Hoje, 18 de novembro, o Maranhão III chega aos nove meses de gestão. Para alguns Municípios, as ações administrativas já estão sendo observadas, significando dizer, considerado o período de uma gestação humana, que o Governo de fato nasceu.
É o caso da Capital do Estado, beneficiada com obras de esgotamento sanitário em bairros da orla e sobretudo com o maior investimento turístico da região – o Centro de Convenções, na via costeira do Cabo Branco. Caso também de Patos, onde o Governo do Estado celebrou parcerias com o prefeito Ivânio Ramalho (PMDB) carreando para lá recursos superiores a R$ 10 milhões; de Cabedelo (obras para o porto); de Araruna (terra onde a irmã do governador é prefeita); Itaporanga, etc. Somente em João Pessoa, de acordo com números oficiais, os investimentos governamentais já estão próximos dos R$ 500 milhões.
Para Campina Grande, entretanto, a presença do Maranhão III ainda é tímida, só não inexistindo no todo por conta dos recursos carreados para a conclusão do Hospital de Traumas Dom Luiz Gonzaga Fernandes, no bairro das Malvinas, obra projetada e iniciada no Governo Cássio.
Meses atrás o governador José Maranhão anunciou a duplicação da BR 104, trecho Campina Grande/Alcantil (divisa PB/PE), e assinou ordem de serviço para a construção da chamada adutora São José, que beneficiaria Campina Grande com mais água do açude Epitácio Pessoa. Esses investimentos, entretanto, ainda estão no papel.
Convênios com a Prefeitura Municipal de Campina Grande são raros, apesar do Governo estar mantendo em dia as transferências para o Samu e a Farmácia Básica, algo em torno de R$ 85 mil/mês e que não eram honrados no Governo anterior.
É justo também registrar que o Governo retomou a parceria com o Município no incentivo aos eventos, mas ainda assim o fazendo de forma apequenada, como foi o caso da ajuda para o Maior São João do Mundo, de apenas R$ 200 mil, considerada pelos organizadores como "ínfima" para o porte da festa.
"NÃO NASCEU"
Na verdade, para a segunda maior cidade do Estado, o Maranhão III "até agora não nasceu", admitiu hoje durante entrevista na Correio FM o vice-prefeito de Campina Grande, José Luiz Júnior (PSC), que reclamou maior visibilidade governamental no Município. "Eu sou amigo pessoal do governador e já lhe pedí para olhar melhor para a nossa cidade", informou, exemplificando com o estádio O Amigão, que sequer ganhou a tão requisitada construção do seu estacionamento externo, isto apesar de ter um time participando do campeonato brasileiro da série B.
Segundo Zé Luiz, ele mesmo sugeriu diversas ações práticas para o Governo do Estado realizar em Campina Grande. "Eu levei vários pleitos importantes para o governador e ele fez questão de anotar em sua agenda, de modo que tenho certeza que ele, por ser um homem cumpridor de compromissos, vai nos atender", lembrou esperançoso.
QUEIXA DE VEREADORES
Também a maioria dos vereadores de Campina Grande apresenta queixas em relação às ações do Maranhão III para a Rainha da Borborema, principalmente e por ironia do destino, os que integram a base de sustentação do prefeito Veneziano Vital do Rego (PMDB).
Maranhão recebeu a bancada de vereadores de Veneziano em Palácio, guardou seus pleitos e até agora não deu-lhes resposta, gerando insatisfações
Os de oposição como Ivonete Ludgério, líder na Câmara, Daniela Ribeiro ou João Dantas, tratam Maranhão como "inimigo voraz" de Campina, mas o fazem por questões óbvias levando-se em conta a perda que tiveram com a queda, via cassação, de Cássio Cunha Lima, que no Governo os amparava com cargos e benesses inomináveis.
Já os governistas, sem exceção, olham enviesados para o Maranhão III e não fazem questão de ter reservas em público.
Fernando Carvalho, Olímpio Oliveira, Pimentel Filho, Cassiano Pereira, Laelson Patrício, Antonio Pereira e até mesmo Perón Japiassu, cuja esposa foi nomeada no atual Governo assessora comissionada da Secretaria de Interiorização, exteriorizam descontentamento com a administração estadual em todos os recantos do Município, sem segredos.
Até mesmo o ex-líder do PMDB no Legislativo campinense, Pimentel Filho, detentor de vários cargos do Estado em Galante, seu principal reduto eleitoral, e até na Ciretran, onde o filho Bernardo tem cargo de direção, repete-se em reclamações avisando que o Maranhão III continua infestado de inimigos, aludindo serem parcas as ações governamentais na Serra da Borborema.
A ira dos vereadores da base de Veneziano em Campina Grande se acentuou depois que foram recebidos em palácio pelo governador e onde apresentaram vários pleitos de interesse da cidade que até agora não tiveram nenhuma resposta do Chefe do Executivo.
EMPRESÁRIOS SATISFEITOS
Mas nem de queixas vive Campina Grande em relação ao Maranhão III. Elas existem, sim, mas se circunscrevem ao mundo político, ou talvez à voracidade pelos cargos inerente aos detentores de mandato, sempre querendo mais.
Maranhão conversa com Carlos Noujaim Habib e outros empresários campinenses no Garden Hotel, deles recebendo aplausos
O Governo anda bem das pernas em várias das suas repartições, que estavam abandonadas literalmente. É o caso da Companhia de Recursos Minerais (CDRM), hoje um exemplo de órgão público através do trabalho cuidadoso de Iramir Barreto, por sinal um ex-Vereador da bancada do ex-Cássio Cunha Lima.
Também é exemplo de operosidade a gestão de João Menezes no Hospital de Traumas Dom Luiz Gonzaga Fernandes, saneado administrativamente.
Lá, carne e pão eram adquiridos superfaturadamente em Natal e esses produtos desembarcavam no almoxarifado do hospital de madrugada quando não podiam ser fiscalizadas a quantidade e nem a qualidade.
O custeio da repartição girava em torno de R$ 1.200,000,00/mês e hoje, numa espécie de punição ao belo trabalho de Menezes, caiu para R$ 800,000,00, sendo esta a única mancha governamental registrar no setor.
Quanto à classe empresarial, esta nada reclama do Governo. Ao contrário, rasgados elogios têm saído surpreendentemente em direção a Maranhão de gente como Tito Motta, presidente da poderosa Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e sócio de Savigny Cunha Lima, irmão do ex-cassado governador, em empresa de out-doors.
"Estou satisfeito com o atual Governo e posso dizer que Maranhão é um homem sério, operoso e que a mim, pelo menos, tem causado a melhor das impressões", disse Tito durante evento em que recepcionou o governador para receber recursos de R$ 200 mil para a promoção da entidade chamada ‘Liquida Campina".
Também outro influente empresário local, Carlos Noujaim Habib, tem reiterado elogios à ação do governador em Campina Grande. "Desde o seu primeiro Governo que verifiquei em Sua Excelência um carinho especial por esta cidade e sua gente", testemunha ele.