueses de cada sábado – Paulo (Guerreiro) Dantas, Laércio Medeiros, Dona Socorro mãe de Ana Cláudia e muita gente fina mais, por exemplo!

    Me contento, à falta dela, com outras alegres vendedoras de pato, galinha, guiné e perus da Manuel Pereira de Araújo, uma delas ainda no alto dos seus mais de 90 anos no comecinho da feira de galinha - VÓ, como todos a chamamos, a corpulenta negra belíssima, raro espécime de ser humano que Deus na sua suprema generosidade mantém iluminando os sábados de todos nós.

    É isso, a galinha gorda de hoje comerei amanhã na mesa adornada com filhos e netos e um rubacão que cozinharei no capricho.  

    Com umas doses de Rainha, é mais do que óbvio!

  • SALADA RUSSA DE VENÉ

    10/09/2020

    O independente site ‘O Antagonista’, hoje um dos mais influentes e mais acessados do Brasil  mostrou em curto texto veiculado no começo da semana o que seria o antagonismo do senador paraibano Veneziano Vital do Rêgo.

    O site estranha que Veneziano se mantenha filiado ao PSB de Ricardo Coutinho e que a sua mulher, Ana Cláudia, seja a pré-candidata a prefeita de Campian Grande pelo PODEMOS.

    E estranha ainda mais: que ele (e ela) embora receba apoio em Campina Grande do CIDADANIA do governador João Azevedo tenha se disposto a apoiar, em João Pessoa, o candidato Raoni Mendes, do DEM, tendo como companheiro de apoio o deputado Julian Lemos, do PSL de Jair Bolsonaro, a quem o senador aparentemente faz renhida oposição.

    Se alguém quiser chamar a ação de “salada russa”, terá escolhido ótima definição.

    O NEGÓCIO EDINHO/MENUDO

    A política no Conde continua fervendo e o que vinha sendo anunciado como BOMBA pelos mais aguerridos seguidores do pré-candidato Edinho Mendes, do Solidariedade de Manuel Júnior, acabou explodindo mesmo, mas os efeitos do petardo se restringiram aos estragos em “casa”.

    Edinho, como até as pedras furadas da Praia do Amor garantiam, não conseguiu manter a rodilha para equilibrar o pote e caiu fora da peleja, passando a cabeça de chapa para Menudo, um milionário atravessador agropecuário das roças de cará e macaxeira da regão que não vem conseguindo manter em pé a tropa que batia continência para o fujão contumaz.

    De São Pauilo, onde a quatro mil quilômetros de distância controlava e apimentava as intrigas das redes de ZAP para manter Edinho Mendes em evidência, o fotógrafo grandalhão Stanley foi o primeiro “rato” grande a pular do barco. Emudenceu de uma hora para a outra, mas me revelou dando mostras de profunda decepção: “Meu trabalho já está concluído. Agora só com os ‘cabeças’, se tiverem CABEÇA!”. E deu adicional explicação, evidenciando que o negócio Edinho/Menudo tem fermento de outros atores: “...se não tiverem ML na cabeça, sem a menor dúvidas”. ML, que eu até aqui não conseguia traduzir, Stanley esclarece: “É Márcia Lucena!”.

    OS TIROS E O BLEFE DE KARLA

    O policial Acioly, acusado por Karla Pimentel de ter sido autor dos disparos de arma de fogo no portão da sua casa, e que à vesga ótica da pré-candidata do sogro Aluízio Régis representaria um atentado à sua integridade física pelo fato dela estar subindo bem nas pesquisas no Conde, incomodando a liderança de Márcia Lucena, a quem o militar presta serviços, provou em vídeo que publicou em grupos de ZAP que Karla está vendo chifre em cabeça de cavalo. Acioly na hora dos tiros estava na porta da sua própria casa e gravações de câmeras na rua mostram tudo sem montagem. Agora, Karlinha do carinho vai responder a acusação na Justiça e a previsão é de que seja condenada a pagar alta indenização ao policial.

    OS VOTOS DE VAILSON  

    Vailson de Jacumã, aquele mesmo que levou uma surra de cipó de boi de Aluízio Régis, embora venha tirando fotos ao lado de Menudo, o substituto do seu ex-guru Edinho Mendes, já conversa animadamente com outros postulantes ao cargo de prefeito no Conde para dar uam ´puladinah de cerca... O problema é que ele ofereçe aos potenciais compradores os mais de 250 votos que obteve na última eleição para Vereador, mas ninguém acredita que ele repita nem a metade da soma, que teria contado com a exponencial ajuda da ex-prefeita Tatiana Lundgreen, a qu

  • VOTO NO VARÃO CORAJOSO!

    04/09/2020

    Eu nunca exercitei malabarismo e, por isso, ser equilibrista não passa pela minha cabeça e nem por minha disposição.

    Continuo exercendo, sem mandato, a atividade política e gosto disso.  

    Política séria, sem negociatas, sem mi-mi-mis nem traições, sempre me pautando naquela maravilhosa linha que próceres do quilate de um Raymundo Asfóra e de um Ronaldo Cunha Lima, por exemplo, adotavam: o sacerdócio!

    Política com desprendimento, voltada para fazer o bem comum e não para ficar em cima de muros esperando a melhor oferta ou oportunidade para decidir o lado em que pulará.

    Sou de decidir, de tomar posições!

    Na eleição municipal de quatro anos atrás emprestei meu apoio e dei meu voto a Ivan Batista, de quem fui colega na Câmara de Campina Grande ao tempo em que exerci o honroso mandato que os campinenses me outorgaram.

    Na eleição seguinte, para deputado estadual trabalhei em Campina Grande e votei em Olímpio Oliveira. E consegui, em Queimadas e em outros Municípios aonde tenho amigos, uns votos para meu primo Deda de Dutra, que postulava o cargo pelo MDB de Zé Maranhão.

    Para deputado federal anunciei com boa antecedência o meu apoio e trabalho a Guilherme Almeida e para ele suei a camisa.

    E este ano, para não fugir à regra e não dar direito a ninguém de me chamar de “murista” ou algum candidato desinformado ter a indelicadeza de vir me pedir voto, declaro já nesse instante a minha opção para o Legislativo: ROBSON DUTRA!

    As opções do “cardápio” são muitas. E tem muita gente do bem buscando uma cadeira na Casa Félix Araújo. O próprio Olímpio e mesmo Ivan Batista, estrelas reluzentes em uma Casa que lamentavelmente empobreceu o nível.  

    Mas, reitero, vou votar em ROBSON DUTRA e trabalhar com afinco para que ele volte ao nosso Parlamento, onde por anos lá esteve e portou-se com galhardia, operosidade e elevado espírito público, marcas da sua valorosa biografia.

    Mais à frente, quando a campanha dele estiver registrada no TRE, vou ter a alegria de voltar a este espaço e dizer as razões todas que me levam a optar por este varão corajoso da Rainha da Borborema.

    UM “SUJO” AINDA DE VENÉ

    Na lista de FICHAS SUJAS que a Corregedoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) encaminhou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para instruir a apreciação dos pedidos de registros de candidaturas deste ano não consta nenhum gestor público da equipe de Romero Rodrigues. Mas tem nome campinense: Derlópidas Gomes Neves. Foi “fichado” por sujeira praticada à época em que era superintendente da STTP, em Campina Grande, na gestão de Veneziano Vital do Rego.  

    PREFEITO DE CARAÚBAS

    Júnior Gurgel tomando gosto na disputa pela Prefeitura Municipal de Caraúbas, no vizinho Rio Grande do Norte, Município que já eficientemente administrou no passado e onde tem amigos e o povo lhe quer bem. Meu título fosse de lá, o voto era certo!

    FUGA DE EDINHO

    O que até os sirís do maceiozinho de Jacumã sabiam há meses acaba de se concretizar no Conde: Edinho Mendes fugiu da raia e não é mais pré-candidato a prefeito pelo SOLIDARIEDADE de Manuel Júnior. Abriu desta vez para o Irmão Aderaldo Menudo, que é produtor rural e, na condição de mega plantador de cará e inhame na região, tem um bolso apetitoso, capaz de seduzir não apenas Edinho, mas seus fanáticos meia dúzia de seguidores.

    A APOSTA ERA MÁRCIA

    O que na verdade todos no Conde apostavam era que Edinho, como fez na eleição de quatro anos atrás, aceitasse outra vez o abraço e a generosa bolsa de praia de Márcia Lucena - sempre carregada de dólares e euros -, com quem aliás estaria em avançada negociação há vários dias. O bom é que agora Edinho não abandonou os pré-candidatos do seu partido a vereador, como fez lá atrás e foi abrir uma empresa em Portugal. No “contrato” com Menudo sai ganhando a vaga de vice e a autorização de levar à tiracolo Vailson, Gerasom, Claudio Publicidade, Ednaldo da Saúde, Sandro Caroca... Menos mal, portanto.

    “CONTRATO ALARANJADO”

    Mas o “passarinho cagão” de Paulo Santos que andou voando baixo esta semana por certa granja de uma certa alcaide nas beiradas da sede do Conde tem garantido que o “selo” do envelope onde cédulas foram acomodadas, e ainda a lambida para fechar o dito cujo, não tem nada a ver com Menudo não... Como a dona do sítio é especialista em laranjal, a pista é muito boa.

    “SIBITO”’ MORREU HONRADO


    A COVID-19 matou meu amigo “Sibito”, que em João Pessoa os confrades chamavam-no de “vovô” nas redações. Humberto Lira foi repórter policial de mão cheia e igual a ele só lembro de Magidiel Lopes em priscas eras . Não se vendia nem a bandido e nem a policial e basta isso,  nesse meio tão complexo e sujo da crônica policial paraibana, para dar idéia da ética com a qual sempre se conduziu na vida e, por isso, morreu sem ter essas camionetas Hylux cabine dupla como a que Môfi tem, por exemplo. Morreu honrado, e isso é orgulho para a sua família e para nós, os seus saudosos verdadeiros amigos.

  • Eu, Bruno e Dr. Elpídio

    28/08/2020

    Eu tive o privilégio de conhecer - e conversar, conviver, entrevistar - o médico e historiador Elpídio de Almeida, uma das figuras de maior relevo na história do meu amado berço.  

    Cordato, gentil, sereno e probo, Dr. Elpídio impressionava pelo porte, pela elegância e muito mais pela inteligência inigualavelmente viva.

    Nosso primeiro encontro se deu por intermediação do seu filho Humberto, o dono da CANDE – a moderna fábrica de tubos de PVC no Distrito Industrial.

    Médico igual ao pai, mas sem exercer a profissão, Dr. Humberto era um dos donos do Jornal da Paraíba e eu o secretário, cargo equivalente hoje a editor, cumulado com gerente administrativo.   

    Ano passado, sua nora Ida Steinmuller, que presidia o Instituto Histórico de Campina Grande, mandou-me uma foto em que eu e ele estávamos conversando num dos alpendres da sua vivenda na Floriano Peixoto, quase em frente à catedral de Nossa Senhora da Conceição, no centro de Campina Grande. “Estava organizando os arquivos do instituto e veja o que encontrei”, juntou à foto essa informação.



    Elpídio, que além de historiador e médico era político e chegou a ser prefeito de Campina Grande, também era valoroso jornalista, o que pouca gente sabe.

    Por isso, para me integrar avulsamente à Semana Elpidiana que o IHCG realiza de ontem até amanhã, publico aqui neste meu espaço d’APALAVRA um contundente e corajoso artigo escrito por ele no Jornal de Campina, periódico de propriedade de outro saudoso grande e notável amigo, William Tejo, que também era do convívio do Dr. Elpídio.

    Neste texto, Elpídio sem citar o nome ataca bravamente o prefeito da época, Plínio Lemos, a quem atribui culpa pela morte de Félix Araújo, mártir da nossa história.



    E um detalhe: o fac-simile do recorte do jornal (do artigo) eu ganhei de presente de um jovem (Bruno Cunha Lima) que, coisa rara na juventude de hoje, é amante profundo da história e coleciona raridades em seus arquivos pessoais no prédio do cartório do avô Ivandro, na rua Vidal de Negreiros.

    Das aspas pra frente a pena é de Elpídio de Almeida, pra você amado leitor se deleitar:

    "NOME AMALDIÇOADO


    Nunca se fez tanto mal a Campina Grande como atualmente, durante os poucos meses desta malfadada administração, que passará à posteridade como a página mais negra da nossa história.

    Nunca se roubou tanto em tão pouco tempo. Leia-se o relatório do vereador Petrônio de Figueiredo. É um documento que atesta exuberantemente a desfaçatez com que o prefeito assaltou os cofres da municipalidade. E o fez com o mesmo descaramento do tempo em que assaltou e saqueou a residência do Dr. José Duarte de Vasconcelos e roubou os dinheiros do comerciante Manoel Eduardo, fatos que só ultimamente me chegaram ao conhecimento.

    Mas não é sob esse aspecto que o seu nome será amaldiçoado pelas gerações vindouras. O que nenhum paraibano esquecerá no futuro é o crime de haver concorrido para o assassínio de Félix Araújo.

    Quie esvaziasse os cofres públcos até ao fundo, impulso a que naturalmente não poderá resistir, mas que preservasse a vida desse jovem que era a mais cintilante inteligência e a mais positiva vocação de homem público da geração que se prepara para assenhorear-se dos destinos do nosso Estado.

    O dinheiro com o tempo se refaz. Os prejuízos materiais poderão ser facilmente restaurados. É grande a capacidade de recuperação do nosso Município. Dois ou três anos de uma administração honesta bastarão para recompor as forças municipais. Mas a grande inteligência desaparecida ninguém nos pode restituir. Só de longe concede Deus a um povo a graça de um vulto com aquelas peregrinas qualidades, para seu guia e aperfeiçoamento. Foi esse bem divino que o malvado nos tirou.

    Não estamos chorando o dinheiro sumido. Isso irá ter paradeiro. O que pranteamos, sem consolo, por não haver recobro, é a perda de Félix Araújo. E se não bradarmos a toda hora contra os seus assassinos, daremos mostra de haver perdido todos os sentimentos de humanidade; deixaremos de ser um povo civilizado e cristão, para nos transformar numa aglomeração humana totalmente desuumanizada, num ajuntamento de anormais e primários.

    Não. O povo campinense honrará sempre a memória do seu mártir.

    O nome do seu algoz será sempre amaldiçoado.”

  • MEDO DO MACARRÃO...

    15/08/2020

    Elitista e arrogante, marcas que carrega consigo desde tenra idade, a prefeita Márcia Lucena (PSB), do Conde, acaba de excluir da merenda escolar no Município o macarrão, saudável sub-produto do trigo que é alimento de primeira necessidade em muitas mesas do mundo, sobretudo nas da população mais pobre, por ser um produto de preço mais acessível.

    Essa surpreendente decisão teria sido tomada no começo desta semana de modo praticamente oficial, embora já estivesse valendo informalmente há pelo menos dois meses quando, por conta do recesso escolar causado pela pandemia do coronavírus, ela trocou pacotes de macarrão na cesta básica que viu-se obrigada a dar às famílias com filhos matriculados na rede escolar pública por pedaços de macaxeira e mamões apodrecidos, fato que a mídia estadual repercutiu envergonhando a população condense.

    O gesto da prefeita não se lastreou em nenhum embasamento técnico, até mesmo porque na mesa do pobre, por exemplo, o macarrão ao lado do arroz é acompanhamento do feijão e ingrediente principal da sopinha rala que dá “sustança” à meninada das creches da periferia, daí a surpresa da estranha decisão.

    É certo que na mesa do rico macarrão vira iguaria gourmet. Ele entra na lasanha, pode ser degustado com uma variedade extraordinária de molhos - aos quatro queijos, à bolonhesa, ao sugo, ao alho e óleo, à parmegiana - e em mesas ainda mais finas pode ser encorpado com frutos do mar, yakisoba...  

    E existem macarrões para todos os gostos - com glúten ou sem glúten, com ovos ou sem ovos - e tipos (espaguete, penne, letrinhas, argola, parafuso, talharim...). Até aqui, ao que se sabe, todos altamente nutritivos e DIGESTIVOS.
    O macarrão continua sendo um alimento leve e apreciado, com ou sem molhos, por gente de todas as idades, de Norte a Sul do Universo!

    Na Itália, é importante lembrar, é prato oficial. E não consta que nenhum Papa até hoje o tenha rejeitada em sua mesa.
    DÁ GORGULHO - Hoje, um dos amigos do peito (melhor dizer ‘in-pectore’ para evitar alguma picante dúvida) da prefeita condense, meu dileto Tião, que carrega na certidão de nascimento o mesmo ‘Lucena’ de Márcia, acaba por nos esclarecer no seu festejado blog as razões pelas quais a prezada ultrajou o macarrão da geografia do paradisíaco recanto do belo litoral Sul paraibano.

    Para Tião, a hoje estressadíssima Márcia Lucena “é o diferencial no Conde”, condição esta que leva os “eternos sugadores do município se desesperarem diante dessa verdade”, que à sua ótica terão logo que se acostumar, pois “a mulher trabalha, faz a diferença e o povo sabe disso”.

    Provou Tião, por B mais A, que a decisão da sua idolatrada amiga foi tomada aleatoriamente, sem discussão, sem estudo técnico, sem mais nada. Só para atender ao seu inflado ego, nos últimos dias sendo maltratado impiedosamente por um jovem esguio e sonhador que está de modo profissional alicerçando um caminho honesto para tomar-lhe o trono nas urnas de 15 de novembro.

    Eis o veredicto pontual do bem informado Tião Lucena:

    - “Entre Márcia e um pacote de macarrão, claro que o povo prefere a prefeita. Macarrão, além de engordar, dá gorgulho”.

    E fica explicado: Márcia Lucena está de biquinho, no Conde, não porque sua tornozeleira foi mantida no mocotó e dói-lhe até na alma, mas porque OLAVO LISBOA MACARRÃO, pré-candidato pelo Cidadania do governador João Azevedo, já pontua em todas as pesquisas no Município como segundo na corrida sucessória, alcançando os seus sofridos calcanhares, e isto lhe amedronta, desespera e põe seus nervos à flor da oleosa pele.

    Se eu tivesse intimidades outras com Tião, aconselharia ele botar mais um pequeno parágrafo na sua nota de hoje aconselhando Márcia Lucena a se submeter a um estudo pela NASA. Mas agora mesmo lembrei que é melhor esquecer isso: ela não pode sair de casa depois das oito da noite e nela deve ficar até seis da manhã!
    Ai, ai...

  • O ADVOGADO DA PREFEITA

    29/07/2020

    A rejeitada população do Conde que não consegue vaga nos quadros da prefeitura, sob comando de Márcia Lucena (PSB), preterida que foi desde o início da gestão há três anos e sete meses pelos amigos ‘in pectore’ dela de João Pessoa e alhures, e que se acuava doloridamente imaginando que essa ojeriza se circunscrevia a quem tem certidão de nascimento condense, hoje já pode dar pulos de alegria.

    A ríspida alcaide não gosta mesmo do povo do Conde e isso está mais do que provado, bastando acessar os dados da folha salarial da prefeitura. Mas esse desprezo, esse ‘não gostar’ explícito dela, avança fronteiras e não é exclusividade dos munícipes que a elegeram. 

    Ledo engano deles!

    Márcia Lucena, à exceção de Ricardo Coutinho, seu guru e criador a quem por óbvias razões idolatra como pai, não gosta mesmo é de ninguém que não seja do rol familiar e do seu pequeno círculo amigo, entendendo-se esse ‘não gostar’ como não prestigiar, não confiar, não dar bola nenhuma...

    E para quem até agora imaginava que o desprezo da prefeita se restringia ao povo do Município que administra, e por isso nele não confia a ponto de enfiar nos quadros da gestão cerca de 80% de gente recrutada n’outros locais, especialmente em João Pessoa onde reside a maioria dos amigos que botou no Conde, que sirva de alento a contratação feita por ela com dinheiro parcialmente arrecado em vaquinha na internet, de escritório de advocacia no Distrito Federal a quem confiou os cuidados de ser defendida dos ilícitos denunciados no âmbito da Operação Calvário.

    A Paraíba de Márcia Lucena não tem advogado qualificado para tal mister!

    Nossos bravos causídicos não valem o que tem na cabeça do camarão, dirá ao seu querido consorte e ator global Nanego Lira a dama número um do Conde, daí a razão de ter ido atrás de um forasteiro que tenha competência para livrar a sua cabeça da lâmina afiada do desembargador campinense Ricardo Vital, o primo sábio do senador Veneziano. 

    Pois pois, dirá o português lá do Beco da Bohemia de Jacumã!

    Dona Márcia constituiu e deu poderes ao Dr. Jorge Luiz Xavier, delegado aposentado da Polícia Civil de Brasília, para lhe retirar da cruz da Calvário, custe o que custar.

    Como advogado, o ex-delegado é noviço militante e sua experiência, por isso mesmo, aparenta ser reduzida. Ele se aposentou há pouco menos de dois anos quando exercia acumuldamente função comissionada na PC do Distrito Federal e ainda aguardou um bom tempo para obter a carteira de advogado (OAB), sem a qual nenhum causídico no Brasil pode exercer o labor.

    E em sendo assim, penso eu que um paraibano com mais tempo de serviço daria melhor andamento às causas da prefeita. Sobretudo porque os autos ainda se situam na primeira isntância, aqui mesmo em palácio judicial paraibano, onde seria mais prático e talvez mais econômico para a defesa, embora essa coisa de economia, em se tratando de Márcia Lucena, seja apenas detalhe de “nós dois” – ela e Nanego! 

    Jorge Xavier foi diretor-geral da PC do DF entre fevereiro de 2012 e dezembro de 2014, durante a gestão de Agnelo Queiroz (PT). O nome dele estava na lista tríplice apresentada pelos servidores da corporação ao então governador. Já foi coordenador de Repressão às Drogas, delegado da Delegacia Especial do Meio Ambiente e das regionais de São Sebastião, Lago Sul, Paranoá e Sobradinho. É especialista em segurança pública pela academia da Polícia Civil do DF e pós-graduado em gestão pública pela Universidade de Brasília (UnB).

    Um bom currículo, sem dúvidas, na área policial!

    Vem daí, talvez, a opção de Márcia por contratá-lo. Gostando tanto de afrontar poderes, como fez recentemente com o MPPB ajuizando ação contra ilustre promotora que lhe desmoralizou na questão dos remédios vencidos que vereadores flagraram em depósito municipal, na verdade ela não quer ADVOGADO, mas DELEGADO mesmo. Que grite, esmurre mesas, faça pressão e ameace quem ousar continuar lhe investigando.

    Poderia ter-se valido do seu ex-colega ‘Lampião’ Walber Virgulino. Faria melhor, acredito eu.

    Pois bem, o doutor Xavier ao tempo em que dirigiu a PC do DF não teve gestão 100% e contas suas chegaram a ser aprovadas, mas com bastante ressalvas, o que para esse seu trabalho de agora na Paraíba não tem nada a ver, a não ser o fato da coincidência de afinidade com o chmado “modus operandi” da prefeita no âmbito da coisa pública.     

    Outra coisa, na vida laboral do Delegado (melhor dizendo, advogado!) Xavier:

    Ao tempo em que era Chefe supremo da Polícia Civil da Capital da República, deputadas e senadoras da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava a violência contra a mulher foram surpreendidas com a informação de que alguns promotores de Justiça do Distrito Federal estariam descumprindo uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impedia a suspensão de processos na Justiça relacionados à violência doméstica.

    Em março de 2011, o STF decidiu que mesmo que o agressor se comprometesse a cumprir certas condições, como prestar serviços comunitários, ter acompanhamento psicossocial, ou manter distância da vítima, o Ministério Público (MP) não poderia pedir a suspensão condicional do processo.

    Entretanto, durante audiência da CPMI, os promotores de Justiça Thiago Pierobom e Fabiana Oliveira informaram a existencia de entendimento por parte de alguns integrantes do MP de que a proibição do STF só se aplicava em situações que abrandavam a punição ao agressor, como a doação de cestas básicas em vez de prisão.

    A relatora da CPMI, senadora Ana Rita (PT-ES), chegou a convocar o presidente do Conselho Nacional do Ministério Público para discutir essa interpretação. A deputada Marina Santanna (PT-GO) afirmou que se o juiz suspende o processo de violência doméstica cria uma sensação de impunidade.

    “Nós entendemos que isso deixa ainda mais vulnerável a vítima e o próprio respeito pelo processo. Posteriormente, pode a vítima novamente sofrer a mesma agressão e fica a sensação de que não há punição”, ponderou a deputada.

    Também na audiência, o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, revelou que todas as delegacias teriam pessoas preparadas para atender à mulher vítima de violência, embora o serviço de excelência existisse apenas na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

    Sem questionar a excelência da Deam, o promotor Thiago Pierobom contestou a informação de que o atendimento estivesse sendo feito com qualidade em todas as delegacias. De acordo com ele, o MP recebia muitas reclamações de mulheres que tentaram registrar uma ocorrência.

    “Elas voltam com a informação de que foram revitimizadas, que o agente não quis fazer o registro, que ouviram uma piadinha. A própria Polícia Civil do DF reconheceu aqui na CPMI que não tem um programa de capacitação dos seus policiais. Isso é muito sério”, afirmou ele à época numa censura ao trabalho do agora advogado de Márcia Lucena.

    Acuado, Jorge Luiz Xavier garantiu que a Academia de Polícia Civil iria começar a oferecer, a partir de 2013, cursos de capacitação com abordagem na violência doméstica e que já estaria discutindo o conteúdo da disciplina com a secretária da Mulher do Distrito Federal, Olgamir Ferreira.

    O homem é bom, dirão Márcia Lucena e Nanego Lira repetindo a canção de Luiz Gonzaga - o do baião!

  • TEMI, salvador ou aterrador?

    09/07/2020

    A chegada de Temistocles (TEMI) Cabral ao “lar-doce-lar” da família Rego, anunciando apoio à ex-Primeira Dama Ana Cláudia na sua provável candidatura a prefeita de Campina Grande, chega numa hora maravilhosa para ela, que continua capengando em todas as pesquisas informais de opinião feitas na cidade até agora.

    O ex-arauto de Cássio Cunha Lima, a quem servia com fidelidade prá lá de canina desde o dia em que aterrisou em Brasília para de mim receber as chaves do gabinete no Anexo IV da Câmara Federal que era ocupado por Raymundo Asfóra, na verdade se transforma no primeiro nome de peso da desaprumada caminhada da mulher do PODEMOS.

    Peso morto, é bom realçar!

    Temi foi botado prá fora da Prefeitura Municipal de Campina Grande exatamente porque Romero Rodrigues, o prefeito bonachão, enxergou nele limites insuportáveis de incompetência. E como seu saco já se encontrava superlotado daqueles puxadores advindos da cota do primo Cássio, enxotá-lo mesmo contrariando o à época vice-prefeito Ronaldinho Cunha Lima não foi lá nenhuma coisa de outro mundo.

    Por muito pouco a festa d’O Maior São João do Mundo no ano inicial da gestão de Romero não foi literalmente para o brejo, sob comando de Temi e do vice Ronaldinho, este duplamente ainda mais incompetente que o subordinado.

    Dizer que aquilo lá foi um “desastre” soaria até como elogio, em face do gigantesco caos instaurado sob os acordes do triângulo, do pandeiro e da sanfona...

    E vem daí o ódio de Temi a Romero Rodrigues, embora o desamparado serviçal tenha segurado sua raiva e seu sufoco até aqui, quando chama o alcaide campinense de IMBECIL e anuncia encontro com o marido-senador de Ana Cláudia se supervalorizando certamente para dele receber alguma sinecura no Senado.

    Na ânsia de prestar serviço inicial aos seus novos patrões, Temi acaba machucando Cássio e diz sem meias palavras que o ex-guru “abandonou Campina e deixou na mão desse imbecil Romero, que é um fraco”.

    Travestido de ‘Mãe Dinah’, vai mais longe: “Eu vou votar em ANA CLÁUDIA e podem anotar: será a prefeita de Campina".

    Confirmando subserviência ao grupo que supostamente se desliga e por isso mesmo deixando no ar a dúvida sobre suas reais intenções, Temi se trai: “Eu disse a Cássio a minha estima é você. Eu só estou fazendo isso porque você não é candidato”.

    Apesar de ser um peso morto e não ter votos em Campina Grande, onde por duas vezes tentou se eleger Vereador com ostensivo apoio de Cássio Cunha Lima e acabou morrendo na areia da praia, a chegada de Temi Cabral ao pelotão de Ana Cláudia levou os áulicos de Veneziano e da madame ao pleno orgasmo...

    Foi como se o diploma de prefeita acabasse de cair nas mãos dela, tanta é a euforia no curral dos Rego em Campina Grande, comemorado o gesto do enxotado da PMCG como uma explosão de ânimo na desanimada troupe.

    Felizmente para Ana Cláudia e seguidores, quem em terra de cego tem um olho posa de rei (de Rainha, nesse caso) e estamos conversados. Ou, em mais pragmático enquadramento: melhor ter um Temi na mão que todo um PT de Campina Grande voando...

    E assim caminha a caminhada (com trocadilho mesmo) da bela e ilustre mulher do outrora cabeludo da Borborema.

  • MORBIDEZ JUNINA

    23/06/2020

    Irrepreensível no combate à expansão do novo coronavírus em Campina Grande, o prefeito Romero Rodrigues esqueceu - e não teve assessoria corajosa para lembrá-lo - de que esta ainda é a terra d’O Maior São João do Mundo.

    Custava executar uma simples decoração que fosse, nas ruas centrais da cidade?

    A pandemia está aí matando gente, sim senhor!

    Mas à parte recursos existem em abundância, para custeio das ações e medidas necessárias, vindos inclusive do Governo Federal.

    Entretanto Campina aí está, lambida e sem cor, jogada a um canto sujo de parede, abandonada à um insano destino por conta de um desastre descomunal que nunca vai existir.

    Essa palidez mórbida em nada combina com o imorredouro espírito festeiro e festivo da sua gente indomável e aguerrida, pós-graduada no superar dos desafios, mais ainda nesse tempo onde há fartura na roça, muita água nos barreiros, apego à religiosidade e crescimento acelerado da fé no Criador.

    Suspender - ou acabar - o Maior São João do Mundo no Parque do Povo e no arraial de Galante é uma coisa, obviamente bastante compreensívl; outra é não deixar a chama apagar!

    A imagem pode conter: atividades ao ar livre
    Hoje é véspera do dia de São João, proibidas as fogueiras e os fogos que iluminafriam os nossos céus.

    Mas, repito, custava ter espichado uns metrinhos de saudosas e coloridas bandeirinhas para ziguezaguear sob o vento frio da Venâncio Neiva, da Maciel Pinheiro, da Cardoso Vieira... Pelas praças da Bandeira, Clementino Procópio, do Trabalho... Enfeitar Galante e São José da Mata para o matuto também ter direito de olhar p’ro céu?

    E que dizer daqueles tapumes em redor do Parque do Povo? Pagar uns sprays de tinta para os mágicos grafiteiros desenharem espigas de milho, fogueiras e balões não teria sido uma boa idéia?

    Faltou criatividade a Dona Rosália Lucas, pelo Poder Público? Ao barulhento Arthur Bolinha, pelo empresariado?

    Sei não, mas campinense de verdade não pode ter olho vesgo!

    O vírus malvado pode até vir a sepultar definitivamente a nossa gigante festa do meio do ano, mas que não se inocule, como estamos presenciando, na cabeça de quem deveria trabalhar usando também o bom sensoi e o coração.

    Tenho dito! 

  • Obrigado, Amazan!

    22/06/2020

    A cidade d’O Maior São João do Mundo, e por extensão todas as demais do Estado da Paraíba, foram neste sábado envergonhadas em horário nobre da principal rede de TV do País – a Globo.

    Não fosse um ‘cabra da peste’ chamado Amazan, que tira da sua sanfona acordes do que tem de melhor na música regional e consegue fazer jorrar da alma e do coração versos capazes de imediatamente arrastar qualquer um para forrozear no terreiro, nenhum conterrâneo teria mais, doravante, a disposição de botar a cara na rua...

    Menos mal, haverão de dizer os meus contumazes críticos escudando-se na certeza de que o meu ex-vizinho hoje prefeito em Jardim do Seridó (RN) tem de que é um dos ícones do forró brasileiro.

    Menos mal, digo eu, porque felizmente a transmissão se circunscreveu apenas aos Estados da região, minimizando a desconcertada e proposital cara de pau de Eduardo Carlos e demais diretores das duas afiliadas da Globo na Paraíba, que continuam mostrando despreparo, má vontade e falta de empenho para promover e até mesmo brigar pelos valores artístico-culturais de Campina Grande, João Pessoa, Monteiro, Itabaiana e outros celeiros estaduais repletos de maravilhosos artistas.

    A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas tocando instrumentos musicais e pessoas no palco

    A inoportuna LIVE teve tudo de ruim, menos os cenários das demais capitais onde atrações locais foram pautadas para “encher a linguiça” do horário.

    Até um apresentador (sic?!) chinfrim acho que natural de Caruaru e merecedor de tomar urgentes aulas de Abílio José ou de Cleber Morais, pisou feio na maionese...

    Nem mamulengo parecia! 

    E foi exatamente o que faltou para dar ainda mais brilho às entradas do sanfoneiro campinense na horrorosa produção da Globo Nordeste. Uma bandeirola que fosse, um quadro retratando o São João do carneirinho, uma fogueira estilizada ao fundo do ambiente...

    Mas nada...

    Ou, tudo a denunciar que as TV’s dos filhos de Seu Zé do café e da canjiquinha estão à beira da falência, algo a se lamentar.

    Bandeirinhas de São João, abanos, balões de papel manteiga, panelas de barro, quenga de coco, cabaço, cangalhas de burros, bonecas de pano... Juntando um mói dessas coisinhas tão apropriadas para a época a conta não passaria de míseros reais, coisa que parece estar mesmo faltando na boca do caixa da TV  Paraíba e da CBN locais ou, se não, a mufunfa aqui arrrecadada viaja direto para ser bem fechada nos cofres de João Pessoa.

    Ocorre que, na realidade, o proposital descalabro não se dá por acaso e nem pela primeira vez em se tratando de Cacá ou de Eduardo Carlos, os pimpolhos que tomam conta dos negócios no império do velho José Carlos da Silva Júnior e que, ao largarem a borda do Açude Velho onde o pai amealhou a fortuna que a todos sustenta, se deslumbraram com a orla de Tambaú e de Campina só querem ver o dinheiro que ainda cai nos cofres das empresas.

    Daqui eles, contrariando o pai quando ainda dava pitacos nos negócios, levaram a sede do Jornal da Paraíba para João Pessoa, aonde logo depois fecharam-lhes as portas.

    A TV Paraíba, que era orgulho em pessoal e em técnica, foi sucateada e o quadro de colaboradores se resume a pouco mais de meia dúzia de dedicados jovens, obrigando o espectador de Campina Grande e Região a assistir à produção amadorística de despreparados repórteres mostrando a criminalidade das Cinco Bocas de Mandacaru, os buracos do Mussum Mago, a seboseira dos mercados públicos, a prostituição na orla do Cabo Branco e outras pautas que não dizem o menor respeito e sequer despertam o interesse da parte paraibana que mora após a ponte do rio Sanhauá.

    O exemplo do “pouco caso” com Amazan é apenas um.

    Mas que pelo menos sirva para acordar as agências de publicidade e o empresariado local para darem prioridade às outras empresas de comunicação que conseguem valorizar o povo de Campina Grande.

    Como dá para ver, os Carlos já estão satisfeitos com o que conseguem amealhar em João Pessoa.

  • A "patada" do vigário

    18/06/2020

    Denunciado por Gabriela Matos Do Ó nas redes sociais, por ter se descontrolado durante celebração na Igreja Matriz de Campina Grande, onde é vigário geral, jogando ao chão com violência um pedestal, supostamente por haver se aborrecido com o sacristão da igreja a quem teria inclusive negado a eucaristia, o padre Luciano Guedes confessou o erro sob a simplória justificativa de que “felizmente sou também humano”.

    A celebração não era presencial, mas virtual, e estava sendo transmitida pela internet.

    O erro do vigário chega a ser compreensível, mas não perdoável.

    Comumente, aos olhos dos fiéis, padre é homem santo. Imune ao erro, por exemplo, o que não corresponde à realidade dos bastidores do clero, onde são muitas as histórias de religiosos brutos, ignorantes e mal educados.

    Durante as missas e demais celebrações padres se esforçam em passar a imagem de bons, mas neste momento de pandemia onde as igrejas seguem fechadas e os cultos só se permitem de modo virtual, a falta de público - o olho no olho - tem traído muita gente: de padre a sacristão, de coroinha a ministro...

    E foi isso o que aconteceu com o vigário do principal templo católico de Campina Grande, deslize que passa a servir de exemplo não somente para ele, mas para todos os demais sacerdotes brasileiros que ainda não estão devidamente treinados a aparecer em frente às câmeras dos celulares ou da televisão.

    Não seria nada mal recomendar que bispos e arcebispos autorizem seus subordinados a se submeterem a um ligeiro estágio nos estúdios das TV’s da Igreja - Canção Nova, Rede Aparecida, etc. – para não darem vexames assim como esse do padre Luciano.

    Por trás de uma igreja vazia câmeras levam imagem e voz do padre a um mundão de gente, isso o celebrante precisa obrigatoriamente saber!

    A CONFISSÃO DO PADRE

    Foi assim a confissão do padre Luciano, também pelas redes sociais:

    “Irmãos e irmãs, sobre o vídeo da Missa, sexta-feira, 12 de junho, ‘recortado e repassado’ às pessoas através deste aplicativo de mensagens: Quero dizer a vocês que faltei com a paciência, não foi um bom exemplo. Peço, a quem necessitar, as minhas desculpas de coração; felizmente sou também humano. Peço as orações de vocês e lhes ofereço as minhas. Obrigado. Padre Luciano Guedes (13.06.2020).”

  • BRAGA, O HOMEM BOM

    19/05/2020

    Enquanto jornalista, sempre tive ótimos contatos com governadores paraibanos, e me fiz respeitar ao respeitá-los.

    Saudoso hoje com a morte de Wilson Braga, aproveito para discorrer sobre esses momentos da minha vida e dividi-los com minha meia dúzia de fiéis leitores.

    Vamos lá, um a um:

    AGRIPINO, O SISUDO

    Com o eterno sisudo João Agripino, tive uma relação mais protocolar.

    E somente anos depois em Brasília, ele deputado federal e eu chefiando o gabinete de Raymundo Asfóra, estreitamos um pouco o canal, mas ainda assim cercado de cerimonias, o que não impediu que alargássemos uma amizade familiar a partir da minha volta para a Paraíba quando tive no TRT a alegria de dividir sala de trabalho com sua nora Berenice, esposa de Gervásio Maia.

    João era a voz respeitável da Paraíba no Congresso Nacional. Quando ele subia à tribuna, o plenário calava para ouvir seu discurso sem pressas e cheio de conhecimento.



     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    ERNANY, O POPEIRO

    Ernany Sátyro foi um caso à parte.

    No Palácio ou na Granja Santana, e mesmo em Campina Grande e Brasília quando ele esteve exercendo o mandato federal, os entreveros foram as partes mais marcantes do nosso relacionamento.

    Tomamos juntos muitas doses de uísque, algumas delas em festas de final de ano que o Governo fazia no Hotel Tambaú para confraternizar-se com os jornalistas.

    Ernany era um figuraço e dono de uma autoridade excepcional. Seu vozeirão metia medo nos incautos, um deles o meu saudoso amigo Eudes Vilar, fotógrafo à época do Jornal da Paraíba que conosco viajou para uma dessas confrarias e buscava fazer os melhores registros do governador.

    Bom de copo, Ernany ao meu lado acercou-se do garçom e pediu uma dose dupla de malte, no que foi prontamente atendido ante o olhar “cinematográfico” do vigilante Eudes Vilar, que o espreitava feito cobra apta ao bote.

    Sedento, Ernany deu as costas para Eudes Vilar, que imediatamente arrodeou para mirar novo ângulo. O “amigo velho” deu outro giro; Eudes, idem.

    E aí  ele estourou!

    - “Amigo velho, você vai deixar eu beber ou não vai?”, gritou inflando os pulmões e chamando a atenção de todos.

    Com a rapidez de um foguete jogou o copo em minhas mãos e fez pose para Eudes: “Vá, tire logo as fotos todinhas e me dê essa máquina que eu vou mandar guardar”, esbravejou para depois sorver a dupla dose em um só gole.

    Lá em Brasília nos encontrávamos no cafezinho à porta do plenário da Câmara Federal e também eventualmente no seu gabinete, que ficava no mesmo Anexo IV dois andares abaixo do nono em que Asfóra tinha o dele e onde eu trabalhava.

    Quando Argemiro de Figueiredo morreu, foram escalados para discursar em sessão especial Asfóra e Ernany. Aliás, dois discursos realmente memoráveis... O de Asfóra, ele mesmo deu um nobre título: “Um grande Sol do meio dia”.

    Após a sessão, os dois decidiram publicar os discursos em uma só publicação e me encarregaram de tomar as providencias.

    - “E eu tenho pressa nisso, amigo velho!”, recomendou-me Ernany dizendo que ainda naquela tarde queria o discurso para revisá-lo, o que era impossível porque a taquigrafia tem um prazo de 24 horas para preparar o material e mandar ao DCN (Diário do Congresso Nacional), que publica os discursos com a observação SEM REVISÃO DO ORADOR.

    E levei aí minha primeira ‘popa’ do notável escritor. Que eu me virasse, pois aquilo era uma ordem.

    Não sei como, mas consegui sensibilizar uma amiga taquígrafa e ela já perto das oito da noite liberou as notas taquigráficas dos dois discursos e eu corrí ao apartamento de Ernany para entregar-lhe o arrazoado.

    Mas também não deixei por menos: “Deputado, eu tenho pressa e o senhor deixe o material amanhã de 10 horas com sua secretaria que eu passo lá pra pegar!”, e fui-me embora.

    Soube depois que ele queixou-se a Asfóra. Que já conhecia esse ‘jornalista atrevido” desde quando governava o Estado.

    Uma semana depois o livro revisado estava pronto para ser impresso, mas é praxe da Gráfica do Senado só mandar o material para a rotativa após a assinatura dos autores nos originais, para evitar eventuais reclamações.

    Mandei a parte de Ernany, entreguei a de Asfóra e lá avisei à secretária que pedisse pressa ao deputado, se possível me devolvendo o material ainda na parte da tarde. Não se passaram 10 minutos e o telefone tocou. Era a meiga secretária de Ernany avisando que ele queria falar comigo “agora” e pessoalmente.

    Desci pelas escadas de serviço e antes do andar do gabinete de Ernany já passei a ouvir seus gritos...

    A recepção foi péssima!

    - “Amigo velho, você é analfabeto?”, veio com o dedo em riste à minha presença ainda na ante sala, ao que com óbvio receio respondi: “...mas tenho me esforçado para um dia ser um escritor tão bom quanto o senhor”.

    Sem querer, amorteci o golpe e Ernany baixou o tom me puxando para dentro do gabinete onde deu-me uma desnecessária aula.

    A raiva dele até que procedia...

    Ele me esfregou na cara os originais do texto já revisado pela Gráfica do Senado e me mostrou a palavra INTESTINA riscada, onde algum revisor colocou ao lado uma interrogação.

    E passou vinte minutos me explicando que INTESTINA não se referia a bucho - de boi ou de gente – mas a coisa de dentro, interna...

    O “mundo intestino”, a “vida intestina”, que era o que ele cuidava no seu discurso quando exaltava qualidades desconhecidas do homenageado. E várias vezes me mandou aprender ler, a escrever, a não censurar nem ignorar o que um escritor da sua relevância escrevia. Que não dava cabimento para aquilo!

    Inútil a minha ponderação, ao avisá-lo que a revisão fora feita pela própria Gráfica do Senado e eu estava apenas sendo intermediador das providências, facilitando a sua vida.

    E saí do seu gabinete com a pecha de analfabeto e incompetente!

    Raiva não tive, e ao contar a história a Asfóra rimos até a barriga doer...

    BURITY, O INTRANSPONÍVEL

    Com Tarcísio Burity a convivência se deu em dois momentos distintos: na condição de admirador e na de auxiliar.

    Lá em Brasília, em que pese a intragável presença de Dona Glauce a interferir desnecessariamente na vida parlamentar do marido, blindando-o até das amizades, ainda deu tempo de participar e vê-lo desfilar sua inteligência com qualidade pela tribuna.

    Veio a eleição e Asfóra completou a chapa do MDB com ele para governador, na condição de vice. Foram eleitos, mas o tribuno decidiu matar-se e eu fiquei sem emprego faltando 15 dias para ocupar a chefia da Casa Civil do Vice Governador da Paraíba.

    Burity facialmente era um homem intransponível. Não não permitia nenhum movimento no rosto que pudesse dar ao interlocutor a chance de identificar se estava de bem ou de mal com a vida, alegre ou triste.

    Mas ele ligou para mim e lamentou que àquela altura já tivesse preenchido todos os cargos da futura administração, por isso não tinha muito a me oferecer em termos de remuneração. Ponderou, entretanto, que a vaga de vice seria preenchida mais à frente e ele iria me manter já naquele momento chefe da Casa Civil do Vice Governador, cargo que tem (ou tinha, na época) status de Secretaria de Estado.

    Fui nomeado, com a observação de que enquanto não se resolvesse a eleição do novo vice, eu seria uma espécie de elo da corrente entre ele e Campina Grande, cidade que desejava prestigiar a partir do meu trabalho.

    Dia seguinte, todos os jornais da Paraíba reprovaram o ato, pois Burity tinha nomeado um secretário para um vice defunto. E o governador, sempre temeroso e respeitoso com a mídia, recuou, embora tenha me mantido no cargo, onde fiquei por mais de seis meses até que ele empreendeu uma reforma administrava e cortou diversos cargos, um deles o que havia me dado.

    Não lastimei e até fiquei feliz porque me facilitou retornar para Campina Grande e replanejar a vida. Mas três dias depois Orlando Almeida, que era secretário de importante Pasta bem prestigiada pelo Governo veio me trazer um recado de Burity: minha nomeação para Chefe da III Região da sua secretaria, localizada em Campina Grande e com atribuições sobre as chefias locais da CAGEPA, CEHAP e outros órgãos da estrutura governamental.

    Polidamente recusei o cargo e somente voltamos a nos encontrar anos depois no comitê de campanha de Maranhão, quando ele disputou o cargo de Senador e veio a ser derrotado, ainda convalescendo das sequelas do tiro que lhe desferiu Ronaldo Cunha Lima.

    RONALDO, O POETA

    A convivência com Ronaldo Cunha Lima foi divina. O poeta sempre foi especial. E nos irmanamos desde a eleição dele para a prefeitura de Campina Grande.

    Vivendo a boemia carioca, advogado conceituado e já com a vida familiar devidamente planejada nos limites da Guanabara, não passava mais pela cabeça do poeta voltar para Campina Grande e muito menos disputar outra vez a mesma prefeitura que os generais lhe tomaram à força na Ditadura militar.

    Quem o convenceu disso foi Raymundo Asfóra, em intermináveis e sucessivos telefonemas que dava para ele da minha sala no prédio da Bolsa de Mercadorias da Paraíba ali ao lado do antigo Fórum Afonso Campos na avenida Floriano Peixoto.

    Era ponto de honra de Asfóra não deixar que seu rival de juvenis pelejas – Antonio Vital do Rego - pudesse vir a se tornar prefeito de Campina Grande, possibilidade muito provável já que era o candidato do prefeito Enivaldo Ribeiro e de toda a máquina da ditadura militar de 64.

    Aos olhos bastante ampliados de Asfóra, só um homem derrubaria o “fuscão preto”: Ronaldo José da Cunha Lima, o filho de Dona Nenzinha!

    E deu no que deu deu.

    Mais tarde, Asfóra já deputado federal e Ronaldo ainda prefeito, consolidamos mais a nossa amizade e o gabinete do tribuno na Capital da República passou a ser o ninho de Ronaldo no Planalto Central.

    Todos os projetos de Campina Grande tramitando nos ministérios receberam a minha acolhida, por ordem de Asfóra. Ou seja: a agenda do prefeito Ronaldo em Brasília era feita por mim, à exceção da agenda boemia que o fazia varar a noite para encontrar o dia... Foi quando, por insistência de Gleryston Lucena, seu notável secretário de planejamento, Ronaldo numa dessas idas a Brasília me entregou um envelope pedindo que só abrisse depois de deixá-lo no aeroporto de regresso a Campina Grande.

    Ao abri-lo mais tarde, a surpresa: uma portaria de nomeação na Prefeitura Municipal de Campina Grande, como Assessor Especial do Gabinete do Prefeito, que só aceitei depois de conversar com Asfóra e dele receber um aval bastante verdadeiro: “Oxente, e quem resolve tudo da prefeitura aqui em Brasília num é tu, Marcos Marinho?”.

    Nos dois anos em que ficou sem mandato, e eu já em Campina, passei a ser o homem que respondia cartas e pedidos da população ao ex-prefeito e candidato a governador. Cássio o havia sucedido e me deu um cargo de salário dobrado exatamente para que eu assessorasse também o genitor, o que fiz com muita alegria até que o elegemos governador da Paraíba.

    MARANHÃO, O AMIGO

    Conheci José Targino Maranhão em Brasília mesmo. Na verdade, nunca havia tido conhecimento sequer da sua existência até que a ele fui apresentado por Asfóra num esplendoroso domingo de sol no Clube do Congresso.

    Salário baixo na Câmara, vida completamente diferente da que hoje presenteiam-se os assessores parlamentares, além de me apresentar Asfóra sugeriu que Maranhão me contratasse para fazer a sua parte de imprensa e esta seria uma forma de ajudar “pagar o aluguel do apartamento dele”.

    Daí por diante a nossa amizade foi prá valer. Além da parte de imprensa, ainda o auxiliei em outras coisas e recebia um cheque mensal que de fato ajudou em muito a honrar minhas despesas na Capital da República.

    Ainda hoje, embora sejam raros os nossos encontros, a amizade se mostra recíproca e eterna!

    MARIZ, A SAUDADE

    Antonio Mariz estava sem mandato, quando nos conhecemos. Foi nomeado diretor de autarquia federal no Governo Sarney (Tancredo Neves) e estreitamos relações através de uma filha dele que trabalhava com Aluízio Campos no Anexol III da Câmara.

    Depois, nas articulações para a campanha a governador, as diversas reuniões serviram para mostrar que de fato ele era um homem extremamente preparado para tão honroso cargo, embora já soubessemos do mal que o acometia e que lhe ceifou a vida meses depois já eleito e empossado governador paraibano.

    BICHARA, O GENTLEMAN

    Ivan Bichara Sobreira era um gentleman. Discreto, elegante, um homem realmente de fino trato. Nada a ver com a classe política que hoje conhecemos.

    O conheci apresentado por Edvaldo do Ó, que estava para fundar em Campina Grande a Bolsa de Mercadorias da Paraíba e me convidou para ser o Secretário Executivo, com atribuições de tomar todas as providencias inerentes à consolidação do importante organismo comercial.

    O governador me recebeu diversas vezes, entusiasta que ficou com o projeto de Edvaldo, a quem garantiu todo apoio do Governo do Estado, honrando-o devidamente.

    O momento mais marcante foi quando eu fui ao Palácio para lhe entregar um documento que o presidente da Bolsa de Mercadorias de São Paulo, José Ulpiano de Almeida Prado, confiou-me, quando em um dos nossos encontros na formação da Bolsa paraibana.

    -“Dr. Bichara, este documento o Dr. Ulpiano pediu para entregar-lhe “em mãos”, e aqui estou para cumprir a missão”, disse-lhe mais ou menos assim. Ele pegou o grande envelope, olhou frente e verso e logo o abriu, puxando de dentro uma folha timbrada com o selo da Bolsa de São Paulo e a assinatura de Ulpiano. Leu e abriu um leve sorriso, demonstrando alegria e contentamento. Chamou a secretária, pediu que tirasse uma cópia, botou num envelope pequeno e me pediu que entregasse a Edvaldo, mas me deu conhecimento do teor.

    Como ele, também de origem árabe, José Ulpiano de Almeida Prado estava recomendando e pedindo que o Governo da Paraíba desse apoio integral ao projeto de Edvaldo. E discretamente avisou-me: “Esse pedido dele eu já atendi, mas agora vou reforçar, diga isso a  Edvaldo e saiba que podem dispor do nosso apoio”.

    Viemos a nos encontrar na inauguração da Bolsa, e depois não mais o vi.

    CÁSSIO, O IMATURO

    Cássio Cunha Lima eu conheci menino, na volta do pai do Rio de Janeiro. Incontáveis vezes o peguei no aeroporto de Brasília, mas nunca desconfiei que aquele rapaz ainda imberbe viesse sair candidato a deputado federal, substituindo Raymundo Asfóra no Parlamento brasileiro.

    - “Vou votar nele porque você está me pedindo, mas acho que ele não está preparado para o cargo”, disse a Asfóra certa noite quando a candidatura de Cássio já ultrapassava as fronteiras de Campina Grande e se desenhava imbatível.

    Na reta final da campanha vim para Campina Grande, ajudar e votar. E me surpreendi com o discurso redondinho que Cássio fez em comício gigante no Parque do Povo, alterando a opinião errada que eu tinha sobre ele.

    Cássio pediu-me para ficar em Brasília e tomar conta do seu gabinete, que seria o mesmo de número 935 do nono andar do Anexo IV.

    Não fiquei, porque meu compromisso com Asfóra era de irmão e eu teria que estar com ele na Vice governadoria da Paraíba, mas garanti a Cássio que passaria aos seus assessores todas as informações e dicas que se fizessem necessárias para ele começar o seu trabalho no Planalto.

    E assim  o fiz. Cássio trouxe o mano Savigny, o primo Flávio e o amigo Temi Cabral para ajudá-lo no mandato e aos três eu abri o colosso do Congresso Nacional. Com o próprio Cássio percorri os gabinetes mais importantes da Casa, o apresentando a diretores e funcionários graduados que tanto ajudaram a Asfóra exercer seu brilhante mandato.

    Ajudei Cássio em muitas empreitadas: discursos, projetos etc. O que ele proferiu em sessão solene da Câmara para homenagear Asfóra - “Poetas não morrem” - foi feito a quatro mãos: as minhas e a do seu pai Ronaldo.

    Prefeito, me nomeou assessor especial, cargo que para seu espanto lhe devolvi meses depois quando fundei o jornal A PALAVRA em sociedade com seu compadre Mica Guimarães.

    Um dia, Teles Albuquerque, meu vizinho no Itararé que na época era vereador em cidade do brejo e amigo de Cássio, me confidenciou que o prefeito fizera rasgados elogios a mim porque o usual era ele receber pedidos de emprego e nunca devolução de emprego.

    Depois nos afastamos, ruptura que permanece ainda hoje.

    RICARDO, O ESTADISTA

    Ele era deputado estadual e veio a Campina Grande conceder uma entrevista ao “Verso & Reverso”, programa que eu apresentava na Campina FM ao meio dia junto com Josué Cardoso.

    O tema era a alta dos combustíveis, formação de cartel pelo setor e uma futura CPI na Assembleia que ele estava para propor.

    Ricardo mostrava todo o seu poder de convencimento, quando entrou no estudio Antonio Hamilton Fechine, dono de rede de postos na cidade, desejoso de confrontá-lo e eu peremiti o debate.

    Foi com certeza um dos grandes momentos da nossa radiofonia e Ricardo saiu vitorioso da peleja.

    Daí surgiu a nossa amizade, que se mantém dentro de elevados padrões de mútuo respeito.

    Quando governador, me recebeu com honras no Palácio da Redenção. Eu já não era mais vereador e sim um simples jornalista, mas despertei ciúmes nos ilustres vereadores campinenses que, há meses, tentavam audiência e não conseguiam o encontro.

    Depois participei do programa semanal ‘Fala do Governador’, também no Palácio, onde almoçamos juntos e derivamos para conversas menos formais, atualizando os assuntos.

    No penúltimo ano da sua segunda gestão Ricardo me convidou para assumir uma asessoria política em Campina Grande e a Chefia da Secretaria de Comunicação Institucional na cidade, isto em plena crise de abastecimento d’água quando a oposição triturava o Governo e ninguém o defendia, sequer a sua base política.

    Fiz meu trabalho, modéstia à parte, com invulgar competência, mesmo sem receber o obrigatório apoio logístico do meu amigo secretário Luiz Torres, que também parecia desprezar Campina Grabnde. Passada a crise aguda, calada a oposição, entreguei-lhe o cargo.

     E posso afirmar, sem nenhum medo de cometer excesso, que Ricardo Coutinho foi um estadista ao governar a Paraíba.


    BRAGA, O HOMEM BOM

    O governador Wilson Braga era uma unanimidade na Paraíba. Queridíssimo por todas as classes, seu governo tinha a melhor avaliação possível.

    Mas, partidariamente adversário de Asfóra, por razões mais que óbvias eu o antipatizava.

    Aliás, o termo “braguista”, que identificava o seu eleitorado, era palavrão na época.

    Belo dia, ou melhor, em uma bela noite Asfóra pediu que eu ligasse para o gabinete do governador da Paraíba, que ele queria falar com Wilson.

    Fiquei surpreso, mas disquei. Rapidamente a secretária da Granja Santana botou ele na linha e Wilson Braga foi logo se alargando em loas a Asfóra, até que o interrompi avisando que ainda não era Asfóra ao telefone, mas eu, seu Chefe de Gabinete. “Mas se trabalha com Raymundo é inteligente igual a ele, né não?”, acariciou meu ego.

    Quase todas as noites, mesmo Asfóra sendo do MDB e Braga da Arena, os dois passavam  horas ao telefone em conversas divertidas que arrancavam largas gargalhadas de Asfóra.

    Daí por diante, quando ele ligava sem o auxílio da secretaria já me identificava: “Seu Marinho, como vai?"

    O famoso ‘quebra gelo’ entre eu e Braga contou com a ajuda de Asfóra e a inestimável força de dois amigos do governadsor: Padre Albeni Galdino e Olga Barros, cujo marido era secretário de representação do Governo em Brasília. Os dois me referenciaram perante Braga e Braga passou a ser também meu amigo.

    Mas a certeza de que Wilson Braga era um HOMEM BOM veio da lavra de Asfóra quando o interroguei sobre tanta intimidade assim com um adversário político que, apesar de bem avaliado, era visto como RUIM por muitos paraibanos.

    A síntese de Asfóra foi como um carimbo, me calando para sempre:

    - “E onde tu já visse uma pessoa que tem LEITE no nome ser ruim, Marcos Marinho?”.

    Pois é, Wilson LEITE Braga agora é saudade. E eu me convenci de verdade que aqui na terra foi um homem muito bom.

    Deus o tenha ao seu lado!

     
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  • ROBERTO - Geni ou Madalena?

    15/05/2020

    Há quem diga - e muita gente diz isso, sim! - que Roberto Cavalcanti é um lobo voraz, mas permanentemente vestido em pele de inocente cordeirinho...

    Suas garras poucos veem, e isso por uma inteligente e sagaz iniciativa dele – a de terceirizar o uso delas. 

    No Sistema Correio de Comunicação, por exemplo, as garras de Roberto atendem pelo nome de Alexandre Joubert, um patético galegão metido a playboy que administra o grupo gritando humildes empregados, dando murros em mesas e construindo com políticos corruptos tratativas nada republicanas que possam a qualquer custo manter o imperio de pé.

    Nas demais empresas, desde aquela Polyutil por ele falida depois de receber os generosos e milionários recursos do FINOR, passando pela revenda da Honda e outras periféricas, dizem que a maneira de trabalhar do marido da arquiteta é o mesmo.

    Aos olhos de muita gente - e bote muito nisso - Roberto Cavalcanti é um doce de pessoa!

    Vem daí a surpresa para quase todos que o conhecem, convivem ou apenas dele ouvem falar, daquela criminosa ação de ontem pelos microfones da sua policialesca 98.3 de João Pessoa ao sugerir apedrejarem jornalistas que divulguem mortes por COVID19 como quem comemora um gol do escrete nacional.

    Para ficarmos com o linguajar do mais recente ídolo de Roberto Cavalcanti, perante os microfones da rádio Correio o dono do maior Sistema de Comunicação do Estado da Paraíba deu apenas “uma fraquejadazinha” quando sem querer expôs as velhas e mofadas garras que Joubert esconde e afia a cada dia com carinho subservientemente canino.

    Foi somente isso!

    Ainda antes de terminar a participação Roberto acordou e viu que ele era ele e não Joubert, dando tempo para desculpar-se pelo crime, embora o estrago já não pudesse mais ser reparado.

    O que sobra de bom nesse infausto acontecimento é que a partir de agora sabemos, todos os paraibanos e brasileiros, que Roberto Cavalcanti é de carne e osso. Nunca aquele santinho do “pau oco” que mandou o marketing polir e vender.

    Eu, pelo menos, nunca fui destratado por Roberto.

    Às suas empresas dei meu suor por mais de uma década e dele sempre recebi gentilezas, uma delas ainda marcante nos meus assentamentos do coração.

    A convite de Gutenberg Cardoso e Josival Pereira, eu exercendo o mandato de Vereador em Campina Grande, fui a João Pessoa para uma entrevista ao Correio Debate e nos surpreendemos quando a porta do estudio abriu e Roberto entrou para me abraçar. Sentou ao meu lado, sinalizou que desejava falar e lhe abriram o microfone.

    Mas, não recebi pedradas!

    Com a natural elegância que imprime ao seu dia-a-dia, um polido Roberto Cavalcanti me cobriu de generosos adjetivos e disse que havia interrompido seu caminho quando soube que eu estava na rádio e alí viera apenas para dar testemunho sobre a minha maturidade profissional e política, elementos fizeram dele meu admirador.

    Vejo a triste repercussão da notícia em blogs e portais, da Paraíba e do Sul do País; em notas de associações, excluída obviamente a que jamais poderia faltar, da Associação Paraibana de Imprensa; na boca miúda dos acovardados, muitos ainda empregados do que resta no Sistema Correio.

    Feitiço virando contra o feiticeiro, pedras desabam sobre ele, doravante uma ‘Geni’ quando o recomendável seria dá-lo como Madalena.

    Que lhe reste prudência doravante, pois não serei eu a atirar-lhe mais uma ‘primeira pedra’.

    NOTA DA AMIDI (I)

    Da Associação da Mídia Digital (AMIDI) repudiando as declarações do empresário: “De um líder de um grupo de comunicação e testemunha ocular das agruras, pressões, incompreensões e dores diárias vividas por jornalistas para o cumprimento do exercício profissional, espera-se o reconhecimento da infelicidade da abordagem e da constrangedora injustiça com aqueles que ao seu lado trabalham para construir audiência, credibilidade, faturamentos, empregos e lucros”.

    NOTA DA AMIDI (II)

    “As únicas pedras que devem ser erguidas nesse momento tão grave que atravessamos são as que solidificam a informação e os meios profissionais de comunicação como alicerce inabalável de uma sociedade esclarecida, democrática, humana e civilizada. O contrário desses valores é pecado que não lavaremos as mãos”.

    DO ‘PARAIBA RADIO BLOG’


    “Na mente senil de Roberto Cavalcanti, a violência só presta quando lhe proporciona lucro. Porque ele patrocina o programa mais sanguinária da TV paraibana, um verdadeiro almoço com sangue e corpos decapitados comandado ao meio-dia por Samuka Duarte. Quanta hipocrisia!!!.

    DE SUETEONI SOUTO MAIOR

    “Ex-senador da República, empresário bem-sucedido da área de comunicação e até mesmo, membro da Academia Paraibana de Letras. Estas eram, até agora, as credenciais comumente usadas para se referir ao empresário Roberto Cavalcanti. A elas foram acrescentadas, nesta quinta-feira (14), outra nada elogiosa, a de quem passou a defender que os jornalistas e radialistas que divulgarem as mortes causadas pelo novo Coronavírus sejam “apedrejados” na rua. Vejam bem, falo do apedrejamento de quem exerce o dever constitucional de  bem informar à população”.

    DO SINDICATO DOS JORNALISTAS

    “A declaração, além de chocante, causa repulsa na categoria, que foi considerada como serviço essencial durante a pandemia e continua trabalhando em seus postos normalmente. Nem mesmo as funções com possibilidade de trabalho remoto foram liberadas para tal. Outro agravante é a falta de equipamentos de proteção individual como máscaras em diversos desses locais do Sistema Correio, onde os trabalhadores estão expostos e, com isso, já foram identificadas pelo menos cinco infecções pelo vírus”.

    DE TIÃO LUCENA

    “Acho que só Mofi, por motivos óbvios, se atreveu a defender o patrão. O resto do mundo condenou a defesa do apedrejamento a jornalistas feita pelo seguidor fanático de Bolsonaro na Paraíba, o homem que quer ser paladino da verdade mas que nunca foi nada disso ao longo da sua tumultuada história”.

    DE WALTER SANTOS

    “Ele pode defender Bolsonaro e a política retrógrada em curso, todos vamos respeitar mesmo contestando, porque faz parte do processo democrático, mas defender abertamente em seus canais de emissoras públicas, de autorização pública, a agressão pura e simples é um absurdo inaceitável, seja em que regime for”.

    DE FABIANO GOMES

    “É preciso contestar (com toda veemência) a violência proposta por Roberto Cavalcanti. Acredito que – talvez – a quarentena esteja lhe fazendo mal. Pois não é possível supor que ele olhe a mídia – seu metiê, onde transitam os profissionais que tanto contribuíram para o crescimento do Sistema Correio -, e sinta de fato o desejo de lhes atirar pedras. E pelo simples fato de estarem exercendo a profissão!”.

    DO DEPUTADO FREI ANASTÁCIO

    “Em minha opinião, Roberto Cavalcante como um ser humano que sempre se apresentou de forma gentil e solidária com as pessoas, deveria ir a público pedir desculpas pelo que disse, principalmente por ser um empresário da comunicação. A declaração dele foi muito infeliz, sobretudo, num momento no qual os profissionais de imprensa também estão expostos aos riscos de contaminação pelo Coronavírus, diante da missão de bem informar”.

  • O HORÓSCOPO E OS MEUS VISITANTES

    03/05/2020

    Acredito muito pouco em horóscopo. Principalmente porque, trinta anos atrás, para o ‘Jornal da Paraíba deixar de pagar a Omar Cardoso me botaram para escrever as tirinhas de cada dia, quando então me familiarizei com Júpiter, Saturno, Netuno, Plutão...

    Resultado da obrigatória aventura: tornei-me incrédulo!

    Mas hoje, vendo as previsões para maio no UOL, vejo-me obrigado a repensar sobre a incredulidade.

    Pode ser que o advento da internet tenha botado fé no que dizem os astros. E quem serei eu para disso duvidar?

    Diz a tirinha, dentre outras supostas certezas: “... período pode ser marcado pela abertura de sua casa a pessoas queridas, amigos e parentes mais próximos. Sua casa pode tornar-se ponto de encontros para boas conversas”.

    Tá certo que minha casa é, sempre foi e continuará sendo ESCANCARADA.

    O ato de receber - e muito bem, modéstia à parte - herdei do velho Ovídio Marinho e da insubstituível matriarca Dona Virgilia e o que o horóscopo atesta é uma verdade histórica, nada de novidade portanto.

    Mas, sei lá...

    Lá em Pibus, onde refugiei-me nos últimos 15 dias para driblar o tal do novo Coronavírus, não foi diferente e o horóscopo do UOL foi supimpa.

    Além de sobrinhos, e filhos que já não moram mais comigo, recebi boas pessoas da área, com as quais pudemos botar velhos e novos assuntos em dia, projetar planos para a frente e agradecer a Deus pelo dom da vida.

    O gaúcho Eduardo Cassol e sua elegante namorada, ele empolgado com a possibilidade de se eleger Vereador do Conde, me deram imenso prazer em dividir um sábado inteirinho onde os 50 graus de álcool da cachaça Rainha imunizaram nossas partes internas contra o vírus enquanto o álcool 70 graus se encarregou do que dava para ser visto e admirado por fora...

    No domingo de pouco sol a sorridente Karla Pimentel, assessorada pelo seu irrequieto marido Hermann Régis, veio tomar conosco uma gelada taça de guaraná Antarctica e degustar política, empolgadíssima que está com seu projeto de tornar-se a terceira mulher prefeita do belo pedaço do nosso Litoral Sul paraibano.

    Júnior Rodrigues, o supermercadista que ano passado presenteou Jacumã com o maior espaço comercial desse segmento, optou pelo cafezinho bem quente para dizer-me da marcha à ré que empreendeu no sonho de conquistar a prefeitura condense.

    Já na terça feira chuvosa onde o Sol teimava em rasgar as nuvens do dia, a primeira visita foi de Edinho Mendes, acompanhado pelo meu estimadíssimo amigo com quem cheguei, anos atrás, a dividir os microfones da rádio de Leo Carneiro (Jacumã FM) onde fazíamos um polêmico programa político em defesa do desassistido povo do Conde.

    Edinho Mendes também anda empolgado com a sua pré-campanha a prefeito e sua preocupação de agora é apagar a notícia que se espalha pelos quatro cantos do Município de que outra vez não levará adiante o projeto e se “venderá” para o candidato (a) que as pesquisas indicarem à frente dos demais.

    Essas foram as visitas presenciais, porque em dias de FIQUE EM CASA a internet é quem mais ajunta.

    E foi assim com um monte de outros amigos:

    - O vice prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, que é meu amigo há anos e preside hoje na Paraíba o Solidariedade que dá aval a Edinho Mendes na postulação política, ele me garantindo de pés juntos que leva adiante a candidatura do empresário “até a vitória que será superlativa”;

    - O ex-Vereador Fernando Boka Loka, que em longos e cansativos papos me obrigava a varar a madrugada ouvindo suas lamúrias e explicações do porque renunciou ao mandato ano passado e garantindo que este ano não seria mais o segundo Vereador mais votado do Conde, mas o primeiro. E ainda um tanto desconcertado, talvez pelo drama da impensada renúncia, gesto que jurou nunca mais repetir, já ontem desmentiu-se provando a insegurança pessoal que lhe domina os atos e abdicou de postular o Legislativo para dizer-se candidato agora a prefeito pelo MDB, onde Aluízio Régis dá as ordens e com certeza lhe puxará o tapete.

    Campina Grande me chamou de volta ontem e cá estou, deixando abertas PORTA E agenda, aqui e lá.

    Para também ter na Borborema um tempinho de ouvir Robson Dutra, Olímpio Oliveira, Arthur Bolinha, Bruno Cunha Lima, Júnior do estacionamento e outros diletos amigos que gravitam no universo político-partidário, esperam o beneplácito das urnas de outubro, e a minha estada na casa de Pibus adiou nossas conversas.

    E na volta ao Conde, segunda de amanhã a oito, receber em casa outros nomes de lá, um deles que costumo brincando chamar de sub-produto do trigo (Olavo Macarrão), que será trazido e bem vindo ao meu doce-lar pelas pedintes mãos do amigo pastor-jornalista Caco de Jacumã.

    Ufa!

    Esse horóscopo do UOL é de fato bem mais acertador do que aquele que eu escrevia no saudoso JP.

  • NA MINHA ARCA...

    02/05/2020

    Aqui em Pibus (Carapibus, Distrito de Conde-Jacumã) onde divido com Campina Grande as horas da quarentena, a praia é o que menos agora tem contado...

    Ficar em casa, obedecendo aos protocolos da OMS e das autoridades sensatas do País, é imposição de sobrevivência - de vida, pois!

    Tenho, graças a Deus e às minhas eficazes economias, um ranchinho à beira do Atlântico onde o estresse do cotidiano se esvai, a mulher pega bronze e nós todos aliviamos o calor interno com algumas geladinhas.

    Apesar das exigências locais e proibições impostas pela prefeita, ainda tem dado para caminhar cedinho com os totozinhos pelas areias frias aproveitando para admirar a imensidão do Oceano e o necessário vazio de gente que acaba por deixar o mar meio que sem sentido.

    O privilégio de ter uma vivendinha dessas minhas aqui em Pibus é que na hora que o mar faz falta a terra nos acolhe.

    Largando a areia, o resto da paisagem é de sítio, clima de fazenda, ambiente rural.

    E aí sim,a felicidade se completa.

    Botar garapa para os colibris, bananas para os saguins, um tutano para a cachorrada, meio litro de leite ensopado com pão para os gatos da rua, salvar aqui ou acolá uma jiboiazinha ou um filhote de cobra coral, não deixar a meninada matar as gigantes baratas dos coqueiros...

    Há dinheiro que pague isso?

    E nem falo do apreciar as subidas das tartarugas no meio do mar em busca de ar, das marias farinhas se enfiando nos buracos onde fazem morada, das corujinhas dando voo rasante na cabeça do meu Yorhshire preferido...

    E os Bem-Te-Vis avisando aos primeiros raios dol Sol que já é hora de todo mundo acordar? 

    Tem sido assim a minha visão ‘holísticamente’ prazerosa da quarentena na praia de Carapibus! Com caranguejos, camarões e peixe no coco salteado com alcaparras e azeite Gallo, que a gula felizmente não está proibida nesse período.

    A casinha daqui é deveras aconchegante, um ninho perfeito de felicidade em meio aos desafios da vida de pobre enxerido e bolso pequeno.

    Nesses dias, abestalhando-me com tantas belezas da fauna e da flora, tenho me sentido sinceramente um Noé.

    Minha casa é a Arca e os meus olhos sua extensão.

    Por isso acho que ontem o burrinho filhote que sempre relincha no portão para avisar que chegou e tem sede, alargou-se em me beijar, abraçar, dizer a seu modo que me ama e é agradecido pelos mimos que lhe faço e à égua da sua mãe; e ao jegue do seu pai...

    O trio me conhece há tempos.

    No inverno, tudo verde, pasto não falta. Mas no verão, o socorro é fuçar as lixeiras generosas onde cascas de bananas, pedaços de melão e melancia, restos de cuscuz e pedaços de pão de boia fazem a festa.

    Pois não é que o danado do jumentinho queria dormir entre nós!

    Dei-lhe água, ele bebeu mas veio me seguindo para respirar a fumaça do bode assando na brasa pelos meninos na varanda da beira da sala.

    A farra foi total. Um astro em meu paraíso! E tome fotos, todo mundo querendo aparecer ao lado do jegue e eu vendo a hora as garotas lhe pedirem autógrafo...

    E antes disso, já imaginando ele vir a se alegrar mais, desabrochando partes nada pudicas do seu organismo na maresia do meu lar-doce-lar dei-lhe cartão vermelho e ele foi dormir mansamente no terreno baldio onde acostumou-se a balançar as vastas orelhas quando me vê de manhã.

    Minha Arca não é a de Noé. É minha e de Deus.

    Da minha maior felicidade!

  • ...PAU COM VARA CURTA!

    25/04/2020

    Um abençoado amigo meu - desses do peito - extremamente paciente com um cidadão (sic!?) que julgava fosse seu amigo, humano que é saiu da linha hoje após ser novamente confrontado pelo sujeito.

    O tal é voraz inimigo do Presidente da República, embora na História do Brasil nada represente. E se vale das redes sociais, em especial o Facebook, para destilar seu veneno sobre a figura do maior mandatário da Nação.

    Meu amigo, que hoje divide seu tempo de homem de mídia com a pregação do Evangelho, o que lhe dá prazer, satisfação e permanente alegria, votou em Bolsonaro e é dele um justo defensor, mesmo sem que se exponha nem disso faça nenhum cavalo de batalha. Nem espere proveitos!

    Discreto e comedido, não insulta ninguém que tenha opinião contrária à sua.

    Mas, a vida tem limites...

    Hoje, ao comentar postagem do açodado que se regozijava com a saída do ministro Moro ao tempo em que empoleirava o Presidente ao andar mais baixo do galinheiro nacional, sugerindo ao destemperado um pouco de maturidade meu ABENÇOADO amigo ganhou insulto que supera a indecência.

    O tal, destrambelhado e sem nenhum naco de compostura, disse-lhe para que evitasse de andar com a Bíblia, instrumento que a seu vesgo e envenenado olhar estava servindo para o ABENÇOADO enebriar moçoilas da Igreja que lhe serviriam sexualmente.

    Indecente, descomedido e inoportuno, esse tal cujo berço tem prostituta origem cutucou o cão (me perdoe o ABENÇOADO!) com vara curta demais.

    É a tal história: quem diz o que quer, acaba ouvindo o que não deseja!

    Meu ABENÇOADO amigo estourou!

    E eu lhe dou justíssima razão. Seu saco é imenso, mas chega a hora da rebordosa... Porque até Jesus, que lá atrás expulsou os vendilhões do Templo, também um dia viu seu santo saco estourar...

    O grave é que o estouro joga lama numa nobre instituição onde o tal tem contracheque: a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP).

    Mas...

    O ABENÇOADO rebateu o insulto do tal com uma overdose de informações que pouca gente até aqui sabia, pondo em xeque a lisura do insuspeito setor de Relações Humanas da tradicional FIEP presidida pelo gentleman Buega Gadelha.

    Para ganhar o emprego - seria uma sinecura? - o tal, segundo o depoimento verdadeiramente verdadeiro do meu ABENÇOADO amigo, emprestou seu ânus...

    - “Eu nunca precisei dar o .. para conseguir um emprego”, postou com ira no Facebook o meu ABENÇOADO amigo em resposta àquele travestido que imaginava ser do seu círculo de amizades.

    Não demorou dez minutos e o tal não somente bloqueou o meu ABENÇOADO amigo da sua lista de contatos no Facebook como igualmente deletou a postagem que deu origem aos diálogos, caracterizando outra deplorável marca da sua deslustrada biografia - a covardia!

    E, pelo menos prá mim, fica a incógnita: O setor de RH da FIEP recruta elementos para os seus quadros sob prerrogativas anais?

    Vade reto!

  • Adeus, HOSANA RÉGIS!

    09/04/2020

    Quinta feira à noite, via ZAP de Ana Régis, irmã caçula protetora da cunhada Hosana, mandei-lhe mensagem otimista na véspera da sua ida para a faca...

    Cedinho da sexta partiria para o Hospital São Francisco, onde lhe retirariam um nódulo que crescia assustadoramente no velho fígado.

    Minutos depois, pelo ZAP de Marcos Marinho (Marquinhos), que na redonda mesa da sua festiva sala no Bessa jogava rodadas de buraco para com ela passar o tempo, recebi o agradecimento e um soco no ar onde Hosana na sua inabalável fé em Deus me avisava: “Amanhã estarei bem, se Deus quiser".

    Deus não quis!

    A querida cunhada enfrentou um rápido calvário pessoal e hoje é saudade dormindo em jazigo dos irmãos no Parque das Acácias, longe da morada que recomendava lhe dessem como a última, juntinho ao seu amado Ismael Marinho aqui em Campina Grande no alto do Monte Santo.

    A pandemia que hoje grassa no mundo não permitiu que a trouxessem para cá. E nem direito a velório lhe coube, concedido aos filhos e netos pouco menos de uma hora para um instante de oração antes que o caixão baixasse à sepultura.

    Em meu peito a angústia, principalmente por não ter lhe pedido para adiar a operação – de risco em qualquer um, mais ainda em quem já vivera 82 anos. 

    Mas a agenda da história de Hosana teria mesmo que ser fechada nesse 08 de abril de 2020.

    Ordem do Pai, que a cada um de nós só cabe cumprir.

    Desatado o nó da garganta e o tranco no peito, voltarei a escrever sobre a bela história em comum que tivemos.

    Hoje, abro espaço para o filho Marquinhos que deu-lhe alegrias na véspera da cirurgia com os ases de copa, ouro, paus e espada.

    Segue a emoção do herdeiro e a foto onde Hosana me dá seu último e definitivo adeus: 

    CANASTRA DA VIDA... (Marcos Marinho Falcão)

    E lá estava ela, sempre elegante e forte como uma verdadeira DAMA de COPAS, com seu coração infinitamente gigante.

    Jogamos duas belas rodadas do seu jogo de cartas preferido. E, por ela, vararíamos a noite à dentro.

    Nosso adeus não poderia ter sido de outra forma...

    Ao som da irreconhecível gargalhada roca, divertimo-nos como se não houvesse amanhã.

    E não haveria!

    Hoje, aquele mesmo baralho já não tem mais vida.

    As cartas acabaram, e nesse jogo ninguém ganhou.

    As lembranças ficam.

    Da mulher, mãe, madrinha, tia e avó de todos nós.

    Descansa em paz minha "vovó".

    Não sei quando, mas o reencontro certamente surgirá para completarmos a canastra da vida e brindarmos todos os maravilhosos momentos que, felizmente, ficam conosco e agregam a nossa história de vida.

  • ADEUS, JUNHO!

    29/03/2020

    E Junho morreu este ano em Campina Grande.

    Foi sufocado pela falta de ar, enforcado na decisão política e econômica que a força do novo Coronavírus instituiu por aqui e alhures...

    Não teve sequer direito a sepultamento sete palmos abaixo da terra, como se faz por essas bandas com qualquer Júnior do Beco do Califon, da Cachoeira, do Zepa ou do Pedregal.

    Junho não foi cremado naquele ritual divinamente esplêndido que o pessoal do cemitério de Arimatéia Rocha prepara, ao som de harpa e violino, para defuntos da elite.

    E os santos dele - os do mês junino - nem lembrados ou convidados para o velório foram.

    Santo Antonio livrou-se de casar balzaquianas; São Pedro, ocupado na tarefa de encher o açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), aliviou-se do fardo dessas anuais cobranças que lhe endereçam os miseráveis da seca no Sertão.

    Menos mal!

    Junho morreu sozinho, sem que o povo da terra d’O Maior São João do Mundo pudesse ouvir-lhe o último ‘ai’.

    Lá na UTI dos gravetos em que foi jogado o fogo lhe consumiu as entranhas e a história.

    E assim ficou fácil juntar seus restos – as cinzas onde outrora o milho assava em suas crepitantes fogueiras.

    Sem Junho Campina Grande perde gigante parte do seu brilho, da sua representatividade nacional.

    Fica cotó perante o trade turístico global...

    Pamonhas e canjicas, milho cozido ou assado, xerém e munguzá, cuscuz de milho e jerimum com leite, cadê tanta esperada fartura?

    E nem a bacia de quentão na beira da fogueira tem mais este ano...

    Junho fez voar com suas cinzas meu ‘peido de véia’, as cobrinhas e buscapés, os traques da meninada e os chuveiros prateados.

    Balão, nem pensar. Muito menos dançar forró no pé da serra nem quadrilha de anarriê.

    É triste, é mal, é difícil viver sem Junho.

    É essa orfandade tirana que a gente vai lembrar pro resto das nossas vidas.

    Com choro e sem velas, porque nada de Junho nos restou, a não ser isso mesmo: saudade! 

    Segue sozinho, Junho amado, que nós vamos ficando por aqui entrincheirados sob as saias e as camas da cidade tentando escapar desse ‘bixim’ com nome de cerveja importada que à jato tenta acabar com a raça humana.

    Vade retro, Coronavírus!!!

     
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