Radiofonia campinense passa por reviravolta, mas o coitado do ouvinte ainda não ganhou benefícios

21/08/2019

A radiodifusão em Campina Grande tem experimentado nos últimos meses uma espécie de reviravolta, mas lamentavelmente sem benefícios - ganhos - para o ouvinte.

Aliás, em Campina Grande há anos esse setor da nossa mídia padece de muito mais reviravolta!

São muitas as mudanças, obviamente, a começar pelo advento da migração de sinal que já sepultou pelo menos as três emissoras AM’s (ondas médias) que por aqui existiam, restando no segmento local tão somente a rádio Cidade de Esperança (sic !!??).

Hoje, são sete as FM’s no ar: ‘Campina’ (a pioneira), ‘Correio’, ‘Panorâmica’, Arapuan e as que nasceram pós-enterro das AM’s: ‘Caturité’, ‘Cariri’ e CBN (que em AM uma época se chamou ‘Borborema’ e n’outros dias ‘Sociedade’).

Era de se imaginar que a revolução verificada com o advento da supremacia das FM’s tivesse o condão de dar qualidade e eficiência a todas as emissoras, mas até aqui o ouvinte ainda veleja no mundo dos sonhos...

E outra coisa importante a registrar é que nem a concorrência, que se previa pudesse ser acirrada, existe. E sem saudável disputa, niveladas que se encontram programações, quadro de pessoal e equipamentos nas rádios, a mesmice é de dar dó - e dor na audiência!

O pior é que não resta ao desmotivado ouvinte nem mesmo a expectativa de que algo melhor possa vir a surgir, sequer a longo prazo.

Descontadas as raras - e bote raro nisso!!! - exceções, não escapa da péssima qualidade nenhuma área do setor.

Narrações de futebol permanecem um desastre, programas policiais viraram carniça cerebral, musicais continuam uma lástima.

A cada dia, como na famosa cantiga da perua, é de pior a pior...

Prá ficar na linguagem das aves, tá tudo FRACO, FRACO, FRACO... Um “gulu-gulu” realmente de deixar quem faz rádio e quem ouve rádio em Campina Grande de crista baixa!

Modulou-se por estas bandas apenas o sinal, e mais nada.

Senão, vejamos:

CATURITÉ  - Mais potente das novas FM’s

permanece ‘insossa’ por ordem do bispo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

João Barros e Ubiratan Cirne ladeados pelo diretor da rádio

Das que migraram para FM, a rádio da Diocese tem a maior potência, mas ao deixar de ser sintonizada nos pés-de-serra levou um baque. Seu jornalismo é insosso, embora esse não seja um problema de agora, em face da “santidade” dos padres que a administram rezar pela cartilha do bispo, aquela que proíbe entrar em bolas divididas e que tais.

Por lá ainda dá para salvar o “Caturité nos Municípios”, fermentado meses atrás com a presença de João Barros dividindo com Ubiratan Cirne a mesma mumificada fórmula que nem sequer sofreu mudanças em meio à dose do veneno que matou o fundador Hugo Ramos.

CARIRI – Bolinha quis vencer na política, mas seu

projeto lhe fez descer a ladeira junto com a rádio



 

 

 

 

 

 

 

 

Morib Macedo no comando do jornalismo matinal da emissora

Inaugurada com pompas, coquetel e a água benta do jovial gorducho padre Hachid Ilo, que há dois meses ganhou um programa só seu, a Cariri FM foi uma tempestade... Arrendada da família Ribeiro pelo inquieto Arthur Bolinha, que avistava nela a sua grande chance de ser vitorioso na política partidária, de logo cometeu um erro crasso e imperdoável - o de decepar-lhe a identidade!

“Nada de Cariri”, que é fora de moda e não gera apelo de marketing, ordenou o empresário apostando que a teimosia de batizar a emissora apenas como “101 FM” seria um plus.

Bolinha literalmente desceu ladeira abaixo, se despedaçando na política e na vontade de se manter dono de rádio. Frustrado e desiludido, mas consciente de que perder dinheiro jamais foi a sua melhor praia, correu da raia repassando o prejuízo para outro jovem e vitorioso comerciante local, o visionário Neilton, dono da REDEPHARMA que infelizmente vem tocando o projeto da mesma capengante forma que obrigou Bolinha a se retirar dos estúdios.

Registre-se que Bolinha teve o mérito de deletar todo o velho mofo da Cariri. Investiu em estúdio amplo e moderno, com equipamentos realmente de ponta, ousou profissionalizar a produção jornalística recrutando jovens advindos dos cursos de Comunicação das universidades, estancou a venda de horários que acabava por modificar a linha editorial da emissora, interligou-a às redes sociais com transmissão de TV ao vivo, e mesclou a “prata de casa” que não podia ser demitida com entusiasmados jovens comunicadores que a custo baixo - alguns até mesmo sem custo - puderam  dar uma temporária fase de dinamismo aos horários, o que acabou sumindo por pelo menos um fator repreensível: a ingerência nos bastidores da família Ribeiro, que alugou a rádio mas não permitiu desgarrotear a gestão.

E registre-se que ao dono da REDEPHARMA cabe o mérito de devolver à 101.1 FM a sua histórica e inapagável identidade.

Como onda do mar, a Cariri FM vai levando... É baixa a audiência, razoável a qualidade jornalística e com a permanente vigilância e danosa influência política que continua tendo dos seus efetivos proprietários não dá por enquanto para muito nela se apostar.

Mostrando temor pela concorrência, tem se valido até de copiar o que não lhe traz resultado nenhum, como dá exemplo a presença do colunista social Rogério Freire na bancada do ‘Atualizando’ às cinco da tarde para fazer frente a Celino Neto, na Correio, multimídia anos-luz em dinamismo à frente de Freire.

ARAPUAN – Repetidora do sinal de JP se agarra

a expurgados da Correio para virar ‘voz’ da serra



 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Milton Figueiredo, um dos expurgados da Correio

Mais nova das antigas, a similar pessoense trouxe tudo da “matriz”, embora continue tentando forjar uma identidade campinense. No jornalismo, ressuscitou Juarez Amaral, mas não lhe valeu a pena e o jogou de volta à sarjeta.

Ultimamente, tem se valido dos expurgos de quadros da Correio FM para encorpar os seus.

Assim foi com Milton Figueiredo, atualmente alimentando os fins de tarde-começo de noite, e mais recentemente com Valderedo Borba para fazer dupla matinal com o repórter Márcio Rangel, outro veterano degolado da Correio.

Não foi exatamente a melhor solução, mas pelo menos Campina Grande se viu livre de um enxotado da cidade, o aprendiz de advogado Adelton (Maranhão) Alves, cuja empostação no microfone, herdada dos tempos em que recebeu aulas de Juarez Amaral no moribundo “Jornal de Verdade” da Caturité AM, continua dando-lhe a capacidade de produzir náuseas nos ouvintes.

Como em terra de cego quem tem um olho é rei, a Arapuan dá de 10 nas outras rádios da cidade em se tratando de seleção musical, o que não deixa de ser um ganho louvável.

CAMPINA – Ainda elitista a pioneira melhorou no

jornalismo, mas o espaço para isso tem controles

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Lenildo Ferreira, diretor de jornalismo

Na eterna tentativa de se manter “rádio classe A”, ou seja, o espaço da elite campinense, a pioneira até que melhorou no seu jornalismo, ora dirigido pelo vigilante Lenildo Ferreira, historiador de aguçado faro que comanda, com boa pauta, o “Jornal Integração”, matutino que até dias atrás tinha a adicional participação da disk-jockey Kaliulka Vólia, com certo atraso demitida do espaço, agora ocupado por Fernando Soares, ex-presidente da Associação Campinense de Imprensa mas, na verdade assim como Kaliulka, ainda um aprendiz na arte do bom radiojornalismo.

De todas, a Campina FM é a única que se mantém equidistante de jornalismo no final de tarde. A opção é ponto de honra da diretora Marilena Motta, que não abre nem para um trem quando lhe insistem pelo contrário e parece ter acertado em cheio, considerando a baixa qualidade dos noticiosos que pequena parte da cidade ouve no horário.

Outra teimosia da direção da Campina FM é a opção por não fazer transmissões esportivas, salvando também aí parte dos domingos da população campinense.

CORREIO – A que mais fatura na Paraíba vive mal

porque tem que ‘alimentar’ as rádios deficitárias