Colunista Valberto José

Jornalista, formado pela Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Iniciou como colunista na Gazeta do Sertão e trabalhou no Diário da Borborema e Jornal da Paraíba, colaborou na versão impressa d`A PALAVRA.

  • Sobrinha tridimensional

    24/09/2020

    Nossa Senhora foi agraciada com o título de Mãe Três Vezes Admirável quando um grupo de jovens de uma Congregação Mariana cantava uma Litania, na Alemanha do século 17, chamando-a Maria Mãe Admirável e um padre jesuíta pediu que repetisse o refrão em trilogia. Desde então, esses jovens passaram a usar o estribilho na regularidade sugerida.

    Em 1915, outro padre, inspirado pelo verso recorrente do agrupamento juvenil, conferiu a Maria a definição das três dimensões de Ser Admirável. Mãe de Deus, Mãe do Redentor, Mãe dos Remidos, eis a beleza das atribuições.

    Nossa mana D‘Aguia afirma que ao pensar em Aline, uma das várias sobrinhas que temos, enxerga a imagem de Nossa Senhora. Pelo zelo e cuidado que tem pelo próximo, pela fé demonstrada, pela dedicação religiosa, acho. Eu, na minha pequenez terrestre, acrescento mais: ela é três vezes admirável, sem querer compará-la a Maria.

    Essa admiração tridimensional encontra justificativa plausível e nossa família há de concordar. Pois Aline cuida, com zelo exemplar, de três pessoas especiais na sua e na nossa vida; cuidado raro na juventude de hoje, vale lembrar.

    Como vejo essa menina três vezes admirável! Admiro quando a vejo preocupada com a saúde do pai, nos cuidados de sua alimentação, horário de refeição, etc.; admiro quando sei de sua dedicação à minha irmã Aurora, que teve a felicidade de carregá-la no ventre, e principalmente sua preocupação com a larga jornada de trabalho que ela enfrenta sem reclamar.

    Faço questão de conferir a Aline uma terceira dimensão até como forma de gratidão. Sou muito grato pelo tratamento diferenciado que ela dispensa à minha mãe. Como ela cuida bem dessa avó! Cuidadora do pai, cuidadora da mãe e cuidadora da avó, resume-se.

    Sinto-me retribuído quando observo essa sobrinha no cuidado esmerado com minha mãe, uma recompensa que nunca busquei. Justamente pelo que fiz por Mãe Sinhá, a minha avó materna, a bisa de Aline, que nos alegrou com um centenário bem comemorado, bem agradecido.

    Diante do que ela faz por Dona Cleonice, a minha mãe, sinto que fiz tão pouco por Sinhá. Mas me conformo, pois reconheço que a habilidade, o cuidado e o zelo femininos são diferentes. Neles, há sempre algo maternal, angelical, divino...

    Ao observarmos o significado do seu nome, parece uma premonição paterno/maternal quando a batizaram de Aline. Protetora nobre ou reluzente. Quanta nobreza na sua proteção desmedida! E quanta luz nos remete na imensidão de sua fé, na intensidade de sua religiosidade.

    INSENSIBILIDADE

    Li o texto “A humanidade é o mundo todo”, do professor e jurista Francisco Leite, publicado no MaisPB, comentando sua primeira experiência na cidade de São Paulo como visitante, e o enviei para o amigo Jurandy França, também advogado e paraibano que há quase 40 anos mora lá. Ficou tocado. “É impressionante a visão de alguém que não vive no meio. Tudo isso que ele falou eu vejo todo dia, mas o costume de você estar enxergando essas coisas a cada volta pelo meio te deixa um pouco insensível. Insensível no sentido de não perceber o que se passa em seu redor”, reconheceu.

    VISÃO CEGA

    “Tudo que ele fala aí - da riqueza da Paulista, do mercado, na miséria que viu nos becos da Avenida São João com Ipiranga... Ele viu uma pequena parcela, porque se ele estendesse mais a caminhada até proximidades da Estação da Luz, Cracolândia, essa região da Rua Aurora, a boca do lixo mesmo, acho que ele não teria nem coragem de entrar lá. Gostei muito do texto dele e me alertou pra isso: ele ter percebido tanta coisa que eu vejo todos os dias e não consigo enxergar. É impressionante!”, completou

  • Força Estranha

    18/09/2020

    Não, não consigo esquecer. Tem sido em vão qualquer tentativa de olvidamento. Por mais que eu tente, por mais que eu queira, há sempre uma força estranha a recordar e, ao mesmo tempo, suavizando o impacto daquela fatídica noite de 19 de setembro, no quase limiar da primavera de 2013. Como na canção de Caetano, eu vi a mulher preparando esse menino. Eu vi esse menino brincando como se grande fosse e o vi grande distraindo-se como se menino fosse. Vi grande esse menino despedindo-se, despedindo-se, despedindo-se...

    No desespero da despedida iminente eu me lembrei daquela barriga! Foi recordando aquela barriga que essa força foi crescendo, crescendo e eu deixando que me dominasse, que me encantasse, que me possuísse. Ah! Essa força enviada chegou pela religiosidade de minha irmã Anete, depois da oração a três, e logo equilibrou a mãe do menino. O pai, movido por essa força, cantando, cantando, cantando... aquela música que ainda hoje lhe umidifica os olhos.

    Foi cantarolando insistentemente “Eu Confesso”, como a rogar perdão pelos pecados cometidos, da manhã seguinte da tragédia daquela quinta-feira, até a noite de domingo quando da missa mais importante que eu, o pai do menino, suportei os primeiros três dias dos mais de 30 de sua internação. A mãe do menino, seus irmãos e pessoas próximas já não suportavam a agonia do cantar repetido e desafinado. No Ato Penitencial da celebração, coincidentemente, a canção suplicante foi essa autoria de André Zamur.

    Ao ouvir “Eu Confesso” naquela missa, um sinal de que essa “força estranha” gritando dentro de mim estava agindo e obstando a despedida anunciada me invadiu a alma. “Deus está me ouvindo”, refleti. Então, sem receio, “eu pus os pés no riacho” e imergi pelas “águas mais profundas”. Uma calma inexplicável apossou-se de todo meu ser e nesse mergulho de fé, retornei à superfície com o filho resgatado, são e salvo. E sem sequelas.

    Embora a voz denunciasse minha apreensão com a gravidade da situação, passei a sentir, depois da melodia escutada, uma serenidade divina me conter e uma confiança sem limite na reversão milagrosa. As notícias não animavam. “Mãe, a senhora tem fé”, disse o médico, numa das visitas de Margarida. “Tenho, doutor, o médico dos médicos vai salvar meu filho”, confiou. “Eu aposto na sua fé e na juventude dele”, alentou.

    Eu, na minha covardia paterna, só o visitei com 10 dias de internação, dos 17 passados na UTI. Quis me desanimar um pouco, mas a lembrança daquela barriga me conservou imerso. Deveras, a situação era preocupante. A moto destroçada e o traumatismo craniano a exigir duas cirurgias. De modo que uma consolação me dominou a alma quando informado de que saíra do CTI, justo no dia do aniversário do irmão.

    Devo repetir que não consigo esquecer daquela noite, mas lembro de uma maneira diferente, leve e agradecida pela graça alcançada. Como no dia que fui buscá-lo no hospital, após receber alta. Abri o portão, deixei todos entrarem e, na espontaneidade do momento, percorri de joelho pela casa, da calçada até o quarto, e o reencontrei na nossa cama. Renascido para nós, renascido para a vida.

    LEGADO

    Já que falei no filho, vou recordar o pai. Se vivo estivesse – há 13 anos que partiu, meu pai faria 86 anos no dia 21 deste mês. Além do exemplo de fé que nos deixou, o legado de Zé Patrício tem a base da honestidade, da responsabilidade e do trabalho.

    CONSELHO


    Numa dedicatória em livro que ganhara de uma filha e que depois me repassou ao se julgar não ser digno de possuí-lo, um conselho: De Maria do Socorro para José, de José para Valberto. Assim deve caminhar a humanidade. Se queres continuar andando, faze o mesmo.

  • MULHER AVIÃO

    11/09/2020

    O rosto meio basto era realçado pelo brilho dos olhos escuros e pela meiguice da fala, que a tornava ainda mais afável. A leveza do estrabismo conferia-lhe uma certa sensualidade e o corpo robusto, embora definido nas maquinas de academia, parecia estar em assimetria com a estatura mediana. “Uma gordinha sex”, diria ex-colega de redação. Tinha uma beleza discreta, mas nada que pudesse ser uma mulher avião. Não obstante, era uma mulher avião.

    Conheci Lídice quando viajei a Porto Velho, há nove anos, junto com um irmão e um sobrinho, na ansiedade de visitar duas manas lá residentes. Vizinha de uma delas, logo no dia da chegada fomos apresentados a ela. A rua em que moram era sem saída – um muro divisor no final impôs a necessidade de entrada e saída únicas - na extensão de um quarteirão de 300 metros e a largura comportava um carro estacionado em cada lado, permitindo um trânsito desafogado até pra carro grande.

    Durante nossa permanência de oito dias na cidade, nós visitantes e os de casa costumávamos ficar no terraço horas antes do almoço e também no início da noite após a caminhada recomendada pela medicina. Na maioria das vezes, nós, marmanjos, aproveitávamos o tempo de espera para um drinque, principalmente no período matinal. Foi nesse meio-tempo que comecei a observar a vizinha chegar no Corsa Sedan, transitar pela rua e colocá-lo na garagem.

    Moradora do lado esquerdo da via, ela vinha na sua mão e nada a impedia, além da presumível falta de segurança, de entrar de primeira no local de guardar o veículo. Lídice optava, todas as vezes, seguir até o final da rua e próximo ao muro limite, fazer a manobra e voltar na contramão. Só, então, direcionava o carro para a garagem. Lembrava uma aeronave taxiando na pista após o pouso.

    - Essa tua vizinha é um avião. Foi o que eu disse ao meu cunhado, que reagiu parecendo me xingar, mudo, com o seu olhar interrogativo. – Não é o que você certamente está pensando. Ele riu, desviando o olhar para a cachaça que levei como presente.

    - É que ela chega dirigindo o carro, vai até o final da rua, manobra e retorna para poder entrar na garagem, feito o avião taxiando na pista quando pousa. Ele riu novamente, abasteceu os copos, quando, então, nós os fizemos decolar da mesa, atingir o “voo de cruzeiro”, aí sentimos o aroma paraibano da bebida, e os pousamos levemente nos lábios e degustamos o líquido derramado na pista da nossa língua. Sem taxiar.

    KARINA ARAUJO

    A Covid 19 tira de nosso convívio mais outro colega que tive a felicidade de uma convivência profissional – o primeiro foi Gomes Silva, companheiro no DB e depois no Jornal da Paraíba. Agora, leva Karina Araújo, com quem trabalhei no JP. Calma e dedicada ao trabalho, tinha no sorriso acolhedor sua marca registrada. Também uma história de vida escondida nesse sorriso.

    SEM NOTICIAS

    Desde que saí do Jornal da Paraíba, em janeiro de 2002, que não via Karina. Até que cerca de dois anos atrás ela chega no nosso comércio e, o me ver, abre o sorriso e diz estar morando perto. Depois que fechamos a loja, não mais a encontrei nem tive notícias. Por isso a surpresa de sua partida “fora do combinado”, no dizer caipira de Rolando Boldrin.

    SEM A DUPLA


    O preço do arroz disparou e faz a maioria da mesa do brasileiro ficar sem a dobradinha feijão com arroz. Nesse arrazoado de justificativas para o aumento, o pobre ainda pode comprar a dobradinha (vísceras bovinas) para o feijão. Enquanto o preço do legume não dobra.

  • VISITA

    03/09/2020

    Esta manhã tive uma visita em minha casa. Chegou sem me avisar, passou pela sala e com a intimidade de gente da família, sentou-se na cadeira televisiva do meu quarto, deixando-me à vontade. Sequer exigiu que me levantasse da cama. Conversou bastante, esquivando-se de sua característica precípua, a timidez. Nem liguei que o encontro se transformasse em monólogo. Foi extremamente satisfatório, pois falou de sua vida e contou coisas que eu nem sabia.

    A visita permaneceu apenas 30 minutos, mas me propiciou um domingo mais feliz, embora nostálgico. Uma nostalgia boa, diria. Como ele rememorou fatos de nossa juventude reservada e de minhas paixões esquecidas porque foram só paixões. Iniciou o monólogo falando de seus Sonhos, continuou relembrando de seu tempo Sozinho e terminou externando toda felicidade de ter encontrado sua Alma Gêmea.

    Antes, porém, com certo ar aliviado, discorreu sobre as consequências de sua reconhecida timidez, aparentemente agora superada. Deixou explícito que ela prejudicou excessivamente sua consagrada carreira. A ponto de, no auge, não conceder entrevista diante de plateia, motivo pelo qual optou mais em produzir. Como produziu! E como sua criação sentimental contribuiu muito para o sucesso de muitos.

    O pouco tempo que passou comigo me embriagou de tal maneira que sequer tomei o costumeiro trago dominical. Foi o bastante para que os meus olhos, no silêncio da minha solidão momentânea e optativa, marejassem. Um marejar diferente, como há muito eles não marejavam. Sem a tristeza de antigamente, sem a angústia de então e sem a ansiedade do passado. Meus olhos marejaram pela emoção do encontro inesperado.

    Sim, ele veio me visitar pela diversidade musical de outro ilustre artista, que todo domingo tem cadeira cativa em minha sala. Hoje, Rolando Boldrin, o Sr. Brasil, trouxe o cantor e compositor Peninha em minha casa. Só que, peço perdão, não o apresentei aos meus filhos e nem à minha Alma Gêmea. Preferi, talvez por Sonhos, Que Pena, ouvi-lo Sozinho.

    COM MUDANÇAS

    Formulei esse texto no dia 10/11/2019, após assistir ao programa SR. Brasil, que teve a presença de Peninha. Alguns amigos meus e familiares que leram, pediram para eu publicar neste espaço. É o que faço, com as necessárias mudanças.

    SEM REPOUSO

    Feito Augusto na desventura do seu Gozo Insatisfeito, passei 43 anos de minha vida “sem um domingo ao menos de repouso”. Certamente mais aliviado, pois, também, sem o desespero de buscar trabalho, sem a ansiedade de saciar um gozo, sem a necessidade de achar conforto. Tudo era bom nessa mocidade vazia... Hoje, tantos anos depois, talvez sinta saudade dessa juventude diferente, embora ainda sofra as consequências de uma clandestinidade laboral.

    SEM RUMO

    De modo que fiquei meio sem rumo nas manhãs dominicais quando fechei o meu comércio e passei a ter esse turno livre. Até que certo dia, abusando do controle de TV, encontrei dois programas bem ao meu gosto musical. Cantos e Cantos, na TV Correio, com Ton Oliveira, e SR. Brasil, na TV Itararé, com Rolando Boldrin. Um, me reencontrando com a tradicional musicalidade nordestina; outro, me fazendo conhecer a diversidade musical brasileira.

    PRA REFLETIR

    “É fácil um leigo querer desistir da igreja porque ficou sabendo de pecados de um padre. Já pensou se os padres desistissem por causa dos pecados que sabem dos leigos?”. Padre Hachid, na missa noturna de domingo passado, via redes sociais. “Pense nisso”, diria aquele professor.

  • HEREDITARIEDADE RELIGI0SA

    27/08/2020

    A vida era difícil. Oito filhos para criar - depois vieram mais três -, o sustento baseado no pequeno comércio ambulante que o forçava a périplos semanais pelo sertão paraibano, estendendo-se ao Ceará e ao Rio Grande do Norte... Talvez as constantes dificuldades da vida explicassem a volubilidade religiosa de meu pai; no contraponto, a firmeza católica de minha mãe a desafiar suas ordens obstativas em sua caminhada litúrgica e a influenciar os rebentos no destino cristão.

    Primogênito da prole e inclinado aos apelos maternos, assimilei seus ensinamentos religiosos aprofundando-os no catecismo conduzido com zelo e dedicação por Dona Lourdes, catequista da nova igreja do Cruzeiro, na parte logo nominada bairro de Santa Cruz em honra ao templo erguido com a ajuda dos fiéis. Em seguida à mudança familiar para Patos, no início de minha adolescência, veio a aderência paterna ao protestantismo.

    Diria que essa conversão provocou uma revolução no seio familiar com impacto contrário até hoje. Todos os 11 filhos seguiram, no silêncio medroso imposto pela ditadura caseira, a orientação materna, mantendo-se na igreja deixada por Cristo. Até papai, quase uma década depois, voltou a catolicismo com uma praticidade exemplar. De modo que minha alegria é imensa ao ver a dedicação religiosa de minha filha e nela também a continuidade dos ensinamentos cristãos repassados por minha mãe.

    O impacto pandêmico atual foi amenizado, estou certo, pelo prestimosidade eclesiástica de Morgana. No período radical da quarentena, esteve sempre presente na meditação do Terço em família e ao assistir da missa online. No retorno presencial reduzido nas igrejas, logo se encarregou em agendar sua presença, o que o faz semanalmente e ainda puxa o namorado. Logo nas primeiras semanas dessa liberação mínima, pediu que a deixasse no Rosário, pois marcara uma confissão.

    No último domingo, insistiu com a mãe para que lhe fizesse companhia na missa matinal, garantindo segurança em função das medidas antipandemia adotadas. “Na igreja, voltei no tempo. Eu me senti minha mãe e Morgana sendo eu, quando ela me chamava para acompanhá-la na missa”, disse Margarida, exultante, quando voltaram. Com a diferença de que, desta vez, a filha foi quem convidou a mãe para o ato litúrgico.

    SOBRIEDADE

    Meu irmão Patrício festejou nova idade, dia 22 último, com a sobriedade ansiada há muito tempo pelos familiares e os amigos de verdade. Aliás, ele tem motivos de sobra para comemorações este ano. Do time de safenados, em dezembro, se a memória não me trai, faz 15 anos da cirurgia que recauchutou o seu coração. Que continue sóbrio.

    MADEIRA

    Açougueiro desde a adolescência, Patricio buscou na marcenaria a fuga da ociosidade imposta pela pandemia, e vem agradando com trabalhos em madeira, provando que nunca é tarde pra nada. Tem gente surpreso com sua habilidade nessa atividade. Não devia. Quem usou tanto a madeira não teria dificuldades em trabalhar com madeiras...

    SONIFÉRO


    Marcos Dias Novo, colega dos tempos colegiais em Patos e hoje pastor Batista em Esperança, costuma nos brindar no grupo do WhatsApp com versos de temática religiosa ou desejando uma noite bem dormida. “Um sono bom e gostoso/Não depende do colchão/É do estado da alma/ E como está teu o coração/Havendo leveza nisso/O sono é restauração”. É O Poeta do Sono, brinquei.

    SEM MÁSCARA

    Nas ruas e até nas caminhadas é preocupante o número de pessoas que insistem em não usar máscara, expondo-se e expondo os outros à contaminação. Ainda tem aqueles que disfarçam o uso, deixando a proteção cair pelo pescoço e a boca e o nariz expostos ao Covid 19. Certamente pensam que o soco do vírus é no queixo.

     
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  • O PRECURSOR DE AMAZAN

    22/08/2020

    Pauta recente de alguns partidos, a participação de artistas na campanha política em formato online(livemício) me levou de volta ao meu passado infanto/juvenil, mesmo achando ser improvável sua liberação este ano. Viajei no tempo em que ia aos comícios interessado apenas nos shows, sem a imposição do voto obrigatório. Elino Julião, com seu “Quem é que vai ganhar ...”, foi inesquecível para mim, mas embarco nesse reencontro sobrevoando a serra de Santa Luzia e aterrissar em Patos.

    A passagem de Pinto do Acordeon me motivou a revisitar sua obra e nesse sentido procurei ouvir seus discos, as entrevistas concedidas, assistir vídeos e ler o que foi publicado sobre sua obra. Nessa pesquisa, redescobri outro sanfoneiro das Espinharas bom na sanfona e no improviso: Agamenon Show. À época morador da rua do Vera Cruz, o colégio da minha adolescência, também era requisitado para animar os comícios e até chegou a ser vereador em Patos.

    Tocador famoso na região, Agamenon tentou, em função de sua veia poética, ser cantador de viola. A opção pela sanfona foi motivo para ele introduzir o improviso no forró, em especial o gênero “beira-mar”, e conforma, em entrevista ao jornalista patoense Luiz Gonzaga Lima de Morais, ser o precursor do repente no ritmo nordestino. “Depois vieram Amazan, Luizinho de Irauçuba e outros de Cajazeiras”.

    Agamenon até fez dupla com o lendário Lourival Batista na Festa de Setembro - festa da padroeira de Patos. Chico Gavião, companheiro escalado na cantoria, tomou umas, embebedou-se e jogou a viola num canto. Doido pra cantar, Louro do Pajeú procurava parceiro até que surgiu Agá, que vinha de comícios nos bairros. Uma voz incitante logo avisou que chegou um poeta. “Não. Quero não”, disse, recusa que animou Louro a desafiá-lo com um “tá com medo”.

    O paraibano tomou uma, recolheu a viola abandonada pela embriaguez e partiu para o desafio, avisando ser amador. Lourival escolheu um mourão voltado ou respondido, gênero que exige a resposta certa e rimada do colega. Os versos ficaram na memória de poeta. “Pra que se quer a viola?/Pra se bater um baião/Como se aprende a lição?/Se frequentar a escola/Pra que sequer rabichola?/Pra se botar no cangão/E se eu pear do pé pra mão?/Pode botar no cercado/Isto é mourão voltado/Isso é que é voltar mourão”.

    Foi num comício em Pombal que Agamenon adaptou o gênero beira-mar ao forró. Abriu a sanfona e começou a improvisar autopromovendo-se, quando um puxão na camisa avisou que lembrasse dos candidatos. Virando-se, enxergou todos e emendou: Beira-mar, beira-mar, beira-mar/MDB está botando pra quebrar/MDB não enguiça/Tem Gaioso na Justiça/Tem Levi pra dizer missa/Rui Gouveia pra falar/Bolinha pra operar/Não falta nada pra nós/E eu tenho a minha voz pra cantar o beira-mar.

    N’outra eleição, Agamenon trabalhou pela oposição e fez uma paródia com a música Mulher Nova, Bonita e Carinhosa faz o homem gemer Sem Sentir Dor, cantada por Amelinha. “Muita gente vivendo a sofrer/Com o preço cruel da gasolina/O feijão, o arroz, a margarina/A pobreza não pode mais comer/Até mesmo nossa água pra beber/Quando vem pra sua casa é um horror/O governo coloca um medidor/Pra roubar na porta da moradia/Gasolina, Cagepa e energia/ Faz o homem gemer sem sentir dor.

    Pressionado, o sanfoneiro da situação, Manoel Valadares, parodiou a mesma música em resposta ao adversário. “Oposição lá só fala em gasolina/Matéria prima que vem lá do exterior/Botam culpa em nosso governador/Dizem que o petróleo sobe todo dia/Mas você sabe que um copo d’água fria/Para nós ele tem grande valor/Quando a luz se apaga eu tenho tanto pavor/Quando ela acende eu fico satisfeito/Doutor Carlos vai ser nosso prefeito/E Olavão é o nosso senador”.

    Em festa no Patos Tênis Clube com a presença de candidatos, Agamenon era atração e sabia que o público pediria o improviso do beira-mar. Na ausência do seu prefeitável, ficou doido para falar o nome e a chance surgiu quando viu outro com o nome parecido. Iniciou numa troca proposital, mas a rima do último verso não caiu bem, embora engraçada. Beira-mar, beira-mar, beira-mar/Baião só presta no quadrão da beira-mar/Doutor Olavo está aqui/ Valha meu Deus esqueci/Deixei ele bem ali/É noutro que vou falar/Que também é popular/Que é Otávio de Lacerda/Pra rimar só achei merda/No quadrão da beira-mar.

    O reencontro 45 anos depois com a turma colegial juvenil, mesmo virtualmente, motivou-me a resgatar um passado de cinco, vivido na tórrida Patos. A pandemia, de tantos impactos negativos, possibilitou-me dar esse mergulho no tempo com maior disponibilidade.

    VALADARES

    A autoria da música de sucesso da campanha a prefeito de Aderbal Martins de 72, em Patos, não é de Pinto, mas de Manoel Valadares, um dos animadores dos comícios do candidato. “O xexéu beliscou a goiaba de Levi”, cutucava o refrão. Deixe Durval no colégio/O padre na Catedral/Em nossa prefeitura vamos botar Aderbal/Passeata de jumento não ganha eleição aqui/E o xexéu beliscou a goiaba de Levi”. Confesso que não me lembrava de Valadares. Era da cor de Pinto.

    INSPIRAÇÃO

    A motivação para compor a letra veio de uma discussão entre três bêbedos sobre os candidatos, cada um salvaguardando o seu. Valadares ia namorar quando parou seu Jeep em frente ao prédio da Rádio Espinharas para guardar a sanfona e viu a briga. Ficou ouvindo e veio a inspiração. O compositor nem foi mais namorar; voltou pra casa e mandou brasa nos versos. Trocou de caneta...

    PARÓDIA

    A música de Pinto do Acordeon na campanha de Aderbal Martins foi uma paródia baseada no sucesso da dupla Dom e Ravel, Você Também é Responsável. “Vem gente de longe, da zona rural/Pra no dia 15 votar em Aderbal/Se aquiete Lelé deixe de zum-zum/Pegue seu xexéu e vá pra Jerimum/Eu sou patoense que honra o lugar/Esqueça a prefeitura e vá pra igreja rezar”. Antes, Padre Levi foi prefeito em São José do Bomfim, entre Patos e Teixeira, chamada também de Jerimum.

  • TERÇO DOS HOMENS

    13/08/2020

    Na nossa participação no ECC e nas Equipes de Nossa Senhora, o convite amigo, o convite irmão; para o terço dos homens não precisou da convocação humana, do apelo afetivo. O chamado foi divino, tocado que fui pelo inexplicável atiçando minha espontaneidade a sair de casa e, na solidão do meu transporte numa noite de quinta-feira, chegar à Catedral Nossa Senhora da Conceição para engrossar o rosário masculino que roga pela interseção da Mãe de Jesus Cristo.

    Ainda a caminho, na ansiedade da chegada, as lembranças infantis de quando as mãos maternas puxavam o menino que eu era, pelo corredor ladeado de avelóses da hoje Av. Dinamérica, às terças-feiras. O destino: o encontro com Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na sua Novena em Bodocongó. A perpetuação, naquela noite abençoada, dos ensinamentos maternos no adulto com sede de Deus.

    Saí encantado com as vozes masculinas, uníssonas, suplicando a interseção de Maria por suas necessidades; também agradecendo, também oferendando. Doravante, a assiduidade de minha presença foi motivo de adquirir a camisa e igualmente interagir com todos. Até arranjar a disponibilidade que não tinha, em função do trabalho diário, para os encontros. Como foi lindo o Encontro Nacional em Recife! O Ginásio Geraldão repleto de homens rezando, cantando, rezando, ouvindo... atentos às palestras, aos testemunhos.

    Encantadores também os encontros diocesanos. A labuta dominical me privando da oração matinal, mas um grão de fé ajudando a superar o cansaço do esforço concentrado pra tarde de palestras, cânticos, orações e a Missa que não pode faltar.

    Além de seus objetivos, o Terço do Homens traduz, em sua simbologia invisível, a ação de seus participantes. Como naquela vez, na recepção ao Terço de Dois Riachos, em Salgada de São Félix. O sinal de chegada, na entrada do distrito, era uma rajada de fogos. Ao parar do ônibus, perguntaram se algum dos passageiros tinha fósforos ou isqueiro para acender. Ninguém tinha. Cerca de 40 homens dentro do veículo sem fumar. Achei divino.

    Mas, o excesso de afazeres semanais, com a rotina de 12 horas de trabalho, começou a me afetar e o cansaço físico (e até mental) me fez quebrar um pouco a assiduidade de outrora, agravada ainda pela prolixidade dos animadores na condução da cerimônia (até de 2h de duração). Resolvi mudar de igreja para uma mais próxima. Até que dei um tempo, sem pausar as reuniões da Equipe de Nossa Senhora e mantendo a assiduidade missal. Hoje quero voltar e a pandemia não deixa.

    PARQUE

    Tenho uma afetividade gritante dentro de mim com a Avenida Dinamérica, pois ela ladeia, entre a Almirante Barroso e o conjunto Nenzinha Cunha Lima, as terras que foram dos meus avós paternos. As terras da minha infância, portanto. Nelas, eu brinquei, plantei, limpei roçado (muito pouco), carreguei água e tomei banho de açude e fui feliz. E sabia que era feliz.

    ANDORINHA

    Fui até andorinha nos meus tempos de Diário da Borborema ou ainda Gazeta do Sertão, não lembro bem, quando alertei do desperdiço de terreno daquela avenida, principalmente na sua largura sem sentido, e da necessidade de adaptá-la às práticas esportivas com a construção de equipamentos apropriados em toda sua extensão. Finalmente essa esperança renasce em mim e nos moradores dos bairros que a contornam. E até de toda cidade.

    CRÉDITO

    Mas foi com um misto de alegria e apreensão que recebi a notícia de que nessa avenida vai ser construído ainda este ano um parque linear. A suntuosidade da obra me impressionou. Alegria pela esperança de ver utilidade num espaço desperdiçado há tanto tempo e temor da obra não ser entregue no tempo prometido ou até não ser concluída. Em função da burocracia que costumar emperrar o serviço público. Vamos acreditar.

  • UM BOÊMIO RESPÓNSAVEL

    06/08/2020

    Traçar o perfil dos colegas cronistas esportivos da época foi um sonho que eu acalantei trabalhando no Diário da Borborema, no qual fiquei até 1992, mas a inviabilidade de destacar os profissionais concorrentes inibia qualquer pretensão minha de realização desse projeto. A possibilidade veio através do convite de Marcos Marinho para inserir a página de esportes na edição semanal do jornal A Palavra, logicamente com a adoção de um pseudônimo – Valmar Lomeida. Consolidada a nova editoria, iniciei a série com Humberto de Campos, o “Mais Discutido” comentarista, cujo data de aniversário é 8 de agosto.

    Bom-copo, mas extremamente cumpridor de suas obrigações profissionais, Humberto me inspirou um quadro na página que citava os bares frequentados pelos perfilados. Pelo menos três estabelecimentos mereciam a assiduidade praticamente diária de Campos. Funcionário da Celb, ele costumava sair da empresa por volta de 10h, entregava a coluna no DB e iniciava sua visita, tendo na agenda Caldo do Peixe, Miúra e Manoel da Carne de Sol.

    Escrevi sobre a frequência de Humberto nessas casas e preparei o seguinte título: Itinerário etílico de um boêmio responsável. Diagramada a página, a matéria ficou num quadro e sem comportar o título esboçado; tive que reduzir a “Itinerário etílico”. Daí, a motivação de manter o boxe nas edições seguintes, igualmente realçando a disposição alcoólica dos enfocados nos demais perfis. “Só não gostei muito disso aqui”, apontou, queixando-se depois a Marcos, mesmo entendendo o sentido da “brincadeira”.

    Uma das marcas de Humberto de Campos era, realmente, a responsabilidade. Sempre nos encontrávamos a caminho a redação e, mesmo deduzindo que eu ia pra lá, nunca me pediu para levar o papel datilografado com o conteúdo da coluna a sair na edição do dia seguinte. Somente depois de alguns anos, após me conhecer melhor, é que fui merecedor de sua confiança nesse sentido, o que me surpreendeu na primeira oportunidade.

    Professor do Curso de Comunicação, certa aula, no final do semestre, exemplificou seus alunos com uma de suas características: a verdade. Expondo como era o ambiente nos veículos de comunicação, fez algumas citações, quando de repente parou sua explanação, olhou para um lado e para o outro, aí visivelmente subiu um “nó incontrolável” na garganta e emendou: é vou falar. “Os Associados estão recepcionando autoridades, patrocinadores e outros com banquetes e jantares de confraternização, mas até esta data não pagou a gente ainda”.

    Eu gostava bastante de ouvir seus comentários no rádio e, principalmente, ler sua coluna no DB. Muitos amigos diziam ser ele mais crítico do que comentarista. Particularmente, achava que Humberto agradava mais o torcedor quando o time estava jogando mal ou perdendo. Sabia como poucos transformar em palavras a insatisfação dos apaixonados por qualquer das cores com a atuação desagradável durante o jogo ou o resultado adverso. Foi de quem mais me lembrei no pífio desempenho do Campinense diante do Sousa, terça-feira.

    A caminho de um retiro das Equipes de Nossa Senhora em Lagoa Seca, em 2006, foi que tomei conhecimento do passamento de Humberto de Campos e por isso não tive a oportunidade de vê-lo, inerte, na sua despedida terrestre. Esse tempo sem ele vai se traduzindo num esquecimento injusto de uma das principais vozes do meio esportivo e até do cinema em Campina Grande. Se em vida Humberto foi o mais discutido, desconfio ser ele hoje o mais esquecido.

    FUTEBOL

    Já que recordei Humberto de Campos, devo começar a inserir o futebol na coluna. Justo na semana da data natalícia do saudoso cronista, Campina Grande ganha o presente de recuperar o título paraibano de futebol quatro anos depois. Ainda mais com a disputa entre Treze e Campinense, o que não acontecia desde 2008, quando a Raposa foi campeã. Pena que a pandemia não deixa o ”Amigão” tremer. Como antigamente.

    FAVORITISMO


    O Galo da Borborema vai tentar quebrar um jejum de oito anos sem ganhar o título. O último foi em 2011, quando beliscou o bicampeonato. Se atuar com a disposição de quinta-feira... A Raposa comemorou a última conquista em 2016 também com o bi. Vai ter que jogar bem diferente da segunda partida com o Dinossauro se quiser ficar com a taça. Mas clássico, concordo, não tem favorito.

  • Equipes de Nossa Senhora

    30/07/2020

    O impacto da perda de um posto de trabalho nos primeiros dias de 2002 foi amenizado pelo convite, meses depois, de um casal amigo para que participássemos do ECC da Catedral de Campina Grande. Ficamos no movimento por três anos. Embora gostássemos, a labuta diária no nosso comércio, com pico de movimentação no sábado e domingo, praticamente inviabilizava uma dedicação condizente e a opção, a contragosto, foi a saída. Um novo convite, em 2004, desta vez da mana Anete, nos coloca em outro movimento de casais, as Equipes de Nossa Senhora, no qual estamos até hoje.

    Movimento de espiritualidade conjugal católico, leigo, é formado por casais que buscam no sacramento do matrimônio um ideal de vivência cristã e querem ser um testemunho do casamento cristão. “As Equipes de Nossa Senhora têm por objetivo essencial ajudar os casais a caminhar para a santidade. Nem mais, nem menos”, resume o padre Henri Caffarel, fundador do movimento, com a criação da primeira equipe no último ano da década de 30, na França.

    Este ano, as ENS comemoram 70 anos de Brasil, cuja expansão alcança todas as regiões do país. Na Paraíba, uma tentativa de implantação fracassou, em 1954, mas em 1989 foi lançada a primeira equipe em João Pessoa. Em Campina Grande, apesar da ação nos anos 1950, o movimento só chegou em 1998, mas seu crescimento na cidade fez com que, recentemente, o setor fosse dividido em dois. No Compartimento da Borborema estende-se às cidades de Queimadas, Puxinanã, Esperança e Pocinhos.

    O nome no plural justifica pela sua formação ser constituída de equipes, as chamadas equipes de base, composta de no mínimo, cinco casais e no máximo, sete. Cada uma delas é acompanhada por um Conselheiro Espiritual, que pode ser um seminarista ou um sacerdote. Cada equipe pertence a um setor(cidade), o setor forma uma Região (Estado), pertencente a uma Província, que engloba algumas ou várias regiões (Nordeste 1 e Nordeste 2, no exemplo nosso). A Super-Região acomoda as regiões de um país e até regiões de países vizinhos. Mundialmente, a responsabilidade geral do movimento é da ERI, Equipe Responsável Internacional. Desde a equipe de base até a direção universal, cada agrupamento desses tem um casal responsável, que é acompanhado por um Conselheiro Espiritual.

    Com o objetivo de ajudar os casais integrantes, as Equipes de Nossa Senhora nada lhes impõem; apenas propõem que os cônjuges vivam uma trilogia no caminho traçado por Cristo: Orientações de Vida, Pontos Concretos de Esforço e Vida de Equipe. Para a vivência desses meios, levam-se em conta três linhas mestras: a gradualidade, a personalização e o esforço.

    Da trilogia proposta, Orientações de Vida visam ao crescimento no amor de Deus; Os Pontos Concretos de Esforço(PCE’s) supõem tomar um itinerário lógico na direção do crescimento espiritual e humano; Vida de Equipe sugere a vivência com intensidade das propostas do movimento, a exemplo das reuniões da equipe de base e de encontros do setor, viver tempos fortes de oração, participar dos retiros, etc.

    Eu e Margarida gostamos muito das Equipes de Nossa Senhora, principalmente por trabalhar a espiritualidade conjugal e nesse sentido os Pontos Concretos de Esforço são fundamentais. Seguindo a orientação deles, lemos a Liturgia Diária(Escuta de Palavra) e a meditamos (Meditação), oramos juntos(Oração Conjugal – é maravilhoso, divino o casal, juntinhos e de mãos dadas, orando) e individualmente; temos a chance de discutir sem ira a nossa relação, num saudável diálogo conjugal(Dever de Sentar); a Regra de Vida é um convite ao esforço dedeixar de praticar algo que prejudique o lado familiar, conjugal e até pessoal; temos ainda a chance de uma gratificante participação anual de um retiro espiritual(Retiro).

    Desde a equipe de base até a direção universal, cada agrupamento das Equipes de Nossa Senhora fica sob a responsabilidade de um casal, que é acompanhado por um Conselheiro Espiritual. Sim, a nossa equipe, composta por seis casais, é denominada de Nossa Senhora da Guia e tem a dádiva divina de ser aconselhada pelo padre Hachid.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Na redação do Jornal da Paraiba, Vanuza Ramos recepcionando os aniversariantes do mês

    Vanuza Ramos

    Confesso que senti o impacto da notícia de falecimento, no sábado, 25 de julho, da jornalista Vanuza Ramos, nos Estados Unidos, país onde se encontrava há cerca de 15 anos. Ela foi nossa colega no Jornal da Paraíba e seus familiares residem no Jardim 40, e, além de vizinhos de quadra, foram nossos clientes até o fechamento da loja, um ano e meio atrás. Vanuza descobriu o câncer em fevereiro do ano passado e por isso não tomei conhecimento da situação. Daí o impacto

    Última visita

    Vanuza Ramos chegou à redação do JP devagarinho, como quem não quer nada, e aos poucos foi conquistando os colegas e seu espaço. Não lembro se quando saí, em 2002, ela ainda estava lá; recordo da surpresa que tive quando um parente seu me confirmou sua ida para o Estados Unidos. Na vez (acredito ser a única e faz tempo) que veio ao Brasil, me fez uma agradável visita.

    Sonho realizado

    De acordo com o colega carioca Carlos Wesley, do AcheiUSA, jornal para a comunidade brasileira naquele país, mesmo debilitada, Vanuza realizou um sonho, em junho último. Durante 12 dias, de carro e com a ajuda de um andador e cadeira de roda, conheceu várias cidades americanas, principalmente as ricas em cultura, para visitar a irmã Verônica, que também mora lá. “Foi o nosso São João”, disse à Mônica, outra irmã que vinha cuidando dela, confirma o jornalista.

    Ativista cultura

    A jornalista campinense mantinha uma empresa, a Zueira Productions, responsável por certo tempo pelas Terças Culturais, evento aberto aos talentos da comunidade brasileira local. Ela lançou ainda, com uma amiga, o Carnazueira, autentica festa de carnaval, no sul da Flórida.

    Homenagem

    O jornalista garante, em texto, que os amigos mais próximos tentam, até como homenagem, realizar outro dos vários sonhos de Vanuza, que é a criação de uma fundação de fomento à cultura brasileira na Flórida. Se concretizado o plano, a instituição receberá o nome da brasileira.

     
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  • PINTO DO ACORDEON

    23/07/2020

    A minha chegada em Patos, aos 12 anos de idade, me proporcionou a feliz oportunidade de acompanhar, mesmo na minha adolescência distraída, o andamento inicial da carreira de Pinto do Acordeon, que já despontava com prestígio nas Espinharas. A ponto de ser contratado para animar comícios na campanha à prefeitura local de 1972, que tinha como candidatos o industrial Aderbal Martins, o professor Durval Fernandes e o padre Levi Rodrigues, vindo de uma experiencia administrativa na pequenina e vizinha São Jose do Bom Fim.

    Não recordo quem animava musicalmente as aglomerações políticas do padre – mesmo porque o maior animador, o marqueteiro como se diz hoje, de sua campanha era ele mesmo; nos comícios de Durval quem cantava era o moreno Zé Matias, que, parece, não prosseguiu na carreira de forrozeiro. Pinto, com sua sanfona e sua irreverência a serviço de Aderbal, fez a disputa eleitoral ficar mais animada e mais disputada.

    Pinto foi o contraponto à criatividade do religioso, tido como favorito na peleja eleitoral. Levi sabia como ninguém atrair a população com seu carisma e sua batina, sua oratória fácil e abusando de ideias criativas no chamamento para seus comícios e suas passeatas. Ah, as passeatas do padre! De burro, de bicicleta, a pé... teve de todo tipo. No rádio e nos comícios, ele incitava o eleitor a receber dinheiro, tijolos, telhas, cimento, ou qualquer coisa de seus concorrentes, principalmente o industrial. Contanto que votasse nele. “Ferre o boi e vote no padre”, dizia, acusando os adversários de compra de voto.

    Após as explanações na sua oratória, Padre Levi encerrava os comícios ou programa de rádio procurando demonstrar confiança na sua eleição. “...tchau Aderbal, xexeu Durval”, concluía. Foi aí que a irreverencia de Pinto apelou na letra de uma das músicas de campanha e de uma forma bem ao estilo da maliciosidade musical nordestina da época. Não recordo a letra toda do forró, mas o refrão ficou na memória do povo. “E o xexeu beliscou a goiaba de Levi”, eis o revide de Pinto, arrancando gargalhadas.

    Certo domingo, saí da missa da Catedral Nossa Senhora da Guia e, ao atravessar a rua e me aproximar da Lanchonete Pedregulho, ouvi um som de sanfona e aquela voz de “Matuto Teimoso” foi penetrando em meus ouvidos. Não é que era Pinto, sentado numa mesa com um grupo de pessoas, tocando e cantando, tocando e cantando. Na minha curiosidade adolescente, parei e fiquei um bom tempo ouvindo o seu tocar, o seu cantar; em um dos números, cantava e recitava uma letra que falava em frango, bem ao estilo duplo sentido de então.

    Outra vez, em 1975, caminhava eu pela calçada da Ciretran de Patos, na época à Rua Horácio Nóbrega, e vinha um ônibus da Viação Brasília, que saíra da Rodoviária local com destino a São Paulo, e para bem próximo. Uma das janelas se abre e o sotaque sertanejo de Pinto eclode, chamando alguém; dois homens à minha frente se voltam à esquadria do veículo e um diálogo rápido é iniciado. No ano seguinte, estudando em Campina Grande, na felicidade do meu retorno ansiado, Pinto do Acordoem lança o seu primeiro disco.

    A alegria, o humor e a receptividade de Pinto são características citadas por quem conviveu com ele ou dele teve o privilégio de se aproximar. Os causos vividos e contados pelo sanfoneiro são maravilhosos, entre quais sua participação num comício em Pombal, pelo partido do governo. “Ninguém é doido não, ninguém é louco não/ Para morrer de fome votando na oposição”, o refrão.

    Quando Pinto desceu do palanque um emissário oposicionista já o esperava em baixo. Para contratá-lo, ganhando mais, e ele contradizer o que entoou no palanque adversário. “Olhe o preço do arroz, olhe o preço do feijão/ pra acabar isso tudo vote na oposição”, aconselhou.

    No episódio completo d´O Milagre de Santa Luzia, no qual é protagonista, e numa entrevista a Jô Soares a gente tem uma ideia de como era realmente Pinto do Acordeon. Mais do que o cantor que Pinto foi. Sem precisar ser galo.

    Crença e descrença

    Enfocando a religiosidade, a edição de quarentena do programa SR.Brasil de domingo passado foi divino. “Há a crença e a descrença”, justificou Rolando Boldrin sobre o tema, confirmando que conviveu com as duas realidades, pois a mãe era católica praticante e o pai, ateu. Além de interpretar poemas e textos sobre a temática religiosa, mesclou a programação com cantores interpretando musicas em programas apresentados em variadas épocas nos seus 15 anos na TV Cultura.

    Romaria de lágrimas

    Antes de concluir o programa, Boldrin interpretou, com todo talento que lhe é peculiar, um texto baseado na obra de Guimarães Rosa e, ao terminar o recital, Fafá de Belém, com sua voz inconfundível, continuou na temática religiosa cantando Romaria, de Renato Teixeira. Confesso que os olhos do terceirão marejaram. Feito os olhinhos do menino de Luiz Vieira.

     
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  • O Bom Vizinho

    16/07/2020

    Há aquela máxima de que “vizinho bom é ele na sua casa e eu na minha”, ou seja, cada um no seu território cercado. Meu conceito de vizinho se assemelha muito com o que acho de amigo, pois fundamentado na assistência oportuna e na compreensão nas adversidades ou atitudes desagradáveis. Com a diferença de que vizinho devemos afagar todos os dias, já que todos os dias ele é o próximo mais próximo. Acredito que o mínimo que podemos dispensar a um vizinho é a saudação diária, no primeiro encontro casual ou não. Bom dia, boa tarde ou boa noite não devemos negar a ninguém. Nem aos estranhos.

    Os manuais de boa convivência recomendam a “não fazer aos outros o que você não quer que seja feito a você”, regra considerada de ouro para ter um bom vizinho. Li um manual básico do bom vizinho que cita palavras alentadoras a quem quer ser exemplar e querido na sua localização residencial: simpatia, conhecimento, respeito, cuidado, barulho, incendiário (?), solidário. São vocábulos que exigem um certo desempenho mágico na sua praticidade.

    Simpatia é algo extremamente pessoal e que nem todos têm, pois presume-se que a simpatia começa com um sorriso espontâneo, contagiante. O ato de cumprimentar, em si, com ar sério ou sorridente, já é uma atitude de simpatia. Conhecer o próximo de sua casa é um dever de cada um, de preferência pelo nome. O respeito é bom e todos gostam. O que o manual mais recomenda é respeitar as áreas compartilhadas, a exemplo de estacionamento, vaga em frente à casa, sombra da árvore.

    Cuidado é um item muito recomendado. Quem cuida de sua casa, cuida de fazer seu vizinho um amigo. Limpeza na frente de casa, manuseio adequado do lixo e jardim arrumado beneficiam a todos. Barulho está incluído no manual implicitamente de maneira inversa, isto é, não fazer. Em festa caseira, vitória do time preferido, escapamento do carro... Quem mora em apartamento deve ater-se mais aos ruídos barulhentos, principalmente os que têm morador de lado, em frente, em cima e em baixo.

    A regra alerta para não ser incendiário, colocando fogo no lixo no quintal e ter controle na churrasqueira. A fumaça causa problemas em roupas e em quem tem deficiência respiratória. Eu acrescentaria ao manual não incendiar as relações dos moradores, incitando desunião. Cada um deve agir como um bombeiro para que não haja desavença ou, em caso contrário, ela seja controlada. A solidariedade é a última regra do manual, mas deveria ser a primeira. Quem é solidário pratica todas as outras recomendadas.

    Quando chegamos à nossa rua,16 anos atrás, fomos muito bem recebidos. Época carnavalesca, até um pequeno bloco nos recepcionou. Pequena, precisamente do tamanho do quarteirão, o entrosamento com os já residentes nem precisou de muito treino. Logo as rodadas festivas foram iniciadas, no campo neutro das calçadas, preferencialmente as centralizadas na sua extensão diminuta. Datas comemorativas do calendário, aniversários, chegada de um novo morador... Tudo era motivo para uma farra.

    Aliás, festa na nossa rua faz jus ao seu nome, pois homenageia um dos ex-donos da Caranguejo, quando a tradicional cachaça patrocinava as resenhas e transmissões esportivas nas emissoras locais. A violência urbana congelou esse clima festivo. Nem a inauguração do calçamento, uma luta de quase 20 anos, mereceu uma festa. O medo distanciou ou isolou os moradores, pois praticamente todas as casas hoje estão protegidas por um incômodo muro frontal. Mas, seguindo o lema daquela rede de supermercados não custa nada valorizar a vizinhança e tentar ser um “bom vizinho”. Na rede, a gente paga; o vizinho a gente afaga.

    Inaudete Amorim

    Tive poucos contatos com a cantora e radialista Inaudete Amorim, mas o primeiro foi marcante e, por isso mesmo, nunca esquecido. Estudantes de Comunicação Social, eu e o retraído colega Daniel Victor recebemos como tarefa fazer um trabalho que consistia em conhecer a estrutura de pelo menos duas emissoras de rádio. Não é preciso dizer que valia uma das notas do período.

    Teimosos e temerosos

    Na primeira emissora visitada, não fomos bem recebidos, pois o despreparo ou má vontade de quem nos atendeu foi desanimador. Com certo temor, em função da primeira experiencia, subimos a ladeira da Palmeira rumo à antiga sede da Rádio Campina Grande FM. Quem nos recebeu foi Inaudete. Com uma simpatia contagiante, uma classe admirável e boa vontade, ela nos reanimou e nos mostrou toda instalação e explicou o funcionamento de cada departamento, principalmente o de jornalismo, que nos interessava mais.

     
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  • Devaneios de um terceirão

    09/07/2020

    Um dos efeitos colaterais da greve dos caminhoneiros foi o adiamento do Maior São João do Mundo, uma semana depois do programado, mas reconheço que suas consequências psicológicas também me deixaram confuso. A festa avançou uma semana de julho e somente após o seu término é que me atentei que ser o mês do meu aniversário, justamente no ano em que a dádiva divina me concede ânimo para pular o muro da terceira idade. Coisa de velho, já podem xingar.

    Deus me concedeu a graça de chegar aos 60 anos, portanto, mas, paradoxalmente, as atitudes e decisões humanas me impedem de comemorar de forma festiva a data. Motivos para comemorações tenho de sobra, embora a crise financeira que assola o país me impeça de qualquer tentativa nesse sentido. Quem foi vítima de eclampsia seis décadas atrás terá forças suficientes para superá-la; ânimo para fazer festa, não.

    Se eu não reúno condições monetárias para tal, conforta-me a certeza de poder sonhar e até realizá-la virtualmente, diria, na linguagem atualizada de hoje. Na minha quimera de sessentão, a comemoração seria uma volta triunfal ao passado. Nela, reencontraria amigos de infância, adolescência e pessoas vivas ou que se já foram; praticaria costumes e brincadeiras de então, além curtir os ritmos e os ídolos de todos os tempos.

    Na minha sexagenária festa, convocaria Rosil Cavalcante para animá-la encarnando o personagem que recheou minha infância de alegria até quando o seu coração deixou, faltando dois dias para completar meus 10 anos. Zé Lagoa sairia dos estúdios ou auditório da Rádio Borborema, acompanhado de seu conjunto regional. Com Chicó na sanfona, parecendo reger os colegas com a cabeça, enquanto os dedos manobram as teclas ou botões do instrumento.

    Com certeza, Zé Lagoa traria como convidados o Rei do Baião para cantar Assum Preto e Tropeiros da Borborema e o Rei do Ritmo, Jackson, com seu inseparável pandeiro, interpretando Sebastiana, Bodocongó, e a música que identificava o programa Forró de Zé Lagoa. Genival Lacerda chegaria montado no seu “jumento de quatro patas” e dando trambique em Severina, aquela da boutique.

    A presença de Elino Julião e seu jumento sem rabo, dando Adeus a Borborema – música que parece relatar minha partida da cidade dois anos depois - seria um presente de Vital do Rego. O seu parceiro de disco Messias Holanda daria voz à profecia sem malícia de João Gonçalves, “plantando um pé de margarida”. É que quase duas décadas depois casei com uma mulher que perfuma o nome com essa flor.

    Holanda não deixaria a festa sem cantar o Sabiá na Bananeira( aí lembraria a namoradinha de infância), e Pra Tirar Coco, o forró que na década de 80 animou a travessia etílica, de ponta a ponta, da cidade de Solânea, feita por mim e o amigo Jurandy França, juntamente com mais três colegas seus.

    Zé Lagoa, sem “apanhar pra ficar mole”, convidaria, com certeza, Zito Borborema, lembrando de Campina Grande; ainda Jacinto Silva e o moreno Ari Lobo, além do Coronel Ludugero e Otrope, botando fogo na festa, feito Elino. Com o fogo se alastrando no salão, Zé Lagoa daria uma pausa na sonoridade nordestina e convidaria outros personagens marcantes, musicalmente, na minha vida.

    Pra começar, buscaria Raul Sampaio no Espirito Santo pra cantar Quem Eu Quero Não Me Quer; de Raul, Nelson Gonçalves interpretaria, com Martinho da Vila, Lembranças. Aí, o vozeirão do “gago” contemplaria os convidados com Naquela Mesa, Cabocla, A volta do boêmio, entre outras. Achando pouco, Rosil anunciaria a presença de Altemar Dutra, que cantaria(epa!) Margarida, Sentimental Demais, O Trovador e Brigas.

    Pra reviver minha infância de Jovem Guarda, Roberto Carlos chegaria num Calhambeque mandando tudo pro inferno (meu pai me passaria uns carões) e preencheria meus sentimentos adultos com Amiga e Passa tempo; Chico Buarque enriqueceria minha festa com A Banda, Construção, entre outros de protestos ou não.

    “Que Pena”, mas Zé Lagoa voltaria à cena para encerrar esse desfile romântico, esbravejando pela volta dos forrozeiros. Antes, teria que compreender que, sem Peninha cantando Sonhos, minha festa não ficaria completa. Aí, sim, ele poderia acabar minha festa gritando “Forró de Zé Lagoa, beco da facada”, mas anunciando ainda Marinês encantando minha alma tão regional com Aquarela Nordestina e no Meu cariri, e o Trio Nordestino com Lindu e a malícia discreta de Antônio Barros. Ah, ainda teria a volta de Gonzaga cantando os clássicos de Zé Marcolino. Isso não é um sonho nem a minha “última quimera”. São devaneios de um sessentão em intenso momento saudosista.

    - Texto escrito dois anos atrás quando completei 60 anos, com as mudanças que a releitura exige.

  • "Amigos, amigos, negócios à parte"?

    05/07/2020

    Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito e ainda com a segurança das voltas de sete chaves, recomenda Milton Nascimento; Renato Teixeira assevera que a amizade sincera é um santo remédio, é um abrigo seguro; Roberto Carlos nos ensina a reconhecer quando uma amizade é de fé e de irmão camarada. Osvaldo Montenegro, na realidade dos nossos dias, pede para que a gente faça uma lista de grandes amigos, retroativa a 10 anos, e uma contagem atualizada da quantidade resistente ao tempo. Nem lembra do fator qualitativo.

    A definição musical de amigo valoriza, obviamente, a amizade de forma poética, sem alerta às decepções que podem ocorrer; é um atestado de reconhecimento. O pensamento comercial já previne possíveis desapontamentos, principalmente monetários, que podem redundar numa ruptura relacional. Os brincalhões, os humoristas e os espirituosos costumam, na força do improviso instantâneo, desprender os laços amigos para não perder a piada. Amizade, acredito, é assistência no momento oportuno e compreensão nas atitudes desagradáveis.

    Reservado por natureza, vezes por outra atribuo a esse jeito natural de ser por não possuir um circulo maior de amigos; logo essa penitência involuntária se desfaz quando lembro que posso estar livre de afetos traiçoeiros. Admiro minha mãe pela sabiedade nos relacionamentos humanos, um legado que não possuo; ela tem uma capacidade impressionante de fazer e conservar amizades. Morou três meses numa cidade e 50 anos depois mantem amigos no seu território sagrado.

    Amizade tem patamares e é necessário o conhecimento do nosso patamar e do patamar amigo até para evitar patadas. Caso não, como nos esportes, podemos pensar que estamos no patamar do acesso quando a realidade nos coloca na zona do descenso. As vezes temos a liberdade de conversar de tudo com o amigo da mesa de bar, mas não a de contar nossas dificuldades, nossas necessidades, nossas tribulações...

    A hora de conhecer os verdadeiros amigos é nas dificuldades. Passei por essa realidade em dois momentos distintos nos últimos sete anos. E em pontos cruciais para o ser humano: saúde e financeiro. No primeiro, o gravíssimo acidente automobilístico de um filho. Como apareceram amigos! A solidariedade companheira e a nossa fé foram fundamentais na sua recuperação sem sequelas. O outro momento difícil foi a crise que afetou nosso comércio, cuja desfecho foi o seu fechamento depois de 26 anos de atividades.

    Diferentemente do acidental, o desenlace nas finanças deixa a gente mutilado no plano psicológico, pois o sentimento de culpa aflora de forma avassaladora, quase matando nossa fé, nossa capacidade. No inesperado, a fé redobra, a necessidade fica visível, exigindo pouco da sensibilidade amiga, facilitando até uma ação voluntaria.

    No fechamento da loja encontrei vários amigos, desde clientes a fornecedores. Destaco três: Lula da granja, que foi um gigante nas duas situações vividas. Com palavras incentivadoras, compreensão e espontaneidade na ação. Muito reconfortante a chegada para uma visita de Juarez, o homem da carne de porco, e Júnior, um ex-funcionário que vive hoje a realidade empresarial.

    Também existe aquela ação muda, sem dizer que faz, mas fazendo, sem cobranças e com aquele ar de compreensão que desarma qualquer disposição nossa de constrangimento. E que,

    nos encontros posteriores nos deixa a certeza da anistia silenciosa. É o caso de um tio, o Clovis, que a um agregado da família já tinha expressado seu sentimento de compaixão.

    Quando foi anunciada minha volta ao jornalismo, 18 anos depois, foram muitas as felicitações de alegria e de desejo de sucesso, vindas de vários setores. A todos os manifestantes o meu agradecimento, a Marcos Marinho a minha gratidão pelo convite renovado. Aqui pra gente: ele sempre acreditou em mim, além de me dispensar uma cordialidade contagiosa nas raridades dos nossos encontros.

    Amizade é assistência, compreensão, afeto, solidariedade, apreço... “Amigos é para essas coisas”, conforta Sílvio Junior e Aldir Blanc na clássica canção do MPB4.

    À minha amiga Soraia

    A partida eterna de um ente querido é muito dolorosa. Dependendo do grau de parentesco e, principalmente, das circunstancias acontecidas essa dor é maior ainda, pois de uma grandeza imensurável. Fiquei sem meu irmão caçula numa circunstância desoladora, cuja sabedoria é exclusiva de quem passa e somente a nossa fé, além da misericórdia divina, nos faz superar sem traumas e com a dignidade humana necessária.

    Diria que os primeiros sete dias são terríveis. Tão terríveis, que tão somente nossas lagrimas parecem ter o poder de nos sustentar; e elas insistem em cair como numa intermitência chuvosa a aliviar nossa dor. Como é bom o choro nesses momentos de aflição; não há melhor lenitivo. É um remédio que tomamos a cada abraço solidário, a cada palavra ouvida, a cada olhar compassivo.

    Mas não há nada mais reconfortante do que vocábulos de fé. E foi o que ouvi, naquela madrugada, de uma mãe dilacerada, a minha própria mãe, pela perda do caçula da prole de 13 rebentos. “Oh meu filho que dor que estou sentindo. Só Deus é maior do que esta dor”. Essa demonstração de fé nos ajudou muito; essa fé inabalável fez com que ela superasse numa dignidade impressionante.

    Contas com a gente, amiga, com nosso abraço caridoso, nossas orações... Contas com os teus irmãos em Cristo da Equipe de Nossa Senhora. Na fé, amiga, Deus dá o conforto de que necessitamos.

  • Travessia boêmia em Solânea

    26/06/2020

    As nossas cabeças raspadas denunciavam, naquele já distante 1981, que éramos novos universitários. Também essas cabeças calvas pela euforia do ápice estudantil nos aproximaram, ainda no ônibus a caminho da faculdade, no primeiro dia de aula. Foi o início de uma amizade que se aproxima de quatro décadas, em que pese a distância quilométrica a nos separar.

    Nas aulas iniciais, as cadeiras próximas, o interesse comum na aprendizagem e a interação nos assuntos jogados pelos professores; nos intervalos a saída para as conversas extraclasse ou para o lanche na cantina provedora... Logo o convite à primeira cerveja no bar da esquina pertinho do curso, no bairro São José; depois na Nossa Cervejaria, por trás do teatro.

    Meses adiante, a consolidação dessa amizade com minha presença em tua casa. A apresentação teatral de um grupo de Guarabira, do qual fazia parte uma pretensa namorada tua, no Colégio Agrícola de Bananeiras, foi motivo da convocação para que eu fosse na tua Arara e conhecesse teus familiares. Que acolhida!

    Um passeio que voltaria no dia seguinte, foi estendido por mais um, ficando eu duas noites na simplicidade da antiga morada da família França, à rua Cândida Americana. Pois mais um convite, para te acompanhar nas atividades políticas, nos levou a uma aventura etílica jamais esquecida.

    Um périplo por Borborema e Serraria, cujo objetivo era espalhar as primeiras sementes petistas naquela região (anos antes, teria corrido risco de uma prisão política sem nunca viver qualquer militância), terminou de forma inesquecível em Solânea.

    Depois de passar pelas duas cidades, o carro dos petistas - certamente eles teriam compromissos em outras – deixou a gente na entrada de Solânea, sentido Bananeiras. Foi aí que começou a nossa aventura boêmia. No primeiro bar que avistamos, nenhum resistiu ao primeiro gole. Nisso, encontramos teus amigos de Arara, todos com disposição para nos acompanhar na improvisada aventura.

    Atento marinheiro de primeira viagem, observei, na véspera, no caminho teatral, que a rua que corta a cidade exige incontáveis passadas entre a chegada e a saída, na extremidade dos dois pontos. Logo sugeri uma tirada por toda sua extensão, com parada obrigatória pelos botecos, quer do lado direito quer do lado esquerdo (involuntariamente expus minha centralidade política).

    Proposta aceita, fomos nós conhecendo os botequins da cidade, “querendo trepar pra tirar coco", desafinando o forró de Messias Holanda, sucesso junino daquele ano. A caminhada findou numa churrascaria, agregada no posto de combustível na saída para Arara. Lá, por coincidência, uma amiga tua nos recebeu e não nos faltou nada.

    Na situação que nos encontrávamos, como seguir para Arara? Deus protege, estou certo, os boêmios responsáveis: um caminhão feirante nos conduziu. Mas o dono, não suportando a algazarra dos chapados, nos fez descer um quilômetro antes da chegada na terra do teu peito esquerdo. A dispersão do grupo, diante da confusão entre dois deles, foi inevitável.

    Como foi marcante minha solitária chegada à tua casa! Com os teus, já conhecidos meus, mas ainda estranhos pra mim, nos esperando. Não lembro com exatidão se na calçada se encontravam teus pais e outras pessoas. Ou só tua mãe e alguns vizinhos. Recordo que, primeiro, olhei o número da casa, para poder dar um boa noite arrastado a todos e entrar. Sendo muito bem acolhido. Depois é que chegaste para acalmar os teus.

    Teu nome, Jurandy, independente da grafia final, tem uma dubiedade na sua significação. Contam ser uma criação de José de Alencar para nomear um dos personagens do romance Ubirajara, de 1874. De origem tupi, significa "boca melíflua" ou "o que fala palavras doces" e ainda "trazido pela luz do céu". Tanto faz. Pra tua família e os teus amigos, és uma luz para vislumbrar as doçuras da vida e o caminho celeste.

    Universitário depois dos 40

    Um casamento inesperado e a necessidade de trabalhar obrigaram Jurandy Araújo França a deixar o curso e a tomar o rumo de São Paulo. Lá, permanece até hoje, quando superou anos de dificuldades e conseguiu, enfim, a sua graduação, depois de encontrar um motivo forte para entrar na faculdade. “Meus filhos não querem mais estudar, então eu vou voltar”, decidiu, aos 40 anos, cursar Direito.

    Nos primeiros anos na capital paulista, o meu amigo sofreu muito até arrumar emprego num prédio, na área central da cidade, começando por baixo e chegando a síndico. Depois de 30 anos, continua funcionário do condomínio, hoje com a prerrogativa de responder pelas pendencias jurídicas. Também é um dos seus moradores.

    A ida de Jurandy para São Paulo fez, além dos nossos afazeres profissionais, com que os nossos contatos cessassem. Ficamos anos sem comunicação, mas quando surgia um passeio pelo brejo, fazia questão de passar na casa de seus familiares, em Arara. Até que cerca de 15 anos atrás ele me faz uma surpresa, aparecendo no meu comércio e desde então todo ano ele vem de férias, pois não esquece suas raízes.

    Além da advocacia, Jurandy escreve poemas, crônicas e tem livros publicados. É bastante ativo nas redes sociais, postando seus escritos sobre o torrão natal e dando suas opiniões, principalmente políticas, embora decepcionou-se com o petismo. O texto a seguir é dele.

    Abandono da terra

    Jurandy França

    O sol a pino, em relances dourados, desnuda a beleza agrestina de uma partícula de terra. Revela a soberania territorial do ipê roxo, que em dias de silêncio sepulcral derrama lágrimas de saudades... Desde pequenino acompanhou de perto a saga dos Barros, liderada pelo patriarca que não mais bate o gume de suas enxadas a cada manhã de inverno.

    O ipê olha em sua volta e vê a casa de alpendre amplo onde as crianças pinotavam, enquanto ele, o patriarca, entre um solo e outro do velho cavaquinho, traçava junto à mulher planos para o futuro daqueles meninos e meninas que se ocupavam tão somente em brincar.

    O tempo passou, queimou os anos, enterrou os dias... Aos poucos os meninos e meninas tornaram-se homens e mulheres, buscaram terras distantes. O patriarca, sua mulher e o ipê ficaram para trás num tempo presente.

    As coisas mudaram por aquelas paragens. A violência importada afugentou a paz; poucos aguentaram ficar. O patriarca e sua mulher resistiram enquanto havia sobra de forças e esperança de luz. O banditismo entrava aos poucos violentando a harmonia, parecia a volta do cangaço.

    O patriarca parecia tal qual o ipê, plantado à terra. Suas forças sucumbiram à violência rural e, entregando os pontos, largou a terra que deitou os pés por décadas, deu adeus ao velho amigo, que se vestirá com tecido amortalhado. Foi pra cidade e lá continua até hoje. Enquanto isso, a cada primavera o ipê chora de saudades e suas lágrimas de saudades em forma de pétalas, correm pelo caminho em busca do velho companheiro.

    Este texto é uma homenagem ao meu tio Joel Barros e minha tia Nininha.

  • Um reencontro encantador

    18/06/2020

    A minha nova rotina caseira, consequência da quarentena necessária em tempo de pandemia, foi quebrada de forma encantadora com um reencontro virtual 45 anos depois do último contato físico. Justo no dia 07 de abril, quando vivia um misto de alegria pelos 80 anos de minha mãe e de frustração pela festa adiada, um áudio no WhatsApp com uma voz radiofônica me convidava para aderir ao grupo da turma pioneira do colégio em que estudamos na cidade de Patos, no início dos anos 70. Nunca me senti tão adolescente!

    Deveras, o Instituto Educacional Vera Cruz marcou profundamente a vida da gente e quase 50 anos depois os seus ensinamentos continuam a nos guiar, paralelamente à experiencia adquirida. Inicialmente, o pioneirismo da unidade escolar abrigava duas turmas de 5ª Série, cada uma com cerca de 40 alunos. Afetada fortemente com as deserções de praxe no decorrer dos anos letivos, a dubiedade do educandário se transformou em turma única, acabando na conclusão do 1º Grau, em 1975, com apenas 17 alunos. O que não impediu a realização de uma “festa de arromba”.

    Pastor da Igreja Batista, Marcos Dias Novo, certamente inspirado nos cuidados que tem com seu rebanho de fiéis, tomou para si a iniciativa de reunir, num grupo de rede sociais, as ovelhas dispersas da pioneira turma. Ainda resta uma meia dúzia desgarrada, mas com sua diligência e o apoio investigativo de Marcial não vai demorar reencontrar o restante. Dos 17 remanescentes das duas turmas, apenas Manoel Alves Moreira (Zito) nos deixou, vítima acidente na serra de Teixeira, em 1980.

    Como têm sido maravilhosos, desde então, os nossos contatos, em que pese a virtualidade necessária para interagir! Foi muito prazeroso tomar conhecimentos da trajetória de vida e profissional e conhecer a descendência familiar de cada um deles. Melhor ainda ter a certeza de que nenhum sobrou na curva e desviou por caminhos fora da retidão ensinada.

    Dessa turma, até onde tomei conhecimento, dois estão aptos a minuciar a nossa história, um com duas pós graduação na área. Em caso de necessidade jurídica, três caminharam pela via do Direito; cansados dos bancos de aprendizagem, três mudaram de lado apostando no magistério; um tentou Engenharia, mas o emprego bancário o fez desistir para estudar Economia. Aposentado e com pós em Administração, abriu uma empresa de construção. Há dois comunicólogos, um exercendo ou habilitado em jornalismo; para cuidar de todos, a mana optou pela área da saúde.

    Democracia e ditadura

    O Vera Cruz foi tão importante na nossa vida, que até nos proporcionou a oportunidade de vivenciar internamente a ditadura e a democracia, em plena efervescência do regime militar. Nos dois primeiros anos, aturamos uma direção linha dura, certamente típica das regras governamentais em vigor no país. Para ilustrar, houve até mordaça de alunos com esparadrapo, o que depois foi motivo de risos, graça e brincadeiras entre nós. Mas devemos reconhecer: foi uma rigidez que nos fez conhecer melhor a disciplina.

    Nos dois últimos anos, Marlene César, justamente a habilidosa professora da disciplina Moral e Cívica, assumiu a direção da escola e pôs em prática uma democracia logo assimilada pelo corpo discente. Foi divino! A nova diretora interagia com todos, distribuindo simpatia, resolvendo os problemas, mas na hora de falar sério sabia como ninguém. Na festa de conclusão, deu total apoio à comissão de formatura; até veio a Campina Grande comigo, de ônibus, visando a aquisição de algo que não encontrava em Patos ou que fosse mais barato.

    A festa foi de arromba, no linguajar da época, resultado do trabalho realizado pelos alunos. Rifas, sorteios, pedidos, corrida ao comércio e aos sítios em busca de ofertas e ajudas. Davi, um dos concluintes, conduzia uma Rural nas viagens de coletas voluntárias por cidades próximas e sítios. Não é preciso dizer que ficava uma lata de sardinha.

    A satisfação pelo reencontro virtual é grande em todos, porém maior ainda é o desejo pelo restabelecimento de um contato físico. De preferência com uma “festa de arromba”. O que esperamos acontecer, vencida a pandemia, no momento adequado.

    Cordel dos encantados

    Marcos Dias Novo, administrador do grupo que agrega a turma reencontrada, é um polivalente. À época do colégio, já demostrava aptidão para as artes - caricatura, desenhos, música, teatro - e até o rádio. Mas é na poesia tipo cordel que nos surpreendeu, pois pouquíssimo ou nenhum dos colegas sabiam dessa verve. Modesto, ele não admite que é poeta a observar o título de suas estrofes: Minhas Rimas. Convenhamos ser um título muito pobre para rimas tão ricas.

    Até mesmo a última obra que tornou grupal, inspirada no nosso tempo ginasial, que tem a prolixidade que o tema exige, não mereceu um título especifico. Brincando, até sugeri que a intitulasse “Recordando Nosso Vera Cruz Encantado” ou “Cordel dos Adolescentes Encantados”. Ao reconhecimento de seu talento, diz ser generosidade dos amigos.

    Parece que a modéstia de Dias Novo me inspirou, além desse reencontro com a adolescência perdida num passado de aprendizado e descobertas. No primeiro decassílabo que li e percebi a modéstia autoral do amigo, veio uma vontade incontrolável de brincar com o seu sobrenome, também rimando e daí saiu um “pé-quebrado” que batizei de Modesto Marcos. A última vez que fiz uns, digamos, versos foi na década de 80.

    Igualmente picado pela abelha da inspiração, veio um impulso irresistível de homenagear com um acróstico Bonaldo, outro amigo colegial muito envolvido hoje na Igreja Católica da capital, que nos trata com extremo carinho cristão. Acabei escrevendo dois, vez que poucos dias depois a amiga-irmã Norma, que sempre manteve contatos com a minha família e tem uma consideração filial por minha mãe, também tinha data festiva. Inicialmente, o meu “pé-quebrado”, na sequência o poema nostálgico de Marcos e tire a sua conclusão.

    Modesto Marcos

    Marcos é mesmo modesto

    Daqueles bem disfarçados

    Faz versos, diz que é rima

    Poemas em Deus inspirados

    Na verdade, nossos cordéis

    Dirão os especializados

    ____

    Marcos só não é modesto

    Quando nega a sua idade

    Escondendo no sobrenome

    Sua aparência, uma vaidade

    Insiste em marcar nos Dias

    Que é Novo de verdade

    Minhas Rimas

    Marcos Dias Novo

    1

    É gostoso trazer sempre à memória

    Coisas boas vividas no passado,

    Indelével e está tudo gravado

    O lindo filme que retrata nossa história,

    Dos tempos áureos de uma bela trajetória

    Do bom ensino da escola que amei,

    Do Centro Cívico e da banda que toquei

    E as paqueradas desprovidas de maldade,

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    2

    Marlene César este nome é marcante

    No meu conceito a maior educadora,

    A Secretária Edileuza encantadora

    Na educação também foi uma gigante,

    Corpo docente de talentos rutilantes

    E serventuários que jamais esquecerei,

    Graças a esses eu cheguei onde cheguei

    As instruções no melhor da minha idade,

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    3

    Alguns se foram, mas a história não se finda

    Meu coração tem uma placa que reflete,

    As homenagens a seu João Belo e Bernadete

    Tânia Carneiro, Dona Sônia e Zé Benvinda,

    Tem outros nomes que eu não falei ainda

    Não por demérito só agora eu me lembrei

    De Leontina e outra ainda citarei

    Maria Ramos que era a servente da tarde

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei

    4

    As grandes festas que foram realizadas

    Aniversários outras comemorações,

    Os bons conselhos e as orientações

    No coração todas elas registradas,

    A nossa banda ensaios e alvoradas

    Minha corneta que tantas vezes toquei

    E a linda farda que com ela desfilei

    Garbosamente e cheio de vaidade

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    5

    Não se pode olvidar a confusão

    Eis que isso faz parte da história,

    Pois pichamos as paredes da Escola

    Já muito próximo a festa de conclusão,

    Quanta tristeza da rija repreensão

    Mas o perdão suplantou a dura lei,

    Vovó Isaura advogou a causa eu sei

    E a festa veio com muita pomposidade

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    6

    Fazemos parte de uma turma pioneira

    O ponto forte era a nossa unidade,

    Muito notável nossos laços de amizade

    Rompeu-se entraves, distâncias e as fronteiras,

    Sem recuar mesmo ante as barreiras

    Dias felizes que ali vivenciei,

    Vão na memória para sempre guardarei

    Doces lembranças de grande felicidade,

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    7

    Professores renomados que tivemos

    Dentre eles alguns mais achegados,

    Todos eles sem dúvidas dedicados

    E alguns aqui nós mencionaremos,

    Com Osman Geografia aprendemos

    Matemática Eunildo foi um rei

    Com Josemar na Ciência me encantei,

    Moral e Cívica Marlene celebridade

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    8

    Na História duas mestres destacadas

    A primeira Adalmira Cajuás,

    E a segunda se registre nos anais

    Será ela sempre a mais lembrada,

    Pois um dia ela será informada

    E a dos Anjos isso eu relatarei,

    Em minúcias para ela eu contarei

    Ficará ela inteirada da verdade,

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei

    9

    Do Inglês que é a língua universal

    Dona Liem foi a primeira presente,

    Depois Jandira falava fluentemente

    O seu inglês de uma forma especial,

    E eu aprendi somente o essencial

    Da língua estranha pouca coisa eu guardei,

    I love you é somente o que eu sei

    Mais não aprendi foi por falta de vontade,

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    10

    Todos nós levando a cadernetinha

    Para a música estudada copiar,

    E depois a gente tinha que cantar

    Boa pronúncia e sem errar cada notinha,

    Pois Padre Carlos bom ouvido ele tinha

    Eu não esqueço cada música que cantei,

    Dará um livro qualquer dia escreverei

    Que ficará pra minha posteridade

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    11

    Grandes figuras estiveram no caminho

    Como Adalgisa, Geovânia e Rosinete,

    O mago Aluce, Zoetânia e Lindembergue

    E o velho atleta nosso Professor Bastinho,

    As suas aulas eram sempre bem cedinho

    Todas elas quase sempre eu cochilei,

    E outras delas muitas vezes gazeei

    Muita preguiça para aquela atividade,

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    12

    Muito expressivo nosso professor Saraiva

    O grande músico Valdemir Campos Quirino,

    Tocava tudo até mesmo violino

    Bom no trompete, mas no sax ele brilhava,

    Além do mais era ator também cantava

    E muitas vezes ao seu lado eu toquei,

    Suas orquestras muitas delas eu cantei

    Em grandes bailes e muitas festividades,

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    13

    Nas nossas mestres existiram três Marias

    Sendo uma delas a Maria de Jesus,

    Essa falava sobre o caminho da cruz

    Maria Medeiros tudo a gente aprendia,

    É bom lembrar também Maria Farias

    Penso que agora todos eles eu citei,

    Nessas estrofes que escrevi e declamei

    Com o coração e em total simplicidade,

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

    14

    Para que eu não cometa injustiça

    E ser taxado de o amigo da onça,

    Quase esqueci falar Luzia Mendonça

    Nome notável da nossa honrada lista,

    Muito ajudou em toda nossa conquista

    Por tais razões eu jamais me omitirei,

    Alçando a voz com blandícias eu direi

    Gratidão na maior profundidade,

    Visitei meu Vera Cruz senti saudade

    Dos tempos bons quando lá eu estudei.

  • Uma História de Fé

    11/06/2020

    Imagine logo na gravidez do primeiro filho, há mais de 60 anos, superar uma eclampsia e depois ainda conceber mais 12. Pode parecer teimosia, mas no seu caso, garanto, é a força e a propagação da fé.

    Imagine na gestação seguida, na confirmação positiva do teste, fazer uma promessa digna de um redentorista e de quem conserva uma convicção indiscutível: se for homem chamará Afonso; se mulher, Maria do Socorro. Prevaleceu o poder intercessor de Nossa Senhora, mas na barriga seguinte pôde cumprir com o santo da querida congregação. É a gratidão pela fé.

    Imagine ainda na segunda concepção, caminhar, indo e voltando numa procissão solitária, cerca de duas léguas, às vésperas do parto, para participar da novena em Bodocongó. É a praticidade da fé, no seu exato poder de superação.

    Imagine mudar-se, a contragosto, de sua cidade para outra e nunca perder a esperança de voltar, o que aconteceu sete anos depois. Antes, três meses após chegar à pequena cidade, nova mudança de lugar, justo no Dia de São José, para outro menos distante da de origem, porém com ares de metrópole. Isto é persistir na fé.

    Imagine morar três meses numa cidade e 50 anos depois, com mais de duas centenas de quilômetros de distância, ainda conservar sinceras amizades. Isto é fé nos amigos.

    Imagine costurar quase a vida toda, além dos afazeres domésticos e os cuidados maternais, para ter um ganho com seus próprios esforços, muitas vezes encarando cansativas madrugadas. Isto é fé no trabalho.

    Imagine consolar o primogênito adolescente na sua desesperança de voltar à terra nativa e na serenidade de sua confiança, dissipar lhe as dúvidas desse retorno ansiado. Isto é o avivamento da fé.

    Imagine percorrer quilômetros de ruas da cidade desconhecida em busca de bolsas de estudos para os filhos, deixando os afazeres domésticos e profissionais para depois. Isto é profetizar o futuro pela fé.

    Imagine enfrentar o radicalismo do cônjuge na sua nova opção religiosa, forçando sua companhia nos cultos e empatando-a de ir às missas; e ter a glória de ver seu retorno de forma fervorosa ao catolicismo anos depois. Isto é fé na Igreja que Jesus nos deixou.

    Imagine passar 50 anos casada (só a morte a separou) e conseguir, com a paciência de Jó e pela força da oração, que o marido se tornasse, nos últimos cinco anos, o esposo de seus sonhos. Isto é fé no matrimônio.

    Imagine perder o caçula numa tragédia(suicídio) que não desejamos a nenhuma família e, ao me ver horas depois do acontecido, dizer, sem sinais de

    revolta ou externar qualquer blasfêmia: Oh, meu filho, que dor que eu estou sentindo; só Deus é maior do que essa dor. Isto é fé inabalável.

    Talvez você esteja cansado de imaginar essa trajetória comigo. Não, não canse; imaginar é o exercício de fé. E foi esta a caminhada de fé de minha mãe, que chega aos 80 anos com a alegria e a serenidade que a fé nos traz.

    Ouso até discordar do mano Afonso quando disse que é fácil falar bem nossa mãe, difícil é ser ela. Eu acho que é impossível ser ela.

    Cleonice é glória, Cleonice é vitória escrevendo uma história com tintas de fé.

    Verdadeira irmandade

    Primogênito de uma prole de 13 filhos, dos quais 11 foram criados e 10 estão vivos, compreendo perfeitamente minha mãe por não preservar o costume de nos presentear. Exímia costureira, investiu o que ganhou no pedal da máquina na educação dos filhos e hoje vive da pequena pensão que papai deixou e da ajuda filial dos rebentos mais abastados. “Investir nos estudos dos meninos foi meu INPS”, diz, satisfeita e recompensada pela aplicação filial feita num passado de extrema dificuldade.

    Com tantos descendentes, seria no mínimo incompreensão nossa exigir que Dona Cleonice nos presenteasse mesmo em data significativa como a natalícia. Mas quando viaja para a casa dos que estão fora sempre se lembra dos netos e agora dos bisnetos, levando e trazendo uma lembrancinha, comprada ou de sua produção da costura, do bordado e do crochê.

    A prática da irmandade na nossa família é constante e preserva uma união que lhe traz imensa felicidade. Se existem pequenas desavenças, um mal entendido, alguma incompreensão, o sentimento de perdão em cada um aflora e o entendimento predomina.

    Mas é na disposição da ajuda mútua, na cumplicidade e no socorro às necessidades individuais o nosso maior exemplo de irmandade. Se um de nós se encontrar em dificuldade ou necessitando de alguma coisa, sempre aparece outro disposto a ajudar, a doar. Quem não pode ou não quer colaborar também não atrapalha.

    Sempre digo à mulher e aos filhos que nessa crise braba que estamos atravessando, meus nove irmãos têm sido um porto seguro. Com o carinho, a compreensão, o incentivo com uma palavra e até pecuniário. Até o silêncio deles me ajuda. Minha mãe não precisa me presentear, digo sempre, pois nas dores de seus partos, ela me ofertou os melhores presentes de minha vida: meus doze irmãos.

  • Não Serei o Lenhador de Augusto

    02/06/2020

    Se depender da aniversariante do dia, não serei o lenhador que Augusto explora e ainda terei a velhice que o poeta implora. Esta menina, embora carregue a zanga da mãe, me traz a tranquilidade paterna que um genitor anseia.

    Como Morgana me preenche de esperança! Pelo talento, pelo carisma, pela simpatia, pela beleza... Não a beleza externa que todos veem, mas a beleza interna que sensibiliza os sábios e desarma os brutos. Uma beleza alicerçada na fé; a fé que traz esperança.

    De tão divina, essa beleza interna de Morgana chega a ser profética, servindo-lhe de livramento; sempre vislumbra o perigo à frente. Aí, não lhe falta coragem para decidir, mesmo que, feito Maria, lhe trespasse o peito.

    Esta filha herdou de mim o gosto pelo trabalho e pelas festas. A intensidade de sua determinação trabalhista neutraliza qualquer ação mandonista patronal ou mesmo paternal. Sem causar ranço.

    Para ilustrar: no nosso comércio (quando estava funcionando), a porta de acesso tem uma chave no meio e um cadeado embaixo, fechando no piso. Para abri-la, giro no meio, me inclino para tirar o cadeado e levantar a porta; ela, até quando pôde nos ajudar, não me deixava abaixar de novo para pegar a peça de travamento, recolhendo-a numa rapidez admirável, poupando-me o agachamento necessário.

    Festa é com Morgana, mas com intensa responsabilidade. Certa vez fui falar com ela pelo seu excesso festivo, aí me calou: painho, puxei ao senhor, que numa festa só sai no lixo; a diferença é que o senhor não dança.

    Estou convicto de que essa filha não me será "uma árvore de empecilho". E nem precisará se "abraçar com o tronco", pois ela mesma tece para mim a velhice do poeta Augusto.

    A imagem pode conter: planta, grama, natureza e atividades ao ar livre

    Filhos nos surpreendem

    O jardim de nossa casa foi desativado tempos atrás, restando apenas a palmeira que já teimava (foi podada) agourar os donos. Bem antes de pavimentar o jardim, Glauber nos surpreendeu com esta foto de um cogumelo que surgiu entre a grama e as poucas plantas que ainda restavam.

    No clic do nosso filho, este corpo frutífero se agigantou de tal forma, que quase ficou na altura do gradeado de acesso ao interior da residência. O registro fotográfico me fez lembrar de Nicolau de Castro, Carlos Alberto e Leonardo Alves. Grandes profissionais com quem trabalhei no Diário da Borborema e Jornal da Paraíba.

    O nosso primogênito Helder, craque na informática, com curso no Redentorista, UEPB e metrado na área, é do tipo quieto, discreto e calado. Por isso tende a surpreender mais. Quando resolveu aceitar uma proposta de emprego em João Pessoa e, meses depois, quando ligou confirmando que tinha comprado uma moto. Até então nunca tinha pilotado uma.

    Logo deu uns treinos com um primo, iniciou na auto escola, fez todos os testes no Detran e conseguiu a aprovação, nos deixando a par de todo processo. Mas não disse quando recebeu a Carteira de Habilitação. No sábado da mesma semana que pegou o documento, uma insistente buzina de moto azucrinou quem estava em casa. Ao abrirmos o portão, ele entrou todo possante em cima de duas rodas. A mãe quase teve um treco.

    Sobre futebol


    Pessoal me perguntando se não vou escrever sobre futebol, essa monocultura do esporte brasileiro. A pretensão da coluna é ser plural, comentando sobre tudo e o esporte terá o seu espaço. Como estamos em quarentena fica para depois quando a normalidade se restabelecer, se é que vai ser normal.

    Trilogia humana

    Tenho projeto de conteúdo esportivo, mas, adepto do “Fique em casa”, dependo de pesquisas. Pretendo rememorar títulos e a bela campanha do Treze no Campeonato Brasileiro de 86; também títulos e jogos do Campinense. De inicio quero exaltar a trilogia que sustenta o ser humano: família, religião e amigos.

  • O Palavrão de Boldrin

    28/05/2020

    Um dia após a divulgação do ansiado vídeo da reunião presidencial com o seu ministério, estava eu na quarentena de minha casa, varrendo o quintal, quando me lembrei da música Palavrão, de Rolando Boldrin, que foi tema da novela Ovelha Negra, da Rede Tupi. A trama foi escrita por Walther Negrão e Chico de Assis e esteve no ar em 1975; tinha, além Boldrin no papel principal, atores do nível de Cleide Yáconis, Joana Fromm, Edney Giovenazzi, Jonas Bloch, Antônio Pitanga e até o homem do Trem das Onze, Adoniram Barbosa.

    A letra de Palavrão, quatro décadas depois, me parece atual. Castigando setores da sociedade e negando respeito e até usando o nome de Deus em vão. Desafiando e sem apreciar, almoçando, jantando, certamente berrando tantos palavrões, que, felizmente, não vêm a público; só em rara exceção, quando a Justiça determina. Grande é Deus! Que Ele nos livre daquele palavrão que nos atormentou por 21 anos e que parece nos, feito o que descreve a música de Vanzolini, rondar: ditadura.

    Vou te castigar de tudo quanto é jeito
    Não te respeito não

    Benza a Deus, mas que vontade louca
    Que me queima a boca nesse palavrão

    Vou te misturar no prato um desafio
    Não te aprecio não

    Benza a Deus, a gente almoça e janta
    Grita, berra e canta esse palavrão

    Vou te censurar a torto e a direito
    Não te aceito não

    Grande é Deus, maior o seu segredo
    A morte, o fim e o medo desse palavrão

    Vou te castigar de tudo quanto é jeito
    Não te respeito não

    Benza a Deus, mas que vontade louca
    Que me queima a boca nesse palavrão

    Benza a Deus, a gente almoça e janta
    Grita, berra e canta esse palavrão

    Grande é Deus, maior o seu segredo
    A morte, o fim e o medo desse palavrão

  • O Meu Mar

    26/05/2020

    Nos inícios dos anos 80, um vírus começou a me rondar, no Curso de Comunicação, e por três vezes tentei me defender do contágio, mas na terceira tentativa ele neutralizou completamente as minhas defesas. Desde então vivo uma quarentena que está na corrida do calendário matrimonial para comemorar Bodas de Esmeralda.

    Se neste 23 de março Margarida festejou o dom da vida, a data sugere uma comemoração dupla, pois justamente há 32 anos ficamos noivos. Para poucos meses depois subirmos ao altar.

    Como esse vírus tem me feito bem! Até mesmo nos momentos de zanga. Se a zanga chega repentinamente, impressiona a rapidez com que refaz a calma. E acalma a todos, desestimulando possíveis mágoas.

    Como essa mulher tem sido guerreira nesses tempos de crise! Sem qualquer pretensão, vem me professando uma realística lição nos meus intensos momentos de incúria; além de ser um exemplo titânico para os rebentos.

    Quando chega o verão, como no xote de Dominguinhos, é desassossego nas famílias interioranas, com a quase totalidade de seus membros querendo, e até forçando, uma temporada no litoral. Recarregar as energias no gostoso banho de mar e uma oportunidade para o descanso anual.

    Como minha inclinação não é litorânea e, se for o caso, ainda não a descobri, nunca passei temporada na praia. Quando muito, ficamos no máximo três dias. No mar, arrisco um mergulho leve, pois prefiro o paciente banho interno com a água ardente do engenho nas sombras dos coqueirais ou nas barracas à sua beira.

    Com certeza, não necessito viver no mar, viver o mar, pois tenho um mar que não seca em mim. Uma dádiva divina! Confesso que as vezes suas ondas me jogam nas pedras, mas antes que me choque nos pedregulhos marinhos me arrebata nos seus braços e me aconchega nas areias de sua praia particular.

    E esse mar, hoje e sempre, merece os meus, e de todos os meus, parabéns.

    Eu não preciso viver no mar, eu tenho o mar... Margarida.

    ARIANAS

    Talvez por uma solidariedade involuntária à minha mãe, que é ariana de abril, outras duas mulheres da minha vida também são de Áries. Com a diferença que descentes de março, uma de 23, outra de 27. Aproveitando a quarentena, homenageei o trio feminino do meu coração com palavras de amor e carinho.


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