Colunista Marcos Marinho

  • TEMI, salvador ou aterrador?

    09/07/2020

    A chegada de Temistocles (TEMI) Cabral ao “lar-doce-lar” da família Rego, anunciando apoio à ex-Primeira Dama Ana Cláudia na sua provável candidatura a prefeita de Campina Grande, chega numa hora maravilhosa para ela, que continua capengando em todas as pesquisas informais de opinião feitas na cidade até agora.

    O ex-arauto de Cássio Cunha Lima, a quem servia com fidelidade prá lá de canina desde o dia em que aterrisou em Brasília para de mim receber as chaves do gabinete no Anexo IV da Câmara Federal que era ocupado por Raymundo Asfóra, na verdade se transforma no primeiro nome de peso da desaprumada caminhada da mulher do PODEMOS.

    Peso morto, é bom realçar!

    Temi foi botado prá fora da Prefeitura Municipal de Campina Grande exatamente porque Romero Rodrigues, o prefeito bonachão, enxergou nele limites insuportáveis de incompetência. E como seu saco já se encontrava superlotado daqueles puxadores advindos da cota do primo Cássio, enxotá-lo mesmo contrariando o à época vice-prefeito Ronaldinho Cunha Lima não foi lá nenhuma coisa de outro mundo.

    Por muito pouco a festa d’O Maior São João do Mundo no ano inicial da gestão de Romero não foi literalmente para o brejo, sob comando de Temi e do vice Ronaldinho, este duplamente ainda mais incompetente que o subordinado.

    Dizer que aquilo lá foi um “desastre” soaria até como elogio, em face do gigantesco caos instaurado sob os acordes do triângulo, do pandeiro e da sanfona...

    E vem daí o ódio de Temi a Romero Rodrigues, embora o desamparado serviçal tenha segurado sua raiva e seu sufoco até aqui, quando chama o alcaide campinense de IMBECIL e anuncia encontro com o marido-senador de Ana Cláudia se supervalorizando certamente para dele receber alguma sinecura no Senado.

    Na ânsia de prestar serviço inicial aos seus novos patrões, Temi acaba machucando Cássio e diz sem meias palavras que o ex-guru “abandonou Campina e deixou na mão desse imbecil Romero, que é um fraco”.

    Travestido de ‘Mãe Dinah’, vai mais longe: “Eu vou votar em ANA CLÁUDIA e podem anotar: será a prefeita de Campina".

    Confirmando subserviência ao grupo que supostamente se desliga e por isso mesmo deixando no ar a dúvida sobre suas reais intenções, Temi se trai: “Eu disse a Cássio a minha estima é você. Eu só estou fazendo isso porque você não é candidato”.

    Apesar de ser um peso morto e não ter votos em Campina Grande, onde por duas vezes tentou se eleger Vereador com ostensivo apoio de Cássio Cunha Lima e acabou morrendo na areia da praia, a chegada de Temi Cabral ao pelotão de Ana Cláudia levou os áulicos de Veneziano e da madame ao pleno orgasmo...

    Foi como se o diploma de prefeita acabasse de cair nas mãos dela, tanta é a euforia no curral dos Rego em Campina Grande, comemorado o gesto do enxotado da PMCG como uma explosão de ânimo na desanimada troupe.

    Felizmente para Ana Cláudia e seguidores, quem em terra de cego tem um olho posa de rei (de Rainha, nesse caso) e estamos conversados. Ou, em mais pragmático enquadramento: melhor ter um Temi na mão que todo um PT de Campina Grande voando...

    E assim caminha a caminhada (com trocadilho mesmo) da bela e ilustre mulher do outrora cabeludo da Borborema.

  • MORBIDEZ JUNINA

    23/06/2020

    Irrepreensível no combate à expansão do novo coronavírus em Campina Grande, o prefeito Romero Rodrigues esqueceu - e não teve assessoria corajosa para lembrá-lo - de que esta ainda é a terra d’O Maior São João do Mundo.

    Custava executar uma simples decoração que fosse, nas ruas centrais da cidade?

    A pandemia está aí matando gente, sim senhor!

    Mas à parte recursos existem em abundância, para custeio das ações e medidas necessárias, vindos inclusive do Governo Federal.

    Entretanto Campina aí está, lambida e sem cor, jogada a um canto sujo de parede, abandonada à um insano destino por conta de um desastre descomunal que nunca vai existir.

    Essa palidez mórbida em nada combina com o imorredouro espírito festeiro e festivo da sua gente indomável e aguerrida, pós-graduada no superar dos desafios, mais ainda nesse tempo onde há fartura na roça, muita água nos barreiros, apego à religiosidade e crescimento acelerado da fé no Criador.

    Suspender - ou acabar - o Maior São João do Mundo no Parque do Povo e no arraial de Galante é uma coisa, obviamente bastante compreensívl; outra é não deixar a chama apagar!

    A imagem pode conter: atividades ao ar livre
    Hoje é véspera do dia de São João, proibidas as fogueiras e os fogos que iluminafriam os nossos céus.

    Mas, repito, custava ter espichado uns metrinhos de saudosas e coloridas bandeirinhas para ziguezaguear sob o vento frio da Venâncio Neiva, da Maciel Pinheiro, da Cardoso Vieira... Pelas praças da Bandeira, Clementino Procópio, do Trabalho... Enfeitar Galante e São José da Mata para o matuto também ter direito de olhar p’ro céu?

    E que dizer daqueles tapumes em redor do Parque do Povo? Pagar uns sprays de tinta para os mágicos grafiteiros desenharem espigas de milho, fogueiras e balões não teria sido uma boa idéia?

    Faltou criatividade a Dona Rosália Lucas, pelo Poder Público? Ao barulhento Arthur Bolinha, pelo empresariado?

    Sei não, mas campinense de verdade não pode ter olho vesgo!

    O vírus malvado pode até vir a sepultar definitivamente a nossa gigante festa do meio do ano, mas que não se inocule, como estamos presenciando, na cabeça de quem deveria trabalhar usando também o bom sensoi e o coração.

    Tenho dito! 

  • Obrigado, Amazan!

    22/06/2020

    A cidade d’O Maior São João do Mundo, e por extensão todas as demais do Estado da Paraíba, foram neste sábado envergonhadas em horário nobre da principal rede de TV do País – a Globo.

    Não fosse um ‘cabra da peste’ chamado Amazan, que tira da sua sanfona acordes do que tem de melhor na música regional e consegue fazer jorrar da alma e do coração versos capazes de imediatamente arrastar qualquer um para forrozear no terreiro, nenhum conterrâneo teria mais, doravante, a disposição de botar a cara na rua...

    Menos mal, haverão de dizer os meus contumazes críticos escudando-se na certeza de que o meu ex-vizinho hoje prefeito em Jardim do Seridó (RN) tem de que é um dos ícones do forró brasileiro.

    Menos mal, digo eu, porque felizmente a transmissão se circunscreveu apenas aos Estados da região, minimizando a desconcertada e proposital cara de pau de Eduardo Carlos e demais diretores das duas afiliadas da Globo na Paraíba, que continuam mostrando despreparo, má vontade e falta de empenho para promover e até mesmo brigar pelos valores artístico-culturais de Campina Grande, João Pessoa, Monteiro, Itabaiana e outros celeiros estaduais repletos de maravilhosos artistas.

    A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas tocando instrumentos musicais e pessoas no palco

    A inoportuna LIVE teve tudo de ruim, menos os cenários das demais capitais onde atrações locais foram pautadas para “encher a linguiça” do horário.

    Até um apresentador (sic?!) chinfrim acho que natural de Caruaru e merecedor de tomar urgentes aulas de Abílio José ou de Cleber Morais, pisou feio na maionese...

    Nem mamulengo parecia! 

    E foi exatamente o que faltou para dar ainda mais brilho às entradas do sanfoneiro campinense na horrorosa produção da Globo Nordeste. Uma bandeirola que fosse, um quadro retratando o São João do carneirinho, uma fogueira estilizada ao fundo do ambiente...

    Mas nada...

    Ou, tudo a denunciar que as TV’s dos filhos de Seu Zé do café e da canjiquinha estão à beira da falência, algo a se lamentar.

    Bandeirinhas de São João, abanos, balões de papel manteiga, panelas de barro, quenga de coco, cabaço, cangalhas de burros, bonecas de pano... Juntando um mói dessas coisinhas tão apropriadas para a época a conta não passaria de míseros reais, coisa que parece estar mesmo faltando na boca do caixa da TV  Paraíba e da CBN locais ou, se não, a mufunfa aqui arrrecadada viaja direto para ser bem fechada nos cofres de João Pessoa.

    Ocorre que, na realidade, o proposital descalabro não se dá por acaso e nem pela primeira vez em se tratando de Cacá ou de Eduardo Carlos, os pimpolhos que tomam conta dos negócios no império do velho José Carlos da Silva Júnior e que, ao largarem a borda do Açude Velho onde o pai amealhou a fortuna que a todos sustenta, se deslumbraram com a orla de Tambaú e de Campina só querem ver o dinheiro que ainda cai nos cofres das empresas.

    Daqui eles, contrariando o pai quando ainda dava pitacos nos negócios, levaram a sede do Jornal da Paraíba para João Pessoa, aonde logo depois fecharam-lhes as portas.

    A TV Paraíba, que era orgulho em pessoal e em técnica, foi sucateada e o quadro de colaboradores se resume a pouco mais de meia dúzia de dedicados jovens, obrigando o espectador de Campina Grande e Região a assistir à produção amadorística de despreparados repórteres mostrando a criminalidade das Cinco Bocas de Mandacaru, os buracos do Mussum Mago, a seboseira dos mercados públicos, a prostituição na orla do Cabo Branco e outras pautas que não dizem o menor respeito e sequer despertam o interesse da parte paraibana que mora após a ponte do rio Sanhauá.

    O exemplo do “pouco caso” com Amazan é apenas um.

    Mas que pelo menos sirva para acordar as agências de publicidade e o empresariado local para darem prioridade às outras empresas de comunicação que conseguem valorizar o povo de Campina Grande.

    Como dá para ver, os Carlos já estão satisfeitos com o que conseguem amealhar em João Pessoa.

  • A "patada" do vigário

    18/06/2020

    Denunciado por Gabriela Matos Do Ó nas redes sociais, por ter se descontrolado durante celebração na Igreja Matriz de Campina Grande, onde é vigário geral, jogando ao chão com violência um pedestal, supostamente por haver se aborrecido com o sacristão da igreja a quem teria inclusive negado a eucaristia, o padre Luciano Guedes confessou o erro sob a simplória justificativa de que “felizmente sou também humano”.

    A celebração não era presencial, mas virtual, e estava sendo transmitida pela internet.

    O erro do vigário chega a ser compreensível, mas não perdoável.

    Comumente, aos olhos dos fiéis, padre é homem santo. Imune ao erro, por exemplo, o que não corresponde à realidade dos bastidores do clero, onde são muitas as histórias de religiosos brutos, ignorantes e mal educados.

    Durante as missas e demais celebrações padres se esforçam em passar a imagem de bons, mas neste momento de pandemia onde as igrejas seguem fechadas e os cultos só se permitem de modo virtual, a falta de público - o olho no olho - tem traído muita gente: de padre a sacristão, de coroinha a ministro...

    E foi isso o que aconteceu com o vigário do principal templo católico de Campina Grande, deslize que passa a servir de exemplo não somente para ele, mas para todos os demais sacerdotes brasileiros que ainda não estão devidamente treinados a aparecer em frente às câmeras dos celulares ou da televisão.

    Não seria nada mal recomendar que bispos e arcebispos autorizem seus subordinados a se submeterem a um ligeiro estágio nos estúdios das TV’s da Igreja - Canção Nova, Rede Aparecida, etc. – para não darem vexames assim como esse do padre Luciano.

    Por trás de uma igreja vazia câmeras levam imagem e voz do padre a um mundão de gente, isso o celebrante precisa obrigatoriamente saber!

    A CONFISSÃO DO PADRE

    Foi assim a confissão do padre Luciano, também pelas redes sociais:

    “Irmãos e irmãs, sobre o vídeo da Missa, sexta-feira, 12 de junho, ‘recortado e repassado’ às pessoas através deste aplicativo de mensagens: Quero dizer a vocês que faltei com a paciência, não foi um bom exemplo. Peço, a quem necessitar, as minhas desculpas de coração; felizmente sou também humano. Peço as orações de vocês e lhes ofereço as minhas. Obrigado. Padre Luciano Guedes (13.06.2020).”

  • BRAGA, O HOMEM BOM

    19/05/2020

    Enquanto jornalista, sempre tive ótimos contatos com governadores paraibanos, e me fiz respeitar ao respeitá-los.

    Saudoso hoje com a morte de Wilson Braga, aproveito para discorrer sobre esses momentos da minha vida e dividi-los com minha meia dúzia de fiéis leitores.

    Vamos lá, um a um:

    AGRIPINO, O SISUDO

    Com o eterno sisudo João Agripino, tive uma relação mais protocolar.

    E somente anos depois em Brasília, ele deputado federal e eu chefiando o gabinete de Raymundo Asfóra, estreitamos um pouco o canal, mas ainda assim cercado de cerimonias, o que não impediu que alargássemos uma amizade familiar a partir da minha volta para a Paraíba quando tive no TRT a alegria de dividir sala de trabalho com sua nora Berenice, esposa de Gervásio Maia.

    João era a voz respeitável da Paraíba no Congresso Nacional. Quando ele subia à tribuna, o plenário calava para ouvir seu discurso sem pressas e cheio de conhecimento.



     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    ERNANY, O POPEIRO

    Ernany Sátyro foi um caso à parte.

    No Palácio ou na Granja Santana, e mesmo em Campina Grande e Brasília quando ele esteve exercendo o mandato federal, os entreveros foram as partes mais marcantes do nosso relacionamento.

    Tomamos juntos muitas doses de uísque, algumas delas em festas de final de ano que o Governo fazia no Hotel Tambaú para confraternizar-se com os jornalistas.

    Ernany era um figuraço e dono de uma autoridade excepcional. Seu vozeirão metia medo nos incautos, um deles o meu saudoso amigo Eudes Vilar, fotógrafo à época do Jornal da Paraíba que conosco viajou para uma dessas confrarias e buscava fazer os melhores registros do governador.

    Bom de copo, Ernany ao meu lado acercou-se do garçom e pediu uma dose dupla de malte, no que foi prontamente atendido ante o olhar “cinematográfico” do vigilante Eudes Vilar, que o espreitava feito cobra apta ao bote.

    Sedento, Ernany deu as costas para Eudes Vilar, que imediatamente arrodeou para mirar novo ângulo. O “amigo velho” deu outro giro; Eudes, idem.

    E aí  ele estourou!

    - “Amigo velho, você vai deixar eu beber ou não vai?”, gritou inflando os pulmões e chamando a atenção de todos.

    Com a rapidez de um foguete jogou o copo em minhas mãos e fez pose para Eudes: “Vá, tire logo as fotos todinhas e me dê essa máquina que eu vou mandar guardar”, esbravejou para depois sorver a dupla dose em um só gole.

    Lá em Brasília nos encontrávamos no cafezinho à porta do plenário da Câmara Federal e também eventualmente no seu gabinete, que ficava no mesmo Anexo IV dois andares abaixo do nono em que Asfóra tinha o dele e onde eu trabalhava.

    Quando Argemiro de Figueiredo morreu, foram escalados para discursar em sessão especial Asfóra e Ernany. Aliás, dois discursos realmente memoráveis... O de Asfóra, ele mesmo deu um nobre título: “Um grande Sol do meio dia”.

    Após a sessão, os dois decidiram publicar os discursos em uma só publicação e me encarregaram de tomar as providencias.

    - “E eu tenho pressa nisso, amigo velho!”, recomendou-me Ernany dizendo que ainda naquela tarde queria o discurso para revisá-lo, o que era impossível porque a taquigrafia tem um prazo de 24 horas para preparar o material e mandar ao DCN (Diário do Congresso Nacional), que publica os discursos com a observação SEM REVISÃO DO ORADOR.

    E levei aí minha primeira ‘popa’ do notável escritor. Que eu me virasse, pois aquilo era uma ordem.

    Não sei como, mas consegui sensibilizar uma amiga taquígrafa e ela já perto das oito da noite liberou as notas taquigráficas dos dois discursos e eu corrí ao apartamento de Ernany para entregar-lhe o arrazoado.

    Mas também não deixei por menos: “Deputado, eu tenho pressa e o senhor deixe o material amanhã de 10 horas com sua secretaria que eu passo lá pra pegar!”, e fui-me embora.

    Soube depois que ele queixou-se a Asfóra. Que já conhecia esse ‘jornalista atrevido” desde quando governava o Estado.

    Uma semana depois o livro revisado estava pronto para ser impresso, mas é praxe da Gráfica do Senado só mandar o material para a rotativa após a assinatura dos autores nos originais, para evitar eventuais reclamações.

    Mandei a parte de Ernany, entreguei a de Asfóra e lá avisei à secretária que pedisse pressa ao deputado, se possível me devolvendo o material ainda na parte da tarde. Não se passaram 10 minutos e o telefone tocou. Era a meiga secretária de Ernany avisando que ele queria falar comigo “agora” e pessoalmente.

    Desci pelas escadas de serviço e antes do andar do gabinete de Ernany já passei a ouvir seus gritos...

    A recepção foi péssima!

    - “Amigo velho, você é analfabeto?”, veio com o dedo em riste à minha presença ainda na ante sala, ao que com óbvio receio respondi: “...mas tenho me esforçado para um dia ser um escritor tão bom quanto o senhor”.

    Sem querer, amorteci o golpe e Ernany baixou o tom me puxando para dentro do gabinete onde deu-me uma desnecessária aula.

    A raiva dele até que procedia...

    Ele me esfregou na cara os originais do texto já revisado pela Gráfica do Senado e me mostrou a palavra INTESTINA riscada, onde algum revisor colocou ao lado uma interrogação.

    E passou vinte minutos me explicando que INTESTINA não se referia a bucho - de boi ou de gente – mas a coisa de dentro, interna...

    O “mundo intestino”, a “vida intestina”, que era o que ele cuidava no seu discurso quando exaltava qualidades desconhecidas do homenageado. E várias vezes me mandou aprender ler, a escrever, a não censurar nem ignorar o que um escritor da sua relevância escrevia. Que não dava cabimento para aquilo!

    Inútil a minha ponderação, ao avisá-lo que a revisão fora feita pela própria Gráfica do Senado e eu estava apenas sendo intermediador das providências, facilitando a sua vida.

    E saí do seu gabinete com a pecha de analfabeto e incompetente!

    Raiva não tive, e ao contar a história a Asfóra rimos até a barriga doer...

    BURITY, O INTRANSPONÍVEL

    Com Tarcísio Burity a convivência se deu em dois momentos distintos: na condição de admirador e na de auxiliar.

    Lá em Brasília, em que pese a intragável presença de Dona Glauce a interferir desnecessariamente na vida parlamentar do marido, blindando-o até das amizades, ainda deu tempo de participar e vê-lo desfilar sua inteligência com qualidade pela tribuna.

    Veio a eleição e Asfóra completou a chapa do MDB com ele para governador, na condição de vice. Foram eleitos, mas o tribuno decidiu matar-se e eu fiquei sem emprego faltando 15 dias para ocupar a chefia da Casa Civil do Vice Governador da Paraíba.

    Burity facialmente era um homem intransponível. Não não permitia nenhum movimento no rosto que pudesse dar ao interlocutor a chance de identificar se estava de bem ou de mal com a vida, alegre ou triste.

    Mas ele ligou para mim e lamentou que àquela altura já tivesse preenchido todos os cargos da futura administração, por isso não tinha muito a me oferecer em termos de remuneração. Ponderou, entretanto, que a vaga de vice seria preenchida mais à frente e ele iria me manter já naquele momento chefe da Casa Civil do Vice Governador, cargo que tem (ou tinha, na época) status de Secretaria de Estado.

    Fui nomeado, com a observação de que enquanto não se resolvesse a eleição do novo vice, eu seria uma espécie de elo da corrente entre ele e Campina Grande, cidade que desejava prestigiar a partir do meu trabalho.

    Dia seguinte, todos os jornais da Paraíba reprovaram o ato, pois Burity tinha nomeado um secretário para um vice defunto. E o governador, sempre temeroso e respeitoso com a mídia, recuou, embora tenha me mantido no cargo, onde fiquei por mais de seis meses até que ele empreendeu uma reforma administrava e cortou diversos cargos, um deles o que havia me dado.

    Não lastimei e até fiquei feliz porque me facilitou retornar para Campina Grande e replanejar a vida. Mas três dias depois Orlando Almeida, que era secretário de importante Pasta bem prestigiada pelo Governo veio me trazer um recado de Burity: minha nomeação para Chefe da III Região da sua secretaria, localizada em Campina Grande e com atribuições sobre as chefias locais da CAGEPA, CEHAP e outros órgãos da estrutura governamental.

    Polidamente recusei o cargo e somente voltamos a nos encontrar anos depois no comitê de campanha de Maranhão, quando ele disputou o cargo de Senador e veio a ser derrotado, ainda convalescendo das sequelas do tiro que lhe desferiu Ronaldo Cunha Lima.

    RONALDO, O POETA

    A convivência com Ronaldo Cunha Lima foi divina. O poeta sempre foi especial. E nos irmanamos desde a eleição dele para a prefeitura de Campina Grande.

    Vivendo a boemia carioca, advogado conceituado e já com a vida familiar devidamente planejada nos limites da Guanabara, não passava mais pela cabeça do poeta voltar para Campina Grande e muito menos disputar outra vez a mesma prefeitura que os generais lhe tomaram à força na Ditadura militar.

    Quem o convenceu disso foi Raymundo Asfóra, em intermináveis e sucessivos telefonemas que dava para ele da minha sala no prédio da Bolsa de Mercadorias da Paraíba ali ao lado do antigo Fórum Afonso Campos na avenida Floriano Peixoto.

    Era ponto de honra de Asfóra não deixar que seu rival de juvenis pelejas – Antonio Vital do Rego - pudesse vir a se tornar prefeito de Campina Grande, possibilidade muito provável já que era o candidato do prefeito Enivaldo Ribeiro e de toda a máquina da ditadura militar de 64.

    Aos olhos bastante ampliados de Asfóra, só um homem derrubaria o “fuscão preto”: Ronaldo José da Cunha Lima, o filho de Dona Nenzinha!

    E deu no que deu deu.

    Mais tarde, Asfóra já deputado federal e Ronaldo ainda prefeito, consolidamos mais a nossa amizade e o gabinete do tribuno na Capital da República passou a ser o ninho de Ronaldo no Planalto Central.

    Todos os projetos de Campina Grande tramitando nos ministérios receberam a minha acolhida, por ordem de Asfóra. Ou seja: a agenda do prefeito Ronaldo em Brasília era feita por mim, à exceção da agenda boemia que o fazia varar a noite para encontrar o dia... Foi quando, por insistência de Gleryston Lucena, seu notável secretário de planejamento, Ronaldo numa dessas idas a Brasília me entregou um envelope pedindo que só abrisse depois de deixá-lo no aeroporto de regresso a Campina Grande.

    Ao abri-lo mais tarde, a surpresa: uma portaria de nomeação na Prefeitura Municipal de Campina Grande, como Assessor Especial do Gabinete do Prefeito, que só aceitei depois de conversar com Asfóra e dele receber um aval bastante verdadeiro: “Oxente, e quem resolve tudo da prefeitura aqui em Brasília num é tu, Marcos Marinho?”.

    Nos dois anos em que ficou sem mandato, e eu já em Campina, passei a ser o homem que respondia cartas e pedidos da população ao ex-prefeito e candidato a governador. Cássio o havia sucedido e me deu um cargo de salário dobrado exatamente para que eu assessorasse também o genitor, o que fiz com muita alegria até que o elegemos governador da Paraíba.

    MARANHÃO, O AMIGO

    Conheci José Targino Maranhão em Brasília mesmo. Na verdade, nunca havia tido conhecimento sequer da sua existência até que a ele fui apresentado por Asfóra num esplendoroso domingo de sol no Clube do Congresso.

    Salário baixo na Câmara, vida completamente diferente da que hoje presenteiam-se os assessores parlamentares, além de me apresentar Asfóra sugeriu que Maranhão me contratasse para fazer a sua parte de imprensa e esta seria uma forma de ajudar “pagar o aluguel do apartamento dele”.

    Daí por diante a nossa amizade foi prá valer. Além da parte de imprensa, ainda o auxiliei em outras coisas e recebia um cheque mensal que de fato ajudou em muito a honrar minhas despesas na Capital da República.

    Ainda hoje, embora sejam raros os nossos encontros, a amizade se mostra recíproca e eterna!

    MARIZ, A SAUDADE

    Antonio Mariz estava sem mandato, quando nos conhecemos. Foi nomeado diretor de autarquia federal no Governo Sarney (Tancredo Neves) e estreitamos relações através de uma filha dele que trabalhava com Aluízio Campos no Anexol III da Câmara.

    Depois, nas articulações para a campanha a governador, as diversas reuniões serviram para mostrar que de fato ele era um homem extremamente preparado para tão honroso cargo, embora já soubessemos do mal que o acometia e que lhe ceifou a vida meses depois já eleito e empossado governador paraibano.

    BICHARA, O GENTLEMAN

    Ivan Bichara Sobreira era um gentleman. Discreto, elegante, um homem realmente de fino trato. Nada a ver com a classe política que hoje conhecemos.

    O conheci apresentado por Edvaldo do Ó, que estava para fundar em Campina Grande a Bolsa de Mercadorias da Paraíba e me convidou para ser o Secretário Executivo, com atribuições de tomar todas as providencias inerentes à consolidação do importante organismo comercial.

    O governador me recebeu diversas vezes, entusiasta que ficou com o projeto de Edvaldo, a quem garantiu todo apoio do Governo do Estado, honrando-o devidamente.

    O momento mais marcante foi quando eu fui ao Palácio para lhe entregar um documento que o presidente da Bolsa de Mercadorias de São Paulo, José Ulpiano de Almeida Prado, confiou-me, quando em um dos nossos encontros na formação da Bolsa paraibana.

    -“Dr. Bichara, este documento o Dr. Ulpiano pediu para entregar-lhe “em mãos”, e aqui estou para cumprir a missão”, disse-lhe mais ou menos assim. Ele pegou o grande envelope, olhou frente e verso e logo o abriu, puxando de dentro uma folha timbrada com o selo da Bolsa de São Paulo e a assinatura de Ulpiano. Leu e abriu um leve sorriso, demonstrando alegria e contentamento. Chamou a secretária, pediu que tirasse uma cópia, botou num envelope pequeno e me pediu que entregasse a Edvaldo, mas me deu conhecimento do teor.

    Como ele, também de origem árabe, José Ulpiano de Almeida Prado estava recomendando e pedindo que o Governo da Paraíba desse apoio integral ao projeto de Edvaldo. E discretamente avisou-me: “Esse pedido dele eu já atendi, mas agora vou reforçar, diga isso a  Edvaldo e saiba que podem dispor do nosso apoio”.

    Viemos a nos encontrar na inauguração da Bolsa, e depois não mais o vi.

    CÁSSIO, O IMATURO

    Cássio Cunha Lima eu conheci menino, na volta do pai do Rio de Janeiro. Incontáveis vezes o peguei no aeroporto de Brasília, mas nunca desconfiei que aquele rapaz ainda imberbe viesse sair candidato a deputado federal, substituindo Raymundo Asfóra no Parlamento brasileiro.

    - “Vou votar nele porque você está me pedindo, mas acho que ele não está preparado para o cargo”, disse a Asfóra certa noite quando a candidatura de Cássio já ultrapassava as fronteiras de Campina Grande e se desenhava imbatível.

    Na reta final da campanha vim para Campina Grande, ajudar e votar. E me surpreendi com o discurso redondinho que Cássio fez em comício gigante no Parque do Povo, alterando a opinião errada que eu tinha sobre ele.

    Cássio pediu-me para ficar em Brasília e tomar conta do seu gabinete, que seria o mesmo de número 935 do nono andar do Anexo IV.

    Não fiquei, porque meu compromisso com Asfóra era de irmão e eu teria que estar com ele na Vice governadoria da Paraíba, mas garanti a Cássio que passaria aos seus assessores todas as informações e dicas que se fizessem necessárias para ele começar o seu trabalho no Planalto.

    E assim  o fiz. Cássio trouxe o mano Savigny, o primo Flávio e o amigo Temi Cabral para ajudá-lo no mandato e aos três eu abri o colosso do Congresso Nacional. Com o próprio Cássio percorri os gabinetes mais importantes da Casa, o apresentando a diretores e funcionários graduados que tanto ajudaram a Asfóra exercer seu brilhante mandato.

    Ajudei Cássio em muitas empreitadas: discursos, projetos etc. O que ele proferiu em sessão solene da Câmara para homenagear Asfóra - “Poetas não morrem” - foi feito a quatro mãos: as minhas e a do seu pai Ronaldo.

    Prefeito, me nomeou assessor especial, cargo que para seu espanto lhe devolvi meses depois quando fundei o jornal A PALAVRA em sociedade com seu compadre Mica Guimarães.

    Um dia, Teles Albuquerque, meu vizinho no Itararé que na época era vereador em cidade do brejo e amigo de Cássio, me confidenciou que o prefeito fizera rasgados elogios a mim porque o usual era ele receber pedidos de emprego e nunca devolução de emprego.

    Depois nos afastamos, ruptura que permanece ainda hoje.

    RICARDO, O ESTADISTA

    Ele era deputado estadual e veio a Campina Grande conceder uma entrevista ao “Verso & Reverso”, programa que eu apresentava na Campina FM ao meio dia junto com Josué Cardoso.

    O tema era a alta dos combustíveis, formação de cartel pelo setor e uma futura CPI na Assembleia que ele estava para propor.

    Ricardo mostrava todo o seu poder de convencimento, quando entrou no estudio Antonio Hamilton Fechine, dono de rede de postos na cidade, desejoso de confrontá-lo e eu peremiti o debate.

    Foi com certeza um dos grandes momentos da nossa radiofonia e Ricardo saiu vitorioso da peleja.

    Daí surgiu a nossa amizade, que se mantém dentro de elevados padrões de mútuo respeito.

    Quando governador, me recebeu com honras no Palácio da Redenção. Eu já não era mais vereador e sim um simples jornalista, mas despertei ciúmes nos ilustres vereadores campinenses que, há meses, tentavam audiência e não conseguiam o encontro.

    Depois participei do programa semanal ‘Fala do Governador’, também no Palácio, onde almoçamos juntos e derivamos para conversas menos formais, atualizando os assuntos.

    No penúltimo ano da sua segunda gestão Ricardo me convidou para assumir uma asessoria política em Campina Grande e a Chefia da Secretaria de Comunicação Institucional na cidade, isto em plena crise de abastecimento d’água quando a oposição triturava o Governo e ninguém o defendia, sequer a sua base política.

    Fiz meu trabalho, modéstia à parte, com invulgar competência, mesmo sem receber o obrigatório apoio logístico do meu amigo secretário Luiz Torres, que também parecia desprezar Campina Grabnde. Passada a crise aguda, calada a oposição, entreguei-lhe o cargo.

     E posso afirmar, sem nenhum medo de cometer excesso, que Ricardo Coutinho foi um estadista ao governar a Paraíba.


    BRAGA, O HOMEM BOM

    O governador Wilson Braga era uma unanimidade na Paraíba. Queridíssimo por todas as classes, seu governo tinha a melhor avaliação possível.

    Mas, partidariamente adversário de Asfóra, por razões mais que óbvias eu o antipatizava.

    Aliás, o termo “braguista”, que identificava o seu eleitorado, era palavrão na época.

    Belo dia, ou melhor, em uma bela noite Asfóra pediu que eu ligasse para o gabinete do governador da Paraíba, que ele queria falar com Wilson.

    Fiquei surpreso, mas disquei. Rapidamente a secretária da Granja Santana botou ele na linha e Wilson Braga foi logo se alargando em loas a Asfóra, até que o interrompi avisando que ainda não era Asfóra ao telefone, mas eu, seu Chefe de Gabinete. “Mas se trabalha com Raymundo é inteligente igual a ele, né não?”, acariciou meu ego.

    Quase todas as noites, mesmo Asfóra sendo do MDB e Braga da Arena, os dois passavam  horas ao telefone em conversas divertidas que arrancavam largas gargalhadas de Asfóra.

    Daí por diante, quando ele ligava sem o auxílio da secretaria já me identificava: “Seu Marinho, como vai?"

    O famoso ‘quebra gelo’ entre eu e Braga contou com a ajuda de Asfóra e a inestimável força de dois amigos do governadsor: Padre Albeni Galdino e Olga Barros, cujo marido era secretário de representação do Governo em Brasília. Os dois me referenciaram perante Braga e Braga passou a ser também meu amigo.

    Mas a certeza de que Wilson Braga era um HOMEM BOM veio da lavra de Asfóra quando o interroguei sobre tanta intimidade assim com um adversário político que, apesar de bem avaliado, era visto como RUIM por muitos paraibanos.

    A síntese de Asfóra foi como um carimbo, me calando para sempre:

    - “E onde tu já visse uma pessoa que tem LEITE no nome ser ruim, Marcos Marinho?”.

    Pois é, Wilson LEITE Braga agora é saudade. E eu me convenci de verdade que aqui na terra foi um homem muito bom.

    Deus o tenha ao seu lado!

     
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  • ROBERTO - Geni ou Madalena?

    15/05/2020

    Há quem diga - e muita gente diz isso, sim! - que Roberto Cavalcanti é um lobo voraz, mas permanentemente vestido em pele de inocente cordeirinho...

    Suas garras poucos veem, e isso por uma inteligente e sagaz iniciativa dele – a de terceirizar o uso delas. 

    No Sistema Correio de Comunicação, por exemplo, as garras de Roberto atendem pelo nome de Alexandre Joubert, um patético galegão metido a playboy que administra o grupo gritando humildes empregados, dando murros em mesas e construindo com políticos corruptos tratativas nada republicanas que possam a qualquer custo manter o imperio de pé.

    Nas demais empresas, desde aquela Polyutil por ele falida depois de receber os generosos e milionários recursos do FINOR, passando pela revenda da Honda e outras periféricas, dizem que a maneira de trabalhar do marido da arquiteta é o mesmo.

    Aos olhos de muita gente - e bote muito nisso - Roberto Cavalcanti é um doce de pessoa!

    Vem daí a surpresa para quase todos que o conhecem, convivem ou apenas dele ouvem falar, daquela criminosa ação de ontem pelos microfones da sua policialesca 98.3 de João Pessoa ao sugerir apedrejarem jornalistas que divulguem mortes por COVID19 como quem comemora um gol do escrete nacional.

    Para ficarmos com o linguajar do mais recente ídolo de Roberto Cavalcanti, perante os microfones da rádio Correio o dono do maior Sistema de Comunicação do Estado da Paraíba deu apenas “uma fraquejadazinha” quando sem querer expôs as velhas e mofadas garras que Joubert esconde e afia a cada dia com carinho subservientemente canino.

    Foi somente isso!

    Ainda antes de terminar a participação Roberto acordou e viu que ele era ele e não Joubert, dando tempo para desculpar-se pelo crime, embora o estrago já não pudesse mais ser reparado.

    O que sobra de bom nesse infausto acontecimento é que a partir de agora sabemos, todos os paraibanos e brasileiros, que Roberto Cavalcanti é de carne e osso. Nunca aquele santinho do “pau oco” que mandou o marketing polir e vender.

    Eu, pelo menos, nunca fui destratado por Roberto.

    Às suas empresas dei meu suor por mais de uma década e dele sempre recebi gentilezas, uma delas ainda marcante nos meus assentamentos do coração.

    A convite de Gutenberg Cardoso e Josival Pereira, eu exercendo o mandato de Vereador em Campina Grande, fui a João Pessoa para uma entrevista ao Correio Debate e nos surpreendemos quando a porta do estudio abriu e Roberto entrou para me abraçar. Sentou ao meu lado, sinalizou que desejava falar e lhe abriram o microfone.

    Mas, não recebi pedradas!

    Com a natural elegância que imprime ao seu dia-a-dia, um polido Roberto Cavalcanti me cobriu de generosos adjetivos e disse que havia interrompido seu caminho quando soube que eu estava na rádio e alí viera apenas para dar testemunho sobre a minha maturidade profissional e política, elementos fizeram dele meu admirador.

    Vejo a triste repercussão da notícia em blogs e portais, da Paraíba e do Sul do País; em notas de associações, excluída obviamente a que jamais poderia faltar, da Associação Paraibana de Imprensa; na boca miúda dos acovardados, muitos ainda empregados do que resta no Sistema Correio.

    Feitiço virando contra o feiticeiro, pedras desabam sobre ele, doravante uma ‘Geni’ quando o recomendável seria dá-lo como Madalena.

    Que lhe reste prudência doravante, pois não serei eu a atirar-lhe mais uma ‘primeira pedra’.

    NOTA DA AMIDI (I)

    Da Associação da Mídia Digital (AMIDI) repudiando as declarações do empresário: “De um líder de um grupo de comunicação e testemunha ocular das agruras, pressões, incompreensões e dores diárias vividas por jornalistas para o cumprimento do exercício profissional, espera-se o reconhecimento da infelicidade da abordagem e da constrangedora injustiça com aqueles que ao seu lado trabalham para construir audiência, credibilidade, faturamentos, empregos e lucros”.

    NOTA DA AMIDI (II)

    “As únicas pedras que devem ser erguidas nesse momento tão grave que atravessamos são as que solidificam a informação e os meios profissionais de comunicação como alicerce inabalável de uma sociedade esclarecida, democrática, humana e civilizada. O contrário desses valores é pecado que não lavaremos as mãos”.

    DO ‘PARAIBA RADIO BLOG’


    “Na mente senil de Roberto Cavalcanti, a violência só presta quando lhe proporciona lucro. Porque ele patrocina o programa mais sanguinária da TV paraibana, um verdadeiro almoço com sangue e corpos decapitados comandado ao meio-dia por Samuka Duarte. Quanta hipocrisia!!!.

    DE SUETEONI SOUTO MAIOR

    “Ex-senador da República, empresário bem-sucedido da área de comunicação e até mesmo, membro da Academia Paraibana de Letras. Estas eram, até agora, as credenciais comumente usadas para se referir ao empresário Roberto Cavalcanti. A elas foram acrescentadas, nesta quinta-feira (14), outra nada elogiosa, a de quem passou a defender que os jornalistas e radialistas que divulgarem as mortes causadas pelo novo Coronavírus sejam “apedrejados” na rua. Vejam bem, falo do apedrejamento de quem exerce o dever constitucional de  bem informar à população”.

    DO SINDICATO DOS JORNALISTAS

    “A declaração, além de chocante, causa repulsa na categoria, que foi considerada como serviço essencial durante a pandemia e continua trabalhando em seus postos normalmente. Nem mesmo as funções com possibilidade de trabalho remoto foram liberadas para tal. Outro agravante é a falta de equipamentos de proteção individual como máscaras em diversos desses locais do Sistema Correio, onde os trabalhadores estão expostos e, com isso, já foram identificadas pelo menos cinco infecções pelo vírus”.

    DE TIÃO LUCENA

    “Acho que só Mofi, por motivos óbvios, se atreveu a defender o patrão. O resto do mundo condenou a defesa do apedrejamento a jornalistas feita pelo seguidor fanático de Bolsonaro na Paraíba, o homem que quer ser paladino da verdade mas que nunca foi nada disso ao longo da sua tumultuada história”.

    DE WALTER SANTOS

    “Ele pode defender Bolsonaro e a política retrógrada em curso, todos vamos respeitar mesmo contestando, porque faz parte do processo democrático, mas defender abertamente em seus canais de emissoras públicas, de autorização pública, a agressão pura e simples é um absurdo inaceitável, seja em que regime for”.

    DE FABIANO GOMES

    “É preciso contestar (com toda veemência) a violência proposta por Roberto Cavalcanti. Acredito que – talvez – a quarentena esteja lhe fazendo mal. Pois não é possível supor que ele olhe a mídia – seu metiê, onde transitam os profissionais que tanto contribuíram para o crescimento do Sistema Correio -, e sinta de fato o desejo de lhes atirar pedras. E pelo simples fato de estarem exercendo a profissão!”.

    DO DEPUTADO FREI ANASTÁCIO

    “Em minha opinião, Roberto Cavalcante como um ser humano que sempre se apresentou de forma gentil e solidária com as pessoas, deveria ir a público pedir desculpas pelo que disse, principalmente por ser um empresário da comunicação. A declaração dele foi muito infeliz, sobretudo, num momento no qual os profissionais de imprensa também estão expostos aos riscos de contaminação pelo Coronavírus, diante da missão de bem informar”.

  • O HORÓSCOPO E OS MEUS VISITANTES

    03/05/2020

    Acredito muito pouco em horóscopo. Principalmente porque, trinta anos atrás, para o ‘Jornal da Paraíba deixar de pagar a Omar Cardoso me botaram para escrever as tirinhas de cada dia, quando então me familiarizei com Júpiter, Saturno, Netuno, Plutão...

    Resultado da obrigatória aventura: tornei-me incrédulo!

    Mas hoje, vendo as previsões para maio no UOL, vejo-me obrigado a repensar sobre a incredulidade.

    Pode ser que o advento da internet tenha botado fé no que dizem os astros. E quem serei eu para disso duvidar?

    Diz a tirinha, dentre outras supostas certezas: “... período pode ser marcado pela abertura de sua casa a pessoas queridas, amigos e parentes mais próximos. Sua casa pode tornar-se ponto de encontros para boas conversas”.

    Tá certo que minha casa é, sempre foi e continuará sendo ESCANCARADA.

    O ato de receber - e muito bem, modéstia à parte - herdei do velho Ovídio Marinho e da insubstituível matriarca Dona Virgilia e o que o horóscopo atesta é uma verdade histórica, nada de novidade portanto.

    Mas, sei lá...

    Lá em Pibus, onde refugiei-me nos últimos 15 dias para driblar o tal do novo Coronavírus, não foi diferente e o horóscopo do UOL foi supimpa.

    Além de sobrinhos, e filhos que já não moram mais comigo, recebi boas pessoas da área, com as quais pudemos botar velhos e novos assuntos em dia, projetar planos para a frente e agradecer a Deus pelo dom da vida.

    O gaúcho Eduardo Cassol e sua elegante namorada, ele empolgado com a possibilidade de se eleger Vereador do Conde, me deram imenso prazer em dividir um sábado inteirinho onde os 50 graus de álcool da cachaça Rainha imunizaram nossas partes internas contra o vírus enquanto o álcool 70 graus se encarregou do que dava para ser visto e admirado por fora...

    No domingo de pouco sol a sorridente Karla Pimentel, assessorada pelo seu irrequieto marido Hermann Régis, veio tomar conosco uma gelada taça de guaraná Antarctica e degustar política, empolgadíssima que está com seu projeto de tornar-se a terceira mulher prefeita do belo pedaço do nosso Litoral Sul paraibano.

    Júnior Rodrigues, o supermercadista que ano passado presenteou Jacumã com o maior espaço comercial desse segmento, optou pelo cafezinho bem quente para dizer-me da marcha à ré que empreendeu no sonho de conquistar a prefeitura condense.

    Já na terça feira chuvosa onde o Sol teimava em rasgar as nuvens do dia, a primeira visita foi de Edinho Mendes, acompanhado pelo meu estimadíssimo amigo com quem cheguei, anos atrás, a dividir os microfones da rádio de Leo Carneiro (Jacumã FM) onde fazíamos um polêmico programa político em defesa do desassistido povo do Conde.

    Edinho Mendes também anda empolgado com a sua pré-campanha a prefeito e sua preocupação de agora é apagar a notícia que se espalha pelos quatro cantos do Município de que outra vez não levará adiante o projeto e se “venderá” para o candidato (a) que as pesquisas indicarem à frente dos demais.

    Essas foram as visitas presenciais, porque em dias de FIQUE EM CASA a internet é quem mais ajunta.

    E foi assim com um monte de outros amigos:

    - O vice prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, que é meu amigo há anos e preside hoje na Paraíba o Solidariedade que dá aval a Edinho Mendes na postulação política, ele me garantindo de pés juntos que leva adiante a candidatura do empresário “até a vitória que será superlativa”;

    - O ex-Vereador Fernando Boka Loka, que em longos e cansativos papos me obrigava a varar a madrugada ouvindo suas lamúrias e explicações do porque renunciou ao mandato ano passado e garantindo que este ano não seria mais o segundo Vereador mais votado do Conde, mas o primeiro. E ainda um tanto desconcertado, talvez pelo drama da impensada renúncia, gesto que jurou nunca mais repetir, já ontem desmentiu-se provando a insegurança pessoal que lhe domina os atos e abdicou de postular o Legislativo para dizer-se candidato agora a prefeito pelo MDB, onde Aluízio Régis dá as ordens e com certeza lhe puxará o tapete.

    Campina Grande me chamou de volta ontem e cá estou, deixando abertas PORTA E agenda, aqui e lá.

    Para também ter na Borborema um tempinho de ouvir Robson Dutra, Olímpio Oliveira, Arthur Bolinha, Bruno Cunha Lima, Júnior do estacionamento e outros diletos amigos que gravitam no universo político-partidário, esperam o beneplácito das urnas de outubro, e a minha estada na casa de Pibus adiou nossas conversas.

    E na volta ao Conde, segunda de amanhã a oito, receber em casa outros nomes de lá, um deles que costumo brincando chamar de sub-produto do trigo (Olavo Macarrão), que será trazido e bem vindo ao meu doce-lar pelas pedintes mãos do amigo pastor-jornalista Caco de Jacumã.

    Ufa!

    Esse horóscopo do UOL é de fato bem mais acertador do que aquele que eu escrevia no saudoso JP.

  • NA MINHA ARCA...

    02/05/2020

    Aqui em Pibus (Carapibus, Distrito de Conde-Jacumã) onde divido com Campina Grande as horas da quarentena, a praia é o que menos agora tem contado...

    Ficar em casa, obedecendo aos protocolos da OMS e das autoridades sensatas do País, é imposição de sobrevivência - de vida, pois!

    Tenho, graças a Deus e às minhas eficazes economias, um ranchinho à beira do Atlântico onde o estresse do cotidiano se esvai, a mulher pega bronze e nós todos aliviamos o calor interno com algumas geladinhas.

    Apesar das exigências locais e proibições impostas pela prefeita, ainda tem dado para caminhar cedinho com os totozinhos pelas areias frias aproveitando para admirar a imensidão do Oceano e o necessário vazio de gente que acaba por deixar o mar meio que sem sentido.

    O privilégio de ter uma vivendinha dessas minhas aqui em Pibus é que na hora que o mar faz falta a terra nos acolhe.

    Largando a areia, o resto da paisagem é de sítio, clima de fazenda, ambiente rural.

    E aí sim,a felicidade se completa.

    Botar garapa para os colibris, bananas para os saguins, um tutano para a cachorrada, meio litro de leite ensopado com pão para os gatos da rua, salvar aqui ou acolá uma jiboiazinha ou um filhote de cobra coral, não deixar a meninada matar as gigantes baratas dos coqueiros...

    Há dinheiro que pague isso?

    E nem falo do apreciar as subidas das tartarugas no meio do mar em busca de ar, das marias farinhas se enfiando nos buracos onde fazem morada, das corujinhas dando voo rasante na cabeça do meu Yorhshire preferido...

    E os Bem-Te-Vis avisando aos primeiros raios dol Sol que já é hora de todo mundo acordar? 

    Tem sido assim a minha visão ‘holísticamente’ prazerosa da quarentena na praia de Carapibus! Com caranguejos, camarões e peixe no coco salteado com alcaparras e azeite Gallo, que a gula felizmente não está proibida nesse período.

    A casinha daqui é deveras aconchegante, um ninho perfeito de felicidade em meio aos desafios da vida de pobre enxerido e bolso pequeno.

    Nesses dias, abestalhando-me com tantas belezas da fauna e da flora, tenho me sentido sinceramente um Noé.

    Minha casa é a Arca e os meus olhos sua extensão.

    Por isso acho que ontem o burrinho filhote que sempre relincha no portão para avisar que chegou e tem sede, alargou-se em me beijar, abraçar, dizer a seu modo que me ama e é agradecido pelos mimos que lhe faço e à égua da sua mãe; e ao jegue do seu pai...

    O trio me conhece há tempos.

    No inverno, tudo verde, pasto não falta. Mas no verão, o socorro é fuçar as lixeiras generosas onde cascas de bananas, pedaços de melão e melancia, restos de cuscuz e pedaços de pão de boia fazem a festa.

    Pois não é que o danado do jumentinho queria dormir entre nós!

    Dei-lhe água, ele bebeu mas veio me seguindo para respirar a fumaça do bode assando na brasa pelos meninos na varanda da beira da sala.

    A farra foi total. Um astro em meu paraíso! E tome fotos, todo mundo querendo aparecer ao lado do jegue e eu vendo a hora as garotas lhe pedirem autógrafo...

    E antes disso, já imaginando ele vir a se alegrar mais, desabrochando partes nada pudicas do seu organismo na maresia do meu lar-doce-lar dei-lhe cartão vermelho e ele foi dormir mansamente no terreno baldio onde acostumou-se a balançar as vastas orelhas quando me vê de manhã.

    Minha Arca não é a de Noé. É minha e de Deus.

    Da minha maior felicidade!

  • ...PAU COM VARA CURTA!

    25/04/2020

    Um abençoado amigo meu - desses do peito - extremamente paciente com um cidadão (sic!?) que julgava fosse seu amigo, humano que é saiu da linha hoje após ser novamente confrontado pelo sujeito.

    O tal é voraz inimigo do Presidente da República, embora na História do Brasil nada represente. E se vale das redes sociais, em especial o Facebook, para destilar seu veneno sobre a figura do maior mandatário da Nação.

    Meu amigo, que hoje divide seu tempo de homem de mídia com a pregação do Evangelho, o que lhe dá prazer, satisfação e permanente alegria, votou em Bolsonaro e é dele um justo defensor, mesmo sem que se exponha nem disso faça nenhum cavalo de batalha. Nem espere proveitos!

    Discreto e comedido, não insulta ninguém que tenha opinião contrária à sua.

    Mas, a vida tem limites...

    Hoje, ao comentar postagem do açodado que se regozijava com a saída do ministro Moro ao tempo em que empoleirava o Presidente ao andar mais baixo do galinheiro nacional, sugerindo ao destemperado um pouco de maturidade meu ABENÇOADO amigo ganhou insulto que supera a indecência.

    O tal, destrambelhado e sem nenhum naco de compostura, disse-lhe para que evitasse de andar com a Bíblia, instrumento que a seu vesgo e envenenado olhar estava servindo para o ABENÇOADO enebriar moçoilas da Igreja que lhe serviriam sexualmente.

    Indecente, descomedido e inoportuno, esse tal cujo berço tem prostituta origem cutucou o cão (me perdoe o ABENÇOADO!) com vara curta demais.

    É a tal história: quem diz o que quer, acaba ouvindo o que não deseja!

    Meu ABENÇOADO amigo estourou!

    E eu lhe dou justíssima razão. Seu saco é imenso, mas chega a hora da rebordosa... Porque até Jesus, que lá atrás expulsou os vendilhões do Templo, também um dia viu seu santo saco estourar...

    O grave é que o estouro joga lama numa nobre instituição onde o tal tem contracheque: a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP).

    Mas...

    O ABENÇOADO rebateu o insulto do tal com uma overdose de informações que pouca gente até aqui sabia, pondo em xeque a lisura do insuspeito setor de Relações Humanas da tradicional FIEP presidida pelo gentleman Buega Gadelha.

    Para ganhar o emprego - seria uma sinecura? - o tal, segundo o depoimento verdadeiramente verdadeiro do meu ABENÇOADO amigo, emprestou seu ânus...

    - “Eu nunca precisei dar o .. para conseguir um emprego”, postou com ira no Facebook o meu ABENÇOADO amigo em resposta àquele travestido que imaginava ser do seu círculo de amizades.

    Não demorou dez minutos e o tal não somente bloqueou o meu ABENÇOADO amigo da sua lista de contatos no Facebook como igualmente deletou a postagem que deu origem aos diálogos, caracterizando outra deplorável marca da sua deslustrada biografia - a covardia!

    E, pelo menos prá mim, fica a incógnita: O setor de RH da FIEP recruta elementos para os seus quadros sob prerrogativas anais?

    Vade reto!

  • Adeus, HOSANA RÉGIS!

    09/04/2020

    Quinta feira à noite, via ZAP de Ana Régis, irmã caçula protetora da cunhada Hosana, mandei-lhe mensagem otimista na véspera da sua ida para a faca...

    Cedinho da sexta partiria para o Hospital São Francisco, onde lhe retirariam um nódulo que crescia assustadoramente no velho fígado.

    Minutos depois, pelo ZAP de Marcos Marinho (Marquinhos), que na redonda mesa da sua festiva sala no Bessa jogava rodadas de buraco para com ela passar o tempo, recebi o agradecimento e um soco no ar onde Hosana na sua inabalável fé em Deus me avisava: “Amanhã estarei bem, se Deus quiser".

    Deus não quis!

    A querida cunhada enfrentou um rápido calvário pessoal e hoje é saudade dormindo em jazigo dos irmãos no Parque das Acácias, longe da morada que recomendava lhe dessem como a última, juntinho ao seu amado Ismael Marinho aqui em Campina Grande no alto do Monte Santo.

    A pandemia que hoje grassa no mundo não permitiu que a trouxessem para cá. E nem direito a velório lhe coube, concedido aos filhos e netos pouco menos de uma hora para um instante de oração antes que o caixão baixasse à sepultura.

    Em meu peito a angústia, principalmente por não ter lhe pedido para adiar a operação – de risco em qualquer um, mais ainda em quem já vivera 82 anos. 

    Mas a agenda da história de Hosana teria mesmo que ser fechada nesse 08 de abril de 2020.

    Ordem do Pai, que a cada um de nós só cabe cumprir.

    Desatado o nó da garganta e o tranco no peito, voltarei a escrever sobre a bela história em comum que tivemos.

    Hoje, abro espaço para o filho Marquinhos que deu-lhe alegrias na véspera da cirurgia com os ases de copa, ouro, paus e espada.

    Segue a emoção do herdeiro e a foto onde Hosana me dá seu último e definitivo adeus: 

    CANASTRA DA VIDA... (Marcos Marinho Falcão)

    E lá estava ela, sempre elegante e forte como uma verdadeira DAMA de COPAS, com seu coração infinitamente gigante.

    Jogamos duas belas rodadas do seu jogo de cartas preferido. E, por ela, vararíamos a noite à dentro.

    Nosso adeus não poderia ter sido de outra forma...

    Ao som da irreconhecível gargalhada roca, divertimo-nos como se não houvesse amanhã.

    E não haveria!

    Hoje, aquele mesmo baralho já não tem mais vida.

    As cartas acabaram, e nesse jogo ninguém ganhou.

    As lembranças ficam.

    Da mulher, mãe, madrinha, tia e avó de todos nós.

    Descansa em paz minha "vovó".

    Não sei quando, mas o reencontro certamente surgirá para completarmos a canastra da vida e brindarmos todos os maravilhosos momentos que, felizmente, ficam conosco e agregam a nossa história de vida.

  • ADEUS, JUNHO!

    29/03/2020

    E Junho morreu este ano em Campina Grande.

    Foi sufocado pela falta de ar, enforcado na decisão política e econômica que a força do novo Coronavírus instituiu por aqui e alhures...

    Não teve sequer direito a sepultamento sete palmos abaixo da terra, como se faz por essas bandas com qualquer Júnior do Beco do Califon, da Cachoeira, do Zepa ou do Pedregal.

    Junho não foi cremado naquele ritual divinamente esplêndido que o pessoal do cemitério de Arimatéia Rocha prepara, ao som de harpa e violino, para defuntos da elite.

    E os santos dele - os do mês junino - nem lembrados ou convidados para o velório foram.

    Santo Antonio livrou-se de casar balzaquianas; São Pedro, ocupado na tarefa de encher o açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), aliviou-se do fardo dessas anuais cobranças que lhe endereçam os miseráveis da seca no Sertão.

    Menos mal!

    Junho morreu sozinho, sem que o povo da terra d’O Maior São João do Mundo pudesse ouvir-lhe o último ‘ai’.

    Lá na UTI dos gravetos em que foi jogado o fogo lhe consumiu as entranhas e a história.

    E assim ficou fácil juntar seus restos – as cinzas onde outrora o milho assava em suas crepitantes fogueiras.

    Sem Junho Campina Grande perde gigante parte do seu brilho, da sua representatividade nacional.

    Fica cotó perante o trade turístico global...

    Pamonhas e canjicas, milho cozido ou assado, xerém e munguzá, cuscuz de milho e jerimum com leite, cadê tanta esperada fartura?

    E nem a bacia de quentão na beira da fogueira tem mais este ano...

    Junho fez voar com suas cinzas meu ‘peido de véia’, as cobrinhas e buscapés, os traques da meninada e os chuveiros prateados.

    Balão, nem pensar. Muito menos dançar forró no pé da serra nem quadrilha de anarriê.

    É triste, é mal, é difícil viver sem Junho.

    É essa orfandade tirana que a gente vai lembrar pro resto das nossas vidas.

    Com choro e sem velas, porque nada de Junho nos restou, a não ser isso mesmo: saudade! 

    Segue sozinho, Junho amado, que nós vamos ficando por aqui entrincheirados sob as saias e as camas da cidade tentando escapar desse ‘bixim’ com nome de cerveja importada que à jato tenta acabar com a raça humana.

    Vade retro, Coronavírus!!!

     
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  • NÃO SOU MAIS O "DE ONTEM"

    17/03/2020

    Amanheci mais velho? Estou mais ‘maduro’? E o meu universo, continua o mesmo? Ou algo mudou hoje ao primeiro raio do Sol só porque é 18 de março?

    Estou, sim senhor, mais velho!

    Alias, cada dia envelheço um tanto mais...

    Passa uma noite, chega outro dia e é inexorável: não sou - nem somos - mais o “de ontem”.

    Importa saber se além de velho estou ranzinza, macambúzio, impaciente, intolerante, abusado.

    Ser velho e, além disso, ficar chato e portador dessas “urucubacas” citadas, é demais!

    Ou, velho e doente.

    Talvez dependente de uma cama. Dos cuidados de um filho; de um  enteado; da esposa, ela também já açoitada pelos anos...

    Estar imprestável, sob todos os vesgos olhares da vida, vai passando agora a ser inerente à idade e nada um velho assim como eu aos 67 anos pode fazer.

    Dia desses, virando folhinhas do calendário para ver quantos dias ainda faltavam para este 18 de 2020, me ví jogando dominó alí no coreto da área escondida do Instituto São Vicente de Paula, onde as abençoadas irmãs de Jesus acolhem velhinhos abandonados por filhos insensatos.

    Mas eu não aprecio jogar dominó...

    Talvez ‘buraco’, com canastras e mortos... E ‘paciência’, que nessa idade é o que melhor o baralho pode oferecer a velhinho solitário, pois se joga sem precisar do que mais um velho deseja nesses ocasos – companhia!

    “Estar” velho, que é o termo que defino para o meu caso, não é tão ruim assim não.

    Que Deus me dê mais um bocado de dias, é o que coloco em todo primeiro parágrafo das minhas orações.

    Não que eu tenha medo da MALDITA...

    A danada em certas horas, aquelas em que você se vê maltratado, injustiçado e abandonado principalmente por entes que você jamais deixará de amar, até que se apresenta como lenitivo, necessária companhia digna de sustar as dores do seu ferido coração.

    Mas que ela se encoste pra lá...

    Aqui no meu pedaço ainda não! Felizmente restam-me muitos amigos e uma maravilhosa parte íntima que continua a me desejar o bem.

    E vida muito longa!

    Dizem que velhice é sentimento de velho, o que não deixa de ser uma imensa obviedade.

    Sentir-se velho é coisa interior.

    Ora, ora, se o espírito continua jovem, velhice é demodê.

    E no meu estrito caso, nem me dou a vaidades desnecessárias...

    Pra que pintar o cabelo? combinar calça e camisa com cor de meias? molhar-se de minuto em minuto com o mais caro perfume francês que o bolso puder comprar? Estar em finos restaurantes bebericando champagne cara e vinho cotado em dólar?

    Sei não... Inda por cima para ouvir aqui ou acolá a loirinha esvoaçante que reergueu partes quase finadas do corpo-ancião lhe chamar de tio?

    Sou velho, mas não caí nessa não! E é projeto de Deus, acredito.

    São nove filhos, os últimos ainda na adolescência me ensinando novidades que a vida moderna botou no mundo. 10 netos a irrigarem minha maturidade com  elixir de juventude. E uma mulher ainda jovem que sem querer me obriga a ter a cabeça plenamente erguida... 

    Dos inimigos não falo, porque também esses me ajudam exponencialmente a entender que Deus é maravilhoso e todos, ainda de pé, se fartarão anos e anos vendo as minhas vitórias.

    Ou ‘velho macho’, é capaz de algum leitor invejoso dizer duvidando desse sexagenário feliz com o que Deus todo dia lhe presenteia.

    Então...

    Obrigado a você que desde ontem, aqui pelas redes sociais, por telefone, telegrama (ainda existe) e e-mail, estão lembrando e festejando a minha data de chegada ao mundo.

    Sei também que alguns - da família também – se emprestarão a esperar para festejar a data da minha ida do  mundo.

    Mas aí já será tarde demais, pois o choro falso que escorrer à beira do ataúde não mais poderá sensibilizar esse velhinho que espera passar dos 100.

    E que Deus abençoe a todos – os que me amam e os que temporariamente me odeiam. 

  • O amigo de Fabiano Gomes...

    10/03/2020

    De mortal inimigo de Fabiano Gomes meses atrás a melhor amigo dele de “infância” agora, o marqueteiro Dércio Alcântara, no seu bem rebuscado estilo camaleão de mudar de lado e de idéias ao soprar da mais leve bruma nas suas conveniências pessoais nada republicanas, avisou hoje pelo seu blog na internet que só resta ao gordinho preso a delação premiada.

    E arrochou logo um conselho de VERDADEIRO amigo: “ou faz ou morre”.

    Dércio deve mesmo saber o que diz. Seu caminhar no mundo das comunicações da Paraíba , lamentavelmente, tem tudo a ver com os mesmos passos dados por Fabiano...

    E é tanta a simbiose hoje entre os dois, que dividiam banca radiofônica em João Pessoa onde a pauta também nada tinha a ver de republicana.

    O “dá ou desce” sempre foi o fio condutor do que por lá se produz...

    Por isso, lamentando pela prisão hoje do redondo confrade, reproduzo o texto de Dércio, mesmo o fazendo com um mal estar danado – desses de embrulhar o estômago.

    Mas...

    Vamos a Dércio, das aspas em diante:

    “SÓ RESTA A FABIANO GOMES A DELAÇÃO PREMIADA; OU FAZ OU MORRE

    Não sei se a saúde frágil de Fabiano Gomes suportará esse novo baque. Preso agora na Operação Calvário, acusado de extorsão e de ser operador de Ricardo Coutinho, para salvar sua vida só restará a Fabiano apelar para uma delação premiada.

    Ele está sob custódia da PF, mas deve ser recambiado para o Presídio do Róger e lá sua vida correrá perigo duplo. Poderá ter a diabetes agravada, ser alvo dos que temem a sua língua ou tirar a própria vida. Ou as três coisas ao mesmo tempo.

    Fabiano não está bem faz muito tempo. Ele pirou o cabeção e a primeira prisão na Operação Xeque Mate afrouxou de vez o parafuso da cabeça dele já tão desmantelada pelo destino de menino pobre que ascendeu feito foguete na cidade grande e perdeu a noção do perigo, do que pode e do que não pode.

    Sou amigo dele, gosto dele, temo pela vida de Fabiano e tenho dó da esposa e filhos que padecem com os desatinos.

    Só uma delação premiada já salvará a vida de Fabiano.

    Dércio Alcântara”.

  • NO MOCOTÓ DA PREFEITA

    09/03/2020

    A tornozeleira no mocotó direito da prefeita do Conde, Márcia Lucena, tem dado o que falar aqui e alhures, como diria a ‘nata’ mais intelectual paraibana da qual faz parte a ilustre alcaide socialista.

    Alias, exatamente por ser socialista foi que Márcia decidiu peitar a Justiça que lhe impôs o castigo e SOCIALIZOU no Conde o uso da odienta indumentária. Até seus velhos pais, ambos na faixa dos noventa anos de idade, passaram a ostentar publicamente réplicas do aparelho e fazem isso como forma de propagarem que a rebenta está sendo injustiçada.

    Neste final de semana, aproveitando a restrição judicial que a obriga a não mais sair de casa após anoitecer, coube ao seu amado esposo, o ator global Nanego Lira, organizar na chácara do sogro animadíssimo regabofe para “celebrar” a vida da prefeita e, de igual modo, repudiar a tal tornozeleira que no Brasil, nos últimos dias, virou símbolo de quem se fez bandido no mundo da gestão pública e da política partidária.

    As peças cravadas no mocotó do professor Iveraldo Lucena e da sua consorte parecem verdadeiras, tão caprichosamente moldadas que foram pelo artesão contratado pela filha para copiar o que a Justiça ferrou nela.

    Mas as que estão sendo presenteadas aos áulicos da prefeita, não. São “mimos” melhor trabalhados, belos adornos cravejados de bijouterias imitando pérolas que logo conseguem encantar principalmente as mulheres detentoras de cargos comisssionados na rica prefeitura do litoral Sul da Paraíba onde Márcia Lucena, mesmo amarrada pela Justiça, faz questão de dizer em alto e elevado som que continua tendo “asas” para longe voar...

    No escurinho da chacara de Iveraldo Lucena a noite se fez criança, como mostram as fotos postadas por Nanego em redes sociais. E se isso significa insultar o Poder Judiciário, não sei, mas o que eu sei é que se trata de uma grande falta de bom senso, coisa que lamentavelmente nunca existiu mesmo na história de Dona Márcia Lucena.

    A meu ver, diante de tanta festa e alegria, a tornozeleira da prefeita não foi bem arrochada não, que sequer seu gordinho mocotó nela incomodou!

  • O "‘furo" de Bolsonaro e o pau da bandeira de Asfóra

    20/02/2020

    Nesses dias não tão normais em que o Presidente da República manifesta malvada preocupação com o “furo” da repórter do jornal Folha de São Paulo, é oportuno lembrar Raymundo Asfóra, o notável tribuno que ao falar, como dizia Carlos Lacerda, era capaz até de “encantar serpentes”.

    Óbvio que entre Bolsonaro e Asfóra há uma abissal diferença, em se tratando de como tratar mulheres.

    O poeta era fino, elegante, requintado e carinhoso. E por ser boêmio e apreciador das noites e madrugadas, não foi difícil tornar-se um conquistador nato. Às mulheres – todas elas – ele sempre dirigiu a melhor das atenções e todas, indistintamente também, a amavam.

    Bolsonaro, por sua vez, é um grosso, mal educado e perversamente costuma mostrar que não nutre mesmo por mulher nenhuma nada mais do que a possibilidade de receber prazer sexual.

    Portanto, que logo fique esclarecido: nada os uniria nesse detalhe!

    Pois bem, voltemos ao homem da granja Uirapuru e suas maravilhosas estórias.

    Contam por aí que ele, candidato a vice-prefeito de Enivaldo Ribeiro no final dos anos 70 em disputa contra o carismático professor Juracy Palhano, carregava com o seu verbo rebuscado a campanha, litreralmente, nas costas.

    O atual vice-prefeito de Campina Grande não tinha bom discurso e falava pouco, mesmo sendo bastante querido do eleitorado.

    Então, na verdade, quem impulsionava a campanha era Asfóra e sua fala retumbantemente ácida, destruidora de qualquer adversário.

    Asfóra também tinha a incumbência de mobilizar a militância.

    E numa bela tarde antecedendo um comício em José Pinheiro quando “a noite já podia mais do que o dia”, como ele costumava assim classificar o horário do por do sol, lhe chamaram para resolver uma confusão que se formara entre as meninas da equipe de apoio.

    Ele foi lá.

    Uma das moças se recusava a empunhar a bandeira e o coordenador da turma já perdera a paciência: “Ela não quer pegar no pau da bandeira”, avisou a Asfóra diante da irredutível auxuiliar.

    O tribuno não perdeu tempo. Olhou para um lado e para o outro, puxou a menina para um “corpo-a-corpo” e sussurou no ouvido dela: “Filha, é bom você ir se acostumando a pegar no pau, porque é isto que você mais vai fazer na vida!”.

    Deu-lhe um beijo na testa e voltou para o palanque. Lá do alto da carroceria do velho Chevrolet deu prá avistar, feliz, qual bandeira mais tremulava no meio da multidão.

     
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  • No traseiro do povo pobre...

    12/02/2020

    Ouvi hoje pela manhã uma longa entrevista que o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP) concedeu à CBN nacional, na qualidade de relator da Reforma Tributária na Câmara dos Deputados, e confesso que, entre alegre pela desenvoltura com que o conterrâneo se desvencilhou das abalizadas perguntas dos craques da emissora, e triste pelo que absorvi sobre o provável resultado do que virá a ser aprovado, concluo sem medo de errar que nós, o povo brasileiro, nada ganharemos.

    Aguinaldo diz que existe em Brasília um grande esforço, principalmente da sua parte, na busca do entendimento dos setores e que há de fato um “ambiente positivo” em construção com os governadores para a aprovação de Proposta de Emenda à Constituição.

    Aguinaldo avisou que a reforma tributária não é do Parlamento ou do governo, mas de todo o Estado brasileiro e que necessita do envolvimento de toda a sociedade. Ele está debruçado sobre duas PEC‘s que tramitam no Congresso sobre o tema e informa que existem pontos convergentes entre elas, o que de certo modo vem facilitando o seu trabalho.

    O que mais me entristeceu na entrevista foi saber que pelo menos em dez anos nada sobrará de bom para o povo, isto porque, embora a proposta elimine a criação de novos tributos, ela também não eliminará nada. Ou seja, a alta carga tributária nacional ficará do tamanho em que se encontra e papo final!

    Haverá, também avisou Aguinaldo, uma regra de transição em face do agrupamento de impostos que acontecerá com a reforma, o que significa dizer que, se por algum acaso o povo puder receber algum benefício, isto somente se dará na próxima década, quando com certeza muitos de nós não estaremos mais na terra para receber o ‘prêmio’.

    Aguinaldo é desenvolto e entende muito bem do que fala.

    Aliás, ao ouvi-lo dando show na CBN em assunto tão difícil e complicado não pude deixar de lembrar dos outroras quando ele, ainda sem mandato e imberbe na idade, tirou do sério Ronaldo Cunha Lima, que governava o Estado e se deparou com uma sonegação de impostos gigante na empresa  Façai, concessionária Fiat na Capital, cujo dono era exatamente esse amado filho de Enivaldo Ribeiro.

    O governador suou frio e não puniu como era seu dever, com os rigores da lei, o menininho da Faça Fiat. Não quis magoar Dona Virginia, a mãe do rapaz, nem tampouco chatear o pai dele, que poderia - como veio a acontecer - ser seu aliado político em pleitos futuros.

    Ronaldo fez apenas uma carta meio dura e meio poética e mandou para Enivaldo somente para avisá-lo que o seu ‘bebê’ subia em paredes de azulejo com desenvoltura de lagartixa...

    A correspondência dias depois vazou - ou foi vazada pelo próprio poeta – e o resto da história a Paraíba sabe: Aguinaldo viu-se obrigado a passar a Fiori prá frente, largou a vida empresarial e encantou-se com a da política, d’onde virou sumidade a ponto de ser cardeal do alto clero no Congresso Nacional, avaliado como um dos “cabeças” de lá, e sua voz, sempre em defesa dos mais ricos e poderosos, nunca deixa de ser requisitada na hora em que o Poder precisa, ainda mais, pisar sobre a pobreza e os pobres da Nação.

    Na relatoria da Reforma Tributária pelas mãos do paraibano, ninguém duvide disso, benefício ou vantagem para povo, nenhuma!

    O discurso de Agnaldo é mesmo muito convincente para aqueles que não o conhecem e não sabem da sua história. Seu poder de argumentação é de encantar serpentes...

    Ainda esta semana, em João Pessoa, ele lembrou costumar dizer que o Brasil ainda se encontra no século XX e que é preciso virar essa página, porque essa é uma pauta de outro século. Que o Parlamento deveria estar se preocupando, agora, com os desafios novos, se tivéssemos vencido aquela etapa lá atrás salientando, porém, que a atual conjuntura é bastante propícia à aprovação da reforma tributária. Ele considera que a dinâmica do próprio governo do presidente Jair Bolsonaro acabou permitindo que o Parlamento assumisse uma agenda com o compromisso focado na melhoria do Estado brasileiro.

    E foi enfático: “Daí porque é fundamental o envolvimento de todos nós, da sociedade, porque essa reforma é muito importante”.

    Eu, aqui com meus já carcomidos botões, desconfio do que diz e do que pensa Aguinaldo Ribeiro. Sua reforma, que é a reforma de Bolsonaro, de Guedes & Cia, será um chute rotundo no traseiro dos mais necessitados desse País.

    E quem viver, verá!

     
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  • O ACESSOR DE VENEZIANO

    17/01/2020

    Assassinar a língua-Pátria não é nenhuma exclusividade do atabalhoado Ministro da Educação de Bolsonaro, Weintraub, que parece estar fazendo escola Brasil afora...

    Aqui na província, em que pese a abissal diferença de personalidade entre os tais, fazer Chefe passar vergonha pelo assaque ao Português tem sido quase prática rotineira, ganhando destaque o agir das “sumidades” aboletadas na assessoria do falante senador Veneziano Vital do Rego (ainda PSB), um adepto do palavreado difícil praticado outrora pelo ilustre genitor – ambos sem jamais trucidarem o dicionário.

    É bem certo que nem Bolsonaro, enquanto Chefe político da Nação, nem o filho de Vital enquanto Chefe do seu abarrotado gabinete, podem ser culpados pelos rasgos de analfabetismo dos escolhidos para auxiliá-los.

    Mas que é de dar dó, e lhes deslustram, isso é inegável...

    Ainda há pouco recebí print de uma postagem de um desses assessores do senador que remete a Weintraub, e nos envergonha.

    O ACESSOR, como assim orgulhosamente se identifica Marcelino Araújo, é “braço direito” de Veneziano para assuntos miúdos desde os tempos em que o senador foi prefeito da urbe campinense e, perdoe-se ele por essa razão, nunca foi chegado a rascunhar textos uma vez que suas missões eram as de “entregas” – de pacotes, de embrulhos, de pessoas... – e para tal habilidade o único requisito era esse mesmo de não ser letrado.

    Até porque na órbita do senador quem se expressar um pouco que seja, e nem precisa que faça melhor do que ele, estará alijado dos seus caminhos. 

    Alias, no gabinete sem qualificação do ilustre senador, à exceção dos funcionários efetivos do quadro da Casa que lá dão expediente, tem ACESSOR para todos os gastos e gostos...

    Tem ‘baba ovos’, ‘cuspidor de microfones’, ‘abridor de porta’, ‘coador de café’, ‘jornalista balacobaco’, ‘bajulador contumaz’, ‘laranja azeda’, ‘carregador de mala’, ‘motorista aprumador de direção’, ‘telegrafista’, ‘damas da madame’ e vai por aí.

    Daí porque eu clamo: vamor perdoar Marcelino!

    Seu defeito é quase nada, comparado ao “de nascença” (berço) dos demais, que por lapso de origem nunca poderão se consertar. 

  • Políticos, Romero, Calvário...

    20/12/2019

    A entrada de Romero Rodrigues nesse imbróglio da Operação Calvário, mesmo com a negativa da PMCG em nota oficial repudiando qualquer tipo de envolvimento, vem mostrar que a classe política paraibana - como de resto a brasileira - calça um mesmo número de sapatos.

    Como sabiamente o meu amigo Fernando Carvalho tentou me ensinar na Câmara Municipal ao tempo em que fomos Vereador, nesse meio “o amigo de hoje é o inimigo de amanhã”.

    E isso, realmente, apesar de ser uma verdade é uma lástima!

    Voltemos ao caso do prefeito de Campina Grande, nesse desmentido da prefeitura ao que disse Daniel Gomes, da Cruz Vermelha, de ter doado a Romero R$ 150 mil para ser ressarcido por serviços futuros na prefeitura municipal quando a vitória nas urnas o contemplasse.

    ALIADO DE RICARDO...

    Romero era à época ardoroso aliado do governador Ricardo Coutinho, que derrotara José Maranhão com apoio do seu grupo político (Cássio & Cia) e, eleito prefeito de Campina Grande, logo atreveu-se a terceirizar não somente a Saúde e a Educação, mas todos os serviços da prefeitura, o que aparentou aos olhos do eleitorado uma gritante apatia pelo cargo.

    Com três artigos neste portal eu esmiuçei o projeto mostrando os danos que causaria e contribuí para que, dias depois, a respectiva lei viesse a ser derrubada por Romero definitivamente.

    Hoje, ao vê-lo irado por ter tido seu nome nos autos da Calvário, sua assessoria de comunicação diz que Romero jamais aceitou contribuição financeira para qualquer de suas campanhas em troca de possíveis favores futuros a grupos empresariais.

    É possível que seja verdade e não serei eu a disso duvidar, conhecendo Romero como conheço, há anos.

    PRECISANDO REPAROS...

    Mas a nota autorizada pelo prefeito, talvez pela pressa de vir à lume para mostrá-lo plenamente inocente, tem algumas inconsistências que precisam ser reparadas, até pelo componente histórico em seu derredor.

    Por exemplo: a nota grafa que “até mesmo uma lei aprovada e que permitia a terceirização de serviços em várias áreas foi revogada pelo prefeito, tão logo assumiu em 2013, de forma unilateral e firme, sem deixar brechas para quaisquer iniciativas nesse sentido”.

    Não é verdade!

    Quem mandou à Câmara o projeto para terceirizar todos os serviços do Município foi Romero Rodrigues e não o prefeito anterior, como dá a entender a nota.

    Recordemos: em uma sessão polêmica (03.04.2013) com mais de quatro horas, a Câmara Municipal de Campina Grande aprovou por maioria, em regime de urgência, o projeto de lei do Executivo, sob comando de Romero (à época, PSDB), que instituia o programa de gestão pactuada com Organizações Sociais (OS).

    É bom inclusive lembrar que a lei aprovada previa que, após a realização de licitação pública, o primeiro órgão da PMCG a ser gerido por uma OS seria o Hospital Dom Pedro I.

    Dos 19 vereadores presentes à sessão, 16 votaram a favor e três se posicionaram contra.

    TODOS CALÇAM 40...

    E pasme o leitor, para entender essa coisa de que todos os políticos “calçam 40”: os trabalhos no Legislativo foram conduzidos pelo vice-presidente da mesa diretora, Murilo Galdino (PSB), nada mais nada menos que o irmão querido de Adriano Galdino, hoje presidente da Assembléia Legislativa e rompido com o presidiário ex-governador Ricardo Coutinho.

    Naquela memorável e rápida sessão, Murilo Galdino travou acirrada discussão com o líder da bancada de oposição, Olímpio Oliveira (PMDB), que chegou a ter um requerimento aprovado pedindo a realização de uma audiência pública antes da votação do projeto.

    Além de Olímpio, ocuparam a tribuna para criticar a propositura os vereadores Napoleão Maracajá (PCdoB) e Rodrigo Ramos (à época, PMN), este último hoje um dos mais fiéis escudeiros de Romero Rodrigues.

    Em defesa enlouquecida pelo projeto atuaram a líder da bancada governista, Ivonete Ludgério (à época, PSB), Bruno Cunha Lima (à época, PSDB), Alexandre do Sindicato (à época, PTC), Inácio Falcão (à época, PSDB), Murilo Galdino (PSB), Marinaldo Cardoso (PRB) e Miguel Rodrigues (PPS), que teve o cuidado de pedir que fossem preservados os direitos dos servidores públicos.

    - “Os objetivos do projeto são otimizar a realização dos serviços públicos, diminuir o custeio e descentralizar as ações da administração pública”, frisou Murilo na presidência dos trabalhos.

    MODELO SEMELHANTE...

    Por sua vez, Bruno Cunha Lima ressaltou que o modelo era semelhante ao já implantado em outras cidades e Estados do país, a exemplo do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e no governo da Paraíba, a exemplo do Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa.

    Simples assim, como facilmente qualquer leitor mais ousado poderá encontrar numa rápida busca no Google.

    A nota da assessoria do prefeito de Campina Grande diz que o alcaide “rechaça, veementemente, qualquer insinuação sobre seu envolvimento, direto ou indireto, em quaisquer esquemas de desvios de dinheiro público e, nesse caso particular, a própria opção político-ideológica de seu governo em prol do fortalecimento do patrimônio do Município evidencia a nítida improcedência da informação”.

    E justifica: “Bem ao contrário de investir recursos públicos na contratação de Organizações Sociais suspeitas, o prefeito Romero Rodrigues fez a opção, sim, pelo caminho oposto, na área de Saúde: municipalizou os hospitais Pedro I e Dr. Edgley, além de promover a aquisição patrimonial da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), hoje transformada em Centro Especializado de Reabilitação – uma das referências no Brasil na atenção às crianças e jovens com deficiência”.

    A nota conclui dizendo que “na prática, o caminho por municipalizar serviços mostrou-se muito mais saudável do ponto de vista institucional e menos danoso ao erário do que a opção fácil e perigosa da terceirização, na avaliação do prefeito”.

    Há controvérsia!

    Na mensagem que acompanhou o projeto de pactuação com Organizações Sociais (OS), Romero foi bastante convincente sobre o que desejava fazer. “Campina Grande não pode ficar ilhada com um modelo que, comprovadamente, vem causando grandes dissabores ao povo”, ressaltou.

    LEI DA PACTUAÇÃO...

    A prefeitura, pelo contrário, lutou no que pode para manter a lei da pactuação vigente.

    É importante recordar: no dia 26 de junho desse mesmo ano de 2013 a Justiça derrubou outra tentativa da PMCG de afastar o Ministério Público da investigação sobre terceirização da Saúde, que já estava em vias de ser praticada.

    A prefeitura tratava de sustar o inquérito civil do Ministério Público do Trabalho que tinha por objetivo apurar a ocorrência de eventual irregularidade na contratação, pelo Município, de organizações sociais para a gestão pactuada na saúde, segundo previa a lei municipal 5.277/2013, aprovada a pedido do prefeito pelo Legislativo.

    Desta vez, o Município ingressou com mandado de segurança, com pedido de liminar, contra ato do juiz do Trabalho da 2ª Vara do Trabalho de Campina Grande, Marcelo Rodrigo Carniato (foto abaixo), que havia indeferido outro pedido de liminar feito em mandado de segurança contra o procurador do Trabalho Marcos Antônio Ferreira Almeida, que instaurou inquérito civil público para apurar as terceirizações. O relator, desembargador Ubiratan Moreira Delgado, indeferiu o pedido de liminar.

    O município, nessa segunda tentativa de afastar o MPT das investigações, argumentou que o juiz não havia examinado com propriedade as razões que motivaram o pedido de liminar, pertinentes à eventual incompetência do MPT para a instauração de procedimentos que versem sobre contratações de organizações sociais para implementação de gestão pactuada dos serviços públicos.

    - “O inquérito civil detém natureza administrativa e inquisitiva, com a finalidade de reunir elementos de convicção aptos a servir de base para atuação do Ministério Público que poderá, ou não, vir a se concretizar. Da simples instauração do inquérito civil público não podem advir sanções às partes, não se vislumbrando, portanto, iminência de prejuízos aptos a autorizar o deferimento da liminar”, afirmou o relator.

    O juiz alvo do mandado de segurança, ao indeferir mandado de segurança contra o Procurador do Trabalho, havia argumentado que o inquérito civil é o principal instrumento de investigação do MP para apuração de ilicitudes e colheita de provas que podem ser utilizadas em possível ação civil pública.

    Mais uma vez o Procurador Marcos Antônio afirmou que o MPT não se intimidaria com a tentativa da prefeitura de barrar o trabalho do órgão. “Vamos prosseguir com o inquérito”, afirmou ele na ocasião, como registram os jornais da época.

    AS ‘OS’ GOVERNARIAM...

    A lei de pactuação de Romero para Campina Grande era, na verdade, um gigantesco absurdo. Na prática, ele deixaria informalmente de ser prefeito para que as OS administrassem o Município.

    O programa de pactuação, contido na lei, previa a construção de parcerias entre a gestão municipal e entidades não governamentais, conhecidas como ‘organizações sociais’, para o compartilhamento de ações em áreas específicas da estrutura administrativa. As entidades estavam autorizadas legalmente a atuar, de acordo com a necessidade, nos setores da Educação, Saúde, Cultura, Trabalho, Cidadania, Urbanismo, Habitação, Saneamento, Gestão Ambiental, Ciência e Tecnologia, Agricultura e Organização Agrária, Indústria e Comércio, Comunicações e Transportes, Desportos e Lazer e Previdência.

    Ufa!!!!

    Por isso, sem que aqui eu esteja entrando no mérito da delação do homem da Cruz Vermelha que acaba de propiciar o repouso de Ricardo Coutinho no presídio estadual de Mangabeira, da npota da PMCG fico apenas com  o paroagrafo que aboiaxo reproduzo:

    - “Colocando-se inteiramente à disposição da Justiça e das autoridades para prestar todo e qualquer esclarecimento a respeito de qualquer informação que diga respeito à sua conduta na vida pública, o prefeito Romero Rodrigues, de peito aberto e consciência tranquila,  reafirma sua confiança nos rumos das investigações, principalmente quando se tratar de separar o joio do trigo e confirmar a lisura e inocência dos que estão sendo levianamente levados à vala comum das suspeitas e acusações sem provas e consistência”.

    De minha parte, fica o registro verdadeiramente histórico do que aconteceu.

    Ilações sobre a nota ou juízo de valores sobre o passado, ficam para o leitor.

  • CHICO MARIA AOS 90, POR BABY VIEIRA

    18/12/2019

    Lembrado ontem pelo amigo Henriquimar Dutra do aniversário de Chico Maria, hoje o mais pessoense dos campinenses, preparei-me para botar na coluna algumas linhas da nossa história (ou convivência laboral) em comum – mais a dele do que a minha, óbviamente.

    Inclusive sobre a mais difícil fase da minha carreira jornalística, quando o JP me mandou substituí-lo na insubstituível coluna “Confidencial”.

    Mas APALAVRA, como de resto toda a imprensa estadual, foi tomada pelo noticiário da Operação Calvário, e meu tempo e disposição sumiram, até porque invadidos pelo anual compromisso com Buega Gadelha e a festa da FIEP, onde botamos os assuntos e os drinques em dia, acabei deixando para faszer isso hoje.

    Mas, para minha gigante felicidade, esse esforço não vou despender mais.

    Meu querido Baby Vieira (Geovaldo de Carvalho), que não esteve na festa da FIEP, fez isso por ele, por mim e por todos os outrros que privam da gloriosa amizade com o notável advogado e ex-delegado que embeveceu gerações com suas crônicas historicamente poéticas que assinou em tempos áureos do Jornal da Paraíba e com sua verve investigativamente ácida ao entrevistar (emparedar) personalidades nos estúdis da TV Borborema.

    De sorte que, a partir das aspas, o coração que escreve não é o meu, mas o de GEOVALDO:

    “OS 90 ANOS DE CHICO MARIA

    O tempo, no exercício de sua inexorabilidade, avança célere espalhando seus efeitos sobre o efêmero.

    Hoje, meu amigo Francisco Maria Filho chega aos 90 anos, a um passo de século, o que certamente irá completá-lo.

    Uma figura que Campina Grande admira e reverencia pela participação marcante na vida da cidade; quer como advogado, escritor, cronista e, sobretudo, o entrevistador implacável que marcou época com o seu “Confidencial” na TV Borborema.

    Ah, quantas passagens nos remontam a uma convivência de cerca de 40 anos! Trabalhando juntos na Prefeitura com Ronaldo Cunha Lima, do qual era secretário de Comunicação. Na árdua campanha de 1982, onde tentou ser vereador.

    Nos almoços aos sábados com Edvaldo do Ó; da cervejinha no Beco do 31, MaJestic ou Chopp do Alemão, com muitos colegas que já se foram, como William Tejo, Geraldo Dias, Hélio Soares, Valdeci Vilarim, dentre outros que ficaram ao longa da estrada da vida.

    Mas Chico Maria continua firme; um pouco recluso, é verdade, por precaução familiar, mas nos dando a graça de sua convivência de nove décadas.

    Como cronista, foi insuperável na cidade. Um poder de síntese incomum.

    Com uma boa formação humanista, seus textos sempre conduzidos com a maestria lírica dos poetas, porém, sem perder a capacidade analítica de quem se aproxima da ciência, aliado a um toque de ironia, deleitam seus leitores, o que ainda hoje podem ser visto nos livros publicados.

    Como entrevistador, no “Confidencial”, sempre com uma postura inquisitorial sem ser agressivo, de modo a extrair o que houvesse de melhor no entrevistado.

    Pelas entrevistas passaram figuras marcantes da vida brasileira, como Dom Helder Câmara, Marcos Freire, Pelé, Ulysses Guimarães, Hélio Bicudo, Hélio Fernandes, irmão de Millôr Fernandes.

    Hélio Fernandes, por sinal, não acreditou que o programa era ao vivo e sem censura. Ele, com várias prisões no período da ditadura, estava proibido de aparecer na televisão. Surpreendeu-se com o resultado!

    Tanto que, em 1994, quando fui recepcionar Chico Maria na Academia de Letras de Campina Grande, Hélio me enviou uma carta para ser lida, dando o testemunho do talento do novel acadêmico, um documento histórico, que pode ser encontrado no livro “Confidencial Entrevistas”, o último lançado por Chico.

    Ao recebê-lo na Academia, na época, enfoquei que seu livro “Crônicas” era um pote de poesias recoberto por prosas leves e magnetizantes, onde qualquer iniciado com aspiração literária deve tê-lo como cartilha de reflexão.

    É, meu amigo Chico… tantos anos se passaram, mas, agora que você chega aos 90, é imperioso repassar fatos, evocar lembranças, de modo a que os feitos de ilustres personagens de nosso cenário não esvoacem na ignorância dos coevos.

    Parabéns, poeta, pelos seus 90 anos! Obrigado por você existir!”

  • O VINHO QUE EU NÃO TOMEI

    02/12/2019

    Oito meses atrás, nos estúdios da TV Master lá na avenida Beira Rio em João Pessoa, reencontrei Heraldo Nóbrega e nos demos um abraço dos grandes.

    De amigos que não precisam estar todo dia um junto do outro!

    Foram não mais do que cinco minutos de prosa; e a amizade revigorada e fortalecida.

    E, de novo, o seu tradicional convite para irmos tomar um vinho, em local e horário que ele “com prazer” avisaria.

    Há quinze dias, não mais do que isso, tentando limpar as inúmeras mensagens que chegam ao box do meu perfil no Facebook, encontro rápida cobrança de Heraldo: “Nosso vinho está de pé!”.

    Na pressa de terminar a limpeza respondi com aquela mãozinha de polegar levantado, que tem no Face. 

    E anotei no caderninho para à noite voltar ao box e espichar a conversa com ele.

    Não fiz isso!

    Certamente comigo ele não se abriria, se problemas já estivesse naquela ocasião vivenciando.

    Não éramos amigos a esse ponto, de trocar ou revelar confidencias!

    Agora não temos mais Heraldo; e eu não terei mais a felicidade de tomar o vinho ao seu lado.

    Quem sabe, lá nos umbrais, dentro em breve!


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