Colunista Rafael Holanda

  • Conselhos a um jovem médico

    30/08/2017

    Você jovem, que abraça o caminho da ciência Hipocrática, que busca encontrar a arte de curar; saiba antes de tudo, que a palavra é o melhor remédio, o conforto caminho de cura, e respeito aos desassistidos uma bênção de Deus.

    Saiba compreender um desespero, uma mãe aflita que se cansa de pedir ajuda, e pela sua aflição surge a impotência diante das desigualdades, diante do silêncio do mundo, e das indiferenças que destituem a dignidade.

    Entenda que a medicina não é uma ciência que exija instrumentos modernos para salvar, pois um simples olhar onde representa a esperança é capaz de levantar aquele que em vida já se encontrava morto.

    Respeite o sofrimento alheio, não pergunte onde está a dor, e nem a que distância se encontra a pessoa que necessita de sua ajuda, pois os caminhos percorridos somam em milhas a diferença entre seus erros e o perdão de Deus.

    Quando entrar em uma casa sinta como estivesse buscando tirar a trava dos seus olhos, diante de um pequeno cisco na visão do que sofre, não comente, não visualize a possibilidade de sair com moedas cunhadas, mas com um coração brando pelo dever cumprido.

    Seja sempre um cavalheiro, compreenda o desespero, e não leve em conta as ofensas de quem vive na miséria, de quem persiste em lutar pela vida deste filho, por ter perdidos outros pelas nossas incompetências.

    Muitas das vezes o nosso silêncio é na realidade responsável por mortes de tantos, por não lutarmos pelos remédios que faltam na farmácia, e por exames que chegam após o óbito.

    Somos sim, responsáveis pelas nossas inoperâncias, por não compreendermos que a vida por sua ação cíclica vem de forma lenta trazer-nos as mesmas lágrimas que provocamos em outros.

    Não é a toa que o índice de suicídio ultrapassa em muito a tantas profissões, em decorrência das nossas frustrações, nossos erros, as desilusões de termos abraçados o que realmente não gostávamos.

    Se por acaso tens no coração a arte da caridade, da benevolência do saber compreender e perdoar, de entender que a lágrima só desaparece se soubermos também chorar; tenha a certeza que daí surgirá um grande médico.

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