Solidariedade dada a Nonato Bandeira leva jornalistas na Capital a acusarem João Pinto de ser "covarde" e transformar API em "puxadinho da SECOM"

14/02/2020

O presidente da Associação Paraibana de Imprensa (API), João Pinto, ungido ano passado ao posto numa acirrada disputa que chegou inclusive a ser interrompida em alguns momentos por intervenções judiciais que acabaram por dividir irremediavelmente a categoria, está sendo acusado de “covarde”, “omisso” e de ter transformado a entidade em um “puxadinho da SECOM (Secretaria de Comunicação do Governo)”.

Funcionário comissionado da secretaria, lotado no jornal ‘A União’ d’onde eticamente deveria ter se licenciado após vencer as eleições na API, João assinou nota ontem em solidariedade ao também jornalista Nonato Bandeira, titular da SECOM, por conta das críticas que lhe foram dirigidas pelo grupo de deputados que forma o G11 na Assembleia Legislativa e logo revoltou ilustres nomes do jornalismo da Capital, dentre eles o professor Flávio Lúcio e o procurador estadual Sebastião Lucena (Tião).

Em longo artigo postado nas redes sociais, Flávio Lúcio diz que a nota de Pinto é uma defesa de Nonato Bandeira e um ataque contra o grupo de deputados estaduais que o acusou de usar o gigantesco orçamento da SECOM para financiar blogs e sites com a intenção de difamá-los, o que ele considera de uma gravidade sem tamanho, “sobretudo quando as fake news ameaçam o jornalismo, o que é agravado pelo uso de recursos públicos”.

Flávio Lúcio argumenta que Nonato Bandeira não foi criticado na condição de jornalista. Revela que há mais de 15 anos ele não entra numa redação ou empresa de comunicação como profissional de jornalismo e nas vezes que visitou esses ambientes nos últimos anos ou o fez na condição de agente público, como secretário, ou de agente político, já que por muitos anos foi presidente estadual do PPS, hoje Cidadania.

E a revolta de Lúcio, bastante procedente nesse aspecto, é embasada em outros sólidos contrapontos. “Ora, se as críticas a Nonato Bandeira não foram dirigidas ao jornalista, mas ao secretário, então, o que motivou a API a se meter nessa briga política?’, pergunta já com resposta pronta – a de que João estaria exibindo ao mundo que a API se tornou um  “puxadinho da Secom“.

Flávio Lúcio lembra que em 5 de junho de 2018 o jornalista Sílvio Osias publicou em seu blog no Jornal da Paraíba um artigo cujo título trazia uma pergunta retórica carregada de ironia : “A Associação Paraibana de Imprensa serve mesmo para quê?”.

Sílvio Osias enumerou no episódios que demonstram, por si só, a relevância política e social que a API teve no passado, em geral ao lado das grandes causas do país. Osias quis dizer em resumo que a entidade representativa da imprensa dialogava com a sociedade, recebia pessoas ilustres. desempenhava um papel importante. Exibia filmes, promovia debates, tinha portas abertas. Que era “parte significativa na formação da nossa consciência crítica”.

Mas hoje, segundo Flávio, “não é mais.

E justifica:

- “Hoje, uma nota da API me fez relembrar desse passado glorioso que, pelo menos nos anos finais, eu também presenciei. A referida nota, infelizmente, não representa um esforço de retomada nesses anos bolsonaristas de ameaça às liberdades democráticas, entre elas a de imprensa.

Pelo contrário, a nota da API não apenas reforça ainda mais o contraste temporal que Sílvio Osias mencionou em seu artigo, como expõe, de forma crua e patética, a que foi reduzida uma das mais importantes entidades da sociedade civil paraibana”.

Flávio Lúcio prossegue, afirmando que esses mesmos blogueiros têm o costume de atacar também outros jornalistas, como Tião Lucena, que nunca teve uma linha sequer de solidariedade de João Pinto, sendo importante dizer “que Nonato Bandeira não foi criticado na condição de jornalista”, o que retiraria à sua ótica o sentido ou a necessidade da nota emitida pela presidência da API.

- “Ora, se as críticas a Nonato Bandeira não foram dirigidas ao jornalista, mas ao secretário, então, o que motivou a API a se meter nessa briga política?”, é a sua últiam  indagação.

 CABEÇA NO BURACO

Ao comentar o artigo de Flávio Lúcio hoje em seu blog, Tião lucena não escusou-se de criticar o presidente da API: “O que censuro em João Pinto é a sua covardia diante dos ataques dos poderosos contra jornalistas”.

Tião pondera que Nonato é associado e tem direito à solidariedade da API. Mas reclama que “da mesma forma o presidente deve se mostrar neutro quando a briga acontece entre as quatro paredes da imprensa”.

Diz que fala de cátedra, pois “por duas vezes fui atacado pelos irmãos Cunha Lima e em ambas oão escondeu a cabeça no buraco para não ser visto”, mas que agora  com Nonato, “o patrão dele na Secom, Pinto não se escondeu. Foi a público e afagou o ego do seu chefe. No meu caso, como não tinha ego a ser afagado, João Pinto preferiu o recuo, o conveniente silêncio, a prudente omissão”, concluiu Tião.

Fonte: Da Redação




Comentários realizados

  • 14/02/2020 às 12:51

    Fátima

    Lembro muito bem Lúcio, que na época da eleição da API, eu fiz está mesma pergunta; Pra que serves API? Taí a resposta!

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