Morre em Campina Grande Geralda Velez, o símbolo mais representativo do forró de periferia da Borborema

08/08/2019

Morreu hoje aos 73 anos de idade aquela que era, segundo definição perfeita do museólogo e ativista cultural Walter Tavares, “o símbolo vivo mais representativo do forró de subúrbio de Campina Grande” - Geralda Velez.

A cantora foi vítima de um infarto na UPA Dinamérica, onde estava internada. Ela descobriu dois nódulos malignos no pescoço e, além disso, seu pulmão estava desgastado e o coração crescido. Também estava com câncer, segundo familiares.

O velório de Geralda Velez foi no Digna da avenida Juscelino Kubitscheck, no Presidente Médici, e o enterro ocorreu às 16 hs. no cemitério do Bairro Cruzeiro.

Segundo o jornalista e amigo da cantora, Renato Diniz ela nunca se deixou abalar pelos problemas de saúde. “Nunca lhe faltaram o talento, a alegria e força de vontade”, disse.

Geralda Velez nasceu em 24 de dezembro de 1945. Começou sua trajetória profissional (impulsionada) na Rádio Borborema na década de 1970 convidada por Eraldo Cesar, e ficou nos quadros da emissora, como contratada, por aproximadamente 14 anos.

A partir de então foi uma voz presente nos programas de auditório. Ela cantou também no programa de Rosil Cavalcante.

Recentemente contou, no programa Itararé Junino/TV Itararé/Cultura, que estava lavando o rosto e de repente percebeu, pelo espelho, que sua face estava deformada devido a uma paralisia. E isso foi a retirou por determinado tempo do meio artístico. Mas, com entusiasmo,  nunca desaminou e continuou cantado a vida.

“Gosto de cantar baião, gosto de cantar forró, gosto de cantar seresta, canto samba demais, canto tudo, canto todos os ritmos. Eu vivo o meu público”, explicou na TV.

Geralda começou na música aos seis anos e sua história é, portanto, de mais de meio século.

HOMENAGEM DE WALTER TAVARES

Uma das maiores homenagens que a cantora recebeu hoje foi o registro-testemunho de Walter Tavares, postado nas redes sociais:

- “PARTIU Geralda Velez, o símbolo vivo mais representativo do forró de subúrbio de Campina Grande, aquele forró que já quase não mais existe e que quando interpretado por ela bulia com o público, "apagava o candeeiro e derramava o gás".

Geralda Velez foi uma cantora de forró, coco, baião, xaxado, bolero e seresta que fez a sua fama junto ao povo simples da periferia, nos forrós e gafieiras de uma Campina Grande musical e festivamente suburbana que se perdeu no tempo e na saudade.

Uma cantora do povo que viveu resistindo com as mesmas dificuldades do povo.

Ignorada pela mídia que faz a fama das "estrelas" fabricadas, Geralda certa vez ao interpretar a bela canção de Flávio José, "A Natureza das Coisas", parou e olhando para o público disse que se a "burrinha da felicidade nunca se atrasa", então, a dela tinha se perdido no meio do caminho ou esquecido o seu endereço...

Foi excluída das grandes festas, mas foi amada e aplaudida pelo povo que muitas vezes só contou com a sua arte para os seus poucos momentos de prazer.

Vai em paz, estrela dos subúrbios!”

Fonte: Da Redação




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