Delegado paraibano em Brasília candidato a federal diz que maioria dos eleitores é viciada e pedinte sem coragem para ganhar a vida com suor do rosto

11/05/2018

Paraibano “arrochado” o delegado da Policia Civil de Brasília, Miguel Lucena, anda trilhando um caminho que nunca foi seu, mas que espera nele não patinar – o da política partidária, onde a sujeira continua espessa, do Oiapoque ao Chuí.

Pré-candidato a deputado federal e muito bem pontuado em todas as pesquisas de intenção de votos até agora feitas no Distrito Federal, eleger-se em outubro não será nenhuma surpresa.

Miguel, ou “Miguezim” como em família é chamado, não é somente servidor de carreira da briosa PC brasiliense e jornalista, mas um homem dotado de várias outras importantes qualidades, dentre elas a que certamente mais lhe orgulha: escrever poesias, com verve nordestina.

Acostumado a dizer o que pensa, sem medo ou amarras, a caminhada do paraibano em busca de voto no Plano Piloto e nas satélites da Capital da República é tarefa árdua, penosa e, pelo que ele já tem deixado extravasar, ingloriamente cruel.

Miguezim entende que a hipocrisia brasileira leva os intelectuais a endeusarem o povo – sempre inocente e puro – e isentarem os eleitores da corrupção que domina o sistema político-eleitoral. “Para não perder votos, a maioria dos políticos finge que tudo está normal”, explica ele para negar a afirmativa com força e garra de sertanejo que é.

“Não está”, diz o delegado, mostrando com base nessa sua inicial experiência que o jogo é muito sujo. “Parte da sujeira vem do próprio eleitor, viciado e pedinte, sem coragem para ganhar a vida com o suor do próprio rosto”, tasca logo na cara de quem poderá vir a dar-lhe um assento no Congresso Nacional. 

DECLARAÇÃO MACHISTA (?!)

Em maio do ano passado, titulando a chefia da Divisão de Comunicação (Divicom) da Polícia Civil do Distrito Federal, o delegado Miguel Lucena veio a ser exonerado do cargo exatamente por conta de uma declaração forte, embora verdadeira, considerada pelos seus superiores como “machista”.

A situação dele se tornou insustentável na tarde do dia 15/5, uma segunda feira, quando atribuiu a responsabilidade do caso do estupro de uma menina de 11 anos aos relacionamentos da mãe dela. “As crianças estão pagando muito caro por esse rodízio de padrastos em casa”, disse Lucena.

O comentário foi postado em um grupo fechado de WhatsApp no qual a Polícia Civil divulga informações para jornalistas. Após receber críticas, Lucena deixou o grupo institucional e provocou um mal-estar generalizado. Às 17h45 daquele dia o diretor-geral da PCDF, Eric Seba, anunciou que tinha acabado de assinar o ato de exoneração e enviado ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

“A declaração não foi fundamentada em um estudo científico. Acho que, em pleno século 21, as mulheres têm o direito de buscar a sua felicidade e a construção da sua família. O comentário foi infeliz”, disse Seba.

Antes de ser exonerado, Lucena assegurou que não pediria a saída da Divicom. O delegado afirmou ter manifestado uma opinião pessoal, que não refletia o posicionamento da corporação. “Eu não me sinto nem um pouco constrangido em permanecer à frente da Divicom. O que falei em um grupo fechado expressa o meu pensamento, não a opinião da Polícia Civil.”

Questionado se estava arrependido da declaração, Lucena disse que não. “Precisamos discutir responsabilidades e freios morais. As crianças não podem pagar pelas atitudes desmedidas dos adultos, sejam eles homens ou mulheres. Quem leva uma prostituta para casa está arriscando a segurança de seus filhos. Da mesma forma como alguém que levar um psicopata, um ladrão, um homicida para dentro de casa estará colocando a vida dos filhos em risco”, afirmou.

Diante das críticas recebidas no grupo de WhatsApp, o delegado argumentou que 70% dos casos de estupro ocorrem dentro dos lares. “Esse tipo de corte politicamente correto só serve da classe média para cima. Quando estamos falando de pobres, é tudo uma desgraceira só. Precisamos ter a maturidade para enfrentar esse tema”, concluiu Lucena.

COMBATENDO O PEDITÓRIO

Avançando na caça aos votos, Miguezim tem se deparado com situações para ele inusitadas. E de modo constrangido dá exemplos. “Um pseudopastor me pediu esta semana telha, tijolo e areia, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Fui obrigado a dar-lhe uma resposta dura”, relata e continua: “Uma mulher de classe média alta me procurou pedindo o complemento de um valor para colocar silicone no glúteo. Respondi que ainda não estou dando isso, não”.

Os pedidos são inúmeros, espanta-se o  delegado: contas de água, luz, telefone, aluguel, enxoval para crianças, cirurgias e dinheiro. “É como se, ao anunciar uma pré-candidatura, o pretendente se transformasse numa máquina de obrar tudo”, revolta-se.

Bem ao seu estilo de dizer as coisas sem arrodeios, Miguel Lucena prossegue: “Tudo crime eleitoral. Depois, esses mesmos eleitores vão caçoar do político que depenaram, chamando-o de ladrão e ficha suja, quando, na verdade, são os legítimos representantes dos corruptos pedintes”.

Fonte: Da Redação




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