Na tentativa de explicar como legal triangulação com imóvel doado pela PMCG vereador ameaça imprensa e mais ainda se atola no problema

10/09/2019
A mansao no Catole que agora é sede do sindicato presidido pelo vereador
A mansao no Catole que agora é sede do sindicato presidido pelo vereador

O vereador Alexandre do Sindicato enviou nota à redação d’APALAVRA para rebater a matéria “Legislando em causa própria vereador ganha para sindicato área pública avaliada em R$ 10 mil e em operação triangular terreno é vendido por R$ 1 milhão” e diz estar sendo alvo de “onda de denuncismo com viés político”, a qual responderá levando o que chama de seus detratores à Justiça.

Ele declara ter recebido a notícia com indignação, “porém sem surpresa”, mas se refere a outro texto – o de “um perfil anônimo de especulações”, revelando que continua sendo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Prestação de Serviços de Campina Grande (Sintesp/CG), mesmo estando no exercício do mandato de vereador, fato que o impediria de negociar com o Poder Público, conforme determinam o Regimento Interno da CMCG e a Lei Orgânica do Município.

Alexandre destacou que o texto do perfil, “replicado por outras páginas apócrifas e portais focados em denegrir” o seu grupo político, divulgou as informações de maneira a conduzir ao raciocínio de que o processo de permuta estaria eivado de possíveis irregularidades. “Nada mais falso. Tudo foi feito dentro da lei, às claras, documentadamente, e em favor da categoria representada pelo sindicato”, rebateu.

A DOAÇÃO

O parlamentar lembrou que “a doação de terrenos para entidades de reconhecida utilidade pública é uma prática normal, comum e benéfica dentro da realidade dos municípios, não apenas Campina, tendo em vista que estas instituições cumprem uma finalidade social importante e ativa e que em Campina Grande igrejas, associações, sindicatos e instituições afins sempre buscaram, legitimamente, essa parceria legal e importante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“O Sintesp/CG representa trabalhadores muito humildes, mas é uma entidade com mais de vinte anos de história e que desenvolve um trabalho fundamental em favor desse segmento. O terreno doado pelo Município destinou-se a beneficiar esses trabalhadores, que terão uma área de cultura, lazer, educação e prestação de serviços a seu favor”, explicou.

A PERMUTA

O vereador explicou que a decisão de permutar o terreno ocorreu porque o sindicato não tinha recursos para construir a estrutura planejada na área doada pelo Município. “A crise financeira e a queda nas receitas dos sindicatos representam uma realidade conhecida em todo o país. Sem recursos, não teríamos como construir nada e seríamos obrigados a devolver o terreno, o que seria um prejuízo para os trabalhadores”.

- “A decisão pelo procedimento foi tomada dentro da estrita legalidade e com aprovação em assembleia, conforme farta documentação em poder do sindicato. Todo procedimento foi registrado em cartório e executado de maneira pública e transparente”, prosseguiu Alexandre aludindo “minha atuação na CMCG é uma atuação natural e legítima em defesa da entidade e da categoria”.

- “O terreno foi recebido em nome do sindicato, todo o procedimento foi feito em nome do sindicato e o imóvel recebido na permuta está em nome do sindicato. Eu apenas estou presidente da entidade, cargo que em breve deixarei, e outra pessoa assumirá para trabalhar em favor da categoria. Infelizmente, esse denuncismo não deixa de revelar uma verdadeira discriminação contra trabalhadores humildes que são os prestadores de serviço, porque não se vê ilações em torno de outras categorias”, continuou o vereador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VALORES

Alexandre Pereira destacou que o valor original do terreno, de R$ 10 mil, é simbólico e representa um fato comum, por tratar-se de uma doação do Município sem haver, por óbvio, objetivo financeiro. “Todavia, é lógico que um terreno daquelas dimensões tem um valor venal superior àqueles números simbólicos”, frisou.

Ele esclareceu que o imóvel recebido na permuta é uma casa no bairro do Catolé, cujo valor se equipara ao do terreno, com uma diferença compensada pelo fato de o imóvel que agora pertence ao sindicato estar construído e, portanto, apto a beneficiar os trabalhadores. “Do jeito que as especulações foram divulgadas, intencionalmente não se mostra que a permuta foi vantajosa para os trabalhadores atendidos pelo sindicato, ou seja, a finalidade inicial da doação do terreno foi atendida”, afirmou.

ATAQUES

O vereador explicou que vai tratar do assunto na tribuna da Câmara nesta terça-feira, mas adiantou que está inteiramente disponível a discutir em qualquer esfera os detalhes do assunto, tendo em vista a convicção que tem na lisura do procedimento. “O que temos é uma onda de denuncismo com viés político, patrocinada por figuras que pretendem disputar as eleições, mas não têm serviço prestado à população nem coragem de colocar a cara para o debate”, declarou.

Alexandre Pereira revelou ainda que vai adotar as medidas judiciais cabíveis contra pessoas que utilizaram as informações distorcidas para promover calúnias contra o seu nome. “É evidente que estou aberto às críticas, mesmo as mais duras, mas ofensas criminosas serão respondidas na forma da lei", complementou, acrescentando que não vai se deixar intimidar por ataques do tipo.

NOTA DA REDAÇÃO

APALAVRA acata as explicações do ilustre vereador, e as publica, mas com elas não concorda em sua inteireza, em especial ao ser nivelada a espaços que praticam - à ótica do edil - denuncismo com vieses políticos.

Fazemos jornalismo, com isenção e sem partidarismo.

O vereador legislou, sim, em camuflada causa própria, o que vem a ser no mínimo uma absurda falta de ética e decoro. Assinar a mudança de uma lei em seu benefício (benefício do sindicato que preside) auferindo vantagens em decorrência do cargo que ocupa, ao arrepio da Lei Orgânica e do Regimento Interno da Câmara, pode ser enquadrado como crime e custar-lhe o mandato.

Aqui não se trata de coisa PRIVADA, mas PÚBLICA, que deve ter, sim, o viés da decência!

Por isso, ao ente municipal que cuida do dinheiro suado do contribuinte, não tem sentido dar justificativa de que a permuta do imóvel doado tenha sido aprovada por assembleia de associados da entidade. A prefeitura deu o terreno para que o sindicato edificasse a sua sede própria naquele local. E ponto final. O mais disso aí é tão somente uma negociata, atentatória ao interesse coletivo.

A danosa triangulação comercial, que abre um seboso precedente para que outras doações tenham os seus destinos desviados, deve ser coibida e a operação executada pelo Senhor Alexandre anulada pelos órgãos de direito, fiscalizadores da coisa pública.

APALAVRA continuará firmemente vigilante em seu labor, muito mais ainda como nesse caso onde o ente público realmente foi enganado e ludibriado, em desfavor do contribuinte municipal.

Por último, uma natural indagação: se o sindicato é integrado por pessoas reconhecidamente humildes sob o ponto de vista financeiro, como acentua em sua nota o vereador, e por consequência não tinha condições de construir a sede no terreno recebido da prefeitura, a compra da mansão no Catolé, cujas fotografias o edil anexa à nota, já não é por si só um notável desmentido?

Fonte: Da Redação




Comentários realizados

  • 07/09/2019 às 09:27

    Maria Bernadete de Oliveira

    Aqui no bairro do Cruzeiro onde moro, tem um terreno que a história é parecida com essa. Um terreno da prefeitura em frente ao cemitério do Cruzeiro, tbm foi doado, não sei a quem, para ser construído alguma coisa, já cercaram toda a área e colocaram portões, já denunciei na câmara municipal, mas não deu em nada. Por sinal, não se trata nem de um terreno e sim de uma rua projetada, que ainda é pior. A população não tem a quem recorrer, fiz a minha parte, denunciar, e ficou por isso mesmo, não sei que mistério é esse. ,

  • 07/09/2019 às 06:35

    joaquim rodrigues

    ô rapaz honesto e bom só pensa no povo humilde

Deixe seu Comentário

Seu endereço de e-mail é de preenchimento obrigatório, mas não se preocupe que não publicaremos. Seu comentário será moderado pelo administrador do site e só será divulgado após isso.*


Outras Notícias