Roberto Cavalcanti dá uma de Bolsonaro, manda jogar pedras em jornalista que divulgar mortes por Covid19 mas logo se acovarda após negativa repercussão nacional

21/05/2020

Causou repercussão negativa em todo o País a infeliz declaração do empresário Roberto Cavalcanti hoje na Correio FM de João Pessoa sugerindo que jornalistas e radialistas sejam "apedrejados" diante da divulgação de mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil.

O ex-senador (Republicanos), declaradamente ardoroso fã das diatribes do Presidente Jair Bolsonaro, disse que a imprensa comemora os óbitos decorrentes da Covid-19 como se fossem "gols da seleção" brasileira. "Tem determinadas emissoras que dão placar de quantos morreram no país. Parece que são gols da seleção do Brasil. ‘Hoje, 10 mil gols, batemos o recorde.‘ Isso é uma vergonha. Isso é um país que deveria ter vergonha na cara. O jornalista, o radialista que fizesse um negócio desses deveria ser apedrejado na rua, disse”.

A declaração de Cavalcanti foi dada em entrevista ao programa Correio Debate, da rádio Correio 98 FM, que pertence ao Sistema Correio de Comunicação — do qual ele é dono.

A empresa abrange ainda a TV Correio, afiliada da Rede Record na Paraíba, além de rádios e jornais.

De acordo com dados coletados até as 19h de ontem pelo Ministério da Saúde, a Paraíba contabilizava 3.045 casos de Covid-19, com 157 óbitos.

Mais tarde, seguindo o mesmo covarde script do seu guru da República, Cavalcanti recuou e pediu desculpas, mas criticou o "assassinato de empresas" diante dos impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus no país. "Na verdade, eu descarrego esse meu silêncio de 62 dias para hoje — talvez me exaltei, peço desculpas. A minha forma de conduzir no dia a dia é da parcimônia, de agregar, de conquistar, mas tem momentos em que você assiste ao assassinato de pessoas, ao assassinato de empresas", afirmou. "Isso não é possível. Não é possível que o Brasil não se revolte contra isso e deixe de lado o problema de ser de um lado ou de outro da política. Já falei demais, peço perdão mais uma vez", encerrou.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NOTA DE REPÚDIO

Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba manifestou repúdio ao posicionamento de Cavalcanti e prometeu "medidas cabíveis". O texto citou demissões no conglomerado e afirmou também que os profissionais do Sistema Correio de Comunicação não contam com equipamentos de proteção individual (EPIs) para trabalhar durante a pandemia.

Confira a seguir a nota:

“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba, filiado à FENAJ, vem a público repudiar as declarações do ex-senador e empresário do Sistema Correio, Roberto Cavalcanti, durante programa na Rádio 98 FM, que faz parte do conglomerado de comunicação. Em um momento no qual a imprensa brasileira vem sofrendo diversos ataques durante a cobertura da pandemia do coronavírus, agressões verbais e até mesmo físicas, o ex-senador afirma que jornalistas e radialistas que noticiam as mortes pela covid-19 deveriam ser apedrejados na rua.

A declaração, além de chocante, causa repulsa na categoria, que foi considerada como serviço essencial durante a pandemia e continua trabalhando em seus postos normalmente. Nem mesmo as funções com possibilidade de trabalho remoto foram liberadas para tal. Outro agravante é a falta de equipamentos de proteção individual como máscaras em diversos desses locais do Sistema Correio, onde os trabalhadores estão expostos e, com isso, já foram identificadas pelo menos cinco infecções pelo vírus. Agrega-se a essa situação que por si só já define o pensamento do Sr. Roberto Cavalcanti acerca dos trabalhadores que emprega o fato de ter extinguido, em plena pandemia, o jornal impresso Correio da Paraíba, deixando 38 jornalistas desempregados e sem perspectiva.

Porém, a atitude, apesar de grave, não surpreende, pois o Sistema Correio, do qual o Sr. Roberto Cavalcanti é empresário, há anos vem se negando a negociar reajustes para a categoria e, na primeira oportunidade de flexibilização de direitos, realizou uma demissão em massa mesmo em um momento no qual a proteção ao trabalhador deveria ser prioridade. Repudiamos esse tipo de postura de qualquer pessoa, especialmente no que se refere a um empresário da área de comunicação. Tomaremos todas as medidas cabíveis para reparar a categoria em relação a essa declaração infeliz.

Fonte: Da Redação com UOL




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