Retomada de bombeamento de águas do São Francisco impediu ex-deputado de fazer súplica a Bolsonaro em Campina

13/11/2019

Robson Dutra, que foi Vereador em Campina Grande por duas legislaturas e Deputado Estadual na Paraíba quatro vezes, está hoje sem mandato mas nem por isso perdeu o “feeling” da boa política - aquela que foca o espírito público e se volta para o interesse coletivo.

Há três meses, alarmado com a seca e a negligência dos Poderes Públicos em fazer retornar o bombeamento de águas do rio São Francisco para socorro principalmente a Campina Grande e Região, de maneira indormida lançou-se a uma corrida quase solitária através dos veículos de comunicação com o intuito de sensibilizar a classe política - vereadores, deputados, senadores - para o problema antes da instalação do caos no Município.

Desde 11 de outubro, primeira data prevista para a vinda do Presidente Jair Bolsonaro a Campina Grande, que Robson carrega consigo consubstanciado documento que entregaria ao Chefe da Nação.

A “Carta ao Presidente” de Robson é um documento enxuto, sem termos técnicos, sem rebuscamentos.

É apenas um bravo pedido de um cidadão comum ao Chefe da Nação.

Em tom de súplica.

Súplica nordestina!

Quem conhece Robson sabe do seu valente temperamento, da sua disposição em realizar, de superar obstáculos, de encontrar soluções e jamais se quedar diante de adversidades.

Ontem cedo ele foi para o Ligeiro com o documento à tiracolo, mas já ciente de que não o entregaria ao destinatário, por perda de objeto. A carta tinha o objetivo de exigir de Bolsonaro a abertura das comportas do canal da transposição no eixo Norte para que as águas do São Francisco fossem novamente bombeadas com destino a Boqueirão, mas o ministro Canuto, no sábado, receptivo talvez aos gritos de Robson e de outros campinenses pela mídia, religou o bombeamento e no palanque do Aluízio Campos, ontem, avisou que o líquido já escorre para Monteiro descendo para o açude Epitácio Pessoa.

Missão cumprida!

E o que Robson na carta diria a Bolsonaro?

Que também para pedir, é preciso determinação e ter credibilidade, coisas inerentes à sua história.

“Em que pese a boa vontade dos setores federais envolvidos com o canal da transposição de águas do Rio São Francisco, há uma lentidão preocupante nas efetivas providencias que propiciem a retomada do bombeamento do líquido até a Paraíba, levando-nos à precoce certeza de que, se não houver da parte de Vossa Excelência uma definitiva determinação para priorizar a solução do problema, especialmente o que atinge o chamado Eixo Leste, Campina Grande viverá um caos sem precedentes nos próximos 60 dias”, era o seu aviso real ao Presidente.

A iniciativa de Robson Dutra era particular, mas não solitária. E ele botou isso no papel: “...pois acompanhada do mesmo sofrimento e da mesma angústia dos nossos concidadãos nordestinos e campinenses, em especial”.

Ou seja, um cidadão comum, falando em  nome de todos!

E de forma “atrevida”, como diria a Bolsonaro: “...tomo a honrosa e atrevida liberdade de me dirigir em tom de súplica a Vossa Excelência - rogando desde já por vossa especial atenção - para o problema da seca inclemente que, embora secular em nossa região, hoje atinge-nos com maior intensidade uma vez que o surto de desenvolvimento, apesar dela, felizmente continua grassando de modo alvissareiro por aqui”.

APALAVRA teve acesso à carta. Um belo documento, de uma notável ação de Robson Dutra que merece ser seguida por todos – como ele – que realmente amam este chão. 

Vejamos, parcialmente:

“Nós, nordestinos que de maneira as mais sofridas e diversas aprendemos a conviver com a estiagem e os seus danosos problemas, ainda não nos libertamos do “bater de portas” nos gabinetes dos poderosos da Nação, certamente a única alternativa que resta em busca de socorro e de sobrevivência – humana e animal.

Campina Grande, a qual Vossa Excelência privilegiou com a sua visita em algumas oportunidades durante a pré-campanha presidencial de 2018, é singular centro de irradiação regional e, por isso mesmo, polo de variados setores do conhecimento humano, se destacando inclusive nacionalmente pela vanguarda tecnológica, motivo de reiterado orgulho para o seu povo trabalhador.

Reconhecida como ‘Capital do Trabalho’, dado ao arrojo laboral dos seus filhos, Campina Grande é avançado polo universitário e tem na área da informática uma performance invejável, merecendo citações internacionais por conta dos softwares que produz e exporta para os três continentes, tendo parâmetro com desenvolvidos centros norte-americanos do Vale do Silício, nos Estados Unidos, por exemplo.

Aqui, apesar de distante 120 quilômetros do Oceano Atlântico e das paradisíacas praias do litoral paraibano, prospera a indústria do turismo de eventos e de negócios, sendo exemplo perfeitamente acabado a realização anual, no meio do ano, d’O Maior São João do Mundo, que atrai nos seus trinta dias de festa gente de todos os recantos do planeta.

Nossos jovens se qualificam em avançados centros universitários, cujas faculdades se destacam dentre as melhores do País formando mão-de-obra de altíssima qualidade - na Medicina, no Direito e nas Artes, na Administração, na Engenharia e - pasme Vossa Excelência - até mesmo na Aviação Civil, onde o curso aqui localizado tem o orgulho de ver seus concluintes pilotando jatos comerciais em empresas dos Estados Unidos, do Oriente Médio e da Europa.

Mas, Excelência, encravados que estamos na mais pobre e seca região do País, o instinto do PEDIR é nato dos que aqui nascemos, amamos e desejamos a prosperidade para o torrão. Geograficamente situada entre o mar e o sertão, Campina Grande acolhe famintos retirantes que deixam seus pequenos municípios acuados pela seca e aqui aportam em busca de VIDA!

Zona urbana beirando os 500 mil habitantes, a região metropolitana de Campina Grande já supera a casa de um milhão de moradores e seu avançado polo comercial tem sido atrativo maior para que outro tanto de pessoas por ela circule e faça negócios, gerando emprego e renda, coisa que o Nordeste do Brasil inteirinho se ressente.

Não é à toa que tudo em Campina Grande se apresenta superlativo.

O forte povo de Campina Grande tem suas necessidades, suas dores e principalmente os seus sonhos e as suas esperanças. Convive com as mazelas do tempo, chora com elas, mas não se dobra aos desafios e invariavelmente corre em busca da superação.

Pois aqui está aos seus pés, em nome desses irmãos, um filho que nunca deixou de acreditar no futuro!

E o meu pedido, suplicante, que levo a Vossa Excelência neste dia em que mais uma vez recebe as nossas respeitosas homenagens, é para MATAR A SEDE da nossa gente”.

Foi isso que Robson botou na carta a Bolsonaro.

Faria-lhe um pedido, mas sem necessidade de se ajoelhar aos seus pés. Uma reivindicação de quem pede com garra, a quem tem o poder de dar.

Só isso!

Valeu. Porque Campina muito ainda se ressente do trabalho dele na esfera pública.

Fonte: Da Redação

 
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Comentários realizados

  • 12/11/2019 às 15:21

    José Vieira da Silva

    Amigo Beguinha, parabéns para o mano Robson Dutra que tem sensibilidade e falou com palavras de grande Magnitude.

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