VLT Campina: dos blefes de Veneziano às ações práticas de Romero e finalmente a objetiva ação de João Azevedo

24/07/2019
Sem políticos à tiracolo, João Azevedo dá em Brasília pontapé inicial para VLT de Campina
Sem políticos à tiracolo, João Azevedo dá em Brasília pontapé inicial para VLT de Campina

O penoso histórico da ansiada presença de um VLT (Veículo Leve sob Trilhos) em Campina Grande, cuja idéia se arrasta há pelo menos oito anos, tem lances vergonhosos, oportunistas e até mesmo práticos, embora todos sempre focando um único objetivo: a captação de resultados eleitorais.

Esse tortuoso e enganador caminho, aberto pelo então prefeito Veneziano Vital do Rego em 2011, somente agora em julho de 2019 dá sinais de finalmente ter encontrado uma rota verdadeira e segura, longe das artimanhas eleitoreiras, e isto através não mais de um político, mas de um técnico alçado à condição de gestor – o governador João Azevedo (PSB).

Nesta segunda-feira (08), em Brasília, durante audiência com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, o chefe do Executivo estadual paraibano garantiu o que efetivamente pode ser chamado de pontapé inicial do projeto VLT, até então somente presente nos discursos - a assinatura do termo que permitirá ao Governo do Estado iniciar o projeto de implantação do equipamento em Campina Grande.

“Nós conseguimos marcar para o dia 17 a assinatura de um termo entre o Governo da Paraíba, a concessionária e o Ministério visando a transferência para o Estado da faixa de domínio para podermos trabalhar, de forma definitiva, o projeto de implantação do VLT de Campina Grande”, explicou João com contida euforia.

Sem mentiras nem arrodeios o governador destacou a importância do ato: “Foi um passo extremamente importante e que vai na direção do que asseguramos: a implantação de um sistema de transporte público viável e que melhore, definitivamente, essa área em Campina Grande”.

E um detalhe adicional, digno do grandioso e verdadeiro momento, merece registro: as companhias que João escolheu para referendar e testemunhar o encontro com o ministro – o jornalista Nonato Bandeira, secretário de Estado de Governo; Adauto Fernandes, secretário executivo do Escritório de Representação do Governo em Brasília; e Ronaldo Guerra, seu Chefe de Gabinete.

João Azevedo fez questão, ao que parece, de mostrar definitivamente ao povo paraibano - e mais especialmente ao morador de Campina Grande - que continua sendo um homem sério, imune completamente aos nocivos vícios existentes na política partidária e que elegem a mentira como condutor de passos.

Assim sendo, descartou ao seu lado políticos tradicionais como o próprio senador Veneziano Vital do Rego, que continua chamando para si a paternidade da obra.

Com esse passo providencialmente necessário é de se ter agora plena certeza de que a obra efetivamente começará a ser executada em 2020, como garantiu João nos palanques e, nesse instante, no exercício do seu mandato.

MENTIRAS E ENROLAÇÕES


A cronologia do tema VLT em Campina Grande dá enredo de novela de TV. Tudo começou em 2011, no Governo Veneziano, quando ele autorizou a Superintendência de Trânsito e Transportes Público (STTP) contratar empresa especializada para gerar estudos técnicos que viabilizassem a implantação do VLT;



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com a promessa do VLT Veneziano elegeu a mãe deputada e o mano senador

Homem prático que nas campanhas dos irmãos Rego tomava conta de grande parte da “logística” financeira, o ex-vendedor de óculos Salomão Augusto foi guinado por indicação do senador Vital do Rego Filho, e a contragosto do prefeito, exatamente ao comando da STTP. Objetivo: administrar os mais de R$ 30 milhões que o projeto do VLT deveria captar, contando com o açodado marketing do gabinete do padrinho.

Salomão arregaçou as mangas e já na primeira reunião no gabinete do prefeito apresentou ao alcaide consubstanciado relatório com todos os dados da visita técnica que se antecipou a realizar em Barbalha, no Ceará, para o conhecimento de todo o processo de produção e fabricação do VLT e provável contratação da empresa para atuar em Campina Grande.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Salomão queria ser gestor dos R$ 38 milhões mas sua maior iniciativa foi botar o nome de Campina em vagão do VLT de Barbalha-CE

Embevecido com a agilidade do auxiliar, o prefeito Venezia ratificou total apoio às ações e anunciou triunfalmente o que viria a ser a primeira grande mentira do VLT campinense: que o mesmo iria estar funcionando “até setembro de 2012”, com duas composições (vagões)

“O prefeito tem demonstrado apoio a esse projeto, e seu gesto só fortalece a idéia de que trabalhando hoje, garantiremos um futuro prospero para o sistema de transporte da cidade”, garantiu agradecido o superintendente da STTP.

Sucederam-se os blefes, ora pelo prefeito, ora pelo superintendente da STTP: que já havia reunião agendada com equipe técnica da FMG, empresa especializada na elaboração de estudos e projeto para implantação do tipo de equipamento; com a CFN, detentora da malha ferroviária na região de Campina Grande; que a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) teria elaborado todos os estudos de viabilidade; e que a operação deveria seguir moldes de outros sistemas brasileiros, com trens movidos à diesel.

À exaustão, o tema foi levado à mídia e ao eleitorado antes, durante e depois das campanhas eleitorais que se sucederam, período em que Veneziano quase fez Tatiana Medeiros sua sucessora e elegeu a mãe deputada federal e o irmão Senador da República.

PASSO PRÁTICO

Vários políticos embarcaram no projeto, como foi o caso do saudoso Rômulo Gouveia que garantiu não somente o seu apoio pessoal enquanto deputado federal da base do prefeito Romero Rodrigues, mas principalmente o financiamento do Governo Federal através do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, presidente do seu partido, o PSD.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rômulo embarcou na onda e garantiu que Kassab daria o dinheiro

Tudo, também, blefe!

O passo mais prático na história, entretanto, veio a ser dado exatamente pelo prefeito Romero Rodrigues em agosto de 2015 trazendo a Campina Grande uma comitiva de representantes do Ministério das Cidades e da CBTU para uma visita técnica com o objetivo de avaliar a viabilidade técnica e econômica para implantar o Veículo Leve sobre Trilhos na Rainha da Borborema.

A comitiva foi recebida pelo prefeito Romero Rodrigues, pelo secretário de planejamento e obras, André Agra, e pelo secretário de desenvolvimento econômico, Luiz Alberto Leite.

Romero mostrou que Campina tem demanda suficiente para implantação do VLT e explicou que a população da cidade é de 450 mil habitantes e 55 mil são estudantes; além disso, o argumentou que o Condomínio Aluízio Campos, que será habitado por 20 mil pessoas, e o polo industrial, ficam próximos da linha férrea.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Romero deu o primeiro passo objetivo trazendo técnicos federais para conhecer a malha ferroviária

De acordo com Romero, o trecho inicial teria 15 Km do Aluízio Campos até o Hospital da FAP. “Seria excelente para Campina Grande. A geografia ajudou muito, pois temos uma linha férrea que sai da parte periférica, passando pelo polo industrial, pelo centro e vai até o polo universitário, passando por hospitais. E ainda temos a possibilidade de fazer a integração com o sistema de transporte urbano da cidade”, disse à comitiva.

O superintendente da CBTU em João Pessoa, Wladme Macedo, integrante da comitiva, disse acreditar que seria ótimo para a mobilidade urbana de Campina a implantação do VLT. “Fomos a todos os trechos em que a linha férrea corta Campina e mostramos às representantes do Ministério das Cidades que é um investimento essencial para o transporte urbano da cidade”, revelou.

As representantes do Ministério, Guadiana Cortizo e Cristina Soja, levaram para Brasília as informações que puderam a partir daí ser avaliadas e analisadas pela área responsável, ensejando a que agora o governador João Azevedo possa contabilizar os dividendos.

Naquela ocasião, disse Romero: “Na realidade, estamos fazendo o trabalho preparatório, buscando apresentar subsídios e justificativas para evidenciar a viabilidade econômica da implantação de um VLT. Demonstramos que há demanda por parte da população para uso deste tipo de transporte público. Temos potencial para este tipo de investimento, destinado a integrar áreas centrais e periféricas”.

Como parte deste esforço e trabalho de convencimento, o prefeito “arregaçou as mangas” em pleno feriado e mostrou aos técnicos todo o itinerário da linha férrea de Campina Grande, começando do Distrito de Galante, passando pela área do futuro Complexo Aluísio Campos, além de outros setores da parte urbana da cidade, englobando ainda a parte central até o local onde estão instalados os campi da UEPB e da UFCG.

“Acreditamos, portanto, que há uma tendência e viabilidade deste benefício, mesmo porque, nas origens históricas de Campina Grande, existia transporte de passageiros por meio de trens, atendendo a linha entre a sede do município e o Distrito de Galante. Havia, até então, o uso de transporte ferroviário entre Campina e outros municípios, como Puxinanã e Pocinhos, entre outras várias cidades”, afirmou o prefeito destacando, ainda, que o projeto poderá revolucionar o perfil de mobilidade urbana na cidade, evitando-se, por meio deste tipo de transporte de massa, a ocorrência de congestionamentos e outros problemas.

O secretário André Agra disse ter ficado demonstrada a viabilidade da implantação do VLT, usando-se os 15,2 Km de linha férrea dentro da área urbana campinense, pois ela passa pelo Complexo Aluísio Campos, corta a cidade e vai até o pólo universitário. “Hoje, temos demanda suficiente para bancar o funcionamento deste tipo de sistema, pois contamos com 50 mil universitários, milhares de trabalhadores, grandes empresas e outros fatores que demonstram a necessidade, em termos de melhoria das condições de mobilidade urbana. Esta nossa realidade já foi encaminhada, em forma de projeto técnico, para as autoridades federais. Agora, os técnicos estão conhecendo, pessoalmente, o que lhes foi demonstrado no nosso projeto. Por isso, essa não é uma mera visita de sondagem, mas de coleta de informações para que apresentem um parecer final”, assegurou.

A gerente de Projetos do Ministério das Cidades, Cristina Maria Soja, confirmou que a meta da visita foi conhecer a realidade local para que o projeto do VLT avançasse. Segundo ela, a vsitia permitiu uma avaliação definitiva para a implantação do beneficio. “Aqui estamos conhecendo e identificando os pontos fortes e necessidades do município quanto a este tipo de transporte. Este trabalho faz parte do processo de implantação”, afirmou.

JUSTIFICATIVAS DE VENEZIANO

Candidato a prefeito, concorrendo com Romero Rodrigues, Veneziano não se envergonhou de novamente trazer o tema VLT para o centro das discussões como carro-chefe da sua campanha, mas não tardou para a imprensa questioná-lo.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na ACCG Veneziano encenou a entrega de projeto a diretores do BNB, que fugiram da raia

Na TV Paraíba, por exemplo, indagado por que a proposta de implantação de um Veículo Leve Sobre Trilhos foi feita em outras campanhas e não cumprida, Veneziano literalmente amarelou, saindo à francesa: “Não tive o tempo hábil para a implantação. O projeto previa primeiro o financiamento pelo BNB e BNDS, o estudo do projeto que foi feito por ambas instituições. A última parte caberia apenas a Secretaria do Tesouro Nacional para que nós acessássemos esse financiamento”, justificou.

Na época Veneziano teria prometido entregar seis terminais de integração em Campina Grande, durante sua gestão. Neste período, apenas dois equipamentos foram entregues e o candidato voltou a dizer que não houve tempo para entregar os terminais, mas falou que, se eleito, iria ampliar os que já existem e melhorar a infraestrutura nas ruas.

Veneziano ainda explicou que teve na sua gestão como prefeito as cartas de anuência do BNB e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinadas, autorizando a liberação de R$ 26 milhões, mas não houve tempo suficiente para a execução do projeto por conta do fim do mandato. E destacou: “Mas tudo acontece na época determinada e iremos atrás para que o VLT saia do papel e beneficie milhares de pessoas”.

REUNIÃO NA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL

Outro evento eleitoreiro com o VLT aconteceu na Associação Comercial onde Veneziano, numa solenidade comandada  pelo seu irmão senador, encenou a entrega a diretores do Banco do Nordeste do Brasil de uma a carta de intenções com o projeto de viabilidade técnica para a implantação do sistema VLT.

Objetivavam os irmãos Rego com a festa obter do BNB a garantia de desembolso de R$ 35 milhões e 800 mil reais para que, conforme discursou Veneziano, transformar o metrô de superfície em realidade até final daquele ano.

Apesar da garantia dada verbalmente pelos diretores do BNB, garantindo que a PMCG poderia contar com o total apoio da instituição para a iniciativa, o assunto ali mesmo morreu sem que até hoje nenhuma explicação tenha sido dada.

Fonte: Da Redação




Comentários realizados

  • 20/07/2019 às 07:59

    João

    O VLT de Romero só sai se for gerido pelo grupo A. Cândido (NACIONAL E TRANSNACIONAL). É esse grupo que banca as campanhas de Romero desde vereador.

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