Rádio do vice-prefeito de Campina agora jaz. “Enterramos o saudosismo”, avisa a assessora de Arthur Bolinha

21/09/2017

Mesmo antes de oficialmente existir, a rádio 101.1 FM de Campina Grande já granjeou para si um imenso espaço virando centro das discussões de um meio (a radiofonia) que na cidade, há alguns anos, já não era alvo de quase mais nada, por se subjugar às decisões tomadas na Capital a partir dos grandes sistemas de comunicação lá sediados.

Distante 130 quilômetros do mar, de onde emanam as ordens para a maioria das emissoras campinenses, a 101.1 já transmite seu sinal experimental para teste de equipamentos e, de modo irônico, se anuncia “uma nova onda em Campina”.

Com inauguração prevista para 11 de outubro, dia do aniversário de emancipação política de Campina Grande, a 101.1 promete ser - em tempos de crise e racionamento - divisor de águas no mercado local e tem, por isso mesmo, provocado uma ebulição fora do comum inquietando radialistas, publicitários e ouvintes, todos ansiosos pelo que virá - ou não.

A “nova” emissora na verdade só apresentará duas novidades: seu estreante executivo-arrendatário, o milionário Arthur (Bolinha) Almeida, e os equipamentos de Frequência Modulada (FM). O resto, incluindo o cheiro do mofo impregnado nas paredes e antenas, é velho e adormecido.

Bolinha, um empreendedor nato e vitorioso, garante não somente uma NOVA ONDA, mas total mudança de conceito e gestão, algo capaz de revolucionar todo o mundo radiofônico da Rainha da Borborema, retirando-o da mesmice e da subserviência ao que vem de fora, em especial os ditames gerados pelos “ases” dos microfones de João Pessoa com programas em rede e suas imposições de ideias.

A 101.1 é sucedânea da CARIRI AM, controlada acionariamente pela família Ribeiro (vice-prefeito Enivaldo, deputado federal Aguinaldo, deputada estadual Daniella...), e esperava-se viesse a manter o mesmo nome e a mesma identidade quando do processo de migração AM-FM, mas a primeira decisão do novo “time” foi a de sepultar o CARIRI – talvez algo “demodê” para o conceito de novidade que se deseja nela imprimir.

SAUDOSISMO, ADEUS

“Enterramos o saudosismo”, avisa a empolgada jornalista Luanna Farias, assessora de imprensa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campina Grande (CDL-CG) recrutada às pressas pelo presidente da entidade, não por coincidência o mesmo Arthur Bolinha arrendatário da 101.1, para ajudar no relacionamento inicial entre a emissora e o público.

A decisão desse enterro, na verdade um soco de peso-pesado na memória histórica de Campina Grande, tem dividido opiniões.

- “Jamais irão enterrar o saudosismo! Faz parte da vida, ele é ontem, alicerce do hoje, fortaleza do edifício do futuro! Um edifício tão grande, sem andares, pois sua construção é contínua, graças aos acontecimentos diários da história, que nunca para!”, protestou pelo Facebook um dos ícones da radiofonia campinense, o professor da UEPB Gilson Souto Maior, respeitável ás do passado nos microfones da cidade.

- “Retrovisor virado para o futuro. O nome CARIRI ficou no passado, assim como ficou o rádio AM”, aplaudiu Josinaldo Ramos, talentoso multimídia hoje emprestando seu ‘GOGÓ’ profissional a uma FM do Sistema Correio no Município de Queimadas, região metropolitana de Campina.

- “Esse enterramos o saudosismo dói”, lamentou sem maiores delongas o ex-vereador Marcos Marinho, radialista que anos atrás juntamente com Junior Gurgel e Dagoberto Pontes liderou o Ibope da cidade no horário do meio dia mesmo sob a forte concorrência dos programas em rede gerados na Capital.

Mudar o nome da rádio, em se tratando da CARIRI, é um grande insulto a Campina Grande. É como uma espécie de “estupro” cultural e histórico, sem amparo em nenhuma justificativa convincente.

PRIMEIRA RÁDIO DE CAMPINA

A CARIRI, no dia 13 de Maio de 1948, entrou para a história campinense como a primeira rádio profissional de Campina Grande.

Suas transmissões iniciais tiveram as digitais de José Jataí, Hilton Motta, Gil Gonçalves e mais alguns jovens, reunidos no bairro de Bodocongó.

Aqueles jovens, sem recursos e sem apoio comercial para seguir adiante com o projeto, não tiveram outra alternativa dias depois a não ser fechar temporariamente a rádio. Mesmo assim, o marco inicial estava registrado, já que a emissora foi ao “ar” antes que a lendária rádio Borborema, que só estrearia alguns meses depois, ligasse seus transmissores.

A CARIRI tem uma longa e sofrida história. Veio a ser vendida ao senador Epitácio Pessoa Cavalcanti, sendo instalada logo após no “Edifício Pernambucano”, localizado na rua João Pessoa, centro da cidade. Porém, o filho do ex-governador João Pessoa, morto em 1930, acabou por falecer justamente quando procurava modernizar os equipamentos da rádio. Mais uma vez a CARIRI fecharia suas portas.

Após um período no “limbo”, Severino Cabral, sempre atento à cultura em sua longa trajetória política, comprou a emissora em 1959, mas estranhamente não chegou a botá-la para funcionar.

E chegou a vez da CARIRI ir parar nas mãos do visionário Assis Chateaubriand, que acabou incorporando-a aos seus “Diários e Emissoras Associados”.

Em 7 de maio de 1982 a CARIRI mudou seu nome para “Rádio Sociedade”, que trabalharia no prefixo ZY1674, potência irradiada de 1.00 kw.

Finalmente, em 1996 voltou a ser CARIRI e em 1999 foi arrendada à Igreja Universal do Reino de Deus.

Em 2008, depois de pendenga judicial com ex-diretores associados, ação que ainda não teve seu desfecho e encontra-se em grau de recurso n’outras instâncias do Judiciário, a família do atual vice-prefeito Enivaldo Ribeiro assumiu o controle da rádio, modernizando-a com novos equipamentos e fortalecendo sua equipe de radialistas.

Adotando uma gestão familiar, a CARIRI não conseguiu decolar em audiência apesar de ter, de forma terceirizada, recrutado bons nomes para os seus horários. Há dois anos veio a ser arrendada ao Grupo Duraplast, mas o insucesso gerencial a impediu também de decolar. E agora aposta na força de Arthur Bolinha e na modernidade da Frequência Modulada para sair do limbo e dar a volta por cima.

NOMES NACIONAIS

A Rádio CARIRI lançou diversos artistas e grupos de renome nacional, como ‘Marinês e sua Gente’, ‘Abdias’, ‘Genival Lacerda’, ‘Rosil Cavalcanti’, dentre outros. Por seus microfones passaram os mais respeitados e competentes profissionais da radiofonia nordestina.

Fonte: Da Redação




Comentários realizados

  • 25/09/2017 às 14:01

    Gustavo Guedes

    Como tudo nessa vida, há o lado bom e ruim! O ruim: A ênfase no desprezo pelo saudosismo. O culto e o respeito a história não serve para impedir a evolução, muito pelo contrário, serve para homenagearmos os percussores. O bom: O fortalecimento da radiofonia campinense. Os últimos anos Campina Grande vem perdendo sua força e protagonismo político e econômico no Nordeste e na Paraíba. Vibro com iniciativas que tem potencial de fortalecer nossa cidade.

  • 23/09/2017 às 17:53

    Fátima Silva jornalista especializada no rádio

    É com muita honra que ocupo esse espaço principalmente pra falar de um tema que me incorpora de forma geral sou uma pioneira do rádio por isso preservo a minha história que começou exatamente pela a rádio Cariri com o programa Rádio Mulher, então apagar essa história e de tantos outros é um tanto comprometedor, ocorre que pra se inovar não precisa apagar a memória muito pelo o contrário se faz necessário agregar valores essa seria a razão da mudança afinal não é uma nova concessão é sim uma fusão atentem para isso e é só

  • 22/09/2017 às 00:40

    Manoel Augusto

    Observo como leigo na comunicação campinense, porém ouvinte de rádios FM que a evolução radiofônica não teve nenhum avanço quando nos referimos em atualização ou modernismo... Esquecem os comunicadores de rádio da rainha da Borborema que vivemos hoje na era da informática e é preciso evoluir sim senhor... Se fomos viver de saudosismo não teria fechado o Jornal da borborema; jornal da paraíba entre outros meios de comunicação da cidade... Vamos ao novo; inovar; FM com programação de FM; fazer com que o ouvinte sinta prazer em sintonizar a 101.1

  • 21/09/2017 às 20:28

    Lula Rocha

    Se quiser audiência tem que ter Marcos marinho, Dagoberto pontes, Paulo Roberto, etc

  • 21/09/2017 às 17:34

    José Marcelo neto

    Tem que está num programa nesta nova rádio você é Dagoberto,aqui é fraco de programa de debate, só falam no prefeito o dia inteiro

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