LISTA DOS 50 (IV) - Entre brigas e arengas Edvaldo do Ó foi chamado de O REALIZADOR pela multiplicidade de feitos em prol de Campina Grande

16/11/2017
Edvaldo de Souza do Ó
Edvaldo de Souza do Ó

Edvaldo de Souza do Ó (economista por formação), um dos nomes escolhidos por unanimidade pelos votantes da LISTA DOS 50, projeto histórico coordenado por APALAVRA com objetivo de favorecer as novas gerações e municia-las de dados importantes sobre homens e mulheres que, ao seu tempo e em suas áreas específicas de atividade, colaboraram de forma extraordinária para o crescimento do Município, foi o homem que mais brigou por Campina Grande – literalmente.

Era na verdade um REALIZADOR, incansável propulsor de extraordinárias ideias, as quais em rapidez supersônica logo corria a colocar em prática tornando-as reais, nas mais diferentes áreas: política, comércio, indústria, educação, esportes, cultura...

Certo dia ele imaginou criar uma Faculdade de Economia para a cidade e pôs-se a agir. Consultou o Ministério da Educação e Cultura, que lhe exigiu uma Comissão Organizadora e que esta no prazo de 120 dias apresentasse o espaço físico da obra.

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Sendo empossado presidente do Galo da Borborema

Foi escolhido o terreno por trás da agência dos Correios, na avenida Getulio Vargas. Lá, nos jardins do prédio, foi afixada uma placa comemorativa do tempo recorde da construção.

CHAMADO DE ‘COMUNISTA’ PELO VIGÁRIO

Segundo o historiador Josemar Pontes, “como o tempo era pouco para uma obra tão grande, a construção não parou nos dias de quinta e sexta-feira santa, dedicados à Paixão de Cristo”, registrando-se aí uma briga entre Edvaldo do Ó, que era secretário da Educação do Município (Governo Plinio Lemos) e o padre Severino Mariano, que em seus sermões na Igreja Matriz acusava-os (Edvaldo e Plinio) de autênticos comunistas e isso numa época em que a maior ofensa a uma pessoa era exatamente taxá-la de comunista.

Edvaldo fez vistas grossas para os reclamos do reverendo e dentro do prazo previsto pelo MEC a obra foi entregue, tendo sido seu primeiro diretor o professor José Paulino da Costa Filho.

A Faculdade de Economia de Campina Grande existiu até quando foi incorporada à Universidade Federal da Paraíba (UFPB), passando a funcional como como Faculdade de Administração.

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Cumprimentando o elenco da Raposa, time que presidiu depois de fazer o Treze campeão invicto

Campina Grande também deve a Edvaldo do Ó o surgimento da SANESA (concessionária de água da Paraíba), CELB (energia elétrica da Borborema), TELINGRA (telefonia de Campina Grande), e os postos de classificação do algodão e de sisal, que deram lugar à Bolsa de Mercadorias da Paraíba, segunda do gênero no País (a primeira era a de São Paulo)

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Abraçando Enivaldo Ribeiro na festa da posse, a quem muito ajudou para que se elegesse prefeito de Campina

Também foi Edvaldo quem transplantou do Rio de Janeiro para Campina Grande as palmeiras Imperiais que existem no Açude Velho.

EMPREENDIMENTOS PARTICULARES

Foram vários também os seus empreendimentos particulares, como a Importadora Trianon, primeira casa comercial a vender em Campina Grande produtos estrangeiros; a Transportadora Bons Serviços Ltda. (TBS), que levava os famosos fogões Wallig Nordeste aqui fabricados para os mercados do Sul e Sudeste; e a primeira casa lotérica de Campina Grande, facilitando a vida do apostador de todo o interior que deixou de mandar os bilhetes para autenticação em Recife.

FEZ DO TREZE UM CAMPEÃO INVICTO

Trezeano de alto quilate, Edvaldo foi convocado a presidir a agremiação e ao assumir logo avisou à torcida que faria do Galo campeão estadual, promessa que cumpriu com muito trabalho, outro tanto de brigas e dedicação.

O Treze Futebol Clube não perdeu para ninguém e tornou-se campeão invicto, um feito inédito na história futebolística paraibana.

Mais à frente Edvaldo do Ó aceitou convite do arquirrival do Galo, o Campinense Clube, e também presidiu esse time, período em que acabou brigando fortemente com jornalistas esportivos, um deles o irreverente Humberto Campos, torcedor fanático do Clube Cartola. Há registros também de que se desentendeu com Joselito Lucena, outro ás dos microfones locais.

A BRIGA COM JORNALISTAS

Segundo relato do professor Josemar Pontes, após um desses atritos Edvaldo proibiu que o jornalista irradiasse um jogo do Treze. Humberto de Campos (mas há quem diga que tenha sido Joselito Lucena) colocou uma escada no muro do Quartel da Policia Militar  - ao lado do campo do Treze - por onde pretendia exercer sua função. Foi aí que Edvaldo colocou uma lona na lateral do campo, mas não conseguiu evitar o jornalista de fazer seus comentários de cima da caixa d’água do Quartel da Policia Militar.

A GAZETA DO SERTÃO

Edvaldo decidiu, também por causa de brigas, entrar no ramo das comunicações e resolveu fazer ressurgir a Gazeta do Sertão, primeiro jornal impresso de Campina Grande.

Ele mesmo se explicou sobre isso a um repórter do seu jornal: “Eu briguei com a imprensa pelo fato dela não querer defender as causas do Treze e naquela altura em senti que Campina Grande precisava de um outro órgão de imprensa. Mais tarde, quando eu vi os dirigentes associados Nereu Ramos e Marconi Góis transferirem para João Pessoa as máquinas do Diário da Borborema, esta necessidade ficou mais evidente. E quando Marconi Góis determinou que os veículos associados não divulgassem quaisquer fatos relacionados ao cinquentenário de Raymundo Asfóra aí em senti que a criação de um novo órgão de imprensa não poderia mais ser adiada”.

A Gazeta do Sertão foi recriada, nome sugerido por Asfóra, e coube ao jornalista Marcos Marinho projetar a nova fase, tendo sido seu primeiro editor, cargo que passou um mês depois para Geovaldo de Carvalho após ter se desentendido com Edvaldo na redação, que o convidou então para ser secretário executivo da Bolsa de Mercadorias, que estava criando na época.

A SURRA QUE LUIZ MOTTA NÃO DEU

Várias outras brigas e arengas foram registradas na vida de Edvaldo do Ó, mas todas foram decisivamente contributivas para o futuro de Campina Grande, à exceção da ocorrida entre ele e Luiz Motta Filho, Interventor Federal do Município nos anos cruéis da Ditadura Militar de 64.  Consta que “Luizito”, como assim era chamado o Interventor, fora à calçada da rádio Borborema (hoje calçadão da Cardoso Vieira) munido de um cinturão para dar uma surra no economista, que o criticara. Edvaldo, avisado a tempo, não foi ao local onde o Interventor o desafiara a comparecer para “acertar os bigodes”.

SECRETÁRIO DE RONALDO

Edvaldo foi secretário de Planejamento do Município no Governo Ronaldo Cunha Lima (pós-Ditadura), indicado por Raymundo Asfóra, que exercia mandato de deputado federal. Mas brigou com o secretário de Finanças Milton Gomes Soares e por tabela com o prefeito, largando a Pasta quinze dias depois.

A DERROTA NAS URNAS

Candidato a prefeito, escolheu como vice o deputado federal Álvaro Gaudêncio Neto, mas foi derrotado e teve votação vergonhosa, o que muito o desgostou.

No Governo Sarney, indicado pela bancada federal paraibana, Edvaldo aceitou assumir cargo de segundo escalão em Brasília (Direção da CIBRAZEM – Companhia Brasileira de Armazenamento), mas também ficou por diminuto tempo.

Fonte: Da Redação com blog Retalhos Históricos de Campina Grande




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