Colunista Marcos Marinho

  • RECORDANDO (III) - LÁ NO CÉU!

    06/09/2017

    RECORDANDO (III)

    LÁ NO CÉU! (03.07.14)

    As melhores vozes que o rádio campinense já ouviu estão acabando de vez. Tínhamos Themistocles Maciel, Severino Quirino, Gil Gonçalves, Hilton Motta, Humberto de Campos, Leonel Medeiros, Joselito Lucena, Magidiel Lopes... E agora ficamos sem Luizmar Rezende – um trombone de garganta.

    Vozes que não careciam de amplificadores. Vozes que nos enterneciam.

    Hoje, raras são as vozes na nossa radiofonia. Resta-nos Gilson Souto Maior (foi-se para João Pessoa) e uma metade de meia dúzia no ar. Voz de verdade acabou. Talvez, na base do esforço e da gentileza, possamos elencar um Oscar Neto, um Romildo Nascimento, uma Fátima Silva, um Jota CC.

    Talvez!

    As vozes que temos, mesmo beneficiadas com o avanço da tecnologia que lhes agigantam, só sobrevivem à custa de sprays químicos e balinhas de gengibre.

    Suas gargantas não resistem...

    Lembro desse pequeno detalhe para chorar a morte de Rezende. É certo que ele deixou a radiofonia há anos e as gerações de agora nem sabem do seu nome, nem do que fez. Ou do que foi.

    Luizmar Rezende, como a esmagadora maioria de profissionais desse sofrido setor laboral, precisou mudar de ramo para poder criar a prole. E poder se manter vivo e decente.

    Virou Executivo, assim mesmo com letra em caixa alta. Beneficiou-se com a amizade feita com os milicos da Ditadura de 64 e venceu.

    Fomos contemporâneos. Até penso que fomos amigos, embora o mais correto seja “colegas de profissão”. Porque o mundo de Luizmar Rezende foi mais de fora do que de dentro do rádio, o que não o impediu de inscrever seu nome na história radiofônica campinense pelo extremado valor do seu dote natural.

    Minha “amizade” com Luizmar começou quando ele atendia Luizito Motta, o virulento e temido Interventor Federal que os militares botaram no lugar do ineficiente general Paz de Lima para governar a Prefeitura Municipal de Campina Grande quando o golpe revolucionário alcançou as cabeças de Newton Rique e Ronaldo Cunha Lima.

    Luizmar era o fortíssimo assessor de imprensa do Interventor, fazendo dobradinha ao lado de Manoel de Deus, o Chefe de Gabinete de Luizito. Homem prático, instituiu o sistema de ‘briefings’ para os jornalistas, num avanço que somente muitos anos depois a internet conseguiu superar.

    Todos os dias, às onze da manhã e às quatro da tarde, os repórteres credenciados no Gabinete do Prefeito (Interventor) eram reunidos para receber as matérias de interesse da gestão e essa prática acabou criando um relacionamento fraterno entre Luizmar e a classe, mesmo que aqui ou acolá ele fosse obrigado a escorregar feio para atender à dureza do Regime Militar que lhe pagava o salário.

    Eu mesmo sofri da sua involuntária chibatada. Mas o perdoei e mantivemos uma sólida relação de respeito. A última vez que nos abraçamos foi na sala de Rui Dantas, na SIN em João Pessoa, e confesso que foi uma festa.

    Descontadas as conjecturas dos tempos da “rebordosa”, Luizmar sempre foi um gentleman. Nunca o vi levantar a voz para detratar alguém, embora esse termo ‘levantar a voz’ em se tratando dele seja realmente uma redundância, porque sua voz sempre esteve nos píncaros.

    Mas o leitor me entende!

    Luizmar venceu. E quando Luizito deixou de ser interventor foi chamado para ser executivo da Telingra (Telecomunicações de Campina Grande) juntamente com Paulo de Tarso (irmão falecido de Marcelo Marcos, o fotógrafo) e o próprio Manoel de Deus. E os três viraram diretores da Telpa (Telecomunicações da Paraíba), quando os militares decidiram encampar a empresa campinense, federalizando-a.

    Foi nessa época que outro ás da voz, o vibrante Gilson Souto Maior, virou o homem de mídia da Telpa e foi-se também para a Capital, tomando sem saber o lugar que seria meu.

    Aliás, esse pormenor eu só soube alguns anos à frente, pelo próprio Luizmar. A lista tinha o meu nome, o de Gilsão (Souto Maior) e o nome de um confrade de João Pessoa. Eu despontara como o preferido. Paulo de Tarso presidia a empresa e não me desaprovou. Luizmar e Manoel de Deus, fidelissimos à orientação de Luiz Motta Filho, que nos bastidores mandava na empresa, também mostrava simpatia ao meu nome. Mas...

    Optaram por levar a lista para apreciação de Luizito. E aí eu sobrei!

    Nada de pessoal, justificou Luizmar ao contar-me o episódio. É que naquela época eu estava trabalhando com Edvaldo do Ó, sendo secretário geral da recém criada Bolsa de Mercadorias da Paraíba. E Edvaldo era desafeto de Luiz Motta Filho. Os dois haviam brigado no calçadão da antiga Flórida (Cardoso Vieira) e quase Luizito deu um murro em Do Ó. Ficaram inimigos e, eu trabalhando com ele, cai na desconfiança do filho do homem do curtume de Campina.

    E assim Gilson Souto Maior foi o premiado. Premiado mesmo, porque o salário e a segurança de um cargo federal eram uma glória. Para se ter idéia, eu ganhava muito bem na Bolsa, algo em torno de uns dez mil cruzeiros (acho que era esta a moeda da época), e Gilsão foi ganhar três vezes isso aí.

    Essas reminiscências que integram a minha e a história de Luizmar são válidas como lembrança nessa hora da sua partida para que os jovens se apercebam que a vida dá voltas, faz cerradas curvas e tem seus retornos. E que nela vale tão somente o que conservamos como amizade. Com nódoas que apagamos e rusgas que não se tornem definitivas.

    Por isso, saudoso agora com a viagem de Luizmar, só me resta a certeza de que mais dias menos dias estarei outra vez ao seu lado ouvindo a sua voz de ouro.

    Lá no Céu.

  • RECORDANDO (II)

    30/08/2017

    Bola fora! (14.08.14)

    A paparicagem oficial ao atacante Hulk, nesse seu retorno a Campina Grande após a vergonhosa campanha do selecionado pátrio de futebol durante os jogos da Copa do Mundo, é de uma insensatez primária - e igualmente vergonhosa.

    Hulk, convenhamos, é um cidadão de boa índole, um cara humilde que até joga um bolão. E tem correspondido, fora de campo, ao carinho que os conterrâneos devotam-lhe pelo que faz nas quatro linhas.

    Ele sempre exaltou a terra-mãe quando lhe deram a amarelinha da seleção e com ela fez boas atuações. Assim foi em alguns dos amistosos da canarinha e assim foi na Copa das Confederações. Mas, nesta Copa do Mundo que a Alemanha, com toda honra e toda garra, levou para si, deixou muito a desejar. Até um pênalti contra o Chile perdeu, frustrando toda a galera paraibana que roia as unhas em frente às TVs.

    Não vimos Hulk mostrar seus valores desta vez. Aliás, nem ele e nem os seus companheiros. Por isso, do vexame das duas goleadas não pode se excluir, como tem feito questão de fazer nessa volta às férias na Rainha da Borborema.
    Tem faltado ao atacante a mesma assessoria boa que falta ao prefeito Romero Rodrigues e ao reitor da Universidade Estadual da Paraíba, Rangel Júnior, que juntos protagonizaram uma cena deprimente em espaço do belo marco arquitetônico que Niemayer projetou às margens do Açude Velho e a quem essa oficialidade vesga denominou de Museu dos Três Pandeiros.

    Primeiro, porque perder - essas autoridades - toda uma tarde de trabalho para louvar um derrotado, já é de uma gravidade inominável. Depois, porque a perda de todo esse tempo se deu para receber uma camisa que shopping’s e camelôs já botaram em queima de estoque a preço de banana podre. E, por último, porque à cara dos três - Hulk, Romero e Rangel - acabou se amoldando a máscara do Pateta, aquele personagem atabalhoado de Walt Disney.
    Ora, a camisa Sete com carimbo de Hulk já não é orgulho para ninguém.

    Sequer para nós, paraibanos seus irmãos. Ou esses nossos “Três Patetas” estão esquecidos que fomos humilhados pelos sucessores de Hitler com sete bolas no nosso gol?

    Eu, pelo menos, estou fora desse lance. Não me sinto homenageando Hulk e nem homenageado por Hulk. Cá prá nós, empurrei no fundo da mala a camisa sete que comprei para torcer pelo cara e espero não vê-la mais pelos próximos quatro anos.

    Só lamento que meu prefeito e meu reitor tenham pago tão dilacerante mico, posando com o SETE de nosso derrotado gajo do traseiro monumental numa hora tão inconsequente como esta da derrota humilhante que Hulk e seu abestalhado bando nos proporcionaram.

    No caso específico do prefeito e/ou prefeitura, realcemos o bom senso da Secretaria de Esportes - onde parece haver cabeça boa e pensante -, que se eximiu da festa ou, pelo menos o seu titular Gustavo Ribeiro, de aparecer nessas fotos que deslustram a história.

    Sem trocadilho com o Maior São João do Mundo, é forçoso registrar que desta vez Romero e Rangel - em tabela desafinada com Hulk - deram a maior bola fora do mundo.

  • RECORDANDO (I)

    28/08/2017

    Com o criminoso ataque de hackers ao portal perdi mais de 30 mil fotos e todos os textos nele publicados, aí incluídas as minhas colunas. Mas, parte delas postei também no Facebook e, a partir de hoje, estarei republicando alguns dos artigos - os sobreviventes -, até mesmo como forma de CONSOLO.

    QUANTIDADE x QUALIDADE (28.07.14)

    Os palanques nunca se desarmam em Campina Grande. Por isso, nas últimas décadas todas as eleições estaduais se decidem por aqui. As brigas no sertão, os qüiproquós no cariri, as pendengas litorâneas, os rame-rames no agreste ou os bate-bocas no brejo representam tão somente a parte miúda do imbróglio eleitoral.

    Campina respira política cada minuto do dia e não forró, como algum apressado ouse acreditar. Daí a razão da parte graúda nesse processo residir na serra, ao embalo das brisas que nela se encontram vindas da ponta e do fim – o mar e o tórrido chão da caatinga interiorana.

    Não é por simples coincidência que a Rainha da Borborema dispõe hoje de dois dos três assentos reservados à Paraíba no Senado e elegeu cinco dos 12 nomes de paraibanos na Câmara Federal, o que importa em praticamente a metade de toda a representação congressual do Estado na capital da República.

    Na Assembleia Legislativa a força campinense também nunca foi desprezível, estando atualmente representada por um quinto das 36 cadeiras, algo de fato extraordinário quando se verifica que a Capital, com o dobro da população, tem número mixoxo de deputados.

    Isso tudo não deixa de ser maravilhoso, embora nesse caso a história (ou a vitória) de Pirro venha ser convocada a dar-se como exemplo. E por isso mesmo: em quantidade, nada Campina tem a reclamar; Já em qualidade, aí o cancão pia...

    Porque, raríssima é a exceção, os parlamentares de hoje envergonham! Se apresentam anos-luz de distância daqueles de ontem e o que salva - e estamos falando sobre os eleitos por Campina - é a ainda maior desqualificação do restante das bancadas, gerando uma nivelação para baixo que permite ao menos observador dos cidadãos não distinguir o melhor do pior, e vice-versa.

    Essa reflexão é oportunissima agora, quando o povo será obrigado a escolher novas representações.

    Um incauto analista logo se apressaria em situar que o nível de politização do povo campinense é o melhor possível. Afinal, filhos seus há décadas dominam quantitativamente os Parlamentos e muitos desses hoje ainda estão, por conta das suas eleições, colocados nos melhores postos de trabalho da máquina pública estadual, o que não deixa de ser verdade.

    Ocorre que a buliçosa Capital do Trabalho, como um dia lhe batizou Raymundo Asfóra, quer muito mais.

    Qualidade e sobriedade, por exemplo! Que tivesse somente dois ou três nomes no Congresso. Mas que esses se dessem à cópia de um Vital do Rego (o pai), um Aluizio Campos, um Argemiro de Figueiredo...

    Que se espelhassem, os da Casa de Epitácio Pessoa, pelo menos em um Orlando Almeida, cujo grito de amor por Campina ainda ecoa por corredores e gabinetes.

    Vai ver que um dia, lá na frente, o campinense feche o cenho e entenda que o voto tem a grandeza de um valor e nunca o valor de uma face. E em não mais vindo a se vender por quaisquer dois tostões acabe adquirindo para a amada e esfuziante terra a melhor das mercadorias, cujo preço não estará em nenhuma prateleira: DIGNIDADE, em respeito ao mandato popular.

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