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“A PALAVRA”

Há 17 anos a versão impressa de A PALAVRA circula na Paraíba, recebendo respeito e carinho da população, numa aceitação invejável que representa na prática o chamado “salário moral” da equipe.  Sua primeira edição, quinzenal, chegou às bancas de Campina Grande no dia 15 de dezembro de 1989, iniciando-se aí uma brava história de lutas, com notáveis conquistas, algum sofrimento e um rol de perseguições que não encontra precedentes no Estado.

Em 1989 o Brasil preparava-se para o encontro definitivo com a Democracia, livrando-se de vez da ditadura militar instaurada em 1964. O sopro libertário, aguçando principalmente a juventude brasileira que assistia nas ruas ao desenrolar de uma vibrante campanha política, onde a grande maioria da população votou pela primeira vez para Presidente da República, foi determinante para a decisão dos jornalistas José Marcos Marinho Falcão e Atalmir Araújo Guimarães em dar ao Estado um veículo de comunicação moderno que traduzisse, naquele instante, os ideais do povo paraibano e os novos tempos nacionais. Surgia com esse emblema A PALAVRA, já grafando em seu primeiro recado ao leitor os propósitos da sua existência: “Nasce A PALAVRA. E o seu choro é expressão dolente de esperança num novo tempo, num novo Brasil de homens felizes, amantes da ordem e do progresso, cultuadores da justiça e do respeito pleno à Democracia”.

O editorial de apresentação do jornal não deixava dúvidas quanto à linha de trabalho que viria a ser seguida e já no seu título comprometia-se em não aceitar fáceis atalhos para corromper a verdade jornalística exigida pela massa carente da boa informação. “Um só itinerário”, pregava a página, marcando alto a orientação.

De maneira simples, o editorial justificava o rumo da incerta empreitada: “Nasce A PALAVRA. Talvez, ainda, o balbuciar das letras jornalísticas. Talvez, porém, a síntese de um ideal, de há muito perseguido. Um vôo ousado no espaço imprevisível das contradições, presentes a todo instante nos embates travados no seio da sociedade, ávida de esclarecimentos e orientações sérias, comprometidas com as mudanças sonhadas ao longo da nossa rica e bela História”.

Nesses longos 16 anos, em que vários outros veículos nasceram e sucumbiram por variados motivos, notadamente os financeiros, A PALAVRA manteve-se altaneira. Interrompeu sua circulação em alguns momentos, é certo, mas nunca disse ao seu leitor que a parada era final. Circulou semanalmente, uma fase áurea que marcou época, mas o esforço da diretoria não conseguiu mantê-la nessa periodicidade já que o açoite da guilhotina oposicionista tinha o objetivo criminoso de cortá-la de vez e para sempre, embora a coragem da briosa equipe tenha vencido a parada, mantendo o jornal nas bancas e enfrentando com garra os seguidos contratempos, as perseguições quase indomáveis e até atentados ao melhor estilo do terror asiático.

O que estava grafado no primeiro editorial seguia-se à risca: “Exprimir a palavra no seu sentido lato, cheia de verdade, é o fim mais sublime da liberdade de imprensa, tão decantada e tão pouco realizada”.

O berço campinense, onde nascia A PALAVRA, deu-lhe estímulo adicional. Campina Grande, conhecida internacionalmente pela força operosa da sua gente, era o ponto de partida, daí o compromisso maior do jornal em exaltá-la, defendê-la, buscar para ela caminhos de amplo desenvolvimento, influindo imparcialmente inclusive na seara da política e dos partidos. E isso também ficou perfeitamente claro na mensagem de apresentação ao leitor. “Há uma conduta a ser adotada, como linha editorial, pel’A PALAVRA: a defesa equilibrada dos direitos de Campina Grande, motivo primeiro de toda inspiração”.

Em espécie de convocação, a oração do jornal foi forte: “Estão com A PALAVRA os filhos desta terra e os filhos de outras, que empunhem altivos essa bandeira”. E mais disse, com galhardia: “Não há partidos políticos, não há ideologias, não há crenças. Há um e tão somente um itinerário, o que prioritariamente antecipa o seu destino de glórias”.

O amor ganhou evocação especial, trecho em que o editorial foi extremamente afirmativo: “Amar, com todo sentimento, a Terra-mãe é, com todo fervor, amar a Paraíba, que tanto heroísmo tem demonstrado, e amar a Pátria Brasileira, extensão mais encimada da nossa cidadania”.
A PALAVRA surgiu tendo como foco o homem, através do qual tudo se constrói e sem o qual nada haveria de caminhar. Também essa orientação precípua transformou-se em norte: “Deus é testemunha, pois de sua divina Palavra surgiu tudo o que há. E não haverá nunca chegada se não se caminha com Fé. A PALAVRA é a certeza de cada passo, de cada movimento, de cada gesto, de cada ação, que se reverterão em convicção serena de que todo trabalho só dá bons frutos quando objetiva invariavelmente o Homem em sua integridade. Isto é A PALAVRA”.

Por que a criação de um jornal nesse estilo e nessa linha em Campina Grande, cidade servida com dois jornais diários? Fácil resposta: a linguagem informativa dos dois matutinos abriu espaço exatamente para um trabalho mais ousado – a forma opinativa do texto. E foi isto que a população campinense pediu aos jornalistas José Marcos Marinho Falcão e Atalmir de Araújo Guimarães quando estes colocaram em circulação, nas quatro semanas d’O Maior São João do Mundo de 1989 o jornal “Folha Junina”, que teve o propósito de exaltar a grandiosa festa, mas ao mesmo tempo enaltecer as potencialidades de Campina Grande e da sua gente, dando ao nativo e ao visitante um produto de excelência, de pronto aceito por toda a sociedade. Finda a festa daquele ano, as manifestações para que o jornal junino tivesse vida permanente vieram dos mais diferentes segmentos, desde a Câmara Municipal, que aprovou congratulações e pedido para que o jornal não parasse, até sindicatos, entidades de classe de diferentes áreas da economia, como CDL e Associação Comercial, e instituições diversas, dentre as quais as universidades Estadual da Paraíba e Federal da Paraíba.

E aí amadureceu-se a idéia de um jornal permanente, nascendo dessa forma e com forte apoio da sociedade o jornal A PALAVRA, que neste ano de 2007 ganha a sua versão on-line, ampliando assim o seu raio de ação, já que suas notícias e/ou comentários poderão ser acessados a um simples toque, por qualquer cidadão, em qualquer parte do mundo.

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