Ney entra no páreo do Senado e foco é esmagar Veneziano como um trator passando sobre um canteiro de coentro

11/07/2018

O até agora voo em céu de brigadeiro do deputado federal Veneziano Vital do Rego (PSB) na pré-candidatura por uma das duas vagas ao Senado Federal nas eleições deste ano começou a enfrentar antecipada turbulência, o que vai exigir dele a partir de então novas estratégias e agora sem a previsível garantia de vitória, propiciada por ser o principal nome governista.

O “ataque” a Veneziano acabou chegando de onde menos se esperava – a casa de um aliado: do ex-governador Roberto Paulino (MDB), que está puxando para o terreiro da disputa o ex-senador Ney Suassuna para cutucar o cão com vara estendida, escancarando larga porta infernal para atrapalhar os planos e prováveis votos do ex-cabeludo principalmente em Campina Grande.

Segunda feira passada, ao lado do filho deputado estadual Raniery Paulino (MDB), o nome de Ney foi lançado pelo ex-governador guarabirense para o Senado em composição com o candidato ao governo, José Maranhão. “É chapa imbativel”, definiu Roberto garantindo que todo o MDB, sem desfalques, apoia a tese e já trabalha na viabilização da dobradinha.

“Ney Suassuna tem algo em comum conosco porque é quem ao lado de Maranhão conhece e tem serviço prestado aos paraibanos como poucos”, frisou Roberto Paulino cravando um profundo golpe nas pretensões de Veneziano. Ney estaria extremamente motivado para a disputa, principalmente por ter a oportunidade de desbancar em Campina Grande a votação do ex-prefeito que lhe traiu vergonhosamente e teria sido, ao lado do irmão Vitalzinho, um dos principais responsáveis pela sua não reeleição.

É válido recordar que Suassuna foi o principal esteio - inclusive financeiro - da vitória de Veneziano para prefeito de Campina por pouco mais de 700 votos contra Rômulo Gouveia e principal impulsionador do êxito da primeira gestão do ex-cabeludo, quando viabilizou recursos federais em profusão para a municipalidade campinense. Como troco, Suassuna foi apunhalado e na campanha para a reeleição os Regos deram-lhe as costas e trabalharam com afinco nos bastidores para retirá-lo da vida pública, o que se concretizou para sua mágoa e desalento.

Sem permitir-se a maiores divagações, Ney trabalharia para atropelar Veneziano como um trator que passe por sobre um canteiro de coentros.

Filho de Campina Grande, nascido no mesmo 11 de outubro em que a cidade comemora aniversário, Ney Suassuna conhece cada palmo desse chão e pode alijar o deputado do páreo motivando que os votos dos campinenses sejam dados a ele e a Cássio ou, pelo menos, a maior parte deles.

Por enquanto, Veneziano contava com a possibilidade de que o duelo pelas duas cadeiras ao Senado recriasse o confronto de 2010 que favoreceu aos dois clãs: Cunha Lima e Rego.

Oito anos atrás os candidatos dos respectivos esquemas eram Vital do Rêgo Filho, então PMDB, e Cássio (PSDB), e no histórico de embates entre Cunha Lima e o “clã” dos Rego há equilíbrio e revezamento na hegemonia no cenário de Campina, que detém o segundo maior colégio eleitoral do Estado.

Como lembra Nonato Guedes no portal “Os Guedes”, Veneziano foi eleito prefeito por dois mandatos, batendo nas urnas Rômulo Gouveia, recentemente falecido, que tinha o suporte dos Cunha Lima para a medição de forças. Mais remotamente, Ronaldo Cunha Lima, pai de Cássio, e Antônio Vital do Rêgo, pai de Veneziano e Vital Filho, enfrentaram-se na disputa municipal pelo controle da prefeitura, com Ronaldo logrando sair em vantagem, tal como se deu em 1982, quando ele derrotou Antônio Vital do Rêgo e Enivaldo Ribeiro.

O quadro agora seria diferente – não apenas pela troca de nomes (Vital por Veneziano), mas pelas injunções partidárias. Veneziano, que era filiado ao antigo PMDB, entrou em rota de colisão com a cúpula nacional que o puniu internamente por ter votado contra matérias de interesse do governo Michel Temer remetidas a plenário e antevendo o risco de expulsão por infidelidade, aproveitou a “janela partidária” e migrou do agora MDB para o PSB do governador Ricardo Coutinho, tornando-se candidato natural ao Senado, até porque Coutinho decidiu permanecer no mandato até o último dia, para tentar eleger João Azevedo à sua sucessão.

À ótica de Nonato, não há garantia de que Cássio e Veneziano sejam eleitos, na repetição do feito de 2010. “Há outros postulantes de envergadura no páreo, como o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PSC), e, possivelmente a deputada estadual Daniella Ribeiro (PP), que é cortejada pelo pré-candidato do MDB ao governo, José Maranhão, para compor sua coligação”, informa ele.

O jornalista pessoense admitiu que de concreto um concorrente que poderia dar trabalho a Veneziano anunciou desistência de postular a reeleição – o senador Raimundo Lira, atualmente no PSD.  Mas agora, com a provável entrada de Ney no circuito, que é bom de bolso, de votos e de palanque, Veneziano que comece logo a coçar a peruca.

Fonte: Da Redação




Comentários realizados

  • 03/07/2018 às 22:17

    Anthares Dias

    Se for pra derrotar esse tal de Cabeludo, já tem o meu voto. Voto até na Besta Fera do Apocalipse, mas não voto nesse senhor.

  • 29/06/2018 às 21:25

    Edivaldo de Sales Júnior

    Kkkkkk..


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