Família Régis no Conde quer transformar tiros no portão de pré-candidata em "Toneleiro" de Jacumã

28/08/2020
Portão da casa de Karla perfurado por tiro de revólver
Portão da casa de Karla perfurado por tiro de revólver

A truculenta família Régis, que há anos comanda a gestão pública municipal no Conde e somente há três anos e meio está tendo uma breve interrupção em face da chegada de Márcia Lucena (PSB) ao Poder, tem se movimentado intensamente nas últimas 48 horas para transformar as duas balas desferidas contra o portão da casa da pré-candidata Karla Pimentel (PROS) sexta feira passada no ‘Tonelero’ de Jacumã.

Por todos os meios possíveis, e contando com o que ainda resta de aliados, Karla, seu marido Hermann, os sogros ex-prefeitos Aluízio Régis e Tatiana Lundgreen, se esmeram em passar à opinião pública local de que houve um “atentado” – uma ação política para assassiná-la e, dessa forma, tirá-la do páreo eleitoral, onde segundo as mais recentes pesquisas ela estaria em terceiro lugar, superada pela candidata à reeleição, a prefeita Márcia Lucena, e o jovem empresário do CIDADANIA, Olavo Lisboa Macarrão.

O atentado da rua Tonelero, no Rio de Janeiro, que foi realmente uma ação violenta com viés político visando o assassinato do jornalista e político Carlos Lacerda, só guarda alguma similitude com as balas na casa de Karla com o mês em que ocorreu – agosto.

A ação contra Lacerda ocorreu na madrugada de 5 de agosto de 1954, em frente à sua residência, no número 180 da rua Tonelero, em Copacabana, Rio de Janeiro, e culminou na morte do major-aviador Rubens Florentino Vaz e no ferimento do guarda municipal Sálvio Romeiro.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ainda antes do amanhecer as redes sociais de Karla já recebiam ação do seu marketing

No “atentado” de Karla, felizmente, ninguém morreu e ninguém foi atingido por nenhum dos tiros.

O atentado a Lacerda ganhou importância histórica por se constituir o marco da derrocada do presidente da República Getúlio Vargas, levando-o ao suicídio, dezenove dias depois; o da casa da pré-candidata condense certamente passará para os anais do anedotário estadual.

CAMPANHA PARADA


Adversários de Karla, e até mesmo policiais chamados para investigar a ocorrência, tão logo tomaram conhecimento dos tiros especularam tratar-se de uma ação previamente preparada pela poderosa família com intuito de criar um fato político de grande repercussão, capaz de voltar a colocar a pré-candidata na mídia, uma vez que há uma semana ela se mantinha afastada do noticiário após testar positivo para a COVID-19.

As especulações procedem, não pelas balas em sí, mas pelo histórico de violência do citado grupo familiar, acostumado a ganhar eleições com agressões, ameaças e valendo-se de instrumentos os mais diversos, que passam pelo famoso cipó de boi com o qual o sogro de Karla, Aluízio Régis, já deu surras em adversários dentro do próprio restaurante da nora, a revólveres e fuzis de grossos calibres com os quais supõem fazer tremer quem se atreve a lhes fazer oposição.

É certo que ainda é cedo para considerar as especulações como algo possível de virar verdade, já que a polícia ainda não se manifestou oficialmente e sequer chegou a identificar ou prender alguma pessoa envolvida no caso. Mas a gigantesca operação, dentro do marketing da pré-candidata, buscando vitimizá-la de todas as formas e pedindo a aliados, pré-candidatos a vereador, dirigentes partidários e que tais, a divulgação de notas de solidariedade, só faz aumentar o nível especulatório sobre os tiros na porta da casa dela na madrugada silenciosa de sexta feira.

ATENTADO A LACERDA

O jornalista Carlos Lacerda, um dos principais opositores do governo Vargas, iniciara sua campanha a deputado federal naquele ano de 1954. Como havia sido ameaçado de morte algumas vezes, um grupo de simpatizantes, oficiais de Aeronáutica, decidiram servir-lhe de segurança durante seus comícios. Depois de um deles, realizado na noite de 4 de agosto de 1954, no pátio do Colégio São José, o jornalista volta para casa acompanhado de seu filho Sérgio, de quinze anos, no automóvel do major-aviador Rubens Florentino Vaz. Ao chegar na rua Tonelero, os três saltam do veículo e, ao se despedirem, uma pessoa surge das sombras e dispara vários tiros. 

O major, desarmado, tenta se defender, mas é atingido no peito. Enquanto isso, Lacerda leva seu filho para a garagem do prédio e volta disparando contra o agressor, que foge num táxi. Um guarda municipal que estava nas proximidades, Sálvio Romeiro, ouve os disparos e, ao verificar o que estava acontecendo, também é atingido por um tiro, mas anota a placa do veículo fugitivo.

Naquela mesma madrugada a imprensa começa a divulgar os detalhes do crime. O motorista do táxi, Nelson Raimundo de Souza, sabendo então que seu veículo fora identificado, decide se apresentar em uma delegacia. Inicialmente alega inocência e que apenas pegara o passageiro, não tendo conhecimento do crime, mas confessa seu envolvimento após depoimento à Polícia Militar.

Aos interrogadores, Nelson Raimundo afirmou que levara duas pessoas até a rua Tonelero, na noite do atentado contra Lacerda. Uma delas não sabia de quem se tratava. Mas a outra conhecia bem. Era Climério Euribes de Almeida, integrante da guarda pessoal do presidente da República e amigo de Gregório Fortunato.

Quando a polícia foi à casa do suspeito, no bairro do Méier, ele já havia desaparecido. Um grande efetivo foi mobilizado para sua captura. Na madrugada, a polícia divulgou uma nota oficial à imprensa, com o conteúdo do depoimento do motorista Nelson Raimundo e informando que determinara a realização de várias diligências na busca de Climério. A operação envolveu cerca de duzentos homens armados, viaturas militares e até mesmo helicópteros, e se estenderam por quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

O ponto de táxi de Nelson ficava na Rua Silveira Martins, esquina da Rua do Catete – junto ao então palácio presidencial – e costumava servir aos integrantes da guarda pessoal de Getúlio. Um desses integrantes, Climério Euribes de Almeida, combinara com o taxista de dar fuga em seu veículo a ele e um pistoleiro, Alcino João do Nascimento.

O atentado da rua Tonelero, em Copacabana, foi imediatamente desvendado; o que Karla & Família deseja fazer valer em Jacumã, parece de dificílima solução. 

Certamente, por razões pra lá de óbvias!

Fonte: Da Redação




Comentários realizados

  • Essa matéria ainda não tem comentários realizados e você pode ser o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de e-mail é de preenchimento obrigatório, mas não se preocupe que não publicaremos. Seu comentário será moderado pelo administrador do site e só será divulgado após isso.*


Outras Notícias

Mais Lidas