Colunista Marcos Marinho

  • A 101.1 FM JÁ MORREU

    21/11/2018

    A rádio 101.1 FM de Campina Grande não aguentou um ano com esse batismo, determinado numa noite de pesadelos pelo empresário Arthur Bolinha, que a arrendara a Aguinaldo Ribeiro mas não aguentou os custos e bateu a porta antes que seus muitos reais diminuíssem nas contas bancárias da cidade.

    Agora o novo arrendatário, que é homem de remédio e sabe onde mais as dores apertam os organismos, mesmo os dos malsinados ouvintes que continuarão a ouvir rádio dirigida por neófitos no meio, decidiu aplicar cavalar dose de bom senso e a emissora a partir do mês que vem volta a se chamar RÁDIO CARIRI.

    Menos mal!

    Parabéns, Neilton. E eu só espero que a sua vitoriosa carreira empresarial na Redepharma se repita na Cariri. Se bem que uma coisa é vender remédio pra gente pobre tão doente como a nordestina e prefeituras que usam a famosa “uma mão lava a outra”, e outra é vender anúncio que sustente os custos da mídia despudoradamente viciada como a que temos por aqui.

    Mas, resta agora botar fé!

    EU, MAIVADO

    Se antes eu já me babava todo com os “abraços” que Tião Lucena mandava pelo seu blog, agora me entortei de vez com a homenagem estampada ontem no espaço. Numa galeria onde ele já estampou Biu Ramos, Frutuoso Chaves, Rubens Nóbrega e outros iluminados confrades e - esses sim! – dignos da justa e histórica citação, lá estou eu, um MAIVADO franzino.

    Só tu mesmo, BUNITÃO!

  • A ‘ESCARRADA‘ DE NÊUMANE PINTO

    31/10/2018

    Em causticante seca, 13 anos atrás, quando o Nordeste em geral e Campina Grande em particular se amedrontavam diante da iminência de um colapso hídrico sem precedentes, a brilhante conterrânea Elba Ramalho, já saciada na sede e no cofre, abriu o bico na Bahia de Antonio Carlos Magalhães - moradora que ainda o é da praia do Trancoso - para defenestrar o projeto de transposição de águas do rio São Francisco.

    Elba se disse contra as águas do Velho Chico virem matar a sede do povo nordestino, como se não fosse ela uma infeliz retirante da intempérie, obrigada com seus pais, ainda pequena, a acudir-se de Campina Grande e beber da água do Açude Velho para poder sobreviver.

    Eu estava Vereador de Campina Grande, à época. Incrédulo com o que os jornais do Sul publicaram, de que Elba cuspira no prato seco em que comera virando as costas para os seus irmãos sedentos, propus um VOTO DE REPÚDIO para ela e sugeri que fizesse, pelo menos, uma retratação pública ou, não sendo demais, um pedido de desculpas ao povo nordestino.

    A moção foi aprovada por unanimidade!

    Elba ficou revoltada e alardeou que a Constituição do Brasil lhe garantia o direito de opinião. Não errou nisso, mas não era essa a questão. Rica e sem sede, e a serviço dos detratores do projeto salvador, ela me diminuiu no que pode e atraiu para si defensores de todos os matizes, mas não conseguiu afastar de si essa mancha cruel de ingrata e perversa.

    Lembro que a ela associou-se José Nêumane Pinto, outro nordestino que ficou rico no Sul e cospe com boa regularidade no prato velho em que sorvia as migalhas...

    Nêumane é um grande jornalista, poeta e escritor. Nasceu em Uiraúna e sua formação profissional como jornalista - também um fugitivo da seca - foi toda em Campina Grande onde no Diário da Borborema lhe arranjaram um emprego de repórter policial.

    Aqui na Borborema fez amigos, mas no Rio só tinha lembrança dos famosos, como Ronaldo Cunha Lima, por exemplo, que virou prefeito de Campina e governador da Paraíba e poderia lhe ofertar um maior cobertor...

    Mas Nêumane, há muito, deixou mesmo de ser nordestino. Não de tudo porque o cupido lhe presenteou com uma segunda esposa, a bela filha do meu valente amigo Alexandre Tabajara, que certamente lhe mantém de rédeas curtas para algumas situações, evitando que venha a se constranger com determinados despautérios próprios da sua avançada senilidade.

    E agora mesmo, alarmado com a vitória de Fernando Haddad em todo o Nordeste, abriu seu lado sulista e fez pior do que Elba - a piancoense cuspiu no prato; o de Uiraúna escarrou!

    Atual comentarista no time da Band, Nêumane arregalou os olhos por detrás das lentes de fundo de garrafa dos seus óculos e desqualificou a maioria que o Nordeste atribuiu ao candidato petista. E não economizou na repulsa quando disse que o eleitorado nordestino “é comprado”, uma maioria que não expressaria uma posição de esquerda, mas apenas a dependência dos prefeitos aos governadores.

    Para ele, politizado e independente teria sido o voto das outras regiões, favoráveis ao candidato truculento, defensor da ditadura militar.

    Um comentário xenófobo com inaceitável generalização e desconhecimento das reais mudanças no eleitorado nordestino, como assim analisou para o confrade Rubens Nóbrega o indefectível Rubens Pinto Lyra.

  • NÚMEROS DA ELEIÇÃO

    16/10/2018

    Várias foram as surpresas das urnas de 2018 e certamente a que mais chamou a atenção foi a vergonhosa derrota de Cássio Cunha Lima (PSDB), algo que nenhum instituto de pesquisas conseguiu prever.

    Em tópicos, vejamos alguns números:

    DANIELA I - PISA EM VENEZIANO
    Embora tenha perdido a primeira posição para Veneziano Vital (PSB) no cômputo geral, Daniella Ribeiro (PP) derrotou o ex-prefeito em Campina Grande botando quase 30 mil votos de vantagem sobre ele. Ela foi votada por 103.877 campinenses; ele recebeu 74.485 votos.

    DANIELLA II - PISA EM CÁSSIO
    Daniella não conheceu o poderio eleitoral de Cássio Cunha Lima e também o derrotou em Campina Grande, com 9.037 votos de vantagem. O tucano contou apenas com 94.560 votos naquele que era o seu maior reduto eleitoral.

    VITÓRIA TAMBÉM NA CAPITAL
    A filha de Enivaldo Ribeiro também fez bonito em João Pessoa, onde igualmente derrotou todos os concorrentes, incluindo Veneziano e Cássio. Ela teve 175.280 votos, Veneziano obteve 134.022, Luiz Couto totalizou 114.504 e Cássio Cunha Lima só conseguiu 107.734 votos. 

    ROMERO ARRANHADO
    Outra liderança que sai das urnas bastante avariado é o prefeito Romero Rodrigues (PSDB), e não somente pelo fato de sua mulher ter sido derrotada como companheira de chapa de Lucélio Cartaxo (PV) já no primeiro turno. Em Campina Grande os candidatos João Azevedo e Zé Maranhão impingiram ao gêmeo pessoense uma derrota por 23.749 votos, o que representa 55% dos votos válidos.

    VOTOS DE MOACIR
    Romero teve também dificuldades para eleger o irmão Moacir, que é do PSL e na verdade só entrou como o penúltimo dos 36 deputados estaduais por conta da onda bolsonariana. Quase que os sofridos 14.095 votos de Campina o deixavam de fora da peleja, o que seria uma catástrofe para o irmão gestor. Seus votos no Estado somaram 18.458

    ARTHUR DERROTADO
    Outro Cunha Lima que descarrilhou foi Arthur, filho do homônimo que Cássio quando governador presenteou com o cargo de conselheiro vitalício do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Arthurzinho ainda assim somou mais votos do que o primo Moacir obteve em Campina (foram 15.706), mas ficou de fora por questões de coeficiente numérico na coligação.

    QUEDA FEIA EM PICUÍ
    A queda mais feia de Cássio não foi a registrada em Campina Grande, mas a que se deu em Picuí. Lá, o senador que sempre se orgulhou de ter mais de um milhão de votos - façanha que não conseguiu repetir - foi o quinto colocado perdendo até para Nelson Junior. Na terra da carne de sol Luiz Couto teve 43,90% de votos, Veneziano ficou com 27,98%, Daniella 11,06% e Cássio desceu a ladeira quase sendo atropelado pela rural de Nivaldo Mangueira.

    QUEDA DE PEDRO
    E o filho de Cássio, que há quatro anos elegeu-se com quase 200 mil votos em primeiro lugar na bancada de 12 da Câmara Federal, viu essa conta murchar em mais de 100 mil votos. Agora, somou apenas 76.754 sufrágios e ficou em oitavo, dentre os 12 eleitos.

    BRUNO SEM BROCHE
    E a “onda” contra Cunha Lima este ano acabou por ceifar uma outra jovem promessa de político: Bruno, neto amado de Ivandro que optou por não disputar a reeleição para a Assembleia e foi tentar o Planalto Central, sendo abatido no voo com um balaio de votos (44.143) que não lhe garante o broche de deputado federal.

    JACÓ MACIEL TAMBÉM FORA
    Outra queda feia atingiu Jacó Maciel, ex-deputado e ex-prefeito de Queimadas, que no meio da campanha abandonou a indicação de Cássio para votar em Lucélio e Michelline aderindo a Zé Maranhão, cujas pesquisas à época o davam como futuro governador. Jacó obteve 20.381 votos, mas na sua coligação a conta precisava ser maior e agora terá que esperar pela próxima eleição.

    POR ESSA TROCOLLY NÃO ESPERAVA
    Outro deputado jovem que tinha certeza da vitória para mais um mandato era Trocolly Júnior, que viu sua votação minguar em quase todos os colégios onde mantinha base política. Ainda assim conseguiu um total de 21.950 votos, mas ser suplente com governador eleito que é adversário é quase certeza de jamais assumir.

    DERROCADA DO CLÃ GADELHA
    A família Gadelha também recebeu pesado coice das urnas. Renato, que atuou nos últimos anos como Líder da oposição a Ricardo Coutinho na Assembleia só conseguiu 17.319 votos e foi derrotado. O sobrinho Leonardo, filho de Marcondes, também não conseguiu votos suficientes (60.782) para ser deputado federal, mas garantiu-se na primeira suplência e como a família já aderiu a Bolsonaro, em caso de vitória do capitão é provável que portas se abram para ele na Capital da República.

    ACIMA DE 100 SÓ QUATRO
    Apenas quatro candidatos a deputado federal podem este ano se orgulhar de terem tido três dígitos em suas votações: Gervásio Maia (146.860 votos), Aguinaldo Ribeiro (120.220), Wellington Roberto (107.465) e Damião Feliciano (100.876).

    DECEPÇÃO DE ANA - I
    Outra gigante decepção das urnas deste ano alcançou a ex-Primeira Dama Ana Cláudia Vital, tida nas previsões como futura campeã de votos, que em sua maioria seriam repassados a partir do prestígio do marido Veneziano, de quem herdaria a cadeira na Câmara Federal. Embora derrotada, Ana ficou com a primeira suplência da sua coligação e seus votos podem sensibilizar o governador João Azevedo para puxar algum parlamentar para o secretariado.

    DECEPÇÃO DE ANA - II  
    A performance de Ana Cláudia nas urnas deixou bastante a desejar, inclusive pesando desfavoravelmente para futuros embates a desastrosa derrota em Campina Grande para dois adversários - Bruno Cunha Lima (19.116 votos) e Pedro Cunha Lima (18.645) - e um ilustre desconhecido das urnas e do povo: Julian Lemos (14.294). Ana na quarta votação, somou 11.944 votos.

    CAMPINENSES DERROTADOS - I

    Dos candidatos com base em Campina Grande que não obtiveram êxito para a Câmara Federal o folclórico Rafafá pode ser dado como campeão dos minoritários. Vejamos a lista:

    01 – Ana Cláudia Vital (49.248, sendo 11.984 em Campina)
    02 – Bruno Cunha Lima (44.143, sendo 19.166 em Campina);
    03 - Rafafá (13.940, dos quais 7.671 em Campina);
    04 – Tatiana Medeiros (11.637, sendo 7.180 em Campina);
    05 – Luciano Breno (8.527, sendo 5.132 em Campina);
    06 – Pimentel Filho (4.890, sendo 3.848 em Campina);
    07 – Guilherme Almeida (4.832, sendo 2.593 em Campina);
    08 – Lídia Moura (4.547, sendo 1.495 em Campina);
    09 – Álvaro Neto (3.985, sendo 1.909 em Campina);
    10 – Tia Mila (2.138, sendo 1.393 em Campina);
    11 – Fabrinni Brito (1.591, sendo 465 em Campina).

    CAMPINENSES DERROTADOS – II

    Votação de outros campinenses derrotados que postularam uma vaga na ALPB:
    01 – Renato Gadelha: 17.319;
    02 – Olimpio Oliveira: 13.067;
    03 - Anderson  Maia: 10.087;
    04 – Irmão César: 9.625;
    05 – Arthur Bolinha: 8.316;
    06 – Napoleão Maracajá: 7.920;
    07 – Galego do Leite: 6.574;
    08 – Samara Aguiar: 2.868;
    09 – Robson Dutra: 2.827;
    10 – Ernandes Gouveia: 1.752;
    11 – Marcio Caniello: 1.559;
    12 – Professor Odenilson: 1.139;
    13 – Selma Pinheiro: 700;   

  • POR CIMA DE QUEDA...

    08/10/2018

    O que resta da bolha (borra) oligárquica política da Paraíba recebeu, nestas eleições de 2018, o seu maior revés histórico, representado na imprevisível queda do tucano Cássio Cunha Lima, atual vice-presidente do Senado Federal.

    A ‘troupe’ Cunha Lima já ocupou praticamente tudo no mundo político nacional.

    Ivandro, o tabelião, foi senador, deputado federal, diretor do BNDES e alicerçou fortunas com titularidade do único cartório de registro de imóveis da região, obtido por prestígio político.

    Fernando, o empresário dos negócios secretos, quase virou deputado federal e só não o foi porque “sócios” jogaram-no do alto da pedra da Gávea, no Rio - crime que nem a família se interessou por desvendar.

    Ronaldo, o poeta dos “versos de pés quebrados” como assim lhe qualificava outro repentista - Raymundo Asfóra -, foi vereador, deputado estadual, prefeito de Campina Grande na ditadura e na democracia, governador, deputado federal e senador.

    Cássio, o menino de Ronaldo, virou prefeito de Campina Grande substituindo o pai por licenciosidade de ato oportunista inserido em ‘disposições transitórias’ na Constituição, foi deputado federal e outra vez prefeito, comandou a SUDENE, voltou à Câmara Federal e em seguida elegeu-se governador do Estado, cargo onde foi reeleito e cassado por atos ímprobos na gestão. E interrompe - ou encerra - agora a carreira com a derrota na busca de se manter Senador da República.

    Tio de Cássio, Fernando Catão foi homem forte no Governo titulando a Pasta do Planejamento nas gestões de Ronaldo e na de Cássio. Foi ministro no Governo FHC e hoje é conselheiro do TCE, cargo vitalício que o sobrinho lhe presenteou quando governava o Estado.

    Arthur Cunha Lima também foi tudo, até mesmo presidente da Assembleia Legislativa. E, para evitar perder eleições, o primo Cássio também o fez conselheiro vitalício da Corte de Contas

    Irmãos, sobrinhos, primos; Mulheres, amantes...

    Em todo canto onde dinheiro público houver, sempre foi assim por décadas, um Cunha Lima tem direito ao pastoreio.

    Este ano a queda de Cássio quase também derruba seu filho Pedro, um talentoso jovem que virou quatro anos atrás o mais votado deputado federal da Paraíba, mas agora viu murchar a conta em mais de 100 mil sufrágios e numa bancada de 12 entrou na oitava posição.

    Outro Cunha Lima varrido pelo mesmo tsunami que afogou Cássio foi Bruno Cunha Lima, neto idolatrado de Ivandro que desempenha espetacular mandato de deputado estadual, mas não conseguiu votos suficientes para chegar à Câmara Federal.

    E até Arthur Cunha Lima Filho, dissidente que acostou-se a Ricardo Coutinho, foi levado pela correnteza e seus 15.706 votos não lhe permitiram a reeleição à Assembleia Legislativa.

    Esse desastre de 2018 ceifou também a prematura carreira política da Primeira Dama campinense, a jovem oftalmologista Micheline Rodrigues, vice derrotada na chapa de Lucélio Cartaxo. Mas, ainda escaparam na chamada “peinha” Moacir, irmão de Romero Rodrigues, e Tovar Correia Lima, o genro amado do conselheiro Fernando Catão, irmão de Glória Cunha Lima, que garantirão o “rabo de gata” da oligarquia na ALPB.

    E a vida segue...

    FAMÍLIA REGO

    O vendaval que pode varrer nossas oligarquias também atingiu outras famílias. A Rego, por exemplo, que na eleição municipal passada não conseguiu botar a neta da matriarca Nilda Gondim na Câmara Municipal, esperava ter em 2019 três votos no Congresso Nacional, mas por obra e graça do trabalho de Ney Suassuna, se garantirá apenas com um – o de Veneziano, que deixa a Câmara e entra no Senado.

    Com a derrota de Maranhão, a suplente Nilda Gondim sepulta o sonho de assumir no Senado; e a ex-Primeira Dama Ana Cláudia não ganhou o gás do marido para elevá-la à condição de deputada federal.

    OS RIBEIROS

    Por enquanto, quem continua abrindo sorrisos é a oligarquia dos Ribeiros: Aguinaldo é Líder do Governo Temer e se reelegeu com estrondosa votação deputado federal; Daniella por pouco não foi a mais votada e entra para a história como a primeira mulher da Paraíba a ter assento no Senado; o patriarca Enivaldo se mantém vice-prefeito de Campina Grande; e a matriarca Virginia é superintendente da FUNASA no Estado, cargo que ganhou ao terminar o mandato de prefeita de Pilar. E, antes que eu me esqueça: o filho Lucas, da senadora eleita, é vereador em Campina Grande, atualmente licenciado.

    VARRIDOS NO BRASIL

    As urnas de ontem varreram também Dilma Rousseff, Fernando Pimentel, Beto Richa, Eunício Oliveira, Romero Jucá, Lindbergh Farias, Vanessa Grazziotin, Marconi Perillo, Roberto Requião, Jorge Viana, Delcidio do Amaral, Marco Antonio Cabral, Daniele Cunha, Cristiane Brasil, Leonardo Picciani, Roseana Sarney, Sarney Filho, Edison Lobão, Paulo Skaf, Benedito de Lira, André Moura, Valdir Raupp, Garibaldi Alves Filho

  • Sobre Fabiano Gomes

    27/09/2018

    Tudo que eu poderia escrever sobre o infortúnio presente do confrade-amigo Fabiano Gomes  o eclético Heron Cid assinou. Por isso, reproduzo o artigo dele no ‘MaisPB’ ao tempo em que corroboro que o gordinho, agora amadurecido pelos 35 dias no inferno do cárcere, renove a vida e procedimentos, sem se deixar mais escorrer pelas lábias dos poderosos políticos e pelos desalmados donos de sistemas de comunicação do Estado.

    Segue o texto de Heron:

    A PRIMEIRA PEDRA

    Desde quando o radialista Fabiano Gomes foi preso, admiti-me publicamente incapaz de falar do caso com distanciamento e imparcialidade, como receita a prática jornalística.

    A minha relação profissional nos veículos de comunicação em que trabalhamos e a afetividade resultado do convívio pessoal com ele não serviria para a defesa, pela suspeição evidente.

    Muito menos se prestaria, no seu momento de maior adversidade da vida, ao oportunismo do achaque e do espezinhamento em cima de uma tragédia particular.

    Nas nossas diferenças de visões de mundo, somos amigos. Nas nossas discordâncias, nutrimos carinho afetuoso. Não seria no infortúnio que renegaria essa amizade.

    Por isso, não foi fácil vê-lo nos corredores do Fórum Criminal depois da audiência de custódia que lhe mandou para a penitenciária de segurança máxima da Paraíba.

    E lá, foram 35 dias o suplício vivido por Fabiano onde estão recolhidos os presos mais perigosos do Estado.

    Mesmo para quem é matriculado no crime, o presídio  – em qualquer lugar do Brasil – é a representação prévia do purgatório. Para quem nunca passou na porta de uma cadeia , o próprio inferno na terra.

    Hoje, por decisão de maioria ampla, o Tribunal de Justiça da Paraíba abreviou o martírio a que o comunicador atravessou em mais de mês privado de liberdade num ambiente por si só aterrorizante.

    Uma travessia ainda mais sufocante pela deterioração de sua já debilitada saúde, agravada a partir de o instante da decretação de sua prisão preventiva em razão de descumprimento de uma medida cautelar de assinatura mensal de prestação de contas de atividades. Argumento revogado pelos desembargadores que divergiram da fundamentação do encarceramento.

    Desde o primeiro dia, sempre guardei uma convicção. Esse episódio não seria para o fim, mas um chamado ao recomeço.

    Disse isso olho no olho de Fabiano, quando segunda-feira, ao lado de Fábio Targino, pastor evangélico, e os jornalistas João Pinto e Edmilson Pereira, da Associação Paraibana de Imprensa, fizemos-lhe uma visita autorizada pela Justiça.

    Foram quarenta minutos de conversa e reflexão sobre os desígnios e planos de Deus na vida de um homem. E o que vimos foi um coração quebrantado. No meio da desolação, uma chama de esperança. Uma vontade de viver e refazer a vida.

    Quando o homem busca de verdade, Deus não dá as costas. Ele é especialista em transformação, mudanças e novos caminhos.

    É bem verdade que vivemos num tempo de muitos punhos erguidos e prontos para atirar a primeira pedra do castigo.

    Quase nenhuma mão estendida para levantar os arrependidos. Mas todos, indistintamente, merecem uma nova chance. Fabiano está tendo a dele, hoje.

  • A VERGONHA QUE IREMOS ELEGER

    20/09/2018

    Nos últimos anos ser candidato a algum cargo político no Brasil virou brincadeira, piada de gosto duvidoso, insulto ao eleitor... E a culpa é exclusivamente das direções partidárias, em conluio com a ineficiência vigilancia da Justiça Eleitoral.

    Hoje dá vergonha assistir ao guia eleitoral na TV, tantas são as insanidades levadas ao ar por uma plêiade de homens e mulheres irresponsáveis que veem na atividade política uma janela larga para os seus sonhos e devaneios, na busca de uma possível carreira que lhes deem prestigio e muito - muito!!!! - dinheiro.

    Não sou daqueles que deseje uma nominata de candidatos letrados ou apenas pescados nas elites dominantes, mas defendo que a ‘solenidade’ dos cargos em disputa seja ao menos respeitada. Que haja ‘liturgia’ nos encaminhamentos e os partidos filtrem dentre os seus filiados aqueles que não venham a envergonhar a Nação.



     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    SENADORES DE HOJE: Nivaldo Mangueira, Luiz Couto, Daniella Ribeiro, Cássio Cunha Lima, Veneziano Vital do Rego, Roberto Paulino.

    Nada contra o sapateiro Gobira ter deferida a sua candidatura, nem que a palhaça Tia Mila tenha o direito de pleitear uma vaga no Congresso Nacional. Muito menos que um Rafafá da vida se julgue merecedor do broche de deputado federal. Não censuro que a única proposta de determinado candidato seja ter estado Vereador de uma cidade por oito legislaturas, nem que radialista de fim de tarde entenda ter chegado sua hora de ir cuspir nos microfones das tribunas do Parlamento nacional. Nem que ‘cacareca” dona de legenda de aluguel entre no  circuito apenas para engordar sua conta bancária. Ou que um professor "aloprado" mostre dos seus supostos dotes apenas uma velha Rural Willys e um violão.



     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    DEPUTADOS DE ONTEM: Raymundo Asfóra, Evaldo Gonçalves, Aluízio Campos, João Agripino, Vital do Rego, Petrônio Figueiredo, Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão, Tarcisio Burity, Enivaldo Ribeiro, Ernany Sátyro, Ivandro Cunha Lima.

    Nada contra, realmente, até porque quem vota tem também o direito de ser votado. E as casas legislativas precisam mesmo de ter múltipla representatividade. Não quero a Câmara Federal, por exemplo, formada apenas por advogados, por jornalistas, por médicos, por engenheiros, por professores, por empresários, por agropecuaristas... Não é isso! Já tivemos deputado gay como o costureiro Clodovil Hernandes, por exemplo, que não decepcionou a Casa; jogador de futebol como Romário, uma referência de ótimo parlamentar; um índio como o cacique Juruna; atrizes como Beth Mendes; cantores como Agnaldo Thimoteo; o palhaço Tiririca... Uns menos, outros mais, mas no geral sem se exporem a ridículos e tendo boa convivência no recinto.

    Infelizmente, hoje se confunde REPRESENTATIVIDADE com DESRESPEITO e isso não é legal. A palhaça candidata avisa que vai “passar o rodo”, o engomadinho de vestes coloridas que vai “baixar o pau”, o sapateiro erguendo o dedo se afirma salvador da Pátria... E vai por aí,  ninguém sem proposta plausível para ajudar a debelar a crise do País, mas todos em busca do SOL forte que é o Parlamento com as suas benesses e fartas verbas para o ungido manter-se no mandato.



     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    DEPUTADOS DE HOJE: Gobira, Pedro Cunha Lima, Tatiana Medeiros, Rafafá, Benjamin Maranhão, Ana Cláudia, Guilherme Almeida, Pimentel Filho, Tia Mila, Damião Feliciano, Heleno Lima, Álvaro Neto.

    Resolvi abordar esse tema hoje não para censurar os que se candidataram, mas para ajudar o eleitor a refletir nas suas escolhas. Se tivermos um Parlamento nobre e rico de idéias, certamente teremos uma Nação próspera. Que as minorias dele participem, desde que os que as representam não tenham na cabeça somente aquilo que o camarão carrega na sua, como já dão provas ao aparecerem na TV e nas redes sociais.

    As montagens fotográficas que ilustram este texto dão uma mostra perfeita da atual realidade. Comparemos os paraibanos do Senado lá de outrora com o que o eleitor de sete de outubro irá eleger. E os conterrâneos da Câmara Federal do passado não tão distante com aqueles que à falta de melhores opções teremos que eleger no dia sete de outubro.

    É de dar dó!

  • Ninguém supera nossos federais!

    18/09/2018

     A desconcertante farra com dinheiro público feita pelos deputados federais brasileiros através do chamado ‘cotão’, a verba legal com a qual são ressarcidos por despesas com alimentação, passagens aéreas, aluguéis de imóveis, carros e aeronaves, publicidade, consultoria e uma outra infinidade de itens, é realmente uma vergonha nacional.

    Este portal (APALAVRA) publicou ontem a soma dos gastos da bancada paraibana até aqui - nada desprezíveis R$ 19.558.127,43 - e verificou que a única exceção, no comedimento dos gastos, continua sendo o jovem Pedro Cunha Lima (PSDB), que nunca ultrapassou em nenhum desses quatro anos de mandato a marca de R$ 300.000,00 ao ano, o que dá em média R$ 25 mil de ressarcimento mensal, metade da média dos seus nababescos colegas.

    Na verdade, o filho do histórico e inveterado ‘torrador’ de dinheiro público Cássio Cunha Lima tem mostrado plena coerência entre o discurso e a prática, coisa rara nesse meio tão fétido.

    Surge, então, inevitável questionamento: se com a metade do dinheiro posto à sua disposição Pedro desempenha invejável mandato, por que os outros deputados estouram o limite sem que se importem com a opinião pública nem com o pobre eleitorado estadual? E, via de regra, atuem no Parlamento deixando a desejar?

    Por pura curiosidade, corri ainda ontem a investigar o volume de gastos de outras bancadas e lamento informar ao meu leitor que a nossa se excede demais.

    Para se ter uma melhor ideia dessa extravagância estadual, pegue-se o exemplo de uma paraibana, a deputada paulista Luiza Erundina, e confrontemos os seus gastos no ‘cotão’ com aqueles feitos por alguns dos nossos conterrâneos.

    André Amaral, Benjamin Maranhão, Efraim Filho, Manoel Júnior, Rômulo Gouveia (in memoriam), Veneziano Vital do Rego e Wilson Filho ultrapassaram meio milhão de reais cada um em 2017. Todos os outros, à exceção de Pedro (Aguinaldo Ribeiro, Damião Feliciano, Hugo Motta, Luiz Couto e Wellington Roberto) ficaram sempre acima dos R$ 450.000,00.

    E Erundina?

    Em 2017 ela foi reembolsada em R$ 369.974,47, bem inferior ao dinheiro dos federais paraibanos. Mas se o leitor pensa que isso foi exceção, saiba que nos anos anteriores os gastos da ex-prefeita de São Paulo foram ainda menores: R$ 361.117,75 em 2016, R$ 299.196,76 em 2015.

    E, ressalve-se, Erundina é uma deputada porreta, presente em todas as listas dos melhores parlamentares do País.

    No mesmo ano, nossos “campeões” foram André Amaral (R$ 501.286,51), Benjamin Maranhão (R$ 503.109,52, Efraim Filho (R$ 506.542,49), Veneziano Vital (R$ 513.755,39), Rômulo Gouveia (R$ 541,454,14) e Wilson Filho (R$ 517.577,75).

    Aleatoriamente, pesquisei outros deputados brasileiros. E vi que os nossos VALEM (em gastos com a grana pública) muito mais.

    Veneziano ou Aguinaldo Ribeiro, por exemplo, dão de cambão em Jair Bolsonaro, o “mito” que corre célere para virar Presidente da República. E que Tiririca, nosso palhaço-deputado eleito por São Paulo, parece que tem medo de botar a mão na massa... Seus reembolsos são ninharia em relação aos de Benjamin, de Efraim, de André, de Damião...

    Querem ver?

    - Jair Bolsonaro:
    2015 (R$ 344.143,86), 2016 (R$ 368.820,97), 2017 (R$ 222.949,19), parcial de 2018 (147.827,71).

    - Arlindo Chinaglia, ex-presidente da Câmara Federal: 2015 (R$ 417.888,76), 2016 (R$ 455.015,44), 2017 (R$ 432.716,12), parcial de 2018 (R$ 256.962,29).

    - Benedita da Silva, ex-ministra: 2015 (R$ 410,881,15), 2016 (R$ 290.351,16), 2017 (R$ 453.361,88), parcial de 2018 (R$ 233.349,17).

    - Tiririca: 2015 (152.493,70), 2016 (R$ 191.342,19), 2017 (R$ 87.706,56), parcial de 2018 (R$ 39.234,34.

    Pois é, o jeito é invocar Fabiano Gomes: “Ô Paraíba booooooa!”.

  • LENDO A PESQUISA

    15/08/2018

    Instantâneo de um momento, cada pesquisa tem seu dia - de glória ou de desprezo - e serve a todos os senhores: aos que a aplaudem e mais ainda àqueles que a desconsideram.

    Com a da Consult ontem divulgada na Paraíba não foi, e nem poderia, ter sido diferente.

    Como primeiro estudo oficial pós convenções e legalmente autorizado pela Corte eleitoral, a pesquisa permite variadas leituras e em tese satisfaz a quase todos os envolvidos no atual processo eleitoral.

    Vejamos:

    O candidato do MDB, José Maranhão, com 22,50% aparece vencedor na pesquisa estimulada (em que o entrevistador oferece os nomes) mas a margem de erro o coloca empatado com o segundo colocado, João Azevedo, do PSB, que por bem pouco não o alcançou numericamente falando, já que pontuou 21,35%.

    Correligionários do governista não reclamaram e foram mais além ao encontrarem no mesmo estudo algo que lhes põe nos píncaros: o percentual obtido na NÃO ESTIMULADA, aquela em que aleatoriamente o entrevistado diz em quem pretende votar. Nesse questionário Azevedo aparece com o dobro dos votos dados a Maranhão, o que faz nascer a primeira incógnita do trabalho da Consult uma vez que nesse caso específico quem melhor deveria ter pontuado era exatamente o ex-governador, infinitamente mais conhecido de Cabedelo a Cajazeiras.

    A banda oposicionista encabeçada pelo mano gêmeo do alcaide de João Pessoa, Lucélio Cartaxo (PV), que aparece situado nos 16,20% e com tais números já seria enxotado do pleito na rodada inicial, não protestou como se previa optando pela usual contradita de possuir números internos que lhes seriam plenamente favoráveis.

    Como a sabedoria ensina que só se rebate pesquisa com outra pesquisa, e os tais números de Cartaxo não apareceram, fica o dito pelo não dito envolvendo o sacro e santo direito do estrebucho.  

    De toda sorte, a pesquisa da Consult aí está e existe agora como parâmetro na corrida eleitoral para ajudar às equipes e aos partidos cuidarem melhor das estratégias dos seus candidatos. O jogo apenas começou e os dois tempos, acaso a peleja não se resolva no primeiro, não dão direito a prorrogação.

    LEITURAS...

    APROVAÇÃO DE RC - A Consult aproveitou para saber sobre a aceitação do Governo Ricardo Coutinho. Ei-la: ao cabo de quase oito anos de gestão, o Mago é aprovado por 75,50% dos paraibanos, número considerado excepcional e inédito. A maior aprovação é na região da Mata, com 83,90%. E em Campina Grande, onde ele tem a mais baixa aceitação, ainda assim os números impressionam com 58,2%.

    CÁSSIO REELEITO – Pelos números obtidos, tanto na pesquisa estimulada quanto na espontânea o senador Cássio Cunha Lima obteria a reeleição. Juntando os votos (como primeira opção ou como a segunda), obteve 12,98%.

    SEGUNDO SENADOR – O segundo senador eleito seria Veneziano Vital do Rego, com 10,8%, o que caracteriza um empate técnico previsto na margem de erro da pesquisa. A dúvida nesse caso vai ficar apenas sobre a colocação – se Cássio será o primeiro senador ou se Veneziano o superará.

    COUTO NO ENCALÇO – Mas há um ‘bicho papão’ no encalço de Veneziano e chama-se Luiz Couto (PT), que já pontua com 8,43% caracterizando também empate técnico com o ex-prefeito campinense e pode vir a tomar-lhe a vaga.

    DANIELA ACELERANDO – Para quem acha que a vida de Couto anda em céu de brigadeiro, a Consult apresenta a boa performance de Daniela Ribeiro (PP), com 6,75%, outro empate técnico a ameaçar os passos do padre petista. Primeira mulher com efetivas chances de ser a primeira senadora do Estado, a campanha da filha de Enivaldo tem tudo para crescer mais ainda.

    CAMPINA EM QUEM VOTARÁ? – Pelos números da Consult, há um complicador adicional para o ex-prefeito Veneziano em sua terra natal, onde perde para Cássio e para Daniela. Na Rainha da Borborema, na soma dos dois votos para o Senado Cássio pontua com 32,30%, Daniela tem 28,90% e Veneziano, na terceira posição, aparece com 24,4%, acendendo a luz vermelha na sala dos seus estrategistas.

     

    EM JOÃO PESSOA – Na Capital paraibana, embora haja boa vantagem para Cássio com 27,60% na soma dos dois votos, há um equilíbrio de forças: Veneziano está com 17,70%, Luiz Couto tem 16,60% e Daniela Ribeiro pontua com 13,3%. Lá, o ex-governador Roberto Paulino também mostra boa votação, com 7,70%.

     

    AUSÊNCIAS E INDECISOS – Um outro preocupante número aparece na pesquisa da Consult: 56,88% do eleitorado ainda não se decidiu em quem votar para o Senado ou disse que não vota em nenhum dos indicados. São 34,78% de indecisos e 22,10% que disseram não votar em ninguém.

     

    DEPUTADOS FEDERAIS – Os 12 deputados federais mais votados, de acordo com a pesquisa e em avaliação ESPONTANEA, são os seguintes: Hugo Motta, Pedro Cunha Lima, Gervásio Maia, Wilson Santiago, Aguinaldo Ribeiro, Wellington Roberto, Leonardo Gadelha, Benjamin Maranhão, Efraim Filho, Manoel Júnior, Adriano Galdino, Emerson Saraiva (MOFI). Necessariamente não serão os eleitos, a depender das coligações formadas.

     

    DEPUTADOS ESTADUAIS – Os 36 estaduais mais votados, também avaliados ESPONTANEAMENTE: Doda de Tião, Branco Mendes, Tião, Dra. Paula, Cida Ramos, Lindolfo Pires, Nabor Wanderley, Adriano Galdino, Nabuco, Raniery Paulino, Elda Fabiana, Célio Alves, Jeová Vieira, Wilson Filho, João Henrique, Estela Bezerra, Manuel Ludgério, Buba Germano, Érico, Beto Brasil, João Gonçalves, Renato Gadelha, Xió, Antonio Mineral, Jane Panta, Júnior Araújo, Gervásio Maia, Jacó Maciel, Taciano, Carlos Batinga, Cláudio Régis, Gustavo, Marmuthe, Ariano Fernandes, Zé Paulo, Henrique Marajá.  

     

  • ASSINATURA FALSA

    13/08/2018

    Esse imbróglio envolvendo a suposta falsificação na assinatura do presidente do Treze em petição encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) tem dado o que falar. Inclusive a negativa do incriminado, jurando que a assinatura seria mesmo do seu punho.

    A briga fica então, agora, entre o Galo e o doutor perito do Rio de Janeiro.

    E eu me valho de dois famosos peritos - Orlando Garcia, perito grafotécnico e professor de grafotécnica; e Paulo de Salvo, perito grafotécnico e documental da Conpej-SP – para de modo simples ajudar o meu leitor a entender como se dá o trabalho desse profissional.

    Vejamos:

    Para flagrar uma assinatura falsa, peritos não analisam apenas a letra. Também olham a pressão sobre o papel, a velocidade das marcas e muito mais.

    Além de comparar o documento falso com o autêntico, o perito grafotécnico faz análises detalhadas da escrita, como a força aplicada no papel e os padrões de movimentos que dão origem às formas. O estudo, que ganhou força no início do século 20, se baseia no princípio de que o cérebro é o responsável pelo gesto gráfico – ou seja, é ele que gera a imagem das letras e coordena o movimento dos músculos e do punho na hora de escrever.

    Sendo assim, como não há duas pessoas com cérebros iguais, é impossível fazer uma falsificação perfeita. Para descobri-la, o perito conta com vários instrumentos específicos, como lupas com grau de aumento, estereoscópios (um tipo de microscópio binocular), luz ultravioleta, raio infravermelho e negatoscópio (mesa com iluminação interna).

    Na própria assinatura, são analisados vários conjuntos de evidências: as características genéricas e genéticas e os elementos da grafia. Além disso, marcas, manchas, borrões e colagens no documento podem fornecer pistas.

    Nada, pois, de achismo. Tudo científica e tecnicamente trabalhado.

    CAMPO DE BOI

    A histórica fazenda do Major Veneziano, hoje propriedade do ministro Vital do Rego Filho, vai ficar menor em uma ‘nesquinha’ para fazer face às despesas da campanha senatorial do deputado Veneziano.

    Especial informante da coluna diz que o pedaço de terra que será vendido botará nos cofres do ex-cabeludo algo em torno de R$ 5 milhões, operação que somente se concretizará após apelo pessoal da matriarca ao primogênito, que relutara bastante em fechar o negócio.

    QUASE INTERVENTOR

    O playboy campinense Felipe Gaudêncio, que foi candidato a vice-prefeito de Campina Grande na chapa derrotada de Veneziano nas últimas eleições municipais, por muito pouco não foi nomeado pela CBF interventor da Federação Paraibana de Futebol (FPF).

    O nome de Felipe chegou a ser levado à Confederação pela advogada Michelle Ramalho, mas ele optou por declinar da oferta e disse não à CBF.

    SÃO VICENTE MENOR

    A valiosíssima área no Açude Velho que abriga a igreja e o asilo São Vicente de Paula ficou menor, dando espaço à especulação imobiliária, mas o negócio de acordo com especialistas do ramo teria sido um desastre para as freiras.

    A parte do terreno, que teria valor de mercado na faixa dos R$ 3 milhões, foi vendido por apenas R$ 800 mil, dinheiro que já foi inteiramente consumido na edificação de uma caixa d’água e em adequações no asilo para atender exigências legais.

    As freiras, de pires na mão, estão agora correndo em busca de doações daqueles que frequentam as celebrações.

    OLÍMPIO ESTADUAL

    O vereador Olímpio Oliveira até que relutou, mas decidiu na última hora botar mais uma vez o seu limpo nome à disposição do eleitorado e vai concorrer a uma das vagas para a Assembleia Legislativa do Estado nas eleições de outubro.

    Feito o registro no TRE, me mandou a seguinte mensagem:

    “Vou para a disputa! Afinal, quando a gente abre mão do território que Deus nos plantou, permitimos que o inimigo tome posse. A luta não será fácil, mas tenho disposição e conto com amigos como você, que confiam no nosso trabalho”.   

  • TRAIÇÃO FÚNEBRE

    08/08/2018

    Em 24 de outubro de 2007, na condição de Vereador de Campina Grande, eu apresentei ao plenário da Câmara Municipal um projeto de lei (tomou o número 231) propondo denominar de “Jornalista Ismael Marinho Falcão” o terminal de transbordo do Sistema de Integração de Transportes Coletivos da cidade, localizado no Parque Evaldo Cruz, recém construído pelo então prefeito Veneziano Vital do Rego.

    Na sessão do dia seguinte, após a devida discussão entre os colegas parlamentares, a matéria foi aprovada POR UNANIMIDADE e seguiu à Procuradoria Geral do Município para cumprimento do prazo legal, à espera de ser sancionada pelo Chefe do Executivo e assim virar Lei, o que não aconteceu.

    Tenho prá mim que este seja o único projeto, aprovado pelo Legislativo, que ainda ilegalmente mofa em escaninhos da Pasta, uma vez que Veneziano não o sancionou e nem o vetou. Simplesmente o desconheceu, de modo estranho e incabível.

    Servidor público municipal, Ismael Marinho Falcão revelou-se um valoroso cidadão ao secretariar por vários lustros os trabalhos da Casa Félix Araújo. Professor de português e discípulo do mestre Anézio Leão, foi defensor intransigente da língua-pátria e assim formou gerações de jovens. Jornalista, brilhou em nossas redações ao lado de ícones da imprensa local como Epitácio Soares, Ramalho Filho, Nilo Tavares e William Tejo. Advogado, ultrapassou seus próprios limites especializando-se em Direito Agrário e em Direito do Trabalho, deixando aos posteros valorosa bibliografia. Católico fervoroso, iniciou-se na teologia e por pouco não se ordenou padre. Pai de família exemplar, deixou uma prole de cinco filhos, sucessores que hoje, em diferentes áreas, honram as suas qualidades.

    É este em síntese o perfil do homem que a Câmara Municipal de Campina Grande, sem ressalvas, decidiu homenagear com a justa aposição do seu nome em batismo a um equipamento moderno e importante do Município.

    Aos meus pares no Legislativo, quando encaminhei a matéria para apreciação, disse ser Ismael merecedor da honraria e, aprovado o projeto de lei certeza eu tinha que as gerações futuras muito haveriam de ter orgulho do filho amado, cuja história encontra-se erigida nos anais da imprensa, do tribunal do júri popular e da cátedra.   

    Qualquer outro edil poderia ter tido a iniciativa da propositura, e sei que muitos assim desejaram, tantas foram as subscrições no documento autenticando parceria, mas na condição de irmão de Ismael eu não fugi à responsabilidade e na justificativa anexada ao projeto assim realcei a intenção: “E não proponho esta homenagem pelo fato, para mim de importante orgulho, de Ismael Marinho Falcão ter sido o meu irmão mais velho, cidadão que me encorajou a enveredar pelo caminho do jornalismo, em serviço público à comunidade. Mas principalmente pelo que ele representou em vida para esta querida cidade, onde destacou-se com exemplar prestação de serviços nas diferentes áreas onde foi chamado a colaborar para o engrandecimento de Campina Grande”.

    Calei sobre esse assunto até hoje, para não acender mais labaredas na história de um homem em quem acreditei e ajudei, mas que me decepcionou pelo que tem de máscara em seu íntimo e pelo que tem de covardia camuflada em seus gestos de faz-de-conta. Indaguei-o, e ele sempre tergiversou. E um dia, sem sequer lembrar da sólida amizade que unia o mano ao seu indefectível e bravo genitor, amarelou-se com uma desculpa tão vazia quanto mentirosa: “Papito me pediu para homenagear outra pessoa.”.

    É esse o Veneziano que só vim conhecer depois. Um TRAIDOR FÚNEBRE, como é exemplar relevo essa história.      

  • O dínamo André Agra

    01/08/2018

    Pedi a Marcos Alfredo essa bela e oportuna mensagem de exaltação feita por ele a um cara extremamente competente, humilde e discreto que, ajudando o prefeito Romero a governar a Rainha da Borborema nos últimos cinco anos ao voltar para as suas originais atividades de labor deixa uma Campina realmente muito melhor do que recebida, lá atrás, das desleixadas mãos da troupe que a gerenciava.

    É, com alegria, que preencho através do fino Português de MALFREDO o meu espaço de hoje neste portal, sugerindo a leitura do artigo na íntegra, logo abaixo.

    ANDRÉ, O DÍNAMO QUE DEIXA SAUDADES

    O engenheiro Andre Agra é um homem público diferenciado. Auditor do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), André se despediu nesta terça-feira 31 da Prefeitura de Campina Grande e deixa um vazio imenso na gestão. Era titular da Secretaria de Planejamento. Por seu próprio estilo e padrão de trabalho, com naturalidade criou na pasta e puxou para si a responsabilidade institucional de duas áreas a mais: Gestão e Transparência.

    Irrequieto, honesto, trabalhador e obcecado por informação, André Agra foi um dos motores pulsantes destes cinco anos da gestão de Romero Rodrigues. Era tão ativo que, se permitissem, ampliaria ainda mais suas atribuições dentro do governo. Só que com um detalhe: pela disposição irrefreável de servir, de contribuir, de somar. Naturalmente, às vezes, gerava algum tipo de mal-estar para desavisados, mas não demorava para se perceber que aquele dínamo às vezes procurava acelerar os processos, sempre preservando a legalidade e transparência dos atos, sempre com o fito de elevar o nível de excelência da administração municipal.

    André é assim. Tem um senso de urgência pra tudo. Não é à toa que a grande maioria das pessoas com quem trabalhou passou a ter uma nova perspectiva de serviço público e até mesmo novos conceitos sobre questões emblemáticas, como parcerias público-privadas, o papel da máquina administrativa no cotidiano da cidade e até mesmo uma visão mais ampliada sobre pontos ideológicos dentro de um governo com padrões conservadores em várias áreas.

    Obcecado pela transparência, André Agra adorava receber grupos com algum tipo de interesse econômico para discutir pautas sob o olhar vigilante de uma câmera instalada no próprio gabinete. É o grande mentor do Observatório de Campina Grande, uma ferramenta virtual que empodera o cidadão na fiscalização na própria Prefeitura. Entusiasta e ator principal também na concepção e criação do Planejamento Estratégico Campina Grande 2035, estimulando sempre parcerias e apoios institucionais para os projetos saírem do papel. Entra para a história do Complexo Aluízio Campos, projeto que tinha orgulho de acompanhar a evolução.

    Aliás, o sorteio inédito em nível de Brasil, para a seleção das pessoas que ocupariam as 4.100 unidades habitacionais do Aluízio Campos tem tudo a ver com André Agra. Com apoio político firme de Romero, conseguiu levar a efeito uma missão, com ferramentas tecnológicas exclusivas, atraindo a admiração e respeito do Ministério Público Federal (MPF), por impedir a influência política na escolha dos mutuários, com um padrão irretocável de transparência sem parâmetro até então no Brasil de democratização de oportunidades.

    Tenho o privilégio de, após conhece-lo no início da primeira gestão de Romero, privar de sua amizade, com a liberdade de discutir, questionar e até bater de frente em relação a muitas questões. Sempre o considerei um gênio indomável e, ao mesmo tempo, ingênuo na atividade política paroquial. Mas sempre tem muita personalidade para reconhecer suas limitações, reavaliar conceitos e tambem defender com unhas e dentes o que considera certo, digno e proveitoso.

    Desejo a André toda a sorte do mundo em seu retorno natural à sua casa, o TCE-PB. Nutro, como muitos outros amigos e admiradores, a esperança de que, como disse o prefeito Romero, sua despedida se limite a um "até logo".

    Com pessoas e profissionais como André, é possível se ter esperança num Brasil melhor, mais decente e digno. Eis um gigante no serviço público do povo, eis uma alma que não é pequena.

  • TIRO DO CEE-PB NA LEI DE PIMENTEL

    31/07/2018

    É realmente um PETARDO a nota ontem divulgada pelo Conselho Estadual de Educação (CEE-PB), através da qual saúda as manifestações do Conselho Municipal de Educação de Campina Grande e da Seccional de Campina Grande da Ordem dos Advogados do Brasil, registrando a sua extrema preocupação com a Lei 6.960, originada em projeto de lei de autoria do vereador Pimentel Filho, que proíbe ensino e discussões sobre ideologia de gênero nas escolas públicas municipais da cidade.

    A nota merece ser lida e analisada na íntegra - e pode ser acessada em outra área deste portal - mas eu pinço para os leitores da coluna apenas este trecho, extremamente sintomático: “...enquanto defensores da República, e dos deveres daqueles que servem ao público e a população paraibana, consideramos que as fundamentações (interpretações) a partir da religião cristã realizadas para tomada de decisão legislativa e executiva não coadunam com o espírito republicano, laico, da sociedade brasileira. Somos cônscios, enquanto educadores e cientistas, de que grande parte da nação brasileira e paraibana – e não é diferente neste egrégio Conselho Estadual de Educação – professa a fé cristã. Mas quando as interpretações bíblicas se constituem enquanto base e fundamentação para a ação e decisão política institucional, e deixa-se em segundo plano a Carta Magna e nosso Direito nacional, a estrutura Republicana vê-se ameaçada. O CEE-PB insta os poderes públicos da cidade de Campina Grande para que atentem aos princípios e direitos consagrados na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes de Bases da Educação, Lei n. 9.394”.

    NEM COUTO E NEM VENÉ

    Pré-candidato a deputado estadual pelo PPS, que integra a base política do governador Ricardo Coutinho e, por extensão, integra a aliança da chapa socialista encabeçada por Joao Azevedo, o empresário Arthur Bolinha informou ontem a jornalistas da sua rádio 101.1 FM que não dará voto ao Senado nas próximas eleições nem a Veneziano e nem a Luiz Couto. Disse que vai apenas se ater à sua campanha, adiantando que votará em Azevedo para governador e em Nonato Bandeira, presidente da sua legenda, para a Câmara Federal. “Não trabalharei, nem militarei politicamente para Veneziano e nem Luiz Couto”, assegurou sem maiores explicações.

    WALTITO FAVORITO AO SENADO

    O “injustiçado” ex-deputado federal Walter Brito Neto, único político alcançado pela guilhotina da infidelidade partidária, se declara FAVORITO na disputa pela única vaga deste ano ao Senado da República. Aliado de Zé Maranhão, Waltito jubilou-se hoje pelas redes sociais: “Claro que eu sou o favorito pro Senado, enquanto que a esquerda possui uns dez candidatos, talvez eu seja o único de ideias e projetos de Direita”.

    R$ 234 MILHÕES PARA O MDB

    O MDB de Zé Maranhão, em que pese a rejeição geral no País, continua sendo grande e, por isso vai abocanhar do Governo Federal nada mais nada menos do que R$ 234 milhões do Fundo Eleitoral, a ser rateado entre candidatos de todos os Estados. E permanece com o maior tempo de TV dentre todos os partidos – 11 dos 95 minutos, entre guia eleitoral e inserções publicitárias.

    O PASSADO CONDENA...

    Há que diga que Veneziano Vital do Rego vai repetir nas eleições de outubro a mesma prática do passado, quando aparecia e abraçava em Campina Grande o candidato Zé Maranhão, mas tão logo o velhinho subia no avião de volta à Capital mandava retirar cartazes e bandeiras, negando nos bastidores o apoio e ordenando a tropa seguir outros caminhos. Maranhão, todos sabemos, perdeu o pleito...

    Mas, o bom motivo de agora é dar quatro anos de Senado à genitora, caso Zé Maranhão, de quem ela é a primeira suplente, seja o vitorioso batendo João Azevedo, que por enquanto posa bonito nas fotos com ele. 

    O TEMIDO GALO...


    Uma informação histórica para os ferozes raposeiros que desde ontem infernizam a vida dos trezeanos, pós-derrota galista em Fortaleza diante do Ferroviário no jogo de ida da decisão da série D: em 2005 o Treze perdeu por 3 x O do Ultra em jogo de ida da Copa do Brasil, mas na volta, no Amigão, bateu o visitante por 5 x 0 e se garantiu no certame.

  • A GRANJA SANTANA

    06/06/2018

    O ‘mago” Nonato Guedes, ainda hoje a melhor pena do jornalismo político paraibano, produziu - e publicou no portal “Os Guedes” - o mais abalizado artigo sobre esse novo rame-rame envolvendo a Granja Santana, residência oficial do Governador do Estado.

    Daqui por diante tudo o mais que se disser sobre o tema, pelo menos para mim, não vale absolutamente nada. 

    Confira:

    GRANJA FOLCLORIZA E EMPOBRECE CAMPANHA AO GOVERNO DA PARAÍBA

    O bom senso decreta que é permitido debater quaisquer assuntos numa campanha eleitoral ao governo do Estado, desde que sejam, de fato, de interesse público e estejam embasados em alegações seguras ou pertinentes. Especialmente na atual conjuntura nacional, que atravessou uma greve de caminhoneiros com reflexos colaterais na vida da sociedade em geral, é salutar a discussão de problemas que afetem a população e mais salutar, ainda, o oferecimento de propostas novas, criativas e, por via de consequência, eficazes. O cidadão comum é penalizado na Segurança, na Saúde e na Educação e, naturalmente, quer testar o fosfato dos candidatos para a apresentação de propostas em paralelo com a argumentação que as fundamente.

    Um dos pré-candidatos ao governo, Lucélio Cartaxo, do PV, deu a partida para folclorizar o debate e empobrecer a campanha ao escolher como prioridade máxima o lero-lero sobre o destino da Granja Santana, residência oficial do governador, que o postulante quer converter em parque de diversões para a gurizada. O debate é suscitado a partir de denúncias sobre gastos excessivos na manutenção da Granja pelo seu inquilino atual, o governador Ricardo Coutinho. É um assunto requentado, que ganhou visibilidade na mídia nacional ao tempo em que Ricardo era casado com a jornalista Pâmela Bório e pipocaram informes sobre despesas descomunais, inclusive, com o enxoval de um bebê do casal, o que atraiu a atenção do Tribunal de Contas do Estado e deu mote para a eclosão de um bloco carnavalesco intitulado “Eu quero morar na Granja”.

    Abstraindo o inegável senso de humor dos promotores do bordão carnavalesco, a discussão sobre o destino da Granja é feita de forma enviesada. O problema não é a Granja, em si, mas a ostentação dos gastos que são feitos com o dinheiro do contribuinte. Um governante que preze o erário rechearia de transparência máxima a publicização de despesas com comida, enxoval e até bebida. Seria o meio para provar que não há excessos nem mordomias e que a conta do mês bate com as necessidades do governante de plantão e da “entourage” que o cerca. Como não é praxe essa transparência, é inescapável a insinuação sobre “farra” com o dinheiro público. Mas poderia ser simples e diferente, vale repetir, de tal sorte que o custo de morar na Granja seja compatível com o diagnóstico de pobreza e de carências da Paraíba, Estado que tem perdido posições no ranking regional do desenvolvimento econômico e social.

    A Granja Santana é um imóvel que foi adquirido pelo ex-governador João Agripino, eleito no final da década de 60, para suprir um problema incômodo: na época, os governadores da Paraíba residiam no Palácio da Redenção, no centro da cidade, onde a privacidade era zero e grande era a dificuldade de recepcionar presidentes da República e autoridades de outros escalões que aqui aportam. O governante não é obrigado a morar na Granja. Cássio Cunha Lima, por exemplo, que tinha “neuras” em relação à Granja, ocupava o imóvel situado em Miramar para despachos e reuniões com secretários. Cássio, porém, residia num condomínio na Capital, onde dava vazão a momentos de privacidade e lazer com a família. Ressalte-se, porém, que a despesa na contabilidade do governador continuava custeada pelo erário, ou seja, com dinheiro do contribuinte.

    Mentor, junto com o irmão gêmeo Luciano, prefeito reeleito da Capital, de um bloco carnavalesco intitulado “Picolé de Manga”, o pré-candidato a governador Lucélio Cartaxo tenta ridicularizar o governo de Ricardo com “os gastos da Granja” e se propõe a tornar o imóvel um imenso parque recreativo para deleite de crianças e adolescentes, a custo zero para estes. É a velha fórmula do circo em primeiro lugar, acima do pão. Que planeja fazer o pré-candidato Lucélio para que a Paraíba deslanche na rota do desenvolvimento? Isto ele não diz, ou porque não conhece os números da realidade do Estado ou porque talvez ache enfadonho partir para esse tipo de discurso. Já tivemos debate em campanha a prefeito da Capital em que a principal pergunta de um candidato ao seu competidor era sobre onde ficava o “ponto geodésico” de João Pessoa, um truque, naturalmente, para desmontar o adversário, que nem de ponto geodésico entendia. Quanto à Granja Santana, há boas histórias que por lá rolaram- uma delas sobre gansos da oposição que eram tratados a pão-de-ló pelo governador Tarcísio Burity. Mas isto é outro capítulo…

    Nonato Guedes

  • Caçando “marajás”

    05/06/2018

    Entusiasmado com a possibilidade de conquistar uma cadeira no Parlamento estadual o empresário Arthur (Bolinha) Almeida reedita, com anexos, a vitoriosa trajetória do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que décadas atrás elegeu-se Chefe da Nação empunhando a bandeira do corte de privilégios na vida pública.

    O apelo midiático de Collor foi tão forte que logo ele passou a ser identificado - e aplaudido - como o “Caçador de Marajás”, algo que aos olhos do assombrado eleitor se traduzia numa espécie de salvador da Pátria, o que de fato o País estava procurando no pós-Ditadura Militar.

    Ao discurso oportuno do alagoano, que focava a alta casta privilegiada do Poder Público e determinava-se a cortar o salário e penduricalhos dos contracheques, Bolinha acrescentou tudo o mais que deixa boquiaberto o eleitor pobre das periferias: os auxílios, inclusive a magistrados, os carros públicos de luxo à disposição de autoridades, as escancaradas verbas indenizatórias através das quais parlamentares comem, moram e viajam de graça, e a mais dilacerante delas: a que distribui contracheques gordos a aliados que sequer precisam dar-se ao trabalho de ofertar em troca um pouco do suor do rosto.

    Bolinha é homem sofrido; e vivido. Por ambas razões, tornou-se vitorioso e bem sucedido no meio empresarial, onde tem respeito e credibilidade para pedir voto e dizer porque o faz. Mas, não lhe basta alcançar esse público, daí estar construindo uma plataforma eleitoral que se coadune com os reclames e a revolta dos guetos. E essa “toga” de caçador de marajás (privilegiados de hoje) se amolda bem ao seu perfil e à sua própria história de vida e de trabalhador.

    Estar entre os eleitos é uma real possibilidade para Bolinha. É amigo do Rei (RC), tem carga financeira pessoal para suportar as naturais despesas da corrida, é filiado a um partido bem organizado, o PPS que a nível municipal preside em Campina Grande, e conta com “bagagem” de votos, adquirida nas duas últimas eleições municipais.

    Só se espera que, sendo eleito, não amolde-se às confrarias que enojam e desvirtuam o Parlamento. E não venha a fazer como Collor, que nunca caçou marajá algum e frustrou todo o País.

  • OLHOS DA VERDADE DE TIÃO

    01/05/2018

    Irreverente e ousado, o jornalista Tião Lucena tem uma qualidade nata que exercita no seu mister: expressar-se amparado na verdade, mesmo aquelas que incomodam graduadas autoridades estaduais, muitas delas hoje nutrindo ódio dilacerante por ele como disso dá farto exemplo o senador Cássio Cunha Lima, que o chamou meses atrás de “baba ovos” na inútil tentativa de diminui-lo no conceito profissional.

    Na condição de executivo da Secretaria de Estado da Comunicação Institucional (SECOM) Tião tem diminuído, mas não abandonado, os afazeres no ‘Blog do Tião’, obrigatório espaço na internet que se transformou em espécie de pauta para as redações dos demais veículos de mídia do Estado.

    Ainda assim, confirmando a voracidade de sempre, tem incomodado bastante.

    Hoje, ele postou em seu espaço virtual o relato de passeio de final de semana a Jacumã onde, atuando como motorista da esposa Cacilda e amigas dela, privado assim de tomar algum gole etílico para não infringir a Lei Seca - plenamente sóbrio, portanto - conseguiu avistar enquanto cidadão o que até aqui, como funcionário público e nesse caso especial aliado da prefeita da área,  Márcia Lucena, a quem vez por outra dirige loas, o que certamente desconhecia.

    “Fiquei o dia inteiro sem postar nada aqui no blog porque em Jacumã não existe internet”, informou Tião dando o diagnóstico mais preciso: “É uma porcaria a telefonia e a internet nem porcaria consegue ser”.

    O domingo de Tião foi “um dia fazendo companhia a uma dúzia de mulheres em Jacumã”, que ele explica como quem revela o desprazer de um sacrifício: “Com a responsabilidade de dirigir, não tomei nem uma lapada. Milagre da Lei Seca. E cheguei ao anoitecer virgem de qualquer extravagância”.

    A parte mais dura do comentário de Tião, e aonde chancela a sua inoxidável verdade jornalística que independe de eiras ou beiras, é um soco frontal na prefeita Márcia, que administra o Município do Conde, onde fica Jacumã, sob duras críticas da população exatamente porque deixa muito a desejar, não representando um desastre porque a mão amiga do governador Ricardo Coutinho, que a elegeu, tem feito a diferença e suavizado a hecatombe enganosa com a qual a cidade se defrontou sob condões da ex-secretária estadual da Educação.

    “A praia está bonita, mas a rua principal de Jacumã continua a mesma favela de sempre”, atestou assim de modo cru e direto o meu amigo “bonitão”.

    Tião ainda viu que “as ruas mais afastadas estão transformadas em crateras”, aliviou justificando ser “por causa das chuvas” e graças a Deus lá onde ele ficou com Dona Cacilda e as amigas dela “a coisa está menos ruim”.

    Ainda bem que Tião, com os novos afazeres no Estado, tirou seu foco de Jacumã, onde tinha bela vivenda ali prás bandas da bodega do nosso comum amigo Bigu, a quem relata ter  visitado numa sobrinha de tempo e por quem foi convidado a voltar ao distrito para com ele comer uma “legítima galinha de capoeira com feijão verde”.

    Tião viu pouco, inda bem. Não tivesse se desfeito do imóvel onde veraneava com a família, trocando-o por aconchegante refúgio em condomínio de ricos felizes em Bananeiras, certamente o abandonaria como muitos que eu conheço estão fazendo, perdidas as esperanças com o trabalho que a professora Márcia prometeu, mas ainda não teve equipe nem pulso para tocar.

  • BARROTE DIFÍCIL DE ROLAR...

    23/04/2018

    De inexpressivo e mofado “retrato na parede”, conforme indiretamente lhe pintou a oposição, o presidente da Associação Paraibana de Imprensa (API) e candidato à reeleição, João Pinto, virou de uma hora para outra em pedra no meio do caminho dos que estão se aventurando em derrotá-lo.
    Nada de xexinho...

    Pinto agigantou-se e é já agora, faltando pouco mais de dois meses para a eleição, um rochedo difícil de ser esfacelado. Na linguagem da madeira, talvez um “pau de dar em doido”, que seria frase de ótimo emprego para a ocasião, mas de fato virou BARROTE gigante exatamente prá segurar intempéries como essas, gestadas nos esgotos de múmias que se atrevem a posar como seres de inovação.

    E o que traz de vantagem o nome de Pinto no confronto em que a sua atual vice, a acatada porém desconhecida Sandra Moura, foi escalada por Walter Santos e outros auto-proclamados luminares do jornalismo das tabajaras para desalojá-lo do histórico prédio da Visconde de Pelotas e dele sair como cachorro sarnento e sem dono?

    O que viria a contribuir com a API essa – ao que se diz – bem letrada professora da UFPB a não ser nessas ações que já grassam em redações da Capital provocando divisões entre o mar e a montanha, o litoral e os sertões, como se a Paraíba tivesse que regredir a tempos de outrora em que só a “elite” da mídia pessoense tinha a força do mando ditando regras exclusivistas em menosprezo aos que fazem jornalismo legítimo da ponte Sanhauá para adiante?

    Pode a mestra-vice de João Pinto ter escrito os melhores livros do universo, pode ser ela a mais dedicada das damas da academia, mas a contar pelo que se deduz esperar dos seus generais de campanha, “pau mandado” é pouco para qualificar o que dela se diria num improvável resultado positivo do pleito.

    De João Pinto, e da nova API por ele comandada, credite-se a interiorização das ações da entidade. O jornalista de Patos ou Cajazeiras, Itaporanga ou Conceição, Cuité ou Picuí, Guarabira ou Serraria, Boqueirão ou Cabaceiras, contam na mesma medida daquele que se batizou em Campina Grande ou em João Pessoa.
    E isso não é pouco!

    Ainda hoje lí rabiscos de Marcela Sitônio, a baixinha espevitada que antecedeu a Pinto na presidência da API e uma das patrocinadoras da candidatura de Sandra Moura, defendendo ela o legado do tempo em que por lá passou, de 2009 a 2015 – móveis projetados que comprou para mobiliar com toques femininos a sala onde dava expediente e o que definiu como a “imagem pública da entidade”.

    Na avaliação de Marcela, Sandra Moura “é o nome certo para reconduzir a API pelos caminhos da integridade, da autonomia e altivez”.

    E fim de papo.

    É Sandra e pronto, porque “diálogo” e forma de convencer, na linguagem espancadamente patriarcal de Marcela e desses outros que atiçam a divisão permanente da API, é regra para virar cláusula pétrea no Regimento da nossa velha associação.

    Como não sou adepto de ditaduras, sou dos primeiros a gritar que ela PERMANEÇA longe da API.
    E nem precisa, depois dessas mal traçadas.... Mas, como virou antecipada moda nesta eleição, vá lá:
    MEU VOTO É DE JOÃO PINTO!

  • MULHERES (paraibanas...)

    10/04/2018

    Maysa, Ana, Micheline, Eva, Fátima (Bezerra)...

    É assim, não necessariamente nessa ordem, que se pescam nomes para chapas eleitorais e sinecuras outras na fétida política partidária paraibana.

    E não é de hoje!

    Lúcia, Chica, Lígia, Virgínia, Fátima (Paulino), Cacilda, Ivonete, Maria (Barbosa), Gisélia...

    Mulheres de políticos na vanguarda - também irmãs, titias, vovós, cunhadas, filhas, primas, sobrinhas... - e em sua maioria sem currículo convincente a mostrar ganhando cargos em secretarias de Estado e de prefeituras, em câmaras municipais, diretorias de órgãos federais, na Assembleia Legislativa, em gabinetes de desembargadores, na Câmara Federal, em suplência do Senado...

    Sem falar no prestígio dado às amantes, algumas que eu conheço dispondo de melhores cargos e posições do que os ofertados às titulares.

    Uma, aqui mesmo em Campina, por pouco não alcançou medalha de ouro.

    Agora mesmo, e de novo, a briga política já não se limita à zoeira das oposições na difícil procura por um nome majoritário que venha figurar na cabeça de chapa para concorrer ao Governo. A inquietação adicional - de um lado e de outro - volta-se em torno da busca de uma saia caseira que venha posar de vice como solução perfeitamente acabada para os imbróglios da temporada.

    É o caso de se perguntar: e nessa Paraíba de tantas talentosas e valorosas “muié macho sim sinhô” só vale para ser vice governadora quem for da família de detentor de mandato?

    Cadê vocês, madames?

    ESCORREGADA

    Ainda patinando na condução do horário que lhe deram na CBN Campina Grande, onde com sua conhecida humildade busca dar o melhor, embora a invasão de ‘talentos’ da Capital a iniba e a deixe refém da pauta que vem de lá, Valéria Assunção continua cometendo gafes, algumas imperdoáveis para quem como ela já tem boa rodagem no meio e deveria pelo menos conhecer a fundo os personagens do nosso dia-a-dia.

    Hoje, por exemplo, ao acionar a surrada fórmula de dar a ‘dica’ para o comentarista de plantão entrar no tema pautado Valéria trocou Hervásio (Líder do Governo na Assembleia) por Gervásio (presidente da AL), em lamentável mico.

    “E aí, Suetoni, Gervásio fica, né?”, provocou Assunção em deixa para o comentarista político pessoense falar sobre a volta do deputado Hervásio Bezerra (que é suplente) para o posto em face de licença requerida pelo deputado Adriano Galdino.

    Me disseram que no studio da CBN João Pessoa, d’onde saem as ordens para a turma da Rainha da Borborema, da ancora Patrícia Rocha ao próprio Suetoni foi difícil segurar o riso.

    ERALDO CÉSAR

    Para quem apelidava Eraldo Cesar múmia da radiofonia campinense, o veterano animador do longinguo e saudoso Clube do Papai Noel da extinta rádio Borborema está mais vivo e fogoso que muito engomadinho parido em curso de comunicação que só sabe cuspir nos microfones.

    Por obra e maravilhosa graça da CBN local, que o ressuscitou para o meio, Eraldo César dá show na emissora às manhãs das terças feiras com sua coluna CALÇADÃO, que eu recomendo ouvir por ser de fato imperdível.

    História, humor inteligente e a irrepreensível sagacidade do magistral profissional dão ao espaço um padrão realmente global.

    Parabéns triplos – à direção da rádio e ao meu dileto amigo, em dose dobrada.

  • UM VIOLINISTA NO TELHADO

    20/03/2018

    Amparo-me em Emilio Franco Jr., na crítica a “Um violonista no telhado”, para acertar-me de que vale mais um sorriso doído do que uma lágrima indesejada.

    E aconselho aos amantes – ou não – do cinema a assistirem esse primor de fita que a TV Cultura reprisou na madrugada da última sexta feira e a mim serviu para suavizar os rasgos dilacerantes do operado ombro esquerdo que me fez insone, mas feliz por ver o filme até final, coisa rara no meu caso.

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    A fita é impecável do início ao fim. Brilhante, alegre e comovente. Uma lição de amor ao próximo e de aceitação das diferenças.

    É raro uma obra cinematográfica conseguir juntar sentimentos conflituosos com competência incontestável, abordar temas tristes sem jamais parecer tomar partido real e, acima de tudo, mostrar alegria e tristeza, beleza e pobreza mescladas, sem nunca perder de vista a essência de que vale mais um sorriso doído, do que uma lágrima indesejada.

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    Um filme que enxerga a beleza no nada, vê a esperança na decadência humana, mostra personagens com valores rígidos, mas que aprendem a revê-los, a contestar a tradição em nome da felicidade, a buscar a essência dos seres humanos e descobrir pessoas capazes de completar umas às outras em meio a um mundo constantemente colocado em conflitos, sejam armados, de ideias, ou de espírito, em prol de um bem maior: a harmonia dos iguais. Com uma simplicidade ímpar, com o toque perfeito de humor e com uma vibração contagiante, Um Violinista no Telhado passa mensagens sérias, contundentes, sem nunca perder a beleza de sua narrativa e de suas falas. A conclusão chega cedo: uma obra-prima.

    Os minutos iniciais já são impecáveis. A apresentação temática e da humilde comunidade judaica, com suas tradições e costumes, é construída de maneira brilhante. São 10 minutos em que o roteiro nos familiariza com os personagens que conheceremos, mostra o humor único de um pai de família humilde, expõe características culturais do povo retratado e contextualiza historicamente o espectador. Minutos incontestáveis. A primeira mensagem universal trazida pelo longa é a dos valores. Não só no que diz respeito à tradição cultural e da época, mas sim aos valores dos seres humanos, das pessoas que em meio a tanta pobreza conseguem transbordar felicidade. E são executadas, já na hora inicial deste filme de 180 minutos de duração, as belíssimas e inesquecíveis canções “Matchmaker”, na qual as três filhas mais velhas de Tevye (Topol) sonham com os homens de suas vidas, e “If I Were A Rich Man”, quando o próprio chefe da família devaneia em pensamentos de como seria sua vida caso fosse mais afortunado.

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    Aos poucos, toda a tradição familiar e da cultura judaica começam a sofrer pequenos ajustes com a chegada de novas formas de pensamentos e de novas pessoas ao vilarejo. O conservadorismo dos tradicionais é aos poucos revista pelas ideias dos direitos femininos, inclusive da educação das mulheres e da livre iniciativa para escolha do marido. Justamente, os confrontos entre Tevye e as opções de suas filhas geram alguns dos momentos mais sutilmente engraçados de Um Violinista no Telhado. E seguindo textualmente um pouco da ordem cronológica do filme, quando Tevye sela o casamento de sua primogênita, o diretor Norman Jewison brinda o público com a belíssima coreografia da cena do bar.

    Mas, nem tudo pode ser comemoração na vida de alguém tão humilde como Tevye. E os momentos felizes são logo interrompidos por notícias ou acontecimentos tristes. Ao mesmo tempo, são esses fatos que levam o homem a fazer seus desabafos particulares com Deus, momentos também abordados com um incrível senso de humor. “Eu sei que somos o povo escolhido, mas de vez em quando você não poderia escolher algum outro?”, murmura Tevye com os céus. E quando tudo parece estar perdido, seus olhos procuram o azul celeste da mesma maneira como sempre, porém sua boca não é capaz de pronunciar palavra alguma. Em uma cena em que todas as falas seriam desnecessárias, bastou o olhar de um homem decepcionado com suas próprias crenças para que tudo fosse dito.

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    E, aos poucos, Um Violinista no Telhado segue o curso natural da história de seu tempo: a Segunda Guerra Mundial e seus desdobramentos em solo russo. Porém, a ótica de Jewison sobre o tema diferencia seu filme de muitos outros sobre o sofrimento do povo judeu. Não é explorar os terríveis fatos que interessa ao diretor e ao roteirista Joseph Stein, que adaptou a trama do livro escrito por Sholom Aleichem, mas, sim, mostrar o cotidiano alegre de uma comunidade judaica que não tinha motivo para ver mais desgraça na vida. O filme é cuidadoso quanto a isso, e reserva-se ao direito de mostrar apenas o necessário para o perfeito entendimento dos fatos. O foco principal é o cotidiano da família comandada por Tevye, pois é ela que trará, de diversas formas, a mensagem de amor e aceitação contida no texto original.

    Topol presenteia a todos como uma atuação brilhante, convincente. É extremamente fácil e rápido para que o espectador se apaixone e se identifique com ele, por mais que o personagem não tenha nada a ver com que o assiste. Impossível não compartilhar de suas dores, angústias, dúvidas e de sua bondade. Um Violinista no Telhado recebeu merecidas oito indicações ao Oscar de 1972 (ano de Operação França e Laranja Mecânica). Saiu vitorioso em algumas categorias técnicas como fotografia e trilha sonora. Indubitavelmente, uma obra reconhecida à sua época, mas que o tempo tratou de consagrar.

  • MEU MANGUITO ROTADOR

    14/03/2018

    Descobri agora aos 65 anos - espero festejar domingo, 18 - que sou dono de um MANGUITO ROTADOR, parte do corpo sem a qual fica difícil abraçar amigos ou esmurrar inimigos.

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    Até dias atrás ele funcionava normalmente e, por isso, nem me dei conta da sua extraordinária e fundamental existência. E posso garantir: não dá para viver sem o manguito; ou com ele enferrujado, avariado...

    Como estou sofrendo dores insuportáveis depois que meu ANÔNIMO CRIMINOSO motivou a que eu machucasse impiedosamente esse pedacinho de corpo que vivia a salvo da minha esquelética curiosidade, amanhã no Antonio Targino o velho órgão ficará à disposição do bisturi e furadeira do Dr. Aristóteles Queiroz Neto, jovem especialista em cirurgia de ombro que por graça divina encontrei na Clínica de Ortopedia Campinense (CTO), lá no São José onde o amigo Luciano Guedes principiou os cuidados.

    Aristóteles me alivia sobre o procedimento: Não mais do que 40 minutos, dois buracos vazados por uma furadeira elétrica e a costura do “elástico” (tendão) rompido durante a queda que acabou por manter-me vivo, por centímetros, a salvo da ira do quase ASSASSINO aos pés do Shopping Luiza Motta. 

    Depois da alta hospitalar, 40 dias com o braço imobilizado e na sequência 90 dias de fisioterapia para que tudo venha ficar nos trinques e o braço esquerdo volte a fazer todos os movimentos de outrora, reabilitando-me a dar e receber abraços, esmurrar malfeitores... E o melhor: responder e dar adeuses.

    É a vida...

    Mas, nunca é demais o aviso: o braço direito tá de pé, firme e forte, e com ele dedilharei artigos para este espaço continuar alegrando ou - será o caso do meu ANÔNIMO CRIMINOSO ou de quem o pagou para a inacabada empreitada - incomodando.

    E viva meu MANGUITO ROTADOR!

  • CBN CAMPINA: GATO POR LEBRE

    07/03/2018

    De expectativa a frustração, assim pode ser definida a chegada na Rainha da Borborema do sinal da CBN - a rádio que toca notícia.

    Resultado de imagem para VALERIA ASSUNÇÃO CBN

    Lamentavelmente, não ganhamos a “CBN Campina Grande”, mas a sucursal em Campina Grande da “CBN João Pessoa”.

    Em palavras mais certas: nos deram gato por lebre!

    Até para se chegar à nova emissora via internet temos que acessar a página da CBN da Capital e, nela, clicar no link que remete para mais esse ‘trocinho’ que o Grupo São Braz ganhou e imagina estar administrando com sucesso.

    Do que seria a grade local implantou-se um arremedo, salvando-se o jovem dos esportes, Silas Batista, grata revelação que tem sido obrigado a engolir a “rede” e empurrar o solene Bruno Filho de goela abaixo no irreverente e descontraído desportista campinense.

    Um lástima!

    Para ‘preencher’ o período matinal das 09 hs. às 12 hs. a escolha de Valéria Assunção não poderia ter sido pior.

    Não por ela em si, enquanto vivida mulher de mídia que dá show na telinha da TV, mas pelo tudo que lhe falta para ser talk-show também no rádio.

    Valéria é bonita e enche os olhos do telespectador; e dela pode-se dizer que está de fato inserida no melhor do que se entende como “padrão Globo de qualidade’. Na TV, sem dúvidas, é nota 10. Mas, no rádio, ainda tem uma estrada longa a percorrer...

    E quando a enturmada turma (vale a redundância) de João Pessoa toma conta do espaço dado a Valéria, o insuportável chiado carioquês com nariz empinado de Patrícia Rocha vira insulto à capacidade laboral dos jornalistas daqui.

    E Campina, assim complacentemente, vê-se obrigada a ouvir os comentários políticos sempre óbvios de Suetoni Souto Maior, a ‘diversidade de Rubão’ (Rubens Nóbrega) no foco de continuamente desconstruir o trabalho de Ricardo Coutinho, e outros da turma que nem merecem citação.

    Fiquei surpreso com isso, mas era mesmo de esperar.

    A caduquice de Zé Carlos deu gás novo e liberdade aos seus meninos - Eduardo e Cacá - e os dois certamente abobalhados que ficaram quando puderam trocar o bafo podre das águas do Açude Velho pela desgalvanizada maresia do Oceano Atlântico, não estão nem aí para o que de melhor possa ser feito para esta Campina Grande que lhes deu régua e compasso, além de dólares; muitos dólares, aliás!

    Dessa dupla, e à época a contragosto do pai, perdemos para sempre o Jornal da Paraíba, que levado a João Pessoa para crescer diminuiu e fechou suas portas definitivamente.

    Considero chegada a hora de Campina, por suas vozes institucionais, chamar os dois ao feito, em nome do que Campina lhes deu e em nome do que Campina Grande deles tem por obrigação de receber.

    COISA DE GÊNIO (?)

    Edson Pereira, ou “Pedreira” como assim lhe chamam nos estúdios da 101.1 FM, anda tão empolgado com sua voz em Frequência Modulada que hoje avantajou-se mais ainda ao sugerir, para espanto do companheiro Morib, que a engenharia do Estado e das prefeituras de Campina Grande e de Queimadas arquitetem um projeto para a construção de uma nova estrada dando acesso a Queimadas.

    Justificou que a BR engarrafa rotineiramente e duplica-la seria muito mais oneroso e complicado.
    E eu fiquei a imaginar: vai rasgar por onde esse caminho? Em elevado, por sobre o atual?

    Quero detalhamento.

    ATUALIZANDO

    A convite de Gustavo Ribeiro estive sexta feira na 101.1 FM participando do ATUALIZANDO, sensacional fórmula de programa, sob direção de Cléber Oliveira, que tem agradado aos ouvintes da cidade. Lá, o convidado não é entrevistado; conduz o programa.

    Saí crédulo de que a radiofonia campinense ainda tem jeito.

    CLÁUSULA PÉTREA

    Imaginei até ontem ser Kennedy Sales CLÁUSULA PÉTREA no coração da família Rego. À noite, ao me beliscar, compreendi: certas pessoas não tem essa válvula no peito. Só isso.


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